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| Tabaco |
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Tabagismo é a prática de consumir tabaco a partir de sua queima e inalar a fumaça resultante, que pode ser inspirada, como acontece com os cigarros, narguilé e outros produtos, e/ou exalada pela boca, como acontece com cachimbos e charutos. Acredita-se que a prática tenha começado já em 5000–3000 a.C. na Mesoamérica e na América do Sul. O tabaco foi introduzido na Eurásia no final do século XVII por colonizadores europeus, onde seguiu rotas comerciais comuns. A prática enfrentou críticas desde sua primeira importação para o mundo ocidental, mas se consolidou em certos estratos de várias sociedades antes de se tornar generalizada com a introdução de máquinas automáticas de enrolar cigarros.
Nicotinismo é um novo termo, de uso mais recente. Trata-se do consumo de um ou mais produtos que contenham nicotina. Assim, uma pessoa que consuma cigarros e charutos pratica o tabagismo e o nicotinismo.
Fumar é o método mais comum de consumo de tabaco, sendo a substância mais comumente fumada. O produto agrícola é frequentemente misturado com aditivos e então queimado. A fumaça resultante, que contém várias substâncias ativas, sendo a mais significativa a droga psicoestimulante viciante nicotina (um composto naturalmente encontrado no tabaco), é absorvida pelos alvéolos pulmonares ou pela mucosa oral. Muitas substâncias presentes na fumaça do cigarro, principalmente a nicotina, desencadeiam reações químicas nas terminações nervosas, que aumentam a frequência cardíaca, o estado de alerta e o tempo de reação, entre outras coisas. Neste processo são liberados dopamina e endorfinas, frequentemente associadas ao prazer, o que leva ao vício.
Cientistas alemães identificaram uma ligação entre o tabagismo e o câncer de pulmão no final da década de 1920, o que levou à primeira campanha antitabagista da história moderna, embora interrompida pelo colapso da Alemanha nazista no final da Segunda Guerra Mundial. Em 1950, pesquisadores britânicos demonstraram uma clara relação entre o tabagismo e o câncer. As evidências continuaram a se acumular na década de 1960, o que motivou ações políticas contra a prática. As taxas de consumo desde 1965 no mundo desenvolvido atingiram o pico ou diminuíram. No entanto, elas continuam a subir no mundo em desenvolvimento. De 2008 a 2010, o tabaco era usado por cerca de 49% dos homens e 11% das mulheres com 15 anos ou mais em quatorze países de baixa e média renda (Bangladesh, Brasil, China, Egito, Índia, México, Filipinas, Rússia, Tailândia, Turquia, Ucrânia, Uruguai e Vietnã), sendo que cerca de 80% desse uso se dava na forma de fumo. A diferença entre os sexos tende a ser menos acentuada nos grupos etários mais jovens. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 8 milhões de mortes anuais são causadas pelo tabagismo.
Muitos fumantes começam a fumar durante a adolescência ou no início da idade adulta. Um estudo de 2009 sobre as primeiras experiências com cigarro entre alunos da sétima série descobriu que o fator mais comum que leva os alunos a fumar são os anúncios de cigarro. O fato de pais, irmãos e amigos fumarem também incentiva os alunos a fumar. Nos estágios iniciais, uma combinação de prazer percebido, atuando como reforço positivo, e o desejo de responder à pressão social dos pares pode compensar os sintomas desagradáveis do uso inicial, que normalmente incluem náuseas e tosse. Depois que um indivíduo fuma por alguns anos, a evitação dos sintomas de abstinência da nicotina e o reforço negativo tornam-se as principais motivações para continuar.

Uma descoberta arqueológica levanta a possibilidade de fumar tabaco na área do atual Nevada há cerca de 12 mil anos.
O uso sistemático do tabaco remonta a 5000–3000 a.C., quando o produto agrícola começou a ser cultivado na Mesoamérica e na América do Sul; o consumo posteriormente passou a envolver a queima da substância vegetal, seja acidentalmente ou com a intenção de explorar outras formas de consumo. A prática incorporou-se aos rituais xamânicos. Muitas civilizações antigas – como os babilônios, os indianos e os chineses – queimavam incenso durante rituais religiosos. Nas Américas, o hábito de fumar provavelmente teve origem nas cerimônias de queima de incenso dos xamãs, mas foi posteriormente adotado por prazer ou como ferramenta social. O fumo de tabaco e de várias drogas alucinógenas era usado para alcançar estados de transe e entrar em contato com o mundo espiritual. Além disso, para estimular a respiração, eram utilizados enemas de fumaça de tabaco.
As tribos do leste da América do Norte carregavam grandes quantidades de tabaco em bolsas como item de troca facilmente aceito e frequentemente o fumavam em cachimbos cerimoniais, seja em cerimônias sagradas ou para selar acordos. Adultos e crianças apreciavam a prática. Acreditava-se que o tabaco era um presente do Criador e que a fumaça exalada do tabaco era capaz de levar os pensamentos e orações ao Grande Espírito.
Além de fumar, o tabaco era usado como medicamento. Como analgésico, era usado para dor de ouvido e dor de dente e ocasionalmente como cataplasma. Os índios do deserto consideravam o fumo uma cura para resfriados, especialmente se o tabaco fosse misturado com as folhas da pequena sálvia do deserto, Salvia dorrii, ou com a raiz do bálsamo indiano ou raiz da tosse, Leptotaenia multifida, cuja adição era considerada particularmente boa para asma e tuberculose.

Em 1612, seis anos após a fundação de Jamestown, Virgínia, John Rolfe foi considerado o primeiro colono europeu a cultivar com sucesso tabaco como cultura comercial. A demanda cresceu rapidamente, pois o tabaco, chamado de "ouro marrom", revitalizou a companhia de ações conjuntas da Virgínia após suas fracassadas expedições em busca de ouro. Para atender às demandas do Velho Mundo, o tabaco foi cultivado sucessivamente, esgotando rapidamente o solo. Isso se tornou um motivador para a colonização do oeste, no continente desconhecido, e também uma expansão da produção de tabaco.
O francês Jean Nicot (de cujo nome deriva a palavra nicotina) introduziu o tabaco na França em 1560 e o tabaco se espalhou para a Inglaterra. O primeiro relato de um inglês fumando é o de um marinheiro em Bristol, em 1556, visto "expelindo fumaça pelas narinas". Assim como o chá, o café e o ópio, o tabaco era apenas uma das muitas substâncias intoxicantes que eram originalmente usadas como forma de medicamento.
Logo após sua introdução no Velho Mundo, o tabaco passou a ser alvo de frequentes críticas por parte de líderes estatais e religiosos. Jaime VI e I, rei da Escócia e da Inglaterra, publicou o tratado "Um Contra-ataque ao Tabaco" em 1604 e também introduziu um imposto sobre o produto. Murade IV, sultão do Império Otomano (1623-1640), foi um dos primeiros a tentar proibir o fumo, alegando que representava uma ameaça à moral e à saúde públicas. O imperador Chongzhen da China emitiu um édito proibindo o fumo dois anos antes de sua morte e da queda da dinastia Ming. Mais tarde, os governantes manchus da dinastia Qing proclamariam o fumo "um crime mais hediondo do que até mesmo negligenciar o arco e flecha". No Japão do período Edo, algumas das primeiras plantações de tabaco foram desprezadas pelo xogunato por representarem uma ameaça à economia militar, já que permitiam que terras agrícolas valiosas fossem desperdiçadas para o uso de uma droga recreativa em vez de serem usadas para o plantio de alimentos.

Líderes religiosos frequentemente figuravam entre aqueles que consideravam o fumo imoral ou mesmo uma blasfêmia. Em 1634, o Patriarca de Moscou proibiu a venda de tabaco e condenou homens e mulheres que desrespeitassem a proibição a terem suas narinas cortadas e suas costas esfoladas. O Papa Urbano VIII também condenou o fumo em locais sagrados em uma bula papal de 1624. Apesar de alguns esforços conjuntos, as restrições e proibições foram amplamente ignoradas. Quando Jaime I da Inglaterra, um ferrenho opositor do fumo e autor da já mencionada Contra-ataque ao Tabaco, tentou conter a nova tendência impondo um aumento de 4000% nos impostos sobre o tabaco em 1604, a tentativa fracassou, como demonstra a presença de cerca de 7000 pontos de venda de tabaco em Londres no início do século XVII. A partir desse momento, por alguns séculos, diversas administrações abandonaram os esforços para desencorajar o fumo e, em vez disso, transformaram o comércio e o cultivo do tabaco em monopólios governamentais, por vezes lucrativos.
Em meados do século XVII, a maioria das grandes civilizações já havia sido apresentada ao hábito de fumar tabaco e, em muitos casos, já o havia assimilado à cultura nativa, apesar de algumas tentativas contínuas por parte dos governantes de eliminar a prática com penalidades ou multas. O tabaco, tanto o produto quanto a planta, seguia as principais rotas comerciais até os principais portos e mercados, e depois para o interior.
O crescimento nos Estados Unidos permaneceu estável até a Guerra Civil Americana na década de 1860, quando a principal força de trabalho agrícola passou da escravidão para o sistema de parceria agrícola. Isso, juntamente com uma mudança na demanda, acompanhou a industrialização da produção de cigarros, quando o artesão James Bonsack criou uma máquina em 1881 para automatizar parcialmente sua fabricação.
Em 1912 e 1932, na Alemanha, grupos antitabagistas, frequentemente associados a grupos antialcoólicos, publicaram pela primeira vez uma defesa contra o consumo de tabaco na revista Der Tabakgegner (O Opositor do Tabaco). Em 1929, Fritz Lickint, de Dresden, Alemanha, publicou um artigo contendo evidências estatísticas formais de uma ligação entre o câncer de pulmão e o tabaco. Durante a Grande Depressão, Adolf Hitler condenou seu antigo hábito de fumar como um desperdício de dinheiro e posteriormente com afirmações mais fortes. Esse movimento foi ainda mais fortalecido pela política reprodutiva nazista, já que as mulheres fumantes eram consideradas inadequadas para serem esposas e mães em uma família alemã.
O movimento antitabaco na Alemanha nazista não ultrapassou as linhas inimigas durante a Segunda Guerra Mundial, pois os grupos antitabagistas perderam rapidamente o apoio popular. Ao final do conflito, os fabricantes americanos de cigarros voltaram rapidamente a atuar no mercado negro alemão. O contrabando ilegal de tabaco tornou-se generalizado e os líderes da campanha antitabagista nazista foram silenciados. Como parte do Plano Marshall, os Estados Unidos enviaram tabaco gratuitamente para a Alemanha; com 24 mil toneladas em 1948 e 69 mil toneladas em 1949. O consumo anual per capita de cigarros na Alemanha do pós-guerra aumentou constantemente de 460 em 1950 para 1.523 em 1963. No final do século XX, as campanhas antitabagistas na Alemanha não conseguiram superar a eficácia do auge da era nazista nos anos de 1939-41 e a pesquisa alemã sobre saúde e tabaco foi descrita por Robert N. Proctor como "discreta".

Em 1950, Richard Doll publicou uma pesquisa no British Medical Journal mostrando uma forte ligação entre o tabagismo e o câncer de pulmão. A partir de dezembro de 1952, a revista Reader's Digest publicou "Cancer by the Carton", uma série de artigos que relacionavam o tabagismo com este tipo de câncer.
Em 1954, o Estudo de Médicos Britânicos, um estudo prospectivo com cerca de 40 mil médicos durante cerca de 2,5 anos, confirmou a sugestão, com base na qual o governo emitiu um alerta de que o tabagismo e as taxas de câncer de pulmão estavam relacionados. Em janeiro de 1964, o Relatório do Cirurgião-Geral dos Estados Unidos sobre Tabagismo e Saúde também começou a sugerir a relação entre o tabagismo e o câncer.
À medida que as evidências científicas se acumulavam na década de 1980, as empresas de tabaco alegaram negligência concorrente, pois os efeitos adversos à saúde eram anteriormente desconhecidos ou careciam de credibilidade substancial. As autoridades de saúde apoiaram essas alegações até 1998, quando reverteram sua posição. O Tobacco Master Settlement Agreement, originalmente firmado entre as quatro maiores empresas de tabaco dos EUA e os procuradores-gerais de 46 estados, restringiu certos tipos de publicidade de tabaco e exigiu pagamentos de indenização por danos à saúde, que posteriormente se tornaram o maior acordo civil da história dos Estados Unidos.
De 1965 a 2006, as taxas de tabagismo nos Estados Unidos diminuíram de 42% para 20,8%. A maioria dos que pararam de fumar eram homens profissionais e abastados. Embora o número de fumantes per capita tenha diminuído, o número médio de cigarros consumidos por pessoa por dia aumentou de 22 em 1954 para 30 em 1978. Esse evento paradoxal sugere que aqueles que pararam de fumar fumaram menos, enquanto aqueles que continuaram fumando passaram a fumar mais cigarros light. Essa tendência foi acompanhada por muitas nações industrializadas, cujas taxas se estabilizaram ou diminuíram. No mundo em desenvolvimento, no entanto, o consumo de tabaco continuou a aumentar, atingindo 3,4% em 2002. Na África, o tabagismo é considerado moderno na maioria das áreas, e muitas das fortes opiniões contrárias que prevalecem no Ocidente recebem muito menos atenção. Em 2008, Rússia (70,2%), Indonésia (65,3%), Bielorrússia (63,6%), Ucrânia (63,3%), Laos (62,5%), Grécia (62,4%), Jordânia (61,7%), Tonga (61,1%), China (60,8%) e Coreia do Norte (59,5%) foram classificadas em primeiro lugar pela estimativa de prevalência ajustada da percentagem da população masculina fumadora de tabaco.
Em 2025, Bangladesh, Índia e Nepal estavam a caminho de alcançar uma redução relativa de pelo menos 30% no consumo de tabaco, de acordo com o relatório global da OMS sobre tendências na prevalência do consumo de tabaco de 2000 a 2024. A Região do Sudeste Asiático da OMS apresentou o progresso mais rápido a nível global, já tendo atingido a meta global de redução para 2021 através de políticas robustas, tributação e iniciativas de cessação tabágica. Apesar deste sucesso, mais de 322 milhões de adultos na região continuam a consumir tabaco, o que sublinha a necessidade de regulamentação contínua e de ações de saúde pública.
O tabaco é um produto agrícola processado a partir das folhas frescas de plantas do gênero Nicotiana. O gênero contém diversas espécies, sendo a Nicotiana tabacum a mais comumente cultivada. A Nicotiana rustica vem em segundo lugar, contendo concentrações mais elevadas de nicotina. As folhas são colhidas e curadas para permitir a lenta oxidação e degradação dos carotenoides presentes nas folhas de tabaco. Isso produz certos compostos nas folhas de tabaco, que podem ser atribuídos a aromas de feno doce, chá, óleo de rosa ou frutas aromáticas. Antes do envase, o tabaco é frequentemente combinado com outros aditivos para aumentar o poder viciante, alterar o pH do produto ou melhorar os efeitos da fumaça, tornando-a mais palatável. Nos Estados Unidos, esses aditivos são regulamentados em 599 substâncias.
Os métodos comuns de consumo de tabaco incluem os seguintes:


As substâncias ativas do tabaco, especialmente dos cigarros, são administradas pela queima das folhas e inalação do gás vaporizado resultante. Isso permite a rápida e eficaz absorção das substâncias pela corrente sanguínea através dos alvéolos pulmonares. Os pulmões contêm cerca de 300 milhões de alvéolos, o que corresponde a uma área de superfície superior a 70 metros quadrados (aproximadamente o tamanho de uma quadra de tênis). Este método não é completamente eficiente, pois nem toda a fumaça será inalada e parte das substâncias ativas será perdida no processo de combustão e pirólise. A fumaça de cachimbo e charuto não é inalada devido à sua alta alcalinidade, que é irritante para a traqueia e os pulmões. No entanto, devido à sua maior alcalinidade (pH 8,5) em comparação com a fumaça do cigarro (pH 5,3), a nicotina não ionizada é absorvida mais facilmente pelas membranas mucosas da boca. A absorção de nicotina do charuto e do cachimbo, no entanto, é muito menor do que a da fumaça do cigarro. A nicotina e a cocaína ativam padrões semelhantes de neurônios, o que corrobora a existência de substratos comuns entre essas drogas.
A nicotina absorvida imita a acetilcolina nicotínica, que, ao se ligar aos receptores nicotínicos de acetilcolina, impede a recaptação da acetilcolina, aumentando assim esse neurotransmissor nessas áreas do corpo. Esses receptores nicotínicos de acetilcolina estão localizados no sistema nervoso central e na junção neuromuscular dos músculos esqueléticos; sua atividade aumenta a frequência cardíaca, o estado de alerta e os tempos de reação. A estimulação da acetilcolina pela nicotina não é diretamente viciante. No entanto, como os neurônios liberadores de dopamina são abundantes nos receptores de nicotina, a dopamina é liberada; e, no núcleo accumbens, a dopamina está associada à motivação, causando comportamento reforçador. O aumento da dopamina no córtex pré-frontal também pode aumentar a memória de trabalho.
Quando o tabaco é fumado, a maior parte da nicotina é pirolisada. No entanto, permanece uma dose suficiente para causar dependência somática leve e dependência psicológica leve a forte. Também ocorre a formação de harmana (um inibidor da MAO) a partir do acetaldeído presente na fumaça do tabaco. Isso pode desempenhar um papel no vício em nicotina, facilitando a liberação de dopamina no núcleo accumbens em resposta aos estímulos da nicotina. Em estudos com ratos, a abstinência após exposição repetida à nicotina resulta em células do núcleo accumbens menos responsivas, responsáveis pela produção de dopamina e pelo reforço.



Em 2000, o hábito de fumar era praticado por cerca de 1,22 bilhão de pessoas. Nas taxas atuais de "substituição de fumantes" e crescimento do mercado, esse número pode chegar a cerca de 1,9 bilhão de pessoas em 2025.
O tabagismo pode ser até cinco vezes mais prevalente entre os homens do que entre as mulheres em algumas comunidades, embora a diferença entre os sexos geralmente diminua com a idade mais jovem. Em alguns países desenvolvidos, as taxas de tabagismo entre os homens atingiram o pico e começaram a diminuir, enquanto entre as mulheres continuam a aumentar.
Em 2002, cerca de 20 por cento dos adolescentes (13-15 anos) fumavam em todo o mundo. De 80 mil a 100 mil crianças começam a fumar todos os dias, aproximadamente metade das quais vive na Ásia. Prevê-se que metade daqueles que começam a fumar na adolescência continuem a fumar durante 15 a 20 anos. Em 2019, nos Estados Unidos, cerca de 800 mil estudantes do ensino médio fumavam.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que "grande parte da carga de doenças e da mortalidade prematura atribuíveis ao uso do tabaco afetam desproporcionalmente os pobres". Dos 1,22 bilhão de fumantes, 1 bilhão deles vivem em economias em desenvolvimento ou em transição. As taxas de tabagismo estabilizaram ou diminuíram no mundo desenvolvido. No mundo em desenvolvimento, no entanto, o consumo de tabaco está aumentando 3,4% ao ano em 2002.
A OMS projetou em 2004 58,8 milhões de mortes ocorrerão globalmente, das quais 5,4 milhões são atribuídos ao tabaco, e 4,9 milhões em 2007. Em 2002, 70% das mortes ocorreram em países em desenvolvimento. Em 2017, o tabagismo causa uma em cada dez mortes no mundo, sendo metade dessas mortes nos EUA, China, Índia e Rússia.

A maioria dos fumantes começa a fumar durante a adolescência ou no início da idade adulta. Alguns estudos também mostram que o tabagismo pode estar ligado a várias complicações de saúde mental. Fumar tem elementos de comportamento de risco e rebeldia, que muitas vezes atraem os jovens. A presença de colegas que fumam e a mídia que apresenta celebridades fumando também podem incentivar o tabagismo. Isso ocorre porque os adolescentes são mais influenciados por seus pares do que pelos adultos, sendo as tentativas dos pais, escolas e profissionais de saúde para impedir que as pessoas experimentem cigarros são frequentemente malsucedidas.
Crianças com pais fumantes têm maior probabilidade de fumar do que crianças com pais não fumantes. Filhos de pais fumantes têm menor probabilidade de parar de fumar. Um estudo descobriu que a cessação do tabagismo dos pais estava associada a menos tabagismo na adolescência, exceto quando o outro progenitor fumava. Um estudo de 2000 testou a relação entre o tabagismo na adolescência e as regras que regulamentam onde os adultos podem fumar em casa. Os resultados mostraram que políticas restritivas sobre fumar em casa estavam associadas a uma menor probabilidade de experimentar o cigarro tanto em alunos do ensino fundamental quanto do ensino médio.
A pesquisa comportamental geralmente indica que os adolescentes iniciam o hábito de fumar devido à pressão dos pares e à influência cultural exercida pelos amigos. No entanto, um estudo constatou que a pressão direta para fumar cigarros teve um papel menos significativo no tabagismo adolescente, com os próprios adolescentes relatando baixos níveis de pressão normativa e direta para fumar cigarros. A mera exposição a pontos de venda de tabaco pode motivar o comportamento de fumar em adultos. Um estudo semelhante sugeriu que os indivíduos podem desempenhar um papel mais ativo no início do tabagismo do que se pensava anteriormente e que processos sociais além da pressão dos pares também precisam ser levados em consideração. Os resultados de outro estudo indicaram que a pressão dos pares estava significativamente associada ao comportamento de fumar em todas as faixas etárias e gêneros, mas que fatores intrapessoais foram significativamente mais importantes para o comportamento de fumar de meninas de 12 a 13 anos do que de meninos da mesma idade. Dentro da faixa etária de 14 a 15 anos, uma variável de pressão dos pares emergiu como um preditor significativamente mais importante do tabagismo em meninas do que em meninos.
O psicólogo Hans Eysenck (que mais tarde foi questionado por resultados implausíveis e publicações inseguras) desenvolveu um perfil de personalidade para o fumante típico. A extroversão é o traço mais associado ao tabagismo e os fumantes tendem a ser indivíduos sociáveis, impulsivos, propensos a correr riscos e que buscam emoções.
As razões apresentadas por alguns fumantes para essa atividade foram categorizadas como tabagismo viciante, prazer de fumar, redução da tensão/relaxamento, tabagismo social, estimulação, hábito/automatismo e controle. Existem diferenças de gênero em relação à contribuição de cada uma dessas razões, sendo as mulheres mais propensas do que os homens a citar a redução da tensão/relaxamento, a estimulação e o tabagismo social.
Alguns fumantes argumentam que o efeito depressor do fumo lhes permite acalmar os nervos, muitas vezes possibilitando maior concentração. No entanto, de acordo com o Imperial College London, "a nicotina parece proporcionar tanto um efeito estimulante quanto um depressor, e o efeito que ela produz em qualquer momento provavelmente é determinado pelo humor do usuário, pelo ambiente e pelas circunstâncias de uso. Estudos sugerem que doses baixas têm um efeito depressor, enquanto doses mais altas têm um efeito estimulante."
Diversos estudos estabeleceram que as vendas de cigarros e o tabagismo seguem padrões distintos relacionados ao tempo. Por exemplo, as vendas de cigarros nos Estados Unidos demonstraram seguir um padrão sazonal acentuado, com os meses de pico sendo os meses de verão e os meses de baixa sendo os meses de inverno.
Da mesma forma, foi demonstrado que o tabagismo segue padrões circadianos distintos durante o dia de vigília, com o pico geralmente ocorrendo logo após acordar pela manhã e pouco antes de dormir à noite.


O tabagismo é a principal causa de morte evitável e uma preocupação global de saúde pública. Existem 1,3 bilhão de usuários de tabaco no mundo, de acordo com os dados mais recentes da OMS. Uma pessoa morre a cada seis segundos devido a uma doença relacionada ao tabaco.
O uso de tabaco leva mais comumente a doenças que afetam o coração e os pulmões, sendo o tabagismo um importante fator de risco para ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), fibrose pulmonar idiopática (FPI) e enfisema.
O tabagismo causa vários tipos e subtipos de câncer (particularmente câncer de pulmão, orofaringe, laringe, e boca, câncer de esôfago e pâncreas). O uso de tabaco, especialmente em conjunto com o álcool, é um importante fator de risco para o câncer de cabeça e pescoço . 72% dos casos de câncer de cabeça e pescoço são causados pelo uso de álcool e tabaco. Esse percentual sobe para 89% quando se considera especificamente o câncer de laringe.
Fumar cigarros aumenta o risco de doença de Crohn, bem como a gravidade do curso da doença. É também a principal causa de câncer de bexiga e tem sido associado à sarcopenia, a perda de massa e força muscular relacionada à idade. A fumaça do tabaco provoca efeitos carcinogênicos nos tecidos do corpo expostos à fumaça. Sabe-se que fumar charutos regularmente acarreta sérios riscos à saúde, incluindo aumento do risco de desenvolver vários tipos e subtipos de câncer, doenças respiratórias, doenças cardiovasculares, doenças cerebrovasculares, doenças periodontais, cáries e perda dentária e doenças malignas.
A fumaça do tabaco é uma mistura complexa de mais de 7 mil substâncias químicas tóxicas, 98 das quais estão associadas a um risco aumentado de doenças cardiovasculares e 69 das quais são conhecidas por serem carcinogênicas. As substâncias químicas mais importantes que causam câncer são aquelas que produzem danos ao DNA, uma vez que tais danos parecem ser a principal causa subjacente do câncer. Os compostos mais carcinogênicos na fumaça do cigarro são acroleína, formaldeído, acrilonitrila, 1,3-butadieno, acetaldeído, óxido de etileno e isopreno. Além dos produtos químicos tóxicos mencionados anteriormente, o tabaco aromatizado contém aromatizantes que, ao serem aquecidos, liberam produtos químicos tóxicos e carcinógenos, como monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), furanos, fenóis, aldeídos (como a acroleína) e ácidos, além de carcinógenos nitrogenados, álcoois e metais pesados, todos perigosos para a saúde humana. Uma comparação de 13 sabores comuns de narguilé constatou que os sabores de melão são os mais perigosos, com sua fumaça contendo quatro classes de substâncias nocivas em altas concentrações.
A Organização Mundial da Saúde estima que o tabaco causou 8 milhões de mortes em 2004 e 100 milhões de mortes ao longo do século XX. Da mesma forma, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos descrevem o uso do tabaco como "o risco evitável mais importante para a saúde humana em países desenvolvidos e uma importante causa de morte prematura em todo o mundo". Embora 70% dos fumantes declarem sua intenção de parar de fumar, apenas 3–5% são bem-sucedidos neste objetivo.
As probabilidades de morte por câncer de pulmão antes dos 75 anos no Reino Unido são de 0,2% para homens que nunca fumaram (0,4% para mulheres), 5,5% para homens ex-fumantes (2,6% em mulheres), 15,9% para homens que fumam atualmente (9,5% para mulheres) e 24,4% para homens que fumam intensamente, definidos como aqueles que fumam mais de 25 cigarros por dia (18,5% para mulheres).
O risco de câncer de pulmão diminui quase desde o primeiro dia em que alguém para de fumar, e cai 50% após 10 anos de cessação do tabagismo. Células saudáveis que escaparam de mutações crescem e substituem as danificadas nos pulmões. Em uma pesquisa de dezembro de 2019, 40% das células em ex-fumantes eram semelhantes às de indivíduos que nunca fumaram.
As taxas de tabagismo geralmente estabilizaram ou diminuíram no mundo desenvolvido. Nos Estados Unidos, as taxas de tabagismo caíram pela metade entre 1965 e 2006, de 42% para 20,8% em adultos. No mundo em desenvolvimento, o consumo de tabaco está aumentando 3,4% ao ano.
O tabagismo altera o transcriptoma do parênquima pulmonar; os níveis de expressão de um painel de sete genes (KMO, CD1A, SPINK5, TREM2, CYBB, DNASE2B, FGG) estão aumentados no tecido pulmonar de fumantes.
O fumo passivo é a inalação de fumaça de tabaco por indivíduos que não estão fumando ativamente. Essa fumaça é conhecida como fumaça de segunda mão (FSM) ou fumaça ambiental de tabaco (FAT) quando a ponta acesa está presente e fumaça de terceira mão após a ponta acesa ter sido apagada. Devido às suas implicações negativas, a exposição à FSM tem desempenhado um papel central na regulamentação dos produtos de tabaco. Seiscentas mil mortes foram atribuídas à FSM em 2004. Também se sabe que ela causa problemas de pele, como sardas e ressecamento.
Fumantes apresentam maior risco de desenvolver transtorno psicótico. O tabaco também tem sido descrito como um anafrodisíaco devido à sua propensão para causar disfunção erétil. Existe uma correlação entre o tabagismo e um risco reduzido de doença de Parkinson.
Em países com sistema de saúde universalmente financiado, o governo cobre os custos de assistência médica para fumantes que adoecem devido ao tabagismo por meio do aumento da tributação sobre o tabaco. Existem duas posições principais em debate sobre esse tema: o argumento "pró-tabagismo" sugere que fumantes inveterados geralmente não vivem o suficiente para desenvolver as doenças crônicas e dispendiosas que afetam os idosos, reduzindo assim o ônus para o sistema de saúde; já o argumento "antitabagismo" argumenta que esse ônus aumenta porque os fumantes desenvolvem doenças crônicas mais jovens e com maior frequência do que a população em geral. Os dados que sustentam ambas as posições são contestados. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) publicaram uma pesquisa em 2002 alegando que o custo de cada maço de cigarros vendido nos Estados Unidos era superior a 7 dólares em assistência médica e perda de produtividade. O custo pode ser ainda maior, com outro estudo estimando-o em até 41 dólares por maço, sendo que a maior parte desse valor recai sobre o indivíduo e sua família. É assim que um dos autores desse estudo explica o custo muito baixo para os outros: "O motivo pelo qual o número é baixo é que, para pensões privadas, Segurança Social e Medicare — os maiores fatores no cálculo dos custos para a sociedade — fumar na verdade economiza dinheiro. Os fumantes morrem mais jovens e não utilizam os fundos que contribuíram para esses sistemas." Outras pesquisas demonstram que a morte prematura causada pelo tabagismo pode redistribuir a renda da segurança social de maneiras inesperadas, afetando o comportamento e reduzindo o bem-estar econômico dos fumantes e seus dependentes. Para corroborar ainda mais isso, independentemente da taxa de consumo de tabaco por dia, os fumantes têm um custo médico ao longo da vida, em média, maior do que um não fumante, estimado em 6 mil dólares. Somando o custo da perda de produtividade e os gastos com saúde, o tabagismo custa pelo menos 193 bilhões de dólares (pesquisas também mostram que fumantes ganham menos dinheiro do que não fumantes). Quanto ao fumo passivo, o custo é superior a 10 bilhões de dólares.
Em contrapartida, alguns estudos não científicos, incluindo um conduzido pela Philip Morris na República Checa, intitulado "Public Finance Balance of Smoking in the Czech Republic", e outro pelo Cato Institute, apoiam a posição oposta. A Philip Morris pediu desculpas explicitamente pelo primeiro estudo, afirmando: "O financiamento e a divulgação pública deste estudo, que, entre outras coisas, detalhou a suposta economia de custos para a República Checa devido às mortes prematuras de fumantes, demonstraram um julgamento terrível, bem como um completo e inaceitável desrespeito aos valores humanos básicos. Para uma de nossas empresas de tabaco, encomendar este estudo não foi apenas um erro terrível; foi errado. Todos nós da Philip Morris, independentemente de onde trabalhamos, lamentamos profundamente isso. Ninguém se beneficia das doenças reais, graves e significativas causadas pelo tabagismo."
A indústria do tabaco é uma das maiores empresas globais. As seis maiores empresas de tabaco obtiveram um lucro combinado de 35,1 bilhões de dólares (Jha et al., 2014) em 2010.

Fumantes famosos do passado usavam cigarros ou cachimbos como parte de sua imagem, como os cigarros Gauloises de Jean-Paul Sartre; os cachimbos de Albert Einstein, Douglas MacArthur, Bertrand Russell e Bing Crosby; ou o cigarro do jornalista Edward R. Murrow . Escritores, em particular, parecem ser conhecidos por fumar, como, por exemplo, o livro "Cigarettes are Sublime" (Os Cigarros São Sublimes), do professor de literatura francesa Richard Klein, da Universidade Cornell, que analisa o papel do tabagismo nas cartas dos séculos XIX e XX. O popular autor Kurt Vonnegut abordou seu vício em cigarros em seus romances. O primeiro-ministro britânico Harold Wilson era conhecido por fumar cachimbo em público, assim como Winston Churchill por seus charutos. Sherlock Holmes, o detetive fictício criado por Sir Arthur Conan Doyle, fumava cachimbo, cigarros e charutos. O personagem John Constantine, da DC Vertigo, criado por Alan Moore, é sinônimo de tabagismo, tanto que o primeiro arco de história do criador de Preacher, Garth Ennis, girou em torno de John Constantine contraindo câncer de pulmão. O lutador profissional James Fullington, quando interpreta o personagem "The Sandman", é um fumante inveterado para parecer "durão".
O problema do tabagismo em casa representa um desafio para as mulheres em muitas culturas (especialmente nas culturas árabes), onde pode não ser aceitável que uma mulher peça ao marido que não fume em casa ou na presença dos filhos. A fumaça pode se espalhar de um cômodo para outro, mesmo que as portas da área de fumantes estejam fechadas.
O ato cerimonial de fumar tabaco e orar com um cachimbo sagrado é uma parte importante das cerimônias religiosas de várias nações indígenas americanas. Sema, a palavra anishinaabe para tabaco, é cultivada para uso cerimonial e é considerada a planta sagrada por excelência, pois acredita-se que sua fumaça leva as orações aos espíritos. Na maioria das grandes religiões, no entanto, fumar tabaco não é especificamente proibido, embora possa ser desencorajado como um hábito imoral. Antes que os riscos do tabagismo para a saúde fossem identificados por meio de estudos controlados, fumar era considerado um hábito imoral por certos pregadores cristãos e reformadores sociais. O fundador do movimento dos Santos dos Últimos Dias, Joseph Smith, registrou que, em 27 de fevereiro de 1833, recebeu uma revelação que desencorajava o uso do tabaco. Essa "Palavra de Sabedoria" foi posteriormente aceita como um mandamento e os fiéis Santos dos Últimos Dias se abstêm completamente do tabaco. As Testemunhas de Jeová baseiam sua posição contra o tabagismo no mandamento bíblico de "limpar-nos de toda impureza da carne" (2 Coríntios 7:1). O rabino judeu Yisrael Meir Kagan (1838–1933) foi uma das primeiras autoridades judaicas a se pronunciar sobre o tabagismo. No islamismo amadista, fumar é fortemente desencorajado, embora não seja proibido. Durante o mês do jejum, no entanto, é proibido fumar tabaco. Na Fé Bahá'í, fumar tabaco é desencorajado, embora não seja proibido.
Em 27 de fevereiro de 2005, entrou em vigor a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) da OMS, o primeiro tratado de saúde pública do mundo. Os países signatários concordam com um conjunto de objetivos comuns, padrões mínimos para políticas de controle do tabaco e em cooperar para lidar com desafios transfronteiriços, como o contrabando de cigarros. Atualmente, a OMS declara que 4 bilhões de pessoas serão abrangidas pelo tratado, que inclui 168 signatários.
A tributação do tabaco é a medida de controle do tabaco mais eficaz. A receita obtida com a venda de tabaco pode contribuir para o orçamento geral do governo e/ou ser usada para cobrir os custos de saúde relacionados ao tabagismo. A Organização Mundial da Saúde recomenda um mínimo de 75% de participação tributária no preço de varejo do tabaco, como forma de deter o câncer, doenças cardiovasculares e outros resultados negativos para a saúde.
Em junho de 1967, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos decidiu que os programas transmitidos em uma estação de televisão que discutiam o tabagismo e a saúde eram insuficientes para compensar os efeitos dos anúncios pagos transmitidos por cinco a dez minutos por dia. Em abril de 1970, o Congresso dos EUA aprovou a Lei de Saúde Pública sobre o Tabagismo, proibindo a publicidade de cigarros na televisão e no rádio a partir de 2 de janeiro de 1971.
Toda a publicidade e patrocínio de tabaco na televisão está proibida na União Europeia desde 1991, ao abrigo da Diretiva Televisão sem Fronteiras (1989). Esta proibição foi alargada pela Diretiva sobre Publicidade de Tabaco, que entrou em vigor em julho de 2005, para abranger outras formas de comunicação social, como a Internet, a imprensa escrita e a rádio. A diretiva não inclui publicidade em cinemas e outdoors, nem a utilização de merchandising – ou o patrocínio de tabaco a eventos culturais e esportivos puramente locais, com participantes provenientes de apenas um Estado-membro uma vez que estes não se enquadram na jurisdição da Comissão Europeia. No entanto, a maioria dos Estados-membros transpôs a diretiva para a legislação nacional, que tem um âmbito mais alargado e abrange a publicidade local. Um relatório da Comissão Europeia de 2008 concluiu que a diretiva tinha sido transposta com sucesso para a legislação nacional em todos os Estados-membros da UE e que essas leis estavam a ser bem implementadas.

Alguns países também impõem requisitos legais às embalagens de produtos de tabaco. Por exemplo, nos países da União Europeia, Turquia, Austrália, África do Sul, Canadá, Tailândia, Islândia e Brasil, os maços de cigarros devem conter rótulos visíveis com os riscos à saúde associados ao tabagismo.
Alguns países também proibiram a publicidade nos pontos de venda. O Reino Unido e a Irlanda limitaram a publicidade de tabaco nos pontos de venda. Isso inclui o armazenamento de cigarros atrás de uma prateleira coberta, não visível ao público. No entanto, permitem alguma publicidade limitada nos pontos de venda. A Noruega tem uma proibição total da publicidade nos pontos de venda. Isso inclui produtos e acessórios para fumar. A implementação dessas políticas pode ser desafiadora; todos esses países enfrentaram resistência e desafios por parte da indústria do tabaco. A OMS recomenda a proibição total de todos os tipos de publicidade ou colocação de produtos, inclusive em máquinas de venda automática, aeroportos e lojas online que vendem tabaco.
Muitos países têm uma idade mínima para fumar . Em muitos países, incluindo os Estados Unidos, a maioria dos Estados-membros da União Europeia, Nova Zelândia, Canadá, África do Sul, Israel, Índia, Brasil, Chile, Costa Rica e Austrália, é ilegal vender produtos de tabaco a menores e, nos Países Baixos, Áustria, Bélgica, Dinamarca e África do Sul, é ilegal vender produtos de tabaco a pessoas com menos de 18 anos de idade. Em 1 de setembro de 2007, a idade mínima para comprar produtos de tabaco na Alemanha subiu de 16 para 18 anos, assim como no Reino Unido, onde, em 1 de outubro de 2007, subiu de 16 para 18 anos.
Diversos países, como Irlanda, Letônia, Estônia, Países Baixos, Finlândia, Noruega, Canadá, Austrália, Suécia, Portugal, Singapura, Itália, Indonésia, Índia, Lituânia, Chile, Espanha, Islândia, Reino Unido, Eslovênia, Turquia e Malta, promulgaram leis contra o fumo em locais públicos, frequentemente incluindo bares e restaurantes. Em algumas jurisdições, os proprietários de restaurantes foram autorizados a construir áreas designadas para fumantes (ou a proibir o fumo). Nos Estados Unidos, muitos estados proíbem o fumo em restaurantes, e alguns também o proíbem em bares. Nas províncias do Canadá, fumar é ilegal em locais de trabalho fechados e em locais públicos, incluindo bares e restaurantes. A partir de 31 de março de 2008, o Canadá introduziu uma lei antitabagista em todos os locais públicos, bem como a menos de 10 metros da entrada de qualquer local público. Na Austrália, as leis antitabagistas variam de estado para estado. Na Nova Zelândia e no Brasil, o fumo é restrito em locais públicos fechados, incluindo bares, restaurantes e pubs. Hong Kong restringiu o fumo em 1 de janeiro de 2007 em locais de trabalho, espaços públicos como restaurantes, salas de karaokê, edifícios e parques públicos (bares que não admitem menores de idade estavam isentos até 2009). Na Romênia, fumar é ilegal em trens, estações de metrô, instituições públicas (exceto onde designado, geralmente ao ar livre) e transporte público. Na Alemanha, além das proibições de fumar em edifícios públicos e transportes, uma lei antitabagista para bares e restaurantes foi implementada no final de 2007. Um estudo da Universidade de Hamburgo (Ahlfeldt e Maennig 2010) demonstra que a proibição de fumar teve, se houve algum efeito, apenas efeitos de curto prazo nas receitas de bares e restaurantes. No médio e longo prazo, nenhum efeito negativo foi mensurável. Os resultados sugerem que o consumo em bares e restaurantes não é afetado pelas proibições de fumar no longo prazo ou que os efeitos negativos nas receitas provenientes de fumantes são compensados pelo aumento das receitas provenientes de não fumantes.
Um problema indireto de saúde pública causado pelos cigarros é o de incêndios acidentais, geralmente associados ao consumo de álcool . A combustão acelerada com o uso de nitratos era tradicionalmente utilizada, mas os fabricantes de cigarros têm se mantido em silêncio sobre o assunto, alegando inicialmente que um cigarro seguro era tecnicamente impossível e, posteriormente, que isso só poderia ser alcançado modificando o papel. Cigarros feitos à mão não contêm aditivos e são resistentes ao fogo. Vários modelos de cigarros resistentes ao fogo foram propostos, alguns pelas próprias empresas de tabaco, que extinguiriam um cigarro deixado sem supervisão por mais de um ou dois minutos, reduzindo assim o risco de incêndio. Entre as empresas de tabaco americanas, algumas resistiram a essa ideia, enquanto outras a adotaram. A RJ Reynolds foi pioneira na fabricação de protótipos desses cigarros em 1983 e tornará todos os seus cigarros comercializados nos EUA resistentes ao fogo até 2010. A Philip Morris não apoia ativamente essa ideia. A Lorillard (adquirida pela RJ Reynolds ), a terceira maior empresa de tabaco dos EUA, parece ser ambivalente.
A relação entre o uso de tabaco e outras drogas está bem estabelecida; no entanto, a natureza dessa associação permanece obscura. As duas principais teorias são o modelo de causalidade fenotípica (porta de entrada) e o modelo de vulnerabilidades correlacionadas. O modelo de causalidade argumenta que o tabagismo é uma influência primária no uso futuro de drogas, enquanto o modelo de vulnerabilidades correlacionadas argumenta que o tabagismo e o uso de outras drogas são determinados por fatores genéticos ou ambientais. Um estudo publicado pelo NIH constatou que o uso de tabaco pode estar ligado ao vício em cocaína e ao uso de maconha. O estudo afirmou que 90% dos adultos que usaram cocaína haviam fumado cigarros anteriormente (isso se aplicava a pessoas com idades entre 18 e 34 anos). Esse estudo pode corroborar a teoria da porta de entrada para outras drogas.
Parar de fumar geralmente envolve aconselhamento de médicos ou assistentes sociais, parar abruptamente, terapia de reposição de nicotina, vouchers condicionados, antidepressivos, vaping, hipnose, autoajuda (meditação mindfulness), e grupos de apoio. Nos Estados Unidos, cerca de 70% dos fumantes gostariam de parar de fumar e 50% relatam ter tentado fazê-lo no último ano. Sem apoio, apenas 1% dos fumantes consegue parar de fumar a cada ano. O aconselhamento médico para parar de fumar aumenta essa taxa para 3% ao ano. A adição de medicamentos de primeira linha para cessação do tabagismo (e algum auxílio comportamental) aumentou as taxas de abandono do tabagismo para cerca de 20% dos fumantes em um ano.
They smoke with excessive eagerness […] men, women, girls and boys, all find their keenest pleasure in this way
Smoke also provided another means of communication to the Great Spirit.
Early Uses of California Plants.
Tobacco & Slaves: The Development of Southern Cultures in the Chesapeake.
A substantial body of research, which has accumulated over many decades and from many countries, shows that significantly increasing the excise tax and price of tobacco products is the single most consistently effective tool for reducing tobacco use.