General de Exército George Catlett Marshall Jr. (31 de dezembro de 1880 – 16 de outubro de 1959) foi um militar e diplomata estadunidense. Ascendeu na hierarquia do Exército dos Estados Unidos até se tornar chefe do Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos durante os governos dos presidentes Franklin D. Roosevelt e Harry S. Truman, exercendo posteriormente os cargos de secretário de Estado e secretário de Defesa durante o governo Truman. Winston Churchill elogiou Marshall como o "organizador da vitória" por sua liderança na vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. No ano seguinte, tentou, sem sucesso, impedir a retomada da Guerra Civil Chinesa. Como secretário de Estado, Marshall defendeu o compromisso econômico e político dos Estados Unidos com a reconstrução da Europa no pós-guerra, incluindo o Plano Marshall, que recebeu seu nome. Em reconhecimento a esse trabalho, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1953, tornando-se o único general do Exército a conquistar essa distinção.
Nascido em Uniontown, na Pensilvânia, Marshall formou-se no Instituto Militar da Virgínia (VMI) em 1901. Recebeu sua patente de segundo-tenente de infantaria em fevereiro de 1902 e foi imediatamente enviado às Filipinas. Serviu nos Estados Unidos e no exterior em funções de responsabilidade crescente, incluindo as de comandante de pelotão e de companhia nas Filipinas durante a Guerra Filipino-Americana. Em 1907, obteve a melhor classificação entre os cinco alunos diplomados com honras no curso da Escola de Infantaria e Cavalaria, atual Escola de Comando e Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos, e terminou em primeiro lugar na turma de 1908 da Escola de Estado-Maior do Exército, atual Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos. Em 1916, Marshall foi designado ajudante de ordens de J. Franklin Bell, comandante do Departamento do Oeste. Após a entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, em 1917, continuou servindo com Bell, então comandante do Departamento do Leste. Foi designado para o estado-maior da 1.ª Divisão, auxiliando na mobilização e no treinamento da unidade nos Estados Unidos e no planejamento de suas operações de combate na França. Posteriormente, passou a integrar o estado-maior do quartel-general das Forças Expedicionárias Americanas, participando de maneira decisiva do planejamento das operações estadunidenses, incluindo a Ofensiva Meuse-Argonne.
Após servir na Primeira Guerra Mundial, Marshall tornou-se ajudante de ordens do chefe do Estado-Maior do Exército, John J. Pershing. Mais tarde, integrou o estado-maior do Exército, atuou como oficial executivo do 15.º Regimento de Infantaria na China e foi instrutor da Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos. Em 1927, tornou-se comandante-adjunto da Escola de Infantaria do Exército dos Estados Unidos, onde modernizou os procedimentos de comando e de estado-maior, mudanças que se mostraram muito importantes durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1932 e 1933, comandou o 8.º Regimento de Infantaria e o Forte Screven, na Geórgia. Entre 1936 e 1938, comandou a 5.ª Brigada, a 3.ª Divisão de Infantaria e o quartel de Vancouver, período em que foi promovido a general de brigada. Durante esse comando, também ficou responsável por 35 acampamentos do Corpo Civil de Conservação (CCC) no Oregon e no sul de Washington. Em julho de 1938, Marshall foi designado para a Divisão de Planos de Guerra do Departamento de Guerra e, posteriormente, tornou-se vice-chefe do Estado-Maior do Exército. Quando o chefe do Estado-Maior, Malin Craig, se aposentou, em 1939, Marshall assumiu interinamente o cargo antes de ser nomeado para exercê-lo efetivamente, permanecendo na função até o fim da guerra, em 1945.
Como chefe do Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos, Marshall trabalhou em estreita colaboração com o secretário da Guerra, Henry L. Stimson, para organizar a maior expansão militar da história do país. Posteriormente, foi promovido ao posto de general de cinco estrelas, com a patente de general do Exército. Marshall coordenou as operações aliadas na Europa e no Pacífico até o fim da guerra. Além dos elogios de Winston Churchill e de outros líderes aliados, foi escolhido pela revista Time como Homem do Ano de 1943 e 1947. Marshall deixou suas funções regulares em 1945, mas permaneceu oficialmente no serviço ativo, conforme exigido dos detentores da patente de cinco estrelas. De 15 de dezembro de 1945 a janeiro de 1947, atuou como enviado especial à China, tentando, sem sucesso, negociar a formação de um governo de coalizão entre os nacionalistas de Chiang Kai-shek e os comunistas de Mao Tsé-Tung.
Como secretário de Estado entre 1947 e 1949, Marshall defendeu a reconstrução da Europa por meio de um programa que ficou conhecido como Plano Marshall, iniciativa pela qual recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1953. Após deixar a Secretaria de Estado, presidiu a Comissão Americana de Monumentos de Batalha e a Cruz Vermelha Americana. Como secretário de Defesa, após o início da Guerra da Coreia, trabalhou para restabelecer a confiança e o moral das forças armadas, abalados pela desmobilização posterior à Segunda Guerra Mundial, e supervisionou a reorganização inicial das tropas para os combates na Coreia e as operações da Guerra Fria. Ao deixar a Secretaria de Defesa, Marshall retirou-se para sua residência na Virgínia. Morreu em 1959 e foi sepultado com honras militares no Cemitério Nacional de Arlington.
George Catlett Marshall Jr. nasceu em Uniontown, Pensilvânia, sendo o caçula dos três filhos de George Catlett Marshall e Laura Emily Marshall (nascida Bradford). Ambos os lados de sua família estavam estabelecidos havia muito tempo no Kentucky, mas valorizavam suas raízes na Virgínia. Era também primo em primeiro grau, com três gerações de diferença, do antigo presidente da Suprema Corte John Marshall. Também era parente distante de Richard J. Marshall. Seu pai atuava no setor de carvão e coque. Mais tarde, quando questionado sobre suas convicções políticas, Marshall costumava brincar dizendo que o pai era democrata, a mãe era republicana e ele era episcopaliano.
Marshall estudou na escola particular da professora Alcinda Thompson, em Uniontown, e passou um ano na Escola Central da cidade. Decidido desde cedo a seguir a carreira militar, mas considerando improvável sua admissão na Academia Militar dos Estados Unidos por causa das notas medianas, procurou o Instituto Militar da Virgínia (VMI) para obter formação acadêmica. Stuart, irmão de Marshall e ex-aluno do VMI, acreditava que George não teria sucesso e argumentou que a mãe não deveria permitir sua matrícula, pois ele poderia "desonrar o nome da família". Determinado a mostrar ao irmão que estava errado, Marshall matriculou-se na instituição aos 16 anos, em setembro de 1897. Para pagar as mensalidades e demais despesas, sua mãe vendeu terrenos que possuía em Uniontown e Augusta, no Kentucky.

No início de seus estudos, Marshall foi submetido a um episódio de trote estudantil em que alunos mais antigos colocaram uma baioneta desembainhada com a ponta voltada para cima e ordenaram que ele se agachasse sobre ela. Depois de vinte minutos, Marshall desmaiou e caiu. Ao recobrar a consciência, apresentava um corte profundo em uma das nádegas. Mesmo enquanto recebia atendimento médico, recusou-se a denunciar os colegas. Impressionados com sua coragem, os responsáveis pelo trote nunca mais o importunaram.
Durante os anos no VMI, Marshall sempre ocupou o primeiro lugar em disciplina militar e manteve um desempenho acadêmico próximo à média de sua turma. Alcançou o posto de primeiro-capitão, o mais elevado entre os cadetes, e concluiu o curso em 1901 na 15.ª colocação entre 34 formandos. Recebeu um diploma de conclusão, mas não um grau acadêmico. Na época, apenas os cinco ou seis primeiros colocados do VMI obtinham o diploma de bacharel. Os demais recebiam documentos que atestavam sua formação. Jogou como tackle na equipe de futebol americano e, em 1900, foi selecionado para a equipe ideal da região Sul.
Depois de se formar no VMI, Marshall atuou como comandante dos alunos do Instituto Militar de Danville, em Danville, Virgínia. Prestou um concurso para obter uma patente no Exército dos Estados Unidos, que havia se expandido consideravelmente em razão da Guerra Hispano-Americana e da Guerra Filipino-Americana. Foi aprovado e reforçou sua candidatura com cartas de recomendação dos dois senadores federais da Pensilvânia, obtidas por seu pai. O superintendente do VMI, Scott Shipp, também apoiou a candidatura de Marshall e, em carta ao presidente William McKinley, comparou-o favoravelmente aos demais ex-alunos do instituto que serviam no Exército, afirmando que Marshall era "plenamente equivalente aos melhores". Em fevereiro de 1902, recebeu a patente de segundo-tenente da Infantaria. Poucos dias depois, casou-se, deixou o emprego em Danville e embarcou para servir no 30.º Regimento de Infantaria, nas Filipinas.
Antes da Primeira Guerra Mundial, Marshall foi designado para diversas funções nos Estados Unidos e nas Filipinas, entre elas o comando de um pelotão e de uma companhia de infantaria durante a Guerra Filipino-Americana e outras insurreições de guerrilha. Recebeu formação em guerra moderna, atuando entre 1906 e 1910 tanto como aluno quanto como instrutor. Em 1907, terminou em primeiro lugar entre os cinco diplomados com honras no curso da Escola de Infantaria e Cavalaria, atual Escola de Comando e Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos, e, em 1908, foi o primeiro colocado de sua turma na Escola de Estado-Maior do Exército, atual Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos. Após a formatura de 1908, tornou-se instrutor na Escola de Infantaria e Cavalaria de Forte Leavenworth. Enquanto integrava o corpo docente, conheceu Hunter Liggett, então comandante de um batalhão no Forte Leavenworth. Embora Marshall fosse subordinado a Liggett, este se ofereceu para estudar o conteúdo das aulas sob sua orientação. Marshall disponibilizou-lhe as lições e os exercícios práticos, corrigiu suas respostas e depois compartilhou as soluções elaboradas pelos professores da escola.
A partir de 1913, Marshall serviu como ajudante de ordens do major-general J. Franklin Bell, comandante do Departamento das Filipinas. Permaneceu nessa função quando Bell passou a comandar o Departamento do Oeste do Exército, no Presidio de São Francisco. Durante o verão e o outono de 1916, Marshall ficou responsável por organizar vários campos de treinamento militar de cidadãos vinculados ao Departamento do Oeste. Após a entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, em abril de 1917, Marshall acompanhou Bell para Governors Island, em Nova York, quando este foi nomeado comandante do Departamento do Leste. Pouco depois, Marshall recebeu a missão de ajudar a supervisionar a mobilização da 1.ª Divisão para servir na França.

Pouco depois da entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, em abril de 1917, Marshall passou a participar do planejamento do treinamento e das operações. No verão, foi nomeado chefe-adjunto do estado-maior de operações da recém-criada 1.ª Divisão, comandada pelo major-general William L. Sibert, engenheiro militar de 56 anos. Depois de supervisionar a mobilização e a organização da divisão no Texas, seguiu para a França com seu estado-maior em meados de 1917. Durante a longa travessia marítima, dividiu a cabine com o major Lesley J. McNair, chefe-adjunto do estado-maior de treinamento da divisão. Os dois estabeleceram uma relação pessoal e profissional que duraria pelo restante de suas carreiras. Marshall foi o primeiro passageiro a desembarcar na Europa do primeiro navio que transportou soldados das Forças Expedicionárias Americanas e um dos primeiros a entrar nas trincheiras da Frente Ocidental.
Depois de chegar à França, Marshall serviu com a 1.ª Divisão nas frentes de Saint-Mihiel, Picardia e Cantigny. Embora fosse classificada como formação do Exército Regular, a maior parte dos oficiais e soldados da divisão praticamente não tinha experiência de combate. Também havia deficiências "em treinamento, trabalho de estado-maior e questões logísticas. Mais da metade de seus soldados eram recrutas recentes. Apenas alguns de seus suboficiais serviam no Exército havia dois anos ou mais, e quase todos os tenentes haviam recebido suas patentes havia menos de seis meses".
No fim de 1917, o general John J. Pershing, comandante-em-chefe das Forças Expedicionárias Americanas, inspecionou a 1.ª Divisão. Insatisfeito com o que viu, Pershing começou a repreender Sibert diante de seu estado-maior. Sibert ouviu as críticas em silêncio, mas, quando Pershing se dirigiu ao chefe do estado-maior da divisão, Marshall interveio irritado para informá-lo sobre dificuldades logísticas e administrativas das quais o general não tinha conhecimento. Marshall também ressaltou que o estado-maior das Forças Expedicionárias Americanas pouco ajudara a resolver os problemas. Sibert e seus subordinados temeram que a disposição de Marshall para confrontar Pershing tivesse arruinado sua carreira. Entretanto, Pershing passou a procurá-lo e a pedir sua opinião sempre que visitava a 1.ª Divisão. Durante o inverno, a unidade "concluiu um treinamento intensivo, em grande parte sob orientação francesa". Em meados de abril de 1918, a divisão, agora comandada pelo major-general Robert Lee Bullard, já era considerada suficientemente preparada para assumir a defesa de um setor próprio na Frente Ocidental.
Marshall conquistou reconhecimento pelo planejamento da Batalha de Cantigny, travada de 28 a 31 de maio de 1918. O sucesso da operação resultou na primeira vitória estadunidense de destaque na guerra. Durante a preparação do ataque, Marshall percorria sozinho o terreno, protegido pela escuridão, para observá-lo pessoalmente e construir um mapa mental da região. Avançava além das linhas de frente, penetrando profundamente na terra de ninguém, muitas vezes sob fogo da própria artilharia aliada e constantemente correndo o risco de ser descoberto e capturado por tropas do Exército Imperial Alemão. Em 26 de maio, sofreu um ferimento enquanto visitava diversas unidades subordinadas para coordenar os preparativos do ataque. Ao deixar a área do quartel-general da divisão, seu cavalo tropeçou, caiu e rolou no chão. O pé esquerdo de Marshall ficou preso no estribo, causando uma entorse grave e uma contusão. Um médico imobilizou seu tornozelo e seu pé com fita adesiva, permitindo que evitasse a evacuação médica e permanecesse com a divisão para supervisionar o ataque. Em 1920, recebeu a Citation Star por seu heroísmo na batalha. Quando a medalha Estrela de Prata foi instituída em 1932, as condecorações Citation Star foram convertidas no novo prêmio.

Em meados de 1918, Pershing transferiu Marshall para a seção de operações (G-3) do estado-maior das Forças Expedicionárias Americanas. Ali, trabalhou estreitamente com Pershing e desempenhou papel central no planejamento das operações estadunidenses. Teve participação decisiva no planejamento e na coordenação da Ofensiva Meuse-Argonne, que contribuiu para a derrota do Império Alemão na Frente Ocidental em 1918. Em agosto, foi nomeado chefe-adjunto de operações (G-3) do Primeiro Exército, comandado inicialmente por Pershing e depois por Liggett. Ao final da guerra, Marshall detinha o posto permanente de capitão e o posto temporário de coronel. Em outubro de 1918, foi recomendado para uma promoção temporária a general de brigada, mas o armistício com a Alemanha, em 11 de novembro de 1918, ocorreu antes da aprovação da recomendação.
Depois do armistício, Marshall serviu como chefe do estado-maior do VIII Corpo de Exército. Por seus serviços durante a guerra, recebeu a Medalha por Serviços Distintos do Exército dos Estados Unidos, cuja justificativa declarava:
Citação: O presidente dos Estados Unidos da América, autorizado por lei do Congresso de 9 de julho de 1918, tem a satisfação de conceder a Medalha por Serviços Distintos do Exército ao coronel de infantaria George Catlett Marshall Jr. (ASN: 0-1616), do Exército dos Estados Unidos, por serviços excepcionalmente meritórios e distintos prestados ao governo dos Estados Unidos, em uma função de grande responsabilidade durante a Primeira Guerra Mundial. O coronel Marshall desempenhou as funções de chefe-adjunto do Estado-Maior, G-3, da 1.ª Divisão, de 26 de junho de 1917 a 12 de julho de 1918. Serviu na Seção G-3 do Quartel-General das Forças Expedicionárias Americanas de 13 de julho a 19 de agosto de 1918; na Seção G-3 do Primeiro Exército de 20 de agosto a 16 de outubro de 1918; como chefe-adjunto do Estado-Maior, G-3, do Primeiro Exército de 17 de outubro a 19 de novembro de 1918; e como chefe do Estado-Maior do VIII Corpo de Exército de 20 de novembro de 1918 a 15 de janeiro de 1918, período em que a 1.ª Divisão serviu no setor de Toul e no ataque a Cantigny, e o Primeiro Exército participou das ofensivas de Saint-Mihiel e Meuse-Argonne. Por meio de esforços incansáveis, minuciosos e enérgicos, foi bem-sucedido em todas essas iniciativas. Seu trabalho exerceu influência significativa sobre os êxitos das unidades em que serviu.

Após a guerra, Marshall voltou ao posto permanente de capitão. Em 1919, tornou-se ajudante de ordens do general Pershing. Entre 1920 e 1924, enquanto Pershing chefiava o Estado-Maior do Exército, Marshall trabalhou em diversos projetos dedicados ao treinamento e ao ensino da guerra mecanizada moderna. Lecionou na Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos e foi um dos principais responsáveis pelo planejamento no Departamento de Guerra dos Estados Unidos. Posteriormente, atuou como oficial executivo do 15.º Regimento de Infantaria na República da China, onde permaneceu por três anos e aprendeu o básico do mandarim. Em 1927, já tenente-coronel, foi nomeado comandante-adjunto da Escola de Infantaria do Exército dos Estados Unidos, em Forte Benning, onde introduziu importantes reformas destinadas a modernizar os procedimentos de comando e de estado-maior, que se mostraram muito úteis na Segunda Guerra Mundial. Marshall colocou Edwin F. Harding à frente das publicações da Escola de Infantaria, e Harding tornou-se editor de Infantry in Battle ("Infantaria em combate"), livro que sistematizava as lições da Primeira Guerra Mundial. Infantry in Battle continua sendo utilizado como manual de treinamento no curso de oficiais de infantaria e foi o material de formação de grande parte dos oficiais e comandantes de infantaria da Segunda Guerra Mundial.

A primeira esposa de Marshall, Elizabeth Carter "Lily" Coles, morreu em 1927. No ano seguinte, enquanto estava em Forte Benning, Marshall conheceu Katherine Tupper Brown em um jantar. Casaram-se em 15 de outubro de 1930, na Igreja Episcopal Emmanuel, em Baltimore, Maryland. O casamento ganhou destaque nos jornais porque o general Pershing foi padrinho do noivo.
De junho de 1932 a junho de 1933, Marshall comandou o 8.º Regimento de Infantaria no Forte Screven, na Geórgia. De julho a outubro de 1933, comandou o Forte Moultrie, na Carolina do Sul, e o Distrito I do Corpo Civil de Conservação. Foi promovido a coronel em setembro de 1933.
Durante a Grande Depressão, Marshall tornou-se um firme apoiador do presidente Franklin D. Roosevelt e do New Deal. O chefe do Estado-Maior do Exército, Douglas MacArthur, que era republicano e mantinha uma relação conflituosa com Marshall, não aprovava suas posições. Depois de apenas alguns meses no Forte Moultrie, MacArthur articulou a transferência inesperada de Marshall para Chicago, onde serviu como instrutor-chefe e chefe do estado-maior da 33.ª Divisão da Guarda Nacional de Illinois, de novembro de 1933 a agosto de 1936.
Marshall foi designado para comandar a 5.ª Brigada da 3.ª Divisão de Infantaria e o quartel de Vancouver, em Vancouver, Washington, de 1936 a 1938, sendo promovido a general de brigada em outubro de 1936. Além de assumir o comando de tropas de considerável importância, que aguardava havia muito tempo e que tradicionalmente era considerado um requisito essencial para alcançar os postos mais elevados do Exército, Marshall também ficou responsável por 35 acampamentos do Corpo Civil de Conservação (CCC) no Oregon e no sul do estado de Washington. Como comandante da instalação militar, empenhou-se em estreitar as relações com a cidade de Portland e melhorar a imagem do Exército na região. No CCC, implantou medidas para elevar o moral dos participantes e tornar a experiência útil para suas vidas futuras. Criou um jornal regional para divulgar os êxitos do programa e lançou iniciativas voltadas ao desenvolvimento de habilidades e à melhoria da saúde dos participantes. As inspeções aos acampamentos permitiam que ele e sua esposa, Katherine, apreciassem as paisagens do Noroeste Pacífico dos Estados Unidos, tornando essa missão aquilo que descreveu como "o serviço mais instrutivo que já tive e também o mais interessante".
Em julho de 1938, Marshall foi designado para a Divisão de Planos de Guerra em Washington, D.C., sendo posteriormente transferido para a função de vice-chefe do Estado-Maior. Nessa condição, participou, já como general de brigada, de uma reunião na Casa Branca em que o presidente Franklin D. Roosevelt propôs ampliar o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos mediante a produção de 15 mil aeronaves por ano, como preparação para a Segunda Guerra Mundial. Enquanto os demais presentes apoiavam a proposta, Marshall foi o único a discordar, ressaltando que não havia sido considerada a necessidade de apoio logístico e treinamento. Marshall também defendeu um grande exército terrestre, embora Roosevelt afirmasse que uma força aérea numerosa seria mais eficaz para dissuadir os inimigos, observando que o Exército dos Estados Unidos ainda não possuía uma única divisão plenamente operacional. Embora outras pessoas acreditassem que Marshall havia comprometido sua carreira, a disposição de expressar divergências levou Roosevelt a indicá-lo para chefe do Estado-Maior do Exército.
Após a aposentadoria do general Malin Craig, em 1.º de julho de 1939, Marshall tornou-se chefe interino do Estado-Maior. Vários generais eram candidatos à sucessão de Craig, incluindo Hugh Aloysius Drum. Roosevelt preferia Marshall por ele apoiar mais o liberalismo do New Deal do que o conservador e ainda influente Douglas MacArthur, que ocupara o cargo de 1930 a 1935, e também pelas recomendações de Pershing, Craig, Louis A. Johnson e Harry Hopkins, conselheiro próximo do presidente. Marshall tomou posse como chefe do Estado-Maior em 1.º de setembro de 1939, poucas horas depois de a Wehrmacht iniciar a invasão da Polônia. Permaneceu no posto até se afastar em novembro de 1945. Na época da nomeação, ocupava a 34.ª posição na ordem geral de antiguidade, atrás de 21 generais de divisão e 11 generais de brigada, mas era o quinto na linha de elegibilidade para o cargo, segundo uma regra não escrita pela qual o escolhido deveria poder cumprir um mandato completo de quatro anos antes de atingir a idade de aposentadoria compulsória, fixada em 64 anos.
Em 11 de maio de 1940, o Congresso dos Estados Unidos cortou 10 milhões de dólares de uma dotação orçamentária de 28 milhões destinada a equipamentos para detectar aviões das Forças Armadas Imperiais Japonesas na Costa Oeste dos Estados Unidos. Marshall reuniu-se com o secretário do Tesouro, Henry Morgenthau Jr., e ambos foram falar com Roosevelt. Marshall enfatizou a importância fundamental de obter a quantia integral e disse ao presidente: "O senhor precisa fazer alguma coisa, e precisa fazê-la hoje". A intervenção de Marshall surtiu efeito, e ele conseguiu "tudo o que queria e ainda mais".
Em 1941, Marshall tornou-se maçom, recebendo os graus de maneira imediata do grão-mestre da Grande Loja do Distrito de Colúmbia. A concessão imediata é o procedimento pelo qual um grão-mestre confere ao candidato os três graus maçônicos — aprendiz, companheiro e mestre — de uma só vez.

Como chefe do Estado-Maior, Marshall organizou a maior expansão militar da história dos Estados Unidos. Herdou um Exército Regular ultrapassado e mal equipado, com 189 mil homens, e, aproveitando parcialmente a experiência adquirida como instrutor da Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos no ensino e no desenvolvimento de técnicas de guerra moderna, coordenou a expansão e a modernização das forças terrestres em larga escala. Sob sua direção foram produzidos importantes documentos doutrinários, como o Manual de Campanha 100-5. Durante sua primeira semana no cargo, aconselhou Roosevelt a emitir uma ordem executiva que aumentasse o efetivo do Exército Regular para 227 mil militares e o da Guarda Nacional para 235 mil reservistas. Entretanto, o presidente não pôde agir imediatamente, pois o Congresso dos Estados Unidos ainda era favorável ao isolacionismo.
Os esforços de Marshall para expandir as Forças Armadas dos Estados Unidos começaram a obter mais resultados depois que as Potências do Eixo conquistaram grande parte da Europa Ocidental durante a Batalha da França. A partir de julho de 1940, contou com importante apoio do recém-nomeado secretário da Guerra, Henry Stimson, a quem Marshall gradualmente superaria como principal dirigente do aparato militar estadunidense, em uma mudança em relação à tradição do país de controle civil das forças armadas. Embora nunca tivesse comandado tropas diretamente em combate, Marshall era um organizador competente, com talento para inspirar outros oficiais. Muitos generais que receberam comandos importantes durante a guerra foram escolhidos ou recomendados por ele, entre eles Dwight D. Eisenhower, Jacob L. Devers, George S. Patton, Terry de la Mesa Allen Sr., Lloyd Fredendall, Lesley J. McNair, Mark Wayne Clark e Omar Bradley. Para abrir espaço a comandantes mais jovens e dinâmicos, Marshall também procurou afastar os oficiais que considerava inadequados às exigências do comando em tempo de guerra, criando, em 1941, uma comissão de seleção para desligamentos, popularmente chamada de plucking board.

Diante da necessidade de transformar antigos civis em um exército de mais de oito milhões de soldados até 1942 — um crescimento de quarenta vezes em três anos —, Marshall orientou McNair, comandante das Forças Terrestres do Exército dos Estados Unidos, a concentrar esforços na formação rápida de grandes contingentes. Com exceção das tropas aerotransportadas, Marshall aprovou a proposta de McNair de reduzir a duração do treinamento dos homens que ingressavam nas forças terrestres, especialmente no aprendizado de habilidades básicas de infantaria, manuseio de armas e táticas de combate. Na época, a maioria dos comandantes estadunidenses de escalões inferiores tinha pouca ou nenhuma experiência de combate. Sem orientação de oficiais britânicos ou de outros aliados experientes sobre a natureza da guerra moderna e as táticas inimigas, muitos recorreram a métodos padronizados de treinamento que enfatizavam a defesa estática e os avanços ordenados, em grande escala, de comboios motorizados por estradas melhoradas. Consequentemente, as forças enviadas à África na Operação Tocha sofreram sérios reveses iniciais ao enfrentar unidades blindadas alemãs na Batalha do Passo de Kasserine e em outros confrontos importantes. Mesmo em 1944, soldados treinados nos Estados Unidos para combater as forças alemãs na Europa não recebiam instrução adequada sobre os procedimentos e as táticas efetivamente utilizados naquele teatro de operações.

Inicialmente, Marshall havia planejado um exército de 265 divisões, com um sistema de rodízio de unidades semelhante ao adotado pelos britânicos e outros aliados. Entretanto, em meados de 1943, após pressões de autoridades governamentais e de dirigentes empresariais para preservar a mão de obra na indústria e na agricultura, abandonou o plano em favor de um exército com 90 divisões, no qual substitutos individuais eram enviados por um processo complexo dos centros de treinamento às divisões em combate. O sistema de substituição individual concebido por Marshall e implantado por McNair agravou os problemas de coesão de unidade e dificultou a transmissão efetiva da experiência de combate aos novos soldados e oficiais. Na Europa, onde havia poucas interrupções nos combates contra as forças alemãs, o sistema de substituições individuais entrou em colapso completo no fim de 1944. Recrutas treinados às pressas ou militares de outras funções transferidos para a infantaria frequentemente recebiam apenas algumas semanas de treinamento de atualização antes de serem enviados para divisões envolvidas em combates intensos na linha de frente.
Muitos dos recém-chegados sequer dominavam o uso das próprias armas e, uma vez em combate, não tinham oportunidade de receber instrução prática suficiente dos veteranos antes de serem mortos ou feridos, às vezes já nos primeiros dias. Nessas condições, inúmeros soldados sofreram grave queda de moral, enquanto os veteranos eram mantidos na frente até morrerem, serem feridos ou ficarem incapacitados por exaustão de combate ou doença. Os casos de soldados que abandonavam seus postos sem autorização, bem como os de exaustão de combate e ferimentos autoinfligidos, aumentaram rapidamente nos últimos oito meses da guerra contra a Alemanha Nazista. Como concluiu um historiador: "Se os alemães tivessem tido liberdade para criar um sistema de substituição [...] que causasse o máximo prejuízo e o mínimo benefício aos estadunidenses, não teriam conseguido fazer melhor".
A capacidade de Marshall de escolher comandantes de campanha competentes no início da guerra apresentou resultados bastante variados. Ele teve papel decisivo no avanço profissional de generais muito capazes, como Dwight D. Eisenhower, Omar Bradley, George S. Patton, Walter Krueger e Mark W. Clark. Uma exceção importante foi a recomendação do presunçoso Lloyd Fredendall a Eisenhower para assumir um comando de destaque na invasão estadunidense do Norte da África, durante a Operação Tocha. Marshall tinha especial apreço por Fredendall, descrevendo-o como "um dos melhores" e comentando, em uma reunião do estado-maior, quando seu nome foi mencionado: "Gosto desse homem; é possível ver a determinação estampada em todo o seu rosto". Eisenhower o escolheu para comandar a Força-Tarefa Central, com 39 mil homens, a maior das três forças-tarefa da Operação Tocha. Ambos se arrependeriam da decisão, pois Fredendall comandou as tropas estadunidenses na desastrosa Batalha do Passo de Kasserine.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Marshall foi fundamental na preparação do Exército dos Estados Unidos e das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos para a invasão da Europa continental. Redigiu o documento que se tornaria a estratégia central de todas as operações aliadas na Europa. Durante a Conferência de Arcadia, convenceu o Reino Unido a aceitar essa estratégia, que incluía priorizar a derrota da Alemanha e estabelecer comandos internacionais unificados para controlar todas as forças aliadas em cada teatro de operações. Sua defesa da unidade de comando, particularmente por meio dos Chefes de Estado-Maior Combinados e do Comando Americano-Britânico-Neerlandês-Australiano, enfrentou a resistência das Forças Armadas Britânicas, lideradas por Alan Brooke, pois o modelo permitiria que os Estados Unidos dominassem o esforço de guerra dos Aliados ocidentais. Apesar disso, o governo britânico acabou aprovando a proposta.
Marshall havia programado inicialmente a Operação Overlord para 1.º de abril de 1943, mas enfrentou forte oposição de Winston Churchill, que convenceu Roosevelt a destinar tropas à Operação Husky, voltada à invasão da Itália. Marshall e seus assessores também se opuseram à invasão aliada do Norte da África francês, depois que se tornou evidente que a França de Vichy ofereceria resistência. Havia ainda preocupações com uma possível intervenção do Eixo pela Espanha franquista e por Gibraltar, além da suspeita de que a operação buscava defender territórios coloniais europeus de pouca importância estratégica para a guerra.

Quando circularam rumores de que Marshall se tornaria comandante supremo da Operação Overlord, muitos críticos interpretaram a possível transferência como rebaixamento, pois ele deixaria o cargo de chefe do Estado-Maior do Exército e perderia seu assento nos Chefes de Estado-Maior Combinados. Apesar de seu considerável êxito no relacionamento com o Congresso e Roosevelt, Marshall recusou-se a fazer campanha pelo posto. Roosevelt escolheu Eisenhower, sobretudo porque não desejava prescindir de Marshall na chefia do Estado-Maior. Disse-lhe: "Eu não sentiria tranquilidade para dormir se você estivesse fora de Washington".
Em 16 de dezembro de 1944, Marshall tornou-se o primeiro general estadunidense a ser promovido ao recém-criado posto de general do Exército, uma patente de general de cinco estrelas que equiparava os principais comandantes dos Estados Unidos aos marechais de campo de seus aliados europeus. Marshall se opusera a receber o título de marechal de campo porque isso faria com que fosse chamado de "Marechal Marshall".
Durante o restante da Segunda Guerra Mundial, Marshall coordenou as operações aliadas na Europa e no Pacífico. Churchill o qualificou como o organizador da vitória dos Aliados. A revista Time o escolheu como Homem do Ano de 1943. Marshall deixou a chefia do Estado-Maior em 18 de novembro de 1945, mas não se aposentou formalmente, pois os regulamentos estabeleciam que os generais do Exército permaneciam no serviço ativo por toda a vida. Seu sucessor foi o general do Exército Dwight Eisenhower. Nesse período, Marshall também recebeu um ramo de folhas de carvalho de bronze adicional à Medalha por Serviços Distintos do Exército por seu trabalho sem precedentes entre 1939 e 1945. A justificativa da condecoração afirmava:
Citação: O presidente dos Estados Unidos da América, autorizado por lei do Congresso de 9 de julho de 1918, tem a satisfação de conceder um ramo de folhas de carvalho de bronze em substituição a uma segunda Medalha por Serviços Distintos do Exército ao general do Exército George Catlett Marshall Jr. (ASN: 0-1616), do Exército dos Estados Unidos, por serviços excepcionalmente meritórios e distintos prestados ao governo dos Estados Unidos em uma função de grande responsabilidade, durante o período de setembro de 1939 a novembro de 1945. As realizações extraordinárias do general Marshall constituem motivo do mais elevado reconhecimento para ele próprio e para o Exército dos Estados Unidos.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Comissão Conjunta do Congresso encarregada de investigar o Ataque a Pearl Harbor ouviu depoimentos sobre as falhas dos serviços de inteligência. Reuniu 25 mil páginas de documentos, distribuídas em 40 volumes, e incluiu nove relatórios e investigações, dos quais oito já haviam sido concluídos. Esses relatórios criticavam Marshall pela demora em transmitir ao tenente-general Walter Short, comandante do Exército no Havaí, informações importantes obtidas por meio da interceptação de mensagens diplomáticas japonesas. Também questionavam seu desconhecimento sobre o nível de preparação do comando militar no Havaí durante novembro e dezembro de 1941. Marshall também aconselhara Roosevelt a transferir parte da Frota do Pacífico dos Estados Unidos para o oceano Atlântico, a fim de apoiar as Patrulhas de Neutralidade, e afirmara que as defesas de Oahu tornavam impossível um ataque japonês à ilha. O presidente rejeitou essas recomendações, que poderiam ter tido consequências catastróficas caso fossem adotadas.
Dez dias após o ataque, Short e o almirante Husband E. Kimmel, comandante da Frota do Pacífico dos Estados Unidos na Base Naval de Pearl Harbor, foram destituídos de suas funções. O relatório final da Comissão Conjunta não responsabilizou Marshall individualmente. Embora criticasse a situação geral, a comissão observou que subordinados haviam deixado de transmitir informações importantes aos superiores, incluindo Marshall.
O secretário da Guerra, Henry Stimson, autorizou Henry Clausen a realizar uma investigação sigilosa sobre a atuação do Exército. O Relatório Clausen criticou Short e o coronel Rufus S. Bratton, da Divisão de Inteligência Militar (G-2). Clausen concluiu que Bratton havia chegado ao Departamento de Guerra na manhã de 7 de dezembro de 1941 mais tarde do que afirmara inicialmente em seu depoimento. Também constatou que Bratton inventara a história de que o alerta sobre o ataque iminente a Pearl Harbor, destinado aos comandantes do Exército envolvidos, fora atrasado porque ele não conseguira contatar Marshall, uma acusação que "quase destruiu" a reputação deste.

Poucas semanas após Marshall deixar a chefia do Estado-Maior, em dezembro de 1945, o presidente Harry Truman enviou-o à República da China, onde havia servido na década de 1920. Sua nova missão era impedir a retomada da Guerra Civil Chinesa por meio da negociação de um governo de coalizão entre o Kuomintang, aliado dos Estados Unidos e liderado pelo generalíssimo Chiang Kai-shek, e o Partido Comunista Chinês, de Mao Tsé-Tung. Marshall não tinha instrumentos para pressionar os comunistas, mas ameaçou retirar a ajuda estadunidense, fundamental para os nacionalistas. Ambos os lados rejeitaram suas propostas, e ele voltou aos Estados Unidos em janeiro de 1947. Como secretário de Estado, discordou da avaliação dos Departamentos de Defesa e de Estado de que a vitória de Chiang era essencial aos interesses dos Estados Unidos e insistiu que as tropas estadunidenses não deveriam intervir. A guerra prosseguiu e os comunistas venceram em 1949.
Ao retornar aos Estados Unidos no início de 1947, Marshall foi nomeado secretário de Estado por Truman. Como um dos líderes nacionais mais respeitados e menos vinculados à política partidária, era uma figura ideal para representar o departamento. Tornou-se o porta-voz dos ambiciosos planos da Secretaria de Estado para reconstruir a Europa. Entretanto, não elaborou esses planos e dedicou pouca atenção aos detalhes e às negociações. Também não se mantinha atualizado sobre as particularidades das relações internacionais. Como observou um biógrafo, nunca fora um trabalhador compulsivo. Delegou importantes responsabilidades a seus subordinados, especialmente ao subsecretário Robert A. Lovett, e evitava ocupar-se de minúcias. Em 1948, com o agravamento de seus problemas físicos, sua participação tornou-se ainda mais limitada. Marshall declarou: "Na realidade, Lovett carrega o peso principal, enquanto eu me afasto sempre que possível".

Em 5 de junho de 1947, em um discurso na Universidade Harvard, Marshall apresentou as linhas gerais da proposta estadunidense. O Programa de Recuperação Europeia, como era oficialmente conhecido, passou a ser chamado de Plano Marshall. Clark Clifford havia sugerido a Truman que o programa fosse denominado Plano Truman, mas o presidente rejeitou imediatamente a ideia e insistiu no nome Plano Marshall. O plano ajudaria a Europa a reconstruir e modernizar suas economias segundo modelos estadunidenses e abriria novas oportunidades para o comércio internacional. Stalin ordenou aos países sob influência soviética na Europa Oriental que não participassem. Marshall voltou a ser escolhido "Homem do Ano" pela revista Time em janeiro de 1948.

Truman rejeitou repetidamente os conselhos de Marshall sobre a política para o Oriente Médio. Como secretário de Estado, Marshall se opôs firmemente ao reconhecimento do recém-criado Estado de Israel. Acreditava que a declaração de independência israelense provocaria uma guerra no Oriente Médio, o que de fato ocorreu quando a Guerra Árabe-Israelense de 1948 começou um dia depois da Declaração de Independência de Israel. Marshall considerava o reconhecimento do Estado judeu uma manobra política destinada a conquistar o apoio dos judeus estadunidenses na eleição seguinte, na qual se esperava que Truman perdesse para Thomas E. Dewey. Em maio de 1948, disse a Truman: "Se o senhor [reconhecer o Estado de Israel] e se eu votasse na eleição, votaria contra o senhor". Entretanto, por princípio, Marshall se recusava a votar em qualquer eleição.
Durante sua gestão na Secretaria de Estado, Marshall também pediu a Truman que exigisse imediatamente dos Países Baixos a interrupção da invasão da Indonésia, antiga colônia neerlandesa que havia declarado independência em 1945. Os Países Baixos ignoraram os primeiros apelos do governo Truman. Em consequência, os recursos do Plano Marshall destinados à recuperação econômica neerlandesa foram suspensos, e o governo estadunidense ameaçou interromper toda a assistência econômica. Os Países Baixos finalmente concordaram em retirar suas tropas e transferiram a soberania após a Conferência da Mesa Redonda Neerlandesa-Indonésia, em 1949.
Marshall renunciou ao cargo de secretário de Estado em 7 de janeiro de 1949 por problemas de saúde. Durante todo o período na função, sofreu de exaustão intensa. No fim de 1947, Dean Acheson afirmou que seu desempenho era semelhante ao de "um bombardeiro de quatro motores voando com apenas um". Truman o nomeou para os cargos predominantemente honoríficos de presidente da Comissão Americana de Monumentos de Batalha e da Cruz Vermelha Americana. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1953 por seu trabalho no pós-guerra, apesar das críticas de que era um guerreiro, e não um pacifista.

Quando os primeiros meses da Guerra da Coreia revelaram a falta de preparação do Departamento de Defesa, o presidente Truman demitiu o secretário Louis A. Johnson e nomeou Marshall secretário de Defesa em setembro de 1950. A nomeação exigiu uma exceção aprovada pelo Congresso, pois a Lei de Segurança Nacional de 1947 proibia que um militar da ativa ocupasse o cargo. A restrição abrangia Marshall porque os oficiais promovidos a general do Exército não são tecnicamente aposentados, permanecendo oficialmente no serviço ativo. Marshall foi a primeira pessoa a receber essa autorização excepcional; em 2017, Jim Mattis tornou-se a segunda e, em janeiro de 2021, o general Lloyd Austin, a terceira. Sua principal função no Departamento de Defesa era recuperar a confiança e o moral da instituição enquanto reorganizava as Forças Armadas dos Estados Unidos depois da desmobilização do pós-guerra.

Marshall procurou ampliar o contingente militar para atender às exigências da Guerra da Coreia e da Guerra Fria na Europa. Para executar suas prioridades, formou uma nova equipe de direção, incluindo Robert A. Lovett como seu substituto imediato e Anna M. Rosenberg, ex-diretora da Comissão de Mão de Obra de Guerra, como secretária-adjunta de Defesa responsável por recursos humanos. Também trabalhou para reconstruir as relações entre os Departamentos de Defesa e de Estado e entre o secretário de Defesa e o Estado-Maior Conjunto.
Marshall participou das discussões posteriores ao desembarque de Inchon que levaram à autorização para Douglas MacArthur realizar a Ofensiva das Nações Unidas na Coreia do Norte. Em uma mensagem secreta de acesso restrito, enviada a MacArthur em 29 de setembro de 1950, Marshall comunicou a posição do governo Truman: "Queremos que você se sinta livre de restrições estratégicas e táticas para avançar ao norte do paralelo 38". Ao mesmo tempo, recomendou evitar declarações públicas que pudessem provocar votações na Organização das Nações Unidas capazes de enfraquecer ou contrariar o mandato inicial de restabelecer a fronteira entre as Coreias do Norte e do Sul. De modo geral, Marshall e o Estado-Maior Conjunto apoiavam MacArthur porque acreditavam que os comandantes em campanha deveriam poder exercer seu próprio discernimento para cumprir as intenções dos superiores.[carece de fontes]
Após a intervenção militar chinesa na Coreia, no fim de novembro, Marshall e o Estado-Maior Conjunto buscaram maneiras de ajudar MacArthur sem desencadear uma guerra total contra a China. No debate sobre o aumento da participação chinesa, Marshall se opôs a um cessar-fogo, argumentando que isso faria os Estados Unidos parecerem fracos aos olhos da China e estimularia futuras exigências de concessões. Além disso, sustentou que os Estados Unidos tinham uma obrigação moral de cumprir seu compromisso com a Coreia do Sul. Quando o primeiro-ministro britânico Clement Attlee sugeriu iniciativas diplomáticas em relação à China, Marshall se opôs, afirmando que seria impossível negociar com o governo comunista. Também demonstrou preocupação com a possibilidade de concessões à China prejudicarem a confiança dos aliados asiáticos nos Estados Unidos, incluindo Japão e Filipinas. Quando alguns integrantes do Congresso defenderam ampliar a guerra na Coreia e confrontar a China, Marshall argumentou contra a expansão do conflito e continuou enfatizando a importância da política de contenção da União Soviética na disputa da Guerra Fria pela supremacia na Europa.[carece de fontes]
Cada vez mais preocupado com as declarações públicas de MacArthur, comandante das forças do Comando das Nações Unidas na Guerra da Coreia, que contrariavam a posição do presidente Truman sobre a condução do conflito, Truman reuniu-se na manhã de 6 de abril de 1951 com Marshall, o presidente do Estado-Maior Conjunto, Omar Bradley, o secretário de Estado Dean Acheson e o assessor W. Averell Harriman para discutir se MacArthur deveria ser afastado do comando.
Harriman defendia enfaticamente a destituição de MacArthur, enquanto Bradley era contrário. Marshall pediu mais tempo para avaliar a questão. Acheson era favorável à medida, mas não revelou sua posição; em vez disso, advertiu Truman de que o afastamento provocaria "o maior confronto político de seu governo". Em outra reunião, no dia seguinte, Marshall e Bradley continuaram contrários à destituição. Em 8 de abril, os integrantes do Estado-Maior Conjunto reuniram-se com Marshall e cada um expressou a opinião de que o afastamento seria desejável "do ponto de vista militar", argumentando que, "se MacArthur não fosse destituído, uma grande parcela de nossa população acusaria as autoridades civis de não controlar mais os militares".
Marshall, Bradley, Acheson e Harriman voltaram a se reunir com Truman em 9 de abril. Bradley comunicou ao presidente as posições do Estado-Maior Conjunto, e Marshall acrescentou que concordava com elas. Truman escreveu em seu diário que "todos são unânimes em considerar que MacArthur deve ser destituído. Os quatro aconselham isso". Posteriormente, os integrantes do Estado-Maior Conjunto insistiriam que apenas haviam "concordado" com a destituição, e não a "recomendado".
Em 11 de abril de 1951, Truman determinou o envio de uma ordem a MacArthur, assinada por Bradley, afastando-o de suas funções na Coreia e instruindo-o a entregar o comando a Matthew Ridgway. De acordo com a posição de Marshall e do Estado-Maior Conjunto, os defensores da medida consideravam a destituição necessária para reafirmar o princípio do controle civil das forças armadas.
Em setembro de 1951, após 49 anos ininterruptos de serviço público, Marshall retirou-se para sua residência, Dodona Manor, em Leesburg, Virgínia. Adquirida pelo casal em 1941, Dodona já servia como refúgio tranquilo para os fins de semana de ambos. A residência começou a ser restaurada na década de 1990, e a casa e seus jardins estão abertos ao público como museu.
Foi em Dodona Manor que Marshall pôde apreciar sua comida preferida, pernil de cordeiro assado, e sua bebida favorita, o coquetel old fashioned. A jardinagem era um de seus passatempos prediletos. Durante a aposentadoria, cultivava hortaliças ao longo de todo o ano, incluindo tomates e abóboras, enquanto Katherine Marshall gostava de cuidar de seu jardim de rosas. Em uma carta de 1942 a David Burpee, presidente da W. Atlee Burpee & Company, Marshall escreveu: "O mundo das sementes e das flores me fascina, pois sou jardineiro amador, tanto de flores quanto de hortaliças, desde os dez anos. Não há nada que eu preferisse fazer nesta primavera a dedicar meus pensamentos à saudável atividade da jardinagem, em vez dos terríveis problemas e tragédias da guerra".
O apreço de Katherine pelas rosas era bem conhecido e levou o criador de variedades Eugene S. Boerner a desenvolver a rosa Katherine Tupper Marshall, uma rosa híbrida de chá de coloração rosa. A variedade foi patenteada pela Jackson and Perkins em 1943.
Durante toda a aposentadoria, Marshall presidiu a Comissão Americana de Monumentos de Batalha. Supervisionou a construção de catorze cemitérios em oito países depois da Segunda Guerra Mundial, destinados a homenagear os mortos e desaparecidos em combate. No início da década de 1950, defendeu a rápida construção e o financiamento desses cemitérios, apesar dos cortes orçamentários e de pessoal decorrentes da Guerra da Coreia. Em março de 1951, escreveu ao general Joseph McNarney: "Naturalmente, hesito em me envolver pessoalmente em questões individuais de pessoal, mas, neste caso, estou profundamente preocupado com o moral geral caso nossos cemitérios nacionais no exterior não sejam adequadamente mantidos...". Seus esforços para conseguir profissionais responsáveis pela construção e manutenção dos cemitérios deram resultado, dobrando o número de oficiais militares designados para a tarefa. Em 13 de setembro de 1952, Marshall participou da cerimônia de inauguração do Cemitério e Memorial Americano de Suresnes, na França.
Depois da aposentadoria, Marshall afastou-se em grande medida da vida pública. Uma exceção importante ocorreu em junho de 1953, quando aceitou a indicação do presidente Eisenhower para chefiar a delegação dos Estados Unidos à coroação da rainha Isabel II. A delegação incluía Earl Warren e Omar Bradley. Segundo Bradley e o coronel C. J. George, ajudante de Marshall, quando ele caminhava pelo corredor da Abadia de Westminster para ocupar seu lugar antes da cerimônia, os presentes se levantaram em sinal de respeito. Marshall olhou para trás para descobrir qual autoridade estava chegando, até perceber que a homenagem era dirigida a ele. Também foi convidado para o banquete realizado após a cerimônia no Palácio de Buckingham e foi a única pessoa que não pertencia à família real a se sentar à mesa da rainha Isabel.
George Marshall era o caçula de três irmãos. Seu irmão mais velho, Stuart Bradford Marshall (1875–1956), formou-se no Instituto Militar da Virgínia e trabalhou como gerente e executivo em diversas empresas metalúrgicas, incluindo a American Manganese Manufacturing Company. Posteriormente, atuou como metalurgista e engenheiro consultor especializado na produção e na operação de altos-fornos, fornos de coque e fundições. George e Stuart permaneceram afastados por muito tempo porque George se casou com Lily Coles, que alguns anos antes havia recusado um pedido de casamento de Stuart. Ao saber do noivado de George com Lily, Stuart fez comentários ofensivos sobre ela, levando George a "riscá-lo de sua lista". A irmã de Marshall, Marie Louise (1876–1962), era casada com John Johnston Singer (1879–1934), médico do Exército.
Em 11 de fevereiro de 1902, Marshall casou-se com Elizabeth Carter "Lily" Coles na casa da mãe dela, em Lexington, Virgínia. Marshall conheceu Lily depois de ouvi-la tocar piano do outro lado da rua em frente ao VMI. Imediatamente apaixonado, costumava sair do quartel depois do horário permitido para encontrá-la. Depois de viajar com Marshall pelo Japão, Coreia e China, Lily retornou aos Estados Unidos para passar por uma cirurgia de retirada de um bócio. Morreu em 15 de setembro de 1927, após uma operação na tireoide que sobrecarregou seu coração debilitado. O casal não teve filhos.
Em 15 de outubro de 1930, Marshall casou-se com Katherine Boyce Tupper (8 de outubro de 1882 – 18 de dezembro de 1978). O general Pershing foi padrinho do noivo. Marshall e Katherine não tiveram filhos juntos, mas ela tinha três filhos de seu casamento anterior com o advogado Clifton Stevenson Brown, de Baltimore, assassinado por um cliente insatisfeito em 1928. A segunda esposa de Marshall havia se formado na Academia Americana de Artes Dramáticas e depois estudado na Comédie-Française, além de realizar turnês com a companhia inglesa de teatro shakespeariano de Frank Benson. Em 1946, publicou suas memórias, Together: Annals of an Army Wife ("Juntos: anais de uma esposa de militar").
Um dos enteados de Marshall, Allen Tupper Brown (1916–1944), era tenente do Exército e morreu na Itália em 29 de maio de 1944. Outro enteado era o major Clifton Stevenson Brown Jr. (1914–1952). A enteada Molly Brown Winn (1912–1997), mãe da atriz Kitty Winn, era casada com o coronel James Julius Winn (1907–1990), que havia sido ajudante de Marshall. Molly Winn participou ativamente dos esforços de preservação do legado de Marshall, inclusive da conservação de Dodona Manor e da publicação de suas memórias da Primeira Guerra Mundial.

Após sofrer uma série de acidentes vasculares cerebrais, Marshall morreu no Hospital Walter Reed, em Washington, D.C., em 16 de outubro de 1959, dois meses antes de completar 79 anos. Embora tivesse direito a cerimônias oficiais, Marshall preferia a simplicidade. Por isso, recebeu um funeral militar especial, no qual muitas das atividades tradicionais foram dispensadas. As cerimônias incluíram um velório de 24 horas na Catedral Nacional de Washington, com guarda de honra composta por representantes de cada força armada estadunidense e por um cadete do VMI.
O presidente Eisenhower determinou que as bandeiras fossem hasteadas a meio mastro e esteve entre os duzentos convidados para a cerimônia fúnebre realizada no Forte Myer. Outras autoridades presentes incluíam o ex-presidente Truman, o secretário de Estado Christian A. Herter, o ex-secretário de Estado Dean Acheson, o ex-governador W. Averell Harriman e os generais Omar N. Bradley, Alfred M. Gruenther e Matthew B. Ridgway. O sacerdote da paróquia de Marshall, Franklin Moss Jr., da Igreja Episcopal de St. James, em Leesburg, conduziu as cerimônias na capela e junto ao túmulo, auxiliado pelo reverendo Luther Miller, antigo capelão-chefe e cônego da Catedral Nacional. Conforme o desejo de Marshall, não houve discurso fúnebre. Após o sepultamento, uma bateria de artilharia disparou uma salva de 19 tiros, e um corneteiro executou o toque de silêncio. A bandeira que cobria o caixão foi dobrada e entregue à viúva por um cadete do VMI.
Marshall foi sepultado no Cemitério Nacional de Arlington, seção 7, túmulo 8198, ao lado de sua primeira esposa e da mãe dela, Elizabeth Pendleton Coles (1849–1929). Sua segunda esposa também foi sepultada no local, depois de morrer em 18 de dezembro de 1978. Na face posterior da lápide de mármore estão relacionados os cargos ocupados pelo general Marshall: "Chefe do Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos, secretário de Estado, presidente da Cruz Vermelha Americana e secretário de Defesa". As cinco estrelas de sua patente aparecem nos dois lados da pedra.

Como William Taylor e outros historiadores destacaram recentemente, George Marshall foi o líder estadunidense mais conhecido, ativo e altruísta do início da Guerra Fria. Seu estilo de liderança apresentava características próprias, incluindo "desprezo pela falsidade e pela dissimulação", "aura de autoridade" e "integridade extraordinária". Via o mundo em termos claramente definidos, de preto e branco, sem ambiguidades nos argumentos nem zonas cinzentas na tomada de decisões. Marshall é mais conhecido por emprestar seu nome e prestígio ao Plano Marshall de reconstrução da economia europeia. Entretanto, também sofreu diversas derrotas: fracassou na tentativa, que durou um ano, de solucionar a Guerra Civil Chinesa; não conseguiu aprovar sua proposta de serviço militar universal para todos os homens estadunidenses; e teve sua posição contrária ao reconhecimento de Israel rejeitada pelo presidente Truman. Os historiadores concordam que Truman dependia amplamente do prestígio de Marshall em uma época de intenso antagonismo partidário. Wilson Miscamble destaca que Marshall demorou a reconhecer a ameaça representada pela União Soviética e só percebeu seus perigos em abril de 1947. Miscamble conclui que, segundo estudos recentes, Marshall foi:
Um colaborador importante, mas de forma alguma uma figura dominante na formulação da política externa estadunidense no pós-guerra. Tinha um talento especial para delegar responsabilidades e conseguia contribuições impressionantes de diversos subordinados competentes.
A reputação de Marshall como excelente organizador e planejador militar foi reconhecida no início de sua carreira e tornou-se conhecida em todo o Exército. Em uma avaliação de desempenho feita quando Marshall era tenente nas Filipinas, seu superior, o capitão E. J. Williams, respondeu à pergunta habitual sobre se desejaria ter novamente o oficial avaliado sob seu comando, escrevendo: "Se as exigências do serviço ativo o colocarem em um posto elevado de comando, eu ficaria satisfeito em servir sob suas ordens". (Grifo do original.)
Depois de Marshall participar de grandes manobras e exercícios em 1913, quando era ajudante de J. Franklin Bell, Bell elogiou seu desempenho afirmando que ele era "o maior líder em potencial do Exército para tempos de guerra".
Em 1916, o tenente-coronel Johnson Hagood elaborou uma avaliação escrita do desempenho de Marshall, na qual o chamou de gênio militar. Ao responder se desejaria que Marshall voltasse a servir sob seu comando, Hagood escreveu: "Sim, mas eu preferiria servir sob o comando dele". (Grifo do original.) Hagood também recomendou que Marshall fosse imediatamente promovido a general de brigada, embora houvesse mais de 1.800 oficiais, incluindo o próprio Hagood, com maior antiguidade do que ele.
Após a rendição do governo nazista alemão em maio de 1945, Henry L. Stimson, secretário da Guerra, homenageou Marshall diante de uma reunião de integrantes do estado-maior do Exército, concluindo: "Conheci muitos soldados ao longo de minha vida e o senhor, general, é o melhor soldado que já conheci".
Os historiadores consideram o grande respeito que outras pessoas tinham pela integridade pessoal de Marshall mais um fator importante de seu legado positivo. Além de sua disposição para confrontar Pershing quando este repreendeu o chefe do estado-maior da 1.ª Divisão durante a Primeira Guerra Mundial, Marshall relatou outras ocasiões nas quais seus conselhos insistentes impediram Pershing de provocar controvérsias desnecessárias. Em uma delas, lembrou-se de quando Pershing e James Harbord pretendiam modificar uma política do Departamento de Guerra implantada por Peyton March, chefe do Estado-Maior do Exército e superior formal de Pershing, com quem este mantinha uma rivalidade antiga. Marshall desaconselhou repetidamente a mudança, mas Pershing respondeu irritado que ele e seu chefe do estado-maior, Harbord, apresentariam a proposta mesmo assim. Em vez de ceder, Marshall afirmou que Pershing estava permitindo que a rivalidade pessoal com March prejudicasse seu julgamento e que Harbord, que também não gostava de March, fazia o mesmo. Em lugar de impor sua autoridade hierárquica, Pershing aceitou o julgamento de Marshall e respondeu: "Muito bem, faça à sua maneira".
Em outro episódio que evidenciou a reputação de integridade de Marshall, quando o presidente Franklin Roosevelt, antigo Secretário-adjunto da Marinha dos Estados Unidos, demonstrou favoritismo pela Marinha durante o planejamento da Segunda Guerra Mundial, Marshall sugeriu que ele deixasse de se referir à Marinha como "nós" e ao Exército como "eles". Roosevelt riu, mas a observação bem-humorada de Marshall atingiu seu objetivo.
Além de seus êxitos militares, Marshall é lembrado principalmente como o principal impulsionador do Plano Marshall, que destinou bilhões de dólares à Europa no pós-guerra para reativar as economias dos países devastados. Mais recentemente, a cooperação exigida entre antigos adversários europeus como parte do programa passou a ser reconhecida como um dos primeiros fatores que levaram à integração europeia, iniciada com a formação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço e que acabaria culminando na criação da União Europeia.
Em uma entrevista à televisão depois de deixar o cargo, Truman foi questionado sobre qual estadunidense teria prestado a maior contribuição nos trinta anos anteriores. Sem hesitar, escolheu Marshall e acrescentou: "Não creio que, na época em que vivi, tenha existido um homem que fosse um administrador melhor ou que possuísse conhecimentos militares comparáveis aos do general Marshall".
Orson Welles afirmou, em entrevista a Dick Cavett em 1970, que "Marshall é o maior homem que já conheci... Acho que foi o maior ser humano entre aqueles que também foram grandes homens... Era um cavalheiro extraordinário: uma instituição à moda antiga que já não existe entre nós". Para ilustrar sua opinião, Welles contou a Cavett um episódio em que presenciou Marshall dedicar tempo a conversar com um jovem soldado estadunidense que havia entrado por acaso na mesma sala. O rapaz ficou deslumbrado ao encontrar Marshall inesperadamente, mas o general conversou com ele com paciência e cortesia.

Duas organizações sem fins lucrativos, a Fundação George C. Marshall e o Centro Internacional George C. Marshall, trabalham ativamente para divulgar o legado do general. A Fundação Marshall administra os documentos oficiais de Marshall e mais de dois milhões de outros documentos relativos ao século XX. O Centro Internacional preserva a residência de Marshall, Dodona Manor, como museu e promove programas educacionais sobre sua vida, liderança e papel na história dos Estados Unidos.
Diversas ruas receberam o nome do general Marshall, incluindo a George-Marshall-Straße, em Wiesbaden, na Alemanha, e a George-C.-Marshall-Ring, em Oberursel, também na Alemanha.
Em 30 de abril de 1998, o Centro Europeu George C. Marshall de Estudos de Segurança inaugurou a primeira estátua pública do general Marshall na Europa, em Garmisch-Partenkirchen, Alemanha. A estátua, um pouco maior que o tamanho natural, foi financiada pelo Centro Marshall, pelos Amigos do Centro Marshall e pela prefeitura de Garmisch-Partenkirchen. Projetada pela artista Christiane Horn, de Wartenberg, representa Marshall uniformizado atravessando uma ponte de bronze, voltado para o leste, para cumprimentar novos amigos e aliados. Vernon A. Walters, ex-embaixador dos Estados Unidos na Alemanha, foi um dos principais oradores da cerimônia de inauguração.
Em 1962, a George C. Marshall Junior High School, atualmente George C. Marshall Middle School, foi concluída e inaugurada em Beaumont, Texas.
Marshall foi interpretado no cinema e na televisão por:

As datas de promoção de Marshall foram as seguintes:
| Insígnia | Posto | Componente | Data |
|---|---|---|---|
| Sem insígnia metálica em 1902 | Segundo-tenente | Exército dos Estados Unidos | 2 de fevereiro de 1901
(Nomeação aceita em 2 de fevereiro de 1902) |
| Primeiro-tenente | Exército dos Estados Unidos | 7 de março de 1907 | |
| Capitão | Exército dos Estados Unidos | 1.º de julho de 1916 | |
| Major | Exército Nacional | 5 de agosto de 1917 | |
| Tenente-coronel | Exército Nacional | 5 de janeiro de 1918 | |
| Coronel | Exército Nacional | 27 de agosto de 1918 | |
| Capitão | Exército Regular | 30 de junho de 1920
(Retorno ao posto permanente) | |
| Major | Exército Regular | 1.º de julho de 1920 | |
| Tenente-coronel | Exército Regular | 21 de agosto de 1923 | |
| Coronel | Exército Regular | 1.º de setembro de 1933 | |
| General de brigada | Exército Regular | 1.º de outubro de 1936 | |
| General de divisão | Exército Regular | 1.º de setembro de 1939 | |
| General | Exército dos Estados Unidos | 1.º de setembro de 1939 | |
| General do Exército | Exército dos Estados Unidos | 16 de dezembro de 1944 | |
| General do Exército | Exército Regular | 11 de abril de 1946 |
Observação — Marshall exerceu o cargo de secretário de Estado de 21 de janeiro de 1947 a 20 de janeiro de 1949. Aposentou-se do Exército em 28 de fevereiro de 1947 e retornou ao serviço ativo em 1.º de março de 1949.


| Condecorações militares dos Estados Unidos | |
|---|---|
| Medalha por Serviços Distintos do Exército dos Estados Unidos com um ramo de folhas de carvalho | |
| Estrela de Prata | |
| Distintivo de atirador de elite com fuzil | |
| Medalhas de serviço dos Estados Unidos | |
| Medalha da Campanha das Filipinas | |
| Medalha de Serviço na Fronteira Mexicana | |
| Medalha da Vitória da Primeira Guerra Mundial com cinco fechos de campanha | |
| Medalha do Exército de Ocupação da Alemanha | |
| Medalha de Serviço da Defesa Americana com fecho de serviço no exterior | |
| Medalha da Campanha Americana (primeiro agraciado) | |
| Medalha da Campanha da Ásia-Pacífico | |
| Medalha da Campanha da Europa-África-Oriente Médio com duas estrelas de serviço de bronze | |
| Medalha da Vitória da Segunda Guerra Mundial | |
| Medalha de Serviço da Defesa Nacional | |
| Quatro divisas de serviço no exterior (por participação na Primeira Guerra Mundial) | |
| Uma barra de serviço no exterior | |
| Ordens estrangeiras | |
| Cavaleiro honorário da Grã-Cruz da Ordem do Banho (Reino Unido) | |
| Grã-Cruz da Legião de Honra (França) | |
| Ordem do Céu Azul e Sol Branco (República da China) | |
| Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar (Brasil) | |
| Grã-Cruz da Ordem do Mérito (Chile) | |
| Grã-Cruz da Ordem de Boyacá (Colômbia) | |
| Membro de primeira classe da Ordem do Mérito Militar (Cuba) | |
| Membro de primeira classe da Ordem de Abdón Calderón (Equador) | |
| Cavaleiro da Grã-Cruz com espadas da Ordem de Jorge I (Grécia) | |
| Cavaleiro da Grã-Cruz da Ordem dos Santos Maurício e Lázaro (Itália) | |
| Cavaleiro da Grã-Cruz da Ordem da Coroa da Itália (Itália) | |
| Grã-Cruz da Ordem de Ouissam Alaouite (Marrocos) | |
| Cavaleiro da Grã-Cruz com espadas da Ordem de Orange-Nassau (Países Baixos) | |
| Grande-Oficial da Ordem do Sol do Peru (Peru) | |
| Ordem de Suvorov, primeira classe (União Soviética) | |
| Ordem do Mérito Militar (Cuba) | |
| Condecorações e medalhas estrangeiras | |
| Cruz de Guerra de 1914–1918 com palma de bronze (França) | |
| Medalha do Centenário da República da Libéria | |
| Medalha de Prata por Bravura (Montenegro) | |
| Medalha da Solidariedade, segunda classe (Panamá) | |
| Medalha da Coroação de Elizabeth II (Reino Unido) | |
| Fourragère nas cores da Cruz de Guerra (França) | |

| Data | Organização concedente | Honraria |
|---|---|---|
| 1939 | Sociedade de Cincinnati | Membro honorário |
| 1943 | Legião Americana | Medalha por Serviços Distintos |
| 1943 | Time magazine | Homem do Ano |
| 1944 | Sociedade da Pensilvânia | Medalha de Ouro por Realizações Extraordinárias |
| 1945 | Associação de Oficiais da Reserva | Membro permanente |
| 1945 | Associação Theodore Roosevelt | Medalha de Honra por Serviços Distintos |
| 1946 | Congresso dos Estados Unidos | Medalha de Ouro do Congresso |
| 1946 | Sociedade Filosófica Americana | Membro residente |
| 1947 | Freedom House | Prêmio Liberdade |
| 1947 | Time magazine | Homem do Ano |
| 1948 | Grande Loja de Nova York | Prêmio por Realizações Extraordinárias |
| 1948 | Ordem Kappa Alpha | Prêmio por Realizações Extraordinárias |
| 1948 | Variety Clubs International | Prêmio Humanitário Internacional |
| 1949 | Associação Americana de Planejamento | Medalha de Ouro |
| 1949 | Nova Orleães, Luisiana | Chave da cidade |
| 1949 | San Juan, Porto Rico | Chave da cidade |
| 1949 | Ordem Fraternal das Águias | Prêmio Nacional de Serviço Cívico |
| 1949 | Conselho de Comércio de Nova York | Prêmio por serviços relevantes e contribuição ao modo de vida estadunidense |
| 1949 | Conferência dos Prefeitos dos Estados Unidos | Prêmio por Serviços Públicos de Destaque |
| 1950 | Instituto Franklin | Membro honorário |
| 1950 | Youngstown, Ohio | Chave da cidade |
| 1950 | Veteranos Americanos com Deficiência, seção de Nova York | Prêmio de Cidadania |
| 1951 | Virgínia | Virginia Medalha por Serviços Distintos |
| 1952 | Fundo das Quatro Liberdades | Prêmio do Fundo das Quatro Liberdades |
| 1953 | Comitê Norueguês do Nobel | Prêmio Nobel da Paz |
| 1954 | Veteranos Americanos | Prêmio do Décimo Aniversário |
| 1956 | Fundação Woodrow Wilson | Prêmio por Serviços Distintos |
| 1957 | Organização Europeia de Cooperação Econômica | Medalha de Prata |
| 1957 | Pensilvânia | Medalha de Mérito |
| 1959 | Aachen, Alemanha | Prêmio Carlos Magno |
| 1959 | Instituto Militar da Virgínia | Medalha de New Market |
| Localização | Data | Instituição | Grau | Discursou na cerimônia de formatura |
|---|---|---|---|---|
| 1934 | Escola de Comando e Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos | Doutor em Filosofia (Ph.D.) | ||
| 1939 | Washington and Jefferson College | Doutor em Ciências (Sd.D) | ||
| 1940 | Colégio Militar da Pensilvânia | Doutor em Ciências Militares (DScMil) | ||
| 1941 | Colégio de William e Mary | Doutor em Direito (LL.D.) | Sim | |
| 15 June 1941 | Trinity College | Doutor em Direito (LL.D.) | Sim | |
| 1942 | Norwich University | Doutor em Ciências Militares (DScMil) | ||
| 1947 | Universidade Columbia | Doutor em Direito (LL.D.) | ||
| 22 February 1947 | Universidade de Princeton | Doutor em Direito (LL.D.) | Sim | |
| 6 June 1947 | Universidade Harvard | Doutor em Direito (LL.D.) | ||
| 16 June 1947 | Amherst College | Doutor em Direito (LL.D.) | Sim | |
| 16 June 1947 | Universidade Brown | Doutor em Direito (LL.D.) | Sim | |
| 1947 | Universidade McGill | Doutor em Direito (LL.D.) | ||
| 1947 | Lafayette College | Doutor em Direito (LL.D.) | ||
| 1947 | Universidade da Califórnia em Berkeley | Doutor em Direito (LL.D.) | ||
| 1947 | Universidade de Londres | Doutor em Direito (LL.D.) | ||
| 11 November 1947 | Universidade de Oxford | Doutor em Direito Civil (DCL) |
Marshall even went to great lengths to prevent himself from falling prey to the allures of power. He had always refused to vote because he subscribed to the belief that a professional soldier should remain above politics, but he took other steps to insulate himself from the corrupting influence of power once he became chief of staff.
General Marshall could see the President anytime, but being a general he never took advantage of this. In fact, on one occasion, I think it was over Palestine actually, he told the President -- I was told by somebody at the meeting -- "Mr. President, if you take this action I wouldn't vote for you, but of course I don't vote." He as an Army officer never voted apparently in his life.
| Precedido por Stanley Dunbar Embick |
Vice-chefe do Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos 1938–1939 |
Sucedido por Lorenzo D. Gasser |
| Precedido por Malin Craig |
Chefe do Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos 1939–1945 |
Sucedido por Dwight D. Eisenhower |
| Precedido por James F. Byrnes |
Secretário de Estado dos Estados Unidos 1947–1949 |
Sucedido por Dean Acheson |
| Precedido por Louis A. Johnson |
Secretário de Defesa dos Estados Unidos 1950–1951 |
Sucedido por Robert A. Lovett |
| Precedido por Fumimaro Konoe |
Capa da revista Time 29 de julho de 1940 |
Sucedido por Alan F. Brooke |
| Precedido por Ed Flynn |
Capa da revista Time 19 de outubro de 1942 |
Sucedido por John Vereker, 6.º Visconde Gort |
| Precedido por Sérgio I de Moscou |
Capa da revista Time 3 de janeiro de 1944 |
Sucedido por Erich von Manstein |
| Precedido por Francisco Franco |
Capa da revista Time 25 de março de 1946 |
Sucedido por Omar Bradley |
| Precedido por Jorge II da Grécia |
Capa da revista Time 10 de março de 1947 |
Sucedido por Arnold J. Toynbee |
| Precedido por Madonna and Child de Alesso Baldovinetti |
Capa da revista Time 5 de janeiro de 1948 |
Sucedido por Gregory Peck |
| Precedido por Lilli Palmer e Rex Harrison |
Capa da revista Life 18 de dezembro de 1950 |
Sucedido por Especial infantil de Natal |