A etimologia do nome Labiatae, que foi aportuguesado para labiadas, vem de lábios, devido à conformação e o formato gerais das pétalas. Já a designação Lamiaceae vem de Lamium, o género holotípico. Por sua vez, O nome botânico do género-tipo da família Lamiaceae (Lamium) deriva da palavra grega lamós, que significa 'garganta', e o nome Labiatae deriva da palavra latina labium, que significa 'lábio'.
Algumas espécies são arbustos, árvores (como a teca) ou, raramente, trepadeiras. Muitos membros da família são amplamente cultivados, não só pelas suas qualidades aromáticas, mas também pela facilidade de cultivo, uma vez que se propagam facilmente por estacas de caule. Além das cultivadas pelas suas folhas comestíveis, algumas são cultivadas pela sua folhagem decorativa. Outras são cultivadas pelas suas sementes, como a Salvia hispanica (chia), ou pelos seus tubérculos comestíveis, como a Plectranthus edulis, a P.esculentus, a P. rotundifolius e Stachys affinis (alcachofra-chinesa). Muitas também são cultivadas como plantas ornamentais, nomeadamente os coleus, Plectranthus e muitas espécies e híbridos de Salvia.
A família tem uma distribuição cosmopolita. A família Lamiaceae ampliada contém cerca de 236 géneros e foi descrito que contêm 6 900 a mais de 7 200espécies. AWorld Checklist lista 7 534 e a APWeb aponta 7 280 espécies. Os maiores géneros são Salvia (900), Scutellaria (360), Stachys (300), Plectranthus (300), Hyptis (280), Teucrium (250), Vitex (250), Thymus (220) e Nepeta (200). Na sua anterior circunscrição, Clerodendrum já foi um género com mais de 400 espécies, mas, em 2010, esse número havia sido reduzido para cerca de 150.
O nome alternativo da família, Labiatae, refere-se às flores que normalmente têm pétalas fundidas num lábio superior e um lábio inferior, (labia em latim). Embora este ainda seja considerado um nome alternativo aceitável, a maioria dos botânicos agora usa o nome Lamiaceae para se referir a esta família. As flores são bilateralmente simétricas, com cinco pétalas e cinco sépalas unidas. São geralmente bissexuais e verticilastradas (um cacho de flores que parece um verticilo, mas na verdade consiste em dois cachos aglomerados). As folhas emergem em oposição, cada par em ângulo reto com o anterior (decussadas) ou verticiladas. Os caules são frequentemente quadrangulares em secção transversal, mas essa característica não é encontrada em todos os membros da família e, às vezes, é encontrada em outras famílias de plantas.
Morfologia
Os membros desta família são na sua maioria herbáceas anuais ou perenes, mas a família também inclui numerosas espécies lenhosas arbustivas ou arbóreas ou, mais raramente, lianas. Estas plantas são frequentemente fortemente odoríferos pela abundante presença de óleos essenciais voláteis. Os caules são geralmente ocos e quadrangulares em corte transversal, podendendo ser também estoloníferos ou rizomatosos. As folhas são simples ou compostas, de filotaxia oposta, ocasionalmente verticilada ou, raramente, alterna, geralmente decussadas, com limbo inteiro, denteado, lobado ou crenada. As folhas são revestidas por tricomas glandulares que, normalmente, secretam essências aromáticas. Em algumas espécies, as folhas podem ser compostas digitadas ou pinadas, pecioladas ou sésseis, sem estípulas.
O cálice é tubuloso, campanulado ou infundibuliforme, gamossépalo, persistente e ocasionalmente acrescente no fruto, 5-10 denteado ou lobado, sendo útil para identificação dos géneros. A corola também é tubulosa, pentâmera, zigomorfa ou raramente actinomorfa, campanulada ou infundibuliforme, gamopétala, apresentando o limbo geralmente diferenciado em lábio superior (lábrum) e inferior (labíolo). Apenas em Teucrium é unilabiada.
As flores apresentam apenas um verticilo, inicialmente com 5 estames, mas um deles é reduzido, de modo que o androceu maduro é formado por 2 a 4 estames férteis fundidos com a base do tubo da corola. Os estames são didínamos ou subiguais, exsertos ou inclusos na corola, paralelos, divergentes ou declinados. Os filetes são livres entre si, retos ou curvos, com ou sem apêndice, ou concrescidos em bainha aberta, através da qual passa o estilete, como em Plectranthus. Há estaminódios nas flores com dois estames.
Nos integrantes da tribo OcimeaeDumortier ( a ex-subfamília Ocimoideae), os estames são inclinados sobre o lábio inferior da corola e envolvidos por ele. O estilete é ginobásico ou não (Teucrium), sendo resultado da fusão de dois. O ovário é súpero, bicarpelar, bilocular, com dois óvulos em cada lóculo, mas há uma constrição em cada carpelo, por um falso septo, dando impressão de tetralocular quando adulto. O ovário está assentado num disco glandular, expandido em um lado e saliente. Os grãos de pólen apresentam geralmente de 3 a 6 colpados. Um disco nectarífero está geralmente presente, adjacente ao gineceu.
Os membros desta família de plantas podem ser frequentemente reconhecidos pelas suas típicas «flores labiadas»: as corolas lembram um lábio superior (muitas vezes atrofiado) e um inferior. Nestas flores, normalmente, das cinco pétalas, duas estão fundidas no lábio superior e três no lábio inferior. No entanto, tipos de flores semelhantes também ocorrem noutras famílias da ordem das Lamiales, pelo que a sua presença não identifica univocamente, per se, que se está em presença de uma Lamiaceae.
Os frutos são secos, na amior parte dos casos do tipo esquizocarpo, formando uma estrutura que se separa em quatro frutículos parciais (as núculas) unisseminados, onde cada núcula é uma pequena noz, oval, quase globosa, oblonga, trigonal ou tetraédrica. Mas também existem taxas que produzem bagas ou drupas (nas Viticoideae). Algumas espécies formam pequenos frutos alados (pseudo-sâmaras).
Os membros da família Lamiaceae frequentemente contêm óleos essenciais o que lhes confere aromas fortes, nalguns casos considerados como aromas perfumados, embora alguns sejam tóxicos para os humanos.
A polinização é feita maioritariamente por insetos (entomofilia) ou por pássaros (ornitofilia). As labiadas desenvolveram mecanismos de polinização altamente especializados, especialmente adaptados aos visitantes das flores.
As flores, por exemplo, estabelecem uma relação favorável para com seus agentes polinizadores. São polinizadas por abelhas, vespas, borboletas, traças, moscas, besouros e pássaros. Espécies com drupa são, normalmente, dispersas por aves ou mamíferos; as nucelas são predadas por aves ou dispersas pela água. O perfume das folhas é um componente atrativo para a interação com animais.
As Lamiaceae podem ser bastante densas e possuir pelos, o que facilita a interação com insetos sugadores de seiva que caminham sobre essas plantas. O azoto liberado pelas excreções desses insetos pode ser absorvido pela folha. Podem estar associadas também a fungos e bactérias. O óleo essencial presente em Nepetoideae parece agir como bactericida bem como auxilia na nodulação de plantas leguminosas.
Entre os géneros mais importantes para extração de óleos essenciais contam-se Mentha, Lavandula, Marrubium, Nepeta, Ocimum, Origanum, Rosmarinus, Salvia, Satureja e Thymus. Os oléos extraídos são usados tanto para uso cosmético como condimentar, aromático e medicinal. Há extração feita em escala industrial, mas muita é executada artesanalmente. Várias espécies são usadas a nível doméstico, tanto para tisanas, condimentos ou algum outro uso tradicional, não podendo faltar nas hortas caseiras.
Apesar de ser uma família maioritariamente de plantas herbáceas e de arbustos, ainada assim tem impoertância económica na produção de madeira, já que a valiosa madeira de teca é produzida pela espécie Tectona grandis, uma Lamiaceae.
A família tem sido tradicionalmente considerada intimamente relacionada com a família Verbenaceae; tanto que na década de 1990, estudos filogenéticos sugeriram que muitos géneros classificados na família Verbenaceae deveriam ser classificados na família Lamiaceae ou noutras famílias da ordemLamiales.
Também o tradicional género Coleus, bem conhecido pela utilização de algumas das suas espécies como planta de interior, ficou incorporado no género Plectranthus.
Entretanto, parte das incertezas sobre a filogenia de alguns dos grupos foi dissipada e o APWeb (2025) lista 12 subfamílias, algumas das quais subdivididas em tribos. A estrutura da família é agora a seguinte:
A família Lamiaceae compreende cerca de 7 280espécies, repartidas por cerca de 236 géneros colocados em 12 agrupamentos geralmente considerados ao nível de subfamília. Com o surgimento das técnicas de filogenética, família Lamiaceae foi inicilamente dividida em sete subfamílias que posteriormente foram aumentadas para dez, estando esse número em 12 na presente versão do sistema APG IV.
A listagem que se segue, incompleta, apresenta as subfamílias com os seus géneros e número de espécies, bem como a sua distribuição natural:
GlossocaryaWall. ex Griff.: As cerca de dez espécies estão distribuídas no Sri Lanka, Sudeste Asiático, Nova Guiné e no estado australiano de Queensland.
Holocheila(Kudô) S.Chow: Contém apenas uma espécie:
Holocheila longipedunculataS.Chow: Ocorre apenas em Yunnan, em florestas mistas e de bambu, matagais sombreados e pastagens a altitudes entre 1600 e 2200 metros.
Hosea lobbii(C.B.Clarke) Ridl.: Esta espécie endémica ocorre apenas em Sarawak.
KalahariaBaill.: Ocorre em duas espécies na África tropical e meridional.
KaromiaDop: Das cerca de nove espécies, oito estão distribuídas desde o Quénia, passando pela África Oriental tropical, até à África Austral e Madagáscar, e uma ocorre no Vietname.
Karomia gigas(Faden) Verdc.: Do Quénia e da Tanzânia.
MonochilusFisch. & C.A.Mey.: As duas espécies ocorrem apenas no Brasil, uma delas apenas no estado de Goiás e a outra apenas no Rio de Janeiro.
RothecaRaf. (As suas espécies estavam por vezes incluídas em Clerodendrum): As cerca de 35 espécies estão distribuídas desde a África tropical até à África Austral, bem como em Madagáscar, e ocorrem na Ásia tropical.
RubiteucrisKudô: Contém apenas duas espécies. Estão distribuídas desde o Himalaia até Taiwan.
SchnabeliaHand.-Mazz.: As duas espécies anteriores e as cinco espécies existentes desde 1999 ocorrem todas na China.
SpartothamnellaBriq.: As três espécies ocorrem na Austrália.
Foi criada em 2016. O género típico é Premna. L.. Não é dividida em tribos e contém apenas cerca de três géneros, com um total de cerca de 200 espécies nas regiões subtropicais e tropicais:
CornutiaL.: As cerca de doze espécies estão distribuídas na região neotropical.
GmelinaL.: As cerca de 31 espécies estão distribuídas desde a Ásia subtropical e tropical até à Austrália e às ilhas do Pacífico ocidental.
PremnaL.: As 50 a 200 espécies estão distribuídas pela Ásia subtropical a tropical, África, Austrália e ilhas do Pacífico.
Contém apenas uma tribo com quatro a cinco géneros e cerca de 380 espécies (no entanto, a maioria pertence ao género Scutellaria, três géneros são monotípicos):
Holmskioldia sanguineaRetz.: Ocorre na região do Himalaia. É utilizada como planta ornamental em regiões sem geadas e, em algumas áreas, tornou-se selvagem.
TinneaKotschy ex Hook. f.: As cerca de 19 espécies estão distribuídas desde a África tropical até à África Austral.
WenchengiaC.Y.Wu & S.Chow: Contém apenas uma espécie:
Wenchengia alternifoliaC.Y.Wu & S.Chow: É uma espécie endémica das florestas tropicais a altitudes de cerca de 400 metros na província chinesa de Hainan.
TectonaL. f.: As três a quatro espécies são nativas da Índia, Mianmar, Malásia e Filipinas. Uma espécie é cultivada nos trópicos em todo o mundo e tornou-se naturalizada em algumas áreas tropicais.:
CallicarpaL.: As cerca de 140 espécies estão distribuídas principalmente na Ásia tropical e subtropical; algumas espécies existem na região neotropical e na África tropical e muito poucas espécies em áreas temperadas da Ásia e da América do Norte. Na China, existem 48 espécies.
VitexL. (sin.: MacrostegiaNees, NeorapiniaMoldenke): As cerca de 250 espécies estão amplamente distribuídas, principalmente em regiões pantropicais, com poucas espécies nas regiões temperadas.
ViticipremnaH.J.Lam (Por vezes é colocada em Vitex): As cerca de cinco espécies estão distribuídas pela Australásia.
Filogenia
A maioria dos géneros da família Lamiaceae nunca foi amostrada para estudos de filogenética molecular. A maioria dos que foram incluídos está na seguinte árvore filogenética. A filogenia descrita abaixo baseia-se em sete fontes diferentes.
A última revisão de toda a família foi publicada em 2004, tendo então descrito e fornecido chaves de identificação para 236 géneros. Estes estão marcados com um asterisco (*) na lista abaixo. Alguns géneros foram estabelecidos ou repristinados (ressuscitados) desde 2004 e estão marcados com um sinal de mais (+). Outros géneros foram sinonimizados e estão marcados com um sinal de menos (-). Os géneros restantes na lista são, na sua maioria, apenas de interesse histórico e provêm de uma fonte que inclui esses géneros sem explicação. Poucos destes são reconhecidos nos tratamentos modernos da família.
A família tem distribuição cosmopolita, apenas estando ausente nas regiões mais frias de alta latitude ou das grandes altitudes.
No Brasil são encontradas 16 gêneros e 525 espécies. São indicadas aproximadamente 69 espécies como sendo raras. Nos Estados: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina.
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