Bicho-papão

 Nota: Este artigo é sobre a figura mitológica. Para o jogo das crianças, veja Bicho-papão (jogo).
 Nota: "Boogeyman" redireciona para este artigo. Para se procura pelo filme de 2005, veja Boogeyman (filme).
Que viene el Coco ("Que venha o bicho-papão/O bicho-papão está vindo") de Francisco de Goya, c. 1797.

O bicho-papão, bitu, papa-gente, papão, bebe papão, papa-figo, tutu, manjaléu, Coca ou mumuca é um ser imaginário das mitologias infantis portuguesa e brasileira, estando também presente no resto da Península Ibérica, como na Galiza, na Catalunha e nas Astúrias. O bicho-papão é a personificação do medo. É um ser mutante que pode assumir qualquer forma; é um ser ou animal frequentemente de aspecto monstruoso comedor de crianças, um papa-meninos. Está sempre à espreita e é atraído por crianças desobedientes.

O bicho-papão, tal como outros seres míticos como o homem do saco, sarronco ou a coca, é usado pelos pais para assustar e impedir que as crianças desobedeçam. Todas as suas representações estão associadas ao mal que pode ocorrer às crianças caso se afastem ou contrariem os pais; a expressão "porta-te bem senão vem o bicho-papão" induzia, assim, o respeito das crianças às ordens dos pais. Na Galiza, é um ser gigantesco, mas pode também ser um trasgo ou duende. Mas, qualquer que seja a sua representação, o seu nome, que deriva do termo de conotação infantil "papar", revela a sua principal função: devorar crianças.

C. Cabral refere que, na Espanha, o papão tem um tamanho gigantesco, boca enorme, olhos de fogo e estômago de forno ardente. Em Portugal, o papão é tema de uma antiga cantiga de embalar:

"Vai-te papão, vai-te embora
de cima desse telhado,
deixa dormir o menino
um soninho descansado."

No Brasil, há a seguinte variação dessa canção:

"Bicho papão,
sai de cima do telhado
deixe esse menino
dormir sossegado."

Etimologia

O nome "Papão" vem da expressão "papar", que tem o sentido de "comer", "devorar", pelo fato da principal característica atribuída ao monstro em geral ser a de comer criancinhas. O mesmo sentido tem a expressão "manjar", que deve ter originado o nome "manjaléu", provavelmente a partir de uma alteração de "manja-léguas", que possui a ideia de "veloz", "rápido". "Tutu" é procedente do quimbundo kitu'tu. "Boitatá" é oriundo do tupi mba'ê, coisa + ta'ta, fogo, com influência de mbói, cobra. "Mumuca" possui provável origem indígena. Já "coco" e "cuca" são expressões populares usada para denominar várias bestas lendárias nas culturas latino-americana e ibérica.

Ver também

Referências

  1. ↑ FERREIRA 1986, p. 1260.
  2. ↑ Belanger, Jeff; Dalley, Kristen. A Enciclopédia dos Pesadelos. [S.l.]: Prestígio. p. 74. ISBN 978-85-99170-79-3. Consultado em 29 de janeiro de 2026
  3. ↑ obatiscafo, Autor (13 de setembro de 2017). «Bestiário Tradicional Português». Bestiário Tradicional Português. Consultado em 29 de janeiro de 2026
  4. ↑ González, Eladio Rodríguez (2001). Diccionario enciclopédico gallego-castellano (em espanhol). [S.l.]: Editorial Galaxia. p. 83. ISBN 978-84-8288-428-8. Consultado em 29 de janeiro de 2026
  5. ↑ Sánchez, Manuel Martín (1 de janeiro de 2002). Seres míticos y personajes fantásticos españoles (em espanhol). [S.l.]: EDAF. p. 48. ISBN 978-84-414-1053-4. Consultado em 29 de janeiro de 2026
  6. ↑ FERREIRA 1986, p. 1082.
  7. ↑ FERREIRA 1986, p. 1729.
  8. ↑ FERREIRA 1986, p. 269.
  9. ↑ FERREIRA 1986, p. 1170.

Bibliografia

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