| Orlando Bosch | |
|---|---|
| Nome completo | Orlando Bosch Ávila |
| Nascimento | 18 de agosto de 1926 Potrerillo, Cuba |
| Morte | |
| Alma mater | Universidade de Havana |
| Ocupação | Médico |
Orlando Bosch Ávila (Potrerillo, 18 de agosto de 1926 — Miami, 27 de abril de 2011) foi um militante exilado cubano que liderou a Coordenação das Organizações Revolucionárias Unidas (CORU), descrita pelo Federal Bureau of Investigation (FBI) dos Estados Unidos como uma organização terrorista. Nascido em Cuba, Bosch estudou medicina na Universidade de Havana, onde fez amizade com Fidel Castro. Trabalhou como médico na província de Santa Clara na década de 1950, mas mudou-se para Miami em 1960, depois de deixar de apoiar a Revolução Cubana.
Entre 1961 e 1968, Bosch foi preso várias vezes nos Estados Unidos por ataques dirigidos contra o governo cubano, e colaborou brevemente com a Agência Central de Inteligência (CIA). Foi encarcerado na Flórida em 1968 por um ataque com bazuca contra um cargueiro polonês, mas violou a liberdade condicional e fugiu para a Venezuela em 1974, a convite de outro militante exilado, Luis Posada Carriles. Preso por um atentado a bomba, foi solto em troca da entrega de seu arsenal e mudou-se para o Chile. O governo dos Estados Unidos acusou-o de envolvimento em vários atentados a bomba enquanto esteve lá. Em 1976, foi preso na Costa Rica por um plano de assassinato; os Estados Unidos recusaram uma oferta de extradição, e ele foi enviado para a República Dominicana.
Bosch fundou a CORU em 1976, com Posada e outros exilados cubanos. O grupo foi responsável por vários ataques em 1976, entre eles o assassinato de Orlando Letelier em Washington, D.C., no contexto da Operação Condor. A CORU também é considerada responsável pelo atentado ao voo 455 da Cubana de Aviación, um avião civil cubano, em 6 de outubro de 1976, no qual morreram as 73 pessoas a bordo. Bosch, Posada e outros dois homens foram presos e julgados pelo atentado na Venezuela. Posada fugiu da prisão, enquanto Bosch foi absolvido por um tribunal militar venezuelano em 1980 e, depois de o caso passar à justiça comum, novamente em 1986. Os outros dois homens, ambos funcionários de Posada, foram condenados a vinte anos de prisão.
Ao regressar aos Estados Unidos em 1988, Bosch foi preso por violar a liberdade condicional. O Departamento de Justiça, que o considerava terrorista, tentou deportá-lo. O presidente George H. W. Bush permitiu que ele ficasse no país, e mais tarde seu governo concedeu-lhe residência, depois de uma ampla campanha de pressão da qual participaram a congressista Ileana Ros-Lehtinen [en] e o filho do presidente, Jeb Bush. Nos últimos anos de vida, Bosch arrecadou dinheiro para apoiar a resistência ao governo cubano; morreu em Miami, aos 84 anos. Continua sendo uma figura controversa: o ex-procurador-geral dos Estados Unidos Dick Thornburgh descreveu-o como um "terrorista não regenerado".
Orlando Bosch Ávila nasceu em 18 de agosto de 1926 no povoado de Potrerillo, cerca de 240 km a leste de Havana. Sua mãe era professora, e seu pai era dono de um restaurante. Em 1946, Bosch ingressou na faculdade de medicina da Universidade de Havana, onde fez amizade com o futuro líder cubano Fidel Castro. Bosch presidia o corpo estudantil da faculdade de medicina, enquanto Castro representava os estudantes da faculdade de direito. Bosch era cinco dias mais novo que Castro. Mais tarde, Bosch diria que os dois eram amigos próximos e que fumavam charutos juntos com frequência. Quando estudantes, ambos se opuseram ao governo do ditador cubano Fulgencio Batista. Segundo um colega de turma, o temperamento explosivo de Bosch rendeu-lhe o apelido de "Piro", de piromaníaco.
Depois de se formar, Bosch mudou-se para Toledo (Ohio) para fazer internato em pediatria. Em seguida, voltou a Cuba para trabalhar como médico na província de Santa Clara, onde, entre outras atividades, vacinava crianças contra a poliomielite. Também organizava clandestinamente apoio à guerrilha de Castro contra o governo de Batista. Em 1960, porém, menos de um ano e meio depois de Castro derrubar Batista, Bosch deixou de apoiar a Revolução Cubana e mudou-se para Miami com a esposa, Myriam, também formada em medicina. Levaram consigo os quatro filhos e logo tiveram mais um. O casal se divorciou enquanto Bosch estava preso. Bosch começou a trabalhar num hospital em Coral Gables, onde foi diretor-adjunto.
No Chile, Bosch conheceu Adriana Delgado, com quem se casou em fevereiro de 1975. Adriana, sua segunda esposa, era vinte anos mais nova que ele. Em 1976, o casal teve uma filha. Bosch voltaria aos Estados Unidos em 1988, apesar de ser procurado por violar a liberdade condicional, dizendo: "Tenho uma esposa amorosa que mora nos Estados Unidos e cinco filhos americanos com quem quero compartilhar os últimos anos da minha vida". Morreu em 2011, aos 84 anos, num hospital no subúrbio de Miami.
Bosch deixou Cuba em 1960, depois de uma tentativa fracassada de contrarrevolução, e passou a representar no exterior o Movimiento Insurreccional de Recuperación Revolucionaria (Movimento Insurrecional de Recuperação Revolucionária, MIRR), grupo guerrilheiro que atuava nas montanhas do Escambray. Depois de se mudar para Miami, continuou a participar de atividades anticastristas. Bosch ajudou a organizar o MIRR, que realizou ataques contra fábricas e engenhos de açúcar em Cuba, e reivindicou a autoria de 11 atentados a bomba contra propriedades do governo cubano. De janeiro a novembro de 1962, e novamente entre o fim de outubro e o início de novembro de 1963, Bosch esteve em contato com a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos. Na primeira ocasião, Bosch deveria ajudar a planejar infiltrações em Cuba, e obteve mantimentos e esconderijos para a equipe; na segunda, buscou financiamento para ataques aéreos contra Cuba, que a CIA recusou. Um memorando da CIA de 1976 descreveu Bosch como "coordenador-geral" do MIRR na época de seus contatos de 1963 com a agência. Em 1963, Bosch publicou o panfleto The Tragedy of Cuba (A tragédia de Cuba), no qual argumentava que o presidente Kennedy havia traído os exilados [en].
É preciso combater a violência com violência. Às vezes não se pode evitar ferir pessoas inocentes.
—Orlando Bosch, declaração de 1979, quando estava preso na Venezuela.
Bosch logo foi demitido por guardar explosivos nas dependências do hospital e foi preso várias vezes por envolvimento numa série de planos. O primeiro foi em 1964, quando foi flagrado rebocando um torpedo controlado por rádio em meio ao trânsito da hora do rush. No ano seguinte, Bosch e outros cinco homens foram acusados de contrabandear bombas para fora dos Estados Unidos, depois de uma batida de agentes federais numa casa perto de Orlando. Em abril de 1966, uma barreira policial flagrou Bosch transportando bombas feitas com dinamite; ele disse aos policiais que as levava para uma "base secreta onde havia um barco que podíamos usar para bombardear Castro". Em dezembro do mesmo ano, foi acusado de extorsão. Segundo um relatório do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Bosch esteve envolvido em 30 atos de terrorismo entre 1961 e 1968.
Bosch só foi condenado por suas atividades em 1968, quando atacou um cargueiro polonês. De uma ponte sobre a Baía Biscayne, disparou contra o navio um projétil de 57 mm com uma bazuca caseira. Bosch também foi condenado por enviar ameaças de bomba aos chefes de Estado do Reino Unido, do México e da Espanha. Em sua defesa, Bosch declarou acreditar que o navio se dirigia a Cuba. Foi condenado a dez anos de prisão; ao proferir a sentença, o juiz afirmou que Bosch havia muito tempo "defendia o uso da violência para atingir seus objetivos, em flagrante desrespeito às leis dos Estados Unidos". No julgamento, o governo apresentou Bosch como líder da organização terrorista Cuban Power [en], que reivindicou "dezenas de atentados a bomba e tentativas de assassinato". Outros oito integrantes do grupo também foram condenados. Entre os que testemunharam contra Bosch estava o informante do FBI Ricardo Morales [en].
Bosch cumpriu quatro anos da pena e obteve liberdade condicional em 1972. Claude Kirk [en], então governador da Flórida, esteve entre os que defenderam sua libertação antecipada. Em junho de 1974, Bosch declarou ao jornal The Miami News [en] que chefiava um grupo chamado Acción Cubana e que a organização era responsável por uma série de atentados a bomba contra consulados cubanos na América Latina desde agosto de 1973. Em 1974, violou a liberdade condicional e fugiu para a Venezuela, pouco depois de receber uma intimação num caso de homicídio. Fora convidado a ir à Venezuela por Luis Posada Carriles, outro militante exilado cubano, que na época chefiava a DISIP, o serviço de inteligência venezuelano. No mesmo ano, Bosch detonou bombas num centro cultural e na embaixada do Panamá em Caracas, em ambos os casos pouco antes da chegada de representantes do governo cubano. A data dos ataques, 10 de outubro, é o dia da independência de Cuba. Foi preso e solto em troca da entrega de seu arsenal, e pouco depois foi visto em Curaçau, onde disse a um jornalista, também exilado cubano: "Vamos invadir as embaixadas cubanas, assassinar os diplomatas cubanos e sequestrar os aviões cubanos até que Castro liberte alguns dos presos políticos e comece a negociar conosco".
Bosch mudou-se para Santiago, no Chile, onde o governo de Augusto Pinochet oferecia refúgio a ele e a outros anticomunistas. Segundo um memorando enviado aos Estados Unidos pelo governo chileno, ele chegou em 3 de dezembro de 1974, sob o pseudônimo Pedro Pena. Ficou num esconderijo militar e "vivia discretamente como artista". Embora o memorando chileno afirmasse que Bosch não realizou atividades anticastristas no Chile, o governo dos Estados Unidos acusou-o de enviar bombas pelo correio às embaixadas cubanas em Lima, Madrid, Ottawa e Buenos Aires. Os Estados Unidos também o acusaram de envolvimento na tentativa de assassinato de Emilio Aragonés, embaixador cubano na Argentina, em agosto de 1975, e no atentado a bomba contra a embaixada do México na Cidade da Guatemala, em setembro de 1976. Em fevereiro de 1976, foi preso pela polícia na Costa Rica, onde viajava com um passaporte chileno falso sob o pseudônimo Héctor Avanzo. Após a prisão, a imprensa americana noticiou que ele estivera envolvido num plano para matar Henry Kissinger, então secretário de Estado. A prisão resultou de informações sobre as intenções de Bosch repassadas à CIA por Posada, antigo e futuro companheiro de Bosch. Segundo as autoridades costa-riquenhas, o alvo de Bosch era Andrés Pascal Allende [en], sobrinho do ex-presidente chileno Salvador Allende. A Costa Rica ofereceu-se para extraditá-lo para os Estados Unidos, mas estes recusaram.
Bosch foi deportado para a República Dominicana, onde fundou a Coordenação das Organizações Revolucionárias Unidas (CORU), com Posada, Gaspar Jiménez [en] e outros exilados cubanos. O grupo, liderado por Bosch, reuniu-se pela primeira vez na cidade dominicana de Bonao em junho de 1976 e planejou mais de 50 atentados a bomba para o ano seguinte. O FBI descreveu a CORU como "uma organização guarda-chuva terrorista anticastrista". A CORU foi responsável por vários ataques em 1976. Entre eles estavam um ataque com metralhadora contra a embaixada cubana em Bogotá, o assassinato de um funcionário cubano em Mérida, o sequestro de dois agentes de segurança do consulado cubano em Buenos Aires, um atentado a bomba contra um escritório da companhia aérea Cubana na Cidade do Panamá, um atentado a bomba contra a embaixada da Guiana em Port of Spain e o assassinato do ex-embaixador chileno Orlando Letelier, crítico ferrenho do governo Pinochet, em Washington, D.C. Documentos desclassificados posteriormente mostraram que o assassinato de Letelier, parte de uma série ocorrida durante a Operação Condor, foi ordenado diretamente por Pinochet. Michael Tonwley, agente da Dirección de Inteligencia Nacional, a polícia secreta chilena, também participou do assassinato.
Bosch foi convidado a voltar à Venezuela por Orlando García, chefe da segurança do presidente venezuelano Carlos Andrés Pérez. Regressou em setembro de 1976, novamente com um passaporte falso. Bosch recebeu uma suíte de hotel para seu uso, uma carteira de identidade da DISIP em nome de "Carlos Sucre" e um passaporte venezuelano. Foi-lhe dito que poderia continuar suas atividades, desde que seus alvos estivessem fora da Venezuela. Entre os que tinham apartamentos no mesmo hotel estavam García e Morales, que havia testemunhado contra Bosch na Flórida e era agora o vice de García. Pouco depois de sua chegada à Venezuela, foi realizado em Caracas um evento para arrecadar fundos para suas atividades. Segundo um memorando da CIA, Bosch se ofereceu para se abster de ataques nos Estados Unidos durante a visita de Pérez às Nações Unidas, em novembro, se o governo venezuelano fizesse "uma contribuição substancial em dinheiro" à sua organização. Bosch também teria declarado: "Agora que nossa organização saiu bem do trabalho Letelier, vamos tentar outra coisa". Um mapa do trajeto que Letelier fazia até o trabalho foi encontrado mais tarde no escritório de Posada.

Dias depois, Posada teria declarado: "vamos atingir um avião cubano" e "Orlando tem os detalhes". O voo 455 da Cubana de Aviación partia de Trinidad com destino a Cuba, com escala em Barbados. Em 6 de outubro de 1976, duas bombas-relógio, descritas ora como dinamite, ora como C-4, colocadas no Douglas DC-8 explodiram, matando as 73 pessoas a bordo, entre elas toda a equipe cubana de esgrima. Investigadores de Cuba, da Venezuela e dos Estados Unidos atribuíram a colocação das bombas a dois passageiros venezuelanos, Freddy Lugo e Hernán Ricardo Lozano, que haviam feito o primeiro trecho do voo, de Trinidad a Barbados. Ambos trabalhavam para Posada numa agência de detetives particulares que ele mantinha em Caracas. Logo após as explosões, Ricardo deixou um recado no escritório de Posada e, mais tarde, conseguiu falar com Bosch por telefone. A CORU divulgou um comunicado assumindo a autoria do atentado; um comunicado posterior descreveu as vítimas como "57 comunistas cubanos" (57 dos passageiros eram cubanos). Vários memorandos da CIA da época implicaram Bosch e Posada no ataque. Segundo um informante do FBI, Bosch recebeu um telefonema em 6 de outubro em que lhe disseram: "Um ônibus com 73 cães caiu de um penhasco e todos morreram".
Em outubro de 1976, Posada e Bosch foram presos na Venezuela, acusados de planejar o atentado. A jornalista Ann Louise Bardach [en] descreveu as prisões como uma cause célèbre para os políticos de Miami, que pressionaram o governo dos Estados Unidos a exigir a libertação de Bosch e Posada. Miami, Hialeah e Sweetwater declararam oficialmente um "Dia de Orlando Bosch", e o prefeito de Miami, Maurice Ferré [en], visitou Bosch na prisão. Alguns anos depois, Otto Reich [en], também exilado cubano e embaixador dos Estados Unidos na Venezuela de 1986 a 1989, pressionou igualmente o governo americano pela libertação de Bosch, alegando tanto que ele era inocente quanto que sua segurança estava ameaçada. Bosch também recebeu a visita do Comitê Seleto da Câmara sobre Assassinatos [en], que investigava uma alegação, negada por Bosch, de que ele teria estado numa sala com Lee Harvey Oswald em 1963. Em 1977, autoridades policiais da região de Miami ligaram Bosch e seus apoiadores a vários atentados com dinamite, entre eles uma explosão nos escritórios da Mackey International, pouco depois de a companhia aérea anunciar planos de retomar os voos para Cuba.
O caso do voo da Cubana foi inicialmente submetido a uma juíza civil, que decidiu que o tribunal não tinha jurisdição. Em 1980, Bosch e os demais foram julgados e absolvidos por um tribunal militar da acusação de envolvimento no atentado. Bosch e Ricardo foram condenados por uso de documentos de identidade falsos e sentenciados a quatro meses e meio de prisão, pena compensada pelo tempo que já haviam passado detidos. O tribunal afirmou que, embora o avião tivesse sido derrubado por uma bomba, não havia provas suficientes de que os réus fossem os responsáveis. Bosch e os demais continuaram presos enquanto se recorria da sentença. Em 1983, outro tribunal militar devolveu o caso à justiça comum, e o julgamento foi ainda mais adiado porque Bosch e os três corréus se recusaram a comparecer ao tribunal. Em 1985, durante esse adiamento, Posada fugiu da prisão subornando o diretor do presídio com dinheiro arrecadado por Jorge Mas Canosa, presidente da Fundação Nacional Cubano-Americana [en]. O caso de Bosch foi finalmente resolvido em 1986, quando ele foi absolvido; Ricardo e Lugo foram condenados a 20 anos de prisão cada um. Ao todo, Bosch passou onze anos preso. Na prisão, dedicava-se a escrever e a pintar e fez várias greves de fome em protesto contra sua situação.
Reich pediu autorização para conceder a Bosch um visto para os Estados Unidos em várias ocasiões, a última delas em dezembro de 1987; os pedidos foram negados. Em 1988, Bosch voou para Miami, apesar de não ter visto. Ao chegar, foi preso por violar a liberdade condicional do caso do cargueiro polonês de 1968 e também por entrar ilegalmente no país. Iniciou-se então uma grande campanha pela libertação de Bosch, cujos líderes incluíam Jorge Mas Canosa, presidente da Fundação Nacional Cubano-Americana. Mas Canosa depôs perante uma junta de liberdade condicional, afirmando que ele e Bosch eram amigos havia mais de duas décadas e que estava confiante de que Bosch não retomaria as atividades violentas. Durante sua vitoriosa campanha para o Congresso na eleição especial de 1989, Ileana Ros-Lehtinen defendeu a libertação de Bosch, chamando-o de patriota e herói. Alguns dos apoiadores militantes de Bosch ameaçaram explodir o escritório do Serviço de Imigração e Naturalização em Miami caso ele não fosse libertado, mas as ameaças não se concretizaram.
Apesar dessa campanha, o pedido de asilo de Bosch foi rejeitado pelo Departamento de Justiça em janeiro de 1989. Ao tomar a decisão, Joe Whitley [en], então procurador-geral associado dos Estados Unidos, afirmou que Bosch tinha sido "resoluto e inabalável em sua defesa da violência terrorista" e que havia "demonstrado disposição para causar ferimentos e mortes indiscriminadamente". Agentes do FBI local que investigaram Bosch afirmaram que o FBI e outros órgãos policiais o consideravam "o terrorista número um de Miami". O Departamento de Justiça tentou deportá-lo: 31 países foram consultados sobre a entrada de Bosch, e todos recusaram. Cuba manifestou disposição de recebê-lo, mas seus advogados recusaram. No entanto, depois de pressões de Jeb Bush, então chefe da campanha de Ros-Lehtinen, o presidente George H. W. Bush rejeitou a recomendação do Departamento de Justiça e ordenou a libertação de Bosch. Ele foi autorizado a voltar para sua casa em Miami, com a condição de ter o telefone grampeado e o paradeiro monitorado, manter um registro de visitantes e não se associar a militantes. Embora tenha aceitado essas condições, não manteve o registro e declarou que se associaria com quem quisesse. Dois anos depois, o governo Bush concedeu-lhe residência nos Estados Unidos.
Após sua libertação, Bosch passou a trabalhar para Alberto Hernández, sucessor de Mas Canosa na presidência da Fundação Nacional Cubano-Americana, ganhando 1 500 dólares por mês. Em 1997, foi associado aos atentados a hotéis em Cuba em 1997 [en], nos quais morreu um turista; negou envolvimento, mas afirmou que, se tivesse participado, "continuaria negando, já que isso é ilegal neste país". Voltou a pintar e usou o dinheiro da venda de suas obras para financiar a resistência ao governo cubano. Também criou uma organização, chamada "Partido Protagonista do Povo", para arrecadar dinheiro para comprar armas para o movimento anticastrista, violando com isso os termos de sua libertação. Afirmou ter arrecadado mais de 150.000 dólares até 1997.
Nos últimos anos de vida, Bosch continuou sendo uma figura controversa. Tinha amplo apoio entre os exilados cubanos nos Estados Unidos, e sua morte foi seguida de manifestações públicas de luto em Miami. Em suas memórias de 2010, Los años que he vivido, Bosch negou ter planejado o atentado, afirmando que Castro o havia "acusado, sem provas, de ser o autor intelectual da sabotagem do voo 455 e de muitos outros atos com os quais nada tive a ver". Ainda assim, continuou a justificar o atentado, dizendo que fora um "ato legítimo de guerra" e que todos a bordo mereciam morrer, porque "eram todos comunistas". O jornalista americano John Dinges afirma que Bosch foi o mentor do atentado, e o diplomata e historiador cubano Jesús Arboleya liga Bosch e Posada aos dois venezuelanos que colocaram as bombas. Dick Thornburgh, procurador-geral dos Estados Unidos de 1988 a 1991, nos governos de Ronald Reagan e George H. W. Bush, referiu-se a Bosch como um "terrorista não regenerado", e o FBI considerava terrorista a CORU, que Bosch liderava. O diplomata americano Wayne Smith, especialista em assuntos cubanos, também chamou Bosch de terrorista e afirmou que ele "prestou um desserviço à causa da democracia e da liberdade". Após a libertação de Bosch, um editorial do The New York Times acusou o governo Bush de hipocrisia, afirmando que Bush estava "desperdiçando a credibilidade americana em questões de terrorismo" e que acobertava "um dos terroristas mais notórios do hemisfério". A defesa de Bosch por Reich gerou controvérsia quando este foi indicado para o cargo de secretário de Estado adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental pelo governo de George W. Bush, no início dos anos 2000, e o papel da família Bush na libertação de Bosch tornou-se motivo de constrangimento para ela nos anos seguintes.