Brigada Venceremos

Brigada Venceremos
Venceremos Brigade
Cartaz de propaganda cubano dando as boas-vindas aos brigadistas à ilha
TipoOrganização política
Fundação1969
PropósitoSolidariedade com Cuba
SedeEstados Unidos
FiliaçãoBrigada Antonio Maceo (inspirada na Brigada Venceremos)
Pessoas importantesCarl Oglesby (idealizador)
Bernardine Dohrn (diretora)
Organização de origemStudents for a Democratic Society
Websitevb4cuba.com

A Brigada Venceremos (em inglês: Venceremos Brigade) é uma organização internacional fundada em 1969 por membros da Students for a Democratic Society [en] (SDS) e por autoridades da República de Cuba. Foi criada como uma coalizão de jovens para manifestar solidariedade à Revolução Cubana, trabalhando lado a lado com trabalhadores cubanos e contestando as políticas dos Estados Unidos em relação a Cuba, entre elas o embargo. As viagens anuais da brigada continuam a ocorrer e, até 2015, haviam levado mais de 9 mil estadunidenses a Cuba. Em julho de 2016, o 47º contingente da brigada viajou a Cuba.

História

Primeira viagem

A Revolução Cubana de 1959 esteve entre as principais forças internacionais que impulsionaram o surgimento da Nova Esquerda nos Estados Unidos, cujos movimentos passaram, em meados da década de 1960, a estudar cada vez mais as revoluções e as lutas anticoloniais do Terceiro Mundo.

Em 1969, a SDS era composta por facções rivais, cada uma com as suas próprias prioridades e visões. Um grupo de ativistas estadunidenses que estava em Cuba soube que, enquanto o país se preparava para a maior safra de açúcar da sua história, Fidel Castro havia pedido a todos os cubanos que trabalhassem nos canaviais. Os estadunidenses ofereceram-se inicialmente para ocupar os postos industriais deixados vagos pelos trabalhadores deslocados para a colheita, mas Fidel teria respondido que, se os norte-americanos quisessem ajudar, deveriam cortar cana. Na esperança de unir os membros da SDS em torno de um novo projeto, os líderes da organização começaram a planejar uma viagem para levar ativistas estadunidenses a Cuba para cortar cana. Carl Oglesby apresentou a ideia aos membros da SDS, mas foi afastado da organização antes que ela se concretizasse; Bernardine Dohrn [en] encarregou Julie Nichamin e Brian Murphy de organizar a viagem. Nos Estados Unidos, o grupo reunia-se ocasionalmente por regiões para supervisionar, recrutar e arrecadar fundos para as viagens. O contingente, chamado Brigada Venceremos ("venceremos", em espanhol), foi apresentado como um projeto educativo anti-imperialista. A brigada reuniu participantes de diversos movimentos da esquerda estadunidense, como o movimento contra a guerra, a Nova Esquerda, o Black Power, o movimento operário e o movimento de mulheres.

No fim de 1969, o primeiro contingente, com 216 estadunidenses, viajou a Cuba passando pelo México, para contornar as restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos às viagens à ilha. Os participantes deveriam contribuir para a monumental safra (zafra) de 10 milhões de toneladas de açúcar de 1970. A segunda brigada chegou em fevereiro de 1970 para cortar cana e conhecer a vida cubana. Embora a safra não tenha atingido os 10 milhões de toneladas, as brigadas continuaram.

Controvérsias internas

Na primeira viagem, os voluntários consideraram as cubanas mais "libertadas" do que antes de 1959, mas algumas visitantes feministas questionaram o duplo padrão de gênero que persistia na sociedade cubana. Michael Kazin participou do primeiro contingente, entre dezembro de 1969 e fevereiro de 1970, e na época admirou com entusiasmo o que viu; com o tempo, porém, tornou-se mais crítico da revolução, ao saber que a grande safra fracassara e deixara Cuba ainda mais dependente da União Soviética, e ao recordar a presença constante de policiais e soldados na ilha. Regina Anavy participou da viagem de 1971 e relatou discussões frequentes entre os membros; ela própria ficou desiludida com a sociedade militarizada cubana e com o seu próprio radicalismo.

A prisão de homossexuais em Cuba e a homofobia institucionalizada no país tornaram-se questões controversas dentro da organização. A Brigada Venceremos, dominada por membros da SDS, chegou a denunciar a homossexualidade como "uma patologia social que reflete uma decadência burguesa remanescente" e proibiu a participação de gays e lésbicas. Allen Young [en], um dos organizadores da brigada, foi duas vezes a Cuba e saiu desiludido da experiência.

Brigada Antonio Maceo

A Brigada Antonio Maceo foi formada por cubano-americanos radicais como um grupo de solidariedade com Cuba, inspirado na Brigada Venceremos, e fez a sua primeira viagem à ilha em 1977. Muitos dos cubanos que aderiram a ela queriam provar que não eram gusanos ("vermes") contrarrevolucionários. Na época, a Brigada Venceremos não aceitava exilados cubanos como membros, por considerá-los todos de classe média e contrarrevolucionários.

Para ser aceito na Brigada Antonio Maceo, o cubano-americano precisava ter "saído de Cuba por decisão da família", "não ter participado de atividades contrarrevolucionárias" e "definir-se como contrário ao bloqueio".

Organização

Ideologia

No livro Venceremos Brigade, Sandra Levinson [en] e Carol Brightman [en] descrevem os participantes, os brigadistas, como "radicais estadunidenses". Eles eram atraídos a Cuba pela revolução socialista, pelo anti-imperialismo e pela cultura cubana. Desde o início, a brigada reuniu participantes diversos: brancos, negros, chicanos, indígenas e porto-riquenhos, além de ativistas e feministas. Em parte, os brigadistas iam a Cuba para estudar a cultura revolucionária, Che Guevara e o "homem novo" socialista de Che. A filosofia da Nova Esquerda permeava o movimento. Os brigadistas também invocavam a história dos movimentos antirracistas e anticoloniais de Cuba e faziam referência ao Black Power e aos movimentos feministas nos Estados Unidos, com o objetivo de criar uma cultura política revolucionária dentro do grupo.

Apesar do caráter esquerdista das brigadas e do governo cubano, surgiram conflitos entre os organizadores e os membros gays da brigada e os seus aliados. Para as autoridades cubanas, o movimento de libertação gay representava o imperialismo estadunidense e era um desafio a Fidel Castro e a Cuba. Os organizadores das brigadas adotaram uma política semelhante ao Don't ask, don't tell, exigindo que os brigadistas queer não falassem sobre a sua sexualidade nem a expressassem. Os brigadistas queer eram alvo de insultos e perguntas homofóbicas, e a homofobia era a política geral. Houve também tensões de gênero nas primeiras brigadas.

Vigilância do FBI

O FBI interrogou participantes da brigada ao longo dos anos. Michael Ratner, que havia representado membros da Brigada Venceremos, afirmou que as visitas de agentes do FBI foram mais frequentes nas décadas de 1970 e 1980 e diminuíram nos anos 1990. Em 2010, pelo menos dez viajantes, na maioria participantes da brigada, foram contatados por agentes do FBI.

Brigadistas notáveis

Ver também

Referências

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Bibliografia

Leitura adicional

Ligações externas