| Kendall Myers | |
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Foto de identificação de Myers feita pelo FBI, c. 2009 | |
| Nascimento | Walter Kendall Myers 15 de abril de 1937 |
| Pseudônimo(s) | Agente 202 |
| Morte | Centro Médico dos Estados Unidos para Prisioneiros Federais [en], Springfield, Missouri, Estados Unidos |
| Educação | Universidade Johns Hopkins (doutorado) |
| Ocupação | Funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos |
| Crime(s) | Conspiração para cometer espionagem e fraude eletrônica |
| Pena | Prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional |
| Cônjuge | Gwendolyn Steingraber Myers (c. 1982) |
Walter Kendall Myers (15 de abril de 1937 – 12 de março de 2026) foi um funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos que, com sua esposa, Gwendolyn Steingraber Myers, foi preso em 4 de junho de 2009 e indiciado no dia seguinte, acusado de espionar para Cuba durante quase 30 anos. Em julho de 2010, foi condenado por um tribunal federal dos Estados Unidos à prisão perpétua por espionagem.
Kendall Myers nasceu em Washington, D.C., em 15 de abril de 1937. Era neto de Gilbert Hovey Grosvenor [en] e bisneto de Alexander Graham Bell. Estudou na Mercersburg Academy [en], um internato preparatório particular em Mercersburg, na Pensilvânia. Formou-se na Universidade Brown, em Providence, Rhode Island, e obteve o doutorado em história da Europa na Escola de Estudos Internacionais Avançados [en] (SAIS) da Universidade Johns Hopkins, em Washington, D.C. Em 1977, começou a trabalhar para o Departamento de Estado como instrutor contratado do Instituto do Serviço Exterior [en], e lecionou em meio período na SAIS durante 20 anos. De 2000 até se aposentar, em outubro de 2007, foi analista de assuntos europeus no Departamento de Inteligência e Pesquisa (INR) do Departamento de Estado. Sua carreira no Departamento de Estado foi passada sobretudo em cargos dentro dos Estados Unidos.
Em novembro de 2006, Myers causou polêmica ao descrever a "relação especial" entre os Estados Unidos e o Reino Unido como "unilateral" e um "mito". Disse sentir-se "um pouco envergonhado" com o tratamento dado ao primeiro-ministro Tony Blair pelo presidente americano George W. Bush. O então deputado britânico Denis MacShane [en] respondeu: "Depois da derrota republicana nas eleições de meio de mandato, todos os ratinhos que se banquetearam durante os anos Bush estão agora abandonando o navio. Eu respeitaria esse senhor, de quem nunca ouvi falar, se ele tivesse tido a coragem de dizer qualquer uma dessas coisas dois ou cinco anos atrás".
O Departamento de Estado distanciou-se dos comentários de Myers, declarando que "ele falava como acadêmico, não como representante do Departamento de Estado".
Em 4 de junho de 2009, Myers e sua esposa foram presos e acusados de atuar como agentes ilegais do governo cubano e de fornecer-lhe informação confidencial durante quase 30 anos, além de fraude eletrônica. As autoridades informaram que o casal foi descoberto por uma operação encoberta do FBI e que suas atividades se estenderam por "quase três décadas". A prisão de Myers foi o resultado de uma investigação conjunta de três anos do FBI e do Serviço de Segurança Diplomática [en] do Departamento de Estado. A partir de informações gerais fornecidas pelo FBI, o Serviço de Segurança Diplomática conduziu uma ampla investigação interna que identificou Myers como o provável agente cubano e acabou levando à sua prisão. As autoridades também disseram que Myers costumava se valer da memória ou de anotações para obter informações, em vez de roubar documentos. O casal teria usado rádio de ondas curtas para se comunicar com a inteligência cubana e se encontrado com agentes cubanos em vários lugares, dentro e fora dos Estados Unidos. Myers contou aos agentes infiltrados que havia passado uma noite com Fidel Castro em 1995.
Segundo as acusações, as ações do casal não teriam sido motivadas pela ganância, mas pela ideologia. De acordo com um funcionário das forças de segurança, eles eram "crentes convictos" no sistema cubano. A declaração juramentada federal citava uma anotação do diário de Kendall Myers que dizia: "Não vejo nada de valor que tenha sido perdido com a revolução. A revolução libertou um potencial enorme e o espírito cubano", e na qual chamava Fidel Castro de "um dos grandes líderes políticos de nosso tempo". Outras anotações criticavam o sistema de saúde dos Estados Unidos e a "complacência com os pobres" no país.
O casal Myers declarou-se culpado em 20 de novembro de 2009, numa audiência perante o juiz Reggie Walton [en] no Tribunal Distrital dos Estados Unidos [en]. Myers, então com 72 anos, declarou-se culpado das três acusações da denúncia: conspiração para cometer espionagem e duas acusações de fraude eletrônica. Sua esposa declarou-se culpada de uma única acusação, a de conspiração para reunir e transmitir informações de defesa nacional. Como parte de seu acordo de confissão, Kendall Myers aceitou cumprir prisão perpétua e cooperar plenamente com o governo dos Estados Unidos em relação a quaisquer atividades criminosas e de inteligência praticadas por ele ou por outras pessoas. Pelo seu acordo, Gwendolyn aceitou cumprir uma pena de seis a sete anos e meio de prisão e cooperar plenamente com o governo.
Em 16 de julho de 2010, Kendall Myers foi condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, e Gwendolyn a 81 meses de prisão.
Kendall Myers morreu de câncer na prisão em 12 de março de 2026, aos 88 anos.
A secretária de Estado Hillary Clinton ordenou uma avaliação dos danos causados à segurança dos Estados Unidos. Clinton determinou ainda que o Departamento de Estado fizesse essa avaliação abrangente em coordenação com a comunidade de inteligência, de acordo com os protocolos e normas estabelecidos.
| “ | Se tudo isso fosse verdade, não deixarei de admirar a sua conduta desinteressada e valente com relação a Cuba. [...] Aqueles que de alguma maneira ou de outra contribuíam para a protecção da vida de cidadãos cubanos, perante os planos terroristas e projectos de assassinar os seus dirigentes, [...] o fizeram por imperativos das suas próprias consciências e merecem, ao meu juízo, todas as honras do mundo. | ” |
— Fidel Castro, dois dias após a prisão do casal Myers. |
Ao saber da prisão de Myers, Castro afirmou que o caso parecia uma "historieta de espionagem". Castro não quis dizer se o casal havia de fato passado segredos ao governo cubano, mas acrescentou que, se o tivesse feito, merecia elogios.