Parnamacay

Parnamacay
Nascimentoséculo XVI
Morteséculo XVI
OcupaçãoDirigente indígena
Cargo(s)

Parnamacay, também grafado Parmanacay, e em algumas fontes modernas, Paramacay, foi um dirigente indígena activo na região centro-norte da actual Venezuela durante a segunda metade do século XVI, associado por José de Oviedo y Baños e pela historiografia posterior aos tarmas e ao vale de Mamo. Surge nas narrativas da resistência indígena à expansão castelhana na região de Caracas, nomeadamente no conflito em torno da encomienda de Julián de Mendoza, na mobilização indígena de 1568, num encontro com Francisco de Vides e nas campanhas posteriores de sujeição atribuídas a Garci González de Silva.

Nome e identificação

A forma Parnamacay é a utilizada por Oviedo y Baños nas passagens em que o dirigente aparece ligado ao vale de Mamo, a Francisco de Vides e a Garci González de Silva. Nectario María empregou a variante Parmanacay na sua reconstrução da resistência dos tarmas. A forma Paramacay aparece em usos secundários e comemorativos posteriores, como a série Caciques de Venezuela, registada pela Cronología de historia de Venezuela em 1955.

A variante Parnamacai encontra-se numa edição documental publicada por José Antonio de Armas Chitty. No documento n.º 17 do segundo tomo de Caracas: origen y trayectoria de una ciudad, editado a partir de material procedente do Arquivo Geral das Índias (AGI), uma recitação administrativa de 20 de Maio de 1594 inclui, sob a designação colectiva «los caciques», os nomes de Paramaconi, Guarimaycen, Urymauri, Prepocunate e Parnamacai. A passagem integra uma memória retrospectiva dos serviços anteriores de Garci González de Silva: o título atribui-lhe ter desbaratado um «fuerte y junta» no «valle y provincia de las guairas» em que são colectivamente enumerados esses dirigentes, particularizando depois a rendição pessoal de Paramaconi.

Na mesma enumeração, Paramaconi e Parnamacai aparecem como nomes separados. A distinção é igualmente preservada por Landa e por Nectario María.

Oviedo y Baños também emprega Parnamacay como nome de um povoado, ao mencionar os «pueblos de Guaremaisen, Parnamacay y Prepocunate» numa narrativa relativa a Paramaconi. Na mesma obra, porém, o nome individualiza Parnamacay como pessoa, nomeadamente no episódio de Francisco de Vides e na referência posterior à obediência prestada a Garci González.

Enquadramento entre os tarmas

A associação de Parnamacay aos tarmas é forte na historiografia, embora a terminologia deva ser tratada com cuidado. Landa identifica-o como «Parnamacay de los tarmas», e Nectario María apresenta Parmanacay entre os dirigentes ligados à resistência dos tarmas e ao vale de Mamo. Na narrativa de Oviedo y Baños sobre a mobilização de 1568, Parnamacay é incluído entre os chefes de um contingente que o cronista identifica como tarma; a mesma passagem foi posteriormente reproduzida e discutida por Horacio Biord Castillo.

A recitação administrativa de 1594 publicada por Armas Chitty chama Parnamacai de «cacique» no interior de uma enumeração colectiva, mas não lhe acrescenta um etnónimo.

Os tarmas não devem, porém, ser fundidos automaticamente com os toromaimas ou taramainas. A relação de Juan de Pimentel de 1578 enumerou separadamente toromaymas e taramas, e a investigação contemporânea considera apenas possível, não demonstrada, uma relação entre os dois nomes. Esta distinção é particularmente relevante porque Paramaconi é associado por Landa aos taramainas, enquanto Parnamacay é associado aos tarmas.

A própria designação cacique requer qualificação. A recitação administrativa de 1594 publicada por Armas Chitty inclui Parnamacai numa enumeração colectiva de «caciques», mas Biord Castillo adverte contra a projecção automática das categorias coloniais cacique, principal e jefe sobre formas indígenas de autoridade. No seu estudo da organização política regional, propõe antes um quadro de lideranças locais baseadas em prestígio e consenso, susceptíveis de articulação temporária entre aldeias em contexto de guerra, e não necessariamente cargos hereditários equivalentes a senhorios europeus. Um estudo interdisciplinar posterior sobre os povos indígenas da província de Caracas também recomenda que os etnónimos coloniais não sejam convertidos automaticamente em unidades políticas homogéneas ou em culturas arqueológicas perfeitamente delimitadas.

Vale de Mamo e Julián de Mendoza

A tradição historiográfica liga Parnamacay ao vale de Mamo, espaço costeiro também chamado por Oviedo y Baños de vale das Goiabas. O cronista apresenta «los Caciques Parnamacay, Prepocunate y los demás del valle de Mamo» no início da narrativa relativa à morte de Julián de Mendoza. Nectario María mantém a associação entre Parmanacay, Prepocunate, os tarmas e Mamo na sua síntese da conquista de Caracas. A Cronología de historia de Venezuela, da Fundación Empresas Polar, situa em 1569 a morte de Julián de Mendoza e resume o episódio afirmando que os chefes da região de Mamo mataram o seu encomendero quando este procurou obrigá-los a trabalhar nas suas terras. Uma informação de méritos de Garci González de Silva, conservada no AGI, contém uma referência documental à «muerte que le avían dado al capitán don Julián de Mendoça» no contexto das «montañas del río de Mamo».

A narrativa individual mais extensa é a de Oviedo y Baños, publicada mais de um século depois. Segundo o cronista, Mendoza enviou recado a Parnamacay, Prepocunate e aos demais chefes do vale para que fossem trabalhar nas suas lavouras, apresentando-se como seu encomendero. Os dirigentes ter-se-iam ressentido da ordem e decidido resistir, embora ocultando essa intenção. Alguns indígenas dirigiram-se depois a Santiago de León e entregaram a Mendoza redes de dormir, frutos e alimentos, gesto que este interpretou como aceitação da encomienda.

Ainda segundo Oviedo, Mendoza pediu licença a Bartolomé García, então responsável pelo governo local de Santiago, para visitar os povoados e tomar posse do repartimento. Chegou à foz do rio Mamo acompanhado por dois soldados. Na versão do cronista, foi Prepocunate, e não Parnamacay, quem atingiu Mendoza pelas costas com um machete e o matou; os dois acompanhantes refugiaram-se numa casa próxima do rio e morreram depois de o edifício ser incendiado.

Resistência e campanhas

Mobilização de 1568

A tradição sobre a grande mobilização indígena de 1568 inclui Parnamacay, mas as próprias fontes modernas recomendam prudência. A cronologia da Fundación Empresas Polar afirma que chefes da costa central e das serras próximas de Caracas procuraram reunir forças contra os espanhóis e apresenta Parnamacay entre os dirigentes de um contingente identificado como tarma que se agregaria às forças de Guaicaipuro. A mesma obra qualifica expressamente a tradição como «insuficientemente documentada» e transmite versões diferentes sobre o desenlace da concentração.

Biord Castillo reproduziu a passagem correspondente de Oviedo y Baños, advertindo que o cronista exagerava o número de guerreiros indígenas e apresentava uma imagem etnográfica distorcida. A cronologia da Fundación Empresas Polar não estabelece que Parnamacay tenha chegado ao ponto de concentração de Maracapana, apresentando versões divergentes sobre o desenlace da mobilização.

Expedições de Sancho del Villar e Francisco de Vides

Depois da morte de Julián de Mendoza, Oviedo y Baños narra uma expedição dirigida por Sancho del Villar contra as comunidades resistentes do vale. Segundo o cronista, Bartolomé García enviou Sancho com cerca de quarenta homens; a força avançou até à montanha de Anaocopón, acabando por retirar depois de cinco espanhóis terem morrido e três terem ficado gravemente feridos. Nectario María relaciona essas tentativas com documentação do AGI, citando uma declaração de Sancho del Villar, segundo a qual este teria participado «dos o tres veces» em entradas anteriores com outros capitães, regressando derrotado, mais tarde vindo a acompanhar Garci González numa campanha vitoriosa.

O episódio em que Parnamacay é pessoalmente nomeado ocorre na entrada posterior de Francisco de Vides. Oviedo afirma que Vides foi obrigado a regressar a Caracas, «con pérdida del bagaje, que le ganó Parnamacay en un encuentro». Nectario María situa o acontecimento entre o final de 1569 e o princípio do ano seguinte, atribuindo a perda da bagagem a um ataque dirigido por Parmanacay.

Campanha de Garci González e obediência

Oviedo y Baños coloca no «año de setenta», ou seja, 1570, uma nova campanha de Garci González de Silva contra as comunidades resistentes, na qual Prepocunate morreu no combate e a resistência remanescente acabou por procurar a paz. Mais adiante, ao resumir o estado da conquista da região costeira, o mesmo autor afirma que tarmas e taramainas estavam já reduzidos e sujeitos depois de Garci González ter obrigado Paramaconi e Parnamacay «a que diesen la obediencia».

A cronologia não é uniforme na historiografia. Nectario María coloca a entrada de Francisco de Vides no fim de 1569 ou início de 1570 e organiza imediatamente depois a campanha de Garci González. Em contraste, Manuel Pérez Vila, no verbete Conquista do Diccionario de Historia de Venezuela, afirma que Garci González submeteu os tarmas em 1573 e que Prepocunate morreu combatendo, não individualizando Parnamacay. A documentação primária de Mamo de Março de 1573 citada neste artigo, no entanto, trata de prospecção mineira, não dessa campanha.

A última menção pessoal a Parnamacay na sequência narrativa de Oviedo y Baños é a referência à obediência prestada a Garci González. A edição documental de Armas Chitty conserva uma ocorrência posterior da variante Parnamacai num título de 20 de Maio de 1594, mas o nome aparece dentro de uma recitação retrospectiva dos serviços de Garci González e não numa descrição da presença do dirigente naquele ano.

Memória e homenagens

Em 14 de Janeiro de 1955, a Cronología de historia de Venezuela registou a entrada em circulação de uma série de ouro dedicada a doze chefes indígenas, intitulada Caciques de Venezuela, na qual figurava Paramacay, atribuindo os desenhos ao pintor Pedro Centeno Vallenilla, e afirmando que a série foi mandada cunhar no Inter Change Bank, na Suíça.

O nome foi igualmente adoptado pelo escutismo venezuelano. O Plan de Ordenamiento y Normativa de Uso del Campo Escuela Paramacay, da Asociación de Scouts de Venezuela, afirma que o Campo Escuela Paramacay, em Carrizal, estado Miranda, património da associação, foi adquirido em 1959 e inaugurado em 23 de Fevereiro de 1964, numa cerimónia presidida por Olave Baden-Powell. Um boletim histórico da Fraternidad de Antiguos Scouts y Guías de Venezuela afirma que o centro recebeu o nome Paramacay em homenagem ao cacique.

Parnamacay foi também incorporado à memória religiosa popular. No capítulo Los grandes mitos y cultos populares, de GeoVenezuela, Ocarina Castillo D'Imperio inclui Paramacay entre os caciques e indígenas que integram a «Corte India venezolana» do culto de María Lionza, ao lado de figuras como Guaicaipuro, Tiuna, Mara, Paramaconi, Tamanaco e Chacao.

Em 22 de Setembro de 2025, o Decreto n.º 5.164, publicado na Gaceta Oficial de la República Bolivariana de Venezuela n.º 6.929 Extraordinario, criou e activou novas Áreas de Defesa Integral. Na Zona Operativa de Defensa Integral Carabobo, o quadro do decreto atribuiu o nome oficial «CACIQUE PARAMACAY» à Área de Defesa Integral 4508, com jurisdição no município de Naguanagua.

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 Oviedo y Baños 2004, pp. 349–350.
  2. 1 2 3 4 Landa 2011, p. 195.
  3. 1 2 3 4 «1568». Cronología de historia de Venezuela (em espanhol). Fundación Empresas Polar. 2010. Consultado em 24 de agosto de 2026
  4. 1 2 3 4 5 6 Oviedo y Baños 2004, pp. 350–351.
  5. 1 2 3 4 5 Oviedo y Baños 2004, pp. 359–360.
  6. 1 2 3 4 5 6 Nectario María 1966, pp. 158–160.
  7. 1 2 «1955». Cronología de historia de Venezuela (em espanhol). Fundación Empresas Polar. 2010. Consultado em 24 de agosto de 2026
  8. 1 2 3 4 5 6 Armas Chitty 1967, especialmente p. 134, pp. 124–135.
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  10. ↑ Nectario María 1966, pp. 122–124.
  11. 1 2 Biord Castillo 1992, p. 61.
  12. ↑ Pimentel 1964, p. 113.
  13. ↑ Antczak et al. 2020, p. 525.
  14. ↑ Biord Castillo 1992, pp. 60–64.
  15. ↑ Antczak et al. 2020, pp. 518–527.
  16. ↑ «1569». Cronología de historia de Venezuela (em espanhol). Fundación Empresas Polar. 2010. Consultado em 24 de agosto de 2026
  17. ↑ Arquivo Geral das Índias (AGI), PATRONATO,80,N.2,R.4, Méritos y servicios: García González de Silva: Dorado, imagem 4.
  18. ↑ Nectario María 1966, pp. 159–160.
  19. ↑ Pérez Vila, Manuel. «Conquista». Diccionario de Historia de Venezuela (em espanhol). Fundación Empresas Polar. Consultado em 24 de agosto de 2026
  20. ↑ Cabildo de Caracas 1943, acta de 26 de Março de 1573, p. 17.
  21. ↑ Asociación de Scouts de Venezuela (2024). «Plan de Ordenamiento y Normativa de Uso del Campo Escuela Paramacay» (PDF) (em espanhol). p. 2. Consultado em 24 de agosto de 2026
  22. ↑ Bolívar, Wilfredo (jan.–fev. 2024). «Paramacay primeros años». Boletín FASGV (em espanhol) (72): 7
  23. ↑ Castillo D'Imperio 2009, p. 360.
  24. ↑ «Gaceta Oficial de la República Bolivariana de Venezuela, n.º 6.929 Extraordinario — Decreto n.º 5.164» (PDF) (em espanhol). 22 de setembro de 2025. p. 14. Consultado em 24 de agosto de 2026

Bibliografia