Sequoia Capital Operations, LLC, que usa o nome comercial Sequoia Capital ou simplesmente Sequoia, é uma empresa estadunidense de capital de risco com sede em Menlo Park, na Califórnia. A empresa investe em companhias de capital fechado de setores tecnológicos, desde o capital semente até as fases iniciais e de crescimento. Em janeiro de 2025, tinha cerca de US$ 56 bilhões em ativos sob gestão.
Suas operações regionais foram organizadas em três empresas, a Sequoia, com atuação na Europa, a Peak XV Partners, no Sudeste Asiático, e a antiga divisão chinesa, HongShan. Desde sua fundação, a Sequoia investiu em empresas como Apple, ByteDance e Cisco.
História
A Sequoia foi fundada por Don Valentine em 1972, em Menlo Park, quando o setor de capital de risco começava a se desenvolver na Califórnia. A empresa criou seu primeiro fundo de capital de risco em 1974 e, no ano seguinte, tornou-se uma das primeiras investidoras da Atari. Em 1978, esteve entre as primeiras investidoras da Apple. Os sócios Doug Leone e Michael Moritz assumiram a direção da empresa em 1996.
Em 1999, a Sequoia criou um fundo de investimento dedicado a startups israelenses. A Sequoia Capital China foi fundada em 2005, seguida pela Sequoia Capital India. Em 2012, Moritz se afastou da gestão cotidiana da empresa. Leone tornou-se sócio-diretor global. Jim Goetz dirigiu as operações nos Estados Unidos de 2012 a 2017, quando foi sucedido por Roelof Botha. Em 2016, a contratação de Jess Lee fez dela a primeira mulher a ocupar o cargo de sócia de investimentos da Sequoia nos Estados Unidos. Em 2019, a Sequoia foi a empresa de capital de risco com maior atividade na Índia.
Em março de 2020, a Sequoia anunciou a contratação de Luciana Lixandru como sua primeira sócia sediada na Europa. Em outubro de 2021, anunciou uma nova estrutura de fundos para as operações nos Estados Unidos e na Europa, que permitiria manter os investimentos nas empresas após a abertura de capital. Em março de 2022, o The Information noticiou que a Sequoia Capital China buscava captar US$ 8 bilhões para um fundo destinado a empresas chinesas de tecnologia. Após o colapso do Silicon Valley Bank, em março de 2023, a Federal Deposit Insurance Corporation garantiu US$ 1 bilhão que a Sequoia tinha em depósitos no banco.
Em junho de 2023, a Sequoia anunciou planos de se dividir em três empresas, devido às dificuldades de administrar operações globais descentralizadas em meio a tensões geopolíticas. A separação tinha conclusão prevista para março de 2024. A divisão chinesa, dirigida por Neil Shen, passaria a se chamar HongShan, "sequoia" em mandarim. A divisão da Índia e do Sudeste Asiático receberia o nome de Peak XV Partners, sob a direção de Shailendra Singh, GV Ravishankar, Mohit Bhatnagar e Rajan Anandan. As operações nos Estados Unidos e na Europa manteriam o nome Sequoia. Em julho de 2023, a empresa anunciou o corte de um terço da equipe de recrutamento como parte de uma reestruturação. Em outubro, o comitê da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos dedicado à competição entre os Estados Unidos e a China anunciou uma investigação dos investimentos da Sequoia na China.
Em 2024, a Sequoia era a maior investidora no setor chinês de serviços de internet voltados ao consumidor.(p94) A empresa recorria com frequência à estratégia de investir em concorrentes de um mesmo setor e depois pressionar por sua consolidação.(94–95) A imprensa chinesa atribuiu à Sequoia parte das negociações que levaram às fusões entre Meituan e Dianping, Uber China e Didi, e VShop e Lefenghui.(p95)
Em julho de 2025, Shaun Maguire, sócio da Sequoia, afirmou que Zohran Mamdani, candidato muçulmano estadunidense à prefeitura de Nova Iorque, "vinha de uma cultura que mente sobre tudo" e pretendia promover "sua agenda islamista". A declaração recebeu críticas por seu teor preconceituoso e islamofóbico. Maguire negou ter agido por preconceito e distinguiu o islamismo político do islã. Em resposta, 600 fundadores de startups de tecnologia assinaram uma carta aberta à Sequoia, na qual pediam "uma política de tolerância zero ao discurso de ódio e à intolerância religiosa". Em agosto de 2025, a diretora de operações da Sequoia, Sumaiya Balbale, que falava abertamente sobre o papel da fé muçulmana em sua carreira, deixou a empresa após cinco anos por causa das publicações de Maguire. Outros sócios seniores haviam se recusado a tomar medidas contra ele, em defesa da liberdade de expressão.
Em novembro de 2025, Alfred Lin e Pat Grady sucederam Botha e passaram a dividir o cargo de sócio-diretor. A dupla recebeu a designação de "guardiões", em inglês stewards, adotada no modelo de gestão criado por Don Valentine.
Investimentos
Os cotistas aportam recursos em um fundo, que os sócios gestores da empresa investem em empreendimentos. Entre os cotistas da Sequoia predominam fundos patrimoniais de universidades, fundações beneficentes e outras instituições de grande porte. A empresa se especializa em investimentos de capital semente, nas fases iniciais e de crescimento de empresas de tecnologia de capital fechado. Investe em setores como tecnologias limpas, serviços de internet voltados ao consumidor, criptomoedas, serviços financeiros, saúde, tecnologias móveis e robótica. O desempenho de seus investimentos em empresas nas fases iniciais recebeu elogios do The Wall Street Journal e do The New York Times. A Sequoia também se diferenciou de outras grandes empresas de capital de risco pela diversificação dos investimentos, sem se concentrar apenas em empresas nas fases iniciais nos Estados Unidos. A marca Sequoia reunia três empresas de investimento, uma voltada aos Estados Unidos e à Europa, outra à Índia e ao Sudeste Asiático e uma terceira à China. A separação anunciada em junho de 2023 previa que, a partir de 2024, as três deixariam de compartilhar investidores e lucros.
A Sequoia deixou passar a oportunidade de investir no Facebook em seus primeiros anos, por volta de 2005. John Naughton levantou a hipótese de que essa decisão tenha provocado um "medo de ficar de fora" e levado a empresa a investir grandes somas na FTX em 2022, antes de sua quebra. Em 2019, o Hurun Research Institute classificou a Sequoia como a maior investidora em unicórnios do mundo. Ela havia investido em uma a cada cinco empresas de capital fechado avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais. Em julho de 2021, publicou um texto sobre "as oportunidades oferecidas pelas startups latino-americanas", que sinalizava a intenção de ampliar sua atuação na região.
Em outubro de 2021, a Sequoia anunciou o Sequoia Capital Fund, uma nova estrutura de fundos para suas operações nos Estados Unidos e na Europa. O modelo se distinguia dos fundos de capital de risco usuais, com duração de dez anos, por não ter prazo determinado de encerramento. A Sequoia deixaria de precisar vender ou distribuir ações ao fim desse ciclo. Os cotistas que precisassem de liquidez poderiam resgatar recursos do fundo. A empresa também anunciou que passaria a ser uma consultora de investimentos registrada, categoria regulatória estadunidense que lhe daria mais flexibilidade para investir. Em fevereiro de 2022, captou US$ 600 milhões para o Sequoia Crypto Fund. Um dos primeiros subfundos do Sequoia Capital Fund, ele se destinava principalmente a criptomoedas negociadas em corretoras de terceiros.
Em junho de 2022, a Sequoia anunciou a captação de mais US$ 2,85 bilhões para investir na Índia e no Sudeste Asiático. Foi a maior captação da empresa até então para essas regiões. No início de 2023, o Sequoia Capital Fund chegou a US$ 13,6 bilhões.
A Sequoia Capital e outras empresas de capital de risco investiram na corretora de criptomoedas FTX, fundada por Sam Bankman-Fried. Entusiasmada com a FTX, a Sequoia publicou em seu site um perfil elogioso de Bankman-Fried em 22 de setembro de 2022. A FTX quebrou em novembro de 2022, com um rombo de cerca de US$ 8 bilhões em recursos de clientes. Bankman-Fried foi condenado por fraude em 2023. A Sequoia reduziu a zero o valor contábil de sua participação na FTX, com perda estimada em US$ 214 milhões. Em um comunicado aos investidores, afirmou que a participação correspondia a uma pequena parcela de sua carteira. A empresa também retirou de seu site o perfil de Bankman-Fried.
Em julho de 2023, a Sequoia reduziu seu fundo de criptomoedas de US$ 585 milhões para US$ 200 milhões e passou a concentrar os investimentos em startups nas fases iniciais, após a queda do setor. Em 2023, criou o Open Source Fellowship, um programa de bolsas para financiar até três desenvolvedores de código aberto por ano, sem exigir participação societária.
Em 2009, a Sequoia lançou seu programa de scouts, uma rede de investidores individuais que oferece a fundadores de empresas e outros participantes capital para investir em startups promissoras nas fases iniciais. Os participantes do Sequoia Scouts investiram em mais de 1.000 empresas. A Sequoia foi a primeira empresa de capital de risco a oferecer esse tipo de programa, cujo modelo foi adotado por outras empresas do setor.
Em 2020, a Sequoia expandiu o programa de scouts para a Europa, com uma rede de gestores, fundadores de empresas e investidores em startups nas fases iniciais. Os sócios Luciana Lixandru e Matt Miller participaram da formação dessa rede.
Em 2021, a Sequoia tornou-se parceira da BLCK VC Scout Network para oferecer formação a investidores negros que já atuavam como scouts ou pretendiam ingressar nessa atividade. Em março de 2022, lançou o Arc, um programa no qual os participantes recebem US$ 1 milhão em financiamento para trabalhar com sócios da Sequoia em Londres e no Vale do Silício.
↑Clark, Kate (5 de fevereiro de 2025). «Sequoia Capital's Evergreen Fund Grows to Almost $20 Billion». Bloomberg (em inglês). Consultado em 30 de julho de 2025. A Sequoia mantém a gestão de subfundos que alimentam o fundo central, de maior porte. Os ativos sob gestão da empresa chegaram a US$ 56 bilhões, conforme um documento regulatório separado, de janeiro, o que a coloca entre as maiores empresas de capital de risco.
↑Ferrary, Michel; Granovetter, Mark (20 de maio de 2009). «The role of venture capital firms in Silicon Valley's complex innovation network». Economy and Society (em inglês). 38 (2): 326–359. doi:10.1080/03085140902786827. Semantic Scholar 15217502. Consultado em 16 de fevereiro de 2022. Cópia arquivada em 27 de agosto de 2022. As empresas de capital de risco de maior destaque foram criadas na década de 1970. O Mayfield Fund foi fundado em 1969. A Sequoia Capital e a Kleiner, Perkins, Caufield & Byers vieram em 1972. Em 1975, mais de trinta empresas de capital de risco já estavam instaladas na região da baía de São Francisco.
↑Raises.com (20 de junho de 2024). «Visionary Investors in California 2024». Capital Raises - Raise $10m+ Equity Raises or Debt Raises | Raises.com™ | Raise Capital & Prepare (em inglês). Consultado em 16 de julho de 2024
↑Garland, Russ (10 de dezembro de 2012). «Sequoia's Leone: In Venture, Big is the Enemy of Great». Dow Jones & Company, Inc. The Wall Street Journal (em inglês). Consultado em 3 de agosto de 2021. Cópia arquivada em 25 de junho de 2021. Leone, que dirige a Sequoia desde que Michael Moritz se afastou por doença em maio, criticou duramente os investidores de capital de risco que agem como gestores de fundos de capital privado, com escritórios de canto e orgulho de seus ativos sob gestão e de suas "plataformas" de investimento.
12Anders, George; Konrad, Alex (23 de abril de 2014). «Sequoia Capital: Creating Disruptions, and Billionaires». Forbes India (em inglês). Consultado em 3 de agosto de 2021. Cópia arquivada em 6 de dezembro de 2021. Mesmo no cargo de sócio-diretor da empresa de capital de risco Sequoia Capital, Leone ainda se comporta como alguém que enfrenta dificuldades e luta por sua primeira boa oportunidade. [...] O Sequoia Venture XI Fund, por exemplo, captou US$ 387 milhões em 2003 com cerca de 40 cotistas, principalmente universidades e fundações.
↑Matney, Lucas (26 de outubro de 2021). «Sequoia dramatically revamps its fund structure as it looks to rethink venture capital model». TechCrunch (em inglês). Consultado em 8 de novembro de 2021. Cópia arquivada em 2 de novembro de 2021. Acabaram os ciclos de retorno de dez anos, que muitas vezes levavam os investidores a liquidar participações em empresas de capital aberto com base em prazos fixos, sem avaliar se os investimentos haviam amadurecido por completo. A Sequoia afirma que os investimentos deixarão de ter "prazo de validade". Os retornos dos investimentos em startups voltarão ao fundo central para serem aplicados em investimentos futuros, no que a empresa chama de "ciclo contínuo de realimentação".
↑Thompson, Ben (27 de outubro de 2021). «Sequoia Productive Capital». Stratechery (em inglês). Consultado em 9 de novembro de 2021. Cópia arquivada em 1 de novembro de 2021. A Sequoia quer manter participações de longo prazo em empresas com modelos de negócio comprovados, que iniciam um processo de dez anos ou mais de aperfeiçoamento de produtos e expansão de mercados para o mundo inteiro, em vez de receber aportes de cotistas em fundos que fazem investimentos especulativos em empreendimentos arriscados.
↑Cutler, Kim-Mai (1 de abril de 2018). «The Unicorn Hunters». Logic (em inglês). Consultado em 6 de agosto de 2021. Cópia arquivada em 17 de setembro de 2021. Os investidores de capital de risco precisam captar o capital que fornecem. Os gestores de uma empresa, chamados de "sócios gestores", são responsáveis por encontrar cotistas para financiar os investimentos. Eles também costumam aplicar uma parcela expressiva de seu patrimônio pessoal no fundo em que trabalham, para que os cotistas tenham a garantia de que os gestores também correm riscos. Os cotistas tradicionalmente incluem grandes fundos de pensão, fundos patrimoniais e outras instituições de grande porte.
↑Efrati, Amir; Konrad, Zoë (6 de novembro de 2019). «The Information's Seed Investors to Watch». The Information (em inglês). Consultado em 3 de agosto de 2021. Cópia arquivada em 26 de setembro de 2021. A Sequoia tem fundos de capital semente, de capital de risco e de crescimento nos Estados Unidos, além de um fundo global de crescimento, mas não divulga detalhes sobre eles. Sua captação mais recente foi de US$ 8 bilhões para um Global Growth Fund. Entre os cotistas dos fundos estão Fundação Ford, Mayo Clinic, MIT, Universidade Stanford, Wellcome Trust, Harvard e Cleveland Clinic.
1234567Winkler, Rolfe (27 de outubro de 2019). «Venture Capital Pioneer Kept Entrepreneurs' Egos in Check». Dow Jones & Company, Inc. The Wall Street Journal (em inglês). Consultado em 9 de agosto de 2021. Cópia arquivada em 11 de abril de 2021. Seu passatempo se tornou a Sequoia Capital, que nas cinco décadas seguintes construiu um desempenho sem igual em investimentos de capital de risco, com aportes iniciais na Atari e na Apple Inc. nos anos 1970, na Cisco Systems Inc. e na Oracle Corp. nos anos 1980, no Yahoo! e no Google nos anos 1990, na Airbnb Inc. e na LinkedIn Corp. nos anos 2000, e na Stripe Inc., na Square Inc. e no WhatsApp nesta década.
↑Alden, William; Gelles, David (20 de fevereiro de 2014). «In WhatsApp Deal, Sequoia Capital May Make 50 Times Its Money». The New York Times (em inglês). Consultado em 9 de agosto de 2021. Cópia arquivada em 25 de julho de 2021. Embora chame menos atenção que alguns dos novos investidores de tecnologia do Vale do Silício, a Sequoia acumulou resultados excepcionais ao longo dos anos, como uma das primeiras investidoras em gigantes da tecnologia como Apple, Google, Yahoo e Oracle.
↑Wang, Eudora (28 de agosto de 2020). «Sequoia Capital China files for three new funds with SEC». DealStreetAsia Pte Ltd. DealStreetAsia (em inglês). Consultado em 3 de agosto de 2021. No Huron Global Unicorn Index 2020, divulgado em agosto, a Sequoia Capital somava 109 unicórnios, empresas de capital fechado avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais.
12Fisher, Adam (22 de setembro de 2022). «Sam Bankman-Fried Has a Savior Complex—And Maybe You Should Too» (em inglês). Sequoia. Consultado em 12 de abril de 2024. Arquivado do original em 27 de outubro de 2022 A versão arquivada contém o perfil elogioso original. A página foi substituída pelo aviso: "Em 9 de novembro de 2022, enviamos uma carta aos nossos cotistas com nossa avaliação atualizada da FTX e retiramos o perfil de SBF na manhã seguinte." Outra cópia arquivada, de 9 de novembro de 2022.
↑Shubarth, Cromwell (1 de fevereiro de 2017). «No. 1 Midas investor Jim Goetz steps aside at Sequoia». American City Business Journals. Silicon Valley Business Journal (em inglês). Consultado em 17 de fevereiro de 2022. Cópia arquivada em 17 de junho de 2017. A Sequoia tinha cerca de 22% da Palo Alto Networks quando a empresa abriu seu capital, com valor de mercado de aproximadamente US$ 3 bilhões. A empresa de segurança de firewalls de Santa Clara, negociada na Bolsa de Nova York sob o código PANW, tem agora valor estimado em US$ 13,5 bilhões.