| Trompa | |
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| Informações | |
| Classificação | |
| Classificação Hornbostel-Sachs | 423.232 Aerofone com válvulas. |
| Afinação padrão | Fá, Si bemol |
| Instrumentos relacionados | |
| Tuba, Trombone, Trompete, Flugelhorn, Saxotrompa, Eufônio. | |

A trompa é um instrumento de sopro , ou seja, um aerofone, da família dos metais (ou instrumentos de bocal), metálico e curvo, maior que a trombeta, considerado essencial na orquestra sinfônica moderna. Consiste num tubo metálico de 3,7 metros de comprimento, ligeiramente cônico, com um bocal numa das extremidades e uma campana, (ou pavilhão) na outra, enrolado várias vezes sobre si mesmo, e munido de três, quatro ou até cinco válvulas, de acordo com o modelo e marca. O trompista prime as chaves com a mão esquerda e, com a mão direita dentro da campana, consegue controlar a afinação, timbre e mesmo ajudar à pega do próprio instrumento.
O som da trompa é rico em parciais harmônicos. A mão dentro da campana (técnica bouché) permite a mudança na afinação e uma enorme variedade de timbres. O tom pode ser controlado pela alteração da posição da mão na campana.
Trompas aparecem nas dez últimas sinfonias de Haydn e Mozart, em todas as nove de Beethoven, nas quatro de Schumann, nas quatro de Brahms, nas seis de Tchaikovski, nas nove completas de Mahler. A partitura da Segunda Sinfonia de Mahler exige dez trompas.
A história da trompa começa há milhares de anos, quando o homem aprendeu a usar chifres de animais, ou seja, cornos, como instrumento. Diversos outros instrumentos mais ou menos análogos foram concebidos: tubos longos em madeira (trompa alpina, até hoje encontrada na Áustria e Suíça), tubos em cerâmica, etc. Quando se passou a forjar metais, versões nestes materiais passaram a ser produzidas. O tubo ganhou extensão, ficando enrolado para ser mais compacto.
Na idade média, a trompa de caça (corno di caccia), também conhecida como trompa natural, era usada pelos caçadores como uma forma de comunicação e sinalização dentro florestas. O instrumento não passava de um tubo metálico enrolado, com um pavilhão numa extremidade e o bocal na outra. Mais tarde, descobriu-se por acaso que, ao por a mão obstruindo parcialmente a campana, todos os sons baixavam de meio tom, ampliando a gama de sons possíveis a trompa na época (que por não possuir rotores, chaves ou pistos, tinha os sons limitados à série harmônica de sua fundamental.
Bach e Handel incluíram corni di caccia nas partituras dos seus concertos.
No século XIX o engenheiro alemão chamado Heinrich Stoetzel (1780-1844) teve a ideia de adicionar válvulas que modificavam o caminho percorrido pelo ar dentro do instrumento, alterando a nota emitida. Documento datado de 6 de Dezembro de 1814, Stoetzel solicita ao rei da Prússia, Frederico Guilherme III, permissão para o uso da trompa a válvula nas bandas militares dos regimentos da corte. Essa mudança demorou a ser acatada pelos compositores, que preferiam a trompa de caça, de som mais puro. A trompa moderna é capaz tocar todas as notas da escala cromática dentro de sua extensão.
Instrumentos da família da trompa têm sido encontrados por arqueólogos. Os judeus ainda hoje usam o shofar, um chifre de carneiro oco e com um orifício a servir de bocal, que eles usam nas ocasiões solenes, como para anunciar o Yom Kippur ou o Rosh Hashana (ano novo judaico), e cujo som tem um significado religioso para os hebreus. As palavras que traduzem "trompa" em outras línguas, como corno (em italiano e espanhol), cor (em francês), horn (em inglês e alemão), hoorn (em holandês), significam "chifre" nas respectivas línguas.

A trompa é o segundo instrumento mais agudo da família dos metais. É afinada em Fá, Si♭, Ré, Mi♭, Fá auto, Dó, Sol, Mi, Lá, ou uma combinação deles, em geral Fá/Si♭ ou Si♭/Mi♭. Em alguns lugares, existe a tradição de que o aprendiz de trompa deve usar a trompa simples em Fá, enquanto outros preferem a trompa em Si♭. A trompa em Fá é mais usada do que a trompa em Si♭, especialmente em bandas escolares. Comparada com os outros metais da orquestra, tem um bocal muito diferente, mas tem a maior extensão útil, aproximadamente 4 oitavas, dependendo do trompista. Para se produzirem diferentes notas numa trompa, deve-se fazer muitas coisas — as 4 mais importantes são: apertar as válvulas, aplicar a tensão labial apropriada, soprar e colocar a mão na campana. Mais tensão labial e alta velocidade do ar produz as notas agudas. Menos tensão labial e baixa velocidade do ar produz notas graves. A mão direita, normalmente colocada dentro da campana (pavilhão) numa posição de "ponteiros de relógio às 3 horas", consegue abaixar a afinação em até um semitom na extensão do instrumento, dependendo de quão mais fundo o trompista a põe. A trompa toca numa porção mais aguda da série harmônica, em relação à maioria dos instrumentos de metal. A forma cônica do seu tubo (em oposição à forma cilíndrica do trompete e do trombone) é a responsável principal pelo seu timbre característico, descrito frequentemente como "doce". Hoje, a música para trompa é tipicamente escrita em Fá. As limitações de extensão do instrumento são primariamente governadas pelas combinações disponíveis das válvulas para as 4 primeiras oitavas da série harmônica e, depois destas, pela habilidade do executante em controlar a afinação através do suprimento de ar e da embocadura. As extensões escritas típicas para a trompa começam ou no Fá#1(que soa Si0) imediatamente abaixo da clave de Fá.

A tessitura padrão, que começa desde o Sol1(que soa Dó0) e termina no Dó5(Fá4), é baseada nas características da trompa simples em Fá. Entretanto, existe uma enorme quantidade de música escrita além dessa extensão, assumindo que os trompistas estejam usando a trompa dupla em Fá/Sib. Esse é o instrumento padrão usado nas orquestras e suas combinações de válvulas permitem a produção de toda a escala cromática. Embora a tessitura mais aguda do repertório trompístico raramente exceda ao Dó5 (que soa Fá4), trompistas habilidosos podem alcançar sons mais agudos.
É também importante salientar que em muitas peças, desde o Barroco até o Romantismo, estão escritas em afinações diferentes de Fá. Esta prática começou nos tempos antigos da trompa natural (sem válvulas), quando o compositor queria indicar a afinação que a trompa deveria ter (trompa em Ré, trompa em Mi, etc.) e a parte era escrita como se estivesse em Dó. Essas diversas afinações eram conseguidas através da mudança dos "corpos de substituição" alterando o comprimento do tubo, que possibilitavam o aumento ou diminuição do comprimento do tubo. Um trompista com um instrumento moderno deve executar a correta transposição. Por exemplo, um Dó escrito para trompa em Ré deve ser transposto uma terça menor abaixo e tocado como um Lá na trompa em Fá.
A trompa dupla tem dois sistemas de tubos, (o sistema do lado em Si♭, e outro sistema do lado em Fá) funcionando de forma com que o ar percorra as pompas do lado Si♭ com o acionamento da quarta válvula. O lado Si♭ é mais curto que o lado em Fá e é utilizado para atingir as notas agudas com mais facilidade e afinação.
A trompa tripla possui três sistemas de tubos, adicionando mais uma afinação e, portanto, proporcionando mais assistência para a faixa aguda. A terceira afinação é mais comumente em Fá agudo, soando uma oitava acima da trompa de Fá normal, mas também existem trompas afinadas em Mi♭.
A trompa, embora não seja grande, não é fácil de transportar em locais com espaço compartilhado ou limitado, especialmente em aviões. Para facilitar o transporte, alguns fabricantes de trompas fabricam instrumentos com campana removível; isso permite estojos menores e mais fáceis de se manusear.
A maioria dos trompistas concordam que a melhor marca de trompas é a Gebr. Alexander. É uma marca bastante antiga e boa, fundada em Mainz em 1782. Alguns dos melhores modelos de trompa: