Os tripanossomas (género Trypanosoma, filo Kinetoplastida, reino Protista) fazem parte do grupo dos protozoários e podem infectar insetos e vários mamíferos, incluindo o homem. É um género de protistascinetoplástidos (classeKinetoplastida), um grupo monofilético de protozoários unicelulares parasitasflagelados. O nome deriva do grego trypano (broca) e soma (corpo) porque se movem com um movimento em espiral, como um saca-rolhas. Todos os tripanossomas requerem mais de um hóspede obrigatório para completar o seu ciclo de vida e são transmitidos por meio de um animal vetor. A maioria das espécies é transmitida por invertebrados hematófagos, mas utilizando diferentes mecanismos consoante a espécie. No hóspede invertebrado encontram-se geralmente no intestino, e no hóspede vertebrado aparecem normalmente no sangue ou dentro das células.
O genoma mitocondrial do Trypanosoma, e o de outros cinetoplástidos, conhecido como cinetoplasto, é feito de uma série complexa de círculos concatenados e minicírculos e requer um conjunto de proteínas para a sua organização durante a divisão celular.
Histórico
Os tripanossomos parasitas de animais eram conhecidos desde 1841 através do trabalho de Gustav Valentin, professor da Universidade de Berna, que os encontrou em trutas.
Em 1843, David Gray descreveu pela primeira vez um tripanossomo descoberto em sangue de rã o T. sanguinis.
Em 1880, Griffith Evans descobriu o T. evans, agente da doença fatal que acometia cavalos e camelos conhecida como "surra".
Entre 1895 e 1896, David Bruce verificou que os tripanossomos T. rucei eram agentes da doença conhecida como "magana", uma doença que afeta equídeos e outros animais.
No início do século XX, é descoberto o T. brucei gambiense, causador da tripanossomíase africana ou doença do sono, que acomete a população africana.
No Brasil Adolfo Lutz na década de 1890, quando em seus estudos sobre hematozoários observou a ocorrência desses protozoários em ratos e rãs.
A doença que acomete cavalos (equídeos), conhecida como quebra-bundas ou mal-de-cadeiras tinha como causa um tripanossomo descoberto em1945
por Miguel Emaciam. Neste mesmo ano, esta espécie é denominada T. equina por O. Vogues.
Em 1908, Carlos Chagas encontra uma nova forma de tripanossomo ao analisar o sangue do saguiCallithrix penicilina, descrevendo-o como T. minassense.
Outro tripanossomo de macaco sul-americano tinha sido descoberto por Herbert von Berenberg-Gossler enquanto procurava parasitos da malária no macaco amazônico Brachyurus calvos nome popular cacharão. A esta nova espécie, Berenger-Gosset denominou T. prowazeki em homenagem ao protozoologista tcheco Salinas von Provasse.
Carlos Chagas pesquisava o inseto Triatoma infestam nome popular barbeiro e ao examinar esse inseto, Chagas encontrou numerosos protozoários flagelados. Chagas enviou esses insetos parasitados para serem analisados por Oswaldo Cruz o que o levou a descrevê-la como uma espécie nova, a qual Carlos Chagas denominou Trypanosoma cruzi em homenagem ao seu colega Oswaldo Cruz.
Em 17 de dezembro de 1908, logo após a publicação no Brasil-Médico, as novas espécies de tripanossomos descritas por Chagas foram enviadas para o Archiv für Schiffs- und Tropen-Hygiene, tendo sido publicadas no primeiro número de 1909.
Em 1909 o pesquisador alemão Friedrich Klein e publicou o desenvolvimento do T. brucei gambiense, o agente da tripanossomíase humana africana na mosca, provando que o parasito estava presente nas moscas glossinas por um período mínimo antes de causar infecção. Kleine mostrou ainda que somente as formas metacíclicas nas glândulas salivares do inseto eram infecciosas.
Logo após o trabalho de Kleine, Carlos Chagas vai identificar no mesmo local (Lassance) onde encontrou os percevejos infectados, uma jovem infectada por T. cruzi e assim comprovar a patogenicidade do protozoário por ele descoberto no percevejo, em sua busca por parasitas em animais selvagens levou-o eventualmente à descoberta de um outro novo tripanossomo T. minasense em uma espécie endêmica de símio sul-americano e patogênica para o homem também.
Diversas espécies de tripanossomas
Trypanosoma cruzi.
As duas espécies mais importantes por serem parasitas humanos relevantes são o Trypanosoma brucei (doença do sono) e o Trypanosoma cruzi (doença de Chagas), mas há outras espécies que parasitam muitos vertebrados. As espécies mais importantes de Trypanosoma são as seguintes:
T. equiperdum, que causa uma doença de transmissão sexual nos cavalos e outros equídeos, que se pode contagiar por via sexual sem utilizar um vetor
T. evansi, que causa uma das formas da doença chamada surra em certos animais (só foi relatado um caso de infeção em humanos em 2005 na Índia que foi tratado com sucesso com suramina)
↑World Health Organization (2005). «A new form of human trypanosomiasis in India. Description of the first human case in the world caused by Trypanosoma evansi». Wkly. Epidemiol. Rec. 80 (7): 62–3. PMID15771199