| FTX | |
|---|---|
| Razão social | FTX Trading Ltd. |
| Empresa privada | |
| Atividade | Criptomoedas |
| Fundação | maio de 2019 |
| Fundador(es) | Sam Bankman-Fried Gary Wang Nishad Singh |
| Destino | Pedido de falência sob o Capítulo 11 em novembro de 2022 |
| Sede | Nassau, Nova Providência, Bahamas |
| Pessoas-chave | John J. Ray III, administrador do plano de recuperação desde 2025 |
| Empregados | Cerca de 300, em 2022 |
| Produtos | Plataforma de negociação de criptomoedas |
| Receita | US$ 1,02 bilhão, em 2021 |
| Lucro | US$ 388 milhões, em 2021 |
| Website | Portal de créditos |
FTX, nome comercial da FTX Trading Ltd., foi uma corretora de criptomoedas fundada em 2019 por Sam Bankman-Fried, Gary Wang e Nishad Singh. Com sede nas Bahamas, a empresa oferecia uma plataforma para negociar criptoativos e chegou a ser a terceira maior corretora do setor por volume de negociação.
Em novembro de 2022, a FTX não conseguiu devolver o dinheiro de seus clientes durante uma corrida de saques. A corretora havia repassado depósitos à Alameda Research, empresa de negociação de criptoativos de Bankman-Fried. A Binance negociou a compra da FTX, mas desistiu de concluir o negócio.
A FTX pediu falência nos Estados Unidos em 11 de novembro de 2022, quando Bankman-Fried deixou a direção da empresa. Em 2024, ele foi condenado a 25 anos de prisão pela fraude que levou à quebra.
Os primeiros pagamentos a clientes e outros credores começaram em fevereiro de 2025, depois que a Justiça aprovou um plano para distribuir o dinheiro recuperado no processo de falência.

Sam Bankman-Fried, Zixiao "Gary" Wang e Nishad Singh fundaram a FTX em maio de 2019. A empresa nasceu dentro da Alameda Research, um fundo de cobertura e empresa de negociação de criptoativos criada em 2017, em Berkeley, na Califórnia, por Bankman-Fried e Wang, com profissionais que haviam trabalhado na Jane Street. Caroline Ellison entrou na Alameda em março de 2018. O nome FTX abrevia "Futures Exchange", ou "bolsa de futuros". Cerca de seis meses depois da fundação, Changpeng Zhao, da Binance, comprou 20% da empresa por aproximadamente US$ 100 milhões.
A FTX Trading Ltd. foi constituída em Antígua e Barbuda e operava a corretora com o nome comercial FTX. A FTX.US atendia aos residentes dos Estados Unidos em uma plataforma separada. O FTX Token, negociado sob a sigla FTT, foi lançado no fim de julho de 2019.
Em agosto de 2020, a FTX comprou o Blockfolio, aplicativo usado para acompanhar carteiras de criptomoedas, por US$ 150 milhões. Em julho de 2021, captou US$ 900 milhões de mais de 60 investidores, entre eles SoftBank e Sequoia Capital, em uma rodada que avaliou a empresa em US$ 18 bilhões. A plataforma tinha mais de um milhão de usuários e era a terceira maior corretora de criptomoedas por volume negociado. A publicidade do aplicativo prometia uma maneira "segura e fácil de entrar no mundo das criptomoedas".
Bankman-Fried recomprou a participação de Zhao por aproximadamente US$ 2 bilhões. Em setembro de 2021, a FTX transferiu sua sede de Hong Kong para as Bahamas. A receita de 2021 aumentou para US$ 1,02 bilhão, o lucro operacional para US$ 272 milhões e o lucro líquido para US$ 388 milhões.

Em 14 de janeiro de 2022, a FTX anunciou um fundo de capital de risco de US$ 2 bilhões, chamado FTX Ventures. No mesmo mês, captou US$ 400 milhões em uma rodada de investimentos da série C, que elevou sua avaliação a US$ 32 bilhões. Em 11 de fevereiro, a FTX.US já anunciava em seu site que passaria a oferecer negociação de ações a seus clientes nos Estados Unidos.
A FTX preparava, em fevereiro de 2022, uma divisão de jogos para ajudar desenvolvedores a incorporar criptomoedas, tokens não fungíveis e outros ativos de blockchain aos videogames. Em julho, concluiu um acordo que lhe dava a opção de comprar a BlockFi por até US$ 240 milhões e previa uma linha de crédito de US$ 400 milhões para a empresa.
Em 18 de agosto de 2022, a Federal Deposit Insurance Corporation, ou FDIC, enviou à FTX.US uma notificação para cessar declarações que classificou como "falsas e enganosas" sobre a cobertura dos depósitos e produtos da corretora pelo seguro da agência. Brett Harrison, presidente da FTX.US, havia dado a entender, em uma publicação no Twitter, que essa cobertura existia. Harrison apagou a publicação, e Bankman-Fried esclareceu em outra mensagem que a FTX não era segurada pela FDIC, embora trabalhasse com bancos cobertos pelo seguro.
A FTX.US venceu, em 26 de setembro de 2022, o leilão dos ativos digitais da Voyager Digital, corretora de criptomoedas em processo de falência. O acordo, avaliado em aproximadamente US$ 1,42 bilhão, previa a compra das criptomoedas sob a guarda da Voyager pelo valor de mercado que teriam em uma data futura. A estimativa de US$ 1,31 bilhão para essas moedas se somava a US$ 111 milhões em pagamentos adicionais. A operação dependia da aprovação dos tribunais responsáveis pela falência e dos credores da Voyager.
Após a quebra da FTX, a subsidiária norte-americana da Binance venceu, em dezembro de 2022, uma nova disputa pela compra dos ativos da Voyager por cerca de US$ 1 bilhão. Em abril de 2023, a Binance.US desistiu da compra, alegando que o ambiente regulatório nos Estados Unidos era "hostil e incerto".
Brett Harrison anunciou em 27 de setembro de 2022 que deixaria a presidência da FTX.US, mas permaneceria como consultor. Ele ocupava o cargo desde maio de 2021, e a empresa não anunciou um substituto de imediato. Em outubro de 2022, a FTX era investigada no Texas por suspeita de vender valores mobiliários sem registro.
Em novembro de 2022, a FTX era a terceira maior corretora de criptomoedas por volume de negociação, com uma movimentação diária de US$ 10 bilhões e uma avaliação de US$ 32 bilhões. O site da FTX Ventures saiu do ar naquele mês.
A Alameda Research havia atuado como formadora de mercado da FTX desde o início da corretora e, em junho e julho de 2022, era a maior depositante conhecida de moedas estáveis na plataforma. Em setembro de 2022, a Bloomberg avaliou que as regras de divulgação e as normas do mercado tradicional de ações desestimulavam relações próximas entre bolsas e empresas de negociação, enquanto o setor de criptoativos tinha menos exigências para separar essas atividades. As operações da Alameda na FTX permitiam que ela ganhasse dinheiro quando outros participantes perdiam na corretora. Bankman-Fried defendeu o uso da Alameda para fornecer liquidez à plataforma.
John J. Ray III, que assumiu a direção da FTX, afirmou que a Alameda tinha uma isenção secreta do mecanismo de liquidação automática da corretora. Criticou essa relação não divulgada e as falhas graves na gestão. Disse ter encontrado um "fracasso completo dos controles corporativos". Afirmou também que a FTX usava um programa de computador para esconder o uso indevido de recursos dos clientes. Entre o início de 2021 e março de 2022, a Alameda Research acumulou tokens antes de a FTX anunciar que os disponibilizaria para negociação.
Em 2 de novembro de 2022, o CoinDesk publicou uma reportagem sobre a concentração de ativos da Alameda Research em FTT, o token emitido pela FTX. Havia cerca de US$ 5,1 bilhões em FTT no mercado. No balanço da Alameda de 30 de junho de 2022, US$ 3,66 bilhões em "FTT desbloqueados" e US$ 2,16 bilhões em "FTT dados como garantia" estavam entre os ativos. Outros US$ 292 milhões em "FTT bloqueados" estavam entre os passivos.
Nas semanas anteriores à reportagem do CoinDesk, Bankman-Fried tentava "desesperadamente" levantar dinheiro para a FTX, disseram pessoas ouvidas sob anonimato pela Bloomberg. Nos meses anteriores à publicação, Bankman-Fried e Changpeng Zhao também haviam discutido publicamente no Twitter, em parte por discordarem sobre a regulamentação das criptomoedas.
Em 6 de novembro, poucos dias após a reportagem do CoinDesk, Changpeng Zhao, diretor da Binance, anunciou no Twitter que a empresa venderia todos os seus FTT. A Binance havia recebido os tokens em 2021, quando a FTX recomprou sua participação na empresa. Zhao justificou a venda com "revelações recentes". A Bloomberg e o TechCrunch avaliaram que a venda poderia provocar uma queda acentuada no preço do FTT, pois o volume negociado do token era baixo. O anúncio e as discussões entre Zhao e Bankman-Fried no Twitter fizeram cair o preço do FTT e de outras criptomoedas. Clientes retiraram cerca de US$ 6 bilhões da FTX em três dias, em um movimento semelhante a uma corrida bancária, e a corretora entrou em crise.
Em 8 de novembro, Zhao anunciou que a Binance havia firmado uma carta de intenções para a compra da FTX, que enfrentava o que ele chamou de "crise de liquidez". O acordo não obrigava as empresas a concluir a compra e não incluía a FTX.US. Zhao informou no Twitter que a Binance realizaria em breve uma diligência prévia nas contas e nas operações da empresa e recomendou que as corretoras não usassem FTT como garantia. Ele também previu que o preço do token variaria muito nos dias seguintes. Naquele dia, o FTT perdeu 80% de seu valor, uma queda de mais de US$ 2 bilhões.
A Bloomberg avaliou em 9 de novembro que a compra da FTX pela Binance era improvável devido à situação financeira da corretora. Nos Estados Unidos, a Comissão de Valores Mobiliários e a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities investigavam a relação da FTX com as outras empresas de Bankman-Fried e a forma como ela administrava os recursos de clientes. A Binance desistiu da compra naquele dia. A empresa justificou a decisão com os relatos de uso indevido de dinheiro dos clientes e as investigações em curso. Em uma mensagem no Slack, Bankman-Fried afirmou que a FTX soubera pela imprensa das preocupações da Binance e de sua desistência.
Em 9 de novembro, os saques na FTX estavam suspensos. Bankman-Fried afirmou que os ativos da empresa valiam mais que os depósitos dos clientes, mas que a falta de liquidez exigia recursos externos para atender aos pedidos de retirada. Ele também disse que a FTX.US, por ser uma empresa separada, ainda não havia sido afetada pela crise.
Em 10 de novembro de 2022, a Axios informou, sem divulgar quem havia fornecido a informação, que a FTX procurara a Kraken para negociar ajuda financeira. Nesse dia, Bankman-Fried assumiu a responsabilidade pela crise da FTX e disse que ainda buscava dinheiro para manter a empresa solvente. Também anunciou que a Alameda Research deixaria de negociar e encerraria suas atividades. Até 10 de novembro, a maior parte das equipes jurídica e de conformidade da FTX já havia se demitido.
Pessoas ouvidas sob anonimato pelo The Wall Street Journal em 10 de novembro afirmaram que a Alameda Research devia cerca de US$ 10 bilhões à FTX. A corretora teria emprestado à Alameda, em 2022, dinheiro depositado pelos clientes para negociação, permitindo que a empresa o aplicasse em seus próprios investimentos. Em 12 de novembro, o jornal publicou que a diretora da Alameda, Caroline Ellison, havia dito aos funcionários que ela, Sam Bankman-Fried, Gary Wang e Nishad Singh sabiam das transferências de depósitos de clientes da FTX para a Alameda. Uma pessoa ouvida sob anonimato pelo New York Times confirmou essa informação em 14 de novembro. Na reunião, Ellison teria explicado que parte do dinheiro fora usada para pagar empréstimos que a Alameda havia tomado para investir.
Bankman-Fried escreveu no Twitter em 10 de novembro que os clientes da FTX nos Estados Unidos não tinham motivo para se preocupar, mas funcionários já tentavam vender ativos da empresa naquele dia. Entre eles estavam a Embed Financial Technologies, que fazia a compensação de operações com ações, e os direitos de nome da FTX Arena.
A Comissão de Valores Mobiliários das Bahamas congelou os ativos da subsidiária FTX Digital Markets Ltd. e de partes relacionadas e pediu à Suprema Corte das Bahamas a nomeação de um liquidante provisório. O tribunal nomeou o advogado Brian Simms para o cargo. A Agência de Serviços Financeiros do Japão ordenou que a FTX Japan suspendesse parte de suas operações. A subsidiária australiana passou para um regime de administração externa.
A equipe do FTX Future Fund, organização apresentada como beneficente e financiada por Bankman-Fried, anunciou em 10 de novembro que havia se demitido naquele dia. O fundo havia assumido compromissos de US$ 160 milhões em doações e investimentos até 1.º de setembro de 2022. A BlockFi, empresa de empréstimos em criptomoedas que mantinha negócios com a FTX, anunciou em 10 de novembro que limitaria as atividades da plataforma e suspenderia os saques por causa da crise na corretora.
Em 11 de novembro, a FTX, a FTX.US, a Alameda Research e mais de cem empresas do grupo apresentaram pedidos de falência à Justiça de Delaware. Pessoas ouvidas sob anonimato pelo The New York Times estimaram que a dívida da corretora chegava a US$ 8 bilhões. Bankman-Fried deixou o cargo de diretor-executivo, assumido por John J. Ray III, especialista em reestruturação de empresas que havia conduzido a liquidação da Enron.
No fim de 11 de novembro, mais de US$ 400 milhões saíram da FTX em operações que Ryne Miller, diretor jurídico da FTX.US, chamou de "transações não autorizadas". Miller anunciou que a FTX e a FTX.US pretendiam transferir as criptomoedas restantes para armazenamento fora da internet, ou cold storage, para proteger os fundos que ainda estavam sob controle das empresas. A maior parte do dinheiro retirado estava em moedas estáveis, como a Tether, e foi rapidamente trocada por Ether. Essa troca dificulta o bloqueio e a recuperação dos valores e é usada em roubos de criptomoedas. Um porta-voz da FTX afirmou que a empresa havia sofrido um ataque e orientou os usuários a apagar os aplicativos da corretora, que estariam comprometidos. A Kraken ofereceu ajuda para descobrir quem havia feito as transferências.
Em janeiro de 2024, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou três pessoas de operar um esquema de fraude com troca de cartão SIM que teria roubado mais de US$ 400 milhões em moedas virtuais de uma empresa não identificada na acusação. Pessoas ouvidas pela Bloomberg afirmaram que a vítima era a FTX.
Bankman-Fried disse à Reuters, em 12 de novembro de 2022, que ainda estava nas Bahamas. Outros integrantes da direção da FTX já haviam partido para Hong Kong, onde ficava a antiga sede da empresa, ou para outros destinos. Autoridades das Bahamas, entre elas a Polícia Real das Bahamas, interrogaram Bankman-Fried naquele dia. Ele ainda tentou conseguir dinheiro para a empresa no fim de semana de 12 e 13 de novembro, depois do pedido de falência.
O diretor de segurança da Kraken escreveu no Twitter em 14 de novembro que a corretora conhecia a identidade de um usuário que pagara, por meio de sua conta, taxas de transações usadas para movimentar o dinheiro roubado. Em entrevista a Kelsey Piper publicada pela Vox em 16 de novembro, Bankman-Fried atribuiu o roubo a um ex-funcionário ou a um programa malicioso instalado no aparelho de alguém que havia trabalhado na empresa.
Pessoas ouvidas sob anonimato pela Reuters afirmaram que, em 12 de novembro, faltava explicar o destino de US$ 1 bilhão a US$ 2 bilhões pertencentes a clientes. Um balanço da FTX preparado pouco antes do pedido de falência e obtido pelo Financial Times trazia US$ 9 bilhões em dívidas, US$ 900 milhões em ativos líquidos, US$ 5 bilhões em ativos de venda mais difícil e US$ 3,2 bilhões em investimentos de capital privado sem liquidez imediata.
Bankman-Fried começou a publicar mensagens enigmáticas no Twitter em 14 de novembro de 2022. Até o dia seguinte, elas formavam a expressão "What HAPPENED", ou "O que ACONTECEU". Em 15 de novembro, a FTX buscava US$ 10 bilhões de investidores para cumprir suas obrigações imediatas. No dia 16, a FTX Digital Markets, unidade das Bahamas, pediu proteção à Justiça dos Estados Unidos pelo Capítulo 15 da lei de falências.
Em 17 de novembro de 2022, a Comissão de Valores Mobiliários das Bahamas informou que, cinco dias antes, havia determinado a transferência dos ativos digitais da FTX Digital Markets para uma carteira digital sob seu controle, com autorização da Suprema Corte das Bahamas.
John J. Ray III, que assumira a direção para conduzir a liquidação, afirmou em declaração entregue ao tribunal em 17 de novembro que a contabilidade da FTX trazia empréstimos da Alameda Research a seus dirigentes. Em 30 de setembro, os valores chegavam a US$ 1 bilhão para Bankman-Fried e a mais de US$ 500 milhões para Nishad Singh, um dos cofundadores da FTX. Ray havia trabalhado nos processos de falência da Enron, da Residential Capital, da Nortel e da Overseas Shipholding. Disse que nunca encontrara uma falha tão completa nos controles de uma empresa nem tamanha falta de informações financeiras confiáveis. Criticou a segurança dos sistemas e a fiscalização fora dos Estados Unidos. Para ele, o pequeno grupo que concentrava as decisões não tinha experiência nem preparo e poderia estar comprometido com as irregularidades. Em depoimento ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, disse que praticamente não havia documentação das operações e que a empresa usava o QuickBooks, programa de contabilidade para pequenos negócios, mesmo movimentando bilhões de dólares.
Em agosto de 2023, a FTX planejava retomar a negociação de criptomoedas após concluir sua reestruturação no processo de falência. Em 31 de janeiro de 2024, a FTX desistiu de reabrir a corretora e passou a priorizar a venda de ativos para devolver dinheiro aos clientes. As negociações com possíveis compradores e investidores não haviam conseguido o capital necessário para retomar as operações. Em 7 de maio, a empresa apresentou um plano de reorganização que previa o pagamento integral, com juros, dos créditos reconhecidos pela Justiça para os credores não governamentais. A proposta destinava pelo menos 118% do valor desses créditos aos titulares de até US$ 50 mil, grupo que reunia cerca de 98% dos credores.
O Cronos, criptoativo da Crypto.com, perdeu cerca de US$ 1 bilhão em valor de mercado em novembro de 2022. Na avaliação da Bloomberg, a quebra da FTX e a notícia de que a Crypto.com havia enviado por engano US$ 400 milhões em Ether a outra corretora explicavam parte da desvalorização. Em 14 de novembro, o diretor executivo da Crypto.com afirmou que a plataforma funcionava normalmente. Clientes ainda receavam que a empresa passasse por uma crise semelhante à da FTX.
Em 15 de novembro de 2022, a BlockFi, que já havia suspendido os saques, se preparava para pedir falência. No dia 14, informara que tinha uma exposição financeira elevada à FTX. A empresa de empréstimos em criptomoedas formalizou o pedido de proteção pelo Capítulo 11 em Nova Jérsia no dia 28 de novembro de 2022. Em 24 de outubro de 2023, passou a executar um plano para encerrar as operações e devolver os ativos aos clientes, que previa também buscar pagamentos no processo de falência da FTX.
A Genesis, outra empresa de empréstimos e subsidiária do Digital Currency Group, suspendeu os saques em 16 de novembro de 2022. A suspensão levou a Gemini, dos irmãos Winklevoss, a interromper os resgates dos clientes que usavam um serviço oferecido em parceria com a Genesis. As cotas do Grayscale Bitcoin Trust, da Grayscale, também subsidiária do Digital Currency Group, perderam 20% do valor nas duas semanas anteriores a 17 de novembro. Em 14 de novembro, eram negociadas por um valor 42% menor que o dos bitcoins mantidos pelo fundo.
Em novembro de 2022, os depósitos da FTX no Silvergate Bank e a possibilidade de empréstimos à corretora levantaram dúvidas sobre as finanças do banco. O Silvergate afirmou que tinha dinheiro suficiente para cumprir suas obrigações e que não havia emprestado à FTX. O banco atendia empresas de criptomoedas em suas transações com o sistema financeiro, o que aumentava a preocupação com os efeitos de uma eventual crise nele. Em março de 2023, anunciou o encerramento de suas atividades bancárias.
Tiger Global Management, Ontario Teachers' Pension Plan, SoftBank, BlackRock, Lightspeed Venture Partners, Temasek e Sequoia Capital tinham participações na FTX sujeitas a perdas com a quebra. Em 9 de novembro de 2022, a Sequoia reduziu a zero o valor contábil de sua participação, reconhecendo uma perda de cerca de US$ 214 milhões. A empresa informou aos investidores, em um comunicado também publicado no Twitter, que a FTX ocupava uma pequena parcela de sua carteira. Retirou de seu site um perfil de Bankman-Fried e colocou o comunicado no lugar. O Ontario Teachers' Pension Plan divulgou uma declaração semelhante. Em 17 de novembro, a Temasek anunciou a redução a zero de seus US$ 275 milhões investidos na FTX e na FTX.US.
O jogador de futebol americano Tom Brady, os jogadores de basquete Shaquille O'Neal e Stephen Curry, a modelo Gisele Bündchen e o empresário Kevin O'Leary estavam entre as personalidades que investiram na FTX ou receberam pagamentos para promovê-la. Bündchen também havia sido nomeada consultora de ESG da plataforma. Após a falência, investidores a processaram e a acusaram de participar de um suposto esquema da FTX para atrair pessoas sem experiência financeira. Anthony Scaramucci, fundador da SkyBridge Capital, anunciou que tentava recomprar a participação de 30% da empresa que pertencia à FTX.
A Galois Capital e a Galaxy Digital estavam entre as empresas de investimento em criptomoedas que ainda tinham ativos na FTX quando ela pediu falência. A divulgação da crise, no início de novembro de 2022, provocou oscilações e quedas no mercado. A Tether, criada para manter o preço de um dólar, caiu para US$ 0,97. O Bitcoin atingiu o menor preço em dois anos. Também caíram as ações de empresas de criptomoedas negociadas em bolsa e o preço da Solana, que mantinha negócios com Bankman-Fried.
A queda do Cronos, criptoativo da Crypto.com, levou clientes a retirar dinheiro da plataforma por receio de uma quebra semelhante à da FTX, cuja crise também aumentava os saques em outras corretoras. O diretor executivo da Crypto.com, Kris Marszalek, afirmou que a empresa tinha liquidez e que não usava o Cronos da mesma forma que a FTX usava o FTT. Investidores institucionais ouvidos pela Bloomberg expressaram maior desconfiança em relação às criptomoedas depois da quebra.
A Alameda Research havia concedido empréstimos a empresas de responsabilidade limitada controladas por Michael McCaffrey, diretor executivo do The Block, veículo de notícias sobre criptomoedas. O dinheiro financiou a compra do veículo e suas operações, e parte de um dos empréstimos foi usada por McCaffrey para comprar um apartamento nas Bahamas. Quando os empréstimos se tornaram públicos, em dezembro de 2022, os funcionários afirmaram que os desconheciam. McCaffrey deixou o cargo.
O gestor de investimentos e especialista em venda a descoberto Jim Chanos previu, em novembro de 2022, que a quebra da FTX levaria a maior fiscalização e regulação das criptomoedas. Ele criticou o setor por, em sua avaliação, ter sido criado para cobrar taxas de investidores que não compreendiam os riscos. Richard B. Handler, diretor executivo do grupo financeiro norte-americano Jefferies Group, escreveu no Twitter em 10 de novembro que havia tentado se reunir com Bankman-Fried em julho e em setembro, por acreditar que ele não conseguia lidar com a situação. Handler disse que Bankman-Fried não respondera aos e-mails enviados em seu nome por funcionários da Jefferies.
O The New York Times e o Financial Times compararam a quebra repentina da FTX à falência do Lehman Brothers. Lawrence Summers concordou e também comparou a FTX ao escândalo da Enron, causado por fraudes de executivos da Enron. Rostin Behnam, presidente da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities, pediu ao Congresso que ampliasse os poderes do órgão para regular as criptomoedas.
Em uma conferência da Reuters, executivos do setor financeiro defenderam a intervenção dos reguladores para proteger quem investia em criptomoedas, diante de perdas que já chegavam a pessoas e empresas que não eram clientes diretos da FTX. A analista de tecnologia Avivah Litan pediu mudanças na experiência dos usuários, nos controles, na segurança e no atendimento ao cliente. No guia que publicou sobre o início do processo da FTX sob o Capítulo 11, a empresa de gestão de riscos Titan Grey discutiu a privacidade dos credores, os pedidos para suspender a proteção contra cobranças e a proposta de dar aos clientes um tratamento diferente do reservado aos demais credores.
Após a quebra da FTX, a Polícia Real das Bahamas abriu uma investigação criminal sobre a empresa. A Bloomberg informou em 14 de novembro de 2022, sem identificar suas fontes, que a Procuradoria Federal do Distrito Sul de Nova York também investigava o caso. A Comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos anunciou que faria audiências em dezembro, e seus dirigentes disseram que pretendiam ouvir Bankman-Fried. O site The Information, também com informações de fontes anônimas, informou que empresas de capital de risco cogitavam processá-lo.
Bankman-Fried foi preso nas Bahamas em 12 de dezembro de 2022, a pedido das autoridades dos Estados Unidos. Em 13 de dezembro, a Procuradoria Federal do Distrito Sul de Nova York o acusou de fraude, conspiração para lavar dinheiro e conspiração para fraudar os Estados Unidos e violar as leis de financiamento de campanhas eleitorais. Após a extradição das Bahamas, ele foi solto sob fiança fixada em US$ 250 milhões e ficou em prisão domiciliar na casa dos pais, em Palo Alto, na Califórnia. Na audiência de 3 de janeiro de 2023, no tribunal federal em Manhattan, declarou-se inocente de todas as acusações. O juiz Lewis A. Kaplan marcou inicialmente o julgamento de Estados Unidos contra Bankman-Fried para 2 de outubro de 2023, com a possibilidade de antecipar ou adiar a data em um ou dois dias.
Gary Wang, cofundador da FTX, e Caroline Ellison, ex-diretora-executiva da Alameda, declararam-se culpados de crimes e passaram a colaborar com os promotores federais.
Depois que um júri o declarou culpado das sete acusações de fraude e conspiração levadas a julgamento, Bankman-Fried foi condenado, em 28 de março de 2024, a 25 anos de prisão. A sentença fixou três anos de liberdade supervisionada após a prisão e determinou a perda de bens no valor de US$ 11 bilhões. O Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Segundo Circuito manteve a condenação em 12 de junho de 2026.
Bankman-Fried pediu à Suprema Corte dos Estados Unidos um novo julgamento e a anulação da ordem de perda de bens em 10 de setembro de 2026. Alegou que havia sido impedido de apresentar provas de que os investimentos da FTX e da Alameda permitiriam pagar os clientes. Também contestou o valor da perda de bens, que, em sua avaliação, violava a proibição constitucional de multas excessivas. Em 30 de outubro, o governo dos Estados Unidos pediu mais prazo para responder à petição.
O ex-executivo da FTX Ryan Salame declarou-se culpado de conspirar para fazer doações políticas ilegais e fraudar a Comissão Federal Eleitoral dos Estados Unidos, e de conspirar para operar um serviço de transferência de dinheiro sem licença. Em 28 de maio de 2024, foi condenado a sete anos e meio de prisão, à restituição de mais de US$ 5 milhões e à perda de mais de US$ 6 milhões. A sentença previa três anos de liberdade supervisionada. Salame começou a cumprir a pena em outubro de 2024.
Caroline Ellison foi condenada a dois anos de prisão em 24 de setembro de 2024 por crimes que incluíam fraude por meios eletrônicos e lavagem de dinheiro. Kaplan reconheceu a ajuda que ela havia prestado aos promotores, mas afirmou que a colaboração não deveria ser um "passe livre para sair da prisão". Ellison saiu da prisão em outubro de 2025 e passou a cumprir o restante da pena sob supervisão. Deixou a custódia federal em janeiro de 2026, após cerca de 14 meses. Sua sentença previa ainda três anos de liberdade supervisionada.
Nishad Singh, ex-diretor de engenharia da FTX, declarou-se culpado de seis acusações, três delas de conspiração para cometer fraude. Amigo de infância do irmão de Bankman-Fried, Singh havia trabalhado na Alameda Research antes de entrar na FTX. Em 30 de outubro de 2024, sua pena de prisão ficou limitada ao tempo que já havia passado sob custódia, com três anos de liberdade supervisionada. Kaplan levou em conta sua colaboração com os promotores e afirmou que sua participação na fraude havia sido "muito mais limitada" que a dos colegas.
Gary Wang foi condenado em 20 de novembro de 2024 a uma pena limitada ao tempo já passado sob custódia e a três anos de liberdade supervisionada. Kaplan afirmou que Wang merecia reconhecimento por sua colaboração com os promotores.
Um tribunal dos Estados Unidos determinou em agosto de 2024 que a FTX e a Alameda pagassem US$ 12,7 bilhões a clientes e vítimas da fraude. A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities afirmou que era a maior recuperação de recursos para vítimas obtida pela agência. Desse total, US$ 8,7 bilhões eram restituição e US$ 4 bilhões, devolução de ganhos indevidos. A decisão também impôs proibições de negociação e de registro à FTX e à Alameda. No acordo, a comissão abriu mão de pedir uma multa civil e aceitou que as vítimas fossem pagas antes dela.
Em 7 de outubro de 2024, o juiz de falências John Dorsey aprovou o plano da FTX para pagar integralmente, com juros, os créditos reconhecidos de credores não governamentais, incluindo os clientes com créditos de até US$ 50 mil. Para cerca de 98% dos credores, a previsão era receber 119% do valor reconhecido. O cálculo usava o valor em dólares das criptomoedas na data da quebra.
Os primeiros pagamentos começaram em 18 de fevereiro de 2025, para credores com créditos de até US$ 50 mil que haviam cumprido as exigências de documentação do plano. Em 30 de maio, a administração da recuperação iniciou uma segunda rodada, de mais de US$ 5 bilhões, que também alcançou outras classes de credores com créditos reconhecidos e documentação aprovada.
A FTX anunciou a terceira rodada de pagamentos em 19 de setembro de 2025, com aproximadamente US$ 1,6 bilhão e início previsto para 30 de setembro. A quarta rodada, de aproximadamente US$ 2,2 bilhões, foi anunciada em 18 de março de 2026, com previsão de começar em 31 de março. Em 17 de julho de 2026, a empresa anunciou a quinta rodada, de aproximadamente US$ 900 milhões, com início previsto para 31 de julho. Receberiam nessa etapa os credores que haviam concluído as exigências até 16 de junho. O anúncio previa novos calendários de pagamento para os demais.
O juiz federal K. Michael Moore rejeitou em maio de 2025 a maior parte dos pedidos apresentados por investidores contra celebridades que haviam promovido a FTX, entre elas Larry David, Tom Brady e Gisele Bündchen. O juiz entendeu que os pedidos não sustentavam a alegação de que as celebridades conheciam a fraude da empresa e permitiu que os investidores os reformulassem. Os pedidos baseados nas leis sobre valores mobiliários da Flórida e de Oklahoma puderam prosseguir.

A FTX comprou os direitos de nomeação do ginásio do Miami Heat, que passou a se chamar FTX Arena. Firmou um acordo com a Major League Baseball para colocar seu logotipo nos uniformes dos árbitros e outro com a equipe Mercedes-AMG Petronas de Fórmula 1 para exibi-lo nos carros e em produtos da equipe. A organização de esportes eletrônicos TSM adotou o nome TSM FTX como parte de um contrato de direitos de nomeação.
Entre o outono de 2021 e a primavera de 2022, no hemisfério norte, a FTX negociou um contrato de patrocínio de US$ 100 milhões com a cantora e compositora estadunidense Taylor Swift. As conversas terminaram sem acordo.
A empresa deu nome à primeira temporada do MLB Home Run Derby X e aos torneios FTX Road to Miami e FTX Crypto Cup, disputados no Champions Chess Tour de 2022.
Mercedes-AMG F1 e TSM suspenderam seus acordos de patrocínio com a FTX em novembro de 2022. O Miami Heat e o condado de Miami-Dade anunciaram que encerrariam o acordo com a FTX e buscariam outro patrocinador para dar nome à arena. A Justiça autorizou a rescisão do contrato de direitos de nomeação em 11 de janeiro de 2023. Em 4 de abril, o ginásio passou a se chamar Kaseya Center.
Vast gap highlights the dire state of Sam Bankman-Fried's exchange before it collapsed into bankruptcy