Museu Nacional de Arte Contemporânea Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado | |
|---|---|
| Tipo | museu de arte |
| Inauguração | 1911 (115 anos) |
| Visitantes | 52 901 |
| Administração | |
| Diretor(a) | Filipa Oliveira |
| Página oficial (Website) | |
| Geografia | |
| Coordenadas | |
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| Localidade | Rua Serpa Pinto, 4 Lisboa |
| Localização | Lisboa - Portugal |
O Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), fundado a 26 de Maio de 1911, situa-se no bairro do Chiado, em pleno centro histórico da cidade de Lisboa.
A instituição está instalada numa parte do desactivado Convento de São Francisco da Cidade, o qual também alberga, na restante área do conjunto conventual, a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL), a Academia Nacional de Belas-Artes (ANBA) e o Museu da Polícia (MUP), inaugurado em Julho de 2023, na antiga sede do Comando Metropolitano de Lisboa.
O ex-Convento de São Francisco da Cidade encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1993.
O MNAC é a primeira instituição museológica do país - e uma das primeiras da Europa - especificamente consagrada à criação artística dos séculos XIX e XX.
O seu edifício foi profundamente remodelado em 1994, sob projecto do arquitecto francês Jean-Michel Willmotte.
É o único museu nacional cuja missão é a arte contemporânea.
O Convento de São Francisco da Cidade é fundado por Frei Zacarias, enviado de São Francisco de Assis a Portugal, com autorização do Rei Afonso II. Foi o quarto complexo conventual franciscano erigido na capital portuguesa e o primeiro na capital portuguesa. Da sua estrutura gótica pouco subsiste.
Tornou-se um importante centro religioso, assistencial e intelectual de Lisboa, desempenhando também funções de ensino teológico. Reedificado entre 1517 e 1528, comportava, para além da igreja e dos espaços de residência conventual, um hospital, um hospício e um albergue.
Em 1673 é inaugurado o Hospital da Ordem Terceira de São Francisco. É também deste século a cisterna que se conserva no pátio da actual FBAUL.
Nos anos de 1707 e 1741, o Convento sofre dois violentos incêndios e, a 1 de Novembro de 1755, depois de praticamente reconstruído, Lisboa é abalada por um forte terramoto que causa, novamente, graves danos no edifício e a morte de diversos fiéis que se encontravam a assistir às cerimónias religiosas.
Embora se inicie de imediato a reedificação, o Convento não se encontrava concluído quando se dá a extinção das Ordens Religiosas, decorrente do decreto assinado por Joaquim António de Aguiar, em 1834. Este processo origina a demolição da então incompleta Igreja de São Francisco.
A Biblioteca Nacional de Lisboa - criada a 29 de Fevereiro de 1796, por Maria I de Portugal, sob o título de Biblioteca Pública da Corte - é transferida do Terreiro do Paço para o lado oriental do Convento de São Francisco da Cidade em 1836, dois anos após a desafetação religiosa do complexo. Em 1965, a Biblioteca Nacional de Portugal seria transferida para o Campo Grande, onde ainda se encontra.
Ainda em 1836, é criada e instalada, nos pisos inferiores da zona sul do edifício, a Academia de Belas-Artes de Lisboa (actual ANBA), que assegurava, como principais funções, a formação de novos artistas, a realização de exposições e conferências, bem como a identificação, classificação, inventariação, conservação e restauro das obras sob sua tutela. A pinacoteca da Academia abriria ao público em 1868, com a designação de Galeria Nacional de Pintura, cuja colecção estaria na base do acervo do futuro Museu Nacional de Belas-Artes e Arqueologia. Neste espaço organizaram-se também as exposições da Sociedade Promotora das Belas-Artes e do Grémio Artístico, instituições que deram origem, em 1901, à Sociedade Nacional de Belas-Artes.
Em 1858 concluiu-se a construção do Largo da Biblioteca Pública (actualmente designado por Largo da Academia Nacional de Belas-Artes), que conferiu um novo enquadramento paisagístico ao antigo Convento.
Num espaço contíguo ao ocupado pela Galeria, estava instalado o estúdio do pintor Tomás da Anunciação, professor na Academia desde 1852 e, nas suas proximidades - sob o pátio onde, em 1915, se construirá uma nova sala de exposição do MNAC - a oficina de escultura e o estábulo onde se mantinham os animais destinados às aulas do mestre paisagista, área posteriormente ocupada pelo jardim, na entrada resultante das alterações arquitectónicas de 1944. A referida Galeria funcionou até 1881, data da reforma no ensino artístico, na qual se legisla a separação da função pedagógica da Academia, atribuída agora à Escola de Belas-Artes.
Em 1881 inicia-se a transferência da colecção da Academia para o Palácio das Janelas Verdes ou Palácio de Alvor-Pombal, em Santos-o-Velho, para que, a 11 de Maio de 1884, fosse inaugurado por Luís I de Portugal, o Museu Nacional de Belas-Artes e Arqueologia. Esta alteração era uma forma de ultrapassar as restrições funcionais do edifício, como a exiguidade do espaço, as limitações expositivas e os obstáculos à conservação das peças, bem como de responder à necessidade de ampliação da colecção. A direcção deste novo espaço foi assegurada pelo então director da Academia, o arquitecto e pintor António Tomás da Fonseca.
Em decreto, datado de Dezembro de 1902, procede-se a uma reorganização da Academia, da Escola de Belas-Artes e do Museu. Destaca-se a decisão de dividir a colecção em dois núcleos distintos. Três anos depois, é nomeado como director do Museu Nacional de Belas-Artes e Arqueologia, o pintor Carlos Reis. A sua actividade ficou, contudo, associada a alguma desarticulação entre os seus desígnios para a instituição e os objectivos delineados pela direcção da Academia. Estas questões traçariam o destino do director, que seria afastado no final de 1910, decisão igualmente acelerada com a mudança de regime em Portugal, sendo ele um convicto monárquico. Sublinha-se que Carlos Reis, de origens modestas, havia sido financeiramente apoiado pelo Rei Carlos I de Portugal, o que lhe permitiu prosseguir os seus estudos em Lisboa e, mais tarde, em Paris.
Pouco depois da Implantação da I República em Portugal, a Academia Real de Belas-Artes, assim conhecida a partir do reinado de D. Luís I de Portugal, é extinta e substituída, a 29 de Maio de 1911, pelos Conselhos de Arte e Arqueologia, organismo com idênticos objectivos culturais, entre os quais se evidenciam os da conservação, administração e valorização dos Monumentos e Museus Nacionais. Este organismo sofreria uma nova reestruturação, em 1932, ano em que seria criada a Academia Nacional de Belas-Artes.
Nesse mesmo ano, a colecção do Museu Nacional de Belas-Artes e Arqueologia é entregue ao Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) - que herda as obras realizadas até 1850 - e ao Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC) - constituído pelas obras posteriores. O processo de transferência foi moroso, decorrendo durante os anos em que o MNAC esteve encerrado ao público para a execução das obras de requalificação dos seus espaços interiores, entre 1911 e 1914. A instituição inaugura oficialmente a 28 de Junho de 1914, sem estarem concluídas todas as remodelações arquitectónicas solicitadas.
Assim, no anterior espaço do Museu Nacional de Belas-Artes e Arqueologia encontramos, hoje, o MNAA e, no Chiado, o MNAC. Esta localização, nos antigos salões onde, na segunda metade do século XIX, as exposições dos pintores românticos e naturalistas haviam tido lugar, vinha simbólica e oportunamente situar a instituição na zona mais frequentada pelas tertúlias das gerações representadas. Todavia, de acordo com o primeiro ofício registado no arquivo de correspondência do MNAC, em 1911, estas instalações seriam provisórias.
Sublinha-se ainda que, à data da criação do MNAC, se encontravam sediados no Convento de São Francisco da Cidade, a Escola de Belas-Artes, a, então ainda denominada, Academia Real de Belas-Artes, a Biblioteca Nacional, o Governo Civil de Lisboa (extinto em 2011) e a Polícia Cívica (extinta em 1935, origem da actual Polícia de Segurança Pública e da Polícia Judiciária), o Gimnásio Clube (hoje conhecido como Ginásio Clube Português, transferido em 1973 para a Praça das Águas Livres), para além de uma oficina de ferraria, um armazém de marcenaria e várias cocheiras particulares.
No espaço que deu lugar à sede do Gimnásio funcionava, desde os anos 1835, a tipografia-editora Rolland & Semiond, responsável pela publicação de Paizagens (1871), livro de viagens da autoria de Raimundo António de Bulhão Pato e do Almanach das Artes e Letras (1874), com direcção de José Rangel de Lima e desenhos de Rafael Bordalo Pinheiro, entre outros.
O MNAC teve como primeiros directores, os pintores portugueses Carlos Reis (1911-1914), Columbano Bordalo Pinheiro (1914-1929) e Adriano de Sousa Lopes (1929-1944).
Reis teve uma actuação discreta e uma visão conservadora em relação aos jovens modernistas radicados na cidade de Paris, cuja renovação artística contrastava com a sua orientação naturalista. Durante o seu mandato, o MNAC conseguiu reunir cerca de duzentas obras. O espaço expunha a colecção ajustada ao espaço disponível, valorizando-se sobretudo obras de matriz Oitocentista. A abertura do MNAC assinala, contudo, uma alteração na direcção. Carlos Reis seria afastado pelo Ministério das Finanças, que extinguia o cargo por alegadas restrições orçamentais.
Duas semanas depois, o Conselho de Arte e Arqueologia nomeia uma prestigiada figura republicana para o mesmo cargo. Columbano, que era nesta altura docente na Escola de Belas-Artes (actual FBAUL), daria continuidade a esta linha tradicionalista, resistindo às manifestações de desagrado que o grupo então sediado no Café A Brasileira exprimia. Não obstante, a colecção é ampliada consideravelmente.
O MNAC ocupava então três salas do actual espaço e a sua entrada fazia-se pela vizinha ANBA. Durante a segunda direcção, a instituição é ampliada e ganha uma galeria dedicada à escultura, concebida pelo arquitecto José Luís Monteiro, bem como pequenas salas de desenhos, aguarelas e gravuras. Columbano ordena igualmente a remodelação das antigas arrecadações, integrando-as no circuito expositivo. Foram desenhados plintos, bancos e lambris, para os diversos espaços, e revestida a porta de acesso ao MNAC - hoje pertencente à ANBA - em estilo greco-romano, com vista a distingui-la entre as inúmeras portas do edifício e a enobrecer o acesso à instituição.
Simultaneamente, Columbano estabelece um sistema de inventário, catalogação bibliográfica e registo fotográfico, sendo ele, igualmente, responsável pelo primeiro regulamento interno do MNAC, em 1917. Aos 70 anos, o pintor é obrigado a reformar-se. Todavia, um manifesto subscrito por amigos e admiradores, manteve-o no cargo, na qualidade de director honorário, até à sua morte, em 1929.
Após esta segunda campanha de obras, o MNAC reabre a 4 de Abril de 1916, desencadeando agrado geral da imprensa. José de Figueiredo, historiador e director do MNAA, publicaria, inclusivamente, um ensaio elogioso sobre a reabertura do MNAC.
Em 1919 é doado ao MNAC o quadro Retrato da Viscondessa de Meneses, da autoria do Visconde de Meneses, José António de Miranda Pereira de Meneses. A acção é noticiada na Revista Atlântida, a propósito da exposição desta obra na Galeria Bobone, em Lisboa. O texto evidencia o importante papel de Columbano no processo de incorporação e na valorização artística do autor.
Sousa Lopes, nomeado pelo seu antecessor, revelar-se-ia mais ousado, fazendo entrar pintores modernistas - como António Soares, Eduardo Viana, Abel Manta, Jorge Barradas, António Soares, Dordio Gomes, Carlos Botelho, Almada Negreiros ou Amadeo de Souza-Cardoso - e importantes esculturas, como as de Auguste Rodin, na colecção. Foram também incorporadas cerca de oitocentas obras, dobrando, assim, o número de pinturas provenientes dos salões tardo-naturalistas da SNBA, um crescimento quantitativo e qualitativo que só foi possível devido à articulação com o programa político cultural do Secretariado de Propaganda Nacional (SPN).
Também neste período, o MNAC cresce e passa a incorporar, em 1931, o contíguo atelier de Columbano, abrindo assim uma ala dedicada ao pintor português, onde foram expostas obras e objectos, muitos deles doados pelos seus herdeiros. Nasce igualmente a Sala dos Novos - dedicada a pintores portugueses de gerações mais recentes - por iniciativa de Sousa Lopes, no ano de 1938, a partir da integração da antiga sala de trabalho do pintor José Maria Veloso Salgado e de uma sala de aula de modelo-vivo. É também neste mandato que o MNAC passa a abrir diariamente (excepto à segunda-feira).
Após a morte de Sousa Lopes, o conservador Francisco Romano Esteves assume funções directivas até à nomeação de um novo director.
O escultor Diogo de Macedo reabre o MNAC a 14 de Abril de 1945, depois de profundas obras de remodelação conduzidas sob orientação técnica do arquitecto Baltazar Castro, director da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) e especialista no restauro de monumentos nacionais. Nesta altura, é criada uma entrada independente pela Rua Serpa Pinto, que ainda hoje se mantém.
Dirige a instituição de 1944 a 1959, por indicação do Ministro da Educação Nacional. Alguns autores afirmam que António Ferro possa ter sugerido o seu nome, dado a longa amizade que tinham em comum, embora não tenha sido encontrada documentação que o comprove. Importa ainda considerar que a sua nomeação decorreu do estatuto público que alcançara, decorrente das suas intervenções em torno da cultura e da visibilidade do seu trabalho teórico em redor da crítica e da história da arte, um percurso indissociável do prestígio alcançado enquanto escultor, nas primeiras décadas de Novecentos. Para além disso, era uma figura relativamente consensual aos olhos do poder político vigente.
Macedo frequentava a ANBA, como membro executivo, desde 1938, e integrava, desde 1932, o Conselho Superior de Belas-Artes, órgão que substituiu os extintos Conselhos de Arte e Arqueologia. Tinha competências na classificação patrimonial, na aquisição de obras de arte e de peças arqueológicas e de supervisão da sua organização e manutenção. Em 1936, estas funções transitaram para a Junta Nacional da Educação (JNE). Neste organismo, Macedo - em representação do MNAC - desenvolveu actividades consultivas, emitindo pareceres sobre a avaliação artística de objectos para importação e exportação, bem como a incorporação de obras de arte em instituições públicas.
No MNAC, Macedo define um programa de exposições temporárias, moderniza o espaço, edita o primeiro catálogo-guia, cria uma biblioteca especializada, um arquivo sistemático e incita à investigação sobre os artistas da colecção, através de pequenas monografias editadas pela instituição.
Decide, igualmente, depositar cerca de vinte obras da colecção, não seleccionadas para as salas do MNAC, em instituições museológicas - de Cascais às Caldas da Rainha, passando pelo Porto, Évora, Tomar, Figueira da Foz e Coimbra - sob a condição de serem expostas e ultrapassando, assim, as deficitárias condições das reservas.
Macedo identifica ainda, como medida prioritária, a fundição em bronze, pelo método de cera perdida, de obras referenciais da escultura portuguesa, como forma de combater a sua deterioração. É o caso d’O Desterrado, de António Soares dos Reis. No seu mandato é também constituído o Grupo dos Amigos do Museu, seguindo um modelo já existente no Museu Nacional de Arte Antiga.

A nova entrada pelo jardim, funcionando como ante-câmara, torna o MNAC mais acessível e autónoma em relação à Escola de Belas-Artes. Macedo abandona definitivamente o método expositivo que visava a acumulação de quadros em altura e inverte o percurso do visitante, que passa a iniciar-se na Rua Serpa Pinto. É valorizada a exposição da geração do Grupo do Leão e realizada a maior ampliação da sua história, com a aquisição de mais de mil e trezentas obras, reforçando sobretudo os núcleos da segunda metade do século XIX e da primeira metade do século XX. Apesar de participante no movimento modernista, Macedo mantém um forte compromisso com o tardo-naturalismo e, até à sua morte, o MNAC apresentava ainda um perfil conservador, pouco comum quando comparado com outras instituições museológicas europeias.
Após um moroso processo negocial, Macedo obtém autorização da tutela para ampliar as instalações do MNAC: em 1945, com a instalação das oficinas no piso térreo; em 1947, com a atribuição de gabinetes de trabalho e da secretaria-arquivo no segundo piso; e, em 1949, com a disponibilização de um espaço para a segurança, no primeiro piso.
Durante a direcção de Macedo, a colecção foi ampliada com a incorporação de mais de 700 obras, incluindo trabalhos de Francisco Metrass, Tomás da Anunciação, José António de Miranda Pereira de Meneses, João Cristino da Silva, Miguel Ângelo Lupi, Alfredo Keil, João Marques de Oliveira, António da Silva Porto, Carlos I de Portugal, Carlos Reis, Adriano de Sousa Lopes, José Maria Veloso Salgado, José Malhoa, Eduardo Viana, Dordio Gomes, Júlio Resende, José Júlio, Júlio Pomar, Querubim Lapa, Marcelino Vespeira e Fernando Azevedo.
Destaca-se a incorporação da obra de António Ramalho, Retrato de Abel Acácio Botelho, em 1952, e de um conjunto de retratos pintados por Columbano Bordalo Pinheiro: os poetas Antero de Quental, Raimundo António de Bulhão Pato e Eugénio de Castro, o político Joaquim Pedro de Oliveira Martins, o pintor e arqueólogo José Queirós, e o agrónomo, diplomata e intelectual Jaime Batalha Reis. Ainda com Macedo, é concretizada, em 1953, a incorporação do retrato colectivo O Grupo do Leão.
Macedo alarga igualmente a representação de Amadeo de Souza-Cardoso, Mário Eloy e Almada Negreiros. É ainda integrada no acervo do MNAC, a obra Meninas de Sarah Affonso, adquirida na Galeria de Março, numa exposição individual da artista, Paris – Quai Voltaire e Praia de Pescadores – Cascais, de Milly Possoz, Casas, de Maria Helena Vieira da Silva, O atelier de Teresa de Souza e A Trapeira, de Alice Jorge.
O conservador Carlos Mascarenhas de Azevedo, cuja nomeação havia sido proposta por Macedo, assegurou interinamente a direcção do MNAC, permanecendo no cargo até à entrada de Eduardo Malta - que, no dia da morte do seu antecessor escreve ao chefe de Estado da altura, António de Oliveira Salazar, propondo a sua nomeação. O pintor assumiria o leme da instituição em 1959, apesar de protestos generalizados por parte da comunidade artística e de um abaixo-assinado - documento intitulado Os Artistas Plásticos e o Sr. Malta - que reuniu mais de duzentas assinaturas, entregue a 1 de Julho de 1959 ao então Ministro da Educação Nacional, Francisco Leite Pinto. A sua polémica nomeação, bem como os oito anos do seu mandato, marcados por uma posição anti-modernista, constituíram um momento de tensão com consequências duradouras.
Malta notabilizou-se como retratista de figuras da aristocracia e da elite política nacional e internacional - entre as quais Salazar, General Óscar Carmona, Armindo Monteiro e Henrique Galvão, entre muitos outros - participou na Exposição do Mundo Português e, em 1952, foi expulso da SNBA na sequência da eleição do júri da Exposição Anual de Primavera, episódio que envolveu José Dias Coelho e que levou ao encerramento temporário da instituição. Alguns historiadores, como José-Augusto França e Raquel Henriques da Silva, têm associado a sua nomeação ao contexto cultural e político do Estado Novo e às relações que o pintor estabeleceu, desde cedo, com o regime.
Contam-se, sensivelmente, cento e cinquenta obras adquiridas neste período, reforçando-se a representação na colecção de artistas como Diogo de Macedo, José Malhoa, António da Silva Porto, Carlos Reis, Francisco Metrass, Alfredo Keil, João Marques de Oliveira, Visconde de Menezes e Columbano Bordalo Pinheiro. Malta comprava habitualmente as peças em contexto expositivo, centrando a sua atenção na Galeria Diário de Notícias ou nas exposições do Secretariado Nacional de Informação (SNI). Confirma-se uma continuidade na organização das salas, e uma aposta na apresentação de novas aquisições e de obras que estavam há muito tempo nas reservas. Ao longo do seu mandato, realizou-se uma única exposição temporária - Centenário do Nascimento de Carlos Reis, em 1963 - e publicaram-se apenas dois catálogos. Malta também cancelaria o processo de compra de um avultado número de pinturas de Amadeo de Souza-Cardoso, iniciado por Macedo e criaria uma sala expositiva dedicada aos antigos directores da instituição.
Dulce Malta, nomeada conservadora-ajudante do MNAC em Março de 1964, durante a direcção do marido, passaria a administrar a instituição após a sua morte, de 1967 a 1970. Durante os três anos em que esteve à frente da instituição, foram adicionadas à colecção cerca de trinta e cinco obras, não foram realizadas exposições temporárias, nem publicações de qualquer tipo. A viúva de Eduardo Malta não seria reconduzida ao cargo, uma vez que, com a entrada em vigor da nova legislação, em 1965, a obtenção do diploma de conservador passa a constituir requisito para determinados lugares técnicos.
Em Maio de 1970, a conservadora Maria de Lourdes Bártholo é nomeada directora do MNAC que, por essa altura, se encontrava em avançado estado de degradação. Até 1987, ano em que deixa a instituição, o edifício sofre apenas obras superficiais. A colecção prolongar-se-ia até à contemporaneidade, embora sem grande amplitude e representatividade em relação aos movimentos, tendências e protagonistas da arte portuguesa. São integrados artistas como Jorge Vieira e Paula Rego.
No início do mandato, Bártholo elabora um relatório onde identifica os principais problemas da instituição e propõe uma reorganização geral do espaço, defendendo a utilização de algumas salas da Escola de Belas-Artes. Apesar das intervenções de manutenção realizadas, assiste-se ao encerramento do MNAC em Abril de 1973. Este impasse prolongou-se durante vários anos, ao longo dos quais foram desenvolvidos diversos projectos para renovar o MNAC ou transferi-lo para outro edifício.
Desde os finais do século XIX até cerca de 1974, o segundo e terceiro pisos do edifício anexo ao MNAC eram ocupados pela histórica litografia Salles e o rés-do-chão servia de armazém da refinaria Brasileira. Estes espaços foram posteriormente ocupados pelas reservas.
A mudança de regime, que a Revolução dos Cravos, levada a cabo a 25 de Abril de 1974, assinalou, não se fez sentir de imediato na instituição. Entre 1976 e 1980, realizaram-se intervenções nas galerias, segundo projectos de Samuel Quininha e Cruz de Carvalho. Contudo, a DGEMN considerou que estas obras não resolviam os problemas estruturais e propôs uma ampliação que abrangia as salas contíguas e um edifício anexo, adquirido pelo Estado Português em 1977. A sua concretização foi sendo sucessivamente adiada e o imóvel acabou por se degradar. Em 1987, a Secretaria de Estado da Cultura determinaria o encerramento do MNAC, por considerar que as instalações não reuniam as condições necessárias.
A fundação do Centro de Arte Contemporânea (CAC), instalado no Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR), no Porto, sob a direcção de Fernando Pernes, entre 1976 e 1980, procurou colmatar a falta de uma instituição dedicada à exposição, ao estudo e à divulgação da arte contemporânea em Portugal. A sua criação contribuiu para a posterior constituição do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, em 1999.
Com o incêndio do Chiado, a 25 de Agosto de 1988 - e ainda que o MNAC não tenha sido atingido pelas chamas - a instituição, já encerrada, é evacuada por precaução. As obras são transferidas para a Cidadela de Cascais. Por esta altura, a então Secretária de Estado da Cultura, Teresa Patrício Gouveia, decide que o espaço deve ser repensado e inicia-se um projecto de reabilitação levado a cabo por Jean-Michel Wilmotte, com apoio financeiro do Governo francês, que se traduziu na criação da Association Pour Le Renoveau du Chiado. A obra foi concretizada pelo Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico, com a participação do Fundo Europeu para o Desenvolvimento Regional (FEDER), da Secretaria de Estado da Cultura e de fundos comunitários.
O curriculum de Wilmotte contava, já nessa altura, com intervenções em imóveis históricos e espaços museológicos, como o Museu de Belas-Artes de Nîmes (1987) ou o Museu Carnavalet (1989), em Paris. À data do projecto em Lisboa, o arquitecto trabalhava na criação do Museu da Moda, em Marselha, e colaborava na remodelação da Ala Richelieu do Museu do Louvre, em Paris.

Wilmotte procurou criar um diálogo entre a relevância histórica do edifício e uma sóbria linguagem neo-moderna - integrando, por exemplo, abóbadas seculares de tijolo rústico, no actual hall de entrada, juntamente com passadiços do século XX. A renovação empreendida respeitou e valorizou os vestígios deste imóvel monástico adquirido em hasta pública, um ano após a extinção das Ordens Religiosas, por Abraham Wheelhouse.
O arquitecto francês socorreu-se de materiais como a pedra de Estremoz, o metal e as madeiras, bem como de uma paleta cromática de cinzas, sóbria. A sua intervenção possibilitou ainda a instalação de exposições na imponente Sala dos Fornos, espaço destinado ao fabrico de pão e bolachas, erguido antes de 1840, por Wheelhouse, que se estabelecera na freguesia dos Mártires desde o início do século. Antes de adquirir o imóvel na Rua Serpa Pinto, o negociante inglês explorou, nas proximidades, uma pequena indústria panificadora destinada ao fornecimento do exército britânico residente em Portugal. Em 1854, quando o proprietário da fábrica era já o seu filho George, a entrada do edifício funcionava como loja.
O projecto de Wilmotte previa ainda a instalação de um bar ao nível do terraço do edifício, junto ao gabinete da direcção. Contudo, devido à insuficiência de espaços destinados aos serviços administrativos, o último piso foi adaptado para funcionar como área de escritórios. Esta transformação limitou o acesso público ao último piso do MNAC, desactivado após um breve período de funcionamento.
O Instituto Português de Museus quis registar este empreitada através do olhar do fotógrafo Mariano Piçarra, numa publicação fundamental, intitulada Obraçom. Esta iniciativa possibilitou ainda uma profunda investigação, inédita, realizada pela museóloga Joana Sousa Monteiro na Torre do Tombo, com vista a apurar a história dos armazéns utilitários edificados pelos frades por volta de 1770. Foi também realizada uma sondagem arqueológica no local e, à data da edição do presente livro, o espólio recolhido encontrava-se depositado no Palácio Nacional da Ajuda. Destaca-se, do conjunto, ossadas humanas, cerâmica, faiança e loiça conventual.
A historiadora de arte Raquel Henriques da Silva ficaria assim a coordenar a equipa científica do MNAC, entre 1989 e 1991, tornando-se na primeira directora da instituição após a sua refundação.
A 12 de Julho de 1994 - ano em que Lisboa é eleita Capital Europeia da Cultura - reabre ao público o renomeado Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (MNAC-MC), com um programa de exposições temporárias organizado em torno da arte portuguesa das décadas menos representadas na colecção. A investigação foi igualmente prioritária, assim como a criação de um programa dirigido a artistas-revelação, com vista a interpretar a colecção. Estas medidas permitiram a aquisição de várias obras que a actualizaram relativamente à contemporaneidade.
Esta renomeação assentava em duas razões principais: por um lado, pretendia-se reforçar a localização da instituição, contribuindo para a sua revitalização após o incêndio; por outro, a reduzida representatividade da produção artística portuguesa da segunda metade do século XX, na colecção, tornava a designação «Museu de Arte Contemporânea» pouco ajustada ao acervo existente. Para Henriques da Silva, não só as lacunas da colecção eram inultrapassáveis, como também a insuficiência do espaço, quer para o acervo, quer para as exposições temporárias.
Em 1994, meses após a abertura, apresentou-se a Colecção Manuel de Brito, dois anos depois, a Colecção Mário Soares e, em 1997, a Colecção José Augusto-França. Acolheram-se exposições monográficas dedicadas a artistas portugueses como, Para o Estudo da Melancolia em Portugal. Nikias Skapinakis: Retrospectiva de Retratos 1955-1974 e Mário Eloy. Exposição Retrospectiva. Era comum a substituição regular de parte da colecção por exposições temporárias. Decisão que suscitou críticas, como a do curador João Pinharanda, que constestou a quase permanente ausência da insubstituível colecção oitocentista e modernista à guarda da instituição. Esta opção acabaria também por afastar visitantes e escolas.
A exposição Picasso e o Mosqueteiro 1967-1972 inaugurou em Outubro de 1997 e, a partir de então, a apresentação da colecção passou a ocorrer de forma rotativa e esporádica. Durante o mandato de Henriques da Silva, a Galeria do Bar foi também intervencionada por vários artistas, que partiam da exploração de peças integrantes do acervo para a construção de novas obras: casos de Rui Serra, Patrícia Garrido, Ângela Ferreira ou Miguel Ângelo Rocha, entre outros.
Em 1995 é criada a Associação Amigos do Museu do Chiado, com o objectivo de contribuir para a divulgação e dinamização das actividades do MNAC-MC, promover o enriquecimento da sua colecção, proporcionar a valorização cultural dos seus associados e da zona histórica em que a instituição se situa. Ao longo dos anos tem organizado diversos cursos, seminários e visitas guiadas, fomentado a aquisição de obras de arte com o objectivo de ampliar e consolidar a colecção, colaborado na realização de exposições e catálogos, estabelecido intercâmbios institucionais e dinamizado acções voluntárias e iniciativas mecenáticas.
O ano de 1998 ficaria marcado pela realização da EXPO, a Exposição Mundial que viria a transformar profundamente a zona oriental de Lisboa. O MNAC procurou acompanhar as transformações impulsionadas por esta iniciativa, acolhendo a ambiciosa exposição De Picasso a Dalí: As Raízes da Vanguarda Espanhola 1907–1936, proposta pelo Pavilhão de Espanha. A mostra, comissariada por Juan Manuel Bonet, permitiu situar o modernismo português em relação às dinâmicas da arte espanhola, sua contemporânea.
Ainda nesse ano, Henriques da Silva transita para a direcção do Instituto Português de Museus e dá lugar ao professor Pedro Lapa, que já integrava a equipa (1998–2009).
Com Lapa, as exposições temporárias ganham destaque: realiza-se um conjunto de retrospectivas de artistas portugueses, como Rolando Sá Nogueira e Bernardo Marques, uma monográfica de Gerhard Richter e a mostra Primeiros Modernismos em Portugal. No âmbito do Festival Temps d’Image, William Kentridge apresentou três dos seus mais recentes trabalhos, inspirados em Georges Méliès. Destaca-se ainda o programa Interferências (1998-2002), que promovia o trabalho de artistas contemporâneos nacionais e internacionais - como Jimmie Durham, Henrik Plenge Jakobsen, Stan Douglas, Gillien Wearing ou Rosângela Rennó - em diálogo com o acervo do MNAC, e a mostra Airbag: the Return of the Real, que pretendia reproduzir o ambiente de uma discoteca no espaço expositivo.
Depois de ter estado patente no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, a exposição Batalha de Sombras: Fotografia Portuguesa dos Anos 50. Colecção do MNAC foi apresentada na PhotoEspãna, que teve lugar na Fundación António Saura - Casa Zavala em Cuenca, Espanha. Esta itinerância permitiu divulgar internacionalmente um acervo fundamental para o entendimento da história da fotografia portuguesa.
Em 2005, a exposição Século XIX na Colecção do MNAC veio possibilitar leituras não hierárquicas do respectivo acervo. A disposição das obras nas salas deixaria de seguir uma ordem cronológica linear, passando a privilegiar uma organização temática, na qual obras naturalistas e modernistas se encontravam lado a lado com produções contemporâneas.
James Coleman, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, João Onofre, Erwin Wurm, Hein Semke, Ângela Ferreira, João Pedro Vale e Daniel Blaufuks expuseram no MNAC. Realizaram-se concertos, sessões de cinema e o primeiro catálogo raisonné de um artista português, Joaquim Rodrigo.
Lapa ampliou o acervo em 72 aquisições e cerca de 360 doações. A política de incorporações procurou colmatar activamente as lacunas da colecção. Foi também dado início à integração de outros géneros artísticos, como a fotografia e o vídeo, suportes recorrentes nas práticas artísticas contemporâneas. A sua direcção inaugurou práticas curatoriais experimentais, reinvidincando o MNAC como um espaço crítico de debate e produção de conhecimento artístico em Portugal.
Em 2004, os Amigos do Museu adquirem a escultura Sem Título, de José Pedro Croft, e três números da Revista KWY (1962 e 1963), publicação artística de vanguarda e tiragem limitada, fundada em 1958 por René Bertholo e Lourdes Castro.
A designação de «Museu Nacional de Arte Contemporânea» volta gradualmente a ganhar destaque, sobretudo a partir de 2007.
A arquitecta Helena Barranha passa a dirigir o MNAC em Dezembro de 2009. Até Junho de 2012, foca-se no estudo da colecção e na história da instituição. Procurou reforçar a presença tímida da instituição nesta zona da cidade, dinamizar o quarteirão envolvente e repensar estratégias de comunicação. Neste altura, é assinado um protocolo de colaboração com o Teatro Nacional de São Carlos, referente ao Festival ao Largo, na expectativa de que o público possa relacionar dois programas espacialmente comunicantes. Existiu também uma colaboração regular com a Faculdade de Belas-Artes, na organização e no acolhimento de eventos. Organizou-se igualmente um ciclo de conferências sobre o Chiado enquanto lugar de efervescência urbana e cultural. Surgem as Noites de Verão, com vista a abrir o MNAC à cidade.
Em 2010 é lançado o primeiro volume do catálogo da colecção do MNAC: Arte Portuguesa do Século XX (1850-1910). Constitui um indispensável guia para um conhecimento aprofundado da história da arte nacional.
Realizou-se uma nova montagem da colecção, que explorou a reversibilidade da leitura cronológica, permitindo que os visitantes percorressem o espaço expositivo em duas direcções: Um Percurso, Dois Sentidos. Celebraram-se os 100 anos do MNAC, em 2011, com uma conferência-debate, o lançamento editorial do segundo volume do catálogo da colecção do MNAC, Arte Portuguesa do Século XX (1910-1960), em co-edição com a LEYA, do catálogo da exposição de Adelino Lyon de Castro, O Fardo das Imagens, em co-edição com as Publicações Europa-América e de uma emissão filatélica comemorativa, em parceria com os CTT.
Barranha programa a exposição Falemos de Casas: Quando a Arte Fala Arquitectura, sobre processos artísticos que tematizam o espaço vivencial, o lugar, a cidade e o habitar. São realizadas mostras de artistas internacionais, como Dominique Gonzalez-Foerster ou Gary Hill. É publicada uma banda desenhada sobre o desaparecimento de três figuras do quadro O Grupo do Leão, da autoria de Rui Zink e ilustrações de António Jorge Gonçalves.
Em 2012, os Amigos do Museu adquirem e doam duas fotografias, da série TV, de Jorge Molder, a instalação We All Feel Better in the Dark, de João Pedro Vale, duas provas fotográficas da série Shelter, de Augusto Alves da Silva e o conjunto de obras em vídeo, intitulado This Widow is Blocking My Windows, de António Olaio. Este último, mostrado pela primeira vez no MNAC, resulta do projecto Outros Olhares - Novos Projectos, iniciado em 2010. A iniciativa desafiava quatro artistas de relevo no panorama português, não representados na colecção do MNAC - António Olaio, Ana Vidigal, Rodrigo Oliveira e Xana - a escolherem obras do acervo como ponto de partida para criarem peças inéditas. A proposta retomava o conceito do projecto Interferências, que também incentivou artistas a realizarem novas obras, tendo como mote a colecção do MNAC, sendo posteriormente integradas no respectivo acervo.
No ano seguinte, a direcção dos Amigos do Museu implementa o Ciclo Coleccionar Arte: Conversas a partir de Colecções Particulares, uma programação que procurava convidar, ciclicamente, colecionadores particulares portugueses, para divulgarem as suas colecções e partilharem motivações. A primeira sessão teve como orador Francisco Capelo e Carlos Bessa Pereira.
Após a saída de Barranha, Paulo Henriques é nomeado director pela Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) até ao concurso público de 2013.

Em 2015, já sob a direcção do curador David Santos (2013–2015), foram entregues ao MNAC espaços até então pertencentes à Polícia de Segurança Pública e ao Governo Civil de Lisboa, que permitiram o aumento da área exposição e a criação da Ala Capelo.
No mesmo ano, a parceria mecenática entre o MNAC e a Sonae propiciou o desenvolvimento de uma programação inovadora, sobretudo a partir do Prémio Sonae Media Art e das residências artísticas Sonae / MNAC Art Cycles.
A 19 de Fevereiro de 2014 (e até ao final de 2019) o MNAC assina um protocolo de mecenato com a Sonae. Esta acção enquadrou-se na política de responsabilidade corporativa da empresa, que procurava promover a criatividade e a inovação, estimular novas tendências e aproximar a sociedade à arte.
Santos foi substituído interinamente por Samuel Rego (2015), até à entrada da museóloga portuguesa Aida Rechena (2015-2017).
A historiadora de arte Emília Ferreira (2017-2025) assume, posteriormente, o cargo de directora, em regime de substituição, situação que se manteria até 2022, ano em que vence o procedimento concursal.
Em 2018, o MNAC lança a rede colaborativa [Portugal entre Patrimónios], um projecto exploratório concebido e implementado por Lúcia Saldanha, vinculado à contemporaneidade artística e ao turismo cultural sustentável. Através de ciclos de conversas, entrevistas, exposições e publicações (em papel e online), envolveu dezenas de instituições em todo o território nacional - outros museus, universidades, associações culturais e recreativas, festivais de música, parceiros turísticos - com um carácter pro bono. A iniciativa terminaria em 2026, com a exposição Antologias da Memória.
Ainda em 2018, firma-se um importante protocolo entre o Instituto de História da Arte (IHA) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade NOVA de Lisboa, o MNAC e a Fundação Millennium BCP para o estudo dos artistas representados nas duas colecções. Este compreende sobretudo a atribuição de bolsas de investigação.

No ano seguinte é assinado um acordo tripartido entre a DGPC, a FBAUL e a Fundação Millennium BCP - que já apoiava o MNAC desde 2012 - para a cedência de uma ala do edifício, herdada da Polícia de Segurança Pública e que se encontrava em situação de ruína.
O espaço foi, então, integralmente restaurado, criando-se assim, mais uma sala de exposições, dotada de uma área considerável e destinada sobretudo à partilha das obras da colecção Millennium BCP e à promoção de um diálogos entre esta, a colecção do MNAC e outras colecções nacionais e internacionais.
Além da criação da Galeria Millenium BCP, inaugurada em 2021, a Fundação tornou-se a principal parceria mecenática do MNAC, apoiando exposições temporárias, programação musical (como as Noites de Verão) e diversos projectos de restauro.

Durante os dois confinamentos relacionados com a pandemia de COVID-19 em Portugal, entre 2020 e 2021, o Serviço Educativo do MNAC reforçou a sua programação virtual com o programa Dilemas Quotidianos, lançando:

Nos 110 anos de vida do MNAC, foi levada a cabo uma intervenção do artista Vítor Pires Vieira na fachada da Rua Capelo, possível graças ao envolvimento mecenático da sociedade civil.
Também em 2020, o MNAC abria a Galeria [Portugal entre Patrimónios], no átrio do edifício da Rua Serpa Pinto, associada ao projecto homónimo.
Ainda em 2020, os Amigos do Museu adquirem e doam ao MNAC a pintura Cabeça de Rapaz, de João Cristino da Silva, tendo-se associado o Ministério da Cultura, por proposta da direcção e da curadora Maria de Aires Silveira.
Em 2023, inaugura a exposição A Pintura Sublimou o Espírito, fruto da primeira residência artística no Jardim das Esculturas do MNAC.
No mesmo ano, o MNAC organiza a primeira exposição de José Maria Veloso Salgado em França, com cerca de 70 obras, dando a conhecer a ligação deste mestre aos seus pares franceses e, nomeadamente, aos pintores de Wissant. Esta ocorreu no âmbito da programação da Temporada Cruzada Portugal-França, no Château Comtal - Musée de Boulogne-sur-Mer. Veloso Salgado de Lisboa a Wissant pôde também ser vista no MNAC.
Até 2025, a instituição tem mantido uma política de exposições retrospectivas e monográficas sobre artistas portugueses oitocentistas e modernistas, potenciando parcerias nacionais e internacionais. A colecção continua a ser actualizada, sobretudo através de doações e legados de artistas e coleccionadores. O MNAC tem igualmente ampliado a sua política editorial.
Em Março de 2025, a direcção do MNAC passa para as mãos da curadora Filipa Oliveira. O ano seguinte ficaria marcado pela generosa doação do coleccionador e arquitecto Alberto Caetano. A sua singular colecção, composta por mais de 365 obras - pintura, desenho, gravura, escultura e fotografia - reunidas ao longo de cerca de cinco décadas, vem enriquecer de forma duradoura o acervo do MNAC que, por sua vez, é responsável por garantir a sua preservação e exposição.
A missão do MNAC, definida na sua criação e reafirmada na sua reabertura, resume-se nas seguintes linhas estratégicas, em torno das quais a instituição se rege:
A colecção do MNAC atravessa a história da arte portuguesa desde meados do século XIX até à actualidade, constituindo um pólo museológico incontornável para o seu conhecimento e um legado ímpar. O seu núcleo fundador é marcado pelo surgimento do Romantismo, representado por artistas como Tomás da Anunciação, João Cristino da Silva, Luiz de Menezes e Miguel Ângelo Lupi.
A formação deste acervo inicial beneficiou igualmente do regime de pensionato artístico no estrangeiro, que obrigava os bolseiros a enviar regularmente para a ANBA as obras produzidas durante a sua formação. A aplicação do Legado Valmor, instituído testamentariamente pelo Visconde de Valmor, permitiu igualmente a aquisição de obras apresentadas nos Salões Anuais do Grémio Artístico e, mais tarde, da Sociedade Nacional de Belas-Artes. A estes conjuntos vieram somar-se obras provenientes das colecções régias e de doações de membros da aristocracia, contribuindo para a consolidação inicial da colecção do MNAC.
A renovação introduzida pelo Naturalismo encontra expressão na obra de António da Silva Porto e de João Marques de Oliveira, bem como nos retratos de António Ramalho Júnior e, sobretudo, de Columbano Bordalo Pinheiro. Estão igualmente representados António Carneiro e Adriano de Sousa Lopes, cuja produção assinala a transição para o século XX.
O início do novo século é marcado pela emergência das vanguardas, com particular destaque para Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana - associado ao Orfismo - e Guilherme Santa-Rita, de quem o MNAC conserva uma das raríssimas obras sobreviventes. No domínio da escultura, esta renovação encontra expressão em Ernesto Canto da Maya, Diogo de Macedo e Francisco Franco.
Da colecção fazem parte obras que testemunham alguns dos principais movimentos artísticos do século XX, do Expressionismo de Mário Eloy ao Surrealismo de António Pedro, António Dacosta, Marcelino Vespeira, Fernando Lemos, Fernando de Azevedo, Jorge Vieira e Mário Cesariny; do Modernismo de Almada Negreiros, Dordio Gomes, Abel Manta, Bernardo Marques e Carlos Botelho ao Neorrealismo de Júlio Pomar e ao Abstraccionismo de Nadir Afonso e Joaquim Rodrigo.
As décadas de 1960 e 1970 marcam uma nova ruptura na arte portuguesa, com o retomar do espírito de vanguarda e a diversificação de linguagens, entre a Nova Figuração de Paula Rego, a Nova Abstracção de Jorge Pinheiro, a experimentação objectual do grupo KWY, a Pop de Rolando Sá Nogueira, as pesquisas perceptivas de Luís Noronha da Costa e de Jorge Martins, as investigações sobre o signo de António Sena e João Vieira e as práticas próximas da Land Art e do pós-conceptualismo de Alberto Carneiro, Helena Almeida e Julião Sarmento. Nos anos 1980, o regresso à pintura e à figuração, bem como as questões em torno da imagem e da identidade, encontra expressão em artistas como Júlia Ventura, José Pedro Croft, Jorge Molder, Pedro Cabrita Reis e Rui Sanches.
A transição para a década de 1990 é marcada por preocupações diversas, mas convergentes na construção de uma relação crítica com os contextos político, social e cultural, através de artistas como Ângela Ferreira, João Tabarra, Miguel Palma e Augusto Alves da Silva. Em torno das questões da autoria, do desvio e da semelhança, destaca-se ainda o trabalho de João Penalva e o grupo Homeostética.
Num processo de permanente actualização, a colecção - que aumentou exponencialmente nas últimas três décadas - acompanha igualmente a produção artística das primeiras décadas do século XXI, com obras de artistas como Alexandre Estrela, João Onofre, João Jacinto, Francisco Tropa, Gabriel Abrantes, a dupla Pedro Paiva e João Maria Gusmão, Pedro Calapez, António Olaio e João Pedro Vale.
A exposição de longa duração Impressões Digitais reúne, desde 2024, algumas das incorporações mais recentes na colecção, entre as quais se contam obras de Lourdes Castro, Filipa César, Cristina Ataíde, Luísa Correia Pereira, Maria Beatriz, Alice Geirinhas, Alice Jorge, Inês Norton, Catarina Lopes Vicente e Graça Pereira Coutinho, dando conta da continuidade do processo de enriquecimento e actualização do acervo, bem como do esforço em colmatar lacunas na representação da arte portuguesa, particularmente no que respeita à presença de mulheres artistas.
A biblioteca do MNAC reúne um acervo de particular importância para o estudo da arte portuguesa, da história da arte, da teoria da arte e da museologia. Sob marcação prévia, o público pode aceder a diversos catálogos de exposições, documentação de referência, monografias, textos fundamentais, publicações próprias e periódicos históricos.
A memória conventual permanece particularmente visível neste espaço, nomeadamente nas coberturas abobadadas, nos pavimentos que alternam lajes antigas de lioz com mármore branco e num par singular de pilares truncados.