Nioaque | |
|---|---|
| Hino | |
| Lema | Primus inter pares "Primeira entre iguais" |
| Gentílico | nioaquense |
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| Coordenadas: 21° 08′ 06″ S, 55° 49′ 48″ O | |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Mato Grosso do Sul |
| Municípios limítrofes | Guia Lopes da Laguna, Sidrolândia, Anástacio, Aquidauana e Maracaju |
| Distância até a capital | 165 km |
| Fundação | 8 de abril de 1848 (178 anos) |
| Emancipação | 14 de novembro de 1890 (135 anos) - de Miranda |
| Distritos | Lista
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| Governo | |
| • Prefeito(a) | André Guimarães (PP, 2025–2028) |
| Área | |
| • Total | 3 909,44 km² |
| • Urbana est. Embrapa | 1,796 km² |
| Altitude | 200 m |
| População | |
| • Total (est. IBGE 2026) | 13 298 hab. |
| • Posição | MS: 41º |
| Densidade | 3,4 hab./km² |
| Clima | tropical (Aw) |
| Fuso horário | Hora do Amazonas (UTC−4) |
| CEP | 79220-000 |
| IDH (PNUD/2010) | 0,639 — médio |
| • Posição | MS: 68º |
| Gini (PNUD/2010) | 0,58 |
| • Posição | MS: 43º |
| PIB (IBGE/2023) | R$ 618 784,000 mil |
| • Posição | MS: 43º |
| • Per capita (IBGE/2023) | R$ 46 806,69 |
Nioaque é um município brasileiro da região Centro-Oeste, situado no estado de Mato Grosso do Sul. Pertence à região imediata de Jardim e à região intermediária de Corumbá na divisão regional vigente do IBGE, e está inserido na mesorregião do Sudoeste de Mato Grosso do Sul e na microrregião de Bodoquena na divisão de 2008.
O município tem 3 909,44 km² de área e população de 13 220 habitantes no Censo 2022; a estimativa do IBGE para 2026 é de 13 298 habitantes. A sede municipal localiza-se a cerca de 165 km de Campo Grande, a capital estadual, e o território municipal é banhado por rios da bacia do Paraguai e coberto predominantemente pelo bioma Cerrado.
Nioaque é uma das cidades mais antigas de Mato Grosso do Sul: sua origem remonta à expedição do sertanista Joaquim Francisco Lopes, que em 1847-1848 estabeleceu a povoação no encontro dos rios Nioaque e Urumbeva. Palco de duas invasões durante a Guerra do Paraguai, o município preserva monumentos associados à Retirada da Laguna e tem na agropecuária — com destaque para a soja e a pecuária de corte — a base de sua economia.
O topônimo Nioaque deriva do termo de origem tupi-guarani "Anhuac", que designava o rio que banha a cidade e é traduzido na tradição local como "clavícula quebrada". A grafia antiga do nome, "Nioac", foi substituída pela forma atual ao longo do século XX. Entre 1877 e 1892, a localidade foi oficialmente denominada Levergeria, em homenagem a Augusto Leverger, o barão de Melgaço, que havia defendido as fortificações da província.
O gentílico adotado é nioaquense, e a padroeira do município é Santa Rita de Cássia.
A região onde se formou Nioaque foi explorada inicialmente por espanhóis procedentes do Paraguai, e, em 1840, o sertanista João Gomes, vindo de Cuiabá, radicou-se na confluência dos rios Miranda e Nioaque. Em 14 de julho de 1847, partiu uma expedição comandada por Joaquim Francisco Lopes com a finalidade de descobrir uma rota fluvial que ligasse o Paraná ao sul de Mato Grosso; os expedicionários estabeleceram nas proximidades o Porto de São João de Antonina, em homenagem ao barão de Antonina, que financiara a empreitada, e outras famílias — como os Barbosa, os Lopes e os Fernandes — afluíram à região, impulsionando o crescimento do núcleo.
A data exata da fundação da povoação suscita dúvidas nas fontes: o histórico do IBGE registra 1848, oscilando entre 22 de abril e 22 de maio, prevalecendo oficialmente a segunda data, enquanto a prefeitura municipal adota 8 de abril como data de fundação, quando a cidade comemora seu aniversário.
Durante a Guerra do Paraguai, a povoação foi invadida em 1865 e permaneceu em poder das forças paraguaias até agosto de 1866; no ano seguinte, voltou a ser atacada e incendiada. Encerrado o conflito, retomou a partir de 1870 seu ritmo de crescimento. Em 26 de outubro de 1894 surgiu na vila o primeiro jornal local, "A voz do Sul", redigido pelo Dr. João Cláudio Gomes da Silva, que teve curta existência: em 1896 sua oficina foi destruída e atirada às águas do rio Nioaque.
Pela lei provincial nº 506, de 24 de maio de 1877, foi criado o distrito de Levergeria, subordinado ao município de Miranda. A vila foi criada pela lei estadual nº 23, de 18 de julho de 1890, desmembrada de Miranda, e instalada em 14 de novembro do mesmo ano; pela lei estadual nº 13, de 26 de outubro de 1892, a vila de Levergeria passou a denominar-se Nioaque. Em 1900, o distrito de Ponta Porã foi criado e anexado a Nioaque, sendo desmembrado em 1912 para constituir novo município; em 1930, a lei estadual nº 891 elevou Nioaque à categoria de cidade.
Em 1946, foi criado o distrito de Guia Lopes, renomeado Guia Lopes da Laguna em 1948 e desmembrado de Nioaque pela lei estadual nº 678, de 11 de dezembro de 1953. Com a criação do estado de Mato Grosso do Sul pela lei complementar federal nº 31, de 11 de outubro de 1977, Nioaque passou a integrar a nova unidade federativa. A emancipação político-administrativa é comemorada em 18 de julho.
O município de Nioaque está situado no sudoeste de Mato Grosso do Sul, a uma latitude de 21º08'07" sul e a uma longitude de 55º49'48" oeste, a aproximadamente 165 km de Campo Grande. Seus limites são Guia Lopes da Laguna, Sidrolândia, Anastácio, Aquidauana e Maracaju. A área territorial é de 3 909,44 km², com densidade demográfica de 3,38 habitantes por quilômetro quadrado no Censo 2022.
O clima de Nioaque apresenta, segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, características dos subtipos Cfa — subtropical úmido, com inverno brando e verão quente — e Aw — tropical com estação seca pouco definida e chuvas de verão. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) compilados no diagnóstico técnico da Sanesul, a temperatura média anual é de 25 °C e a precipitação anual média varia entre 1 200 e 1 400 mm, com meses mais chuvosos entre dezembro e março e mais secos entre junho e outubro.
A topografia mais abrupta do município encontra-se a leste, com uma faixa de cuesta no sentido norte-sul e áreas de escarpas e ressaltos; os modelados de dissecação de topos colinosos distribuem-se em vários pontos do território, contrastando com áreas tabulares e planícies de acumulação fluvial. A geomorfologia abrange unidades da região dos Planaltos da Borda Ocidental da Bacia do Paraná — com o Planalto de Dourados — e da Depressão do Alto Paraguai, com os piemontes da serra de Maracaju e a depressão de Aquidauana-Bela Vista. Na porção oeste predominam solos arenosos de baixa fertilidade natural, enquanto no centro e a leste ocorrem Latossolos vermelho-escuros de textura média e argilosa, além de Neossolos.
O município pertence à Região hidrográfica do Paraguai e está inserido na Unidade de Planejamento e Gerenciamento (UPG) Miranda, que tem na dessedentação animal o principal uso de seus recursos hídricos. Entre os cursos d'água do município estão o rio Miranda — afluente do rio Paraguai, com cerca de 700 km de extensão, que faz divisa com Bonito —, o rio Nioaque — afluente da margem direita do Miranda, que nasce na serra de Maracaju e banha a cidade — e os rios Canindé e São Miguel.
A sede municipal está sobreposta à área de incidência do bioma Cerrado, que se estende por cerca de 61% do território de Mato Grosso do Sul e inclui um gradiente de formações que vai do campo limpo, com predominância de gramíneas, ao cerrado arborizado e ao cerradão. A fisionomia vegetal da região da sede é de contato entre a Savana Estépica e a Floresta Estacional, hoje majoritariamente convertida em pastagens.
No Censo 2022, Nioaque tinha 13 220 habitantes, sendo 6 825 homens e 6 395 mulheres, distribuídos em 4 652 domicílios particulares permanentes ocupados, com média de 2,84 moradores por domicílio. A distribuição entre as zonas urbana e rural é equilibrada: 7 244 habitantes (54,80%) viviam na zona urbana e 5 976 (45,20%) na zona rural, proporção superior à média estadual. A taxa de alfabetização da população de 15 anos ou mais era de 91,86%.
O IDHM de Nioaque é 0,639, referente a 2010, classificado na faixa média, com dimensões de Renda (0,658), Longevidade (0,822) e Educação (0,483). O município abriga comunidades indígenas e remanescentes de comunidades quilombolas, atendidas por equipamentos públicos específicos de educação e saúde.
Em 2023, o Produto Interno Bruto (PIB) de Nioaque a preços correntes somou R$ 618,784 milhões, com PIB per capita de R$ 46 806,69. Em 2021, ano mais recente com abertura setorial publicada, o valor adicionado bruto municipal era de R$ 416,476 milhões, composto pela agropecuária (36,07%), pela administração pública (24,48%), pelos serviços (22,43%) e pela indústria (17,01%).
A agropecuária tem participação relevante na economia municipal. A produção agrícola municipal de 2023 registrou 28 219 hectares de área plantada ou destinada à colheita e valor de produção de R$ 157,280 milhões, com destaque para a soja, que ocupou 17 611 hectares e gerou R$ 113,591 milhões. Na pecuária, o efetivo bovino registrado pela Pesquisa da Pecuária Municipal era de 379 972 cabeças em 2023.
A rede estadual de ensino mantém no município a Escola Estadual Odete Ignêz Resstel Villas Boas, no centro urbano, além de escolas rurais: a Escola Estadual Indígena de Em Angelina Vicente, na aldeia Brejão, e as escolas estaduais Padroeira do Brasil e Uirapuru, em assentamentos rurais. No Censo 2022, a taxa de alfabetização de pessoas de 15 anos ou mais foi de 91,86%, e a dimensão Educação do IDHM de 2010 era de 0,483.
O Hospital de Pequeno Porte "Aroldo de Lima Couto" é a principal unidade de internação do município e passou por ampliação de seis para dez leitos de enfermaria em 2025; a atenção básica é prestada por cinco Equipes de Saúde da Família distribuídas entre a zona urbana e o meio rural, e os casos de maior complexidade são encaminhados aos serviços de referência de Jardim, Aquidauana e Campo Grande. O atendimento de saúde do município integra o Sistema Único de Saúde (SUS).
O diagnóstico técnico da Sanesul, com dados de outubro de 2016, registrava em Nioaque uma rede coletora de esgoto de 13 693 metros, com quatro estações elevatórias de esgoto bruto e uma estação de tratamento (ETE Nioaque); o sistema de esgotamento sanitário então em operação era constituído por três subsistemas das bacias dos córregos Urumbeba e do rio Nioaque. O município recebeu investimentos em saneamento básico ao longo da década de 2020, com ampliação da rede coletora na área central.
O principal acesso rodoviário à região é a BR-419, rodovia federal que integra o município à malha viária de Mato Grosso do Sul e vem sendo pavimentada por lotes, em obras incluídas no Novo PAC; o trecho de 55,5 km do lote 4, próximo a Nioaque, atingiu 80% de execução em 2025. A MS-347, que liga o município a Dois Irmãos do Buriti e Anastácio, também passa por obras de implantação e pavimentação, com trecho até a BR-419.
Nioaque sedia o 9º Grupo de Artilharia de Campanha (9º GAC), unidade do Exército Brasileiro criada em 25 de março de 1939 e instalada definitivamente na cidade em 19 de novembro de 1957, quando uma bateria de obuses deslocada para o município em 1955 deu origem ao aquartelamento atual. Em 1975 a unidade recebeu a denominação atual e, em 2003, a denominação histórica "Grupo Major Cantuária", em homenagem a João Tomás de Cantuária, participante da Retirada da Laguna.
A memória da Guerra do Paraguai é elemento central da identidade cultural de Nioaque. Na praça XV de Novembro, no centro da cidade, estão um canhão da época e o Monumento aos Heróis da Retirada da Laguna, que homenageia os participantes do episódio ocorrido entre 1865 e 1867. Desde 1999, civis e militares percorrem o trajeto da coluna de Carlos de Morais Camisão na Marcha Cívica da Retirada da Laguna, iniciativa da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada; o episódio também é lembrado em monumentos de outros municípios sul-mato-grossenses.
Entre os eventos culturais do município estão o Arraiá de Nioaque, festa junina realizada anualmente com shows e destinação beneficente da arrecadação, e as festividades de emancipação em 18 de julho, que reúnem serviços à comunidade e atividades esportivas e culturais. A devoção a Santa Rita de Cássia, padroeira municipal, integra o calendário religioso local.