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PRISM é o codinome de um programa pelo qual a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, a NSA, coleta comunicações da Internet junto a empresas de serviços de internet do país. O programa também tem a designação SIGAD US-984XN. O PRISM coleta comunicações armazenadas por meio de solicitações a empresas como Google e Apple, feitas com base na seção 702 da Lei de Emendas à FISA de 2008, para que entreguem os dados que correspondam a termos de busca aprovados judicialmente. Essas solicitações permitem à NSA, entre outras coisas, obter comunicações que estavam criptografadas quando passaram pelo backbone da internet, concentrar-se em dados armazenados que os sistemas de filtragem de telecomunicações haviam descartado e receber dados mais fáceis de processar.
O PRISM começou em 2007, após a aprovação da Lei de Proteção dos Estados Unidos, durante o governo de George W. Bush. O programa funciona sob a supervisão do Tribunal de Vigilância de Inteligência Estrangeira dos Estados Unidos, chamado de Tribunal FISA ou FISC, nos termos da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira, a FISA. Sua existência foi revelada seis anos depois por Edward Snowden, que trabalhava para a NSA como terceirizado. Snowden advertiu que a coleta de dados em massa era muito mais extensa do que o público sabia e abrangia atividades que qualificou como "perigosas" e "criminosas". As revelações foram publicadas pelo The Guardian e pelo The Washington Post em 6 de junho de 2013. Documentos divulgados depois mostraram pagamentos de milhões de dólares entre a divisão de Operações de Fontes Especiais da NSA, a SSO, e os parceiros do PRISM.
Nos documentos da NSA, o PRISM era "a principal fonte de inteligência bruta usada nos relatórios analíticos da NSA" e fornecia 91% do tráfego de internet obtido pela agência com base na seção 702 da FISA. O vazamento ocorreu após a revelação de que o Tribunal FISA vinha ordenando a uma subsidiária da empresa de telecomunicações Verizon Communications que entregasse à NSA os registros de todas as chamadas telefônicas de seus clientes.
Autoridades do governo dos Estados Unidos contestaram as críticas ao PRISM nas reportagens do Guardian e do Washington Post. Em defesa do programa, afirmaram que ele não poderia ser usado contra alvos dentro do país sem um mandado judicial, que havia ajudado a impedir atos de terrorismo e que estava sujeito à fiscalização independente dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo do governo federal. Em 19 de junho de 2013, durante uma visita à Alemanha, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que a coleta de dados pela NSA constituía "um sistema restrito e delimitado, voltado a nos permitir proteger nosso povo".
Edward Snowden revelou a existência do PRISM ao entregar documentos sigilosos a jornalistas do The Washington Post e do The Guardian, quando ainda trabalhava como terceirizado da NSA. Ele fugiu para Hong Kong. Entre os documentos estavam 41 slides de PowerPoint, dos quais quatro foram publicados nas reportagens.
Os documentos listavam as empresas de tecnologia participantes do PRISM e os anos em que começaram a participar do programa, com a Microsoft em 2007, o Yahoo! em 2008, o Google, o Facebook e o Paltalk em 2009, o YouTube em 2010, a AOL e o Skype em 2011 e a Apple em 2012. As notas destinadas ao apresentador, no documento examinado pelo The Washington Post, diziam que "98% da produção do PRISM se baseia no Yahoo, no Google e na Microsoft".
Grande parte das comunicações eletrônicas do mundo passa pelos Estados Unidos. Os dados tendem a seguir a rota mais barata, que nem sempre é a mais curta, e a maior parte da infraestrutura mundial da internet está nos Estados Unidos. Isso permite aos analistas de inteligência americanos interceptar as comunicações de alvos estrangeiros quando seus dados entram nos Estados Unidos ou passam pelo país.
Outras revelações de Snowden apontaram que órgãos governamentais como o GCHQ, do Reino Unido, também interceptavam e rastreavam em massa dados da internet e de outras comunicações. A Alemanha afirmou que, se verdadeiras, essas informações seriam "um pesadelo". Snowden acusou a NSA de realizar atividades "perigosas" e "criminosas" ao invadir redes de infraestrutura civil em outros países, como "universidades, hospitais e empresas privadas". Ele também afirmou que as regras de conformidade pouco limitavam a coleta em massa, inclusive de dados de americanos, pois as restrições "se baseiam em políticas, não em limitações técnicas, e podem mudar a qualquer momento". Acrescentou que "as auditorias são superficiais, incompletas e facilmente enganadas por justificativas falsas". Havia muitas exceções que a própria agência concedia a si mesma, e suas políticas incentivavam os funcionários a presumir que a coleta era permitida em casos de dúvida.
Os slides abaixo, divulgados por Edward Snowden, mostram como o PRISM funciona. Neles, "FAA" se refere à Lei de Emendas à FISA, sobretudo à sua seção 702. Não se trata da Administração Federal de Aviação, que usa a mesma sigla.
O jornal francês Le Monde divulgou outros slides do PRISM em 21 de outubro de 2013, nas páginas 4, 7 e 8 da apresentação "PRISM/US-984XN Overview". O jornal britânico The Guardian publicou novos slides em novembro de 2013, nas páginas 3 e 6. Eles comparam o PRISM com o programa Upstream e abordam a cooperação entre o Centro de Operações de Ameaças da NSA e o FBI.

O PRISM é um programa da divisão de Operações de Fontes Especiais da NSA, a SSO. Desde a década de 1970, a NSA mantém alianças de inteligência com até 100 empresas americanas de sua confiança. Um programa anterior, o Programa de Vigilância de Terroristas, foi implantado após os atentados de 11 de setembro, durante o governo de George W. Bush. Ele recebeu muitas críticas e foi contestado por sua suposta ilegalidade, pois dispensava mandados do Tribunal de Vigilância de Inteligência Estrangeira. O PRISM recebeu autorização desse tribunal.
O programa foi viabilizado durante o governo do presidente Bush pela Lei de Proteção dos Estados Unidos de 2007 e pela Lei de Emendas à FISA de 2008, que protege empresas privadas contra ações judiciais quando cooperam com órgãos do governo americano na coleta de informações de inteligência. Em 2012, durante o governo do presidente Obama, o Congresso renovou a lei por mais cinco anos, até dezembro de 2017. O The Register afirmou que a Lei de Emendas à FISA de 2008 "autoriza expressamente as agências de inteligência a monitorar telefonemas, e-mails e outras comunicações de cidadãos americanos por até uma semana sem obter um mandado", quando um dos participantes está fora dos Estados Unidos.
O relatório mais detalhado sobre o PRISM foi publicado em 2 de julho de 2014 pelo Conselho de Supervisão da Privacidade e das Liberdades Civis, o PCLOB. Ele examina a coleta de informações pela NSA com base na seção 702 da FAA.
O PRISM coleta comunicações da internet, sem abranger conversas telefônicas. A coleta dessas comunicações é direcionada. Só podem ser obtidas mensagens enviadas ou recebidas por seletores específicos, como endereços de e-mail. O programa não realiza coleta com base em palavras-chave ou nomes.
A coleta é feita pela Unidade de Tecnologia de Interceptação de Dados do FBI, a DITU, que envia os seletores em nome da NSA a provedores americanos de serviços de internet previamente notificados por uma diretiva da seção 702. Essa diretiva obriga o provedor a entregar à DITU todas as comunicações enviadas ou recebidas pelos seletores fornecidos pelo governo. A DITU encaminha as comunicações à NSA, que as armazena em bancos de dados diferentes conforme seu tipo.
Os dados já coletados pelo PRISM, tanto conteúdo quanto metadados, podem ser pesquisados por identificadores de pessoas americanas ou estrangeiras. Essas consultas ficaram conhecidas como "buscas pela porta dos fundos" e são feitas pela NSA, pelo FBI e pela CIA. Cada agência adota protocolos e salvaguardas ligeiramente diferentes para consultas com identificadores de pessoas americanas.
Slides de apresentações internas da NSA divulgados pela imprensa mostravam que a agência podia acessar dados unilateralmente e realizar "vigilância extensa e aprofundada de comunicações em tempo real e de informações armazenadas". Os exemplos abrangiam e-mails, conversas por vídeo e voz, vídeos, fotos, chamadas de voz sobre IP, como as do Skype, transferências de arquivos e informações de redes sociais. Snowden resumiu: "Em geral, a realidade é esta: se um analista da NSA, do FBI, da CIA, da DIA etc. tem acesso para consultar bancos de dados brutos de inteligência de sinais, pode entrar e obter resultados sobre o que quiser".
Os analistas pesquisavam os dados do PRISM com termos destinados a encontrar comunicações suspeitas de alvos que, em sua avaliação, tinham pelo menos 51% de probabilidade de não serem cidadãos americanos. Nesse processo, as comunicações de alguns cidadãos americanos também eram coletadas sem intenção. O material de treinamento orientava os analistas a relatar periodicamente essa coleta acidental de dados americanos sem relação com o exterior, mas dizia que "não há motivo para preocupação".
A NSA tinha acesso a conversas e e-mails do Hotmail.com e do Skype porque a Microsoft havia "desenvolvido um recurso de vigilância para lidar" com a interceptação de conversas. A coleta do PRISM nos serviços de e-mail da Microsoft não seria afetada pela criptografia, "porque o PRISM coleta esses dados antes da criptografia".
Glenn Greenwald, do The Guardian, afirmou que até analistas de escalões inferiores da NSA podiam pesquisar e ouvir as comunicações de americanos e de outras pessoas sem autorização ou supervisão judicial. Para Greenwald, sistemas como o PRISM permitiam a esses analistas acessar "quaisquer e-mails que queiram, quaisquer chamadas telefônicas, históricos de navegação, documentos do Microsoft Word. E tudo isso sem precisar recorrer a um tribunal, sem sequer precisar da aprovação de um supervisor".
Ele acrescentou que o banco de dados da NSA, com anos de comunicações coletadas, permitia aos analistas pesquisar e ouvir "as chamadas ou ler os e-mails de tudo o que a NSA armazenou, ou examinar os históricos de navegação ou os termos de busca que você digitou no Google, e também os alerta sobre qualquer atividade futura das pessoas relacionadas àquele endereço de e-mail ou àquele endereço IP". Nessas declarações, Greenwald se referia ao programa XKeyscore, da NSA.
| Designação | Base legal | Alvos principais | Tipos de informação coletada | Bancos de dados usados | Software usado |
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| US-984XN | Seção 702 da Lei de Emendas à FISA, a FAA | Entre os alvos conhecidos estão
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O tipo exato de dados depende do provedor.
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Bancos de dados conhecidos
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Software conhecido |
Pouco depois da publicação das reportagens do The Guardian e do The Washington Post, o diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, James Clapper, divulgou uma nota em 7 de junho de 2013. Nela, confirmou que o governo americano usava grandes empresas de serviços de internet, como o Facebook, havia quase seis anos para coletar informações sobre estrangeiros fora dos Estados Unidos como defesa contra ameaças à segurança nacional. A nota dizia: "As reportagens do The Guardian e do The Washington Post se referem à coleta de comunicações nos termos da seção 702 da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira. Elas contêm muitas imprecisões". Clapper prosseguiu: "A seção 702 é um dispositivo da FISA destinado a facilitar a obtenção de informações de inteligência estrangeira sobre pessoas não americanas que estejam fora dos Estados Unidos. Ela não pode ser usada para visar intencionalmente qualquer cidadão americano, qualquer outra pessoa americana ou qualquer pessoa que esteja nos Estados Unidos". Ele concluiu: "A divulgação não autorizada de informações sobre esse programa relevante e inteiramente legal é repreensível e põe em risco proteções essenciais à segurança dos americanos". Em 12 de março de 2013, Clapper havia dito à Comissão de Inteligência do Senado dos Estados Unidos que a NSA "não coletava deliberadamente" nenhum tipo de dado sobre milhões ou centenas de milhões de americanos. Mais tarde, admitiu que essa declaração era mentira. Em suas palavras: "Respondi da maneira que me pareceu mais verdadeira, ou menos inverídica, ao dizer não".
Em 7 de junho de 2013, o presidente Barack Obama se referiu ao PRISM e ao programa de registro de chamadas telefônicas da NSA: "O que temos são dois programas que foram originalmente autorizados pelo Congresso e receberam repetidas autorizações do Congresso. Maiorias dos dois partidos os aprovaram. O Congresso é informado continuamente sobre como eles são conduzidos. Há todo um conjunto de salvaguardas. E juízes federais supervisionam o programa inteiro o tempo todo". Ele também afirmou: "Não se pode ter 100% de segurança e, ao mesmo tempo, 100% de privacidade e nenhum inconveniente. Como sociedade, teremos de fazer algumas escolhas". Obama disse ainda que a coleta de dados pelo governo era necessária para capturar terroristas. Em declarações separadas, altos funcionários de seu governo, cujos nomes não foram divulgados, afirmaram que o Congresso havia recebido 13 apresentações sobre os programas desde 2009.
Em 8 de junho de 2013, Clapper fez outra declaração pública sobre o PRISM e divulgou uma ficha informativa com detalhes do programa. Ele o chamou de "um sistema computacional interno do governo usado para facilitar a coleta de informações de inteligência estrangeira legalmente autorizada junto a provedores de serviços de comunicação eletrônica, sob supervisão judicial, conforme a seção 702 da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira, a FISA, 50 U.S.C. § 1881a". A ficha afirmava que "as atividades de vigilância publicadas no The Guardian e no Washington Post são legais e realizadas com base em competências amplamente conhecidas e discutidas, plenamente debatidas e autorizadas pelo Congresso". Dizia também que "o governo dos Estados Unidos não obtém unilateralmente informações dos servidores de provedores americanos de serviços de comunicação eletrônica. Todas essas informações são obtidas com a aprovação do Tribunal FISA e com o conhecimento do provedor, com base em uma diretiva escrita do procurador-geral e do diretor de Inteligência Nacional". O documento afirmava que o procurador-geral fornecia ao Congresso decisões do Tribunal FISA e relatórios semestrais sobre as atividades do PRISM, "oferecendo um grau sem precedentes de prestação de contas e transparência". Os senadores democratas Mark Udall e Ron Wyden, integrantes da Comissão de Inteligência do Senado, criticaram a ficha por apresentar as proteções à privacidade dos americanos como mais fortes do que realmente eram. O diretor da NSA, general Keith Alexander, reconheceu os erros e afirmou que a ficha "poderia ter apresentado com maior precisão" as exigências para a coleta de e-mails e de outros conteúdos da internet junto a empresas americanas. Ela foi retirada do site da NSA por volta de 26 de junho.
Em 13 de junho de 2013, durante uma audiência da Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes, o diretor do FBI, Robert Mueller, disse que os vazamentos de Snowden haviam causado "graves danos à nossa nação e à nossa segurança". Ao defender os programas no Senado, Alexander afirmou que a coleta de registros telefônicos havia sido essencial para confirmar informações obtidas pelo PRISM e ajudara a impedir dezenas de atentados. Os senadores Udall e Wyden contestaram essa defesa, afirmando que não haviam visto provas de que a coleta em massa de registros telefônicos produzira informações que não pudessem ser obtidas por outros meios. Em nota conjunta, escreveram: "O depoimento de ontem do general Alexander deu a entender que o programa da NSA de coleta em massa de registros telefônicos ajudou a impedir 'dezenas' de atentados terroristas, mas todos os planos que ele mencionou parecem ter sido descobertos por outros métodos de coleta".
Em 18 de junho, em uma audiência pública da Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes, Alexander afirmou que a vigilância de comunicações havia ajudado a impedir mais de 50 possíveis atentados terroristas no mundo entre 2001 e 2013. Pelo menos dez envolviam suspeitos de terrorismo ou alvos nos Estados Unidos. Ele disse que o programa PRISM de vigilância do tráfego da internet havia auxiliado em mais de 90% desses casos. Um dos exemplos que citou, um plano da Al-Qaeda contra a Bolsa de Valores de Nova York, não havia sido frustrado pela vigilância, como se verificava nos autos judiciais. Senadores escreveram a Clapper pedindo outros exemplos.
Funcionários dos serviços de inteligência americanos, sob condição de anonimato, disseram à imprensa que, em 24 de junho, já percebiam sinais de que suspeitos de terrorismo haviam começado a mudar sua forma de se comunicar para evitar as ferramentas de vigilância reveladas por Snowden.
No dia seguinte à divulgação do PRISM, os líderes do Congresso fizeram poucos comentários sobre o programa. Na véspera, haviam reagido de forma rápida e contundente às denúncias de que o governo monitorava os registros telefônicos de cidadãos americanos. Alguns parlamentares se recusaram a discutir o PRISM por sua classificação ultrassecreta, enquanto outros disseram desconhecer sua existência. Após as declarações do presidente e do diretor de Inteligência Nacional, parlamentares passaram a se pronunciar.
Senador John McCain, republicano do Arizona
Senadora Dianne Feinstein, democrata da Califórnia e presidente da Comissão de Inteligência do Senado
Senador Rand Paul, republicano do Kentucky
Senadora Susan Collins, republicana do Maine, integrante da Comissão de Inteligência do Senado e ex-integrante da Comissão de Segurança Interna
Deputado Jim Sensenbrenner, republicano de Wisconsin e principal proponente da Lei Patriota
Deputado Mike Rogers, republicano de Michigan e presidente da Comissão Permanente de Inteligência da Câmara dos Representantes
Senador Mark Udall, democrata do Colorado
Deputado Todd Rokita, republicano de Indiana
Deputado Luis Gutiérrez, democrata de Illinois
Senador Ron Wyden, democrata do Oregon
Após essas declarações, parlamentares dos dois partidos advertiram as autoridades de segurança nacional, durante uma audiência da Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes, de que precisavam mudar o uso dos extensos programas de vigilância da NSA. Caso contrário, poderiam perder os dispositivos da FISA que permitiam a coleta em massa de metadados telefônicos. "A seção 215 expira no fim de 2015 e, a menos que vocês reconheçam que têm um problema, ela não será renovada", advertiu Jim Sensenbrenner, autor da Lei Patriota. "Ela precisa mudar, e vocês precisam mudar a forma como aplicam a seção 215. Caso contrário, daqui a dois anos e meio, não poderão mais contar com ela".
Os documentos sigilosos vazados mostraram como um tribunal especial viabilizava os programas secretos de vigilância do governo, mas seus integrantes negaram agir em colaboração com o Executivo. Em julho de 2013, o The New York Times noticiou que, em "mais de uma dúzia de decisões sigilosas, o tribunal de vigilância do país criou um conjunto secreto de normas que concede à Agência de Segurança Nacional o poder de acumular grandes volumes de dados sobre americanos, investigando suspeitos de terrorismo e também pessoas possivelmente envolvidas em proliferação nuclear, espionagem e ataques cibernéticos". Parlamentares pediram que o Tribunal FISA divulgasse versões de suas decisões sem informações sigilosas. O tribunal rejeitou os pedidos sob o argumento de que as decisões continham informações classificadas. Seu presidente, Reggie Walton, afirmou em nota: "A ideia de que o tribunal apenas chancela pedidos é absolutamente falsa. Há um processo rigoroso de análise das solicitações do Executivo, conduzido inicialmente por cinco advogados do Judiciário especializados em segurança nacional e, depois, pelos juízes, para garantir que as autorizações do tribunal respeitem o que as leis aplicáveis permitem". Walton voltou a rejeitar essa acusação em carta ao senador Patrick J. Leahy: "As estatísticas anuais fornecidas ao Congresso pelo procurador-geral [...], frequentemente citadas pela imprensa para dar a entender que o tribunal aprova mais de 99% dos pedidos, mostram apenas o número de solicitações finais apresentadas ao tribunal e por ele examinadas. Essas estatísticas não mostram que muitos pedidos são alterados antes da apresentação final, ou nem chegam a ser apresentados, muitas vezes após um juiz sinalizar que não os aprovaria".
As Forças Armadas dos Estados Unidos reconheceram ter bloqueado o acesso a partes do site do The Guardian para milhares de funcionários da defesa em todo o país e ao site inteiro para o pessoal lotado no Afeganistão, no Oriente Médio e no sul da Ásia. Um porta-voz afirmou que eram filtradas reportagens e outros conteúdos sobre os programas de vigilância do governo para preservar a "higiene da rede" e impedir que material sigiloso chegasse às partes não classificadas dos sistemas de informática militares. Quando o bloqueio ao The Guardian foi noticiado, o acesso ao The Washington Post, que também havia publicado informações sobre os programas sigilosos revelados por Snowden, permanecia liberado.
O ex-chefe do Escritório Federal de Proteção da Constituição e Combate ao Terrorismo da Áustria, Gert-René Polli, afirmou que conhecia o PRISM por outro nome e que também haviam ocorrido atividades de vigilância na Áustria. Em 2009, Polli havia declarado publicamente que recebera pedidos de agências de inteligência americanas para realizar ações que violariam a lei austríaca, mas se recusara a autorizá-las.
O governo australiano anunciou que investigaria as consequências do PRISM e do uso da instalação de vigilância de Pine Gap para a privacidade de seus cidadãos. O ex-ministro das Relações Exteriores Bob Carr disse que os australianos não deveriam se preocupar com o PRISM, mas que a segurança cibernética estava entre as prioridades do governo. A ministra das Relações Exteriores Julie Bishop qualificou os atos de Edward Snowden como traição e defendeu com firmeza a cooperação de inteligência de seu país com os Estados Unidos.
A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, reagiu às revelações de Snowden de que a NSA espionava suas chamadas telefônicas e seus e-mails cancelando uma visita de Estado aos Estados Unidos prevista para outubro de 2013. Ela exigiu um pedido oficial de desculpas, que ainda não havia sido feito em 20 de outubro de 2013. Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 24 de setembro de 2013, Rousseff qualificou a espionagem como inaceitável e a condenou em termos duros. A espionagem prejudicou a proposta da Boeing na disputa por um contrato de US$ 4,5 bilhões para a venda de caças ao Brasil, vencida pelo grupo sueco Saab.
A NSA também havia interceptado e armazenado e-mails e registros telefônicos de milhões de brasileiros. O Senado instalou a CPI da Espionagem para investigar as denúncias de monitoramento de dados do governo brasileiro e da Petrobras. A comissão procurou esclarecer se empresas haviam participado das interceptações de e-mails e telefonemas e como elas eram feitas. Em 24 de setembro de 2013, aprovou audiências com representantes da Telefônica, GVT, Oi, TIM, Google Brasil, Facebook Brasil e Microsoft.
O CSEC, órgão canadense de inteligência de sinais, também espionou o Ministério de Minas e Energia do Brasil. Os dados foram apresentados em junho de 2012, em uma conferência da aliança Cinco Olhos, formada pelos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

O Communications Security Establishment, o CSE, órgão nacional de criptologia do Canadá, afirmou que comentar o PRISM "comprometeria a capacidade do CSE de cumprir suas atribuições". A comissária de Privacidade, Jennifer Stoddart, criticou as normas canadenses de proteção à privacidade na internet. Em seu relatório, escreveu: "Ficamos muito para trás. Enquanto as autoridades de proteção de dados de outros países têm poder legal para emitir ordens obrigatórias, aplicar multas pesadas e tomar medidas efetivas em caso de violações graves de dados, estamos restritos a uma abordagem 'branda', com persuasão, incentivo e, no máximo, a possibilidade de divulgar os nomes dos infratores em nome do interesse público". Ela acrescentou: "Quando a situação aperta, a não ser por uma disputa judicial cara e demorada, não temos poder para fazer cumprir nossas recomendações".
Em 20 de outubro de 2013, uma comissão do Parlamento Europeu apoiou uma medida que, se aprovada, obrigaria empresas americanas a obter autorização das autoridades europeias antes de cumprir mandados dos Estados Unidos para fornecer dados privados. A proposta estava em discussão havia dois anos. A votação fazia parte dos esforços europeus para proteger os cidadãos da vigilância na internet após as revelações sobre um extenso programa de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos. A Alemanha e a França também mantinham conversas sobre como impedir que o tráfego europeu de e-mails passasse por servidores americanos.
Em 21 de outubro de 2013, o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, convocou o embaixador americano Charles Rivkin ao Quai d'Orsay, em Paris, para protestar contra a espionagem em larga escala de cidadãos franceses pela NSA. Promotores de Paris haviam aberto investigações preliminares sobre o programa em julho, mas Fabius afirmou: "[...] É evidente que precisamos ir além" e "Precisamos garantir rapidamente que essas práticas não se repitam".
A Alemanha não recebia dados brutos do PRISM. Ao explicar a natureza do programa, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse que "a internet é nova para todos nós". Matthew Schofield, do McClatchy Washington Bureau, escreveu que ela "foi amplamente ridicularizada por essa declaração". Gert-René Polli, ex-funcionário austríaco de combate ao terrorismo, afirmou em 2013 que era "absurdo e antinatural" as autoridades alemãs fingirem não saber de nada. O Exército alemão já usava um programa chamado PRISM para apoiar suas operações no Afeganistão em 2011.
Em outubro de 2013, a imprensa noticiou que a NSA monitorava o celular de Merkel. Os Estados Unidos negaram a informação, mas, após as denúncias, Merkel telefonou a Obama e lhe disse que espionar amigos "nunca é aceitável, em nenhuma situação".
O jornal israelense Calcalist discutiu uma reportagem do Business Insider sobre a possível participação de tecnologias de duas empresas israelenses de atuação pouco conhecida no PRISM, a Verint Systems e a Narus.
Após tomar conhecimento do PRISM, o governo mexicano começou a desenvolver seu próprio programa de espionagem de cidadãos. Jenaro Villamil, jornalista da revista Proceso, afirmou que o CISEN, órgão de inteligência do México, havia começado a trabalhar com a IBM e a Hewlett-Packard no desenvolvimento de um software de coleta de dados. "Facebook, Twitter, e-mails e outras redes sociais serão prioridade".
Na Nova Zelândia, Hank Wolfe, professor associado de ciência da informação da Universidade de Otago, afirmou: "Sob o que era conhecido informalmente como a aliança Cinco Olhos, a Nova Zelândia e outros governos, entre eles os Estados Unidos, a Austrália, o Canadá e o Reino Unido, lidavam com a espionagem interna dizendo que não a faziam. Mas todos os parceiros a fazem por eles, e depois compartilham todas as informações".
Em uma transmissão ao vivo pelo Google Hangouts com Kim Dotcom e Julian Assange, Edward Snowden afirmou ter recebido informações de inteligência da Nova Zelândia e disse que a NSA mantinha postos de escuta no país.
Em uma reunião de líderes da União Europeia na semana de 21 de outubro de 2013, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, afirmou que "atividades de espionagem não são apropriadas entre países parceiros e aliados". Em 28 de outubro, o governo da Espanha convocou o embaixador americano James Costos para discutir as denúncias de que os Estados Unidos haviam coletado dados de 60 milhões de chamadas telefônicas no país. Em outra declaração, o secretário de Estado espanhol Íñigo Méndez de Vigo defendeu "um equilíbrio necessário" entre segurança e privacidade, mas afirmou que as denúncias de espionagem, "se comprovadas, são impróprias e inaceitáveis entre parceiros e países amigos".
O Government Communications Headquarters, o GCHQ, do Reino Unido, que também tinha seu próprio programa de vigilância, o Tempora, teve acesso ao PRISM em junho de 2010 ou antes. Só em 2012, produziu 197 relatórios com seu uso. A Comissão de Inteligência e Segurança do Parlamento britânico examinou os relatórios que o GCHQ elaborou com informações solicitadas aos Estados Unidos. Em todos os casos, encontrou um mandado de interceptação compatível com as salvaguardas da legislação britânica.
Em agosto de 2013, técnicos do GCHQ foram à sede do The Guardian, onde ordenaram e supervisionaram a destruição dos discos rígidos que continham informações recebidas de Snowden.
As primeiras reportagens do Washington Post e do Guardian sobre o PRISM citaram um documento vazado que apresentava o programa como uma forma de coletar dados "diretamente dos servidores" de grandes provedores de serviços de internet.
Executivos de empresas citadas nos documentos vazados disseram ao The Guardian que desconheciam especificamente o PRISM e negaram fornecer informações ao governo na escala mencionada pela imprensa. O TechCrunch e o The Washington Post publicaram as seguintes declarações das empresas:
Diante das negativas das empresas de que a NSA pudesse acessar diretamente seus servidores, o The New York Times noticiou que a agência obtinha dados delas por outros meios técnicos, em resposta a ordens judiciais para conjuntos específicos de informações. O The Washington Post levantou a hipótese de que "o conflito entre os slides do PRISM e os porta-vozes das empresas resulte de uma imprecisão do autor da NSA. Em outro relatório sigiloso obtido pelo Post, o acordo permite que 'gerentes de coleta [enviem] instruções de tarefas relativas a conteúdo diretamente a equipamentos instalados em locais controlados pelas empresas', e não diretamente aos servidores das empresas". Nesse contexto, "direto" poderia significar que a NSA recebia dados enviados deliberadamente pelas empresas de tecnologia, sem precisar interceptar comunicações em trânsito para outro destino.
"Se essas empresas receberam uma ordem nos termos da Lei de Emendas à FISA, a lei as proíbe de divulgar que a receberam ou qualquer informação sobre ela", disse Mark Rumold, advogado da Electronic Frontier Foundation, à ABC News.
Em 28 de maio de 2013, a juíza federal Susan Illston ordenou ao Google que cumprisse uma Carta de Segurança Nacional emitida pelo FBI para obter dados de usuários sem mandado judicial. Em entrevista ao VentureBeat, Kurt Opsahl, advogado sênior da Electronic Frontier Foundation, afirmou: "Certamente aprecio que o Google tenha publicado um relatório de transparência, mas parece que essa transparência não abrangia isso. Eu não ficaria surpreso se eles estivessem sujeitos a uma ordem de sigilo".
Em 7 de junho de 2013, o The New York Times noticiou que "o Twitter se recusou a facilitar as coisas para o governo. Mas outras empresas foram mais receptivas, afirmaram pessoas informadas sobre as negociações". Essas empresas discutiram com funcionários da segurança nacional formas de disponibilizar os dados com mais eficiência e segurança. Em alguns casos, alteraram seus sistemas para apoiar a coleta de inteligência. As conversas haviam prosseguido nos meses anteriores, e o general Martin Dempsey, chefe do Estado-Maior Conjunto, se reunira com executivos do Facebook, da Microsoft, do Google e da Intel. Os detalhes das negociações ajudavam a explicar a diferença entre as primeiras informações sobre o programa, como o slide de treinamento que dizia "Coleta diretamente dos servidores", e as negativas das empresas.
Fornecer dados em resposta a um pedido legítimo da FISA aprovado pelo Tribunal FISA é uma obrigação legal. Alterar os sistemas para facilitar a coleta pelo governo não é. Por isso, o Twitter pôde se recusar legalmente a oferecer um mecanismo aprimorado de transmissão de dados. Pessoas informadas sobre as negociações disseram que, na prática, as outras empresas receberam um pedido para construir uma caixa de correio trancada e entregar a chave ao governo. O Facebook, por exemplo, construiu um sistema desse tipo para solicitar e compartilhar informações. O Google não oferecia esse sistema, mas transmitia os dados exigidos por entrega em mãos ou por SSH.
Após a repercussão das reportagens sobre o compartilhamento de dados, empresas pediram autorização para divulgar mais informações sobre a natureza e a abrangência dos dados fornecidos em resposta a solicitações de segurança nacional.
Em 14 de junho de 2013, o Facebook informou que o governo dos Estados Unidos havia autorizado a divulgação dos números "de forma agregada e em intervalos". Em comunicado no site da empresa, afirmou: "Nos seis meses encerrados em 31 de dezembro de 2012, o número total de pedidos de dados de usuários que o Facebook recebeu de todos os órgãos governamentais dos Estados Unidos, nos níveis municipal, estadual e federal, incluindo pedidos relacionados a investigações criminais e à segurança nacional, ficou entre 9.000 e 10.000". Os pedidos abrangiam "entre 18.000 e 19.000" contas, "uma pequena fração de 1%" de suas mais de 1,1 bilhão de contas ativas.
No mesmo dia, a Microsoft informou que, no mesmo período, havia recebido "entre 6.000 e 7.000 mandados, intimações e ordens relativos a investigações criminais e à segurança nacional, abrangendo entre 31.000 e 32.000 contas de consumidores, de órgãos governamentais americanos nos níveis municipal, estadual e federal". Esses pedidos atingiam "uma pequena fração da base mundial de clientes da Microsoft".
O Google criticou a exigência de divulgar os dados de forma agregada. Afirmou que reunir os pedidos de segurança nacional e os de investigações criminais seria "um retrocesso" em relação à divulgação mais detalhada de seu relatório de transparência. A empresa disse que insistiria em obter autorização do governo para publicar a quantidade e a abrangência dos pedidos feitos com base na FISA.
A Cisco Systems sofreu uma forte queda nas exportações devido ao receio de que a NSA pudesse usar portas dos fundos em seus produtos.
Em 12 de setembro de 2014, o Yahoo! informou que o governo americano havia ameaçado multá-lo em US$ 250.000 por dia caso não entregasse dados de usuários como parte do PRISM. Não se sabia se outras empresas haviam sido ameaçadas ou multadas por deixar de fornecer dados em resposta a pedidos legítimos da FISA.

O conselho editorial do The New York Times afirmou que o governo Obama "perdeu toda a credibilidade nessa questão" e lamentou que, "durante anos, os integrantes do Congresso ignoraram os indícios de que a coleta interna de inteligência havia escapado ao seu controle e, mesmo agora, poucos parecem incomodados ao saber que cada detalhe dos hábitos do público ao telefonar e enviar mensagens está em um banco de dados da NSA". Ao tratar do Tribunal FISA no contexto do PRISM, o jornal afirmou que combinar "sigilo judicial com uma apresentação unilateral das questões" era "uma distorção do sistema de justiça americano". Para o jornal, "o resultado é um tribunal cujo alcance se expande muito além de suas atribuições originais e sem qualquer controle efetivo".
James Robertson, ex-juiz federal em Washington, integrou o tribunal secreto da FISA por três anos, entre 2002 e 2005, e decidiu contra o governo Bush no caso Hamdan v. Rumsfeld. Ele afirmou que o tribunal era independente, mas tinha falhas porque apenas o governo apresentava efetivamente seus argumentos nas deliberações. "Qualquer pessoa que já tenha sido juiz dirá que um juiz precisa ouvir os dois lados de um caso", afirmou. Sem isso, os magistrados não dispunham do debate contraditório. Robertson propôs a participação de um advogado autorizado a acessar informações sigilosas, que contestaria os pedidos do governo. Também questionou se o tribunal deveria dar aprovação jurídica geral aos programas de vigilância, afirmando que ele "se transformou em algo parecido com um órgão administrativo". A Lei de Emendas à FISA de 2008 ampliou os poderes do governo americano ao fazer com que o tribunal aprovasse sistemas inteiros de vigilância, em lugar de examinar apenas os mandados individuais de que cuidava antes. "O tribunal passou a aprovar a vigilância por programas. Não acho que isso seja uma função judicial". Robertson disse ainda ter ficado "francamente atônito" com a reportagem do The New York Times de que as decisões do tribunal haviam criado novas normas que ampliavam a capacidade da NSA de vigiar terroristas e também suspeitos de espionagem, ataques cibernéticos e atividades relacionadas a armas de destruição em massa.
Em um artigo de opinião no The Guardian, a ex-analista da CIA Valerie Plame Wilson e o ex-diplomata americano Joseph Wilson escreveram: "O PRISM e outros programas de mineração de dados da NSA podem de fato ser muito eficazes para localizar e capturar terroristas, mas, como sociedade, não temos informações suficientes para chegar a essa conclusão".
A Electronic Frontier Foundation, a EFF, organização internacional sem fins lucrativos dedicada aos direitos digitais e sediada nos Estados Unidos, disponibilizou uma ferramenta para que moradores do país escrevessem a seus representantes no governo manifestando oposição à espionagem em massa.
A alegação do governo Obama de que programas como o PRISM e o Boundless Informant haviam sido necessários para impedir atentados terroristas foi contestada. Ed Pilkington e Nicholas Watt, do The Guardian, examinaram o caso de Najibullah Zazi, que planejava um atentado a bomba no metrô de Nova York. Entrevistas com os envolvidos e documentos judiciais americanos e britânicos mostravam que a investigação havia começado por métodos convencionais de vigilância, como informações repassadas pelos serviços de inteligência britânicos, sem depender de pistas produzidas pela vigilância da NSA. Michael Daly, do The Daily Beast, observou que Tamerlan Tsarnaev, autor do atentado à Maratona de Boston com seu irmão Dzhokhar Tsarnaev, havia visitado o site da revista Inspire, ligada à Al-Qaeda. Os serviços de inteligência russos também haviam alertado seus correspondentes americanos sobre Tamerlan, mas o PRISM não impediu o atentado. Daly escreveu: "O problema não é apenas o que a Agência de Segurança Nacional coleta à custa de nossa privacidade, mas o que ela aparentemente não consegue monitorar, à custa de nossa segurança".
Ron Paul, ex-deputado republicano e defensor do libertarianismo, agradeceu a Snowden e a Greenwald e condenou a vigilância em massa como inútil e prejudicial. Defendeu mais transparência nas ações do governo americano. Disse que o Congresso havia sido "negligente ao dar tanto poder ao governo" e que, se tivesse sido eleito presidente, só autorizaria buscas quando houvesse causa provável de um crime, critério que, em sua avaliação, o PRISM não seguia.
O colunista do The New York Times Thomas Friedman defendeu programas limitados de vigilância governamental destinados a proteger os americanos de atentados terroristas:
Sim, preocupo-me com possíveis abusos do governo contra a privacidade em um programa criado para impedir outro 11 de Setembro, abusos que, até agora, não parecem ter ocorrido. Mas me preocupo ainda mais com outro 11 de Setembro. [...] Se houvesse outro 11 de Setembro, temo que 99% dos americanos dissessem a seus representantes no Congresso: "Façam o que for preciso, que se dane a privacidade, só garantam que isso não aconteça de novo". É disso que tenho mais medo.
Por isso, aceito com relutância, muita relutância, que o governo use a mineração de dados para procurar padrões suspeitos em números de telefone chamados e endereços de e-mail, tendo depois de recorrer a um juiz para obter um mandado que permita examinar o conteúdo, sob regras definidas pelo Congresso. Faço essa concessão para evitar o dia em que, por medo, dermos ao governo licença para examinar qualquer pessoa, qualquer e-mail, qualquer telefonema, em qualquer lugar, a qualquer hora.
O comentarista político David Brooks também apresentou os programas governamentais de vigilância de dados como um mal necessário: "Se não houver varreduras de dados em massa, essas agências vão querer voltar às escutas à moda antiga, que são muito mais invasivas".
O comentarista conservador Charles Krauthammer se preocupava menos com a legalidade do PRISM e de outras ferramentas da NSA do que com a possibilidade de abusos sem fiscalização mais rigorosa. "O problema aqui não é a constitucionalidade. [...] Precisamos reforçar a fiscalização do Congresso e a revisão judicial, talvez até com algum controle externo independente. Também precisamos de revisões legislativas periódicas, digamos, de uma nova autorização a cada dois anos, levando em conta a eficácia das salvaguardas e a natureza da ameaça externa. O objetivo não é abolir esses programas vitais. É corrigi-los".
Em seu blog, David Simon, criador da série The Wire, comparou os programas da NSA, entre eles o PRISM, a uma iniciativa da prefeitura de Baltimore na década de 1980. A cidade instalou equipamentos para registrar os números discados em todos os telefones públicos e descobrir para quem seus usuários ligavam. A prefeitura acreditava que traficantes de drogas usavam telefones públicos e pagers, e um juiz municipal autorizou a instalação dos aparelhos. Essa operação inspirou a primeira temporada da série. Simon chamou a repercussão dos programas da NSA na imprensa de "falso escândalo". Ele afirmou que muitos grupos da sociedade americana já enfrentavam vigilância constante do governo.
O ativista político Noam Chomsky, crítico frequente das políticas do governo americano, afirmou: "Os governos não deveriam ter essa capacidade. Mas usarão qualquer tecnologia ao seu alcance para combater seu principal inimigo, que é sua própria população".
Uma pesquisa da CNN e da Opinion Research Corporation, realizada de 11 a 13 de junho de 2013 e divulgada naquele ano, constatou que 66% dos americanos apoiavam o programa de modo geral. Já uma pesquisa da Universidade Quinnipiac, realizada de 28 de junho a 8 de julho de 2013 e divulgada naquele ano, constatou que 45% dos eleitores registrados achavam que os programas de vigilância haviam ido longe demais, enquanto 40% consideravam que não haviam ido longe o suficiente. Em 2010, esses percentuais eram de 25% e 63%, respectivamente. Outras pesquisas registraram mudanças semelhantes na opinião pública à medida que novas informações sobre os programas eram reveladas.
Um estudo divulgado em agosto pela Information Technology and Innovation Foundation estimou que a revelação do PRISM poderia custar à economia americana entre US$ 21,5 bilhões e US$ 35 bilhões em negócios perdidos de computação em nuvem ao longo de três anos.
A descoberta da escala mundial da mineração de dados de comunicações provocou descontentamento em muitos países. Alguns líderes criticaram a NSA, enquanto outros questionaram a vigilância em seus próprios países. Um ministro condenou duramente o programa da agência e atribuiu a Benjamin Franklin a frase: "Quanto mais uma sociedade monitora, controla e observa seus cidadãos, menos livre ela é". Também surgiram questionamentos sobre se a busca por terroristas justificava a perda de privacidade dos cidadãos.
Nick Xenophon, senador independente da Austrália, perguntou ao ministro das Relações Exteriores, Bob Carr, se os endereços de e-mail de parlamentares australianos estavam excluídos do PRISM, do MAINWAY, do MARINA ou do NUCLEON. Carr respondeu que havia leis para proteger os australianos, mas que o governo não comentaria assuntos de inteligência. Xenophon argumentou que isso não respondia especificamente à sua pergunta.
Zabiullah Mujahid, porta-voz do Talibã, afirmou: "Sabíamos de suas tentativas anteriores de rastrear nosso sistema. Usamos nossos recursos técnicos para frustrá-las e, até agora, conseguimos impedir que tivessem sucesso". A CNN noticiou, porém, que grupos terroristas haviam mudado seus "hábitos de comunicação" em resposta aos vazamentos.
Em 2013, a Cloud Security Alliance consultou pessoas envolvidas com computação em nuvem sobre suas reações ao escândalo do PRISM. Cerca de 10% dos residentes fora dos Estados Unidos disseram ter cancelado um projeto com um provedor de nuvem sediado no país após as revelações. Outros 56% afirmaram que estariam menos inclinados a usar um serviço de nuvem americano. A organização previu que os provedores dos Estados Unidos poderiam perder até 26 bilhões de euros e 20% de sua participação nos mercados estrangeiros em razão do escândalo.

As reações de internautas chineses oscilaram entre a preocupação com a perda de liberdade no mundo e a percepção de que a vigilância estatal estava saindo do sigilo. As revelações vieram pouco antes de o presidente americano Barack Obama e o secretário-geral do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, se encontrarem na Califórnia. Questionada sobre invasões de sistemas chineses pela NSA, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou: "A China defende firmemente a segurança cibernética". O jornal Jiefang Daily, pertencente ao partido, comparou a vigilância à de 1984. Os parlamentares de Hong Kong Gary Fan e Claudia Mo escreveram a Obama: "As revelações de vigilância indiscriminada das comunicações mundiais pela principal democracia do mundo prejudicaram a imagem dos Estados Unidos entre os povos que prezam a liberdade". O dissidente chinês Ai Weiwei disse: "Embora saibamos que os governos fazem todo tipo de coisa, fiquei chocado com as informações sobre a operação de vigilância americana, o PRISM. Para mim, é um uso abusivo do poder governamental para interferir na privacidade das pessoas. Este é um momento decisivo para a sociedade internacional reconsiderar e proteger os direitos individuais".
A eurodeputada neerlandesa Sophie in 't Veld chamou o PRISM de "uma violação das leis da União Europeia".


O comissário federal alemão de Proteção de Dados e Liberdade de Informação, Peter Schaar, condenou o programa como "monstruoso". Acrescentou que as declarações da Casa Branca "não me tranquilizam em nada" e que, "diante do grande número de alemães que usam os serviços do Google, Facebook, Apple ou Microsoft, espero que o governo alemão [...] se empenhe em esclarecer e limitar a vigilância". Steffen Seibert, porta-voz da chancelaria, anunciou que Angela Merkel incluiria essas questões nas conversas com Barack Obama durante sua visita prevista a Berlim. Wolfgang Schmidt, ex-tenente-coronel da Stasi, afirmou que a polícia secreta teria visto o programa como "um sonho realizado", pois não dispunha da tecnologia que tornava o PRISM possível. Schmidt se opôs ao programa: "É o cúmulo da ingenuidade pensar que, uma vez coletadas, essas informações não serão usadas. Essa é a natureza das organizações secretas do governo. A única maneira de proteger a privacidade das pessoas é impedir que o governo colete suas informações desde o início". Alemães organizaram protestos, inclusive no Checkpoint Charlie, quando Obama foi discursar em Berlim. Matthew Schofield, do McClatchy Washington Bureau, escreveu: "Os alemães estão consternados com o papel de Obama ao permitir a coleta de tantas informações".
Antonello Soro, presidente da autoridade italiana de proteção de dados pessoais, afirmou que a vigilância indiscriminada "não seria legal na Itália", seria "contrária aos princípios de nossa legislação" e constituiria "uma violação muito grave".
A Comissão Nacional de Informática e Liberdades, a CNIL, autoridade francesa de proteção de dados, ordenou ao Google que alterasse suas políticas de privacidade em três meses, sob pena de multas de até 150.000 euros. A Agência Espanhola de Proteção de Dados, a AEPD, pretendia multar a empresa entre 40.000 e 300.000 euros caso ela não apagasse os dados armazenados sobre usuários espanhóis.
O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, rejeitou as acusações de que os serviços de segurança britânicos burlavam a legislação nacional ao usar informações sobre cidadãos britânicos coletadas pelo PRISM. Ele afirmou: "Todos os dados que obtemos dos Estados Unidos envolvendo cidadãos britânicos estão sujeitos aos controles e às salvaguardas legais apropriados do Reino Unido". David Cameron disse que as agências britânicas que recebiam dados do PRISM agiam dentro da lei: "Estou satisfeito por termos agências de inteligência que fazem um trabalho extraordinariamente relevante para manter este país em segurança e que atuam dentro da lei". Malcolm Rifkind, presidente da Comissão de Inteligência e Segurança do Parlamento, afirmou que as agências precisavam obter autorização legal caso quisessem conhecer o conteúdo de e-mails de pessoas residentes no Reino Unido. O Gabinete do Comissário de Informação, o ICO, adotou uma posição mais cautelosa e anunciou que investigaria o PRISM com outras autoridades europeias de proteção de dados: "Há questões reais sobre até que ponto os órgãos americanos podem acessar dados pessoais de cidadãos britânicos e de outros países europeus. Aspectos da legislação americana que permitem obrigar empresas a fornecer informações a órgãos dos Estados Unidos podem conflitar com a legislação europeia de proteção de dados, inclusive a própria Lei de Proteção de Dados britânica. O ICO levantou essa questão junto a seus correspondentes europeus, e ela está sendo examinada pela Comissão Europeia, que mantém conversas com o governo dos Estados Unidos".
Tim Berners-Lee, inventor da World Wide Web, acusou os governos ocidentais de hipocrisia por espionarem a internet enquanto criticavam outros países por fazer o mesmo. Ele afirmou que a espionagem podia levar as pessoas a evitar o acesso a informações íntimas e privadas que fossem relevantes para elas. Em uma declaração ao Financial Times após as revelações de Snowden, disse: "A vigilância governamental injustificada é uma violação dos direitos humanos fundamentais que ameaça os próprios alicerces de uma sociedade democrática".
O ministro das Relações Exteriores da Índia, Salman Khurshid, defendeu o PRISM: "Isso não é o exame nem o acesso às mensagens em si. É apenas uma análise computadorizada dos padrões das chamadas e dos e-mails enviados. Não se trata de espionar especificamente o conteúdo das mensagens ou das conversas de alguém. Algumas das informações obtidas nessa análise puderam ser usadas para impedir atentados terroristas graves em diferentes países". Suas declarações contradiziam a posição do Ministério das Relações Exteriores, que havia chamado as violações de privacidade de "inaceitáveis". Ao ser questionado sobre as palavras de Khurshid, o então ministro das Comunicações e Tecnologia da Informação, Kapil Sibal, se recusou a comentá-las diretamente, mas afirmou: "Não sabemos a natureza dos dados ou das informações solicitados [como parte do PRISM]. Nem mesmo o Ministério das Relações Exteriores sabe". Na imprensa, a defesa de Khurshid foi interpretada como uma consequência da implantação, pelo governo indiano, do Sistema Central de Monitoramento, o CMS, semelhante ao PRISM.
As declarações de Khurshid foram criticadas pela imprensa indiana e pelo partido de oposição Partido Comunista da Índia, marxista, que afirmou: "O governo da Aliança Progressista Unida deveria ter protestado energicamente contra essa vigilância e essas escutas. É chocante que Khurshid tenha tentado justificá-las. Essa declaração vergonhosa ocorre quando até aliados próximos dos Estados Unidos, como a Alemanha e a França, protestam contra a espionagem de seus países".
O parlamentar P. Rajeev, do Rajya Sabha, disse ao The Times of India: "A ação dos Estados Unidos é uma clara violação da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. Mas Khurshid está tentando justificá-la. E é vergonhosa a rapidez com que o governo da Índia rejeitou o pedido de asilo de Edward Snowden".
Em 8 de junho de 2013, o diretor de Inteligência Nacional divulgou uma ficha informativa que afirmava que o PRISM "não é um programa de coleta ou mineração de dados não divulgado", mas "um sistema computacional interno do governo" usado para facilitar a coleta de informações de inteligência estrangeira "sob supervisão judicial, conforme autorizado pela seção 702 da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira, a FISA, 50 U.S.C. § 1881a". A seção 702 determina que "o procurador-geral e o diretor de Inteligência Nacional podem autorizar conjuntamente, por um período de até um ano a partir da data de entrada em vigor da autorização, o monitoramento de pessoas que se acredite razoavelmente estarem fora dos Estados Unidos para obter informações de inteligência estrangeira". Para autorizar esse monitoramento, os dois precisam obter uma ordem do Tribunal de Vigilância de Inteligência Estrangeira, nos termos da seção 702, ou certificar que "informações de inteligência relevantes para a segurança nacional dos Estados Unidos podem se perder ou não ser obtidas a tempo, e não há tempo para a emissão de uma ordem". Ao solicitar uma ordem, devem certificar ao tribunal que "uma finalidade relevante da coleta é obter informações de inteligência estrangeira". Não precisam especificar quais instalações ou bens serão monitorados.
Após receber a ordem judicial ou determinar que há uma emergência, o procurador-geral e o diretor de Inteligência Nacional podem ordenar a um provedor de serviços de comunicação eletrônica que lhes dê acesso a informações ou instalações para realizar o monitoramento e mantê-lo em sigilo. O provedor pode cumprir a diretiva, recusá-la ou contestá-la no Tribunal FISA. Se a cumprir, fica isento de responsabilidade perante seus usuários pelo fornecimento das informações e recebe reembolso dos custos. Se a recusar, o procurador-geral pode pedir ao tribunal uma ordem para obrigá-lo a cumpri-la. O provedor que descumprir a ordem pode ser punido por desobediência judicial.
O provedor também pode pedir ao Tribunal FISA que anule a diretiva. Se o tribunal negar o pedido e ordenar seu cumprimento, o provedor fica sujeito a punição por desobediência caso se recuse. Ele pode recorrer ao Tribunal de Revisão de Vigilância de Inteligência Estrangeira e, depois, pedir à Suprema Corte que examine a decisão por meio de um pedido de certiorari, sob sigilo.
A Comissão de Inteligência do Senado e os tribunais FISA foram criados para supervisionar as operações de inteligência após a morte de J. Edgar Hoover. Beverly Gage, da revista Slate, escreveu: "Quando foram criados, esses novos mecanismos deveriam impedir os tipos de abuso que homens como Hoover haviam organizado. Mas agora parecem apenas chancelar as ambições expansionistas da comunidade de inteligência. J. Edgar Hoover já não comanda Washington, mas, ao que parece, nem precisávamos dele".
| Data | Autor da ação | Descrição |
|---|---|---|
| 11 de junho de 2013 | União Americana pelas Liberdades Civis | Ação contra a NSA alegando que o "Programa de Rastreamento de Chamadas em Massa" "viola os direitos constitucionais dos americanos à liberdade de expressão, de associação e à privacidade". A ação o caracteriza como vigilância indiscriminada, em violação à Primeira e à Quarta Emendas à Constituição, e afirma que ele "excede a autoridade concedida por 50 U.S.C. § 1861 e, por isso, viola 5 U.S.C. § 706". A Faculdade de Direito de Yale se juntou à ação em nome de sua Clínica de Liberdade de Imprensa e Acesso à Informação. |
| 11 de junho de 2013 | FreedomWatch USA | Ação coletiva contra órgãos e autoridades governamentais apontados como responsáveis pelo PRISM e contra 12 empresas, entre elas Apple, Microsoft, Google, Facebook e Skype, além de seus diretores executivos. As empresas haviam sido apontadas como fornecedoras de grandes volumes de informações sobre as comunicações e os dados de seus usuários à NSA, pelo PRISM ou por programas relacionados. A ação cita a Primeira, a Quarta e a Quinta Emendas à Constituição, além de violação de 18 U.S.C. § 2702, sobre divulgação de registros de comunicações. Pede que o tribunal declare que o programa ultrapassa a autorização legal da seção 215 da Lei Patriota. O grupo representado abrange os autores e
Em novembro de 2017, o tribunal distrital rejeitou a ação. |
| 18 de fevereiro de 2014 | Rand Paul e Freedom Works, Inc. | Ação apresentada ao Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Colúmbia contra o presidente Barack Obama, James R. Clapper, como diretor de Inteligência Nacional, Keith B. Alexander, como diretor da NSA, e James B. Comey, como diretor do FBI. Alegava que os réus violavam a Quarta Emenda ao coletar metadados telefônicos. O processo ficou suspenso enquanto se aguardava o resultado do recurso do governo no caso FreedomWatch USA/Klayman. |
| 2 de junho de 2014 | Elliott J. Schuchardt | Ação apresentada ao Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Oeste da Pensilvânia contra o presidente Barack Obama, James R. Clapper, como diretor de Inteligência Nacional, o almirante Michael R. Rogers, como diretor da NSA, e James B. Comey, como diretor do FBI. Alegava que os réus violavam a Quarta Emenda ao coletar o conteúdo integral de e-mails nos Estados Unidos. Pedia que o tribunal declarasse o programa inconstitucional e concedesse uma ordem para impedi-lo. O tribunal examinava o pedido do governo para rejeitar a ação. |
Laura Donohue, professora de direito do Centro de Direito da Universidade de Georgetown e de seu Centro de Segurança Nacional e Direito, qualificou o PRISM e outros programas de vigilância em massa da NSA como inconstitucionais.
Woodrow Hartzog, pesquisador do Centro de Internet e Sociedade da Faculdade de Direito de Stanford, comentou: "[A ACLU] provavelmente terá de demonstrar danos efetivos à Primeira Emenda, como efeitos inibidores, ou à Quarta Emenda, talvez a violação de uma expectativa razoável de privacidade. [...] Saber com certeza que se está sendo monitorado pelo governo já constitui um dano? Certamente há argumentos a favor disso. Pessoas sob vigilância agem de maneira diferente, perdem autonomia, ficam menos propensas à autoexploração e à reflexão e menos dispostas a participar de atividades centrais da expressão política, como manifestar discordância e criticar o governo. São esses os interesses que a Primeira e a Quarta Emendas procuram proteger".
A seção 702 da Lei de Emendas à FISA, a FAA, é citada nos documentos do PRISM que detalham a interceptação eletrônica, a captura e a análise de metadados. Relatórios e cartas de parlamentares questionam especialmente a legalidade e a constitucionalidade dessa seção, por exemplo, quanto ao monitoramento de pessoas americanas, já que os documentos divulgados afirmam que "as coletas ocorrem nos Estados Unidos".
A ACLU afirmou: "Independentemente dos abusos, o problema da FAA é mais fundamental: a própria lei é inconstitucional".
O senador Rand Paul apresentou a proposta de Lei de Restauração da Quarta Emenda de 2013 para impedir que a NSA ou outros órgãos do governo americano violassem a Quarta Emenda à Constituição dos Estados Unidos por meio de tecnologias e sistemas de informação de Big data, como o PRISM e o Boundless Informant.
Além do programa de coleta de informações iniciado em 2007, dois outros programas usam o nome PRISM:
Ver também: Lista de projetos governamentais de vigilância em massa.

Programas paralelos, conhecidos por seus SIGADs, coletam dados e metadados de outras fontes. Cada SIGAD tem fontes, alvos, tipos de dados, bases legais e softwares próprios. Alguns recebem o mesmo nome do programa mais abrangente a que pertencem. Nos slides, ao lado de um emblema com um trevo e um chapéu de duende, o resumo do SIGAD BLARNEY o apresenta como "um programa de coleta em andamento que usa parcerias da comunidade de inteligência e parcerias comerciais para acessar e explorar informações de inteligência estrangeira obtidas em redes globais".
Alguns SIGADs, como o PRISM, coletam dados junto aos provedores de serviços de internet, enquanto outros os obtêm na infraestrutura de nível superior. Esse tipo de coleta é chamado de "upstream". Ele abrange os programas BLARNEY, FAIRVIEW, OAKSTAR e STORMBREW, cada um composto de SIGADs individuais. Os dados incorporados a um SIGAD também podem ser obtidos por outros meios, como sensores passivos próximos a embaixadas ou invasões de redes de computadores.
Nem todos os SIGADs envolvem coleta upstream. Os dados também podem ser obtidos diretamente de um provedor de serviços, por acordo, como no PRISM, por invasão de sistemas ou por outros meios.
O MUSCULAR, programa bem menos conhecido que interceptava diretamente dados não criptografados nas nuvens privadas do Google e do Yahoo, coletava mais que o dobro do volume de dados do PRISM. Como essas nuvens se estendiam por todo o mundo e a interceptação era feita fora dos Estados Unidos, o MUSCULAR dispensava mandados, fossem eles da FISA ou de outro tipo.
O governo Obama afirma que dados da NSA ajudaram a efetuar prisões em dois casos de destaque, mas críticos dizem que isso simplesmente não é verdade