Ernest Rutherford

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Ernest Rutherford
Rutherford na década de 1920, quando dirigia o Laboratório Cavendish
núcleo atômico; próton; radônio-220 (torônio); hipótese do nêutron; modelo atômico de Rutherford
Nascimento30 de agosto de 1871
Spring Grove, perto de Brightwater, Província de Nelson, colônia da Nova Zelândia
Morte19 de outubro de 1937 (66 anos)
Cambridge, Inglaterra
ResidênciaNova Zelândia
SepultamentoAbadia de Westminster
Nacionalidadeneozelandês; britânico
CidadaniaNova Zelândia
Progenitores
  • James Rutherford
  • Martha Thompson
CônjugeMary Georgina Newton (casados em 1900)
Filho(a)(s)Eileen Mary Rutherford
Alma materNelson College
Canterbury College
Trinity College, Cambridge
Ocupaçãofísico nuclear, químico, físico, professor, político, professor universitário
DistinçõesMedalha Rumford (1904); Nobel de Química (1908); Medalha Elliott Cresson (1910); Medalha Matteucci (1913); Medalha Hector (1916); Medalha Copley (1922); Medalha Franklin (1924); Medalha Albert (1928); Medalha Faraday (1930); Prêmio Faraday Lectureship (1936); Medalha Wilhelm Exner (1936)
Empregador(a)Universidade Victoria de Manchester, Universidade McGill, Laboratório Cavendish, Universidade de Manchester
Cargo(s)
membro da Câmara dos Lordes (1931–1937)
presidente da Royal Society (1925–1930)
AntecessorCharles Scott Sherrington
SucessorFrederick Gowland Hopkins
Langworthy Professor (1907–1919)
Orientador(a)(es/s)Alexander Bickerton; J. J. Thomson
InstituiçõesUniversidade McGill (1898–1907)
Universidade de Manchester (1907–1919)
Universidade de Cambridge (1919–1937)
TítuloKnight Bachelor, Baron Rutherford of Nelson
Assinatura

Ernest Rutherford, 1.º Barão Rutherford de Nelson (30 de agosto de 1871 – 19 de outubro de 1937) foi um físico e químico neozelandês que pesquisou a física atômica e a física nuclear. Recebeu o apelido de "pai da física nuclear" e foi chamado de "o maior experimentalista desde Michael Faraday". Em 1908, recebeu o Nobel de Química "por suas investigações sobre a desintegração dos elementos e a química das substâncias radioativas".

Entre suas descobertas estão o conceito de meia-vida radioativa e a emanação do tório, posteriormente identificada como radônio-220, um isótopo do radônio. Rutherford distinguiu as radiações alfa e beta e lhes deu esses nomes. Com Thomas Royds, demonstrou que a radiação alfa é formada por núcleos de hélio. Em 1911, propôs que a carga do átomo se concentrava em um núcleo muito pequeno. Chegou a essa ideia ao interpretar a dispersão de Rutherford observada no experimento da folha de ouro de Hans Geiger e Ernest Marsden. Em 1912, convidou Niels Bohr para seu laboratório, onde se desenvolveu o modelo atômico de Bohr. Em experimentos iniciados em 1917 e publicados em 1919, bombardeou núcleos de nitrogênio com partículas alfa, produzindo a primeira reação nuclear induzida artificialmente. Nos experimentos, detectou a emissão de uma partícula subatômica que chamou inicialmente de "átomo de hidrogênio" e depois, com maior precisão, de próton. Em seu laboratório, Henry Moseley estabeleceu uma relação entre as frequências dos raios X característicos dos elementos e seus números atômicos. Também pesquisou radiocomunicação e tecnologias de ultrassom.

Rutherford assumiu a direção do Laboratório Cavendish, na Universidade de Cambridge, em 1919. Sob sua direção, James Chadwick descobriu o nêutron em 1932. No mesmo ano, John Cockcroft e Ernest Walton realizaram ali um experimento controlado de desintegração nuclear. Rutherford recebeu o título de barão do Reino Unido. Após sua morte, em 1937, foi sepultado na Abadia de Westminster, perto de Charles Darwin e Isaac Newton. O elemento químico rutherfórdio (Rf, número atômico 104) recebeu seu nome em 1997. Em uma seleção publicada em 1999, ficou em décimo lugar entre os maiores físicos de todos os tempos. Seu retrato aparece na nota neozelandesa de cem dólares desde 1999.

Infância e formação

Ernest Rutherford nasceu em 30 de agosto de 1871 em Spring Grove, perto de Brightwater, na Nova Zelândia. Era o quarto dos doze filhos de James Rutherford, agricultor e mecânico imigrado de Perth, na Escócia, e de Martha Thompson, professora nascida em Hornchurch, na Inglaterra. Na certidão de nascimento, seu nome foi escrito por engano como "Earnest". A família o chamava de Ern.

Aos cinco anos, mudou-se para Foxhill, em Tasman, e frequentou a escola local. Em 1883, quando tinha onze anos, a família mudou-se para Havelock, nos Marlborough Sounds, perto da fábrica de processamento de linho administrada por seu pai. Ernest passou a estudar na Havelock School.

Em 1887, na segunda tentativa, ganhou uma bolsa para estudar no Nelson College. Na primeira prova, obtivera a maior nota entre os candidatos de Nelson. Quando conquistou a bolsa, acertou 580 dos 600 pontos possíveis. A Havelock School lhe presenteou então com os cinco volumes de The Peoples of the World. Estudou no Nelson College de 1887 a 1889, foi o aluno representante da escola em 1889 e jogou na equipe de rugby. Recusou uma vaga de cadete no serviço público porque ainda lhe restavam quinze meses de curso.

Estátua de um jovem Ernest Rutherford em um memorial ao ar livre em Brightwater.
O memorial de Brightwater recorda os primeiros anos de Rutherford na região de Nelson, antes de sua formação universitária em Canterbury.

Em 1889, também na segunda tentativa, ganhou uma bolsa para estudar no Canterbury College, da Universidade da Nova Zelândia, entre 1890 e 1894. Participou da sociedade de debates e da sociedade científica da instituição. Concluiu as provas do bacharelado em artes, com estudos de latim, inglês e matemática, em 1892; as do mestrado em artes, com matemática e ciências físicas, em 1893; e as do bacharelado em ciências, com química e geologia, em 1894. Os respectivos diplomas foram conferidos em 1893, 1894 e 1895.

Rutherford inventou em seguida um novo tipo de receptor de rádio. Em 1895, recebeu uma bolsa de pesquisa da Comissão Real para a Exposição de 1851, que lhe permitiu viajar à Inglaterra para estudos de pós-graduação no Laboratório Cavendish da Universidade de Cambridge. Em 1897, obteve um diploma de pesquisa de bacharelado e a bolsa Coutts-Trotter do Trinity College.

Carreira e pesquisas

Retrato fotográfico de Ernest Rutherford jovem, em 1892.
Rutherford em 1892, durante os estudos de matemática e ciências físicas no Canterbury College.

Quando começou a estudar em Cambridge, Rutherford estava entre os primeiros pesquisadores sem diploma da própria universidade admitidos a trabalhar ali. Foi aluno de J. J. Thomson.

Com o incentivo de Thomson, em fevereiro de 1896 detectou ondas de rádio a várias centenas de metros de distância, então um recorde. Guglielmo Marconi ampliou o alcance das transmissões sem fio nos anos seguintes.

Radioatividade

Ainda sob a orientação de Thomson, Rutherford estudou o efeito dos raios X sobre a condutividade elétrica dos gases, trabalho relacionado à descoberta do elétron, cujos resultados Thomson apresentou em 1897. Depois de tomar conhecimento das experiências de Henri Becquerel com urânio, passou a investigar sua radioatividade e encontrou dois tipos de radiação que se distinguiam dos raios X pela capacidade de penetração. Ao continuar a pesquisa no Canadá, deu-lhes os nomes de "raios alfa" e "raios beta" em 1899.

Retrato fotográfico de Ernest Rutherford em 1905.
Rutherford em 1905, durante suas pesquisas sobre radioatividade na Universidade McGill.

Em 1898, por recomendação de Thomson, aceitou a cátedra Macdonald de Física da Universidade McGill, em Montreal. Entre 1900 e 1903, trabalhou ali com o jovem químico Frederick Soddy, futuro Nobel de Química de 1921. Rutherford encarregou-o de identificar o gás nobre emitido pelo tório radioativo, que também depositava uma substância radioativa sobre outros materiais. Depois de descartar as reações químicas comuns, Soddy concluiu que se tratava de um gás inerte, batizado de torônio. Identificou-se mais tarde esse gás como o isótopo radônio-220. Encontraram ainda uma substância chamada "tório X", mais tarde identificada como rádio-224, e vestígios de hélio. Examinaram também amostras de "urânio X", hoje identificado principalmente como tório-234, fornecidas por William Crookes, e amostras de rádio de Marie Curie.

Ao estudar a emanação do tório com R. B. Owens, Rutherford observou que sua atividade diminuía segundo uma taxa característica, independentemente do tamanho da amostra. O torônio, hoje identificado como radônio-220, tem meia-vida de aproximadamente 56 segundos; Rutherford deu o nome de "meia-vida" ao intervalo necessário para a desintegração de metade de uma amostra radioativa. Rutherford e Soddy publicaram a "Law of Radioactive Change" para reunir os resultados de seus experimentos. Até então, os átomos eram tidos como a base indestrutível da matéria. Curie havia proposto que a radioatividade era um fenômeno atômico, mas a ideia de que átomos radioativos se desintegrassem era nova. Rutherford e Soddy demonstraram que a radioatividade envolvia a transformação espontânea dos átomos em outras formas de matéria, ainda não identificadas.

Em 1903, Rutherford examinou uma radiação observada em 1900 pelo químico francês Paul Villard, mas ainda sem nome. Como ela provinha do rádio e atravessava a matéria com muito mais facilidade do que as radiações alfa e beta, chamou-a de radiação gama. Os três termos continuam em uso, embora outros tipos de decaimento radioativo tenham sido descobertos. Em 1904, ao discutir a idade da Terra, Rutherford argumentou que o calor produzido pela radioatividade poderia contrariar a estimativa relativamente baixa de Lorde Kelvin, baseada no resfriamento terrestre. Kelvin estava presente à conferência. Uma análise geofísica posterior mostrou que o calor radioativo, por si só, não alteraria substancialmente o resultado daquele cálculo; John Perry já havia apontado em 1895 o papel da transferência de calor no interior terrestre. Em 1907, voltou à Grã-Bretanha para ocupar a cátedra Langworthy na Universidade Victoria de Manchester.

Fotografia antiga dos pesquisadores Hans Geiger e Ernest Rutherford juntos.
Rutherford e Hans Geiger colaboraram na detecção e contagem das partículas alfa, etapa importante dos experimentos que levaram ao modelo nuclear do átomo.

Em Manchester, prosseguiu o estudo da radiação alfa. Com Hans Geiger, desenvolveu telas de cintilação com sulfeto de zinco e câmaras de ionização para contar partículas alfa. Ao comparar o número de partículas detectadas com a carga total transportada pelas partículas alfa, medida eletricamente, concluiu que cada uma tinha carga elétrica igual a duas unidades elementares. No fim de 1907, Rutherford e Thomas Royds fizeram as partículas alfa atravessarem uma janela muito fina e entrarem em um tubo evacuado. Ao provocar descargas elétricas no tubo, acompanharam por espectroscopia de emissão atômica a mudança de seu espectro à medida que as partículas se acumulavam. O espectro característico do hélio acabou aparecendo, mostrando que as partículas alfa eram, no mínimo, átomos de hélio ionizados e, provavelmente, seus núcleos.

Em 1910, Rutherford e Geiger publicaram, com uma nota matemática de Harry Bateman, um artigo em que compararam a distribuição temporal das emissões radioativas com a distribuição de probabilidades hoje chamada de distribuição de Poisson.

Modelo do átomo

Dois esquemas do experimento da folha de ouro: no primeiro, as partículas alfa seguem quase retas; no segundo, algumas sofrem grandes desvios.
Acima, resultado esperado: as partículas alfa atravessariam sem desvios perceptíveis o átomo do modelo do pudim de passas. Abaixo, resultado observado: uma pequena fração sofria grandes desvios, o que apontava para a concentração da carga em um núcleo diminuto. O esquema não está em escala: o núcleo é muito menor do que a região ocupada pelos elétrons.

Rutherford continuou a fazer descobertas depois de receber o Nobel em 1908. Sob sua orientação, Hans Geiger e Ernest Marsden realizaram em 1909 o experimento de Geiger-Marsden, no qual mediram os desvios de partículas alfa ao atravessar uma folha fina de ouro. Rutherford pediu que procurassem partículas desviadas em ângulos muito grandes, algo que as teorias então disponíveis não previam. Embora raros, esses desvios foram observados. Em uma de suas últimas conferências, Rutherford comparou a surpresa à de disparar um projétil contra uma folha de papel e vê-lo voltar para atingir quem o disparou. A interpretação dos dados levou-o a propor um núcleo muito pequeno e eletricamente carregado, que continha grande parte da massa do átomo.

Em 1912, Niels Bohr passou a trabalhar com Rutherford. Bohr propôs que os elétrons ocupavam órbitas específicas em torno do núcleo e adaptou o modelo nuclear à hipótese quântica de Max Planck. O modelo atômico de Bohr resultante serviu de base à física atômica da mecânica quântica desenvolvida por Werner Heisenberg.

Piezoeletricidade

Durante a Primeira Guerra Mundial, Rutherford participou de um projeto secreto para resolver problemas práticos da detecção de submarinos. Ele e Paul Langevin propuseram o uso da piezoeletricidade, e Rutherford desenvolveu um aparelho capaz de medir a resposta elétrica desse efeito. A piezoeletricidade se tornaria essencial para o desenvolvimento do ultrassom. A afirmação de que Rutherford criou o sonar, porém, é equivocada: os sistemas de detecção subaquática se basearam no transdutor de Langevin.

Descoberta do próton

Henry Moseley trabalhou no laboratório de Rutherford em Manchester. Ao bombardear diferentes elementos com feixes de elétrons e estudar os raios X emitidos, Moseley encontrou uma relação quantitativa entre suas frequências características e o número atômico, dando base experimental à ordenação dos elementos por esse número. Rutherford passou a considerar o núcleo de hidrogênio, a menor entidade conhecida com carga positiva, como um possível componente de todos os núcleos atômicos.

Só em 1919 desenvolveu essa hipótese em uma sequência de experimentos iniciados pouco antes de deixar Manchester. Constatou que o nitrogênio, atingido por partículas alfa, emitia a partícula que ele então chamava de "átomo de hidrogênio". Mostrou também que as partículas ejetadas em colisões alfa com hidrogênio tinham uma unidade de carga e um quarto do momento linear das partículas alfa.

Entre os alunos e colaboradores ligados a seus laboratórios estavam Kenneth Bainbridge, Patrick Blackett, Niels Bohr, Charles Galton Darwin, Charles Drummond Ellis, Kazimierz Fajans, George Gamow, Hans Geiger, Otto Hahn, George de Hevesy, Ernest Marsden, Philip Burton Moon, Henry Moseley e Frederick Soddy.

Em 1919, sucedeu J. J. Thomson como professor Cavendish de Física em Cambridge, cargo que manteve até morrer, em 1937. Pesquisas realizadas sob sua direção contribuíram para descobertas posteriormente reconhecidas com o Nobel: James Chadwick foi premiado em 1935 pela descoberta do nêutron; John Cockcroft e Ernest Walton, em 1951, por seus experimentos de transmutação nuclear com um acelerador de partículas; e Edward Victor Appleton, em 1947, por suas pesquisas sobre a ionosfera.

Desenvolvimento das hipóteses sobre prótons e nêutrons

Em 1919 e 1920, Rutherford procurou confirmar que partículas alfa podiam romper núcleos de nitrogênio e esclarecer quais eram os produtos da reação. Os resultados mostraram que núcleos de hidrogênio compunham o núcleo de nitrogênio e, possivelmente, outros núcleos. A ideia já havia sido levantada porque muitas massas atômicas pareciam múltiplos inteiros da massa do hidrogênio, como na hipótese de Prout. Por ser o elemento mais leve, o hidrogênio também teria o núcleo mais leve conhecido. Rutherford passou a vê-lo como uma unidade de construção dos demais núcleos e, talvez, como uma nova partícula fundamental. Wilhelm Wien havia estudado os íons positivos presentes em feixes de gás ionizado; Rutherford, por sua vez, reconheceu o núcleo de hidrogênio como constituinte de outros núcleos e, em 1920, deu-lhe o nome de próton.

Na conferência Bakerian de 1920, Rutherford aventou a existência de uma entidade sem carga e com massa próxima à do núcleo de hidrogênio. Imaginava-a como um próton associado a um elétron, uma hipótese histórica distinta da descrição atual do nêutron. Ele e Bohr também discutiram a constituição dos núcleos, cuja massa e carga não pareciam explicáveis apenas por prótons. Considerava-se então a possibilidade de "elétrons nucleares" compensarem parte da carga positiva, mas não se sabia como poderiam permanecer no núcleo.

Em 1932, James Chadwick, seu colaborador, confirmou experimentalmente a existência do nêutron. Reconheceu as partículas produzidas quando outros pesquisadores e, depois, ele próprio bombardearam berílio com partículas alfa. Recebeu o Nobel de Física em 1935 por essa descoberta.

Reação nuclear induzida e estudo do núcleo

Nos quatro artigos da série "Collision of α-particles with light atoms", Rutherford apresentou outros dois resultados. Primeiro, mostrou que, em ângulos grandes, a dispersão das partículas alfa pelo hidrogênio diferia do resultado previsto por sua teoria de 1911. Esses resultados permitiram investigar as interações que mantêm o núcleo unido. Depois, mostrou que partículas alfa que colidiam com núcleos de nitrogênio produziam uma reação, em vez de simplesmente se desviar. Um dos produtos era o próton; Patrick Blackett, antigo aluno e colaborador de Rutherford, identificou o outro como oxigênio:

14N + α → 17O + p.

Rutherford concluiu, portanto, que uma colisão capaz de ejetar um próton podia aumentar, e não apenas diminuir, a massa do núcleo. Blackett receberia o Nobel de 1948 pelo aperfeiçoamento da câmara de nuvens, usada nesse experimento e em outras descobertas.

Em 1904, Rutherford propôs estimar a idade de minerais pela quantidade de hélio retida do decaimento radioativo, mas o método não se mostrou eficaz. Bertram Boltwood desenvolveu depois uma técnica baseada na proporção entre urânio e chumbo.

Vida pessoal e morte

Retrato pintado de Ernest Rutherford, de cabelos grisalhos e bigode, em trajes formais.
O retrato pintado por Philip de László em 1924 mostra Rutherford no período em que dirigia o Laboratório Cavendish.

Em 1900, Rutherford casou-se com Mary Georgina Newton (1876–1954) na Igreja Anglicana de São Paulo, em Papanui, Christchurch. O noivado havia ocorrido antes de ele deixar a Nova Zelândia. Tiveram uma filha, Eileen Mary (1901–1930), que se casou com o físico Ralph Fowler e morreu nove dias após o nascimento de seu quarto filho. Entre os passatempos de Rutherford estavam o golfe e dirigir automóveis.

Quando trabalhava em Manchester, morou em Withington, na Wilmslow Road. A casa, conhecida como Rutherford Lodge, recebeu uma placa azul em 2012. Há ainda um memorial embutido na calçada em frente à biblioteca de Withington.

Rutherford conviveu por algum tempo com uma pequena hérnia que não havia sido operada. Quando ela sofreu um estrangulamento, seu estado se agravou. Foi submetido a uma cirurgia de emergência em Londres, mas morreu em Cambridge quatro dias depois, em 19 de outubro de 1937, aos 66 anos, de uma condição que os médicos chamaram de "paralisia intestinal". Seu corpo foi cremado no Crematório de Golders Green, e as cinzas foram sepultadas na Abadia de Westminster, perto de Isaac Newton, Charles Darwin e outros cientistas britânicos.

Rutherford participou da primeira, segunda, terceira, quarta e sétima Conferência de Solvay.

Reconhecimentos

Rutherford presidiu a Royal Society de 1925 a 1930.

Participação em sociedades científicas

AnoInstituiçãoModalidadeReferência
1903Royal SocietyMembro
1904American Philosophical SocietyMembro internacional
1921Royal Society of EdinburghMembro honorário

Prêmios

AnoInstituiçãoPrêmioJustificativaReferência
1904Royal SocietyMedalha Rumford"Por suas pesquisas sobre a radioatividade, em especial pela descoberta da existência e das propriedades das emanações gasosas dos corpos radioativos."
1908Real Academia Sueca de CiênciasNobel de Química"Por suas investigações sobre a desintegração dos elementos e a química das substâncias radioativas."
1910Instituto FranklinMedalha Elliott Cresson"Pelo trabalho de destaque na teoria elétrica."
1913Accademia dei XLMedalha Matteucci—
1916Sociedade Real da Nova ZelândiaMedalha Hector—
1922Royal SocietyMedalha Copley"Por suas pesquisas em radioatividade e estrutura atômica."
1924Instituto FranklinMedalha Franklin"Pelo conhecimento dos elementos químicos, de sua constituição e de suas relações."
1928Royal Society of ArtsMedalha Albert—
1930Institution of Electrical EngineersMedalha Faraday—
1936Royal Society of ChemistryPrêmio Faraday Lectureship—
1936Associação Austríaca do ComércioMedalha Wilhelm Exner—

Honrarias britânicas

AnoMonarcaTítulo ou ordemReferência
1914Jorge VKnight Bachelor
1925Jorge VOrdem de Mérito
1931Jorge VBarão

Legado

Ernest Rutherford e Thomas Easterfield de pé na varanda do Instituto Cawthron, em Nelson.
Rutherford e Thomas Easterfield no Instituto Cawthron, em Nelson, durante a visita de Rutherford à Nova Zelândia em 1925.

A Medalha e Prêmio Rutherford sucedeu à conferência memorial instituída em sua homenagem. A primeira conferência ocorreu em 1942, e a primeira medalha foi concedida em 1966.

Na abertura do Congresso Indiano de Ciências de 1938, que Rutherford deveria presidir antes de morrer, o astrofísico James Jeans falou em seu lugar e o chamou de "um dos maiores cientistas de todos os tempos":

Em sua percepção do caminho certo para abordar um problema, assim como na simplicidade direta de seus métodos, [Rutherford] muitas vezes nos lembra Faraday. Mas ele tinha duas grandes vantagens que Faraday não possuía: primeiro, uma saúde física e uma energia exuberantes; segundo, a oportunidade e a capacidade de dirigir um grupo de colaboradores entusiasmados. Por maior que tenha sido a produção de Faraday, parece-me que, para encontrar algo comparável ao trabalho de Rutherford em quantidade e qualidade, precisamos voltar a Newton. Em certos aspectos, teve mais sorte que Newton. Rutherford foi sempre um guerreiro feliz: feliz com seu trabalho, feliz com seus resultados e feliz com seus contatos humanos.

Rutherford apareceu em selos postais de pelo menos quatro países e, desde 1999, na nota neozelandesa de cem dólares.

Física nuclear

Relevo esculpido com o rosto de Ernest Rutherford em um edifício de Cambridge.
Este relevo de Eric Gill em Cambridge recorda Rutherford na cidade onde dirigiu o Laboratório Cavendish e passou os últimos anos de vida.

Rutherford recebeu o apelido de "pai da física nuclear" porque suas pesquisas e as realizadas sob sua direção estabeleceram a estrutura nuclear do átomo e a natureza nuclear do decaimento radioativo. Patrick Blackett, então pesquisador do laboratório, demonstrou uma transmutação nuclear induzida com partículas alfa naturais. A equipe de Rutherford demonstrou depois reações nucleares e transmutações artificiais com prótons acelerados.

Rutherford morreu antes que se concretizasse a ideia de Leó Szilárd de uma reação nuclear em cadeia controlada. Szilárd relatou que uma fala de Rutherford sobre a transmutação artificial do lítio, publicada no The Times de 12 de setembro de 1933, levou-o a pensar na possibilidade de uma reação em cadeia capaz de produzir energia.

A fala tratava do trabalho feito em 1932 por John Cockcroft e Ernest Walton, que usaram prótons de um acelerador construído por eles para dividir núcleos de lítio em partículas alfa. Rutherford sabia que a energia liberada era grande, mas concluiu que a energia exigida pelo acelerador e a baixa eficiência da reação a tornavam inviável como fonte prática de energia. Em suas palavras:

Podemos, nesses processos, obter muito mais energia do que a fornecida pelo próton, mas, em média, não se poderia esperar obter energia dessa maneira. Era uma forma muito ruim e ineficiente de produzir energia, e quem procurasse uma fonte de energia na transformação dos átomos estaria sonhando acordado. Mas o assunto era cientificamente interessante porque permitia investigar os átomos.

O elemento rutherfórdio, de símbolo Rf e número atômico 104, teve o nome em homenagem a Rutherford oficialmente adotado pela União Internacional de Química Pura e Aplicada em 1997.

O nome de Rutherford também foi dado à rutherfordina, um mineral de carbonato de uranila. O rutherford foi proposto como unidade de atividade radioativa.

Andrew Hodwitz interpreta Rutherford em "Staring Blindly into the Future", 11.º episódio da 13.ª temporada da série canadense de ficção policial de época Murdoch Mysteries, exibido em 13 de janeiro de 2020.

Publicações

Capa de um exemplar de 1906 do livro Radioactive Transformations.
A edição de 1906 de Radioactive Transformations apresenta as pesquisas de Rutherford sobre as transformações radioativas.

Livros

Artigos

Ver também

Referências

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