| Re-Invention World Tour | ||||
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| Turnê de Madonna | ||||
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| Álbum associado | American Life | |||
| Data de início | 24 de maio de 2004 | |||
| Data de fim | 14 de setembro de 2004 | |||
| Partes | 2 | |||
| N.º de apresentações | 56 | |||
| Receita | US$ 125 milhões | |||
| Cronologia de turnês de Madonna | ||||
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Re-Invention World Tour (ou Re-Invention World Tour 2004) foi a sexta turnê da cantora estadunidense Madonna, feita em suporte ao seu nono álbum de estúdio, American Life (2003). A excursão teve início em 24 de maio de 2004, no The Forum, em Inglewood, nos Estados Unidos, e terminou em 14 de setembro, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, Portugal, após 56 concertos realizados na América do Norte e Europa. Rumores sobre uma nova série de apresentações começaram a circular em outubro de 2003, mas sua realização só foi oficialmente confirmada em março do ano seguinte. A turnê foi inspirada, em parte, pela instalação artística X-STaTIC PRO=CeSS, desenvolvida por Madonna em colaboração com o fotógrafo Steven Klein. Foi também a primeira vez que a artista se apresentou na Irlanda, enquanto as datas previstas para Tel Aviv acabaram canceladas por questões de segurança.
A concepção da Re-Invention surgiu, em parte, da decisão de Madonna de retomar uma parcela maior de seu repertório, após fãs criticarem a ausência de seus principais sucessos na Drowned World Tour (2001). O título aludia à recorrente ideia de que a cantora estaria constantemente se "reinventando"; segundo a própria, o objetivo era dar uma nova abordagem a canções de diferentes fases da carreira. Das trinta músicas ensaiadas, 24 foram mantidas na seleção definitiva. Sob direção criativa de Jamie King, o espetáculo explorava o contraste entre unidade e violência e foi estruturado em cinco segmentos temáticos: Marie Antoinette, Military, Circus, Acoustic e Scottish-Tribal. Os figurinos foram desenvolvidos por Arianne Phillips, com colaborações de Stella McCartney, Christian Lacroix e Karl Lagerfeld, enquanto a estrutura cênica incluía uma plataforma giratória, cinco telões móveis e uma passarela suspensa em formato de "V".
A Re-Invention World Tour recebeu avaliações predominantemente positivas da crítica, que destacou a espontaneidade de Madonna, sua condição vocal e a retomada de sucessos de fases anteriores da carreira, embora alguns analistas tenham questionado a coesão temática e os novos arranjos de determinadas canções. No Billboard Touring Awards de 2004, foi reconhecida como Melhor Turnê. Comercialmente, reuniu cerca de 897 mil espectadores e arrecadou aproximadamente 125 milhões de dólares, tornando-se a turnê de maior receita de 2004. A digressão também foi alvo de repercussão após Elton John acusar Madonna de recorrer ao playback; a equipe da musicista negou a acusação, e John mais tarde afirmou se arrepender do comentário. A excursão também deu origem ao documentário I'm Going to Tell You a Secret, dirigido por Jonas Åkerlund e exibido pela MTV em 2005; no ano seguinte, a obra foi lançada em uma edição de dois discos, acompanhada por um álbum ao vivo com 14 faixas, e posteriormente recebeu uma indicação ao Grammy de Melhor Filme Musical.

Em agosto de 2002, Madonna e Steven Klein trabalharam juntos na instalação artística X-STaTIC PRO=CeSS, criado para "desconstruir" a idolatria em torno da artista enquanto explorava seu estrelato. Filmado em ambientes austeros, apresentava a cantora em trajes enigmáticos que evocavam a figura de uma "rainha bizantina". Estreou em Nova Iorque, em 27 de março de 2003, seguindo depois para Londres, Paris, Düsseldorf e Berlim, antes de realizar sua última exibição em Florença, em 3 de maio. O nono álbum de estúdio de Madonna, American Life, foi lançado em 21 de abril. Para promovê-lo, realizou uma série de apresentações nos Estados Unidos e na Europa, entre elas nos estúdios do Total Request Live, em Nova Iorque, e na loja da HMV da Oxford Street, em Londres, além de participações nos programas Friday Night with Jonathan Ross, da BBC One, e Top of the Pops. Em 27 de agosto, abriu o MTV Video Music Awards de 2003 ao lado de Britney Spears e Christina Aguilera, interpretando uma sequencial musical de "Like a Virgin (1984) e "Hollywood", segundo single de American Life. Em outubro, durante uma sessão de perguntas e respostas com os fãs da musicista, sua empresária, Caresse Henry, confirmou os planos para uma turnê no verão de 2004 ou no início de 2005. Em janeiro de 2004, Madonna afirmou que já tinha idealizado o espetáculo e esperava o "momento certo para voltar aos palcos". Ainda naquele mês, o Las Vegas Sun anunciou que ela iniciaria, em 1.º de junho, em São Francisco, uma excursão mundial cuja etapa norte-americana incluiria 32 apresentações, mas o anúncio nunca foi oficialmente confirmado.
Em março, o gaiteiro escocês Calum Fraser, que havia se apresentado no batizado de Rocco, filho de Madonna, declarou que a própria o havia convidado para integrar uma digressão de cinco meses, provisoriamente intitulada Whore of Babylon World Tour 2004. Ainda naquele mês, a MTV divulgou que a cantora estava "ensaiando para uma turnê de verão". Em 23 de março, Caresse Henry confirmou oficialmente a Re-Invention World Tour. No comunicado à imprensa, afirmou-se que "[Madonna] estava ansiosa para voltar aos palcos. Não há dúvida de que esta turnê representará o auge de sua consolidada e merecida reputação como uma das mais eletrizantes artistas de nosso tempo". De acordo com Dirk Timmerman, autor de Madonna Live! Secret Re-inventions and Confessions on Tour, a produção de X-STaTIC PRO=CeSS inspirou a cantora a idealizar a turnê. Foi sua primeira série de apresentações em três anos, prevista para começar em maio e terminar em agosto, com passagens por cidades dos Estados Unidos e da Europa. A ocasião também marcou sua estreia na Irlanda. Os concertos em Tel Aviv estavam previstos, mas foram cancelados após a cantora receber ameaças de morte de um "grupo palestino não identificado". Em entrevista ao Access Hollywood, Madonna afirmou que seu empresário a orientou a não ir a Israel devido ao ataque contra o líder do Hamas. Mesmo assim, disse que, "se fosse por mim, eu iria". A Re-Invention World Tour teve início em Los Angeles, em 24 de maio, e foi finalizada em Lisboa, em 14 de setembro de 2004.
Segundo Caresse Henry, uma das "grandes reclamações" dos fãs sobre a Drowned World Tour (2001) era a ausência dos "grandes sucessos" de Madonna, motivo pelo qual "ela chegou à conclusão de que era hora de revisitar um número maior de canções de seu repertório". Durante uma entrevista ao TRL, Madonna disse: "Estamos falando tanto de canções antigas quanto de novas, vou apresentá-las como nunca antes. Porque é disso que a vida se trata". Segundo a Christianity Magazine, Re-Invention era um título que ironizava, de forma "ambivalente e autoconfiante", aqueles que, durante anos, afirmaram que Madonna estava sempre "se reinventando". A cantora explicou que o escolheu porque queria dar uma nova perspectiva a seus antigos sucessos, acresetando: "A única maneira de interpretá-las era reinventando-as, sob uma nova perspectiva". Em contraste com a Drowned World Tour, a turnê foi descrita como "muito mais leve", tendo "unidade em contraste com violência" como tema central. Henry afirmou que se tratava de "um espetáculo brilhante [...] extravagante, mas concebido nos moldes mais tradicionais, embora mais contido e visualmente impressionante". O concerto foi dividido em cinco segmentos temáticos, formato recorrente nas turnês da cantora: Marie Antoinette, Military, Circus, Acoustic e Scottish-Tribal.
Durante os ensaios, chegou-se a um repertório provisório, que contava com "Material Girl" (1984), "Dress You Up" (1985) e "I'm So Stupid", do álbum American Life. Contudo, Madonna teve dificuldades para executar os acordes das duas últimas canções na guitarra, que acabaram sendo descartadas. Assim como uma remixagem de "Love Profusion" (2004), "Swim", de Ray of Light (1998), "Take a Bow" (1994) e "Live to Tell" (1986). Originalmente, "Vogue" (1990) havia sido escolhida como número de abertura, até que a cantora decidiu substituí-la por "The Beast Within". "Nobody Knows Me" foi inicialmente ensaiada em uma versão remixada por Peter Rauhofer. A princípio, Madonna pretendia encerrar o espetáculo com "Die Another Day" (2002), mas decidiu substituí-la por "Holiday" (1983). A canção "Imagine" (1971), de John Lennon, também passou a integrar o repertório. Ao ser perguntada sobre a escolha, ela afirmou: "Queria fazer uma declaração por meio do maior hino à paz". "Don't Tell Me" (2000) foi ensaiada em duas versões: uma com a projeção de um horizonte urbano francês ao fundo, apresentada na etapa norte-americana e nos concertos de Paris; e outra que incorporava um trecho de "Bitter Sweet Symphony" (1997), do The Verve, sendo adotada no restante da turnê. Durante os ensaios, "Ray of Light" chegou a ser considerada, mas Madonna decidiu descartá-la por considerar que interpretá-la no início do espetáculo comprometeria sua voz. Ao final, vinte e quatro das trinta canções ensaiadas foram mantidas. Segundo Dirk Timmerman, duas faixas inéditas foram compostas para a turnê: "The Devil Wouldn't Recognize You", escrita por Madonna e Joe Henry, e "I Love New York", também de autoria da cantora em colaboração com Stuart Price. A última foi retrabalhada em uma versão dance para Confessions on a Dance Floor (2005), ao passo que a primeira foi incluída em Hard Candy (2008).
Jamie King foi novamente encarregado da direção criativa. Entre os demais profissionais estavam Donna De Lory, vocalista de apoio e dançarina de longa data de Madonna; Siedah Garrett, também vocalista; Lorne Cousin, gaiteiro; Monte Pittman na guitarra; Stuart Price nos teclados; e 12 dançarinos, incluindo três trapezistas. As audições para dançarinos ocorreram entre fevereiro e março, em Nova Iorque e nos estúdios Culver, em Los Angeles, com os ensaios sendo realizados no Great Western Forum. Allan Dekko foi designado para coreografar a apresentação de "Express Yourself" (1989), de temática militar. Sobre trabalhar com a cantora, Dekko disse: "Não vou dizer que ela tenha talento nato para isso, mas fez bem o que lhe foi pedido. Achei-a agradável de se trabalhar".
Orçada em 1 milhão de dólares, a produção contava com um palco equipado com uma plataforma giratória central de 13 m (43 ft) de diâmetro, capaz de elevar-se até 3 m (9,8 ft) de altura e atingir velocidades de até 6,7 m/s (15 mph). A estrutura também incluía uma esteira embutida em toda a parte frontal, utilizada por Madonna para se deslocar entre uma extremidade e outra em determinados números. Cinco telões de vídeo móveis compunham o cenário de fundo: três de grandes dimensões, sendo o maior deles com 7 toneladas, e dois ligeiramente menores, todos controlados por 160 motores. A estrutura também contava com 130 pontos de suspensão, diversos refletores móveis e um sistema de som da Claire Brothers, com quatro toneladas de peso. Além disso, havia uma passarela em formato de "V", com 22 metros (72 ft) de comprimento, que era suspensa a partir do teto sobre a área dianteira da plateia. O espetáculo contava com uma rampa de skate e uma cadeira elétrica como elementos cênicos. Registros audiovisuais de X-STaTIC PRO=CeSS compuseram os elementos visuais da apresentação. A produção não contou com uma atração de abertura.
Os figurinos da turnê esteve a cargo de Arianne Phillips. Na criação dos trajes, Phillips explicou: "[Madonna] reapresenta suas canções antigas em novas versões, então adotamos a mesma filosofia". A figurinista confirmou que a cantora faria cinco trocas ao longo do espetáculo. A excursão contou com a colaboração dos estilistas Stella McCartney, Christian Lacroix e Karl Lagerfeld, então diretor criativo da Chanel. Tendo colaborado com a cantora em X-STaTIC Pro=CeSS, Lacroix foi convidado novamente para recriar um dos espartilhos usados por Madonna no projeto.
Desse trabalho resultou um espartilho de inspiração barroca, em tom champanhe e ornamentado com cristais, utilizado na sequência de abertura. O segundo segmento, inspirado no álbum American Life e descrito por Phillips como o "verdadeiro espírito do rock and roll", incluía trajes de inspiração militar. O terceiro ato, com referências ao universo cinematográfico de Federico Fellini e à estética circense, apresentava espartilhos inspirados em grupos de dança sincronizada, em cores vibrantes, sensuais e irreverentes, criados por Lagerfeld. O quarto bloco foi o momento "emocional" do espetáculo e, por isso, os trajes, criados por McCartney, eram mais minimalistas e voltados a destacar as silhuetas dos intérpretes. O encerramento destacava-se pelo uso predominante de saias escocesas, confeccionadas pela USA Kilts; Phillips decidiu combinar "elementos do hip-hop com tradições escocesas", algo que Madonna já havia explorado em sua turnê anterior. O figurino era complementado por camisetas de Jean Paul Gaultier e sapatos da Miu Miu. Uma das fotografias de X-STaTIC Pro=CeSS foi utilizada no cartaz promocional da digressão, em que Madonna era retratada trajando um vestido inspirado no século XVII, apoiada sobre as mãos e os joelhos.
Dividido em cinco segmentos distintos: Marie Antoinette, Military, Circus, Acoustic e Scottish-Tribal, o espetáculo tem início com "The Beast Within", na qual Madonna recita trechos do Livro do Apocalipse, com projeções de X-STaTIC PRO=CeSS. Ao término da sequência visual, a cantora surge de uma plataforma abaixo do palco trajando o espartilho criado por Christian Lacroix e apresenta "Vogue", com movimentos coreográficos inspirados na ioga. Na sequência, executa "Nobody Knows Me" sobre uma esteira rolante, enquanto a letra da faixa é projetada nos telões. O ato se encerra com "Frozen", durante a qual efeitos de gelo seco se espalham pela base do palco, acompanhado por projeções de Chris Cunningham que retratam um casal andrógino nu em confronto debaixo d'água. A seção Military tem início ao som de helicópteros, enquanto dançarinos caracterizados como soldados rastejam pelo palco e se abraçam. Em seguida, Madonna surge no alto de uma pilha de televisores, em trajes militares, para interpretar "American Life". Ao fundo, sequências visuais do videoclipe original se alternam com cenas de conflitos armados, crianças feridas e figuras caracterizadas como George W. Bush e Saddam Hussein. A certa altura, a artista e os dançarinos passam a se movimentar sobre uma passarela suspensa acima da plateia. Em "Express Yourself", são incorporados movimentos coreográficos com armas. Madonna encerra o ato tocando "Burning Up" e "Material Girl" em uma guitarra elétrica, ambas apresentadas em versões de sonoridade mais próxima do rock.
Circus é iniciado por um interlúdio ao som de "Hollywood", durante o qual se sucedem um número coreográfico com fogo, dança do ventre e sapateado, completadas por animações alusivas ao tarô Rider-Waite. "Hanky Panky" é encenada como um número de burlesco, ao passo que "Deeper and Deeper" é reinterpretada em uma versão mais lenta e intimista. Durante "Die Another Day", elementos de tango integram a encenação, que culmina com a cantora presa a uma cadeira elétrica, antecedendo "Lament", de Evita. O segmento se encerra com um interlúdio visual de "Bedtime Story", com Madonna deitada sobre uma estrutura semelhante a um aparelho de digitalização e cantando diante de um espelho. Ao longo do vídeo, acrobatas executam movimentos em balanços suspensos sobre o palco. O segmento Acoustic tem início com "Nothing Fails", interpretada pela artista ao violão. Em seguida, apresenta "Don't Tell Me", "Like a Prayer" e uma mescla-musical de "Mother and Father" e "Intervention", ambas de American Life. Durante esta última, são exibidos elementos visuais de temática religiosa e fotos da mãe de Madonna. A seção é finalizada com "Imagine", apresentada em meio a registros de áreas devastadas pela guerra e de crianças. O último segmento, Scottish-Tribal, começa ao som de gaitas de fole tocadas ao vivo, antes da execução de "Into the Groove", que conta com a participação pré-gravada de Missy Elliott. Madonna aparece em cena usando um kilt e camisetas estampadas com dizeres como "Kabbalists Do It Better" e "Italians Do It Better". Na sequência, apresenta "Papa Don't Preach" e dedica "Crazy for You" ao público. "Music" é reinterpretada com elementos de hip-hop, tendo uma escadaria como elemento cenográfico. O encerramento do espetáculo ocorre com "Holiday", durante a qual a cantora e os dançarinos se apresentam sobre a passarela em meio a uma chuva de confetes, enquanto a frase "Re-invent Yourself" surge nos telões.
A turnê obteve análises positivas de críticos musicais. Escrevendo para o New York Post, Elizabeth Smith notou que, "ao contrário da Drowned World Tour, de 2001, caracterizada por uma atmosfera sombria e austera, a Re-Invention apresentava uma Madonna mais espontânea. A cantora parecia estar se divertindo e reafirmava sua relevância artística, oferecendo aos fãs um vislumbre do passado". Similarmente, Mark Guarino, do Daily Herald, afirmou que a Re-Invention "transitava com alegria entre o passado e o presente". Edna Gundersen, do USA Today, concedeu ao espetáculo a nota máxima de quatro estrelas; "enquanto a digressão anterior se destacava pelas qualidades técnicas, mas carecia de emoção, a Re-Invention trazia uma Madonna mais envolvida emocionalmente, com mais sentimento do que sensualidade e mais personalidade do que linguagem vulgar". Para Glenn Gamboa, do Newsday, evidenciava "um lado da musicista raramente visto – aquele que ela se diverte e aprecia a energia da multidão". Em resenha sobre a noite de abertura em Inglewood, Barry Walters, da Rolling Stone, considerou que a turnê tinha uma abordagem temática "mais simples e coesa". Ressaltando o contraste entre "a barbárie da guerra e a necessidade do amor" em números como "American Life" e "Express Yourself", e elogiando o estado de espírito "notavelmente divertido e autoconfiante" de sua intérprete. Dave Simpson, do The Guardian, afirmou que, embora "supostamente a popularidade de Madonna estivesse em declínio, essa superprodução reforçava sua singularidade como artista". Sean Piccoli, do Sun Sentinel, afirmou que "vocalmente, ela estava em excelente forma, demonstrando grande flexibilidade. A coreografia, tanto dos dançarinos quanto dos elementos visuais projetados, era enérgica e erótica, com uma sensualidade lúdica e madura, algo que dificilmente seria associado a Britney Spears". Da mesma forma, Anthony J. Sanfilippo, do Delaware County Daily Times, elogiou as coreografias "precisas", os vocais da cantora, os figurinos e as "ótimas interpretações de seus clássicos". Glenn Gamboa disse que "essa nova fase de Madonna talvez seja a melhor de sua carreira até agora, enquanto seguir realizando apresentações desse nível, continuará contando com o apoio de uma legião de fãs". Segundo Lucy O'Brien, autora de Madonna: Like an Icon, "embora musicalmente evocasse elementos do passado, a Re-Invention representava uma nova fase dela, com uma abordagem visual mais elaborada".
A decisão de Madonna de revisitar parte de seu repertório foi recebida favoravelmente pela crítica. Escrevendo para o The Washington Post, Dave Segal elogiou a cantora por ter superado "quaisquer questões que a impedissem de apresentar sucessos do início de sua carreira". Na Slant Magazine, Sal Cinquemani prezou as interpretações de "Burning Up", "Material Girl" e "Like a Prayer", afirmando que essas faixas reafirmavam "o que ela faz de melhor: fazer-nos esquecer os momentos difíceis, nos unir, deixar as preocupações de lado e celebrar". Benjamin Siegel, do The Buffalo News, notou que os êxitos dos anos 1980 despertavam maior entusiasmo entre o público e que a artista parecia estar atenta a isso. Para o The Atlanta Journal-Constitution, Sonia Murray apontou "Vogue", "Express Yourself", "Material Girl" e "Into the Groove" como os números que mais agradaram ao público no concerto em Atlanta. Segundo Howard Cohen, em análise para o Miami Herald, a turnê celebrava o que Madonna havia representado ao longo de vinte anos de carreira por meio de vários de seus maiores sucessos, ao passo que Rochelle Brenner, do The Palm Beach Post, avaliou que as canções ganharam uma nova sonoridade, mais condizente com a maturidade da intérprete. Na avaliação de Neva Chonin para o San Francisco Chronicle, os melhores momentos eram aqueles em que Madonna deixava de lado a teatralidade para dar maior destaque à interpretação musical, como em "Frozen", "Burning Up", "Material Girl" e "Like a Prayer". Ao The Star-Ledger, Jay Lustig apontou "Burning Up", "Material Girl", "Deeper and Deeper" e "Into the Groove" entre seus destaques e descreveu a Re-Invention como o espetáculo mais "vertiginoso e deslumbrante" da carreira da musicista. Em resenha para o The Boston Globe, Joan Anderman enalteceu a capacidade de Madonna de articular "seu espetáculo e sua música com igual clareza". Glenn Gamboa, por sua vez, ressaltou a "alegria e inocência" de "Papa Don't Preach". Em publicação ao Toronto Sun, Jane Stevenson, apontou "American Life" como o "maior número da produção", mas criticou Circus, terceiro segmento do concerto, que considerou o "elo mais fraco", apesar da interpretação "maravilhosamente criativa" de "Die Another Day". Menos entusiasmado, Tony Clayton-Lea questionou, nas páginas do The Irish Times, a inclusão de "Die Another Day" e "Hanky Panky".

Por outro lado, Sal Cinquemani afirmou que o espetáculo "em alguns momentos, soava improvisado" e notou que, embora "muito menos teatral" e "mais interativo", a Re-Invention carecia da "fluidez" da Drowned World Tour. Paul Taylor, do Manchester Evening News, reconheceu o apuro da produção, mas avaliou que o resultado era excessivamente ensaiado e apático. Escrevendo para o The New York Times, Kelefa Sanneh considerou "excessivamente ambicioso" o conceito de "reinvenção", argumentando que Madonna parecia confrontar o próprio passado em uma "luta imaginária". Howard Cohen elogiou o "conjunto invejável de clássicos pop" do repertório, mas considerou que o concerto carecia de coesão temática. De forma semelhante, Benjamin Siegel avaliou como um tanto "boba" a ideia de "reinvenção", uma vez que parte do repertório era composta simplesmente por material do novo disco. Jim DeRogatis, do Chicago Sun-Times, criticou os arranjos por considerá-los excessivamente modificados, a ponto de algumas músicas "soarem como paródias". Neva Chonin apontou uma contradição entre a encenação de "Express Yourself" e a temática de empoderamento da canção; Jay Lustig, por sua vez, considerou a apresentação pouco coerente com seu caráter de autoafirmação. Elizabeth Chorney-Booth, do Chart Attack, afirmou que, "com um título como 'The Re-Invention Tour', seria de se esperar ver Madonna no seu melhor", mas considerou sua presença de palco pouco convincente. Greg Kot, do portal Metromix, concluiu que, apesar de "alguns momentos inspirados", a Re-Invention apresentava uma sucessão pouco coesa de ideias, sem conseguir sustentar de forma convincente a proposta temática do espetáculo. Durante o Billboard Touring Awards de 2004, realizado em 9 de novembro como parte da conferência Backstage Pass, a Re-Invention foi reconhecida como Melhor Turnê, enquanto Caresse Henry recebeu o troféu de Melhor Empresária. Gina Vivinetto, do The Advocate, e Christopher Rosa, da VH1, classificaram a digressão como a segunda melhor da carreira de Madonna. Em 2024, a Billboard a situou em décimo lugar. Para Sal Cinquemani, embora o espetáculo não apresentasse elementos inéditos na trajetória de Madonna, representou uma reaproximação com seu passado e evidenciou sua excelente condição vocal e física.

Os primeiros ingressos da turnê foram disponibilizados aos membros do Icon, fã-clube oficial de Madonna. Os canais oficiais da cantora também disponibilizaram o "Madonna Platinum Package", comercializado por 700 dólares, que incluía assentos próximos ao palco, um pôster, uma credencial especial e acesso a uma sala reservada. Alguns desses pacotes foram posteriormente revendidos por intermediários por valores entre mil e 1.800 dólares. A MTV, por sua vez, promoveu o concurso Front and Center with Madonna, que oferecia aos fãs a chance de assistir, de uma área próxima ao palco, a determinados concertos realizados em Los Angeles, Anaheim, San Jose, Las Vegas, Washington DC e Nova Iorque. De acordo com a cantora, a iniciativa surgiu de seu desejo de "dar aos meus maiores fãs a oportunidade de assistir ao espetáculo bem de perto, de maneira mais íntima e pessoal". Em apenas cinco dias de vendas, todas as entradas para as apresentações em Los Angeles, Las Vegas, Nova Iorque, Boston, Chicago, Toronto, Filadélfia e Miami foram vendidas. Em Nova Iorque, os seis concertos foram assistidos por 88 625 pessoas e arrecadaram 12 674 925 dólares, enquanto os dez primeiros espetáculos da turnê renderam, ao todo, 23 milhões. Segundo o China Daily, cerca de 750 mil pessoas compareceram aos 39 concertos realizados durante a etapa norte-americana. Entre os principais resultados comerciais, o United Center, em Chicago, rendeu 7,9 milhões de dólares; duas apresentações na MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, somaram 7 milhões; três datas no Los Angeles Forum alcançaram o mesmo valor; e os concertos no Worcester Centrum renderam 6,4 milhões.
No decorrer da turnê, a Billboard estimou que a Re-Invention poderia encerrar o ano como a excursão de maior bilheteria, alcançando uma receita de 120 milhões de dólares. Embora o Evening Standard tenha apontado vendas abaixo das expectativas, com "milhares de lugares ainda disponíveis poucos dias antes" dos concertos, a etapa europeia mostrou-se comercialmente bem-sucedida. Para a primeira apresentação em Manchester, os 14 mil bilhetes disponíveis foram vendidos em uma hora, a preços que variavam entre 75 e 150 libras esterlinas. Na Inglaterra, a excursão somou 9,8 milhões de dólares em quatro concertos esgotados na Wembley Arena, 6,3 milhões em duas apresentações no Earls Court e 5,1 milhões nas duas datas realizadas em Manchester. Na capital francesa, as 15 mil entradas para os dois primeiros concertos foram comercializadas em meia hora, resultando na inclusão de outras duas apresentações. Em apenas 30 minutos, mais de 40 mil bilhetes para o primeiro concerto da cantora na Irlanda haviam sido vendidos. A demanda levou a Ticketmaster a reforçar sua estrutura de atendimento, com a instalação de 500 novas linhas telefônicas e a duplicação da capacidade de seu site oficial. Já os 15 mil ingressos para as últimas apresentações em Lisboa se esgotaram em oito horas. Com uma arrecadação total de 125 milhões de dólares, a Re-Invention encerrou 2004 como a turnê de maior receita do ano. Segundo Lucy O'Brien, embora comercialmente bem-sucedida, a Re-Invention "acabou passando despercebida pela grande mídia", fazendo com que Madonna tivesse de "se empenhar mais em sua divulgação, especialmente nos Estados Unidos". Para a autora, os preços "muito inflacionados" dos ingressos e a recepção morna de American Life estiveram entre os fatores responsáveis.

Durante a cerimônia do Q Awards de 2004, em Londres, Elton John demonstrou surpresa com a indicação de Madonna a Melhor Artista ao Vivo e acusou-a de utilizar playback durante a Re-Invention Tour. Segundo o cantor, "qualquer pessoa que simule estar cantando ao vivo no palco, quando se paga 134 dólares para vê-la, deveria levar um tiro". Em seguida, ironizou que o comentário provavelmente o faria ser excluído da lista de cartões de Natal de Madonna, acrescentando que não se importava com isso. A assessora de imprensa de Madonna, Liz Rosenberg, negou as acusações de John, afirmando que a cantora "não recorre a playback, tampouco passa o tempo falando mal de outros artistas. Ela cantou ao vivo todas as notas da Re-Invention Tour e não se envergonha de ter sido bem remunerada por seu trabalho árduo". Acrescentou ainda que John continuaria em sua lista de cartões de Natal, "fosse ele bonzinho... ou malcriado". A artista também teria enviado ao cantor uma caixa de chocolates acompanhada de um bilhete sarcástico. Posteriormente, John demonstrou arrependimento pelas declarações e afirmou à Entertainment Weekly que gostaria de se desculpar com Madonna, descrevendo a cerimônia em que fez as acusações como "um almoço regado a muita bebida".
Não quero prolongar essa história porque gosto de Madonna. Ela já esteve na minha casa para jantar. Foi algo dito no calor do momento e que provavelmente não deveria ter sido dito. Eu pediria desculpas a ela se a encontrasse? Sim, porque não quero magoar nenhum artista. A culpa foi minha; fui eu quem começou tudo. Mas o que eu disse vale para todos esses malditos cantores adolescentes. A reação foi tão exagerada que parecia que eu tinha dito: 'Acho que todos os homossexuais deveriam ser mortos' ou 'Acho que Hitler estava certo'. Eu apenas disse que alguém estava fazendo playback. Não tenho medo de dizer o que penso. Não vou ficar mais moderado com a idade. Na verdade, fico cada vez mais indignado conforme envelheço, porque você percebe que essas injustiças continuam acontecendo.
Enquanto o palco era montado para uma das apresentações em Londres, uma pessoa ficou ferida após cair de aproximadamente nove metros de altura. Com lesões no ombro e no braço, foi transportado por via aérea a um hospital. A empresária de Madonna, Caresse Henry, expressou pesar pelo ocorrido e afirmou que todos os envolvidos na produção esperavam por sua recuperação completa.
Em 25 de maio de 2004, a CBS anunciou um "especial ao vivo de duas horas" da turnê. Segundo a revista People, Madonna teria recebido uma proposta de 10 milhões de dólares para que um dos concertos fosse televisionado, mas o projeto nunca teve uma data de transmissão confirmada. Em abril de 2005, o diretor britânico Hamish Hamilton e a produtora The Rude Corp. moveram uma ação judicial contra Madonna, alegando a existência de uma dívida superior a 300 mil dólares em honorários e despesas de produção. Segundo a ação, Hamilton havia acertado verbalmente com Madonna a produção e direção de um especial televisivo da excursão, com remuneração garantida ao diretor independentemente de seus serviços serem utilizados integralmente. Conforme solicitado pela cantora, ele participou das gravações dos ensaios e de diversos concertos da turnê, mas não teria recebido o valor combinado.

O documentário I'm Going to Tell You a Secret, que teve como foco a turnê, foi dirigido por Jonas Åkerlund, responsável também pelos videoclipes de "Ray of Light", "Music" e "American Life". Originalmente intitulado The Re-Invented Process, em alusão à digressão e à exposição X-STaTIC Pro=CeSS, o projeto surgiu do desejo de Madonna de explorar seu lado artístico e sua dedicação pela Cabala. Enquanto Madonna: Truth or Dare (1991) enfatizava o universo hollywoodiano, o novo projeto apresentou uma abordagem mais introspectiva, centrada nas reflexões da cantora sobre vida e espiritualidade. Sua estreia ocorreu na MTV em 21 de outubro de 2005.
Barry Walters avaliou que a produção não possuía a mesma vivacidade de Truth or Dare e destacou a presença de uma Madonna mais madura, em busca de maior sinceridade e menos dependente de frases de efeito; Stephen M. Deusner, da Pitchfork, apresentou uma avaliação negativa, descrevendo a vida da cantora na obra como "isolada e reclusa", permeada por horas de estudo da Cabala, mas pouca autorreflexão. Em 20 de junho de 2006, I'm Going to Tell You a Secret foi lançado em uma edição de dois discos, composta pelo DVD do documentário e por um álbum ao vivo com 14 músicas da turnê. A recepção ao disco foi mais positiva que a obtida pelo documentário; Stephen Thomas Erlewine, da AllMusic, avaliou que, "como primeiro CD ao vivo de Madonna, I'm Going to Tell You a Secret é sólido e divertido". O título recebeu uma nomeação ao Grammy de Melhor Filme Musical durante a 49.ª edição da premiação.
Lista de canções presentes no repertório de acordo com várias fontes.
Bloco I: Marie Antoinette
Bloco II: Military
Bloco III: Circus
Bloco IV: Acoustic
Bloco V: Scottish-Tribal
| Data (2004) |
Cidade | País | Local | Público | Receita |
|---|---|---|---|---|---|
| 24 de maio | Inglewood | Estados Unidos | The Forum | 43,158 / 43,158 | US$ 6,965,055 |
| 26 de maio | |||||
| 27 de maio | |||||
| 29 de maio | Las Vegas | MGM Grand Garden Arena | 28,341 / 28,341 | US$ 7,005,548 | |
| 30 de maio | |||||
| 2 de junho | Anaheim | Arrowhead Pond of Anaheim | 24,250 / 24,250 | US$ 4,164,450 | |
| 3 de junho | |||||
| 6 de junho | San José | HP Pavilion | 40,205 / 40,205 | US$ 5,543,715 | |
| 8 de junho | |||||
| 9 de junho | |||||
| 13 de junho | Washington, D.C. | MCI Center | 26,788 / 26,788 | US$ 3,486,684 | |
| 14 de junho | |||||
| 16 de junho | Nova Iorque | Madison Square Garden | 88,625 / 88,625 | US$ 12,674,925 | |
| 17 de junho | |||||
| 20 de junho | |||||
| 21 de junho | |||||
| 23 de junho | |||||
| 24 de junho | |||||
| 27 de junho | Worcester | Worcester's Centrum Centre | 46,075 / 46,075 | US$ 6,439,890 | |
| 28 de junho | |||||
| 30 de junho | |||||
| 1 de julho | |||||
| 4 de julho | Filadélfia | Wachovia Center | 30,575 / 30,575 | US$ 4,134,478 | |
| 5 de julho | |||||
| 7 de julho | East Rutherford | Continental Airlines Arena | 29,315 / 29,315 | US$ 4,437,345 | |
| 8 de julho | |||||
| 11 de julho | Chicago | United Center | 59,591 / 59,591 | US$ 7,894,105 | |
| 12 de julho | |||||
| 14 de julho | |||||
| 15 de julho | |||||
| 18 de julho | Toronto | Canadá | Air Canada Centre | 52,160 / 52,160 | US$ 5,332,703 |
| 19 de julho | |||||
| 21 de julho | |||||
| 24 de julho | Atlanta | Estados Unidos | Philips Arena | 25,627 / 25,627 | US$ 3,450,874 |
| 25 de julho | |||||
| 28 de julho | Sunrise | Office Depot Center | 28,208 / 28,208 | US$ 3,834,522 | |
| 29 de julho | |||||
| 1 de agosto | Miami | American Airlines Arena | 30,580 / 30,580 | US$ 4,145,760 | |
| 2 de agosto |
| Data (2004) |
Cidade | País | Local | Público | Receita |
|---|---|---|---|---|---|
| 14 de agosto | Manchester | Inglaterra | Manchester Evening News Arena | 27,320 / 27,320 | US$ 5,136,114 |
| 15 de agosto | |||||
| 18 de agosto | Londres | Earls Court Exhibition Centre | 34,087 / 34,087 | US$ 6,356,207 | |
| 19 de agosto | |||||
| 22 de agosto | Wembley Arena | 45,267 / 45,267 | US$ 9,809,717 | ||
| 23 de agosto | |||||
| 25 de agosto | |||||
| 26 de agosto | |||||
| 29 de agosto | Slane | Irlanda | Castelo de Slane | 62,275 / 70,000 | US$ 6,575,339 |
| 1 de setembro | Paris | França | Palais Omnisports de Paris-Bercy | 68,000 / 68,000 | US$ 7,357,529 |
| 2 de setembro | |||||
| 4 de setembro | |||||
| 5 de setembro | |||||
| 8 de setembro | Arnhem | Países Baixos | GelreDome | 73,300 / 73,300 | US$ 6,759,661 |
| 9 de setembro | |||||
| 13 de setembro | Lisboa | Portugal | Pavilhão Atlântico | 33,460 / 33,460 | US$ 3,286,166 |
| 14 de setembro | |||||
| Total | 897,207 / 904,932 (99%) |
US$ 124,790,787 | |||
O processo de elaboração da turnê atribuem os seguintes créditos pessoais: