| WorldSpace | |
|---|---|
| Atividade | Radiodifusão |
| Fundação | 1990 |
| Sede | Silver Spring, Maryland, Estados Unidos |
| Pessoas-chave | Noah A. Samara presidente e diretor executivo |
| Empregados | 40 (2009) |
| Produtos | Rádio por satélite |
| Receita | |
| Renda líquida | |
| Website | worldspace.com |
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1worldspace, conhecida durante a maior parte de sua existência simplesmente como WorldSpace, foi uma rede de rádio por satélite que, em seu auge, prestou serviço a mais de 170 mil assinantes no leste, no sul e no norte da África, no Oriente Médio e em grande parte da Ásia, dos quais 96% estavam na Índia. A operação era lucrativa na Índia, onde chegou a ter 450 mil assinantes.
Os dois satélites operacionais que pertenciam à empresa, AfriStar e AsiaStar, passaram a ser usados pela nova proprietária, Yazmi USA, LLC, dirigida pelo antigo diretor executivo da WorldSpace, Noah A. Samara. A empresa afirmava ter construído o primeiro sistema de distribuição de conteúdo de satélite para tablet. O sistema tinha como principal objetivo oferecer serviços educacionais a áreas rurais de países em desenvolvimento. Os primeiros projetos-piloto da tecnologia teriam ocorrido na Índia, com 30 mil licenças, e na África subsariana, com testes mais recentes em duas escolas da África do Sul, uma em Rietkol, na província de Mpumalanga, e outra em Heathfield, no Cabo Ocidental.
A empresa, fundada em 1990, tinha sede em Silver Spring, Maryland, e mantinha estúdios em Washington, D.C., Bangalore, Mumbai, Nova Deli e Nairóbi. Em 1991, Noah Samara trabalhou com Thomas van der Heyden, fundador da então International Telecommunications Inc. (ITI), que em 1997 se tornaria a divisão de satélites geoestacionários da Orbital Sciences Corporation, na preparação e no pedido à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos para o primeiro satélite de radiodifusão sonora do mundo. Em 1992, Samara e van der Heyden, que então representava a República da Indonésia, conseguiram, na WARC-92 e com o apoio de muitos países africanos e asiáticos, que a União Internacional de Telecomunicações reservasse uma nova faixa do espectro de radiofrequência aos serviços de radiodifusão por satélite, na Banda L, entre 1.452 MHz e 1.492 MHz. Depois da WARC-92, Samara seguiu com a construção da WorldSpace, enquanto van der Heyden desenvolveu a IndoVision e o programa do satélite Indostar, de Banda S, para transmissão direta por satélite na Indonésia.
A WorldSpace iniciou suas transmissões de rádio por satélite em 1 de outubro de 1999, na África. Em uma última tentativa, que não teve sucesso, de evitar a insolvência comercial, a WorldSpace mudou sua marca e identidade corporativa para 1worldspace em julho de 2008.
Antes de pedir falência em outubro de 2008, a 1worldspace operava dois satélites e transmitia 62 canais. Desses, 38 traziam conteúdo de terceiros internacionais, nacionais e regionais, e 24 eram estações da marca 1worldspace produzidas pela empresa ou para ela. A maior parte dos canais era disponibilizada apenas por assinatura.
A 1worldspace afirmava ser a única empresa com direitos sobre o espectro reservado mundialmente ao rádio digital por satélite. A empresa, porém, nunca usou sua licença para transmitir às Américas ou ao Caribe. A proposta comercial da WorldSpace desde a década de 1990 era levar programação de rádio a áreas pouco atendidas pelos serviços tradicionais, especialmente em países em desenvolvimento. Na segunda metade da década de 2000, a situação financeira se deteriorou e a empresa recorreu ao Capítulo 11 em outubro de 2008.
As operações europeias foram liquidadas na primavera de 2009. Em 25 de dezembro de 2009, a empresa notificou todos os assinantes na Índia de que o serviço WorldSpace no país seria encerrado oficialmente em 31 de dezembro de 2009, sem reembolso aos assinantes, devido à falência. A AfriSpace, Inc. era uma subsidiária integral da WorldSpace e detinha a licença norte-americana do AfriStar-1.
Por algum tempo, a Liberty Media, uma empresa derivada da TCI, grupo norte-americano de Televisão a cabo, tentou comprar os ativos. Em junho de 2010, a Yazmi USA, empresa do fundador, presidente e antigo diretor executivo da WorldSpace, Noah Samara, comprou os ativos restantes por US$ 5,5 milhões.
Em 18 de julho de 2011, a Forbes India informou que a Timbre Media relançaria a WorldSpace Radio em parceria com a Saregama em setembro daquele ano, mas a transmissão ocorreria apenas por celulares, internet e redes de televisão por satélite do tipo DTH (direct-to-home). Os antigos receptores da WorldSpace não funcionariam com o novo serviço. O relançamento começaria com 40 estações e poderia chegar a 120, com subcategorias como música para exercícios cardiovasculares.
A 1worldspace reunia notícias, esportes, música, conteúdo de marcas e programação educacional para seu mercado na África, na Ásia e no Oriente Médio. Seus 62 canais, dos quais 38 traziam conteúdo de terceiros e 24 eram produzidos pela empresa ou para ela, abrangiam formatos musicais internacionais como sucessos contemporâneos, country, rock clássico e jazz, com conteúdo voltado a cada região. A cobertura esportiva trazia programação da Fox Sports Radio e da Talksport e conteúdo regional. A 1worldspace também transmitia notícias da BBC, CNBC, CNN, NPR, RFI e WRN. Havia ainda canais dedicados a poesia e literatura, comédia, programas de entrevistas e programação inspiracional e religiosa.
Os diretores de programação e locutores da 1worldspace trabalhavam em estúdios de Washington, D.C., Bangalore e Nairóbi, onde eram produzidos 18 canais próprios de música e estilo de vida. Quatro dessas estações estiveram disponíveis nos Estados Unidos pela rede XM Satellite Radio. O acordo terminou em 2008.
O sistema 1worldspace tinha três componentes principais, o segmento espacial, o segmento terrestre e o segmento do usuário. O segmento espacial reunia os satélites da empresa, que transmitiam sinais sobre grande parte do hemisfério oriental. O segmento terrestre abrangia os centros de operação e transmissão. O segmento do usuário correspondia aos aparelhos dos próprios usuários que recebiam o sinal. A empresa também planejava implantar redes de repetidores terrestres para facilitar a entrada em novos mercados na Europa e no Oriente Médio.
O sistema 1worldspace foi construído com a participação de empresas como Alcatel Space, hoje Thales Alenia Space, EADS Astrium e Arianespace, da França, SED, do Canadá, GSI, dos Estados Unidos, Fraunhofer-Gesellschaft, da Alemanha, STMicroelectronics, da Itália, Micronas, da Alemanha, entre outras.
A 1worldspace operava dois satélites, AfriStar e AsiaStar. Com eles, o serviço alcançava a Ásia, a África, o Oriente Médio e partes da Europa.
A empresa também encomendou um terceiro satélite, AmeriStar, chamado ainda de CaribStar e mais tarde renomeado AfriStar 2. O satélite foi construído, mas nunca lançado. Um quarto satélite, WorldStar 4, chegou a ser cogitado e alguns componentes foram adquiridos, mas o aparelho completo nunca foi construído.
Os centros regionais de operações dos satélites ficavam em Silver Spring, Maryland, para o AfriStar, e em Melbourne, na Austrália, para o AsiaStar. Esses centros controlavam e acompanhavam o desempenho e o estado dos satélites. A arquitetura do sistema era idêntica em cada região.
As estações terrenas de telemetria, comando e determinação de distância, conhecidas pela sigla TCR, tinham um sistema de comando e controle de enlace ascendente em Banda X e um sistema de monitoramento de telemetria em Banda L. Havia um modo de reserva por meio de um enlace em Banda S a partir de Bangalore, na Índia. Cada satélite tinha duas estações TCR suficientemente distantes entre si para que uma estação de reserva permanecesse disponível caso um desastre natural ou outro imprevisto tornasse a outra inoperante. As estações TCR do AfriStar ficavam em Bangalore e em Porto Luís, em Maurício. As do AsiaStar ficavam em Melbourne e em Porto Luís.
Além das estações TCR, cada satélite tinha uma estação de monitoramento do sistema de comunicações, ou CSM, para acompanhar continuamente a qualidade dos serviços de enlace descendente. As instalações CSM do AfriStar ficavam em Libreville, no Gabão, e em Joanesburgo, na África do Sul. A do AsiaStar ficava em Melbourne, na Austrália.
Os usuários compravam receptores compatíveis com a frequência da Banda L para acessar o sistema. O receptor processava, decodificava e desembaralhava os sinais para permitir o acesso à programação. A frequência de transmissão e os satélites da empresa exigiam um projeto especial de receptor, com uma pequena antena de painel de aproximadamente 6 a 8 cm que podia ser dobrada para dentro do aparelho, ou uma antena omnidirecional de tamanho semelhante instalada no teto do automóvel. Cada receptor podia ser endereçado individualmente por um identificador único, usado para desbloquear sinais de áudio ou multimídia codificados. O recurso permitia oferecer serviços gratuitos, por assinatura ou premium.
Os receptores disponíveis à época eram programados manualmente para autorizar a assinatura. O assinante recebia uma senha, válida por um período variável conforme a duração da assinatura comprada e paga, e a inseria no receptor. As senhas eram revalidadas a cada trimestre. Quando a assinatura era renovada, o assinante recebia um novo código para inserir da mesma forma. A empresa planejava adotar a ativação das assinaturas pelo ar à medida que novos modelos de receptores fossem lançados.
Os aparelhos capazes de captar os sinais da 1worldspace eram fabricados pela AMI, da Coreia do Sul, pela BPL, da Índia, e pela Tongshi, da China, entre outras empresas. Modelos descontinuados eram fabricados pela JVC, Sanyo, Hitachi e Panasonic. Os rádios tinham um receptor de satélite e uma antena que precisava ser instalada com visão desobstruída do satélite correspondente e orientada corretamente segundo o azimute e a elevação geográfica do usuário. Um novo receptor fabricado pela Delphi com a tecnologia de padrão aberto ETSI Satellite Digital Radio teria sido usado na Europa se a empresa tivesse ingressado no mercado de receptores de rádio por satélite para automóveis.
A 1worldspace acabou insolvente em 2009/2010, depois de uma longa sucessão de crises financeiras. No primeiro trimestre de 2008, a empresa teve uma perda líquida de 2.676 assinantes e informou que reduziria suas atividades de marketing em todo o mundo. A WorldSpace teve prejuízo líquido de US$ 36 milhões no segundo trimestre de 2008, ante US$ 51,2 milhões no segundo trimestre de 2007. Em 2008 e 2009, a empresa acumulou dívidas e teria ficado devendo mais de US$ 50 milhões a seus credores, com prazos de pagamento adiados repetidas vezes.
A empresa entrou com pedido de proteção contra falência sob o Capítulo 11 em 17 de outubro de 2008. A reorganização previa um financiamento devedor-em-posse de US$ 13 milhões por 90 dias, na expectativa de obter recursos adicionais para pagar títulos seniores garantidos e dívidas convertíveis. A subsidiária integral da empresa na Índia não estava incluída no pedido de falência.
Em agosto de 2008, dois dos principais executivos da 1worldspace anunciaram que deixariam seus cargos. Greg Armstrong, codiretor de operações, saiu em 1 de agosto, e Alexander Brown, também codiretor de operações, comunicou a intenção de deixar a empresa.
Anúncios de áudio da WorldSpace em 2006 apresentavam a capacidade da empresa de fornecer serviços de comunicação e transmissão de dados a áreas remotas, em especial em situações de socorro a desastres. As peças também mencionavam o apoio da WorldSpace a projetos de educação a distância na África. Os anúncios, transmitidos por estações de rádio de Washington, D.C., pareciam ter como público funcionários responsáveis por compras governamentais e, possivelmente, organizações não governamentais.
A WorldSpace escolheu o compositor indiano A. R. Rahman como embaixador da marca na Índia, onde ficavam 90% de seus clientes, e lançou uma campanha integrada de marketing em mídia impressa e visual, acompanhada por uma melodia exclusiva composta por Rahman.
A WorldSpace Foundation era uma organização isenta de impostos sob a seção 501(c)(3) do código tributário dos Estados Unidos, criada em 1997 para melhorar a alfabetização na África e distribuir conteúdo por satélite a pequenas estações de rádio comunitárias no continente. A WorldSpace Foundation mudou seu nome para First Voice International.
A First Voice International era uma organização sem fins lucrativos que procurava garantir que pessoas pobres ou residentes de lugares remotos recebessem as informações de que precisavam para melhorar suas condições, tivessem meios de comunicar suas necessidades e desejos e pudessem compartilhar com outras pessoas o que sabiam, com sua própria voz. A organização procurava alcançar o maior número possível de pessoas pelo menor custo, combinando satélite e outras tecnologias. Para contornar os efeitos do analfabetismo e do isolamento geográfico, distribuía regularmente informações a pessoas em áreas sem eletricidade, telefone ou acesso à internet.
Como a recepção ininterrupta em linha de visada podia ser difícil em áreas urbanas, a empresa considerava necessária a instalação de transmissores repetidores terrestres para retransmitir os sinais dos satélites nas maiores regiões metropolitanas dos mercados móveis de DARS previstos. A empresa tinha licença para construir redes de repetidores terrestres na Itália, Suíça e Alemanha. Com essa infraestrutura, o sistema poderia oferecer recepção mais confiável em automóveis. A 1worldspace planejava começar a fornecer serviços móveis de rádio e dados na Itália no fim de 2009, combinando transmissões por satélite e terrestres. A empresa havia assinado um acordo com a Fiat, fabricante italiana de automóveis, para disponibilizar aos proprietários rádios capazes de receber os sinais. A Fiat planejava oferecer esses rádios como um opcional a ser encomendado antes da compra do automóvel. Se o serviço tivesse sido lançado e obtido sucesso comercial na Itália, a empresa planejava oferecer serviços semelhantes na Alemanha e na Suíça. A 1worldspace usaria o padrão aberto ETSI Satellite Digital Radio, ou SDR, no novo feixe de cobertura europeu. Os receptores para esses mercados seriam fabricados pela Delphi e ofereceriam cobertura contínua a veículos, semelhante ao serviço móvel veicular da Sirius XM.