A Companhia de Saneamento Municipal - Cesama é a empresa estatal de saneamento da cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, Brasil. Alega fornecer água para 99% da população, e coletar esgoto de 98% da população, muito embora só trate 10% deste.
Em 1887, a água de Juiz de Fora advinha de 3 mananciais da "corrente de São Mateus", que foi captada e canalizada até 2 reservatórios construídos no Alto dos Passos. Nas casas das ruas existentes à época, foram colocadas penas d'água, e assim iniciou-se o fornecimento de água encanada na cidade. Com a ampliação da cidade, deu-se a ampliação do serviço, executado pelo Serviço de Água e Esgoto, mantido pela Prefeitura durante muitos anos, até a criação do Departamento de Água e Esgoto (DAE) em 1963.
Parte da infraestrutura sob gerenciamento da companhia é detalhada abaixo.
Um dos reservatórios é o Henrique de Novaes, que fornece água para os seguintes 11 bairros: Centenário, Bairu, Progresso, Santa Paula, Marumbi, Eldorado, Nossa Senhora das Graças, Quintas da Avenida, Bom Clima, Bandeirantes e Parque Guarani.
A água fornecida à cidade é fluoretada, fornecida dentro de um valor adequado em média, e melhorou entre 1999 e 2002; porém com variação significativa das concentrações de fluoreto em análises sucessivas ao longo do tempo.
As ETAs (Etações de Tratamento de Água) são geralmente isolados dos grandes centros urbanos, próximos à zona rural, junto às represas; mas nos distritos que circundam a cidade, a água é captada de poços artesianos e ribeirões, com as ETAs junto às residências.
Construída em 1934 na sub-bacia de João Penido, Zona Norte da Cidade, com a finalidade de ser usada para abastecimento da cidade de Juiz de Fora. A construção deu-se com o barramento do Ribeirão dos Burros (o principal), e incluindo também o Córrego Grama e do Córrego Vista Alegre, e outros menores, todos afluentes do Rio Paraibuna.
Pertence à CESAMA, e é responsável por 50% do abastecimento da população, podendo chegar a 65%. É o principal manancial de abastecimento da cidade, com vazão regularizada de 750 l/s e capacidade de 16 bilhões de litros de água. A área da bacia de contribuição é de 68 km².
A represa abastece 2 Estações de Tratamento de Água: ETA João Penido (mais antiga), e ETA Marechal Castelo Branco (mais nova).
Também conhecida como Represa dos Ingleses, e Cruzeiro de Santo Antônio, possui 0,04km² de espalho d'água Foi criada em 1963 e entrou em operação em 1967, com a finalidade de abastecer parte da demanda da cidade. O reservatório, operado e mantido pela CESAMA, corresponde a 8% do abastecimento da cidade. Sua bacia hidrográfica ocupa 13,04 km², tendo como principais afluentes o Córrego São Pedro (margem esquerda) e o Córrego Grota do Pinto (margem direita), e desaguando na margem direita do Rio Paraíba do Sul, no município de Três Rios.
A bacia hidrográfico de São Pedro, que abrange vários bairros, sofre com forte pressão imobiliária (por exemplo, construção de grandes condomínios fechados), que, juntamente com a falta de políticas públicas, gera alterações qualitativas e quantitativas nas suas águas. Em 2016, isso gerava busca de fontes de água fora dos limites do município, comprometendo a autonomia municipal quanto a recursos hídricos.
A Estação de Tratamento de Água correspondente, ETA São Pedro, localizada no bairro homônimo, processa em média 120l/s.
A captação de água desta represa dá-se na taxa máxima de 780 l/s. Esta represa possui duas vantagens sobre a de João Penido: o volume de água é mais estável e a água, menos turva, portanto permitindo tratamento mais rápido.
É captada água no Ribeirão Espírito Santo, e tratada na ETA-CDI, a Estação de Tratamento de Água do Distrito Industrial, cujo nome é Walfrido Machado Mendonça. Esta estação foi ampliada desde 2009 para receber água advindo da Represa de Chapéu D'Uvas, porém, em 2015, houve movimentação do solo e assim formaram-se rachaduras que impediam o uso da nova fonte de água, consequentemente levando a carga maior sobre as outras represas, ao invés da distribuição da demanda entre as fontes. Isto foi denunciado pelo SinÁgua, o sindicato dos trabalhadores da empresa, e a CESAMA entrou com ação judicial contra e empresa de engenharia responsável pela obra. Desde 2012 notava-se pequeno deslocamento entre a parte nova e a antiga, porém com os testes operacionais de carga em 2014, as rachaduras se tornaram muito maiores. Foram executados projetos de estabilização do solo, mas que não surtiram efeito no grau desejado. Com a ampliação, a capacidade de tratamento de água aumentaria de 600 l/s para 1200 l/s.
Rodízios de abastecimento consistem de não fornecer água para todos os bairros, todo o tempo, todos os dias. Os bairros são divididos em grupos e recebem fornecimento de água alternadamente.
Possuía 650~660 funcionários em 2016, e 700 funcionários em 2015, tendo sido em 2007 o último concurso público da companhia.
Seus funcionários são selecionados em concurso público, tendo vínculo de trabalho regido pela CLT, e busca-se manutenção dos quadros, evitando-se rotatividade de recursos humanos. Isto gera nos funcionários forte vínculo com o trabalho, seja pelo tempo de empresa, quanto pela situação de emprego garantido mesmo em cenários gerais de desemprego e trabalhos informais. A maioria dos funcionários é de sexo masculino, devido ao trabalho operacional ser mais expressivo, e haver historicamente uma correlação entre sexo masculino e trabalhos com exigência física. Os funcionários possuem jornadas de 40 ou 44 horas semanais, além da possibilidade de plantões e horas-extra.
Nas ETAS (Estações de Tratamento de Água), os trabalhos são desenvolvidos em jornada 12/36 (12 horas de trabalho, e 36 de descanso), e devido à repetitividade dos movimentos necessários à função, e posturas inadequadas, traz o risco de desenvolvimento de distúrbios músculo-esqueléticos. Estes são então os funcionários que precisam de maior adequação ergonômica em toda a empresa. Recebem abono salarial devido ao ambiente insalubre. Em uma pesquisa de 2007, mostravam-se conscientes a respeito de riscos trazidos pelos compostos químicos usados no tratamento da água, mas mesmo 90% apresentando dores musculares (50% na região lombar e juntas das pernas), não sabiam informar qual postura ou atividade causava isto. O estudo indicou quais atividades estavam sendo realizadas em precauções e/ou ferramentas adequadas, sugerindo instalação de roldanas nos poços de aferição de infiltração, suportes para os pés, aprofundamento do poço e do acesso da saída d'água, bem como treinamento/apostilas para conscientização a respeito de posturas e melhores práticas.
Em 2018, foi constatado que a CESAMA não enviava mais leituristas aos bairros Vila Esperança I e Vila Esperança II (6ª posição entre os 10 bairros mais perigosos da cidade) há cerca de um ano, como forma de garantir a integridade física dos seus funcionários. Os cerca de 1300 clientes da região passaram a ter suas contas calculadas por média de consumo e enviadas pelos Correios, que por sua vez, só fazem entregas nos bairros em questão duas vezes por semana, se fornecida escolta policial.
Em 2016, um funcionário (leiturista) havia sido assaltado no Vila Esperança II sob ameaça de um revólver, perdendo seu celular particular e o da empresa, enquanto aferia o consumo nos hidrômetros. Em 2017, situação semelhante ocorreu no bairro JK, quando outro leiturista foi assaltado e perdeu um celular, desta vez ameaçado com uma faca.
O sindicato pertinente à CESAMA é o SinÁgua (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Purificação e Distribuição de Água e Serviços de Esgoto de Juiz de Fora).
A maioria das localidades que teve mais mortes violentas no último quinquênio também é marcada por constantes confrontos entre grupos rivais, como Santo Antônio, Santa Rita, Jardim Natal, Vila Esperança II e Furtado de Menezes.
A Cesama afirmou que cerca de 1.300 clientes dos bairros Vila Esperança I e II já não recebem leituristas em suas casas. O valor das contas mensais de água nestes casos é calculado conforme uma média de consumo. A companhia afirmou que “os serviços de leitura foram suspensos com o objetivo de preservar a integridade física de seus empregados”. A Cesama informou ainda que, independentemente da área, sempre passa orientações de segurança a seus servidores. O último roubo registrado na Vila Esperança II aconteceu no dia 26 de outubro de 2016. [...] Um morador da Rua Dona Ana Salles, que é o acesso principal aos bairros Vila Esperança I e Vila Esperança II, na Zona Norte, afirma que a Cesama não envia funcionários para fazer a leitura dos hidrômetros na região há cerca de um ano.