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A Cerca do Amaro, também denominada Mocambo do Amaro, foi um mocambo fortificado dos Palmares, documentado na década de 1670. A Relação de 1678, uma das principais fontes seiscentistas sobre Palmares, descreve o assentamento como um dos maiores e mais defensáveis da rede palmarina e o associa a uma liderança chamada Amaro.
Segundo a mesma fonte, o mocambo era protegido por grandes estacadas, possuía mais de mil casas e ocupava uma área de quase uma légua. Durante a campanha comandada por Fernão Carrilho em 1677, Gana Zumba refugiou-se na Cerca do Amaro depois dos ataques ao Macaco e à Cerca de Subupira. O assentamento foi em seguida atacado pelas tropas coloniais.
A Relação de 1678 inclui a Cerca do Amaro entre os maiores assentamentos dos Palmares. O documento a descreve como fortificada por "grandes e grossas estacadas", com extensão de quase uma légua e mais de mil casas. Esses dados colocam o mocambo, juntamente com Macaco e Subupira, entre os principais núcleos descritos pela documentação da década de 1670.
A fonte seiscentista situa a Cerca do Amaro cerca de nove léguas a noroeste de Sirinhaém. A localização exata dos mocambos de Palmares permanece, contudo, incerta. As reconstruções cartográficas modernas dependem de distâncias e direções fornecidas pela documentação da época, e Silvia Hunold Lara salienta que os pontos representados nos mapas recentes são aproximados.
O assentamento estava associado a uma liderança chamada Amaro. A narrativa da campanha de 1677 refere-se a ele como figura conhecida nos Palmares e temida nas povoações portuguesas próximas.
A associação entre a liderança e o assentamento também aparece na historiografia posterior. Edison Carneiro identifica Amaro como chefe do mocambo que recebeu seu nome.
A Cerca do Amaro teve papel importante na fase final da campanha de Fernão Carrilho contra os principais assentamentos de Palmares em 1677. Depois da invasão do Macaco, Gana Zumba retirou-se para Subupira; atacada também esta povoação, seguiu para o mocambo do Amaro. A narrativa seiscentista relata que, em novembro de 1677, tropas portuguesas receberam a informação de que Gana Zumba se encontrava reunido com Amaro em seu mocambo. O assentamento foi então atacado. A expedição fez dezenas de prisioneiros, entre eles parentes e integrantes da elite política palmarina, enquanto outros habitantes morreram ou conseguiram escapar.
Depois do assalto, outras tropas continuaram a percorrer a região em busca dos sobreviventes, descritos na fonte como as "relíquias do mocambo do Amaro". Carrilho concluiu a campanha em janeiro de 1678 considerando destruídos os principais mocambos dos Palmares. Lara observa que a ofensiva atingiu profundamente a estrutura política e militar palmarina e constituiu um dos antecedentes imediatos das negociações de paz iniciadas no ano seguinte.
O projeto Documenta Palmares, da Universidade Estadual de Campinas, adota Cerca do Amaro como nome normalizado do assentamento e registra Mocambo do Amaro como outra denominação presente na documentação.