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O Mocambo de Aca Inene foi um mocambo fortificado dos Palmares, associado a Aca Inene e documentado na década de 1670. A Relação de 1678 inclui-o entre os maiores e mais defensáveis assentamentos palmarinos e o situa cinco léguas ao norte do Mocambo do Zambi.
Em 1677, durante uma campanha comandada por Fernão Carrilho, forças coloniais alcançaram a cerca, cujos habitantes a abandonaram antes do ataque. A documentação registra mortos e a captura de nove ou dez pessoas, mas Aca Inene não foi encontrada.
A Relação de 1678 descreve os Palmares como uma rede de grandes mocambos distribuídos por uma extensa região do interior da Capitania de Pernambuco. Entre os maiores assentamentos mencionados estavam os mocambos do Zambi, Aca Inene, Tabocas, Dambiabanga, Subupira, Macaco, Osenga, Amaro e o Palmar de Andalaquituxe. Nesse conjunto, o Mocambo de Aca Inene aparece cinco léguas ao norte do Mocambo do Zambi. A fonte associa o assentamento a Aca Inene, personagem que descreve como “mãe do rei”.
Felipe Aguiar Damasceno, ao reconstruir a disposição territorial dos Palmares para o período aproximadamente entre 1669 e 1674, situou os mocambos do Zambi, Aca Inene, Dambiabanga, Subupira e Macaco a noroeste de Porto Calvo e Sirinhaém, seguindo as rotas das expedições coloniais descritas nas fontes. Silvia Hunold Lara ressalta, contudo, o caráter aproximado dessas reconstruções.
Em 1677, o governador Pedro de Almeida enviou uma expedição contra os Palmares sob o comando de Fernão Carrilho. A narrativa seiscentista da campanha registra que as tropas partiram em demanda da cerca de Aqua Inene, identificando esse nome como o da pessoa descrita na fonte como “mãe do rei”, que residia num mocambo fortificado.
Em 4 de outubro de 1677, quando a aproximação da tropa foi percebida, os habitantes abandonaram rapidamente a cerca. Os soldados perseguiram o grupo, mataram um número não especificado de pessoas e capturaram nove ou dez. Aca Inene não foi localizada; dias depois, uma mulher que a acompanhava foi encontrada morta.
Os prisioneiros forneceram informações sobre a localização de outras lideranças dos Palmares. A campanha prosseguiu depois em direção a Subupira, onde Carrilho estabeleceu um arraial e organizou novas incursões contra outros mocambos.
As fontes situam o Mocambo de Aca Inene a noroeste de Porto Calvo. A descrição geral de 1678 o coloca cinco léguas ao norte do Mocambo do Zambi.
As versões seiscentistas da narrativa da campanha de 1677 apresentam pequenas diferenças nas distâncias atribuídas à cerca. Por isso, e pelo caráter aproximado das reconstruções cartográficas modernas, não é possível atribuir coordenadas precisas ao assentamento histórico.
O projeto Documenta Palmares, da Universidade Estadual de Campinas, adota Mocambo de Aca Inene como forma normalizada e registra Cerca de Aca Inene como variante.
Nos manuscritos seiscentistas ocorre também a forma Aqua Inene. Formas como Aqualtune, Acotirene e Arotirene pertencem à transmissão historiográfica posterior do nome de Aca Inene e não constituem a forma adotada pela edição crítica moderna.