O Mocambo do Osenga foi um mocambo dos Palmares, documentado na década de 1670. A Relação de 1678, uma das principais fontes seiscentistas sobre Palmares, inclui o assentamento entre os maiores núcleos da rede palmarina e o situa a cerca de cinco léguas a oeste do Mocambo do Macaco.
O mocambo estava associado a uma liderança chamada Osenga, mencionada pela documentação como um dos "grandes potentados" e chefes de mocambos subordinados à estrutura política encabeçada por Gana Zumba.
Na descrição territorial conservada pela Relação de 1678, os principais mocambos de Palmares distribuíam-se por uma extensa área a noroeste das povoações coloniais de Porto Calvo e Sirinhaém. O documento situa a Cerca de Subupira ao norte de Dambiabanga, o Macaco ao norte de Subupira e o mocambo do Osenga cinco léguas a oeste do Macaco.
Segundo Silvia Hunold Lara, essa rede de assentamentos estava ligada a uma hierarquia política e militar. A documentação identifica Gana Zumba como principal governante e nomeia diversas outras lideranças à frente de mocambos. Entre elas aparecem Osenga, Dambiabanga, Pacassa e Dambi, descritos como grandes potentados e chefes de assentamentos.
A localização exata do Mocambo do Osenga permanece incerta. Ao reconstruir a geografia de Palmares no século XX, Edison Carneiro propôs situá-lo nas proximidades do antigo arraial do Limoeiro, entre os ribeiros Paraibinha e Jundiá, então no município de Viçosa. O próprio Carneiro, contudo, classificou essa e outras localizações de mocambos como "apenas conjecturas".
Lara observa que essas propostas acabaram sendo repetidas pela historiografia e pela cartografia posterior, contribuindo para fixar uma distribuição espacial dos mocambos que nem sempre pode ser demonstrada diretamente pela documentação seiscentista. Reconstruções mais recentes procuram, por isso, distinguir os diferentes períodos de ocupação de Palmares e tratam as localizações cartográficas como aproximadas.
Em 29 de julho de 2026, o estado de Alagoas promulgou a Lei n.º 9.990, que declarou Patrimônio Histórico e Cultural estadual um local no município de Chã Preta identificado pela legislação como o antigo Mocambo de Osenga.
O reconhecimento legal não encerrou a investigação sobre a localização histórica do assentamento. Em 2026, um projeto arqueológico desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas na região de Palmares incluiu o Mocambo do Osenga entre os locais considerados na pesquisa, procurando relacionar os vestígios materiais às fontes documentais e à memória das comunidades locais.
O projeto Documenta Palmares, da Universidade Estadual de Campinas, adota Mocambo do Osenga como forma normalizada do nome do assentamento. O nome Osenga aparece igualmente entre os nomes próprios africanos normalizados pelo projeto.