O Mocambo do Mouza foi um mocambo dos Palmares, documentado no início do século XVIII no sertão de Sirinhaém, em Pernambuco, e comandado por Mouza. O assentamento integrou a fase posterior à destruição da Cerca do Barriga, em 1694, e à morte de Zumbi, em 1695, quando grupos palmarinos menores e territorialmente dispersos continuaram ativos na região.
O mocambo foi cercado e destruído em 1714, ocasião em que Mouza foi capturado juntamente com outras pessoas. A historiadora Silvia Hunold Lara o considera o mais tardio entre os mocambos de Palmares identificados na documentação utilizada em suas pesquisas.
A destruição da Cerca do Barriga e a morte de Zumbi não encerraram a existência dos assentamentos associados aos Palmares. A documentação das primeiras décadas do século XVIII registra grupos menores e dispersos por diferentes regiões. Lara identifica três mocambos desse período que podem ser localizados de forma aproximada: os comandados por Camuanga, João Martins e Mouza, situados respectivamente nos sertões de Porto Calvo, do rio Coruripe e de Sirinhaém.
Esses assentamentos foram destruídos aproximadamente em 1704, 1705 e 1714. Segundo Lara, embora o número de mocambos tivesse diminuído em relação às décadas anteriores, continuavam presentes características de dispersão territorial e militarização.
Marc A. Hertzman situa o Mocambo do Mouza entre os núcleos formados ou mantidos pelas redes de fugitivos que sobreviveram e se reorganizaram depois de 1695. Esses assentamentos ocupavam uma área menor que a controlada pelos palmarinos durante as décadas de 1680 e 1690, mas demonstram a continuidade dessas redes no século XVIII.
Lara situa o Mocambo do Mouza no sertão de Sirinhaém. A localização deve ser entendida de forma aproximada, pois a reconstrução cartográfica dos mocambos desse período depende das referências geográficas e itinerários registrados na documentação colonial, não de coordenadas arqueologicamente estabelecidas.
Segundo Hertzman, uma comunicação de 1714 descreve Mouza como responsável por ataques realizados a partir de seu mocambo, localizado nos chamados "matos dos Palmares". As forças coloniais conseguiram localizar o assentamento e submetê-lo a cerco. Mouza foi capturado juntamente com outro homem, duas mulheres e uma menina que as fontes consideravam provavelmente sua filha.
Lara situa a destruição do mocambo em 1714. Em entrevista à revista Pesquisa FAPESP, a historiadora afirmou que, entre os assentamentos palmarinos identificados em sua investigação, o Mocambo do Mouza foi o mais tardio, tendo sido extinto naquele ano.
A captura da liderança não encerrou imediatamente seu percurso documental. Em março de 1715, Mouza ainda se encontrava preso em Sirinhaém, gravemente ferido e sem condições de ser transportado para Lisboa.
O projeto Documenta Palmares, da Universidade Estadual de Campinas, adota Mocambo do Mouza como forma normalizada do nome do assentamento.
O nome deriva da liderança Mouza, cuja forma Mouzá também aparece registrada nas fontes e é conservada pelo Documenta Palmares como variante.