O Mocambo do Zambi foi um mocambo integrante dos Palmares, documentado na segunda metade do século XVII. A Relação de 1678, uma das principais fontes seiscentistas sobre Palmares, situa-o a dezesseis léguas a noroeste de Porto Calvo e o inclui entre os maiores e mais defensáveis mocambos da região.
Reconstruções historiográficas modernas situam o assentamento na configuração territorial dos Palmares correspondente aproximadamente ao período entre 1669 e 1674. A identidade da pessoa denominada Zambi, que deu nome ao mocambo, não está estabelecida com segurança e não deve ser confundida automaticamente com Zumbi dos Palmares.
A descrição geográfica mais detalhada do assentamento encontra-se na chamada Relação da ruína dos Palmares, escrita em 1678 e atribuída ao padre Antonio da Silva. O texto enumera os principais mocambos dos Palmares e coloca o Mocambo do Zambi a dezesseis léguas a noroeste de Porto Calvo. Ao norte dele, a cinco léguas, situava-se o Mocambo de Aca Inene, seguido, mais a leste, pelos dois mocambos das Tabocas. A mesma fonte inclui esses assentamentos entre os maiores e mais defensáveis dos Palmares.
Felipe Aguiar Damasceno, utilizando as versões seiscentistas da Relação preservadas no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e na Biblioteca Pública de Évora, reconstruiu a disposição territorial descrita no documento como correspondente aproximadamente ao período entre 1669 e 1674. Seguindo o percurso das expedições coloniais, situou os mocambos do Zambi, Aca Inene, Dambiabanga, Subupira e Macaco a noroeste de Porto Calvo e Sirinhaém, num percurso total aproximado de 135 quilômetros. Essas localizações são reconstruções aproximadas a partir das distâncias e direções registradas nas fontes e não permitem atribuir coordenadas precisas ao assentamento histórico.
A identidade do Zambi associado ao mocambo é objeto de diferentes interpretações historiográficas. Autores do século XX, como Edison Carneiro e R. K. Kent, identificaram ou trataram o Zambi das fontes da década de 1670 como Zumbi dos Palmares.
Estudos mais recentes recomendam maior cautela. O historiador Marc A. Hertzman observa que as formas Zambi e Zumbi correspondiam a termos distintos nas línguas bantas da África Centro-Ocidental, considerando improvável que fossem simplesmente confundidas pelos seus falantes. A documentação colonial também pode referir-se a mais de uma pessoa chamada Zambi.
Hertzman considera provável que o Zambi ferido durante uma campanha de Manuel Lopes em 1675 não fosse a mesma pessoa conhecida como Zumbi e morta em 1695. O projeto Documenta Palmares igualmente mantém Mocambo do Zambi e Mocambo do Zumbi como entradas distintas em sua normalização dos topônimos.
O projeto Documenta Palmares, da Universidade Estadual de Campinas, adota Mocambo do Zambi como forma normalizada.