O Velho Palmares foi um mocambo dos Palmares, conhecido sobretudo pela descrição feita durante uma expedição das forças do Brasil Holandês em março de 1645. Quando alcançado pela tropa em 18 de março, o assentamento estava abandonado havia aproximadamente três anos, segundo o diário da expedição, que atribuiu o abandono à insalubridade do local e à morte de numerosos habitantes.
O diário descreve o Velho Palmares como um assentamento de aproximadamente meia milha de comprimento, protegido por paliçadas e cercado por antigas áreas de cultivo. Estudos posteriores o distinguem de outros assentamentos encontrados pela mesma expedição, entre eles o Novo Palmares.
Uma expedição holandesa partiu de Salgados em 26 de fevereiro de 1645 em direção aos Palmares. O capitão Johan Blaer, que dava nome à expedição e ao diário posteriormente produzido sobre a marcha, adoeceu gravemente no início de março e regressou às Alagoas. O comando da tropa passou então ao tenente Jürgens Reijmbach. Depois de atravessar rios, campos, matas e regiões montanhosas, a força alcançou, em 18 de março, um local que o diário denomina Velho Palmares. Segundo o documento, seus habitantes haviam deixado o assentamento cerca de três anos antes porque o lugar era considerado insalubre e muitas pessoas haviam morrido ali.
O Velho Palmares tinha, segundo o diário, aproximadamente meia milha de comprimento e duas entradas. Uma rua de cerca de uma braça de largura atravessava o assentamento, e em seu centro havia duas cisternas. O documento menciona também um pátio onde anteriormente estivera a casa do rei. O espaço teria sido utilizado pelo governante para realizar exercícios com seus seguidores. As entradas eram protegidas por duas linhas de paliçadas ligadas por travessas, que, no momento da chegada da expedição, estavam tomadas pela vegetação. Nas áreas próximas existiam extensas roças e plantações igualmente abandonadas. Embora já não fossem cultivadas, ainda continham pacovas e cana, utilizadas como alimento pelos integrantes da expedição.
Ana Carolina Viotti destaca a descrição do Velho Palmares como uma das primeiras observações coloniais detalhadas da organização interna de um grande assentamento dos Palmares.
No dia seguinte à chegada ao Velho Palmares, a expedição encontrou outro Palmares, situado a cerca de meia milha. Esse segundo assentamento havia sido parcialmente incendiado anteriormente por uma força composta por holandeses e indígenas. Seus habitantes haviam abandonado o local e construído, a sete ou oito milhas de distância, um novo assentamento. Durante a marcha de 20 de março, os expedicionários encontraram ainda diversos pequenos mocambos construídos durante esse deslocamento. Em 21 de março alcançaram finalmente o Novo Palmares.
O diário de 1645 informa diretamente apenas que o Velho Palmares havia sido abandonado aproximadamente três anos antes. Na reconstrução cartográfica elaborada por Felipe Aguiar Damasceno, o assentamento é representado no intervalo aproximado de 1614 a 1642.
O percurso registrado pela expedição de 1645 permite reconstruir aproximadamente a área em que se encontrava o Velho Palmares. O grupo alcançou o assentamento depois de atravessar a região do rio Paraíba e subir por cursos de água e áreas montanhosas situadas no interior da então Capitania de Pernambuco. Damasceno utilizou o diário, a hidrografia e a topografia regional para propor uma localização aproximada do assentamento em sua reconstrução cartográfica dos Palmares de meados do século XVII.
O projeto Documenta Palmares, da Universidade Estadual de Campinas, adota Velho Palmares como entrada normalizada. A mesma lista mantém separadamente uma entrada denominada Mocambo Velho, tratada como uam entidade distinta.