Fátima do Sul | |
|---|---|
| Hino | |
| Lema | Cidade favo de mel |
| Gentílico | fatimassulense |
![]() | |
| Coordenadas: 22° 22′ 26″ S, 54° 30′ 50″ O | |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Mato Grosso do Sul |
| Municípios limítrofes | Dourados, Caarapó, Vicentina, Glória de Dourados e Deodápolis |
| Distância até a capital | 232 km |
| Fundação | 9 de julho de 1954 (72 anos) |
| Emancipação | 11 de dezembro de 1963 (62 anos) - de Dourados |
| Distritos | Lista
|
| Governo | |
| • Prefeito(a) | Wagner Roberto Ponsiano (PSDB, 2025–2028) |
| Área | |
| • Total | 315,333 km² |
| • Urbana est. Embrapa | 4,309 km² |
| Altitude | 352 m |
| População | |
| • Total (est. IBGE 2026) | 21 615 hab. |
| • Posição | MS: 31º |
| Densidade | 68,5 hab./km² |
| Clima | tropical (Aw) |
| Fuso horário | Hora do Amazonas (UTC−4) |
| CEP | 79700-000 |
| IDH (PNUD/2010) | 0,714 — alto |
| • Posição | MS: 13º |
| Gini (PNUD/2010) | 0,52 |
| • Posição | MS: 58º |
| PIB (IBGE/2023) | R$ 769 333,000 mil |
| • Posição | MS: 40º |
| • Per capita (IBGE/2023) | R$ 37 329,97 |
| Sítio | fatimadosul.ms.gov.br (Prefeitura) |
Fátima do Sul é um município brasileiro do estado de Mato Grosso do Sul, na Região Centro-Oeste. Segundo a divisão regional vigente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), integra a região imediata de Dourados e a região intermediária de Dourados; na divisão anterior, de 2008, pertencia à microrregião de Dourados e à mesorregião do Sudoeste de Mato Grosso do Sul. O município tem 315,333 km² de área — uma das menores do estado — e população de 20 609 habitantes no Censo 2022; a estimativa do IBGE para 1º de julho de 2026 era de 21 615 habitantes.
A ocupação do território remonta à Colônia Agrícola Nacional de Dourados, criada em 1943 pelo governo federal, e ao povoado formado às margens do rio Dourados, que recebeu sucessivamente os nomes de Porto Ubatuba e Vila Brasil antes de se tornar distrito de Dourados em 1958 e município em 1963.
A economia municipal baseia-se na agropecuária e no comércio, com participação da agroindústria sucroenergética; em 2023, o PIB a preços correntes somou R$ 769,333 milhões, com PIB per capita de R$ 37 329,97.
O topônimo atual resultou de um plebiscito realizado após a emancipação: o nome "Vila Brasil" já não correspondia à identidade local, e uma comissão selecionou dez nomes para consulta popular — entre eles Porto Vitória, Marechal Rondon, Fátima do Sul, Campinas do Sul, Novo Planalto, Rio Brasil, Pira-Porã, Brasilândia, Novo Brasil e Culturama. O mais votado foi "Fátima do Sul", seguido de Culturama e Novo Planalto. A mudança foi oficializada pela Lei Municipal nº 6, de 16 de junho de 1965, e ratificada pela Lei Estadual nº 2.591, de 31 de dezembro de 1965.
O gentílico correspondente é fatimassulense. O município é conhecido pelo apelido de "Favo de Mel", incorporado ao lema municipal.
A origem de Fátima do Sul está vinculada ao processo de colonização dirigida promovido pelo governo federal no Estado Novo. Pelo Decreto-Lei nº 5.941, de 28 de outubro de 1943, o presidente Getúlio Vargas instituiu a Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND), subordinada ao Ministério da Agricultura, com o objetivo de parcelar grandes extensões de terras em lotes de 30 hectares destinados a pequenos lavradores.
A administração da colônia abriu trilhas — as chamadas "picadas" — para demarcar lotes e permitir a penetração na mata. Em 1953, a primeira zona da colônia estava totalmente colonizada; a chegada constante de migrantes forçou a expansão para leste, e uma das picadas abertas deu origem à atual BR-376, ligação entre Dourados e Fátima do Sul. À margem esquerda do rio Dourados formou-se um núcleo de habitações simples, muitas de pau-a-pique cobertas de sapé, que recebeu inicialmente nomes como Barranca, Porto Ubatuba e Porto Vitória; ali foram instalados os primeiros armazéns, farmácias e casas de tecidos. A travessia do rio era feita por uma balsa construída sobre tambores metálicos, operada por Evaristo, proprietário da primeira embarcação do local; em uma das travessias, a balsa sobrecarregou e mais de quinze pessoas morreram.
Em 8 de novembro de 1953, o frei Frederico Miés celebrou a primeira missa no povoado e, consultado sobre o nome da vila, sugeriu "Vila Brasil", em referência à diversidade de origem dos colonos. Em 9 de julho de 1954, cerca de 450 homens atravessaram o rio e iniciaram, por conta própria, a demarcação e distribuição de lotes na margem direita — movimento contrário ao plano da administração da colônia, que previa a formação de uma cidade onde hoje está Glória de Dourados. A ocupação prosseguiu e a nova área cresceu rapidamente, com uma feira livre que se formava aos domingos ao longo da atual Avenida 9 de Julho. Em 12 de outubro de 1954 foi construída a primeira capela, dedicada a Nossa Senhora Aparecida, e em 30 de maio de 1957 foi inaugurada a Igreja Matriz provisória; a paróquia local foi criada em 31 de agosto de 1963.
Vila Brasil foi elevada à categoria de distrito do município de Dourados pela Lei Estadual nº 1.125, de 17 de novembro de 1958, projeto do deputado estadual Wilson Dias Pinho; na época, o distrito abrangia áreas que hoje pertencem a Jateí e a Glória de Dourados. O movimento pela emancipação organizou-se em 1963, liderado por uma comissão presidida por José Alves da Silva, e culminou na Lei Estadual nº 2.057, de 11 de dezembro de 1963, que elevou o distrito à categoria de município. Em 20 de dezembro do mesmo ano, a Lei Estadual nº 2.095 criou o distrito de Vicentina, anexado ao novo município; a elevação à comarca de primeira entrância ocorreu em 28 de outubro de 1964, e as primeiras eleições municipais realizaram-se no início de 1964, elegendo Antonio Gabriel Moreira como primeiro prefeito, empossado em 2 de maio de 1965. A instalação do município ocorreu em 18 de maio de 1965, conforme a formação administrativa do IBGE.
Ainda em 1965, a Câmara Municipal aprovou a mudança do nome do município, confirmada no plano estadual no fim daquele ano. Pela Lei Estadual nº 3.730, de 4 de junho de 1976, foi criado o distrito de Culturama; em 1987, a Lei Estadual nº 725 desmembrou o distrito de Vicentina, elevado a município. Desde então, o município é constituído por dois distritos: Fátima do Sul (sede) e Culturama. Com a criação do estado de Mato Grosso do Sul pela lei complementar federal nº 31, de 11 de outubro de 1977, o município passou a integrar a nova unidade federativa.
A sede municipal localiza-se a 22°22'26" de latitude sul e 54°30'50" de longitude oeste, a cerca de 232 km de Campo Grande por rodovia. O município limita-se com Dourados, Caarapó, Vicentina, Glória de Dourados e Deodápolis. Com área de 315,333 km², apresentava densidade demográfica de 65,36 habitantes por quilômetro quadrado no Censo 2022.
O clima da região é marcado por verão chuvoso e inverno seco, com chuvas intensas entre outubro e março e redução entre abril e setembro, resultando em precipitação média anual de 1 500 a 1 700 milímetros; as temperaturas médias anuais variam de 22 °C a 24 °C. Segundo o estudo estadual de dimensão territorial, as precipitações são regulares na maior parte do município, com período seco inferior a quatro meses na porção leste do território.
O relevo do município compreende o Planalto de Dourados e a unidade dos Divisores das Sub-Bacias Meridionais, com topografia plana e de dissecação e altitude de aproximadamente 352 metros; cerca de 84,98% do território é recoberto por latossolo vermelho. O estudo estadual registra topografia ondulada na maior parte do município, com áreas planas em menores proporções, e solos de textura argilosa e fertilidade natural variável. O município situa-se sobre a bacia sedimentar do Paraná, com rochas basálticas da Formação Serra Geral.
O principal curso d'água é o rio Dourados, que atravessa o município e cuja travessia marcou a formação do povoado. O território integra a bacia hidrográfica do rio Paraná, uma das duas grandes bacias que dividem o estado de Mato Grosso do Sul.
A paisagem original da área era recoberta por mata, o que exigiu a abertura de picadas para a colonização. A região da Grande Dourados passou por rápido crescimento econômico baseado em grandes lavouras e na pecuária, de modo que resta pouco da cobertura vegetal original.
No Censo 2022, Fátima do Sul tinha 20 609 habitantes e 7 847 domicílios particulares permanentes ocupados; a taxa de alfabetização das pessoas de 15 anos ou mais de idade era de 92,38%. A estimativa populacional do IBGE para 1º de julho de 2026 é de 21 615 habitantes.
No Censo 2010, 89,13% da população era urbana, com 16 956 moradores na área urbana e 2 068 na rural; do total, 9 360 eram homens e 9 664, mulheres. O IDHM do município era de 0,714 em 2010, tendo evoluído de 0,473 em 1991 e 0,596 em 2000; o índice de Gini era de 0,52 em 2010.
Segundo o Censo 2010, 93,68% da população era cristã — sendo 69,36% católicos, 14,28% evangélicos de origem pentecostal, 5,42% evangélicos de missão, 0,48% restauracionistas e 4,70% de outros grupos cristãos. Entre as demais denominações, registravam-se 0,56% de espíritas, 0,28% de religiões orientais e 0,02% de religiões afro-brasileiras; os sem religião somavam 4,60%, e 0,29% não declararam religião.
Em 2023, o PIB municipal a preços correntes foi de R$ 769 333 mil, com PIB per capita de R$ 37 329,97. Em 2012, o valor adicionado bruto municipal somava R$ 220,5 milhões, concentrado nos serviços (R$ 160,9 milhões), seguidos pela indústria (R$ 36,8 milhões) e pela agropecuária (R$ 22,8 milhões).
A agricultura tem participação relevante na economia local. A Produção Agrícola Municipal de 2023 registrou 28 807 hectares de área plantada ou destinada à colheita e valor total da produção de R$ 163 098 mil. Entre os produtos, a soja ocupou 14 029 hectares, com valor de produção de R$ 106 632 mil; o milho ocupou 13 040 hectares, com R$ 38 212 mil; e a cana-de-açúcar, 1 227 hectares, com R$ 11 216 mil. Na pecuária, o efetivo bovino era de 17 862 cabeças em 2023.
O município integra a região da Grande Dourados, que se consolidou como polo de produção de açúcar e álcool no estado; segundo o estudo estadual, Fátima do Sul é um dos municípios que abrigam unidades industriais do setor sucroenergético na região. Em 2013, o município registrava 38 estabelecimentos industriais, 15 de comércio atacadista e 376 de comércio varejista.
Em 2013, o município dispunha de 13 escolas de educação básica — seis municipais, quatro estaduais e três particulares — e 139 salas de aula.
Em 2013, o município tinha dois hospitais gerais, sete centros de saúde ou unidades básicas e 92 leitos hospitalares.
O principal acesso rodoviário é a BR-376, que liga Fátima do Sul a Dourados e teve origem em uma das picadas abertas durante a colonização da Colônia Agrícola Nacional de Dourados. A distância rodoviária até Campo Grande é de aproximadamente 232 km.
A padroeira do município é Nossa Senhora de Fátima; a Igreja Matriz local teve suas obras iniciadas em 1964. O aniversário do município, em julho, é celebrado com o Fátima Fest, festival com shows e programação comemorativa que reúne moradores e visitantes.
Entre os espaços de lazer e turismo do município estão o Parque Aquático e Ambiental, o Bosque da Paz, o Horto Florestal, o Parque de Eventos Beira Rio, a Praça Getúlio Vargas e a ponte sobre o rio Dourados.