The Daily Beast é um site de notícias dos Estados Unidos voltado a política, mídia e cultura pop. Fundado em 2008, pertence à People Incorporated. Noah Shachtman, editor-chefe do site de 2018 a 2021, chamou a publicação de um "tabloide sofisticado". Em uma entrevista de 2015, o ex-editor-chefe John Avlon resumiu a abordagem editorial do Beast: "Buscamos furos, escândalos e histórias sobre mundos secretos. Gostamos de enfrentar valentões, intolerantes e hipócritas." Em 2018, Avlon definiu a área de atuação do Beast como "política, cultura pop e poder".
História
The Daily Beast começou a publicar em 6 de outubro de 2008. Sua primeira editora foi Tina Brown, ex-editora da Vanity Fair, da The New Yorker e da revista Talk, que teve vida curta. O nome do site veio de um jornal fictício do romance Scoop, de Evelyn Waugh.
Em 2010, The Daily Beast se fundiu com a revista Newsweek, formando a empresa The Newsweek Daily Beast Company. A fusão terminou em 2013, quando a IAC, proprietária do Daily Beast, vendeu a Newsweek à IBT Media, dona do International Business Times. Brown deixou o cargo de editora em setembro de 2013.
John Avlon, jornalista e comentarista político dos Estados Unidos e colaborador da CNN, foi editor-chefe e diretor administrativo do site entre 2013 e 2018.
Em setembro de 2014, The Daily Beast atingiu o recorde de 21 milhões de visitantes únicos, aumento de 60% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o tamanho total de sua comunidade nas redes sociais cresceu 300%.
Em maio de 2018, Avlon deixou o Beast para trabalhar em tempo integral como analista político sênior e apresentador da CNN. O editor executivo Noah Shachtman assumiu seu lugar.
Em março de 2017, Mike Dyer, antigo diretor de estratégia e produto, deixou a empresa para trabalhar na Intel. Em maio de 2017, Heather Dietrick foi nomeada presidente e responsável pela publicação. Em julho de 2021, Shachtman anunciou que deixaria o Beast para trabalhar na Rolling Stone e que seria sucedido por Tracy Connor.
Em janeiro de 2023, Barry Diller, presidente da IAC, estudava uma possível venda do The Daily Beast. Em junho, Diller anunciou o fim das negociações e afirmou que o site "não está à venda".
Em abril de 2024, Diller contratou Ben Sherwood como diretor executivo e responsável pela publicação e Joanna Coles como diretora de criação e conteúdo. Em maio, funcionários receberam ofertas de desligamento voluntário como parte de uma tentativa de reduzir custos. Cerca de 70% dos funcionários sindicalizados aceitaram a proposta, entre eles quase todos os profissionais mais antigos do Beast.
Posicionamento editorial
Em uma entrevista de abril de 2018, Avlon definiu a linha política da publicação como "apartidária, mas não neutra": "isso significa que vamos criticar os dois lados quando for apropriado, mas não vamos buscar uma equivalência moral mítica em todas as questões". Em abril de 2017, ao falar da abordagem da organização no podcast do Poynter Institute, Avlon disse: "Não vamos seguir nenhuma linha partidária."
O crítico de mídia do The Washington Post Erik Wemple afirmou em 2018: "Levando em conta seu tamanho, [The Daily Beast] é uma operação impressionante. Do meu ponto de vista, faz algumas coisas bem: trabalha muito ao telefone, nem sempre segue a mesma história que todo mundo está cobrindo e é rápido." Ainda em 2018, o editor-chefe Noah Shachtman chamou The Daily Beast de um "tabloide sofisticado" aberto ao jornalismo gonzo.
Shachtman resumiu em 2018 a política de redes sociais do The Daily Beast para seus jornalistas em três regras principais. "Vocês são repórteres, não líderes de torcida", portanto não deveriam assumir publicamente uma posição partidária. Também deveriam evitar discurso de ódio e publicações capazes de ofender um grupo e "não colocar seus colegas repórteres em apuros". The Atlantic e GBH News classificaram a orientação política do site como de tendência liberal, em 2024 e 2012, respectivamente. O Business Insider classificou a redação do The Daily Beast como "de esquerda".
Formato
Uma das seções do The Daily Beast é a Cheat Sheet, apresentada como uma seleção de "leituras essenciais de todo lugar". Publicada ao longo do dia, ela reúne artigos de veículos de notícias on-line sobre assuntos populares. A Cheat Sheet traz resumos curtos e um link para o texto integral no site responsável pela publicação original. Ela pode ser acessada em thedailybeast.com/cheat-sheet.
Depois do lançamento, o site criou outras seções, entre elas uma versão em vídeo da Cheat Sheet e a Book Beast. O site cria com frequência páginas temáticas de caráter enciclopédico sobre assuntos como a posse do presidente Barack Obama, o esquema Ponzi de Bernard Madoff e o levante no Irã. Em 2014, a maior parte do acesso ao The Daily Beast passou a vir de dispositivos móveis, e o site lançou um aplicativo para iOS. O Nieman Lab chamou a mudança de "o início do leitor de notícias quantificado".
O estilo das ilustrações colocadas no alto de cada artigo foi definido como uma combinação de "colagens irreverentes e ilustrações de pop art".
Colaboradores
Entre os colaboradores da publicação estão escritores e ativistas políticos como:
Em maio de 2017, o repórter de segurança nacional Spencer Ackerman, integrante da equipe do The Guardian que recebeu o Prêmio Pulitzer, deixou o jornal e passou a trabalhar no The Daily Beast.
Em junho de 2017, Sam Stein, então editor político sênior do HuffPost, anunciou que passaria a exercer a mesma função no The Daily Beast.
Alcance
No início de junho de 2014, a Capital New York republicou um memorando da diretora executiva Rhona Murphy, que estava deixando o cargo. O documento dizia que a média mensal de visitantes únicos do The Daily Beast havia aumentado de 13,5 milhões em 2013 para mais de 17 milhões em 2014. Em setembro de 2014, o site atingiu o recorde de 21 milhões de visitantes únicos, aumento de 60% em relação ao ano anterior. O tamanho total de sua comunidade nas redes sociais cresceu 300%.
Em 2015, o analista de notícias Ken Doctor, do Nieman Lab, chamou o The Daily Beast de "um dos sites de notícias e informações que mais crescem de um ano para outro na categoria 'General News'".
Sob a direção de Avlon, de 2013 a 2018, o The Daily Beast dobrou seu tráfego, chegando a 1,1 milhão de leitores por dia, e recebeu mais de 17 prêmios de jornalismo. Uma estimativa da Universidade Harvard atribuiu ao site 33,83 milhões de visitantes por mês.
Prêmios
The Daily Beast recebeu o Prêmio Webby de melhor site de notícias em 2012 e 2013. Também em 2012, John Avlon recebeu o prêmio da National Society of Newspaper Columnists de melhor coluna on-line por seu trabalho no The Daily Beast.
Em março de 2012, a Book Beast recebeu um National Magazine Award na categoria destinada a departamentos, canais ou microssites de publicações digitais.
Anna Nemstova recebeu em 2015 o Courage in Journalism Award da Fundação Internacional das Mulheres na Comunicação Social. No mesmo ano, Michael Daly recebeu um prêmio da National Society of Newspaper Columnists na categoria de conteúdo on-line, blog e multimídia para publicações com mais de 100 mil visitantes únicos.
Em 2016, o Los Angeles Press Club indicou profissionais do Beast em diferentes categorias. M. L. Nestel concorreu por reportagem investigativa de artes e entretenimento, Brandy Zadrozny e Ben Collins por investigação sobre celebridades, Malcolm Jones por obituário, Lizzie Crocker por humor e Tim Teeman por notícias de indústria e artes. Kevin Fallon e Melissa Leon também foram indicados por notícias leves de indústria e artes.
A NLGJA indicou Tim Teeman ao prêmio de Jornalista do Ano de 2016 e Heather Boerner ao prêmio por excelência na cobertura de HIV/AIDS. Em 2017, a NLGJA premiou Jay Michaelson por sua cobertura de legislação anti-LGBT do Partido Republicano e Tim Teeman por uma reportagem sobre esclerose lateral amiotrófica.
Em 2017, o site recebeu três New York Press Club Journalism Awards nas categorias de publicação pela internet para notícias de entretenimento, cobertura criminal e reportagem de viagens. Em dezembro, o National Arts and Entertainment Journalism Awards do Los Angeles Press Club anunciou quatro prêmios para trabalhos publicados pelo site em 2017, entre eles reportagens investigativas sobre o caso de estupro envolvendo Nate Parker, a luta do comediante Bob Smith contra a esclerose lateral amiotrófica e uma homenagem a Bill Paxton.
Em 2018, a revista especializada Digiday premiou a Cheat Sheet do Beast como melhor boletim informativo por e-mail.
Beast Books
Em setembro de 2009, The Daily Beast lançou o selo editorial "Beast Books", destinado a publicar livros de autores do Beast em um cronograma acelerado. O primeiro livro publicado pela Beast Books foi Wingnuts: How the Lunatic Fringe is Hijacking America, de John Avlon.
Em janeiro de 2011, o selo publicou The Violence of Peace: America's Wars in the Age of Obama, de Stephen L. Carter. No mesmo ano, a Beast Books publicou as memórias da vencedora do Prêmio Nobel da Paz Leymah Gbowee, Mighty Be Our Powers.
Controvérsias
Plágio
Em fevereiro de 2010, Jack Shafer, da revista Slate, informou que Gerald Posner, então principal repórter investigativo do The Daily Beast, havia plagiado cinco frases de um artigo publicado pelo Miami Herald. Shafer também encontrou conteúdo copiado de um blog do Miami Herald, de um editorial do mesmo jornal, da revista Texas Lawyer e de um blog sobre jornalismo de saúde. Posner foi demitido do The Daily Beast depois de uma análise interna.
Artigo de Nico Hines nos Jogos Olímpicos de 2016
Em 11 de agosto de 2016, The Daily Beast publicou o artigo "I Got Three Grindr Dates in an Hour in the Olympic Village", escrito por Nico Hines, editor do site em Londres que havia sido enviado para cobrir os Jogos Olímpicos. Hines, um homem heterossexual casado, criou perfis em aplicativos de relacionamento voltados a pessoas gays e heterossexuais, entre eles Tinder, Bumble e Grindr, e relatou suas experiências na Vila Olímpica. Embora não tenha publicado nomes, Hines forneceu detalhes suficientes para permitir a identificação de atletas, o que provocou críticas de que as informações poderiam ser usadas contra atletas gays não assumidos publicamente, em especial aqueles que viviam em países repressivos.
Depois da forte reação na internet, The Daily Beast editou o texto para retirar detalhes que permitiam identificar os atletas, e John Avlon acrescentou uma longa nota editorial. As críticas ao valor jornalístico da reportagem prosseguiram, e o The Daily Beast retirou o artigo por completo e pediu desculpas. Em março de 2017, Hines publicou um pedido formal de desculpas. O editor do site anunciou que ele voltaria ao The Daily Beast depois de "um longo período de intensa reflexão".
Andrew M. Seaman, presidente do comitê de ética da Society of Professional Journalists, chamou o artigo de "lixo jornalístico, antiético e perigoso". A National Lesbian and Gay Journalists Association afirmou: "A reportagem foi antiética, extremamente descuidada com a privacidade individual e potencialmente perigosa para os atletas." Vince Gonzales, professor da USC Annenberg School for Communication and Journalism, escreveu: "Acho que isso beira a negligência jornalística." A presidente da GLAAD, Sarah Kate Ellis, escreveu: "O fato de esse repórter ter achado aceitável, ou de algum modo de interesse público, escrever sobre seus encontros enganosos com esses homens mostra completa falta de julgamento e desrespeito pela decência básica, para não mencionar a ética jornalística." O nadador Amini Fonua, que representou Tonga nos Jogos do Rio, chamou o artigo de "deplorável" e escreveu: "Ainda é ilegal ser gay em Tonga e, embora eu seja forte o bastante para ser quem sou diante do mundo, nem todo mundo é. Respeitem isso."
Acusação de doxing
Em junho de 2019, o repórter do The Daily BeastKevin Poulsen foi acusado de doxing contra Shawn Brooks, um apoiador de Donald Trump de 34 anos que morava no Bronx. Poulsen revelou a identidade de Brooks ao apontá-lo como suposto criador e disseminador de um vídeo falso amplamente compartilhado em que a política Nancy Pelosi parecia falar de forma arrastada. O vídeo falso havia sido compartilhado mais de 60.000 vezes no Facebook e assistido mais de 4 milhões de vezes. Ele também circulou no Twitter e no YouTube.
Brooks negou ter criado o vídeo falso, embora tenha admitido ser um dos administradores do grupo Politics WatchDog, que havia publicado originalmente o material. Ele atribuiu a publicação a uma "administradora" do grupo. Brooks também disse que processaria The Daily Beast e Poulsen pela publicação de "lixo impreciso" e criou uma página no GoFundMe para arrecadar dinheiro destinado às despesas judiciais, com meta de US$ 10.000. Na manhã de 3 de junho de 2019, havia arrecadado mais de US$ 4.400.
Reações
O cofundador do The Intercept, Glenn Greenwald, criticou a divulgação da identidade de Brooks. No Twitter, escreveu que era "repulsivo mobilizar os recursos de um grande veículo de notícias contra um cidadão obscuro, anônimo, sem poder e quase desempregado pelo crime de zombar de forma trivial dos líderes políticos mais poderosos". Yashar Ali, colaborador do HuffPost e da New York, também criticou a decisão e disse que ela "abre um precedente muito ruim quando a identidade de um cidadão comum é revelada publicamente apenas porque ele fez um vídeo em que uma política parece estar bêbada". O editor-chefe do The Daily Wire, Ben Shapiro, disse no programa The Ingraham Angle, de Laura Ingraham, em 3 de junho: "Minha impressão era que, se você publica anonimamente no Facebook, não cabe realmente ao Facebook começar a entregar essas informações a veículos de mídia, mas aparentemente não é assim."
Outros jornalistas que criticaram o The Daily Beast foram o jornalista freelancer e ex-integrante do The Young Turks Michael Tracey, que escreveu no Twitter: "Ninguém no planeta jamais pensou que 'desinformação fosse exclusividade da Rússia', exceto jornalistas do Daily Beast presunçosos, sórdidos e caçadores de cliques", e Jon Levine, editor de mídia do TheWrap, que chamou o artigo de "ataque contra um vídeo de brincadeira que por acaso viralizou".
Quando o repórter de mídia da CNN Brian Stelter perguntou ao editor Noah Shachtman sobre as críticas no programa Reliable Sources, em 2 de junho de 2019, Shachtman defendeu a reportagem. Ele observou que o vídeo falso havia chegado "aos níveis mais altos do poder, com o próprio Rudy Giuliani publicando-o no Twitter" e disse que, por isso, valia a pena identificar seu criador. Shachtman também afirmou que Poulsen conversou com Brooks durante uma hora em uma entrevista atribuível.
Referência às Forças de Defesa de Israel como "genocidas"
Em agosto de 2021, The Daily Beast publicou um artigo crítico à escolha de Mayim Bialik como nova apresentadora de Jeopardy!. O texto chamou as Forças de Defesa de Israel de "genocidas". Depois de objeções feitas por advogados de direitos humanos e integrantes da comunidade judaica, o The Daily Beast retirou a palavra e declarou que revisaria sua política editorial sobre o uso do termo "genocídio".
Processo por difamação de Carson Griffith
Em 2020, a jornalista Carson Griffith processou The Daily Beast, o redator Maxwell Tani e o editor-chefe Noah Shachtman por difamação. O processo tratava de um artigo que dizia que Griffith havia feito comentários ofensivos enquanto trabalhava no Gawker. Em 24 de março de 2021, um juiz de primeira instância negou um pedido para extinguir o processo. Em 9 de agosto de 2022, outro juiz negou um pedido de extinção baseado na lei anti-SLAPP de Nova Iorque, que havia sido alterada recentemente. Em 16 de maio de 2023, um tribunal de apelação de Nova Iorque extinguiu o processo.
↑C-SPAN (13 de fevereiro de 2020). Politics and Prose Bookstore, Union Market, Washington, D.C., organização anfitriã. Série: BookTV. Entrevista de Molly Ball, correspondente nacional da Time, com os repórteres do Daily Beast Lachlan Markay e Asawin Suebsaeng sobre Sinking in the Swamp. C-SPAN. Arquivado em 9 de agosto de 2020. Consultado em 26 de fevereiro de 2020.
Huang, Christine (7 de maio de 2009). «Video: PSFK Conference NYC: New York New Media». PSFK. Consultado em 23 de abril de 2019. Arquivado do original em 30 de janeiro de 2012 Entrevista com Edward Felsenthal, editor executivo do The Daily Beast.
«The Daily Beast». Encyclo: An Encyclopedia of the Future of News. Nieman Journalism Lab. Consultado em 23 de abril de 2019