EF-334

Ferrovia de Integração Oeste-Leste
Info/Ferrovia
Predefinição:Info/Ferrovia
Governador da Bahia Jaques Wagner em consulta pública sobre a ferrovia em 2009.
Informações principais
EF EF-334
Sigla ou acrônimo FIOL
Área de operação Bahia e Goiás
Tempo de operação 2025 (previsto)–
Operadora Bamin
(Ilhéus (BA) à Caetité (BA))
Interconexão Ferroviária Ferrovia Centro-Atlântica
Ferrovia Norte-Sul
Ferrovia de Integração do Centro-Oeste
Portos Atendidos Porto Sul
Website
Especificações da ferrovia
Extensão 1 708 km (1 060 mi)
Bitola bitola irlandesa
1 600 mm (5,25 ft)
Diagrama e/ou Mapa da ferrovia

A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), também conhecida como Ferrovia Oeste-Leste, como EF-334 pelo Plano Nacional de Viação e oficialmente como Ferrovia Engenheiro Vasco Azevedo Neto, é uma ferrovia transversal brasileira em construção. O projeto prevê que tenha 1 708 quilômetros de extensão em bitola larga, e passe pelos estados da Bahia e Goiás, ligando o Porto Sul no município baiano de Ilhéus à Ferrovia Norte-Sul (FNS) e à Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO) em Mara Rosa, município goiano. A construção da ferrovia está a cargo da Infra S.A., empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes.

Características

O projeto visa formar corredor logístico de transporte, ampliando as possibilidades de escoamento da produção econômica do país pelo Porto Sul. No estado da Bahia, a ferrovia passará por regiões produtoras de minério de ferro e afins (cidades como Caetité, Pindaí, Tanhaçu, Lagoa Real, Livramento de Nossa Senhora, Maracás, Brumado) e de grãos (Luís Eduardo Magalhães, Barreiras, São Desidério).

Parte do trajeto da ferrovia inclui a maior ponte ferroviária da América Latina, que atravessa o leito do Rio São Francisco, entre os municípios baianos de Serra do Ramalho (margem esquerda do rio) e Bom Jesus da Lapa (margem direita). A ponte que começou a ser construída em dezembro de 2014, compreende 82 pilares verticais e 2,9 quilômetros de extensão.

História

Durante a Era Vargas, o Estado brasileiro elaborou e conseguiu a aprovação parlamentar do Plano Geral de Viação Nacional (Decreto n. 24 497 de 29 de junho de 1934), pelo qual o transporte ferroviário foi percebido como meio à industrialização e modernização produtiva nacional. Para isso, as regiões brasileiras deveriam ser conectadas, projetando a integração da rede de ferrovias. Nesse contexto, destaca-se no sentido leste-oeste o projeto de ligar Brumado, na Bahia, até Cuiabá e a fronteira no rio Guaporé, ambos lugares então situados no Mato Grosso, passando em Goiás por Formosa, Anápolis, Ceres e a então futura Goiânia. Embora fosse comum até o fim do século XIX os projetos ferroviários de escoamento da produção agrícola para um porto de exportação, o projeto de ferrovia aprovado no plano de 1934 não previu um complemento para um novo porto no litoral da Bahia.

Mais tarde na década de 1950, foi idealizada a ferrovia denominada Ferrovia Transulamericana, com o objetivo de ligar o Oceano Atlântico ao Pacífico, entre o Peru e o litoral da Bahia. A concepção incluía a implantação de um porto em Campinho, na baía de Camamu, pelas características oceanográficas favoráveis. O trajeto ligando o litoral baiano e a região oeste foi defendido por Vasco Azevedo Neto durante sua vida como deputado federal, engenheiro civil e professor universitário.

Em 2008, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo federal designou a estatal VALEC para a elaboração dos estudos técnicos e projetos de engenharia de tal ferrovia. Como resultado foi estabelecido o traçado entre o Porto Sul em Ilhéus, e a Ferrovia Norte-Sul, divididos em três trechos.

Início das Obras

As obras tiveram início em 2011, no Trecho I da ferrovia, compreendido entre Ilhéus e Caetité na Bahia, sob responsabilidade direta da VALEC, com previsão de conclusão para o ano de 2014.

No contexto da Crise econômica brasileira de 2014, iniciada durante o governo de Dilma Rousseff, investigações conduzidas no âmbito da Operação O Recebedor revelaram esquemas de desvio de recursos públicos envolvendo a VALEC. Como consequência, as obras da ferrovia, que já apresentavam ritmo lento de execução, foram completamente paralisadas.

A ideia de atravessar a América do Sul a partir do litoral baiano voltou a ganhar força quando em junho de 2015, o governo chinês aprovou financiar somente a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO), deixando de fora o trecho entre a Ferrovia Norte-Sul (FNS) e o litoral fluminense (até o Porto do Açu), no contexto do projeto da ferrovia Transoceânica (também chamada de Bioceânica e Transcontinental), que busca conectar o litoral atlântico brasileiro ao litoral peruano do Oceano Pacífico. Assim, despontaram como alternativa a FIOL e a necessidade de construção do trecho de ligação projetado entre Barreiras (BA) e a FNS, em Figueirópolis (TO) — dessa ferrovia que já tinha a sua construção iniciada, diferente do trecho proposto de Campinorte (GO) até Porto do Açu no Rio de Janeiro, cujo financiamento de estudos caberiam totalmente ao governo brasileiro. Porém, a promessa do financiamento chinês não se concretizou.

Em março de 2016, a VALEC rescindiu o contrato com o consórcio de construtoras alegando o descumprimento de obrigações contratuais e problemas na construção, que já estava paralisada desde 2015. Nessa época, o prazo oficial da VALEC para o término das obras do trecho I era previsto para o final do ano de 2018 e do trecho II para o final do ano de 2019.

Retomada das Obras

As obras voltaram a se intensificar a partir de 2017, principalmente no trecho Oeste (FIOL II) e na finalização da ponte ferroviária sobre o Rio São Francisco, já sob o governo do presidente Michel Temer.

Exército Brasileiro nas obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), em São Desidério (BA), no dia 11 de setembro de 2020.

Em 11 de setembro de 2020, a empresa pública VALEC e o Exército Brasileiro assinaram um Termo de Execução Descentralizada (TED), fruto de uma parceria que permitiu o ingresso do Batalhão Ferroviário da corporação nas obras do lote 6 da FIOL II. O acordo consistiu na construção de um trecho de 18,34 quilômetros de ferrovia, entre Bom Jesus da Lapa (BA) e São Desiderio (BA). A obra foi coordenada pelo 1º Grupamento de Engenharia (1º Gpt E), e executada pelo 4º Batalhão de Engenharia de Construção (4º BEC), sediado em Barreiras (BA), com a superestrutura a cargo do 2º Batalhão Ferroviário (2º BFv), de Araguari (MG). Com prazo de 24 meses e com investimento de R$ 115 milhões, o Exército Brasileiro voltou às obras ferroviárias depois de 20 anos, desde a implantação Estrada de Ferro do Oeste (Ferroeste) na década de 1990.

Em 08 de abril de 2021, o governo do presidente Jair Bolsonaro realizou o leilão do trecho I da FIOL, entre Ilhéus (BA) e Caetité (BA), com 537 km. A Bahia Mineração S/A (BAMIN) arrematou a concessão por um período de 35 anos, com lance único de 32.730.000 de reais (valor mínimo de outorga proposto pelo governo federal), ficando responsável pela finalização das obras do trecho que foi concedido com cerca de 75% das obras concluídas. A BAMIN é operadora no Porto Sul em Ilhéus, e proprietária da Mina Pedra de Ferro em Caetité, que juntos ao trecho I da Fiol formam o corredor de exportação de logística integrada: mina-ferrovia-porto.

Mudança do traçado da FIOL III

Em 12 de novembro de 2025, o Ministério dos Transportes alterou o traçado projetado do trecho da FIOL III com o objetivo de integrá-la à Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO), estabelecendo um corredor logístico de exportação entre o Centro-Oeste e o litoral atlântico. A modificação estruturou um tronco principal contínuo desde o norte do Mato Grosso até o Porto Sul, em Ilhéus (BA), além da preservação do ramal voltado ao atendimento do Oeste Baiano.

Com a reconfiguração, o entroncamento entre os trechos FIOL III e FIOL II foi redirecionado para o município de Correntina (BA). A partir desse ponto, o traçado prossegue para o oeste até se conectar diretamente à FICO em Mara Rosa (GO), interseção que também faz cruzamento com a Ferrovia Norte-Sul (FNS).

O projeto inicial previa a ligação entre Barreiras (BA) e Figueirópolis (TO) com 505 km. No entanto, análises técnicas e econômicas conduzidas pela Infra S.A. indicaram que a alternativa original envolvia custos elevados com direitos de passagem sobre malhas ferroviárias de terceiros, despesas consideradas necessárias para o escoamento desde a FICO. Entre as alternativas avaliadas nos estudos de viabilidade, a rota direta entre Correntina e Mara Rosa apresentou maior eficiência logística e econômica.

Traçado

Trecho Data de inauguração Comprimento (km) Comprimento desde o Porto Sul, Ilhéus (km) Inicio das obras Observações e Conexões
Ilhéus (BA)
Caetité (BA)
2025
(previsto)
537 537 2011 Em construção, sob concessão da BAMIN.
Em Brumado (BA), a FIOL cruza com a Ferrovia Centro-Atlântica, porém esta opera em bitola métrica.
Caetité (BA)
Barreiras (BA)
2022
(previsto)
485 1022 2013 Em construção. Fará conexão com a Hidrovia do São Francisco, no município de Bom Jesus da Lapa (BA).
Correntina (BA)
Mara Rosa (GO)
Indefinido 840 ? – Em projeto. Fará conexão com a Ferrovia Norte-Sul (EF-151) e com a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (EF-354) em Mara Rosa.

Ver também

Referências

  1. ↑ «Governo do Estado articula ligação entre as ferrovias Oeste-Leste (Fiol) e Centro-Oeste (Fico)». Secretaria de Estado de Administração do Mato Grosso. Consultado em 15 de março de 2014
  2. 1 2 «EF-334 - Ferrovia de Integração Oeste Leste». VALEC - Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. Arquivado do original em 6 de outubro de 2014
  3. 1 2 3 «Ferrovias - Fiol». VALEC - Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. Arquivado do original em 9 de abril de 2014
  4. ↑ «Ferrovia de Integração Oeste-Leste leva nome do engenheiro Vasco Neto - Metro 1». Metro 1. Cópia arquivada em 13 de julho de 2025
  5. ↑ «ANEXO I». Planalto.gov.br. Cópia arquivada em 13 de janeiro de 2026
  6. ↑ «VALEC - Valec constrói maior ponte ferroviária da América Latina». valec.gov.br. Consultado em 20 de julho de 2018. Cópia arquivada em 6 de março de 2020
  7. 1 2 Rocha, Camilo; Quadros, Thiago; Lopes, Caroline (30 de janeiro de 2019). «Os trens que o Brasil perdeu». Nexo Jornal. Consultado em 1 de fevereiro de 2019. Cópia arquivada em 12 de novembro de 2025
  8. 1 2 3 Cavalcanti, Flavio R. Cavalcanti. «Ferrovias do Plano Geral de Viação Nacional / 1934». vfco.brazilia.jor.br. Consultado em 1 de fevereiro de 2019. Cópia arquivada em 12 de março de 2026
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  10. ↑ «Morre o grande idealizador da Ferrovia Oeste-Leste». Tribuna da Bahia. 2 de outubro de 2010[ligação inativa]
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  18. ↑ «Exército assumirá obra de trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste». agenciaBrasil. 19 de maio de 2020. Cópia arquivada em 23 de janeiro de 2026
  19. ↑ «Obras da FIOL executadas pelo Exército seguem em ritmo forte». Infra S.A. 25 de julho de 2018. Cópia arquivada em 24 de abril de 2025
  20. ↑ «Com lance único, governo capta R$ 32,7 milhões com leilão de ferrovia». CNN Brasil
  21. ↑ André Borges (13 de novembro de 2025). «Governo inclui novo corredor ferroviário entre Bahia e Goiás em projetos do PPI». Folha de São Paulo
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  23. ↑ Maliszewski, Eliza (6 de abril de 2021). «Brasil poderá ter ferrovia entre Mato Grosso e Bahia». Portal Agrolink. Consultado em 4 de junho de 2021. Cópia arquivada em 16 de julho de 2025

Ligações externas

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