Radio Corporation of America

Nota: Se procura a gravadora, consulte RCA Records.
RCA Corporation
Subsidiária
AtividadeMídia
Eletrônica de consumo
Fundação20 de novembro de 1919, como Radio Corporation of America
Fundador(es)Owen Young
DestinoAdquirida pela General Electric em 1986. Divisões foram vendidas ou liquidadas e os direitos sobre a marca foram vendidos à Thomson SA em 1988.
Encerramento1987
SedeNova Iorque, Estados Unidos
Pessoas-chaveOwen Young (primeiro presidente do conselho de administração)
David Sarnoff (primeiro gerente-geral e terceiro presidente)
ProdutosRádios
Válvulas termiônicas
Discos fonográficos
Fonógrafos elétricos
Acessórios de áudio
RCA Photophone
Televisores
CED Videodisc
Equipamentos para emissoras de televisão
Câmeras de estúdio
Gravadores de vídeo
Equipamentos de reprodução de filmes
Transmissores de televisão
Antenas de transmissão de televisão
Satélites
Consoles de jogos eletrônicos
Empresa-mãeGeneral Electric (1919–1932, 1986–1987)
Technicolor SA (direitos sobre a marca, 1987–2022)
Talisman Brands, sob o nome Established Inc. (marca, desde 2022)
Antecessora(s)Marconi Wireless Telegraph Company of America
Sucessora(s)General Electric
RCA (marca, propriedade da Talisman Brands)
RCA Records (propriedade da Sony Music)
NBC (propriedade da Comcast)
Websiterca.com

A RCA Corporation, fundada como Radio Corporation of America, foi uma empresa norte-americana de eletrônica que existiu de 1919 a 1987. No início, a RCA era um truste de patentes pertencente a uma sociedade formada pela General Electric (GE), Westinghouse, AT&T e United Fruit Company. Tornou-se independente em 1932, quando as empresas concordaram em abrir mão de suas participações para encerrar uma ação do governo dos Estados Unidos com base na legislação antitruste. Suas ações eram negociadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque sob o código RCA.

Por mais de cinco décadas, a RCA ocupou a liderança dos setores de eletrônica e comunicações nos Estados Unidos. No começo dos anos 1920, participou da rápida expansão do rádio como fabricante de receptores e fabricante exclusiva dos primeiros receptores super-heteródinos. Em 1926, fundou a National Broadcasting Company (NBC), a primeira rede nacional de rádio do país. Nas décadas de 1920 e 1930, a empresa desenvolveu e introduziu tecnologias de transmissão televisiva em preto e branco e, sobretudo, de televisão em cores. Durante a maior parte da existência da empresa, sua direção esteve ligada a David Sarnoff. Ele foi gerente-geral desde a fundação, presidente de 1930 a 1965 e permaneceu como presidente do conselho de administração até o fim de 1969.

Até os anos 1970, a RCA era o principal nome empresarial dos Estados Unidos em tecnologia e entretenimento doméstico. Seus resultados começaram a piorar quando a empresa se afastou do foco inicial no desenvolvimento e na venda de eletrônicos de consumo e sistemas de comunicação nos Estados Unidos e passou a buscar a formação de um conglomerado multinacional diversificado. Também enfrentou concorrência crescente de fabricantes estrangeiros de eletrônicos, entre eles Sony, Philips, Matsushita e Mitsubishi. A tentativa de entrar no setor de computadores de grande porte produziu grandes perdas, assim como projetos fracassados entre os quais o sistema de videodisco CED.

Em meados dos anos 1980, os resultados da RCA voltaram a melhorar, mas a empresa não recuperou a posição que tivera. Em 1986, foi recomprada pela General Electric na época em que Jack Welch dirigia a GE. Welch vendeu ou liquidou a maior parte dos ativos da RCA e conservou apenas a NBC e algumas unidades de serviços governamentais. A RCA passou a existir apenas como nome de marca. As marcas RCA pertencem à Sony Music e à Vantiva, que licenciam o nome e as marcas para produtos de outras empresas, entre elas Voxx International, Curtis International, AVC Multimedia, TCL Technology, e Express LUCK International.

Criação pela General Electric

O logotipo da empresa em 1921 enfatizava sua atuação em comunicações internacionais.
Antiga sede da RCA em 30 Rockefeller Plaza, usada pela empresa de 1933 a 1987.

A RCA surgiu de uma reorganização da Marconi Wireless Telegraph Company of America, normalmente chamada de "American Marconi". Em 1897, a Wireless Telegraph and Signal Company, Limited, foi fundada em Londres para explorar as invenções de rádio, então chamado de "telegrafia sem fio", de Guglielmo Marconi. Como parte de sua expansão internacional, a American Marconi foi organizada como subsidiária em 1899 e recebeu os direitos sobre as patentes de Marconi nos Estados Unidos e em Cuba. Em 1912, a American Marconi assumiu os ativos da falida United Wireless Telegraph Company e, a partir daí, tornou-se a principal empresa de radiocomunicação dos Estados Unidos.

Quando os Estados Unidos entraram na Primeira Guerra Mundial, em abril de 1917, o governo federal assumiu o controle da maioria das estações civis de rádio para empregá-las no esforço de guerra. O plano era devolver as estações aos proprietários civis após o conflito, mas muitos oficiais da Marinha dos Estados Unidos queriam conservar um monopólio sobre as radiocomunicações. Mesmo contrariando as instruções recebidas, a Marinha começou a comprar grande quantidade de estações. Terminada a guerra, o Congresso rejeitou as tentativas da Marinha de controlar o setor em tempos de paz e determinou a devolução das estações aos proprietários originais.

Por razões de segurança nacional, a Marinha tinha especial preocupação com a devolução das estações internacionais de alta potência à American Marconi, pois a maior parte das ações da empresa estava em mãos estrangeiras e os britânicos já controlavam grande parte dos cabos telegráficos submarinos internacionais. A preocupação aumentou no fim de 1918, quando foi anunciada a criação da Pan-American Wireless Telegraph and Telephone Company, uma sociedade entre a American Marconi e a Federal Telegraph Company, com planos de implantar um serviço entre os Estados Unidos e a América do Sul.

Transmissor com alternador Alexanderson de 200 kW instalado na estação da Marinha dos Estados Unidos em New Brunswick, Nova Jérsia.

A Marinha havia instalado um alternador Alexanderson de alta potência, fabricado pela General Electric, no local do transmissor da American Marconi em New Brunswick, Nova Jérsia. O equipamento mostrou desempenho superior nas transmissões transatlânticas ao dos transmissores de centelha usados pelas empresas de Marconi. Os executivos da Marconi ficaram impressionados e começaram a se preparar para adotar os alternadores Alexanderson como transmissores padrão das comunicações internacionais. Um acordo preliminar com a General Electric previa que, em dois anos, as empresas Marconi comprariam a maior parte da produção de alternadores da GE. A Marinha norte-americana se opôs ao plano, por temer o domínio britânico das radiocomunicações internacionais e as consequências disso para a segurança nacional.

A Marinha, afirmando ter o apoio do presidente Woodrow Wilson, procurou uma alternativa que colocasse os ativos da American Marconi nas mãos de uma empresa inteiramente norte-americana. Em abril de 1919, dois oficiais, o almirante H. G. Bullard e o comandante S. C. Hooper, reuniram-se com o presidente da GE, Owen Young, e pediram que ele suspendesse as vendas de alternadores às empresas Marconi. Isso deixaria a General Electric sem comprador para os transmissores. Os oficiais propuseram então que a GE comprasse a American Marconi e usasse seus ativos para formar uma subsidiária própria de radiocomunicação. Young aceitou. Em 20 de novembro de 1919, a American Marconi transformou-se na Radio Corporation of America. A criação da empresa foi apresentada como gesto patriótico. Os diretores precisavam ser cidadãos norte-americanos e a maioria das ações deveria permanecer nas mãos de cidadãos dos Estados Unidos.

Na fundação, a RCA era a maior empresa de radiocomunicações dos Estados Unidos. A maior parte dos empregados da American Marconi continuou na RCA. Owen Young tornou-se presidente do conselho de administração. O antigo vice-presidente e gerente-geral da American Marconi, E. J. Nally, foi o primeiro presidente da RCA. Nally foi sucedido pelo major-general James G. Harbord, que ocupou o cargo de 1922 a 3 de janeiro de 1930, quando substituiu Owen Young na presidência do conselho. David Sarnoff, gerente-geral desde a criação da RCA, tornou-se o terceiro presidente no mesmo dia. A empresa trabalhou de perto com o governo federal e entendia que deveria conservar sua posição dominante nas radiocomunicações norte-americanas. Por recomendação da RCA, Wilson nomeou o contra-almirante Bullard para "comparecer às reuniões de acionistas e diretores [...] para que possa apresentar e discutir informalmente as opiniões e os interesses do governo".

O setor de rádio avançava tecnicamente, em especial na tecnologia das válvulas termiônicas, e a GE precisava ter acesso a outras patentes para que a nova subsidiária pudesse competir plenamente. A American Marconi vinha perdendo terreno para outras empresas. A RCA e a GE passaram a negociar acordos de licenciamento cruzado de patentes entre si e com outras empresas do setor. Em 1º de julho de 1920, a American Telephone & Telegraph Company concordou em comprar 500.000 ações da RCA, embora tenha se desfeito delas no começo de 1923. A United Fruit Company possuía um pequeno conjunto de patentes de rádio e assinou dois acordos em 1921. A tradicional concorrente da GE no setor elétrico, a Westinghouse Electric & Manufacturing Corporation, também havia comprado direitos sobre patentes essenciais, entre elas a de recepção heteródina concedida originalmente a Reginald Fessenden, além das patentes de circuito regenerativo e de receptor super-heteródino de Edwin Armstrong. A Westinghouse usou essa posição para negociar um acordo de licenciamento cruzado que entrou em vigor em 1º de julho de 1921. Entre suas cláusulas estava a exigência de que 40% das compras de equipamentos da RCA viessem da Westinghouse. Depois dessas operações, a GE detinha 30,1% das ações da RCA, a Westinghouse 20,6%, a AT&T 10,3% e a United Fruit 4,1%. Os demais 34,9% pertenciam a acionistas individuais.

Em 1930, a RCA concordou em ocupar o arranha-céu ainda não construído do complexo do Rockefeller Center, o 30 Rockefeller Plaza. Em 1933, ele ficou conhecido como RCA Building. Passou a se chamar GE Building em 1988 e, depois que a Comcast adquiriu a NBC, recebeu o nome Comcast Building. O contrato de locação da RCA permitiu que o enorme empreendimento prosseguisse em bases comerciais. David Rockefeller atribuiu à decisão da RCA a "salvação do projeto".

Desenvolvimento do rádio

Comunicações internacionais e marítimas

Ilustração de como seria a instalação completa da RCA Radio Central em Rocky Point, Long Island. Dos doze "raios" de antenas planejados, apenas dois foram construídos.
Satélite geoestacionário de comunicações RCA Satcom K1 sendo lançado a partir do ônibus espacial Columbia em 1986.

Os primeiros objetivos comerciais da RCA eram fornecer equipamentos e serviços a embarcações marítimas e oferecer comunicação sem fio de alcance mundial para competir com os cabos telegráficos submarinos internacionais. Para prestar o serviço internacional, a empresa iniciou a construção de um grande centro de comunicações chamado "Radio Central", em Rocky Point, Long Island, Nova Iorque. O projeto pretendia realizar "a visão dos engenheiros de comunicação de transmitir mensagens a todos os pontos do mundo a partir de uma única fonte central". As obras começaram em julho de 1920. A instalação foi inaugurada em 5 de novembro de 1921, depois da conclusão de dois dos doze conjuntos de antenas planejados e da instalação de dois alternadores de 200 kW. As primeiras transmissões receberam respostas de estações em 17 países.

A instalação inicial continuou funcionando, mas os demais conjuntos de antenas e alternadores não foram concluídos devido a uma descoberta sobre a propagação dos sinais de rádio. Ao estudar os "harmônicos" dos transmissores, sinais adicionais indesejados produzidos em frequências superiores à frequência normal de transmissão, Frank Conrad, da Westinghouse, descobriu por acaso que, em alguns casos, os harmônicos podiam ser ouvidos a uma distância maior que o sinal principal. Isso contrariava a ideia então aceita de que sinais de alta frequência em ondas curtas, com pouca cobertura por onda terrestre, tinham alcance muito limitado. Em 1924, Conrad mostrou a Sarnoff que uma estação de ondas curtas de baixa potência em East Pittsburgh, Pensilvânia, podia ser recebida facilmente em Londres por um receptor simples cuja antena era um varão de cortina. O desempenho se igualava ao dos enormes transmissores por alternador por uma fração do custo. Em 1926, Harold Henry Beverage informou que um sinal de ondas curtas transmitido em comprimento de onda de 15 metros, cerca de 20 MHz, era recebido na América do Sul durante o dia com mais facilidade do que as transmissões dos alternadores de 200 kW.

Os alternadores Alexanderson, cujo controle havia levado à criação da RCA, tornaram-se obsoletos. As comunicações internacionais por rádio passaram a usar principalmente transmissores de válvulas termiônicas operando em faixas de ondas curtas. A RCA manteve serviços internacionais de telecomunicações até o fim de sua existência, primeiro por meio da subsidiária RCA Communications, Inc. e depois pela RCA Global Communications Company. Em 1975, criou a RCA American Communications, que operava a série Satcom de satélites de comunicação em órbita geoestacionária. Os enlaces internacionais por ondas curtas foram em grande parte substituídos por satélites de comunicação, em especial na distribuição da programação de redes de rádio e televisão.

Quando a RCA foi criada em 1919, todas as comunicações por rádio e telégrafo entre a China e os Estados Unidos, inclusive mensagens oficiais, passavam por redes de rádio alemãs ou cabos britânicos. A Marinha dos Estados Unidos pressionou a RCA para obter uma concessão para uma ligação de rádio com a China. A empresa resistiu porque suas outras concessões já operavam com prejuízo. O enlace começou a funcionar em 1928. A Mackay Radio and Telegraph Company of California assinou acordo semelhante com a China em 1932. A RCA alegou quebra de contrato, argumentando que o acordo de 1928 lhe concedera direitos exclusivos. A disputa foi submetida a arbitragem. Em 1935, a decisão no caso Radio Corporation of America v. China concluiu que a concessão da Mackay era válida porque o acordo anterior da RCA não lhe dera exclusividade.

Patentes e licenciamento

A criação da RCA esteve diretamente ligada ao controle e ao licenciamento de patentes de comunicação sem fio. Acordos entre a General Electric, Westinghouse, AT&T e RCA reuniram grande quantidade de patentes de tecnologias de rádio, entre elas válvulas termiônicas e circuitos de recepção. Esses contratos determinavam quais empresas podiam fabricar determinados equipamentos e condicionaram a organização inicial do setor de rádio.

Radiodifusão

Anúncio que convidava o público a ir a um teatro para ouvir os comentários da luta transmitidos pela estação temporária WJY da RCA, em 1921.
Estúdio da primeira estação de radiodifusão da RCA, a WDY, de existência breve, na fábrica da empresa em Roselle Park, Nova Jérsia, em 1922.
Capa do catálogo de equipamentos da RCA de 1º de junho de 1922, voltado ao novo mercado doméstico.

A introdução da radiodifusão organizada no começo dos anos 1920 mudou e ampliou as atividades da RCA. O desenvolvimento de transmissores de rádio com válvulas tornou possível transmitir áudio, enquanto os transmissores anteriores estavam limitados aos pontos e traços do Código Morse. Desde pelo menos 1916, quando ainda trabalhava na American Marconi, David Sarnoff propunha a criação de estações de radiodifusão. Seus memorandos à direção, nos quais defendia a venda de um aparelho que chamou de "Radio Music Box", não tiveram continuidade naquele momento.

Um pequeno grupo de emissoras começou a operar e o interesse pela novidade se espalhou pelo país. No verão de 1921, Julius Hopp, funcionário do Madison Square Garden, elaborou um plano para arrecadar recursos para instituições beneficentes transmitindo do ringue a luta pelo campeonato mundial dos pesos pesados entre Jack Dempsey e Georges Carpentier, marcada para 2 de julho de 1921 em Jersey City, Nova Jérsia. Hopp recrutou teatros e salões como pontos de escuta, cobrando ingressos destinados às doações. Também procurou J. Andrew White, da RCA, presidente em exercício da National Amateur Wireless Association, ou NAWA, organização criada pela American Marconi e herdada pela RCA. White concordou em buscar voluntários entre os membros da NAWA para ajudar nos locais de recepção e conseguiu o apoio financeiro e técnico de David Sarnoff. A RCA recebeu autorização para montar uma estação temporária de ondas longas em Hoboken, perto do local da luta, com o indicativo WJY. White e Sarnoff telefonaram os comentários feitos à beira do ringue. O texto era datilografado e depois lido no ar por J. Owen Smith. A demonstração funcionou e a RCA estimou que 300.000 pessoas a ouviram no nordeste dos Estados Unidos.

A RCA logo ampliou suas atividades de radiodifusão. No segundo semestre de 1921, instalou sua primeira emissora de funcionamento permanente, a WDY, na fábrica de Roselle Park, Nova Jérsia. Em 1923, operava três estações, WJZ e WJY em Nova Iorque e WRC em Washington, D.C. A interpretação dada pela AT&T aos acordos de licenciamento cruzado de patentes proibia as estações da RCA de transmitir publicidade. Elas eram financiadas pelos lucros obtidos com a venda de equipamentos de rádio.

National Broadcasting Company

A partir de 1922, a AT&T passou a investir intensamente na radiodifusão e logo se tornou a maior participante do novo setor. Desde o começo, sua política era financiar as emissoras por meio do patrocínio comercial dos programas. A empresa criou ainda a primeira rede de rádio, centrada na estação WEAF de Nova Iorque, usando suas linhas telefônicas de longa distância para interligar as emissoras. Dessa forma, um mesmo programa podia ser transmitido por diferentes estações.

A RCA e suas parceiras passaram a enfrentar um problema econômico, pois o custo da programação ameaçava superar os lucros obtidos com a venda de equipamentos. Em 1926, a AT&T transferiu suas atividades de radiodifusão para uma nova subsidiária, a Broadcasting Company of America, ou BCA. Seus principais ativos eram as estações WEAF, em Nova Iorque, e WCAP, em Washington, D.C., além das operações de rede. Dois meses depois, a AT&T decidiu abandonar inesperadamente a radiodifusão e a RCA comprou a BCA por US$ 1 milhão. Esses ativos deram origem à National Broadcasting Company (NBC). A RCA ficou com 50% da nova empresa, a General Electric com 30% e a Westinghouse com 20%. Essa divisão durou até 1930, quando a RCA passou a deter 100% da NBC. A compra também deu à RCA o direito de iniciar operações comerciais. A NBC formou duas redes de rádio que se espalharam pelo país, a NBC-Red Network, centrada na WEAF, e a NBC-Blue, centrada na WJZ. A NBC foi apresentada inicialmente como uma operação que deveria apenas cobrir seus custos, mas logo passou a gerar grandes lucros. Essa receita ajudou a RCA a atravessar as pressões econômicas da Grande Depressão, iniciada no fim de 1929.

Preocupada com o controle de duas redes nacionais pela NBC, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) publicou em 1941 o relatório Report on Chain Broadcasting. Uma das regras pretendia obrigar a NBC a se desfazer de uma das redes. A ordem foi confirmada pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Em 12 de outubro de 1943, a NBC-Blue foi vendida ao empresário de doces Edward J. Noble por US$ 8 milhões e passou a se chamar "The Blue Network, Inc.". Em 1946, recebeu o nome American Broadcasting Company (ABC). A rede "Red" conservou o nome NBC e continuou nas mãos da RCA até 1986.

Durante duas décadas, os artistas da rede de rádio NBC mantiveram audiências superiores às de sua principal concorrente, a CBS. Em 1948, quando a passagem do rádio para a televisão começava, a liderança da NBC foi abalada pelos episódios conhecidos como "Paley raids", em referência ao presidente da CBS, William S. Paley. Depois da Segunda Guerra Mundial, a alíquota de imposto sobre rendimentos anuais acima de US$ 70.000 era de 77%, enquanto os ganhos de capital eram tributados em 25%. Paley desenvolveu uma estrutura contábil na qual cada artista podia constituir uma empresa e ter seus rendimentos tributados pela alíquota muito menor. Em vez de oferecer um acordo semelhante, Sarnoff decidiu que o método era juridicamente e eticamente errado. Os artistas da NBC discordaram. Grande parte das estrelas da rede, entre elas Jack Benny, Red Skelton, Edgar Bergen, Ed Wynn, Al Jolson, Groucho Marx e Frank Sinatra, mudou-se para a CBS. Em 1949, a CBS podia afirmar que transmitia 16 dos 20 programas de maior audiência. O efeito chegou à televisão, onde a CBS conservou a nova posição durante décadas. Paley havia trabalhado pessoalmente para atrair os artistas. Sarnoff declarou que não se preocupava com as deserções e disse em uma reunião anual: "Uma liderança construída ao longo dos anos sobre uma base de serviço sólido não pode ser arrancada da noite para o dia pela compra de alguns comediantes caros. Liderança não é motivo de riso."

Receptores de rádio

Certificado de revendedor RCA Radiola emitido para D. Fante's Sons Inc., da Filadélfia, em 3 de setembro de 1930.

Depois de sua criação, a RCA atuou como representante de vendas de uma pequena linha de receptores e componentes das marcas Westinghouse e GE, destinados inicialmente ao mercado limitado dos entusiastas de radioamadorismo que construíam os próprios aparelhos. Em 1922, a expansão da radiodifusão elevou rapidamente a procura por equipamentos de rádio entre o público. A mudança apareceu no título do catálogo da RCA de 1º de junho de 1922, Radio Enters the Home. A empresa começou a vender receptores com o nome "Radiola", fabricados pela GE e pela Westinghouse de acordo com a divisão de produção de 60% e 40% entre as duas empresas.

Os acordos de licenciamento cruzado de patentes pretendiam dar às empresas participantes o controle das vendas de equipamentos, mas o rápido crescimento do mercado provocou forte concorrência. Em 1925, a RCA ficou atrás da Atwater Kent nas vendas de receptores. A necessidade de coordenar suas vendas com as cotas de produção da GE e da Westinghouse dificultava sua resposta às mudanças do mercado. No começo de 1924, porém, a empresa começou a vender os primeiros receptores super-heteródinos. O desempenho desses aparelhos aumentou a procura pela marca. Até 1930, a RCA foi a única fabricante de receptores super-heteródinos. Todos os receptores RCA usavam baterias até o fim de 1927, quando foram lançados modelos alimentados diretamente pela rede elétrica, o que trouxe novo crescimento das vendas.

Válvulas termiônicas

Válvula reguladora de tensão da RCA.

A RCA herdou da American Marconi a posição de grande fabricante de válvulas termiônicas, comercializadas nos Estados Unidos com a marca Radiotron. Depois do crescimento da radiodifusão, as válvulas passaram a gerar boa parte dos lucros da empresa. A posição da RCA no sistema de patentes permitia que ela, na prática, determinasse os preços das válvulas nos Estados Unidos. Esses preços eram muito superiores aos europeus, onde Lee De Forest havia deixado expirar uma patente essencial.

Em setembro de 1942, a empresa começou a trabalhar em um projeto secreto para a Marinha dos Estados Unidos chamado Madame X. A fábrica de Bloomington, Indiana, foi uma das cinco primeiras instalações da RCA a produzir as válvulas Madame X. O projeto incluía uma espoleta de proximidade que detonava eletronicamente a carga quando chegava perto do alvo, sem depender de um impacto direto. James V. Forrestal, ex-secretário da Marinha, afirmou: "A espoleta de proximidade ajudou a abrir o caminho até o Japão. Sem a proteção que esse engenhoso dispositivo deu aos navios de superfície da frota, nosso avanço para oeste não poderia ter sido tão rápido, e o custo em homens e navios teria sido incomensuravelmente maior."

A RCA desenvolveu produtos que iam das válvulas metálicas de base octal, criadas em conjunto com a General Electric antes da Segunda Guerra Mundial, às válvulas Nuvistor, muito menores, usadas nos sintonizadores dos televisores da série New Vista. Os Nuvistors estiveram entre as últimas inovações em válvulas, ao lado do Compactron da General Electric, e foram concebidos para competir com o transistor recém-introduzido. Em 1975, a RCA havia abandonado as válvulas em seus televisores em favor de componentes de estado sólido, com exceção do próprio tubo de raios catódicos da tela.

Fonógrafos e discos

A rápida expansão da radiodifusão no começo dos anos 1920, que oferecia entretenimento doméstico gratuito e sem limite de duração, prejudicou a indústria norte-americana de discos. A Victor Talking Machine Company, de Camden, era então a maior fabricante mundial de fonógrafos e discos, entre eles a conhecida linha "Victrola" de aparelhos de mesa e consoles. Em janeiro de 1929, a RCA comprou a Victor Talking Machine Company. A aquisição passou a constituir a divisão RCA Victor da Radio Corporation of America e trouxe consigo a subsidiária japonesa da Victor, a Victor Company of Japan, criada em 1927, e a participação de controle na Gramophone Company Ltd., que mais tarde se tornaria a EMI Records, na Inglaterra.

A compra da Victor também deu à RCA os direitos, em todo o Hemisfério Ocidental, sobre a marca de Nipper e "His Master's Voice". A RCA Victor popularizou aparelhos que combinavam rádio e fonógrafo e criou o RCA Photophone, sistema de som óptico para filmes que competia com o Movietone de William Fox e com o Vitaphone da Warner Bros.. Os primeiros anúncios da fusão diziam que RCA e Victor se uniriam em igualdade para formar uma nova empresa, mas a RCA tinha pouco interesse inicial no negócio de discos. Sua direção buscava principalmente a capacidade de vendas da Victor, com sua grande rede de distribuidores e revendedores autorizados, além das instalações industriais eficientes em Camden. Logo após a compra, a RCA começou a planejar a fabricação de rádios e componentes nas linhas de montagem da Victor em Camden e reduziu gradualmente a produção de Victrolas e discos.

Depois da quebra da Bolsa de 1929 e da Grande Depressão, o setor fonográfico norte-americano chegou perto do colapso. No ponto mais baixo do mercado, no começo dos anos 1930, a fabricação de fonógrafos e discos praticamente parou. Aparelhos antigos eram considerados obsoletos e muitos acabaram guardados em sótãos e porões. Em 1930, a RCA Victor começou a vender a primeira Victrola totalmente elétrica. Em 1931, tentou recuperar as vendas com discos de longa duração de 33⅓ rpm. O formato fracassou comercialmente durante a Grande Depressão. As Victrolas com toca-discos de duas velocidades necessárias para reproduzi-los eram muito caras e a qualidade de áudio dos novos discos era geralmente ruim. O formato usava o mesmo tamanho de sulco dos discos de 78 rpm. Seria necessário o estilete de menor raio usado posteriormente nos sistemas de microssulco para conseguir bom desempenho em velocidades menores. Os novos discos também eram prensados em um material flexível à base de vinil chamado "Victrolac", que se desgastava rapidamente com o peso dos captadores magnéticos e braços usados na época.

Em 1934, depois do fracasso dos discos de longa duração, a RCA Victor lançou o Duo Jr., um pequeno toca-discos elétrico básico e barato, feito para ser ligado a receptores de rádio. O aparelho era vendido pelo preço de custo e recebia desconto adicional quando o comprador adquiria determinada quantidade de discos Victor. O preço baixo e a lenta recuperação da economia norte-americana ajudaram a reverter o desinteresse pelos fonógrafos, e as vendas de discos começaram a se recuperar. Por volta de 1935, a RCA começou a vender o RCA Victor M Special, toca-discos portátil de alumínio polido desenhado por John Vassos e ligado ao design industrial norte-americano da década de 1930.

Em 1949, a RCA Victor lançou os primeiros discos "single" de 45 rpm como resposta ao lançamento, pela Columbia Records, de seu formato LP de microssulco de 33⅓ rpm em 1948. A RCA Victor adotou os LPs de 33⅓ rpm da Columbia em 1950, e a Columbia passou a adotar os discos de 45 rpm da RCA Victor.

Em 1965, a RCA Victor lançou o cartucho de oito pistas. Durante mais de uma década, as vendas do formato geraram grande receita no mercado de música gravada. Elas começaram a cair no fim dos anos 1970, quando os consumidores passaram a preferir a fita cassete compacta introduzida pela Philips em 1963. Em 1982, a maior parte das lojas de música já não mantinha cartuchos de oito pistas em estoque. O formato desapareceu por completo até 1990.

Cinema

A RCA também investiu na indústria cinematográfica, mas os resultados foram ruins. Em abril de 1928, um grupo de empresas que incluía a RCA criou a RCA Photophone, Inc. para desenvolver tecnologia de filmes sonoros. No segundo semestre de 1927, a RCA havia comprado ações da Film Booking Office, ou FBO. Em 25 de outubro de 1928, com a ajuda de Joseph P. Kennedy, foi criado o estúdio Radio-Keith-Orpheum Corporation (RKO), formado pela fusão da FBO com a Keith-Albee-Orpheum Corporation, ou KAO, que possuía salas de cinema. Os cinemas nos quais a RKO tinha participação eram um mercado potencial para os sistemas de som RCA Photophone. A participação da RCA na RKO passou de cerca de um quarto das ações em 1930 para cerca de 61% em 1932. A RKO enfrentou sérios problemas financeiros e esteve sob administração judicial do começo de 1933 até 1940. Em 1935, a RCA vendeu metade de sua participação na RKO à Atlas Corporation por US$ 5 milhões em dinheiro e concedeu uma opção para a compra do restante por US$ 6 milhões.

Separação da General Electric

Depois de anos de reclamações de que os acordos de licenciamento cruzado entre RCA, GE e Westinghouse haviam criado, na prática, monopólios ilegais, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu um processo antitruste contra as três empresas em maio de 1930. Depois de longas negociações, o Departamento de Justiça aceitou em 1932 um acordo judicial que eliminou as restrições estabelecidas nos contratos de licenciamento e determinou que a RCA se tornasse inteiramente independente. A GE e a Westinghouse abriram mão de suas participações na RCA, que pôde conservar suas fábricas. Para dar à RCA tempo de se estabelecer, GE e Westinghouse tiveram de se abster de competir no setor de rádio por dois anos e meio.

Em 1954, o Departamento de Justiça entrou com uma nova ação antitruste contra a RCA, acusando-a de monopolização de patentes, licenciamento cruzado ilegal com GE, Westinghouse e AT&T e práticas anticoncorrenciais. O acordo judicial de 1958 obrigou a RCA a compartilhar suas patentes de rádio e televisão com concorrentes norte-americanos sem cobrança de royalties.

Televisão

Anúncio da RCA sobre o início, em abril de 1939, das transmissões experimentais regulares de televisão da RCA-NBC pela estação nova-iorquina W2XBS, antecessora da WNBC, anunciadas como "uma hora de cada vez, duas vezes por semana".

A RCA começou a desenvolver televisão no início de 1929, depois que o otimista Vladimir Zworykin convenceu Sarnoff de que uma versão comercial de seu protótipo poderia ser produzida em pouco tempo por US$ 100.000. O projeto exigiu anos adicionais de pesquisa e milhões de dólares. Na Feira Mundial de Nova Iorque de 1939–40, a RCA apresentou um sistema de televisão inteiramente eletrônico em preto e branco. Em 30 de abril de 1939, começou a fazer transmissões experimentais regulares dos estúdios da NBC para a região metropolitana de Nova Iorque pela estação W2XBS, no canal 1, que daria origem à WNBC no canal 4. O transmissor ficava no alto do Empire State Building. Nessa época, a RCA começou a vender seus primeiros modelos de televisores, entre eles TRK-5 e TRK-9, em lojas de Nova Iorque. A FCC ainda não havia autorizado o início da televisão comercial porque os padrões técnicos não estavam definidos. Preocupada com a possibilidade de a RCA inundar o mercado com aparelhos e pressionar o órgão a adotar sua tecnologia, a FCC limitou as transmissões.

Depois da adoção dos padrões recomendados pelo National Television System Committee, a FCC autorizou o início das transmissões comerciais de televisão em 1º de julho de 1941. A entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial poucos meses depois retardou muito sua expansão. A RCA retomou a venda de televisores quase imediatamente depois do fim da guerra, em 1945.

Em 1950, a FCC adotou um padrão de televisão em cores promovido pela CBS. O sistema fracassou pouco depois, principalmente porque as transmissões coloridas não podiam ser recebidas pelos televisores em preto e branco existentes. Depois de um amplo esforço de pesquisa, engenheiros da RCA criaram um método de transmissão de cores "compatível". Por meio de entrelaçamento, o sistema transmitia simultaneamente imagens em cores e em preto e branco, recebidas por televisores coloridos e pelos aparelhos monocromáticos existentes. Em 1953, a tecnologia inteiramente eletrônica de televisão em cores da RCA foi adotada como padrão nos Estados Unidos. Sarnoff previu então vendas anuais de 1,78 milhão de televisores coloridos em 1956. Os aparelhos eram caros, difíceis de ajustar e havia pouca programação em cores, de modo que as vendas reais naquele ano ficaram em apenas 120.000 unidades. A propriedade da NBC beneficiou a RCA porque a rede recebeu instruções para ampliar sua oferta de programas em cores. Mesmo assim, apenas em 1968 as vendas de televisores em cores nos Estados Unidos ultrapassaram as dos aparelhos em preto e branco.

David Sarnoff elogiava a competência técnica dos engenheiros da RCA que haviam desenvolvido a televisão em cores, mas não escondia seu desinteresse pelos programas populares de televisão, postura diferente da de William Paley, presidente da CBS. Sua biografia autorizada chegou a afirmar que "ninguém ainda o flagrou em comunhão com qualquer um da primeira dúzia de programas mais vistos" e que "os programas populares, para dizer claramente, pouco o atraem".

As câmeras profissionais e os equipamentos de estúdio da RCA, em especial os da série TK-40/41, foram adotados por muitas afiliadas das redes de televisão norte-americanas. Os televisores CT-100 da RCA, chamados de "RCA Merrill" pelos revendedores, levaram a televisão em cores ao mercado doméstico.

Diversificação

David Sarnoff com o primeiro gravador de vídeo da RCA, em 1954.
Gravador-reprodutor colorido RCA Television Quad de 5,08 cm, usado em estúdios de televisão do fim dos anos 1960 ao começo dos anos 1980.

Em 1941, pouco antes da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, foi lançada a pedra fundamental de um centro de pesquisa e desenvolvimento em Princeton, Nova Jérsia, chamado RCA Laboratories. Dirigido durante muitos anos por Elmer William Engstrom, o laboratório trabalhou em tecnologias como televisão em cores, microscopia eletrônica, CMOS, física de heterojunções, dispositivos optoeletrônicos emissores, telas de cristal líquido, gravadores de videocassete, sistemas de transmissão direta por satélite e televisão de alta definição.

As fábricas da RCA passaram à produção de guerra pouco depois da entrada dos Estados Unidos no conflito, em dezembro de 1941. A empresa trabalhou no desenvolvimento de radares e rádios para as forças armadas e ficou em 43º lugar entre as empresas norte-americanas em valor de contratos militares de produção durante a guerra. Um dos contratos consistia em equipar o couraçado USS Texas com um radar pulsado de 400 MHz que usava tecnologia criada pelo cientista de acústica da RCA Irving Wolff. Durante e depois da guerra, a RCA abriu novas divisões voltadas à defesa, exploração espacial e outras atividades. A RCA Service Corporation forneceu grande contingente de pessoal para a Distant Early Warning Line. Unidades da RCA receberam cinco prêmios Army-Navy "E" por desempenho na produção. Por causa das hostilidades entre Japão e Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, a Victor Company of Japan separou-se da RCA Victor e tornou-se independente. A JVC conservou as marcas "Victor" e "His Master's Voice" para uso apenas no Japão.

Em 1955, a RCA vendeu à Whirlpool suas operações de grandes eletrodomésticos da marca Estate. Como parte da transação, a Whirlpool recebeu o direito de vender aparelhos com a marca "RCA Whirlpool" até meados dos anos 1960.

A RCA Graphic Systems Division, ou GSD, foi uma das primeiras fornecedoras de equipamentos eletrônicos destinados à impressão e à editoração. A divisão contratou a empresa alemã Rudolf Hell para vender adaptações do sistema de fotocomposição Digiset com o nome Videocomp, além de um Laser Color Scanner. O Videocomp era apoiado por um computador Spectra que executava os sistemas de composição Page-1 e, depois, Page-II e FileComp. A RCA vendeu mais tarde os direitos do Videocomp à Information International Inc.

Computadores

A RCA foi uma das empresas que entraram no mercado de computadores de grande porte nos anos 1960 para disputar espaço com a líder International Business Machines. Naquela época, os computadores eram usados quase universalmente para processamento rotineiro de dados e pesquisa científica. Em 1964, Sarnoff, que se via como um visionário, previu:

"O computador se tornará o centro de uma vasta rede de estações remotas de dados e bancos de informações, alimentando a máquina a uma taxa de transmissão de um bilhão ou mais de bits de informação por segundo [...] Por fim, uma rede global de comunicações para voz, dados e fac-símile ligará instantaneamente o homem à máquina, ou máquina a máquina, por circuitos terrestres, aéreos, submarinos e espaciais. [O computador] afetará as formas de pensar do homem, seus meios de educação, sua relação com seu ambiente físico e social e alterará seus modos de vida. [...] [Antes do fim deste século, essas forças] se fundirão naquilo que sem dúvida se tornará a maior aventura da mente humana."

A RCA comercializou a linha de computadores Spectra 70, compatível em hardware, mas não em software, com a série IBM System/360. Também produziu a RCA Series, concorrente da IBM System/370. A tecnologia foi licenciada à English Electric, que a usou na série System 4, formada essencialmente por clones do RCA Spectra 70. O sistema operacional TSOS da RCA foi o primeiro sistema operacional para mainframes com paginação sob demanda e memória virtual colocado no mercado. Em 1971, apesar dos investimentos feitos, a RCA tinha apenas 4% do mercado. A empresa calculava que gastaria cerca de US$ 500 milhões nos cinco anos seguintes para continuar competindo com a série IBM/370. Em 17 de setembro de 1971, o conselho de administração decidiu fechar a divisão de sistemas de computadores, RCA-CSD, e registrar uma perda de US$ 490 milhões. A divisão UNIVAC da Sperry Rand assumiu as operações de computadores da RCA em janeiro de 1972. A Univac não queria os computadores Spectra, semelhantes à sua própria série 9000. Seu interesse estava na carteira de clientes da RCA.

Anos finais

Edgar H. Griffiths, presidente da RCA de 1976 a 1981, durante a reunião anual da empresa em Nova Iorque, em 1979.

Em 1º de janeiro de 1965, Robert Sarnoff sucedeu ao pai na presidência da RCA, embora David Sarnoff continuasse no controle como presidente do conselho de administração. O filho buscou modernizar a imagem da empresa e, no fim de 1968, introduziu um novo logotipo de aparência futurista, com as letras "RCA" em bloco e desenho modernizado. Ele substituiu o antigo logotipo com um raio e veio acompanhado pela quase retirada das marcas Victor e Nipper/"His Master's Voice". O desenho do logotipo foi criado por Lippincott & Margulies, usado pela empresa de 1968 a 1987 e conservado pela marca RCA e pela RCA Records. A divisão RCA Victor recebeu o nome RCA Records. As marcas "Victor" e "Victrola" deixaram de aparecer nos eletrônicos de consumo da RCA. "Victor" ficou restrita aos selos e capas dos discos populares regulares da RCA, enquanto Nipper e "His Master's Voice" apareciam apenas nas capas dos discos Red Seal.

Em 1969, o nome oficial da empresa mudou de Radio Corporation of America para "RCA Corporation", acompanhando a ampliação de suas atividades e sua expansão para outros países. No fim daquele ano, David Sarnoff, incapacitado por uma doença prolongada, foi afastado da presidência do conselho. Morreu em dezembro de 1971.

A saída do mercado de computadores de grande porte em 1971 acelerou a mudança da RCA de uma empresa centrada em eletrônica e tecnologia para o conglomerado multinacional pretendido por Robert Sarnoff. No fim dos anos 1960 e durante os anos 1970, a empresa comprou negócios muito diferentes, entre eles Hertz, de aluguel de automóveis, Banquet, de alimentos congelados, Coronet, de carpetes, Random House, de edição de livros, e Gibson, de cartões comemorativos. A situação financeira, porém, se deteriorava. Críticos passaram a brincar com as iniciais RCA chamando a empresa de "Rugs Chickens & Automobiles", ou "tapetes, frangos e automóveis".

A RCA continuou produzindo equipamentos de engenharia para radiodifusão e comunicações por satélite, mas os lucros das redes de rádio e televisão da NBC começaram a cair.

A presidência de Robert Sarnoff terminou em meio à queda dos lucros. Em outubro de 1975, enquanto estava fora do país, ele foi afastado em uma disputa interna liderada por Anthony Conrad, que assumiu a presidência. Conrad renunciou menos de um ano depois de admitir que deixara de apresentar declarações de imposto de renda por seis anos. Seu sucessor, Edgar H. Griffiths, tornou-se impopular e se aposentou no começo de 1981. Thornton Bradshaw o sucedeu e foi o último presidente da RCA.

Depois da saída de Robert Sarnoff, Griffiths decidiu recuperar a marca "His Master's Voice", que considerava um "ativo valioso da empresa", e restaurou Nipper como mascote corporativo. Em 31 de outubro de 1976, a RCA anunciou formalmente a volta de Nipper aos produtos e à publicidade. No começo daquele ano, a RCA Records havia começado a recolocar Nipper nos selos dos discos em países e territórios onde possuía os direitos sobre a marca. O cão voltou a aparecer em anúncios da RCA em jornais, revistas e televisão, assim como em papelaria, material de vendas, caixas de transporte, vitrines, veículos de entrega e assistência técnica. O desenho também reapareceu nos televisores RCA e, em 1981, no novo sistema de videodisco CED. Jornais e telejornais deram atenção ao retorno. A empresa lançou também artigos promocionais de Nipper, entre eles camisetas, bonés, gravatas, toalhas de praia, isqueiros, cofres, chaveiros, relógios, canecas, copos e brinquedos de pelúcia.

As tentativas de criar novos produtos de eletrônica de consumo nessa fase fracassaram e custaram dinheiro e reputação à RCA. O console doméstico RCA Studio II, lançado em 1977, foi retirado do mercado menos de dois anos depois por causa das vendas baixas. O desenvolvimento do sistema de videodisco CED começara em 1964. Depois de anos de atrasos, o produto chegou ao mercado em março de 1981 com o nome SelectaVision. O CED recebeu o maior investimento feito pela RCA em um único produto, superior até ao gasto com a televisão em cores. Quando chegou às lojas, porém, já estava praticamente obsoleto e nunca atingiu o volume de produção necessário para baixar o preço o suficiente para competir com a tecnologia de videocassete, mais nova, gravável e cada vez mais barata. Em abril de 1984, depois de três anos de vendas lentas, a RCA abandonou a fabricação dos aparelhos CED. A produção dos videodiscos terminou em 1986, após uma perda de cerca de US$ 650 milhões.

Por volta de 1980, a estratégia corporativa da RCA já previa a transferência da fabricação de televisores para o México. Em 1981, a Columbia Pictures vendeu sua participação na divisão de vídeo doméstico à RCA. Fora da América do Norte, a divisão passou a se chamar "RCA/Columbia Pictures International Video", hoje Sony Pictures Home Entertainment. No ano seguinte, na América do Norte, recebeu o nome RCA/Columbia Pictures Home Video. Em 1983, o conglomerado alemão Bertelsmann vendeu 50% da Arista Records à RCA Records. Em 1985, RCA e Bertelsmann formaram a sociedade RCA/Ariola International, que assumiu a administração da RCA Records. A Bertelsmann compraria integralmente a RCA Records da General Electric depois da absorção da RCA pela GE em 1986.

A RCA ainda era lucrativa em 1983, quando transferiu da Panasonic para a Hitachi a fabricação de seus videocassetes VHS. Em 1984, a RCA Broadcast Systems Division saiu da fábrica RCA Victor em Camden e se instalou no centro de engenharia de antenas da empresa em Gibbsboro. Em 3 de outubro de 1985, a RCA anunciou o encerramento da Broadcast Systems Division. Nos anos seguintes, as linhas de equipamentos de radiodifusão desenvolvidas em Camden foram encerradas ou vendidas. A maior parte dos antigos edifícios e fábricas RCA Victor da cidade foi demolida, com exceção de algumas construções originais da Victor protegidas como edifícios históricos nacionais. Durante alguns anos, a empresa derivada L-3 Communications Systems East teve sua sede no conhecido Nipper Building, mas depois se mudou para um edifício vizinho construído pela cidade. O Nipper Building restaurado passou a abrigar lojas e apartamentos. Também em 1985, a RCA vendeu a locadora Hertz à UAL, Inc.

Reaquisição e desmembramento pela General Electric

Em dezembro de 1985, foi anunciado que a General Electric recompraria sua antiga subsidiária por US$ 6,28 bilhões em dinheiro, equivalentes a US$ 66,50 por ação. A compra da RCA pela GE, concluída em 9 de junho de 1986, foi até então a maior fusão da história entre empresas fora do setor petrolífero. Apesar das primeiras declarações de que a combinação de GE e RCA formaria um gigante de tecnologia, manufatura e entretenimento, nos anos seguintes a GE vendeu a maior parte dos ativos da RCA. Ficou claro que o principal objetivo da compra era obter a rede de televisão NBC e os negócios ligados à defesa. Em 1987, a GE vendeu sua participação de 50% na RCA Records à parceira alemã Bertelsmann. A RCA Records tornou-se divisão do Bertelsmann Music Group. A rede de rádio NBC foi vendida à Westwood One. A RCA Global Communications Inc., cujas origens remontavam à fundação da RCA em 1919, foi comprada pela MCI Communications Corporation.

Em 1988, a Thomson Consumer Electronics comprou o direito de fabricar eletrônicos de consumo com as marcas RCA e GE em troca de parte de seus negócios médicos. No mesmo ano, o negócio de semicondutores, que incluía a antiga unidade RCA Solid State e a Intersil, foi adquirido pela Harris Corporation. Ainda em 1988, o antigo RCA Building, conhecido como "30 Rock", no Rockefeller Center, passou a se chamar GE Building.

Em 1991, a GE vendeu à Sony Pictures sua participação na RCA/Columbia. A unidade recebeu o nome "Columbia TriStar Home Video", depois "Columbia TriStar Home Entertainment" e, por fim, Sony Pictures Home Entertainment.

Os Sarnoff Labs foram submetidos a um plano de cinco anos pelo qual a GE financiaria todas as atividades no primeiro ano e reduziria gradualmente esse apoio até quase zero no quinto. O laboratório precisou mudar seu modelo de negócios e passou a atuar como centro de pesquisa industrial por contrato. Em 1988, foi transferido ao SRI International e recebeu o nome David Sarnoff Research Center. Passou depois a chamar-se Sarnoff Corporation. Em janeiro de 2011, a Sarnoff Corporation foi totalmente incorporada ao SRI.

Em 2011, a GE vendeu sua participação de controle na NBC, então parte da empresa multimídia NBCUniversal, que reunia televisão aberta e a cabo, à Comcast. Em 2013, a Comcast comprou a participação restante. Depois da venda da NBCUniversal, a única antiga unidade da RCA que permaneceu na GE foi Government Services.

Em 2022, a Technicolor SA, sucessora da Thomson, vendeu as marcas RCA à empresa de licenciamento Talisman Brands, Inc. A Talisman opera sob o nome Established Incorporated, estilizado como established.

Depois da RCA

O antigo RCA Victor Building 17 é uma das poucas construções que restam, em Camden, do grande complexo industrial da Victor Talking Machine Company e da RCA Victor.

Rádios antigos da RCA e os primeiros receptores de televisão em cores, como o RCA Merrill/CT-100, estão entre os aparelhos procurados por colecionadores devido à popularidade que tiveram durante a Era do Rádio, à presença da RCA naquele período e ao desenho e à construção dos equipamentos. Entre os televisores mais procurados estão os modelos fabricados antes da Segunda Guerra Mundial, a partir de 1939, entre eles TRK-5, TRK-9 e TRK-12.

O RCA Heritage Museum foi criado na Rowan University em 2012.

O antigo RCA Victor Building 17, conhecido como "Nipper Building", em Camden, foi convertido em apartamentos em 2003.

Um tipo de conjunto de plugue e tomada usado em cabos de áudio e vídeo conserva o nome Conector RCA.

Sob a marca RCA são vendidos produtos de eletrônica de consumo, entre eles tablets 2 em 1, televisores, telefones e eletrodomésticos.

A RCA Records permanece como uma das gravadoras da Sony Music.

Questões ambientais

Antigas fábricas da RCA foram apontadas como locais contaminados por resíduos industriais.

Galeria

Liderança

Presidentes

  1. Edward Julian Nally, 1919–1923
  2. James Guthrie Harbord, 1923–1930
  3. David Sarnoff, 1930–1949
  4. Frank Marion Folsom, 1949–1957
  5. John Lawrence Burns, 1957–1961
  6. Elmer William Engstrom, 1961–1965
  7. Robert William Sarnoff, 1966–1971
  8. Anthony Lee Conrad, 1971–1976
  9. Edgar Herbert Griffiths Jr., 1976–1980
  10. Maurice Remo Valente, 1980
  11. Robert Rice Frederick, 1982–1987

Presidentes do conselho de administração

  1. Owen Young, 1919–1930
  2. James Guthrie Harbord, 1930–1947
  3. David Sarnoff, 1947–1970
  4. Robert William Sarnoff, 1970–1975
  5. Edgar Herbert Griffiths Jr., 1975–1981
  6. Thornton Frederick Bradshaw Jr., 1981–1987

Ver também

Notas

  1. ↑ A marca Nipper também era usada no Reino Unido pela empresa afiliada Gramophone Company.
  2. ↑ Uma tentativa semelhante da Edison Records, no fim dos anos 1920, de comercializar discos de longa duração também havia fracassado. O sistema Edison usava discos de corte lateral com microssulco e até 20 minutos de reprodução por lado.
  3. ↑ O aparelho derivava de um projeto desenvolvido originalmente pela Ampex em meados dos anos 1950. Usava um tambor de varredura vertical, com o movimento das cabeças em aproximadamente 90° em relação à direção da fita. Esse método surgiu antes da varredura helicoidal usada em gravadores profissionais e domésticos.
  4. ↑ A fotografia está invertida em relação à orientação habitual porque foi feita de dentro da "Nipper Tower". Ela mostra a substituição de 2003 do vitral de 1979, que por sua vez substituíra o original de 1915.
  5. ↑ Exposto no Wolfsonian–Florida International University, em Miami, Flórida.
  6. ↑ Aparelho do American Museum of Radio and Electricity. Na fotografia, o televisor exibe um episódio da série Superman.

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  73. ↑ Superfund Annual Report 2001, U.S. EPA Region I.
  74. ↑ U.S. EPA, Environmental Quality Board, National Priority List, Site Inspection Report/Site Evaluation Report. EPA, San Juan Barceloneta RCA del Caribe, outubro de 1987.
  75. ↑ John M. Hunter e Sonia I. Arbona, "Paradise Lost: An Introduction to the Geography of Water Pollution in Puerto Rico", Soc. Sci. Med., vol. 40, nº 10, 1995, pp. 1331–1355.
  76. ↑ Federal Register, vol. 70, nº 73, 18 de abril de 2005, pp. 20058–20060.
  77. 1 2 3 Gene Smith (3 de novembro de 1967). «Robert Sarnoff Quits Post At RCA in a Surprise Move». The New York Times p. 68.
  78. 1 2 Gene Smith (6 de novembro de 1975). «Robert Sarnoff Quits Post At RCA in a Surprise Move». The New York Times p. 1.

Leitura adicional

Ligações externas

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