- Fig. 1. Diagrama K2O % em peso - SiO2 % em peso, distinguindo os diversos tipos de rochas shoshoníticas (sombreado). Adaptado de Best M.G. (2003).
- Fig. 2. Posição da shoshonite s.s. no diagrama TAS.
| Rocha ígnea | |
Shoshonito porfirítico de South Table Mountain, Colorado). | |
| Composição | |
|---|---|
| Classe | Rocha magmática (rocha efusiva; traquiandesítica) |
| Série ígnea | Calco-alcalina |
| Composição essencial | olivina, augite, plagioclase |
| Composição secundária | sanidina e vidro vulcânico |
| Características físicas | |
| Cor | Cinzento escuro, cinza |
| Textura | Hipocristalina porfísrica; rica em fenocristais (xenocristais) de minerais potássicos. |

Shoshonito (ou shoshonite) é um tipo de traquiandesito muito enriquecido em potássio, uma rocha ígnea composta por olivina, augite e fenocristais de plagioclase numa matriz com plagioclase cálcica e sanidina e algum vidro vulcânico de cor escura.
Sob a designação de shoshonito, ou série shoshonítica, agrupam-se rochas ígneas do tipo efusivo, cuja composição varia de basáltica a andesítica (e riolítica, segundo alguns autores) contendo concentrações muito elevadas de potássio. O aspeto destas rochas é muito semelhante ao dos basaltos e andesitos normais, com os quais estão frequentemente em contacto, mas as suas particularidades mineralógicas e geoquímicas fazem com que sejam atribuídas a um ambiente geodinâmico de origem diferente.
A estrutura é maciça ou vesicular, isotrópica ou com orientação preferencial dos cristais por fluxo, com textura petrográfica porfirítica hipocristalina, mais raramente afírica. Geralmente contêm fenocristais de piroxenas com algumas plagioclases e olivina numa massa de solo parcialmente vítrea com os mesmos minerais a que acresce feldspato alcalino (ortoclase ou sanidina). A cor é escura, cinzenta, por vezes cinzento-esverdeada devido à alteração da olivina para serpentina.
O shoshonito dá o seu nome à série shoshonito e evolui para absarokito com a perda de fenocristais de plagioclase e para banakito com um aumento do teor em sanidina.
O shoshonito foi baptizada em 1895 pelo geólogo e petrologista norte-americano Joseph P. Iddings tendo como base etimológica o rio Shoshone, no Wyoming, em cuja bacia recolheu a amostra que serviu de litotipo à classificação.
As características texturais e mineralógicas das rochas ricas em potássio da série absarokite-shoshonite-banakite sugerem fortemente que a maioria dos grandes cristais e agregados não são verdadeiros fenocristais como se pensava anteriormente, mas xenocristais e microxenólitos, sugerindo uma origem híbrida envolvendo a assimilação de gabro por magma sienítico de alta temperatura.
As rochas da série shoshonite são geralmente ligeiramente sobre-saturadas a sub-saturadas em sílica (como indicado pela presença de olivina), e têm as seguintes características químicas:
A caracterização minerológica resultante dos elementos peculiares da série são:
A discriminação dos litotipos na série shoshonítica só é feito quimicamente, através do diagrama SiO2 em oposição a K2O (fig. 1). Passando da composição basáltica (absarokite) para a composição andesítico-basáltica (shoshonite) e andesítica (banakite), o teor mínimo de K2O aumenta (da cerca de 1,7 % até 4% em peso) e a quantidade de augite e olivina diminui significativamente. Para alguns autores, a série shoshonítica inclui também rochas siálicas como o dacito rico em potássio e os riolitos.
As descrições apresentadas são as propostas pela IUGS. As tipologias identificadas são as seguintes:
As rochas shoshoníticas tendem a estar associadas a arcos insulares calco-alcalinos das zonas de subducção, mas os shoshonitos ricos em K são geralmente mais jovens e encontram-se sobre as partes mais profundas e íngremes da zona de Benioff.
As rochas vulcânicas da série absarokite-shoshonite-banakite descrita no Parque de Yellowstone por Iddings e a série semelhante ciminite-toscanite descrita na Itália ocidental por Washington estão associadas a rochas com leucite, traquitos ricos em potássio e rochas andesíticas. Associações semelhantes são descritas em várias outras regiões, incluindo a Indonésia e o Rifte da África Oriental.
Nas ilhas do Arco Eólico, no sul do Mar Tirreno (entre as placas tectónicas euro-asiática e africana), o vulcanismo mudou de calco-alcalino para calco-alcalino de alto potássio (alto-K) para shoshonítico no último milhão de anos, possivelmente devido ao progressivo declive da zona de Benioff, que tem uma inclinação de 50-60°. Um exemplo de lava shoshonítica nesta região é o escudo lávico de Capo Secco, perto de Vulcano. O vulcanismo tardio do Cretáceo de Puerto Rico é interpretado como tendo ocorrido num contexto tectónico semelhante.
Em alguns locais, o magmatismo shoshonítico e calco-alcalino de alto potássio está associado a mineralizações hidrotermais de ouro e cobre-ouro de classe mundial. Os exemplos incluem: