Twitter sob Elon Musk | |
|---|---|
| Logotipo adotado depois da mudança de nome para X | |
| Início | Outubro de 2022 |
| Proprietário | Elon Musk e outros investidores |
| Nome da plataforma | Twitter, renomeado X em 2023 |
O controle do Twitter por Elon Musk começou em outubro de 2022, quando o empresário comprou a rede social. Elon foi diretor-executivo até junho de 2023, quando Linda Yaccarino assumiu o cargo. A plataforma passou a se chamar X em julho de 2023, e o endereço mudou de twitter.com para x.com em 17 de maio de 2024. Linda deixou a direção em 9 de julho de 2025.
A rede manteve a estrutura de publicações curtas e acrescentou textos mais longos, formas de remuneração de contas, chamadas de áudio e vídeo, o assistente de inteligência artificial Grok, busca de empregos e uma assinatura paga que passou a conceder o selo de verificação. Foram retirados recursos como as Rodas, que limitavam publicações a grupos escolhidos, as imagens de perfil em NFT e o teste de pronomes nos perfis. Elon declarou que pretendia transformar a plataforma numa praça pública digital e num aplicativo com diferentes serviços, a exemplo do WeChat.
A divulgação dos Twitter Files, a suspensão de jornalistas e a identificação de veículos de imprensa como ligados a governos provocaram críticas. A plataforma também enfrentou problemas de desinformação, discurso de ódio, inclusive antissemitismo, e material de abuso sexual infantil. A X Corp. processou a Media Matters for America e o Centro de Combate ao Ódio Digital, contestando relatórios e acusações dessas organizações.
| ||
|---|---|---|
|
Pessoal Empresas Cultura popular Administração Trump Relacionado |
||
Elon apresentou sua proposta de compra em 14 de abril de 2022 e concluiu a aquisição em outubro. Pretendia transformar o Twitter no X, aplicativo com diferentes serviços inspirado no WeChat. Em abril, já era o maior acionista, com 9,2% das ações, e ofereceu cerca de 44 bilhões de dólares pela empresa. O conselho resistiu inicialmente, mas aceitou a proposta em 25 de abril. Em julho, Elon tentou desistir, alegando que a empresa não esclarecera a quantidade de contas automatizadas de spam. O Twitter o processou, com julgamento previsto para meados de outubro. Ele voltou atrás e concluiu a operação no fim daquele mês. Tornou-se proprietário e diretor-executivo, retirou as ações da bolsa e demitiu dirigentes como Parag Agrawal. A empresa seria depois incorporada à X Corp.
Elon mudou nomes que remetiam a pássaros, como Birdwatch, que passou a se chamar Notas da Comunidade. Exigiu que empregados reformulassem diferentes partes do serviço em uma semana e convocou trabalhadores da Tesla, da The Boring Company e da Neuralink, além dos investidores Jason Calacanis e Sriram Krishnan. Para cumprir os prazos, funcionários receberam orientações para prolongar a jornada.
Elon não era o único investidor da X Corp. Em 28 de março de 2025, a xAI adquiriu a empresa de sua antiga controladora, a X Holdings Corp. Entre os investidores da controladora estavam entidades ligadas a Bill Ackman, Larry Ellison, Marc Andreessen e Sean Combs, além de mais de 20 fundos e outras estruturas de investimento ligados à Fidelity Investments.
Em 23 de julho de 2023, Elon anunciou a mudança do nome Twitter para X. O domínio X.com, antes usado pelo PayPal, começou a redirecionar os visitantes para a rede social. No dia seguinte, o logotipo do pássaro foi substituído pela letra X, que também passou a ser usada nos nomes das contas oficiais. O nome de usuário @x pertencia ao fotógrafo Gene X Hwang desde 2007. Ele se dispôs a negociá-lo, mas recebeu um e-mail informando que a empresa tomaria o identificador, sem oferta de pagamento. O aplicativo para Android mudou de nome e ícone na Google Play até 27 de julho. Na App Store, a alteração ocorreu em 31 de julho, depois de a Apple abrir uma exceção à exigência de ao menos dois caracteres no nome. As mensagens, antes chamadas de tweets, passaram a ser chamadas de publicações, ou posts.
Especialistas em marcas questionaram a retirada de um nome já difundido internacionalmente, que havia levado a palavra tweet ao uso cotidiano. Também apontaram dificuldades para proteger a nova marca, pois quase 900 empresas estadunidenses já tinham registros com a letra X, entre elas a Meta Platforms, com um logotipo relacionado a redes sociais. O símbolo adotado usa um X de traço duplo, presente em livros de matemática desde a década de 1970 e no padrão Unicode como U+1D54F. O manual de redação da Associated Press recomendou que jornalistas usassem "X, anteriormente conhecido como Twitter". Em setembro de 2023, a Ad Age publicou dados da Harris Poll indicando que a maioria dos usuários ainda chamava o serviço de Twitter. Em 17 de maio de 2024, Elon anunciou a mudança definitiva do endereço para x.com, depois de dificuldades na transição entre os domínios. Em 2024, transferiu a sede para Bastrop, na região de Austin, no Texas.
Redes sociais, entre elas o X, receberam questionamentos sobre a difusão de informações falsas durante os distúrbios de 2024 no Reino Unido. Elon acusou o primeiro-ministro Keir Starmer de não proteger todas as comunidades. Respondeu que uma guerra civil seria inevitável a uma publicação que atribuía os confrontos à imigração e às fronteiras abertas. O porta-voz de Keir condenou o comentário. Elon havia restabelecido a conta do ativista de extrema-direita Tommy Robinson e passou a interagir com ele na rede. Também acusou Keir de adotar critérios policiais diferentes para grupos distintos. Compartilhou a teoria conspiratória de que o governo construiria campos de detenção nas Ilhas Malvinas para prender participantes dos distúrbios. O ministro britânico de Ciência e Tecnologia, Peter Kyle, comparou as negociações com grandes empresas de tecnologia e seus dirigentes às relações com Estados estrangeiros.
Em dezembro de 2024, o site recebeu um novo desenho e retirou elementos remanescentes da marca Twitter, como a predominância da cor azul. Em fevereiro de 2025, Elon afirmou que governos e veículos tradicionais de imprensa estariam manipulando as Notas da Comunidade e disse que tomaria medidas para corrigir o sistema. A declaração veio depois de notas contradizerem suas afirmações sobre astronautas e a imprensa, além de alegações de que Volodymyr Zelensky seria impopular na Ucrânia.
Em 2025, o The Wall Street Journal noticiou que Elon havia proposto ter um filho com uma influenciadora que nunca conhecera pessoalmente. Depois da recusa, ele deixou de seguir sua conta, cujas visualizações e receitas caíram.
Em 4 de novembro de 2022, a empresa iniciou demissões e fechou temporariamente os escritórios. Cerca de metade dos empregados foi dispensada. Na noite anterior, cinco trabalhadores de São Francisco e Cambridge, em Massachusetts, haviam processado o Twitter, alegando que os cortes violariam leis federais e da Califórnia que exigem aviso prévio em demissões coletivas. Elon justificou a medida pela necessidade de reduzir custos e afirmou que a empresa perdia mais de 4 milhões de dólares por dia. Disse que os demitidos receberiam três meses de indenização, 50% acima do mínimo legal. Criticou ainda grupos que pediam aos anunciantes a interrupção dos negócios com a plataforma. O The New York Times qualificou o processo de demissões como desorganizado. O diretório interno Birdhouse saiu do ar, e os escritórios fecharam durante o fim de semana.
Em 6 de novembro, a empresa pediu que parte dos demitidos voltasse ao trabalho. Nos dias seguintes, encerrou contratos de prestadores de serviço e dispensou empregados que criticaram Elon publicamente ou em canais internos. Em 16 de novembro, o empresário enviou um ultimato para que os funcionários aceitassem jornadas intensas no projeto "Twitter 2.0" ou deixassem a empresa. Centenas pediram demissão no dia seguinte, antes do fim do prazo de resposta. O Business Insider calculou que restavam menos de 2 mil empregados. Elon e seus assessores tentaram convencer trabalhadores a ficar, enquanto os escritórios foram fechados novamente, até 21 de novembro. Mesmo durante o fechamento, ele convocou os engenheiros de software à sede em 18 de novembro para conhecer a estrutura técnica do serviço. Houve novos cortes no fim do mês, seguidos da retomada das contratações. As demissões prosseguiram em fevereiro de 2023, quando Elon prometeu recompensas em ações com base no desempenho para quem permanecesse.
Em novembro de 2022, quase toda a equipe de comunicação foi demitida, restando apenas uma pessoa. Entre novembro e março de 2023, a empresa praticamente deixou de responder à imprensa. Em março, Elon anunciou uma política semelhante à de seus outros negócios, que não mantinham departamentos de comunicação. Em abril, a National Public Radio confirmou que uma pergunta enviada ao Twitter havia recebido como resposta um emoji de fezes. No mesmo mês, Elon disse à BBC que havia reduzido o quadro de aproximadamente 8 mil para menos de 1.500 empregados. Em junho, a responsável por confiança e segurança, Ella Irwin, pediu demissão horas depois de Elon reverter uma decisão de moderação e republicar o documentário What is a Woman?, do The Daily Wire, que recebeu críticas por seu conteúdo contra pessoas transgênero.
Em 16 de novembro de 2022, Elon declarou que pretendia escolher outro diretor-executivo para o Twitter e começou a procurar um sucessor. Em 18 de dezembro, durante as críticas às suspensões do ElonJet e do Mastodon, consultou os usuários sobre deixar o cargo e prometeu respeitar o resultado. A saída recebeu 57,5% de cerca de 17,5 milhões de votos.
Depois do resultado, Elon reagiu favoravelmente à hipótese sem provas de que bots haviam interferido na votação. Concordou com a proposta de restringir futuras consultas sobre as regras do serviço aos assinantes pagos. Em 20 de dezembro, anunciou que deixaria a direção assim que encontrasse um substituto, mantendo o comando das equipes de software e servidores. Em 11 de abril de 2023, disse à BBC, em tom de brincadeira, que já havia deixado o cargo e nomeado seu cachorro. Em 11 de maio, anunciou ter escolhido a sucessora. No dia seguinte, confirmou Linda Yaccarino, até então responsável pelas vendas de publicidade da NBCUniversal.
Um ano depois da aquisição, documentos sobre ações concedidas a empregados avaliaram a empresa em aproximadamente 19 bilhões de dólares, cerca de 55% abaixo do preço de compra. Em outubro de 2023, a Fidelity estimava uma queda de 65%. Em outubro de 2024, sua avaliação indicava perda de 79% em relação à compra e de 24% em apenas dois meses. Em fevereiro de 2025, Elon negociava uma rodada de financiamento que voltaria a avaliar a empresa em 44 bilhões de dólares.
Em agosto de 2023, o X recebeu uma multa de 350 mil dólares por descumprir dois prazos de entrega de dados da conta de Donald Trump, exigidos por um mandado do Departamento de Justiça. Em outubro de 2024, a Suprema Corte dos Estados Unidos recusou analisar o recurso da empresa. Em outubro de 2023, a comissão australiana de segurança digital multou o X em 610.500 dólares australianos por não informar adequadamente como combatia o material de abuso sexual infantil. Outras sanções estavam em análise naquele ano.
Em 5 de dezembro de 2025, a Comissão Europeia multou o X em 120 milhões de euros por infrações à Lei dos Serviços Digitais. A decisão abrangia a apresentação enganosa dos selos azuis de verificação, falhas de transparência no repositório de anúncios e restrições ao acesso de pesquisadores a dados públicos.
As publicações são públicas por padrão, mas o usuário pode proteger a conta e restringi-las a seguidores aprovados. Também pode silenciar contas, bloquear interações e retirar pessoas da lista de seguidores. As mensagens podem ser enviadas pelo site ou por aplicativos para dispositivos como smartphones. A inscrição nas publicações de outra conta é chamada de "seguir", e os inscritos são seus "seguidores". O usuário pode republicar mensagens no próprio feed ou citá-las, acrescentando um comentário. Também pode indicar que gostou de uma publicação pelo botão de curtida.
As hashtags agrupam assuntos por palavras ou expressões precedidas do sinal "#". O sinal "@", seguido do nome da conta, permite mencionar outros usuários. Algumas hashtags recebem emojis personalizados temporários, chamados de hashflags, criados pela plataforma ou contratados por empresas. É possível responder a respostas de outras contas, ocultar respostas recebidas e limitar quem pode responder a uma publicação, conforme as opções disponíveis para contas seguidas, verificadas ou mencionadas.
O X Hiring permite procurar vagas por palavra-chave ou local e filtrar os resultados por modalidade de trabalho, nível de experiência, tipo de contrato e empresa. O serviço também apresenta recomendações personalizadas de emprego no feed.
O Grok é um chatbot de inteligência artificial generativa desenvolvido pela xAI e integrado ao X, com acesso direto a dados da plataforma. Foi oferecido inicialmente aos assinantes Premium e Premium+. Também passou a produzir resumos de publicações sobre assuntos em destaque, no recurso Stories, exibido na aba "Para você" da seção Explorar.
A plataforma criou três níveis de assinatura individual, Básico, Premium e Premium+, com recursos adicionais em relação ao acesso gratuito. Para empresas, governos e organizações sem fins lucrativos, passou a oferecer a assinatura Organizações Verificadas.
O plano Básico foi oferecido por 3 dólares mensais ou 32 anuais. Entre seus recursos estavam editar uma publicação por até 30 minutos, desfazer o envio antes da exibição a outras pessoas, escrever textos de até 25 mil caracteres, em vez de 280, e enviar pelo site ou pelo aplicativo para iOS vídeos de até três horas e 8 gigabytes. Também permitia baixar vídeos, reproduzi-los em segundo plano e aplicar negrito ou itálico aos textos. Outros recursos eram pastas de favoritos, acesso aos artigos mais compartilhados pelas contas seguidas, modo de leitura de conversas longas, personalização do ícone do aplicativo, criação de comunidades e prioridade nas respostas em relação às contas gratuitas.
O Premium foi oferecido por 8 dólares mensais ou 84 anuais, com os recursos do Básico e ferramentas de remuneração. Os assinantes podiam participar da divisão de receitas publicitárias, cobrar assinaturas de seguidores, usar o Media Studio para administrar conteúdo e o X Pro para acompanhar diferentes contas e feeds na mesma interface. Também receberam acesso ao Grok. O plano incluía metade dos anúncios, selo de verificação, uma opção para ocultá-lo e prioridade de respostas acima da concedida ao Básico.
O Premium+ acrescentou a retirada de anúncios, a publicação de artigos com formatação e a maior prioridade nas respostas. Sua mensalidade chegou a ser de 22 dólares, com opção anual de 229 dólares.
O serviço Organizações Verificadas foi dividido em Básico e Acesso Completo. O primeiro foi anunciado por 200 dólares mensais ou 2 mil anuais, com selo dourado, atendimento prioritário, recursos Premium+ e créditos promocionais de publicidade de 200 dólares por mês ou 2.400 por ano. O Acesso Completo custava mil dólares por mês ou 10 mil por ano e acrescentava maior alcance, identificação de contas afiliadas e créditos promocionais de mil dólares mensais ou 12 mil anuais.
Em janeiro de 2025, o X anunciou a intenção de lançar naquele ano o X Money Account, uma carteira digital para pagamentos em tempo real e transferências entre a plataforma e contas bancárias. A Visa foi apresentada como parceira do projeto, que inicialmente não previa operações com criptomoedas.
Em 28 de outubro de 2022, Elon anunciou que criaria um conselho de moderação com diferentes pontos de vista e que não tomaria decisões amplas sobre conteúdo nem restabeleceria contas antes de sua formação. O conselho não foi criado. Ele alegou que a proposta fazia parte de um acordo com ativistas que não haviam cumprido sua parte. Também sinalizou que encerraria suspensões permanentes e liberaria contas bloqueadas por motivos que considerava menores ou duvidosos. Disse depois que não mudaria as regras nem restabeleceria contas antes das eleições legislativas de 2022.
Em junho de 2023, Elon resumiu sua proposta como liberdade de expressão sem garantia de alcance. Restringiu, porém, o uso de "cis" e "cisgênero", que qualificou como insultos, e acusou a plataforma de favorecer posições liberais. Em setembro, o X retirou a opção de denunciar publicações enganosas e passou a depender das Notas da Comunidade para combater informações falsas.
Em novembro de 2022, o Twitter deixou de aplicar a política contra desinformação sobre a COVID-19. Alterações no algoritmo ampliaram o alcance de informações falsas sobre a invasão russa da Ucrânia e o número de seguidores de veículos ligados aos governos da Rússia, da China e do Irã. Em 2023, a empresa reduziu o quadro de moderadores, assim como Meta, Twitch e Alphabet.
A dependência das Notas da Comunidade, a partir de setembro de 2023, foi acompanhada por falhas na identificação de informações falsas. O próprio programa difundiu correções incorretas e apresentou atrasos na checagem. Numa comparação encomendada pela Comissão Europeia, o X teve a maior proporção de desinformação e a maior interação relativa com esse conteúdo entre as grandes redes examinadas. A União Europeia advertiu que o descumprimento da Lei dos Serviços Digitais poderia resultar em multas ou proibição de funcionamento.
Em outubro de 2023, durante a guerra em Gaza, proliferaram informações falsas sobre o conflito. A BBC encontrou publicações falsas em contas com selo azul. A CNBC verificou que vídeos recebiam avisos de conteúdo enganoso ou falso, mas cópias idênticas continuavam sem identificação. Vídeos de propaganda do Hamas também foram publicados, apesar de a organização ser proibida na plataforma.
A NewsGuard atribuiu a contas verificadas 74% das publicações falsas de maior alcance sobre a guerra na primeira semana do conflito. A análise reuniu 250 mensagens entre as mais compartilhadas, baseadas em alegações falsas ou não comprovadas, que somavam mais de 100 milhões de visualizações e um milhão de interações. Em 18 de dezembro de 2023, a União Europeia anunciou um procedimento contra o X por problemas como a disseminação de desinformação.
Em agosto de 2024, deputados do Partido Trabalhista britânico reduziram o uso da rede ou a deixaram por preocupação com informações falsas e discurso de ódio. Parte deles passou a experimentar Threads e Bluesky. O governo britânico manteve suas contas no X e concentrou sua resposta na regulamentação da segurança digital.
Depois da aquisição, o Centro de Combate ao Ódio Digital, a Liga Antidifamação e pesquisadores da Universidade Tufts encontraram aumento de mensagens de ódio. No levantamento do centro, insultos contra pessoas negras quase triplicaram, enquanto expressões homofóbicas e transfóbicas cresceram 52% e 62%, respectivamente. Pesquisadores acompanhavam essas mensagens sobretudo pela API do Twitter. O fim do acesso gratuito, em fevereiro de 2023, levou à alteração ou ao cancelamento de mais de cem estudos, conforme apuração da Reuters.
Entre junho de 2022 e fevereiro de 2023, o Instituto para o Diálogo Estratégico calculou que as mensagens antissemitas haviam dobrado. As remoções desse conteúdo também aumentaram, enquanto o número de contas do Estado Islâmico cresceu 70%. Outra análise, encerrada em junho de 2023, encontrou uma frequência semanal de discurso de ódio cerca de 50% maior que antes da compra e o dobro de curtidas nessas publicações. Em março, a BBC verificou que um terço de 1.100 contas restabelecidas parecia violar as próprias regras do Twitter. Empregados relataram ao BBC Panorama dificuldades para proteger usuários de assédio, inclusive ataques misóginos e contra sobreviventes de estupro.
Num levantamento de mais de um milhão de mensagens, o Centro de Combate ao Ódio Digital calculou um aumento de 119%, desde outubro de 2022, nas publicações que relacionavam pessoas LGBT ao aliciamento sexual de crianças. Anúncios apareciam ao lado desse conteúdo. A análise acompanhou cinco contas de grande alcance, entre elas Libs of TikTok, Christopher Rufo, Tim Pool e James Lindsay. A organização GLAAD classificou o Twitter como a plataforma mais perigosa para pessoas LGBTQ e lhe atribuiu a menor pontuação em seu índice de segurança nas redes sociais.
Em novembro de 2023, o Centro de Combate ao Ódio Digital afirmou que 98% de uma amostra de publicações com desinformação, antissemitismo, islamofobia ou outras formas de ódio sobre Gaza continuava disponível sete dias depois das denúncias. O conjunto recebeu mais de 24 milhões de visualizações. O X respondeu que havia removido 3 mil contas e tomado medidas sobre 325 mil conteúdos, inclusive restrições de alcance. Em 24 de novembro, a Comissão Europeia suspendeu anúncios no X por preocupação com o crescimento de discurso de ódio e desinformação, recomendando que as instituições europeias evitassem anunciar na rede.
Depois dos distúrbios de Dublin, em 23 de novembro de 2023, o X recebeu críticas por manter mensagens de ódio que a polícia irlandesa havia pedido que fossem retiradas. TikTok, Instagram e Facebook atenderam aos pedidos. Quando o primeiro-ministro Leo Varadkar defendeu uma atualização da legislação de incitação ao ódio, Elon respondeu que ele odiava o povo irlandês.
Em agosto de 2023, o X ainda tinha problemas com material de abuso sexual infantil, apesar de Elon declarar que sua remoção era uma prioridade. Em junho, o Observatório da Internet de Stanford havia encontrado falhas básicas de aplicação das regras nos meses anteriores. Os cortes na equipe de confiança e segurança deixaram, em novembro de 2022, apenas um empregado em tempo integral responsável pelo assunto na região da Ásia e do Pacífico. Uma investigação do BBC Panorama, em 2023, encontrou preocupações de que esse material estivesse aumentando depois das mudanças de administração.
A comissão australiana de segurança digital informou em março de 2023 que a detecção antecipada de material de exploração sexual infantil havia caído de 90% para 75% desde a aquisição. Em 2024, o X tentou evitar multas relacionadas aos pedidos de informação da comissão. Alegou que as perguntas haviam sido enviadas à Twitter Inc., que já não existia, e que a X Corp. não precisava respondê-las. A tentativa não teve êxito.
Em julho de 2023, Elon recebeu críticas por intervir para restabelecer a conta do influenciador político Dom Lucre, que havia publicado uma imagem extraída de um vídeo de abuso sexual infantil atribuído ao criminoso condenado Peter Scully. A publicação, que mostrava violência contra uma criança pequena, foi vista cerca de 3 milhões de vezes. Elon afirmou que as mensagens seriam apagadas e a conta voltaria ao ar. Em junho de 2024, anunciou o restabelecimento de outra conta que, em suas palavras, havia publicado uma imagem de abuso sexual de uma criança no Afeganistão.
Em junho de 2025, a NBC News verificou a permanência de vendedores que usavam hashtags de conteúdo sexual para anunciar material de abuso infantil, problema que a emissora noticiava desde janeiro de 2023. Lloyd Richardson, do Centro Canadense de Proteção à Criança, considerou a resposta da plataforma insuficiente. A organização Thorn informou que encerrara seu contrato com o X por falta de pagamento, depois de meses de tentativas de negociação. Em agosto de 2025, a BBC encontrou uma rede de mais de cem contas que vendiam esse material abertamente. Uma vítima pediu que Elon impedisse a publicação de ligações a imagens de seu abuso.
Em março de 2024, o Intelligencer noticiou a proliferação de mensagens com referências a conteúdo pornográfico na biografia da conta. Algumas usavam caracteres separados por símbolos, numa aparente tentativa de escapar dos filtros de spam. A expressão em inglês "pussy in bio", abreviada como "PIB", virou tema de memes, inclusive de uma publicação do próprio Elon. As contas costumavam durar pouco tempo, e suas ligações passavam por diferentes redirecionamentos até chegar a um serviço de conversas sexuais simuladas. Elon anunciou tentativas de desativar esses bots, mas reconheceu a dificuldade de combater redes de contas automatizadas e de provocação, cujos métodos mudavam junto com os filtros da plataforma.
Em 18 de novembro de 2022, Elon anunciou que mensagens de ódio ou negativas perderiam alcance e remuneração, sem anúncios ou outras receitas para o Twitter. Disse que os usuários só as encontrariam se procurassem diretamente por elas, política que chamou de liberdade de expressão sem liberdade de alcance. Em dezembro, o Twitter dissolveu seu Conselho de Confiança e Segurança, que assessorava políticas sobre discurso de ódio, exploração sexual infantil e automutilação. A decisão ocorreu depois de constatações do aumento de discurso de ódio na rede. A nova responsável pela área, Ella Irwin, anunciou maior uso de automação para restringir a distribuição de conteúdo, seguindo a abordagem defendida por Elon.
Em 28 de fevereiro de 2023, a empresa atualizou sua política de tolerância zero à fala violenta. O The Verge avaliou que o texto se tornara mais específico em certos pontos e mais vago em outros. Até abril, não havia comprovação de redução do total de bots por causa das novas regras, embora houvesse indícios de pequena queda nas contas automatizadas de spam.
Poucas horas depois da aquisição, a conta do partido de extrema-direita Britain First, proibida desde 2017, foi restabelecida. No fim de novembro de 2022, voltaram à plataforma Jordan Peterson, Kathy Griffin, o The Babylon Bee e Donald Trump. Outras contas foram suspensas, entre elas algumas denunciadas por figuras de extrema-direita a Elon, um grupo que fazia a segurança de eventos LGBTQ+ e perfis que o parodiavam. O Twitter também bloqueou o crítico da Tesla Aaron Greenspan e sua empresa de transparência judicial PlainSite, além de jornalistas e contas de esquerda, como a de Ken Klippenstein.
A Bot Sentinel calculou que cerca de 877 mil contas foram desativadas e 497 mil suspensas entre 28 de outubro e 1 de novembro de 2022, mais que o dobro do número habitual. Em dezembro, o neonazista Andrew Anglin, fundador do The Daily Stormer, voltou à plataforma, menos de 24 horas depois da suspensão de Kanye West por uma publicação antissemita. A conta de Kanye foi restabelecida em julho de 2023.
Em agosto de 2024, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, exigiu que o X nomeasse um representante legal no Brasil em 24 horas, sob pena de suspensão. A disputa envolvia o cumprimento de ordens judiciais de bloqueio de contas. Elon havia encerrado as operações locais da empresa e criticado as decisões do ministro contra a desinformação. A rede foi bloqueada no fim de agosto. Em outubro, cumpriu as ordens de suspensão dos perfis.
Em 14 de dezembro de 2022, Elon suspendeu o ElonJet, conta automatizada de Jack Sweeney que acompanhava seus aviões com dados públicos, além de outros perfis mantidos pelo estudante. Antes, havia prometido não bloquear a conta em nome da liberdade de expressão. Ao justificar a decisão, anunciou que a divulgação de localizações em tempo real seria proibida por colocar pessoas em risco. A regra também abrangeria ligações a sites de localização, mas permitiria dados publicados com atraso. O Twitter alterou sua política para acompanhar o anúncio.
No dia seguinte, a rede suspendeu jornalistas que cobriam o caso e o perfil oficial do Mastodon, alegando infração à nova regra de privacidade. Jornalistas suspensos entraram numa conversa de áudio do Twitter Spaces com Elon e o questionaram sobre os bloqueios. Ele deixou a conversa, que foi interrompida, e o serviço inteiro de áudio ficou temporariamente indisponível. Elon atribuiu a interrupção a um erro de software, enquanto um engenheiro sênior disse que o Spaces havia sido retirado do ar. A maioria das contas dos jornalistas voltou a funcionar, mas seus titulares precisavam apagar as publicações contestadas antes de poder escrever novamente.

Em abril de 2023, o Twitter classificou a conta principal da National Public Radio como mídia ligada ao Estado estadunidense. O rótulo era normalmente usado em veículos que difundiam as posições de seus governos, como a RT russa e a Xinhua chinesa. Embora criada por uma lei do Congresso, a NPR tem independência editorial e recebe uma parcela pequena de seus recursos por programas governamentais. A política anterior do Twitter citava a NPR e a BBC como exemplos de emissoras que não deveriam receber esse rótulo. A NPR interrompeu as publicações na conta principal. Em outubro de 2023, ainda estava fora da rede e avaliava que a saída tivera pouco efeito no tráfego de seus sites.
Em 8 de abril de 2023, o Twitter trocou a identificação por "mídia financiada pelo governo". No dia 10, o repórter Bobby Allyn relatou que Elon lhe dissera usar uma categoria da Wikipédia sobre emissoras financiadas publicamente para escolher as contas que receberiam a identificação. A marcação foi aplicada à PBS, à BBC e à Voz da América, que a contestaram.
Em 12 de abril, a NPR anunciou que encerraria a atividade de suas contas no Twitter. Considerou a classificação imprecisa e enganosa, pois recebia menos de 1% de seu orçamento anual de 300 milhões de dólares da Corporation for Public Broadcasting. Na última mensagem, divulgou seus sites, boletins e outros perfis. O diretor-executivo John Lansing permitiu que os jornalistas decidissem individualmente se continuariam a usar a rede, mas afirmou que permanecer nela prejudicaria a valorização do trabalho da emissora.
Em 17 de abril, a CBC recebeu a identificação de mídia financiada pelo governo, depois de um pedido do líder conservador canadense Pierre Poilievre. No dia seguinte, o rótulo passou a indicar financiamento estatal de 70%, usando números antigos do relatório de 2020–2021. Elon mudou depois o percentual para 69%, numa referência à posição sexual de mesmo número, e afirmou estar corrigindo a informação de que o financiamento ficava abaixo de 70%. A CBC suspendeu sua atividade na plataforma. Quatro dias depois, o Twitter retirou todas as identificações de vínculo estatal, inclusive das contas da NPR, BBC, CBC, Xinhua e RT.
Elon anunciou a revisão das regras contra o uso deliberado do gênero incorreto ou do nome anterior de pessoas transgênero. Em novembro de 2022, flexibilizou as políticas de discurso de ódio. O Gizmodo avaliou que a proteção a essas pessoas havia deixado de funcionar. Em abril de 2023, a empresa anunciou que passaria a aplicar avisos a publicações que possivelmente infringissem a política de conduta de ódio, em vez de removê-las.
No primeiro dia do Mês do Orgulho de 2023, Elon confirmou que não aplicaria a regra contra o uso incorreto de pronomes e afirmou que desrespeitar a preferência de alguém seria, no máximo, uma grosseria, sem constituir crime. Promoveu o documentário What Is a Woman?, do The Daily Wire, depois de uma avaliação interna concluir que o filme violava as regras sobre abuso e assédio. Chamou a restrição de erro, mas disse inicialmente que o filme não seria recomendado. Após pressão de usuários, a limitação ficou restrita à exibição ao lado de anúncios. Em 21 de junho, declarou que "cis" e "cisgênero" seriam considerados insultos no contexto de assédio repetido e direcionado, com possibilidade de suspensões temporárias. Em outubro, a plataforma retirou a opção específica de denúncia de abuso transfóbico.
Em novembro, a PragerU comprou uma modalidade de anúncio que ocuparia os feeds por 24 horas, independentemente das preferências dos usuários, para promover o curta-metragem Detrans: The Dangers of Gender-Affirming Care. A campanha tinha orçamento estimado de 1 milhão de dólares. A revista The Nation avaliou que a hostilidade contra pessoas trans se tornara uma característica central da rede.
Em janeiro de 2023, o Twitter interrompeu o acesso de diferentes aplicativos de terceiros à API e alterou o contrato para desenvolvedores, proibindo a criação de produtos semelhantes ao seu aplicativo. Em fevereiro, anunciou a substituição do acesso gratuito à API por um nível básico pago, com exceção prevista para bots que fornecessem o que Elon chamava de bom conteúdo.
Em julho, a empresa bloqueou temporariamente a leitura de publicações e perfis por pessoas sem conta. No dia seguinte, limitou a quantidade de mensagens que poderiam ser lidas por dia. Os primeiros limites anunciados foram de 6 mil para contas verificadas, 600 para as demais e 300 para contas novas sem verificação. Milhares de usuários relataram falhas ao Downdetector. A empresa elevou os limites pouco depois e também restringiu o envio diário de mensagens diretas por contas não verificadas.
Em agosto de 2023, Elon anunciou a intenção de retirar o recurso de bloqueio, exceto nas mensagens diretas. Em outubro, o X começou a cobrar de novos usuários da Nova Zelândia e das Filipinas uma taxa anual de 1 dólar para publicar, responder e citar mensagens, num programa de testes. Em abril de 2024, Elon defendeu uma pequena cobrança para novos usuários, alegando que ferramentas de inteligência artificial e redes de contas conseguiam superar os testes usados para distinguir pessoas de bots.
O Nitter, uma interface alternativa voltada à privacidade, enfrentou restrições de acesso e foi dado como inviável por seu desenvolvedor em janeiro de 2024. Em 24 de agosto de 2026, a X Corp. enviou uma notificação para que o projeto e suas instâncias fossem retirados do ar, acusando-os de coletar dados automaticamente. O desenvolvedor interrompeu o trabalho enquanto buscava orientação jurídica, e a instância XCancel anunciou que ficaria indisponível. Em 25 de agosto, o repositório do Nitter no GitHub foi arquivado.
Em 6 de setembro de 2026, o projeto anunciou que continuaria. O XCancel voltou ao ar no dia seguinte, como primeira instância a retomar o funcionamento. Em 11 de setembro, o repositório foi arquivado novamente e, no dia 14, o XCancel anunciou outra interrupção por prazo indeterminado. O site principal do Nitter também estava fora do ar.
Em agosto de 2023, Elon propôs substituir o bloqueio por uma versão mais forte da função de silenciar contas. Ativistas contra o assédio criticaram a proposta. Linda Yaccarino confirmou que haveria mudanças, enquanto surgiam questionamentos sobre o cumprimento das regras da App Store e da Google Play, que exigem ferramentas de proteção dos usuários.
No mesmo mês, o The Washington Post constatou atrasos de cerca de cinco segundos na abertura de ligações para redes da Meta, Substack, Bluesky, Reuters e The New York Times, empresas com as quais Elon tinha divergências. Também relatou uma queda no tráfego enviado ao Times. Poucas horas depois da reportagem, o X começou a retirar o atraso. Ainda em agosto, a Fortune noticiou o plano de remover títulos e outros textos dos cartões de notícias, alteração aplicada em outubro de 2023.
Em novembro de 2023, Elon anunciou que expressões como "descolonização" e "Do rio ao mar", usadas por defensores de um Estado palestino, poderiam resultar em suspensão. Afirmou que esses termos e expressões semelhantes implicavam genocídio de judeus e apelos à violência, proibidos pelas condições de uso. O diretor da Liga Antidifamação, Jonathan Greenblatt, recebeu favoravelmente o anúncio.
Em março de 2024, ativistas antifascistas divulgaram o nome que atribuíram ao cartunista neonazista StoneToss, que atua sob pseudônimo. Ele pediu ajuda a Elon. O X suspendeu usuários que publicaram o suposto nome e mudou sua política de privacidade para proibir a divulgação dos nomes reais de outras pessoas. No mês seguinte, Elon reiterou a intenção de cobrar para novas contas publicarem, como medida contra bots. Em junho, as curtidas se tornaram privadas, visíveis apenas ao autor da publicação. Parte dos usuários protestou respondendo com imagens do botão "Yeah!", da antiga rede Miiverse, da Nintendo.
Em outubro de 2024, uma análise de contas novas encontrou na aba "Para você" o dobro de conteúdo favorável a Trump em relação ao favorável a Kamala Harris. O X também anunciou que contas bloqueadas poderiam ver publicações públicas, embora sem interagir com elas, e que as publicações poderiam ser usadas no treinamento de inteligência artificial generativa, independentemente do consentimento individual.
O Twitter dividiu o feed em duas abas, "Para você" e "Seguindo". A segunda exibe contas seguidas pelo usuário, enquanto a primeira apresenta recomendações de um algoritmo, de forma semelhante ao TikTok. Assinantes do Twitter Blue passaram a receber maior alcance nesse sistema. A mudança recebeu críticas por favorecer contas pagas que divulgavam informações falsas, inclusive propaganda favorável ao Kremlin sobre a guerra na Ucrânia.
Em 7 de fevereiro de 2023, Elon reuniu engenheiros e assessores para discutir a queda nas interações com suas mensagens. Um dos dois engenheiros principais sugeriu que o interesse público havia diminuído depois do pico da aquisição e foi demitido. Os empregados apresentaram um gráfico do Google Trends que mostrava a queda. Na semana seguinte, após o Super Bowl LVII, James Musk, primo de Elon e empregado do Twitter, enviou uma mensagem urgente aos engenheiros porque a publicação do empresário sobre o jogo havia recebido menos visualizações que a do presidente Joe Biden. Naquela tarde, o algoritmo recebeu uma alteração que multiplicava por mil a prioridade de suas mensagens. Usuários passaram a receber muitas publicações de Elon na aba "Para você". Depois das críticas, a ampliação foi reduzida.
Em 6 de abril de 2023, o Twitter retirou a regra de não recomendar nem ampliar conteúdo de veículos controlados por Estados. O Laboratório de Pesquisa Forense Digital calculou que a mudança já funcionava desde aproximadamente 29 de março, quando a plataforma deixou de filtrar contas governamentais da Rússia, da China e do Irã. Perfis como o da RT já tinham grande presença na rede. Com a volta das recomendações automáticas, o número de seguidores dessas contas cresceu rapidamente.
Uma análise computacional publicada em 1 de novembro de 2024 encontrou indícios de favorecimento a apoiadores do Partido Republicano. Foram examinadas mais de 56 mil publicações. Os autores encontraram uma mudança no padrão de alcance por volta de 13 de julho, data em que Elon apoiou Trump na eleição presidencial. A partir dali, mensagens de Elon e de outros comentaristas republicanos tiveram maior visibilidade. Os pesquisadores consideraram a hipótese de uma alteração no algoritmo, sem apresentá-la como conclusão definitiva. Em 17 de janeiro de 2025, a Comissão Europeia pediu documentos internos sobre os algoritmos e suas mudanças recentes, depois de acusações de favorecimento à extrema-direita.
Em 5 de novembro de 2022, o Twitter anunciou que o selo de verificação passaria a depender da assinatura Twitter Blue. O lançamento foi adiado para depois da eleição legislativa estadunidense por receio de interferência na votação. A equipe de confiança e segurança classificou como riscos máximos a imitação de contas oficiais e o aumento da credibilidade de golpistas.
Em 9 de novembro, um dia depois da eleição, a nova verificação chegou aos usuários de iOS. Para distinguir uma conta verificada pelo sistema antigo de uma assinante paga, era necessário clicar no selo. Diante do aumento de contas que imitavam outras pessoas e empresas, o Twitter interrompeu as novas verificações pelo Blue. O serviço voltou em 12 de dezembro, com selos dourados para empresas e cinzentos para governos. Elon conversou com anunciantes no Twitter Spaces para apresentar seus planos e tentar reduzir o receio de crescimento do discurso de ódio e da desinformação, mencionando as Notas da Comunidade.
Em 23 de março de 2023, o Twitter anunciou que retiraria os selos antigos a partir de 1 de abril. A data passou sem mudança. A remoção foi então marcada para 20 de abril, com a assinatura paga como caminho para obter o selo azul. No fim do mês, os selos antigos foram retirados. Pessoas como o escritor Stephen King e o ator Jason Alexander, porém, disseram continuar com o selo sem pagar e sem desejá-lo.
Os Twitter Files são documentos internos divulgados entre dezembro de 2022 e março de 2023. Depois da compra, Elon os forneceu aos jornalistas Matt Taibbi, Bari Weiss e Lee Fang e aos autores Michael Shellenberger, David Zweig e Alex Berenson. Matt e Bari coordenaram com Elon a publicação de detalhes em sequências de mensagens no Twitter. Jornalistas de tecnologia e de mídia avaliaram que o material mostrava sobretudo dificuldades e decisões da equipe de políticas do Twitter. Comentaristas conservadores o interpretaram como prova de favorecimento a posições liberais.
Em agosto de 2023, uma Nota da Comunidade acusou falsamente Leo Frank, judeu assassinado por linchamento, de estuprar e matar uma menina de 13 anos. A nota reaparecia em publicações da Liga Antidifamação e de seu diretor, Jonathan Greenblatt. Foi criada por neonazistas e usava sites de supremacistas brancos como referências. O The Times of Israel relacionou o caso a mecanismos da plataforma que recompensavam publicações antissemitas.
No fim do mês, Jonathan e Linda Yaccarino conversaram sobre o combate ao discurso de ódio e divulgaram a reunião. Usuários de direita acusaram a entidade de censura e promoveram a hashtag "#BanTheADL". Nesse período, usuários encontraram um anúncio com o lema supremacista das "quatorze palavras". Em 4 de setembro, Elon atribuiu à pressão da entidade sobre os anunciantes a queda de 60% da receita publicitária nos Estados Unidos e ameaçou processá-la por bilhões de dólares em perdas.
Em 15 de novembro de 2023, Elon concordou com uma publicação antissemita que defendia a teoria da conspiração do genocídio branco e acusava os judeus de promover ódio contra brancos. Respondeu que o autor havia dito a verdade. Em seguida, defendeu o orgulho racial branco, alegando que brancos não tinham permissão para manifestá-lo. A Liga Antidifamação condenou a mensagem como perigosa. Dois dias depois, a Casa Branca repudiou a promoção de ódio antissemita e racista.
Se alguém vai tentar me chantagear com publicidade, me chantagear com dinheiro, vá se foder.
Elon Musk, em 29 de novembro de 2023.
No evento DealBook Summit, no fim do mês, o jornalista Andrew Ross Sorkin perguntou a Elon sobre a retirada de anunciantes depois das publicações. O empresário disse que preferia que parassem de anunciar e os insultou. Citou Bob Iger, diretor-executivo da Disney, que havia suspendido os anúncios, e afirmou que um eventual fracasso do X seria causado pelo boicote publicitário. Depois, pediu a demissão de Bob da Disney.
Em julho de 2023, por sugestão de Linda, a X Corp. processou o Centro de Combate ao Ódio Digital por um relatório que apontava falta de ação em 99% de uma amostra de mensagens de ódio de assinantes do Twitter Blue. A empresa acusou a organização de fazer afirmações falsas ou enganosas. O centro contestou a base jurídica da ação e pediu sua rejeição em novembro. Alegou que o processo buscava intimidá-lo e impedir manifestações protegidas pela Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos. Numa consulta feita para a Reuters pela Coalizão para Pesquisa Independente de Tecnologia, a maioria dos pesquisadores ouvidos disse temer ser processada por estudar a plataforma.
Em 25 de março de 2024, o juiz Charles Breyer rejeitou a ação com base nas leis contra processos usados para silenciar a participação pública. Afirmou que o objetivo evidente do caso era punir os réus por suas manifestações. Criticou os argumentos jurídicos apresentados pelo X. O dirigente do centro, Imran Ahmed, recebeu favoravelmente a decisão.
Em 16 de novembro de 2023, a Media Matters publicou uma análise que mostrava anúncios de grandes empresas ao lado de publicações antissemitas, inclusive elogios a Hitler e ao nazismo. Anunciantes suspenderam suas campanhas, entre eles IBM, Apple, Lionsgate, Disney, Paramount, Comcast, Warner Bros. Discovery, Sony e Walmart. Coca-Cola, Uber, Airbnb, Ubisoft, Expedia Inc., Fox Sports e Netflix também interromperam anúncios. O The New York Times estimou perdas potenciais de até 75 milhões de dólares.
Elon anunciou uma ação que chamou de "termonuclear" contra a Media Matters e quem tivesse participado do que considerava um ataque fraudulento à empresa. Também defendeu que os jornalistas fossem presos. A X Corp. apresentou o processo em 20 de novembro. O procurador-geral do Texas, Ken Paxton, anunciou uma investigação por possível fraude e acusou a organização de se opor à liberdade de expressão.
Em 13 de junho de 2024, o juiz federal Reed O'Connor marcou o julgamento da ação para 7 de abril de 2025. O magistrado possuía ações da Tesla e decidiu permanecer no caso. Em agosto, rejeitou o pedido de encerramento apresentado pela Media Matters. Especialistas em direito criticaram o processo como infundado e contrário à Primeira Emenda. Em dezembro de 2023, o procurador-geral do Missouri, Andrew Bailey, havia iniciado investigação semelhante. Em agosto de 2024, uma decisão federal a interrompeu. O juiz Amit Mehta avaliou que as declarações políticas dos investigadores permitiam concluir que a organização era alvo por suas manifestações protegidas, e não por uma finalidade legítima de aplicação da lei.
Em maio de 2025, a Comissão Federal de Comércio exigiu documentos da Media Matters sobre seus contatos com a Federação Mundial de Anunciantes e outras entidades a respeito da retirada de publicidade. Em agosto, um juiz interrompeu a investigação e afirmou que a publicação do relatório era protegida pela Primeira Emenda. Considerou provável que a organização demonstrasse uma intenção de retaliação por parte da agência e advertiu contra o uso do governo para punir quem participa do debate público e faz jornalismo. Os custos de defesa, porém, levaram a Media Matters a demitir empregados. Em abril de 2026, a comissão encerrou a investigação. Em maio, a Media Matters retirou sua ação contra a agência.
Em 6 de agosto de 2024, o X abriu uma ação por suposta infração às regras de concorrência no tribunal federal do norte do Texas contra a Federação Mundial de Anunciantes, a Unilever, a Mars, a CVS Health e a Ørsted. Alegou que as empresas haviam coordenado, por meio da Aliança Global para Mídia Responsável, a GARM, a retirada de bilhões de dólares de publicidade. A federação havia criado a aliança em 2019 e a encerrou poucos dias depois do processo. Em fevereiro de 2025, a ação passou a abranger Lego, Nestlé, Tyson Foods, Abbott Laboratories, Colgate-Palmolive, Pinterest e Shell, que haviam participado da GARM. Em maio, anunciantes pediram o encerramento do caso, argumentando que a legislação protege a concorrência, sem garantir ao X proteção contra a competição de outras plataformas. Em março de 2026, a ação foi rejeitada em caráter definitivo na primeira instância.
A liberdade de publicação defendida por Elon recebeu avaliações de que a rede se tornara um espaço sem controle eficaz e uma plataforma de direita. Conservadores e republicanos dos Estados Unidos receberam favoravelmente as mudanças.
Em novembro de 2022, Stephen King, Alexandria Ocasio-Cortez e o senador Ed Markey criticaram a cobrança pelo selo azul. Ed lembrou que empresas de Elon estavam submetidas à fiscalização da Comissão Federal de Comércio e das autoridades de segurança veicular, e disse que o Congresso poderia intervir se ele não corrigisse seus negócios. Em 5 de novembro, Joe Biden expressou preocupação com a difusão de mentiras pelo Twitter. Depois das demissões, empregados publicaram críticas a Elon no fórum anônimo Blind. Jack Dorsey, cofundador e ex-diretor da empresa, agradeceu aos dispensados e pediu desculpas por ter ampliado o quadro depressa demais. A Comissão Federal de Comércio afirmou que acompanhava as mudanças e exigiria o cumprimento dos acordos vigentes. A autoridade irlandesa de proteção de dados, Helen Dixon, procurou a empresa para discutir a privacidade dos usuários. O Tumblr ironizou o novo sistema de verificação oferecendo a compra de diferentes selos para os perfis.
Em 9 de novembro, Biden apoiou uma análise dos investidores estrangeiros da aquisição por possíveis questões de segurança nacional. A secretária do Tesouro, Janet Yellen, disse não ver motivo para investigar o negócio nem conhecer riscos dessa natureza. Sete senadores democratas pediram que a comissão de comércio examinasse as mudanças. A Eli Lilly suspendeu anúncios depois de uma mensagem falsa de uma conta que imitava a farmacêutica. O ex-dirigente de produtos Jeff Seibert expressou decepção com a nova administração. Após a saída de centenas de empregados em 17 de novembro, usuários publicaram despedidas bem-humoradas e previsões de encerramento da rede, além de endereços de suas contas em outras plataformas.
A deputada Lori Trahan afirmou que representantes do Twitter haviam prometido à sua equipe não retaliar jornalistas ou pesquisadores independentes que criticassem a rede, mas suspenderam repórteres de tecnologia menos de 12 horas depois. A deputada Yvette Clarke condenou as suspensões e questionou a coerência com a defesa da liberdade de expressão. A CNN e o The Washington Post, que tiveram repórteres bloqueados, acusaram Elon de hipocrisia e impulsividade. Jason Kint, da Digital Content Next, exigiu explicações. Os democratas Ro Khanna, Ritchie Torres e Martin Heinrich também o criticaram, enquanto Don Beyer contestou a classificação de ligações ao Mastodon como maliciosas. Representantes da União Europeia, da França e da Alemanha apoiaram os jornalistas e ameaçaram medidas contra a plataforma.
A imprensa qualificou as primeiras semanas da administração como caóticas. A professora Sandra Sucher, de Harvard, considerou as demissões mal conduzidas. O advogado Gerald Hathaway, do escritório Faegre Drinker Biddle & Reath, defendeu os cortes como necessários para reduzir as perdas, caso os números divulgados por Elon fossem corretos. Jason Wilson, do Southern Poverty Law Center, criticou a falta de interesse em combater o discurso de ódio e o aumento de extremistas com selo de verificação. Branko Marcetic, da revista socialista Jacobin, acusou a plataforma de parcialidade depois de suspensões de contas de esquerda. A Brookings Institution apontou questões de segurança nacional decorrentes do uso do Twitter no debate político estadunidense, e o especialista Peter W. Singer examinou riscos de segurança digital da aquisição.
Depois da limitação da leitura de mensagens e do bloqueio de acesso sem conta, Mike Proulx, da Forrester Research, avaliou que as mudanças prejudicavam usuários e anunciantes já preocupados com a administração. Jasmine Enberg, da Insider Intelligence, considerou que as restrições dificultariam a volta dos anunciantes. Em maio, Ron DeSantis havia lançado sua campanha presidencial de 2024 numa transmissão pelo Twitter Spaces. O empresário David Sacks, participante do evento, interpretou o interesse do público como um sinal favorável à plataforma.
No Japão, as limitações de leitura levaram usuários a procurar Instagram, Threads, Bakusai e Misskey. Em 3 de julho, a distribuidora de jogos Yostar anunciou o fim da integração de contas de seus jogos com o Twitter, citando as alterações na API. As restrições também afetaram a divulgação de informações sobre desastres, feita por prefeituras e governos provinciais. A conta de prevenção de desastres da Prefeitura de Kumamoto anunciou em 5 de julho a suspensão de suas atividades por prazo indeterminado. As mudanças motivaram a criação da rede japonesa Taittsuu, que reuniu cem mil usuários na primeira semana. O anúncio de lançamento prometia não retirar, sem aviso, funções de APIs pagas.
Em setembro de 2024, Kate Conger e Ryan Mac, repórteres do The New York Times, publicaram Character Limit: How Elon Musk Destroyed Twitter, livro sobre a aquisição e a transformação da rede.
Em maio de 2023, a maioria dos usuários estadunidenses ouvidos pelo Pew Research Center disse ter feito uma pausa no uso do Twitter naquele ano. Um quarto considerava pouco ou nada provável continuar a usar a plataforma. A Sensor Tower calculou que o número mundial de usuários ativos diários nos aplicativos havia caído 16% até setembro de 2023, em comparação com o período da aquisição. Cinco outras grandes redes tiveram crescimento no mesmo indicador. Em novembro, dados da Ofcom apontavam uma perda de 3 milhões de visitantes mensais no Reino Unido em relação aos 26,8 milhões da época da compra.
A receita caiu pela metade em três anos, de um máximo de 5 bilhões de dólares em 2021 para 2,5 bilhões em 2024. A saída de anunciantes foi a principal causa, com perda de 2,8 bilhões de dólares na receita publicitária.