O terconazol é um antifúngico triazólico usado na candidíase vulvovaginal. É aplicado como creme ou supositório vaginal e interfere na síntese de esteróis das células fúngicas. Sua atividade foi estudada contra diferentes espécies de Candida e em esquemas para candidíase recorrente.
Indicações
O terconazol foi aprovado para tratar candidíase vulvovaginal (candidíase vaginal). Funciona como um antifúngico de amplo espectro e demonstrou ser um tratamento eficaz de primeira linha contra outras espécies de Candida. Também mostra eficácia contra dermatomicoses em modelos animais.
Uma revisão descobriu que as taxas de curto prazo para tratamentos com azóis administrados por via intravaginal mostram cura em 80% dos casos em um acompanhamento de curto prazo e 66% em um acompanhamento de longo prazo. Num estudo duplo-cego realizado por Slavin em 1992, o terconazol mostrou uma cura micológica de 75% num período de curto prazo (7-14 dias) e 100% de cura micológica num período de longo prazo (28-34 dias). Este estudo concentrou-se no medicamento como um supositório vaginal de 80 mg, tomado três vezes durante a noite por 10 mulheres. Em outro estudo duplo-cego, controlado por placebo, realizado por Schmidt et al., foi testada a eficácia de diferentes concentrações de cremes de terconazol. O creme foi aplicado por três dias em 24 mulheres com idades entre 18 e 60 anos. Os resultados mostraram que as taxas de cura micológica do terconazol de 0,8% foram de 83,3% em 1-3 dias após o início do tratamento, 83,3% em 8-11 dias de tratamento e 58,3% em 30-35 dias de tratamento. O supositório é mais eficaz após um acompanhamento de longo prazo do que o terconazol como creme ou outros tratamentos intravaginais.
Efeitos adversos
Os efeitos adversos mais comuns incluem dor de cabeça, irritação vulvovaginal, erupção cutânea, coceira, queimação e desconforto. Também podem ocorrer dor ou cólicas abdominais, dismenorreia, calafrios, febre e reações alérgicas. Sintomas semelhantes aos da gripe foram observados com supositórios de doses elevadas. Os dados sobre uso na gravidez são insuficientes para estabelecer o risco de malformações.
Na forma de pó, o terconazol pode provocar irritação respiratória, e a combustão pode liberar produtos tóxicos. Essas propriedades de manuseio químico não equivalem à avaliação de segurança das formulações vaginais. Como há absorção vaginal, a bula exige avaliação dos benefícios e riscos durante a gravidez.
Interações
O terconazol pode interagir com o espermicida nonoxinol-9. Um precipitado é formado após a combinação de ambas as drogas. O terconazol pode enfraquecer os preservativos à base de látex.
Química
O terconazol é um cetal triazólico com atividade antifúngica. Sua estrutura é relacionada à de outros azóis, mas o anel triazólico contém três átomos de nitrogênio.
A estrutura do terconazol se aproxima da do cetoconazol, mas contém um anel triazol em lugar do imidazol e um grupo isopropila em lugar da acetamida.
Síntese de terconazol:
O terconazol tem fórmula C26H31Cl2N5O3 e massa molar de 532,462 g/mol. Seu nome químico é 1-{[(2S,4S)-2-(2,4-diclorofenil)-4-{[p-(4-isopropil-1-piperazinil)fenoxi]metil}-1,3-dioxolan-2-il]metil}-1H-1,2,4-triazol. O ponto de fusão é de aproximadamente 126,3 °C. A síntese utiliza um derivado bromometilado de dioxolano e um sal de triazol, obtido com hidreto de sódio. Os produtos são separados e purificados com solventes e cromatografia. O composto pode reagir com agentes oxidantes e é fotossensível.
Mecanismo de ação
O terconazol interfere na biossíntese de ergosterol ao inibir a desmetilação de esteróis fúngicos pela enzima lanosterol 14α-desmetilase, integrante da família do citocromo P450. Em Candida albicans, o tratamento reduz o ergosterol e aumenta o lanosterol, alterando a composição e as funções da membrana. Também foram observados efeitos sobre a morfologia, a adesão e outros componentes da célula fúngica. A seletividade depende das diferenças entre as enzimas e os esteróis dos organismos, e não da ausência de lanosterol nos seres humanos.
Metabolismo
A absorção vaginal estimada foi de 5% a 8% em mulheres que passaram por histerectomia e de 12% a 16% nas demais participantes. Após a aplicação diária de creme a 0,8%, a concentração plasmática média máxima foi de cerca de 5,9 ng/mL, equivalente a 0,006 μg/mL, atingida em 6,6 horas. A meia-vida no sangue foi de aproximadamente 6,9 horas, com intervalo de 4 a 11,3 horas. Em estudos com medicamento marcado, 32% a 53% da radioatividade foi eliminada pela urina e 47% a 52% pelas fezes. O terconazol sofre metabolismo extenso e apresenta ligação a proteínas plasmáticas de 94,9%, independente da concentração.
História
A anfotericina B passou a ser utilizada contra micoses graves na década de 1950. Sua administração intravenosa e sua toxicidade renal limitaram o uso a situações que exigiam tratamento sistêmico. Os antifúngicos azólicos foram desenvolvidos nas décadas seguintes, e o cetoconazol chegou ao uso oral em 1981. O terconazol foi desenvolvido pela Janssen Pharmaceutica na década de 1980 e integra o grupo dos triazóis. Seu uso clínico se concentrou na candidíase vulvovaginal. Outros triazóis ampliaram as opções para infecções sistêmicas e fungos como Aspergillus.
Apresentações
O terconazol é um pó branco e inodoro. Pode ser adquirido comercialmente nas seguintes formas:
Terconazol 0,4% creme 5 g aplicado por via intravaginal uma vez ao dia durante 7 dias;
Terconazol 0,8% creme 5 g aplicado por via intravaginal uma vez ao dia durante 3 dias;
Terconazol 80 mg supositório vaginal usado uma vez ao dia durante 3 dias.
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