The Wall Street Journal

The Wall Street Journal
It's Your Business
Capa do The Wall Street Journal de 23 de março de 2016
PeriodicidadeDiário
TipoJornal
FormatoBroadsheet
Sede1211 Avenue of the Americas, Nova Iorque, NY 10036
PaísEstados Unidos
Fundação8 de julho de 1889 (137 anos)
Fundador(es)Charles Dow, Edward Jones e Charles Bergstresser
ProprietárioDow Jones & Company
EditoraAlmar Latour
Editor-chefeEmma Tucker
Editor adjuntoAja Whitaker-Moore e David Crow
Editor-administrativoLiz Harris
Editor de opiniãoPaul Gigot
IdiomaInglês
Circulação4.538.000 assinantes de notícias
4.126.000 somente digitais
412.000 de impresso + digital
junho de 2025
ISSN0099-9660
OCLCOCLC 781541372
eISSN: 1042-9840
Websitewsj.com

The Wall Street Journal (WSJ), chamado com frequência simplesmente de Journal, é um jornal norte-americano sediado em Midtown Manhattan, na cidade de Nova Iorque. Publica ampla cobertura de notícias, com atenção especial a negócios e finanças, e opera por meio de um modelo de assinatura que exige pagamento para o acesso à maior parte de seus artigos e demais conteúdos. O Journal é publicado seis dias por semana pela Dow Jones & Company, uma divisão da News Corp.

Em 2025, o The Wall Street Journal era o jornal de maior circulação impressa dos Estados Unidos, com cerca de 412.000 assinantes da edição impressa. Tinha mais de quatro milhões de assinantes digitais, o segundo maior número do país depois do The New York Times. O jornal é um dos jornais de referência dos Estados Unidos. A primeira edição foi publicada em 8 de julho de 1889. A página editorial do Journal costuma adotar posições de centro-direita, enquanto sua cobertura noticiosa se situa mais ao centro. O jornal recebeu 39 Prêmios Pulitzer.

História

Fundação e século XIX

Primeira página da edição inaugural do The Wall Street Journal, publicada em 8 de julho de 1889

Um antecessor do The Wall Street Journal foi a Kiernan News Agency, fundada por John J. Kiernan em 1869.:321, 324 Em 1880, Kiernan contratou Charles Dow e Edward D. Jones como repórteres. Por recomendação de Collis Potter Huntington, Dow e Jones fundaram seu próprio serviço de notícias, a Dow Jones & Company, juntamente com Charles Bergstresser, outro repórter de Kiernan. A Dow Jones funcionava no porão do número 15 de Wall Street, no mesmo edifício da empresa de Kiernan e ao lado da Bolsa de Valores de Nova Iorque.

Os primeiros produtos da Dow Jones & Company, editora do Journal, eram breves boletins de notícias apelidados de flimsies, entregues à mão durante o dia aos operadores da bolsa de valores. Em 1883, esses boletins passaram a ser reunidos em um resumo diário impresso chamado Customers' Afternoon Letter, vendido por US$ 1,50 ao mês, diante dos US$ 15 mensais cobrados pelo serviço de boletins da Dow Jones. A Dow Jones abriu sua própria gráfica no número 71 da Broadway em 1885.

Em 8 de julho de 1889, o Afternoon Letter passou a se chamar The Wall Street Journal. A edição de estreia do Journal tinha quatro páginas, media cerca de 52,7 por 39,4 cm e custava US$ 0,02 por exemplar. Edward E. Scharff escreveu em 1986 que, nos primeiros tempos, o Journal trazia "um relato tedioso, lance a lance, dos negócios do dia, sem o benefício da edição".

Por quase quarenta anos, a primeira página usou um formato de quatro colunas. As duas centrais eram dedicadas a notas noticiosas, enquanto as duas externas traziam anúncios de corretoras. O Journal concentrava-se em material de agências de notícias e em cotações de ações e títulos, embora ocasionalmente publicasse matérias sobre esportes ou política. Uma das matérias da primeira página da edição inaugural era um despacho bruto sobre a luta de boxe entre John L. Sullivan e Jake Kilrain. O texto reunia versões divergentes da luta publicadas pelo The Boston Globe, pelo Baltimore American e por fontes anônimas. Nas primeiras décadas, o Wall Street Journal raramente publicava análises ou artigos de opinião. Além de uma linha telegráfica privada para Boston, o Journal recebia comunicações de repórteres por telégrafo de Washington, D.C., Filadélfia, Chicago, Pittsburgh, Albany e Londres.

Em 1896, o Journal começou a publicar dois índices de ações distintos da Dow Jones, o Dow Jones Industrial Average e o Dow Jones Railroad Average, depois chamado de Dow Jones Transportation Average. A primeira edição matutina do Journal foi publicada em 14 de novembro de 1898. No fim da década de 1890, a circulação diária havia chegado a 7.000 exemplares.

Charles Dow escreveu a primeira coluna "Review and Outlook" em 21 de abril de 1899. Era uma coluna editorial de primeira página que explicava os preços das ações a partir do comportamento humano. O pensamento de Dow ficaria conhecido como teoria de Dow. Scharff chamou os ensaios escritos por Dow entre 1899 e 1902 de "clássicos do mercado de ações".

Século XX

Nos meses anteriores à sua morte, em 1902, Dow acertou a venda da Dow Jones e do Journal a Clarence W. Barron, correspondente do jornal em Boston desde 1889, por US$ 130.000, equivalentes a cerca de US$ 4,84 milhões em 2025. Como Barron enfrentava dificuldades financeiras, sua esposa, Jessie Waldron Barron, fez o pagamento inicial de US$ 2.500 pela compra da Dow Jones em 1902. Clarence só teria uma participação acionária na empresa cerca de dez anos depois.

Sob a propriedade de Barron, Thomas F. Woodlock foi editor do Journal de 1902 a 1905. No fim de seu período no cargo, a circulação diária havia subido de 7.000 para 11.000 exemplares. William Peter Hamilton tornou-se o principal redator editorial em 1908, quando o Journal começou a expressar mais claramente as opiniões de Barron. Hamilton escrevia o que Scharff chamou de "sermões diários em defesa do capitalismo de livre mercado".

Barron e seus antecessores receberam crédito pelo desenvolvimento de um ambiente de cobertura financeira independente e sem receio, algo incomum nos primeiros anos do jornalismo econômico. Em 1921 foi criado o Barron's, semanário financeiro norte-americano. Scharff chamou o jornal da era Barron de "defensor público de Wall Street" diante das tentativas de regulamentação pelo Congresso dos Estados Unidos. A circulação continuou crescendo, chegando a 18.750 exemplares em 1920 e brevemente a 52.000 em 1928, mas não ultrapassou a de seu principal concorrente, The Magazine of Wall Street, principal publicação financeira daquele período. Barron morreu em 1928, um ano antes da quebra da Bolsa de 1929, que afetou profundamente a Grande Depressão nos Estados Unidos. Seus descendentes, a família Bancroft, mantiveram o controle da empresa até 2007.

A quebra de 1929 trouxe outra dificuldade ao Journal, pouco depois da morte de Barron. William Peter Hamilton morreu de pneumonia em 9 de dezembro de 1929, aos 63 anos. A circulação do jornal, que havia passado dos 50.000 exemplares em 1928, caiu para menos de 28.000 na década de 1930. O número de páginas também foi reduzido de 28 para 16. O presidente da Dow Jones, Hugh Bancroft, aposentou-se em 1932. Após sua morte, em 1933, sua viúva, Jane Waldron Bancroft, nomeou Kenneth Craven "Casey" Hogate para a presidência da empresa. Hogate pretendia ampliar o escopo do Journal, transformando-o em um "jornal de negócios mais geral", para além das cotações de ações e títulos.

Na expansão para o oeste, o Wall Street Journal lançou em 21 de outubro de 1929 uma edição da Costa Oeste, o The Wall Street Journal Pacific Coast Edition. A publicação se concentrava nas empresas da Califórnia e reproduzia parte do material da edição regular. Sua circulação, porém, nunca ultrapassou 3.000 exemplares, e a Grande Depressão provocou muitos cancelamentos de assinaturas.

Em 1931, Bernard Kilgore tornou-se editor de notícias do Wall Street Journal, depois de ter ingressado na mesa de edição em 1929. Ele começou a escrever para a Pacific Coast Edition uma coluna chamada "Dear George", que explicava assuntos financeiros pouco conhecidos em linguagem mais simples. O estilo contrastava fortemente com outros textos do jornal, repletos de jargão que às vezes nem os próprios repórteres compreendiam. A edição da Costa Leste passou a publicar a coluna e, a partir de 1932, Kilgore escreveu "Dear George" três vezes por semana em Nova Iorque. Em 1934, começou a escrever o resumo diário de notícias "What's News" para a primeira página. Seus textos chamaram a atenção da Casa Branca. O presidente Franklin D. Roosevelt recomendou publicamente trabalhos de Kilgore sobre pagamentos de pensões a veteranos da Primeira Guerra Mundial e sobre uma decisão da Suprema Corte referente à National Industrial Recovery Act de 1933. O Journal, porém, ainda enfrentava dificuldades financeiras. Em 1940, a circulação estava estagnada em 32.000 exemplares, a maioria das edições tinha apenas 12 a 14 páginas e a Dow Jones obteve lucro de US$ 69.000 sobre receita de US$ 2 milhões, principalmente graças ao seu serviço de cotações. Scharff observou que o jornal dedicava pouca cobertura à possibilidade de participação dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.

Na década de 1940, a Dow Jones começou a reorganizar o Journal. Kilgore tornou-se editor-administrativo do jornal em 1941 e diretor executivo da Dow Jones em 1945. Scharff resumiu a abordagem de Kilgore ao jornalismo: "Uma matéria do Journal precisava satisfazer seus leitores sofisticados, mas também tinha de ser clara o bastante para não afastar os iniciantes." Kilgore também procurou tornar o jornal atraente a um público nacional, aproximando o conteúdo das edições das costas Leste e Oeste. Até a abertura de gráficas e sucursais jornalísticas locais, não era possível incluir fotografias no Journal.

Em 1947, o jornal recebeu seu primeiro Prêmio Pulitzer, pelos editoriais de William Henry Grimes. Em maio do mesmo ano, lançou uma edição do sudoeste baseada em Dallas. Em 1949, adotou o slogan "Everywhere, Men Who Get Ahead in Business Read The Wall Street Journal". A circulação quase quadruplicou, de 32.000 exemplares em 1940 para 140.000 em 1949, embora as reformas editoriais de Kilgore ainda não fossem amplamente percebidas pelo público.

O primeiro grande prêmio jornalístico do Journal foi um prêmio de serviço público da Sigma Delta Chi, entregue por reportagens publicadas no fim de 1952 que expuseram relações entre a Empire Mail Order e o crime organizado. As matérias vieram depois da notícia de que Howard Hughes havia vendido a RKO Pictures à Empire Mail Order. A circulação continuou subindo durante a década de 1950, chegando a 205.000 exemplares em 1951, 400.000 em 1955 e mais de 500.000 em 1957.

Warren H. Phillips tornou-se editor-administrativo do Wall Street Journal em 1957, após ter dirigido a sucursal de Chicago. Phillips era judeu, numa direção que até então era formada principalmente por protestantes brancos do Meio-Oeste. Ex-socialista, mudou suas posições políticas na década de 1950 em direção ao liberalismo social e ao conservadorismo fiscal. Sob Phillips, o Journal publicou cobertura aprofundada do movimento pelos direitos civis, com a justificativa de que era "algo que o empresário médio precisava conhecer". Na crise de integração da Central High School de Little Rock, por exemplo, a cobertura foi além das imagens e do conteúdo emocional predominantes em outros jornais e na televisão. O Journal mostrou moradores locais favoráveis à integração, em contraste com o governador Orval Faubus e outros políticos locais.

Durante a greve dos jornais de Nova Iorque de 1962 a 1963, o Journal foi o único diário que continuou sendo impresso na cidade. Depois da greve, Kilgore ordenou a transferência das prensas de Nova Iorque para Chicopee, em Massachusetts, a partir de 1 de julho de 1963. Ele não explicou publicamente a decisão, mas Scharff escreveu em 1986 que a mudança resultara de conflitos entre a Dow Jones e o sindicato dos impressores.

Quando Kilgore morreu, em 1967, a circulação do Wall Street Journal já ultrapassava um milhão de exemplares. Nesse ano, a Dow Jones Newswires iniciou uma ampla expansão internacional e passou a manter jornalistas nos principais centros financeiros da Europa, Ásia, América Latina, Austrália e África. Em 1970, a Dow Jones comprou a cadeia de jornais Ottaway, que possuía nove diários e três jornais dominicais. A empresa passou mais tarde a se chamar Dow Jones Local Media Group. A primeira greve a atingir uma gráfica do Journal durou três dias em Silver Spring, Maryland, em 1967. Em 1970, motoristas fizeram outra paralisação, desta vez de uma semana, em South Brunswick, Nova Jérsei.

O presidente norte-americano Ronald Reagan é entrevistado pelo WSJ no Salão Oval em fevereiro de 1985

De 1971 a 1997 ocorreram lançamentos, aquisições e empreendimentos conjuntos como a Factiva, The Wall Street Journal Asia, The Wall Street Journal Europe, o site WSJ.com, Dow Jones Indexes, MarketWatch e "WSJ Weekend Edition". Em 2007, a News Corporation adquiriu a Dow Jones. WSJ., uma revista de estilo de vida de luxo, foi lançada em 2008.

Complemento da edição impressa, o The Wall Street Journal Online foi lançado em 1996 e desde o início permitiu acesso somente por assinatura. Em 1998 foi introduzida uma palavra cruzada semanal, depois tornada diária, editada por Mike Shenk.

Século XXI

Vladimir Putin com a correspondente do Wall Street Journal Karen Elliott House, em 2002

Em 2003, a Dow Jones começou a reunir nas declarações do Audit Bureau of Circulations os números de assinantes das edições impressa e digital do Journal. Em 2007, acreditava-se que o jornal tivesse o maior site noticioso pago da internet, com 980.000 assinantes. Em setembro de 2018, o número de assinaturas digitais havia chegado a 1,3 milhão. O jornal passou então para a segunda posição, atrás do The New York Times, que tinha três milhões. Em maio de 2008, uma assinatura anual da edição digital custava US$ 119 para quem não assinasse a versão impressa. Em junho de 2013, a edição on-line custava US$ 22,99 por mês, ou US$ 275,88 por ano, sem considerar ofertas promocionais. Com o crescimento da edição digital em relação à impressa, o preço anual chegou a US$ 443,88, enquanto novos assinantes pagavam US$ 187,20 no primeiro ano.

Em 30 de novembro de 2004, a Oasys Mobile e o Wall Street Journal lançaram um aplicativo que permitia o acesso ao conteúdo do The Wall Street Journal Online por telefone celular.

Em setembro de 2005, o Journal lançou uma edição de fim de semana distribuída a todos os assinantes. A medida marcou o retorno da publicação aos sábados depois de aproximadamente cinquenta anos e procurava, entre outros objetivos, atrair mais publicidade voltada ao consumidor.

Em 2005, o Journal informou que cerca de 60% de seus leitores ocupavam cargos de alta administração, tinham renda média de US$ 191.000, patrimônio líquido familiar médio de US$ 2,1 milhões e idade média de 55 anos.

Em 2007, o jornal iniciou uma expansão mundial do site para incluir edições importantes em outros idiomas. Também havia demonstrado interesse em comprar o concorrente Financial Times.

Mudanças de design

O cabeçalho do jornal se distingue por terminar com um ponto final.

Anúncios na primeira página voltaram a ser publicados em 5 de setembro de 2006, depois de terem sido introduzidos nas edições europeia e asiática no fim de 2005.

Depois de cerca de meio século com disposições quase idênticas na primeira página, sempre em seis colunas, com as principais notícias do dia na primeira e na sexta, o resumo "What's News" na segunda e na terceira, a matéria "A-hed" na quarta e relatórios temáticos semanais na quinta, o jornal reduziu em 2007 a largura do formato broadsheet de 38,1 para 30,5 cm, mantendo o comprimento em 57,8 cm, para economizar papel-jornal. O consultor de design Mario García colaborou nas mudanças. A Dow Jones calculou uma economia anual de US$ 18 milhões em papel-jornal para as publicações do Wall Street Journal. A mudança eliminou uma coluna de impressão e retirou a "A-hed" de sua posição tradicional. O jornal passou a publicar normalmente uma matéria de tom incomum no lado direito da primeira página, entre as notícias principais.

O jornal também usa desenhos formados por pontos de tinta chamados hedcuts, introduzidos em 1979 e criados originalmente por Kevin Sprouls, além de fotografias. Esse tipo de ilustração tornou-se uma característica visual constante do jornal. O Journal também faz amplo uso de caricaturas, inclusive trabalhos de Ken Fallin, como quando Peggy Noonan escreveu em memória do jornalista Tim Russert. Fotografias coloridas e elementos gráficos ficaram mais frequentes à medida que novas seções de estilo de vida foram acrescentadas.

A Society for News Design escolheu o diário como World's Best Designed Newspaper em 1994 e 1997.

News Corporation e News Corp

Em 2 de maio de 2007, a News Corporation apresentou uma oferta não solicitada para adquirir a Dow Jones & Company, oferecendo US$ 60 por ação, que até então era negociada por US$ 36,33. A família Bancroft, detentora de mais de 60% das ações com direito a voto, inicialmente rejeitou a proposta, mas depois reconsiderou sua posição.

Três meses depois, em 1 de agosto de 2007, News Corporation e Dow Jones firmaram um acordo definitivo de fusão. A venda por US$ 5 bilhões acrescentou o Wall Street Journal ao grupo de mídia de Rupert Murdoch, que já tinha a Fox News, a Fox Business Network, o londrino The Times, o New York Post, a rede Fox e as emissoras WNYW e WWOR-TV em Nova Iorque.

Em 13 de dezembro de 2007, acionistas que representavam mais de 60% das ações com direito a voto da Dow Jones aprovaram a aquisição pela News Corporation.

Em uma coluna na página editorial, o editor L. Gordon Crovitz escreveu que os Bancroft e a News Corporation haviam concordado que as áreas de notícias e opinião do Journal manteriam independência editorial em relação à nova controladora.

Um comitê especial foi criado para supervisionar a integridade editorial do jornal. Quando o editor-administrativo Marcus Brauchli renunciou em 22 de abril de 2008, o comitê declarou que a News Corporation havia violado o acordo ao não avisá-lo com antecedência. Brauchli, porém, disse acreditar que os novos proprietários deveriam poder nomear seu próprio editor.

Uma matéria do Journal de 2007 citou acusações de que Murdoch havia feito promessas semelhantes no passado e depois as descumprido. Um grande acionista afirmou que Murdoch há muito "expressava seus preconceitos pessoais, políticos e empresariais por meio de seus jornais e emissoras de televisão". O ex-editor assistente do Times Fred Emery recordou um episódio em que Murdoch o chamou ao escritório em março de 1982 e disse que pensava em demitir o editor Harold Evans. Emery disse ter lembrado Murdoch de sua promessa de que os editores não poderiam ser demitidos sem aprovação dos diretores independentes. "Deus, você não leva tudo isso a sério, leva?", teria respondido Murdoch. Evans acabou sendo afastado.

Em 2011, o The Guardian encontrou evidências de que o Journal havia inflado artificialmente seus números de vendas na Europa ao pagar à Executive Learning Partnership pela compra de 16% dos exemplares vendidos no continente. Os números maiores permitiam cobrar preços publicitários também maiores, pois os anunciantes acreditariam estar atingindo mais leitores do que de fato alcançavam. O Journal também concordou em publicar "artigos" sobre a Executive Learning Partnership apresentados como notícias, embora fossem na prática publicidade. O caso veio a público depois que Gert Van Mol, funcionário belga do Wall Street Journal, informou o diretor executivo da Dow Jones, Les Hinton, sobre a prática. Andrew Langhoff, então diretor executivo e editor do Wall Street Journal Europe, foi demitido depois que se descobriu que ele havia pressionado pessoalmente jornalistas para que cobrissem um parceiro comercial do jornal envolvido no caso. Desde setembro de 2011, os artigos on-line resultantes da irregularidade trazem uma advertência do Wall Street Journal sobre as circunstâncias de sua produção.

O Journal e sua controladora, a Dow Jones & Company, ficaram entre os negócios que a News Corporation separou em 2013 para formar a nova News Corp.

Em novembro de 2016, buscando reduzir custos, o editor-chefe Gerard Baker anunciou demissões e a consolidação de seções impressas. A nova seção "Business & Finance" reuniu as antigas "Business & Tech" e "Money & Investing". "Life & Arts" substituiu "Personal Journal" e "Arena". A cobertura de "Greater New York" foi reduzida e transferida para a seção principal. A seção foi encerrada em 9 de julho de 2021.

Uma pesquisa realizada em 2018 pela Gallup e pela Knight Foundation colocou o Wall Street Journal em terceiro lugar entre as organizações de notícias consideradas mais precisas e em quarto entre as consideradas mais imparciais pelo público em geral. Entre entrevistados democratas, ficou em décimo lugar, e entre republicanos, em segundo. Em uma pesquisa da Simmons Research de outubro de 2018 com 38 organizações jornalísticas, o Journal foi a organização mais confiável entre os norte-americanos. Joshua Benton, do Nieman Journalism Lab da Universidade Harvard, escreveu que a "combinação de páginas noticiosas respeitadas e páginas editoriais conservadoras parece ser uma fórmula mágica para gerar confiança em todo o espectro ideológico".

De 2019 a 2022, o Journal manteve uma parceria com o Facebook para fornecer conteúdo à aba "News Tab" da rede social. O Facebook pagou mais de US$ 10 milhões ao jornal nesse período e encerrou a relação durante uma redução mais ampla de seu envolvimento com conteúdo noticioso.

Em 13 de junho de 2022, o Journal lançou o site de avaliações de produtos Buy Side. O site é gratuito e tem uma equipe separada da redação do Journal.

Em fevereiro de 2024, o Journal demitiu cerca de vinte funcionários, principalmente repórteres de economia em Washington, D.C.. A cobertura desses temas foi transferida para a equipe de negócios baseada em Nova Iorque. No mês seguinte, outras cinco pessoas foram demitidas da equipe de normas e ética. Em abril, pelo menos onze funcionários das equipes de vídeo e redes sociais perderam seus cargos. Em maio, o jornal eliminou seis cargos editoriais em sua sucursal de Hong Kong e outros dois postos de reportagem em Singapura. O foco regional seria transferido de Hong Kong para Singapura, onde novos cargos seriam criados. Mais funcionários foram demitidos algumas semanas depois, durante outra reorganização, entre eles pelo menos oito repórteres.

Marcos recentes

Conteúdo e operações

Desde 1980, o Journal é publicado em mais de uma seção. Em 2002, o tamanho máximo de uma edição passou a 96 páginas, das quais até 24 poderiam ser coloridas.

Em 2012, o Wall Street Journal tinha cerca de 2.000 jornalistas em sua equipe mundial, distribuídos por 85 sucursais em 51 países. Nesse mesmo ano, mantinha 26 gráficas. Sua sede asiática ficava em Hong Kong, mas o jornal anunciou em 2024 a mudança para Singapura.

Entre as seções regulares estavam:

Alguns colunistas também mantiveram espaços regulares na página de opinião:

Além dos editoriais e das colunas da versão impressa, o WSJ.com publicava duas colunas de opinião diárias exclusivas para a internet:

Às sextas-feiras, o Journal também publicava o artigo de opinião religioso "Houses of Worship", escrito a cada semana por um autor diferente. Os autores iam do Dalai Lama a cardeais.

Style & Substance

Style & Substance é um boletim mensal sobre o uso da língua inglesa. Cada edição discute questões específicas de linguagem a partir da perspectiva dos revisores do WSJ e de seu manual interno de estilo. A primeira edição foi publicada em 1987 sob a direção do editor da primeira página Paul R. Martin. Bill Power, editor da primeira página, e Jennifer Hicks, editora on-line, sucederam-no em 2013. O Journal anuncia mudanças de estilo de maior alcance pelo boletim, como o abandono dos títulos de cortesia em 2023.

WSJ.

WSJ. é a revista de estilo de vida de luxo do Wall Street Journal. Publica conteúdo sobre arte, moda, entretenimento, design, alimentação, arquitetura, viagens e outros assuntos. Sarah Ball é a editora-chefe e Omblyne Pelier, a editora responsável pela publicação.

Lançada como trimestral em 2008, a revista passou a publicar doze números por ano em 2014. Ela é encartada na edição norte-americana de fim de semana do Wall Street Journal e também disponibilizada no WSJ.com e no aplicativo do jornal para iPad.

Penélope Cruz, Carmelo Anthony, Woody Allen, Scarlett Johansson, Emilia Clarke, Daft Punk e Gisele Bündchen já apareceram na capa.

Em 2012, a revista criou o Innovator Awards. Associada à edição de novembro dedicada a inovadores, a cerimônia é realizada em Nova Iorque no Museu de Arte Moderna e premia pessoas das áreas de design, moda, arquitetura, trabalho humanitário, arte e tecnologia.

Em 2013, a Adweek escolheu WSJ. como "Hottest Lifestyle Magazine of the Year" em sua lista anual Hot List.

OpinionJournal.com

OpinionJournal.com
Tipo de sítioNotícias e opinião
Proprietário(s)The Wall Street Journal
Fundador(es)The Wall Street Journal
Requer pagamento?sim
CadastroNão se aplicava
Idioma(s)Inglês
Endereço eletrônicohttp://opinionjournal.com
Estado atualRedireciona para wsj.com/news/opinion

OpinionJournal.com foi um website que reunia conteúdo das páginas editoriais do Wall Street Journal. Existiu separadamente das notícias do wsj.com até janeiro de 2008, quando foi incorporado ao site principal.

Os editoriais, intitulados "Review & Outlook", seguiam a linha política conservadora das páginas editoriais do Journal, assim como os colunistas regulares Peggy Noonan, John Fund e Daniel Henninger.

WSJ Noted.

Em 30 de junho de 2020, o Journal lançou WSJ Noted., revista digital mensal de "notícias e cultura" destinada a assinantes de 18 a 34 anos, numa tentativa de aproximar leitores mais jovens. A revista mantinha um grupo de cerca de sete mil jovens adultos convidados a visualizar conteúdos antecipadamente, enviar comentários e participar de sessões de perguntas e respostas com a equipe.

Conselho editorial

Os integrantes do conselho editorial do Wall Street Journal supervisionam a página editorial e determinam o tom e a direção da seção de opinião. O jornal não divulga detalhes sobre as funções exatas de cada membro.

Aos sábados e domingos, três redatores da página editorial e o apresentador Paul Gigot, editor da página, participam do programa Journal Editorial Report, da Fox News, no qual discutem assuntos recentes com convidados. Como editores da página editorial, Vermont C. Royster, de 1958 a 1971, e Robert Bartley, de 1972 a 2000, apresentaram diariamente uma interpretação conservadora das notícias.

Há diferenças conhecidas entre a cobertura noticiosa do Journal e suas páginas editoriais. "Enquanto os repórteres do Journal se ocupam em informar os leitores", escreveu um repórter em 1982, "os editorialistas do Journal apresentam opiniões que muitas vezes contradizem as melhores reportagens e análises noticiosas do próprio jornal". Dois textos publicados em 1995 pelo grupo progressista Fairness and Accuracy in Reporting e em 1996 pela Columbia Journalism Review criticaram a página editorial por imprecisões nas décadas de 1980 e 1990. Uma obra de referência publicada em 2011 chamou as páginas editoriais de "rigidamente neoconservadoras", ao mesmo tempo em que afirmou que a cobertura de notícias desfrutava de excelente reputação entre leitores de diferentes posições políticas.

Em julho de 2020, mais de 280 jornalistas do Journal e funcionários da Dow Jones enviaram uma carta ao novo editor Almar Latour criticando a "falta de verificação de fatos e transparência e o aparente desprezo pelas evidências" nas páginas de opinião. A carta acrescentava que "artigos de opinião frequentemente fazem afirmações contraditas pelas reportagens do WSJ". O conselho editorial respondeu que suas páginas de opinião "não cederiam à pressão da cultura do cancelamento" e que o objetivo do conteúdo editorial era permanecer independente das notícias do Journal e oferecer visões alternativas às "opiniões progressistas uniformes que dominam quase toda a mídia de hoje". A resposta não abordou as questões de verificação de fatos levantadas na carta.

Posições editoriais

Econômicas

Na década de 1900, o Journal apoiou as iniciativas antitruste do presidente Theodore Roosevelt. Depois da transferência da propriedade de Dow para Barron, o jornal passou a defender com muito mais firmeza a economia de livre mercado na década de 1920. Um editorial de março de 1928 criticou as tentativas do Congresso de regulamentar o mercado de valores mobiliários: "Pessoas que nada sabem sobre crédito, excesso de fundos bancários, garantias, empréstimos à vista ou qualquer outra coisa pertinente à questão dizem ficar aterrorizadas quando os empréstimos da Bolsa atingem US$ 4 bilhões ou mais."

Em 14 de abril de 1932, o Journal publicou um comentário do ex-editor Thomas F. Woodlock criticando o projeto de regulamentação bancária Glass-Steagall: "Há aqueles que não suportam ver mercados autônomos de valores mobiliários fora do controle das legislaturas, dos burocratas e, de fato, dos tribunais."

Na década de 1980, a página editorial exerceu grande peso entre os defensores da economia pelo lado da oferta. Sob Robert L. Bartley, publicou longas discussões de conceitos como a curva de Laffer e da ideia de que a redução de determinadas alíquotas marginais e do imposto sobre ganhos de capital poderia elevar a arrecadação total ao gerar mais atividade econômica.

No debate econômico sobre regimes cambiais, um dos assuntos que dividem economistas, o Journal tende a apoiar taxas de câmbio fixas em lugar de taxas flutuantes.

Políticas

Mark Rutte, à direita, então primeiro-ministro dos Países Baixos, é entrevistado pelo Journal em 2011

As páginas editoriais e colunas do Journal, administradas separadamente das páginas noticiosas, têm orientação conservadora e exercem peso nos círculos conservadores tradicionais. Apesar disso, o Journal não endossa candidatos e não publica um endosso presidencial desde 1928.

O conselho editorial há muito defende uma política de imigração favorável às empresas.

A página editorial foi crítica de muitos aspectos da presidência de Barack Obama. Entre eles estava a Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente, aprovada em 2010, que foi alvo de muitas colunas de opinião. A página também criticou as políticas energéticas e a política externa do governo Obama.

Em 25 de outubro de 2017, o conselho editorial pediu que o procurador especial Robert Mueller deixasse a investigação sobre a interferência russa na eleição presidencial nos Estados Unidos em 2016 e acusou a campanha presidencial de Hillary Clinton de 2016 de conluio com a Rússia. O pedido pela saída de Mueller foi reiterado em dezembro. Os editoriais provocaram divisões dentro do Wall Street Journal, com repórteres argumentando que eles prejudicavam a credibilidade do jornal.

Em outubro de 2021, o Journal publicou na seção de cartas ao editor uma carta do ex-presidente Donald Trump. Outros veículos classificaram o conteúdo como alegações falsas e já refutadas sobre a eleição presidencial de 2020. No dia seguinte, o próprio conselho editorial criticou a carta de Trump.

Científicas

As páginas editoriais do Journal foram chamadas em 2011 de um "fórum para o negacionismo climático", devido a colunas que atacavam cientistas do clima e os acusavam de fraude.

Um estudo publicado em 2011 concluiu que, entre os principais veículos impressos norte-americanos, o Journal se distinguia por adotar principalmente em suas páginas editoriais um falso equilíbrio que exagerava a incerteza da ciência climática ou negava inteiramente a mudança climática de origem humana. Naquele ano, a Associated Press chamou as páginas editoriais do jornal de "um lugar amigável aos céticos da mudança climática". Em 2013, o conselho editorial e outros articulistas criticaram abertamente o plano do presidente Obama para enfrentar a mudança climática, em grande parte sem mencionar a ciência do clima. Um estudo de 2015 concluiu que o Wall Street Journal era, entre os jornais examinados, o menos propenso a apresentar efeitos negativos do aquecimento global. Também era o mais propenso a enquadrar negativamente os efeitos econômicos de políticas de mitigação da mudança climática, tendendo a sustentar que seus custos superavam seus benefícios.

O Climate Feedback, site de verificação de informações sobre cobertura jornalística da ciência climática, classificou diferentes artigos de opinião do jornal entre níveis "baixo" e "muito baixo" de credibilidade científica. A Partnership for Responsible Growth informou em 2016 que 14% dos artigos de opinião convidados sobre mudança climática apresentavam resultados da "ciência climática convencional", enquanto a maioria não o fazia. A organização também concluiu que nenhum dos 201 editoriais sobre mudança climática publicados pelo Wall Street Journal desde 1997 reconhecia que a queima de combustíveis fósseis era a principal causa da mudança climática.

Nas décadas de 1980 e 1990, o Journal publicou muitas colunas de opinião que se opunham ao consenso científico sobre os danos do tabagismo passivo ou o apresentavam de maneira incorreta, assim como a chuva ácida e a destruição da camada de ozônio, além de políticas públicas destinadas a restringir pesticidas e amianto. Anos depois, o jornal reconheceu que o sistema de limite e comércio de emissões usado para reduzir a chuva ácida havia funcionado, uma década depois das emendas à Clean Air Act.

Orientação política

A cobertura noticiosa do Journal já foi chamada de "conservadora com c minúsculo". Alguns antigos editores e repórteres, entre eles Sarah Ellison, que trabalhava no Washington Post em outubro de 2025, disseram que o jornal assumiu um tom mais conservador depois da compra por Rupert Murdoch.

Viés nas páginas de notícias

Antes da aquisição por Murdoch

Os editores do Journal ressaltam a independência e a imparcialidade de seus repórteres. Em 2007, a CNN escreveu que a equipe da redação tinha "reputação de cobertura apartidária". Ben Smith, do New York Times, classificou a cobertura noticiosa como conservadora em sentido moderado e escreveu que os leitores do jornal se situavam mais à direita que os de outros grandes jornais.

Sob Clarence W. Barron, o Journal geralmente restringia os comentários políticos às páginas de opinião, mas uma série de reportagens de 1922 afirmou que o movimento sindical tinha "um dos registros mais sórdidos da humanidade".

Em um estudo de 2004, Tim Groseclose e Jeffrey Milyo sustentaram que as páginas noticiosas tinham um viés liberal porque citavam think tanks liberais com maior frequência. Eles calcularam a posição ideológica da cobertura de vinte veículos contando as citações a determinados think tanks e comparando-as com a frequência com que os mesmos grupos eram citados por legisladores. O resultado classificou a cobertura do Journal como a mais liberal, inclusive à esquerda da NPR e do New York Times. Os editoriais não foram incluídos. Mark Liberman criticou o modelo empregado no estudo. Ele argumentou que o método afetava liberais e conservadores de forma desigual e que "o modelo começa com uma suposição muito peculiar sobre a relação entre opinião política e a escolha das autoridades citadas". Liberman também questionou a premissa de que "a ideologia dos think tanks [...] só importa para os liberais".

A compra planejada e depois efetivada pela News Corp em 2007 provocou críticas e debates sobre a possibilidade de as páginas noticiosas se deslocarem para a direita sob Rupert Murdoch. Um editorial de 1 de agosto de 2007 respondeu às preocupações afirmando que Murdoch pretendia "manter os valores e a integridade do Journal".

Durante a presidência de Trump

Em 2016 e 2017, a direção do Journal sob Gerard Baker recebeu críticas de funcionários e comentaristas da mídia que julgavam excessivamente cautelosa a cobertura do presidente Donald Trump. Uma manchete de primeira página de novembro de 2016 gerou particular controvérsia ao repetir a falsa alegação de Trump de que "milhões de pessoas" haviam votado ilegalmente na eleição, mencionando apenas que a afirmação estava "sem corroboração".

Também causou controvérsia uma orientação enviada por Baker aos editores em janeiro de 2017, na qual pedia que evitassem a expressão "sete países de maioria muçulmana" ao tratar da ordem executiva de Trump sobre viagens e imigração. Baker enviou depois uma segunda nota para esclarecer que a expressão não estava proibida, mas que o jornal deveria "sempre ter cuidado para que esse termo não fosse apresentado como a única descrição dos países abrangidos pela proibição".

Em uma reunião com os funcionários em fevereiro de 2017, Baker defendeu a cobertura e afirmou que ela era objetiva e evitava que o jornal fosse "arrastado para o processo político" por meio de uma disputa com o governo Trump.

Em 19 de fevereiro de 2020, a China anunciou a revogação das credenciais de imprensa de três repórteres do Wall Street Journal em Pequim. O governo chinês acusou o jornal de não pedir desculpas por artigos que haviam criticado a resposta do país à pandemia de COVID-19 e de não investigar nem punir os responsáveis.

Em junho de 2020, depois do assassinato de George Floyd e dos protestos que se seguiram, jornalistas do Journal enviaram uma carta ao editor-chefe Matt Murray pedindo mudanças na cobertura de raça, policiamento e finanças. Os repórteres escreveram que "frequentemente encontram resistência quando tentam reproduzir os relatos e as vozes de trabalhadores, moradores ou consumidores, enquanto alguns editores demonstram maior ceticismo quanto à credibilidade dessas fontes do que quanto à de executivos, autoridades governamentais ou outras entidades".

Reportagens de destaque

O Journal recebeu 39 Prêmios Pulitzer. Jornalistas que dirigiram algumas de suas equipes de reportagem mais conhecidas publicaram posteriormente livros que resumiram e ampliaram esse trabalho.

1939: encouraçados da Primeira Guerra Mundial

Em 1939, Vermont C. Royster escreveu uma série de artigos sobre o tempo necessário para que encouraçados da Primeira Guerra Mundial ficassem prontos para o serviço. Uma das matérias explicava o processo de fabricação das placas de blindagem. A Marinha dos Estados Unidos acusou Royster, então oficial da Reserva Naval, de ter usado informações sigilosas. Ele respondeu que obtivera os dados na Encyclopaedia Britannica.

1952: Empire Mail Order

Em outubro de 1952, a sucursal do Journal em Chicago recebeu um comunicado anunciando que Howard Hughes havia vendido sua participação de controle na RKO Pictures à Empire Mail Order Company. O editor-administrativo Henry Gemmill coordenou uma investigação que resultou, no fim daquele ano, em reportagens sobre as relações entre a Empire Mail Order e o crime organizado. Hughes cancelou a venda da RKO depois das matérias. A cobertura rendeu ao jornal seu primeiro grande prêmio da indústria, o prêmio Sigma Delta Chi de serviço público.

1954: modelos de automóveis

Em 28 de maio de 1954, o Journal publicou na primeira página uma reportagem de John Williams revelando o desenho dos automóveis que Ford, Pontiac e outras montadoras lançariam em 1955. Williams havia conversado durante semanas com operários e executivos da indústria. A matéria informou que os carros teriam motores maiores e para-brisas envolventes. A inclusão de desenhos também destoava do uso muito limitado de elementos gráficos pelo jornal naquele período. Quase uma semana depois, a General Motors cancelou aproximadamente US$ 250.000 em publicidade no Journal. O presidente da GM, Harlow Curtice, acusou o jornal de violação de direitos autorais e de confidencialidade. Richard Tofel, da ProPublica, comentou em 2015 que o episódio pouco lembrado "ajudou a estabelecer a noção de que organizações jornalísticas podiam e deviam preservar sua independência dos anunciantes".

1973: suborno de Spiro Agnew

Em 7 de agosto de 1973, uma reportagem de Jerry Landauer tornou o Journal a primeira publicação a informar que o vice-presidente dos Estados Unidos Spiro Agnew estava sob investigação federal por suspeitas de suborno, extorsão e fraude tributária. Agnew divulgou um comunicado confirmando a investigação na noite anterior à publicação. Depois de não contestar uma acusação de evasão do imposto de renda, Agnew foi condenado a pagar multa de US$ 10.000 e recebeu pena de três anos de prisão com execução suspensa. No mesmo dia da sentença, 10 de outubro de 1973, renunciou à vice-presidência.

1984: minas da CIA na Nicarágua

Em 6 de abril de 1984, o Journal revelou em uma matéria de David Rogers que a CIA havia colocado minas acústicas em portos da Nicarágua, depois de inicialmente se acreditar que os responsáveis eram opositores do governo sandinista. Lou Cannon escreveu no livro President Reagan: The Role of a Lifetime, de 1991, que a revelação provocou "um clamor internacional". Quase uma semana depois, o senador Barry Goldwater, republicano do Arizona, criticou no plenário do Senado e numa carta dura ao diretor da CIA, William J. Casey, a falta de comunicação do governo Reagan sobre a operação. Por 84 votos a 12, o Senado aprovou uma resolução apresentada pelo senador Ted Kennedy, democrata de Massachusetts, contrária "à colocação de minas nos portos nicaraguenses e à retirada da jurisdição da Corte Mundial sobre a América Central".

1987: compra da RJR Nabisco

Em 1987, empresas financeiras entraram numa disputa pela aquisição da gigante de tabaco e alimentos RJR Nabisco. Bryan Burrough e John Helyar narraram os acontecimentos em mais de vinte artigos do Journal. Os dois usaram as reportagens como base para o livro de sucesso Barbarians at the Gate: The Fall of RJR Nabisco, adaptado depois para um filme da HBO.

1988: uso de informação privilegiada

Na década de 1980, o repórter James B. Stewart chamou atenção nacional para a prática ilegal de negociação com informação privilegiada. Em 1988, recebeu o Prêmio Pulitzer de jornalismo explicativo junto com Daniel Hertzberg. Hertzberg posteriormente chegou ao cargo de editor-administrativo adjunto sênior antes de deixar o jornal em 2009. Stewart ampliou o tema em seu livro de 1991, Den of Thieves.

1997: tratamento da AIDS

David Sanford, editor de matérias da primeira página que havia contraído HIV em 1982 num estabelecimento de banhos públicos, escreveu um relato pessoal de primeira página sobre como a melhora dos tratamentos contra o vírus o levou a trocar o planejamento de sua morte pelo planejamento da aposentadoria. Ele e outros seis repórteres escreveram sobre os novos tratamentos e seus aspectos políticos e econômicos. O trabalho recebeu o Prêmio Pulitzer de Reportagem Nacional de 1997 pela cobertura da AIDS.

2000: Enron

Jonathan Weil, repórter da sucursal de Dallas, recebeu crédito por ter sido o primeiro a revelar, em setembro de 2000, irregularidades financeiras na Enron. Rebecca Smith e John R. Emshwiller continuaram acompanhando o caso, e escreveram o livro 24 Days. Em outubro de 2021, o Journal lançou Bad Bets, podcast que recontava a cobertura do jornal sobre a Enron.

2001: 11 de Setembro

O Journal afirma ter transmitido pela rede da Dow Jones a primeira notícia sobre um avião atingindo o World Trade Center nos ataques de 11 de setembro de 2001. Sua sede, no One World Financial Center, sofreu danos graves com o colapso das torres do World Trade Center, do outro lado da rua. Os principais editores temeram que, pela primeira vez em 112 anos, não conseguiriam publicar uma edição. Mudaram-se para um escritório improvisado na casa de um editor, enquanto a maior parte da equipe seguiu para o campus corporativo da Dow Jones em South Brunswick, Nova Jérsei. O jornal chegou às bancas no dia seguinte, embora numa edição reduzida. A primeira página trazia um relato pessoal do colapso das Torres Gêmeas escrito por John Bussey, então editor de notícias internacionais. Preso num escritório no nono andar ao lado das torres, Bussey transmitiu relatos ao vivo por telefone à CNBC enquanto os edifícios ardiam. Ele escapou por pouco de ferimentos graves quando a primeira torre desabou, quebrando todas as janelas dos escritórios do Journal e enchendo o local de poeira e destroços. O jornal recebeu o Prêmio Pulitzer de Reportagem de Última Hora de 2002 pelas matérias daquele dia.

O Journal fez depois uma investigação mundial sobre as causas e consequências dos ataques, aproveitando contatos desenvolvidos durante a cobertura de negócios no mundo árabe. Em Cabul, no Afeganistão, os repórteres Alan Cullison e Andrew Higgins compraram dois computadores saqueados que haviam sido usados por dirigentes da Al-Qaeda para planejar assassinatos, ataques químicos e biológicos e atividades rotineiras. Os arquivos criptografados foram decifrados e traduzidos. Foi durante essa cobertura que terroristas sequestraram e assassinaram o repórter Daniel Pearl.

2007: escândalo de opções de ações

Em 2007, o jornal recebeu o Prêmio Pulitzer de Serviço Público por revelar empresas que haviam alterado ilegalmente, com data retroativa, as opções de ações concedidas a executivos para aumentar seu valor.

2015–presente: investigação da Theranos

Em 2015, uma reportagem de John Carreyrou afirmou que a tecnologia da empresa de exames de sangue Theranos apresentava falhas e que a fundadora Elizabeth Holmes enganava investidores. A Vanity Fair resumiu posteriormente a denúncia como a alegação de que a empresa era, na prática, uma fraude, pois sua tecnologia central não funcionava como anunciado e quase todos os testes eram feitos em equipamentos de concorrentes. O Journal publicou depois outras reportagens questionando a Theranos e Holmes. Em maio de 2018, Carreyrou publicou o livro Bad Blood: Secrets and Lies in a Silicon Valley Startup sobre a empresa.

Rupert Murdoch, que era ao mesmo tempo um dos grandes investidores da Theranos e proprietário do Journal, perdeu cerca de US$ 100 milhões em seus investimentos na empresa.

2018–presente: investigação do pagamento a Stormy Daniels

Em 12 de janeiro de 2018, Michael Rothfeld e Joe Palazzolo informaram no Wall Street Journal que, durante a campanha presidencial de 2016, o advogado pessoal de Donald Trump, Michael Cohen, coordenou um pagamento de US$ 130.000 a Stormy Daniels para que ela permanecesse em silêncio sobre um suposto caso sexual. Reportagens posteriores detalharam a forma de pagamento e outros aspectos da operação. Em abril daquele ano, agentes do FBI fizeram buscas na residência de Cohen e apreenderam documentos relacionados à transação. Em 21 de agosto de 2018, Cohen declarou-se culpado de oito acusações, entre elas violações das normas de financiamento eleitoral relacionadas ao pagamento a Daniels. A cobertura recebeu o Prêmio Pulitzer de Reportagem Nacional de 2019.

2021: vazamento de documentos do Facebook

Em 2021, um vazamento de documentos internos da empresa então chamada Facebook, depois Meta Platforms, mostrou que a companhia tinha conhecimento de efeitos sociais prejudiciais de suas plataformas, mas continuava priorizando o lucro em vez de enfrentá-los. O material foi divulgado pela denunciante Frances Haugen e deu origem, em setembro, à série de reportagens The Facebook Files, do jornalista Jeff Horwitz no Wall Street Journal, e, nos meses seguintes, aos Facebook Papers, produzidos por um consórcio de veículos.

As reportagens mostraram que estudos encomendados internamente haviam informado a empresa sobre efeitos negativos do Instagram entre adolescentes e sobre a participação da atividade no Facebook em episódios de violência em países em desenvolvimento. O vazamento também tratava da disseminação de informações falsas e da política da empresa de promover publicações inflamatórias. Documentos mostraram ainda que a empresa sabia que seus algoritmos recomendavam a usuários jovens conteúdos prejudiciais, entre eles material que promovia anorexia nervosa e imagens de automutilação.

Em outubro de 2021, a Whistleblower Aid apresentou à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos oito denúncias anônimas em nome de Haugen, acusando a empresa de fraude de valores mobiliários. Haugen revelou sua identidade no programa 60 Minutes e depôs no Senado dos Estados Unidos sobre os documentos e as denúncias. Depois da mudança do nome corporativo para Meta, a Whistleblower Aid apresentou em fevereiro de 2022 outras duas denúncias de fraude de valores mobiliários em nome de Haugen. Executivos do Facebook concederam entrevistas para defender a posição da empresa, que também realizou reuniões e enviou memorandos internos aos funcionários.

Controvérsias

Associação de Jornalistas de Hong Kong

Em junho de 2024, editores do Wall Street Journal souberam que a jornalista Selina Cheng era candidata à liderança da Associação de Jornalistas de Hong Kong, um sindicato local da imprensa. Um editor pediu que ela desistisse da eleição e da participação na entidade. A legislação trabalhista de Hong Kong, porém, reconhece o direito de concorrer a cargos sindicais e participar de sindicatos sem o consentimento do empregador. Cheng não desistiu e foi eleita. Em julho de 2024, o editor Gordon Fairclough viajou a Hong Kong e a demitiu de seu cargo no WSJ. Diante de perguntas da imprensa, o jornal não comentou o caso além de dizer que havia ocorrido uma "reestruturação". Cheng respondeu que a reestruturação consistira na demissão de uma única pessoa.

A decisão foi criticada por organizações de mídia, sindicatos de jornalistas e defensores dos direitos humanos em diferentes países. A mídia estatal chinesa, por sua vez, comemorou a demissão. O Global Times, tabloide pertencente ao Partido Comunista Chinês, chamou o sindicato de imprensa de "tumor maligno que prejudica a segurança da cidade". Perguntado pelo South China Morning Post sobre a demissão, o secretário de Segurança de Hong Kong, Chris Tang, disse que o jornal poderia não desejar ser associado ao sindicato, que ele chamou de "não muito reconhecido". Cheng afirmou que o Wall Street Journal a demitira para evitar que parecesse defender a liberdade de imprensa na cidade. Em julho de 2024, a NewsGuild-CWA e a Independent Association of Publishers' Employees, sindicato dos empregados da Dow Jones, manifestaram apoio a Cheng. A segunda entidade organizou uma petição pedindo a reintegração de Cheng, que recebeu 335 assinaturas de funcionários. Em novembro de 2024, Cheng ajuizou uma ação civil em Hong Kong contra o jornal por causa da demissão.

Em fevereiro de 2025, tiveram início em Hong Kong procedimentos criminais contra o WSJ.

O legislador centrista de Hong Kong Tik Chi-yuen criticou o Wall Street Journal por autocensura e por receio de desagradar às autoridades, dizendo que isso afetava seriamente a liberdade de imprensa na cidade. Ben Lam, ex-político de Mong Kok East residente no Reino Unido, chamou a atuação do WSJ de apoio ao autoritarismo e comparou seu editor-chefe a Walter Duranty.

Numa série de matérias sobre a News Corp, o veículo australiano Crikey apresentou a demissão de Cheng como parte de uma "turbulência" no WSJ e escreveu que "a eliminação global de postos nas redações tem tanto a ver com a criação de uma força de trabalho politicamente correta, formada por quadros jornalísticos confiáveis, quanto simplesmente com a economia de custos". O relatório anual da U.S.-China Economic and Security Review Commission citou o episódio como exemplo das "pressões sobre a mídia estrangeira para que pratique autocensura em conformidade com as exigências do PCC". O documento afirmou que a decisão do WSJ "põe em dúvida as alegações de que empresas estrangeiras não foram afetadas pelo novo ambiente" após a adoção da lei de segurança nacional de Hong Kong e da legislação do Artigo 23.

Disputa com o presidente Trump

Em 17 de julho de 2025, o jornal publicou que, em 2003, Donald Trump havia enviado ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein uma mensagem para um álbum de seu 50.º aniversário. No dia seguinte, Trump, então presidente em exercício, processou o jornal por dois supostos atos de difamação e pediu pelo menos US$ 10 bilhões por cada um. A ação foi tratada como o primeiro caso conhecido em que um presidente em exercício dos Estados Unidos processou pessoalmente um jornalista ou veículo por difamação. O caso foi distribuído ao juiz Darrin Gayles. Em 21 de julho, o Journal também foi retirado do grupo de imprensa da Casa Branca que acompanharia a viagem de Trump à Escócia. Dois dias depois, o Journal publicou que o Departamento de Justiça havia informado Trump em maio de que seu nome constava nos arquivos relacionados a Epstein.

Desinformação sobre o assassinato de Charlie Kirk

Depois do assassinato de Charlie Kirk, comentaristas conservadores especularam que o atirador seria uma pessoa transgênero porque Kirk respondia a uma pergunta sobre pessoas transgênero envolvidas em tiroteios em massa no momento em que foi baleado. O New York Times chamou a circunstância de "uma coincidência sombria que alimentou conspirações e especulações on-line". Hunter Kozak, que fizera a pergunta a Kirk, declarou depois: "Eu não poderia ter feito uma pergunta pior".

As primeiras reportagens, principalmente uma do Wall Street Journal, afirmaram falsamente que munições ligadas ao caso tinham inscrições referentes a "ideologia transgênero", baseadas em um boletim interno da agência federal ATF. A Trans Journalists Association advertiu que "ideologia transgênero" era uma expressão comum em círculos de direita para apresentar a identidade transgênero como uma escolha política. Um alto funcionário das forças de segurança disse ao New York Times que o boletim não havia sido verificado e não correspondia a outros resumos das evidências. Mesmo assim, figuras conservadoras citaram a reportagem do Journal ao defender novas medidas contra pessoas transgênero. Em um documento de estratégia antiterrorismo de maio de 2026, a Casa Branca chamou o acusado do assassinato de "um radical que defendia ideologias transgênero extremas" e citou o crime em uma diretriz voltada a grupos "antiamericanos, radicalmente pró-transgênero e anarquistas".

As inscrições reais nas munições não faziam referência à identidade transgênero. A Human Rights Campaign publicou uma carta aberta pedindo retratação e desculpas públicas, afirmando que a reportagem havia sido "imprudente e irresponsável" e provocado ameaças contra pessoas trans. O Wall Street Journal alterou posteriormente a matéria e acrescentou uma nota do editor, mas não publicou uma retratação. Outras teorias apareceram depois que se noticiou que o suspeito tinha um parceiro transgênero, incluindo a especulação de que isso teria motivado o crime. Ativistas LGBTQ disseram que essas afirmações tentavam associar o caso à comunidade trans sem evidências.

Ver também

Obras citadas

Referências

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Leitura adicional

Ligações externas

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