| BESC | |
|---|---|
Marca do BESC, usada entre 1999 e 2008. | |
| Razão social | Banco do Estado de Santa Catarina S.A. |
| Empresa de capital aberto | |
| Atividade | Serviços financeiros |
| Gênero | Sociedade de economia mista |
| Fundação | 21 de julho de 1962 |
| Encerramento | 6 de fevereiro de 2009 |
| Sede | Florianópolis, |
| Proprietário(s) | Governo do Estado de Santa Catarina (1962–1999) Governo Federal (1999–2009) |
| Empregados | 3.375 (2008) |
| Produtos | Serviços bancários |
| Valor de mercado | R$ 685 milhões (set/2008) |
| Sucessora(s) | Banco do Brasil |
| Website | besc |
O Banco do Estado de Santa Catarina S.A. (BESC) foi um banco brasileiro, com sede em Florianópolis, Santa Catarina. Autorizado pela lei estadual nº 2.719, de 1961, no governo Celso Ramos, foi inaugurado em 21 de julho de 1962 sob a denominação de Banco de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina, adotando o nome pelo qual ficou conhecido em 1969. Chegou a ser o único banco presente em todos os 293 municípios catarinenses.
Federalizado em 1999, no âmbito do Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária (PROES), foi incorporado pelo Banco do Brasil em operação aprovada pelas assembleias de acionistas em 30 de setembro de 2008, autorizada pelo Banco Central do Brasil em 6 de fevereiro de 2009 e concluída no primeiro semestre daquele ano, pelo equivalente a R$ 685 milhões. Serviu de precedente para incorporações posteriores pelo BB, como as da Nossa Caixa e do Banco do Estado do Piauí. Em janeiro de 2026, cártulas (títulos representativos de ações antigas) do banco voltaram ao noticiário por seu uso em esquema fraudulento atribuído ao Banco Master.
A lei estadual nº 2.719, de 27 de maio de 1961, sancionada no governo Celso Ramos, autorizou o Poder Executivo a organizar o Banco de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina S.A., sob a forma de sociedade de economia mista, com a finalidade de fomentar o desenvolvimento econômico do estado. O estado deveria deter, sempre, no mínimo 51% do capital, e o capital inicial foi fixado em Cr$ 300 milhões, com subscrição pública de ações preferenciais. Para ampliar a atuação no interior, a lei previa a utilização das coletorias estaduais e de seus postos de arrecadação no pagamento de empréstimos concedidos pelo banco.
O banco foi inaugurado em 21 de julho de 1962. Em 29 de abril de 1969, a assembleia geral de acionistas decidiu mudar a denominação da instituição, que passou a chamar-se Banco do Estado de Santa Catarina (BESC).
Segundo relatório do Banco Central do Brasil de outubro de 1987, produzido durante a intervenção federal no banco, o BESC teria sido usado, no governo Esperidião Amin (1983–1987), para favorecer o partido do governador: o documento, obtido pela Folha de S.Paulo e tornado público em 1994, relata a contratação de ônibus para transportar eleitores e funcionários a um comício de 1985 em Florianópolis e 928 contratações realizadas no período eleitoral, em desacordo com a legislação então vigente, além de bilhetes de políticos indicando pessoas para admissão no banco — inclusive da esposa do governador, Ângela Amin. A intervenção do Banco Central começou em 11 de março de 1987 e durou treze meses, quando o processo foi arquivado. As acusações de uso partidário do banco voltaram a público em 1994, quando Amin se candidatou à Presidência da República. O período da intervenção foi objeto do livro Crimes impunes – o lado oculto da intervenção no BESC (1997), do jornalista Jacques Mick.
Ao final da década de 1990, a situação do BESC era crítica: segundo voto da desembargadora federal Marga Tessler no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o Banco Central constatou que seria necessário um aporte de R$ 819 milhões, sob pena de liquidação. No âmbito do PROES, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina autorizou, pela lei estadual nº 11.177, de 15 de setembro de 1999, a transferência do controle acionário do banco à União, com vistas a seu saneamento e posterior privatização ou dissolução. Em 30 de setembro de 1999, União, estado, BESC, BESCRI e demais empresas do conglomerado, a Caixa Econômica Federal, a CODESC e o Banco Central assinaram o "Contrato de abertura de crédito e de compra e venda de ações", pelo qual o controle do banco passou ao governo federal. Em dezembro de 1999, o Senado Federal autorizou o estado a contratar operação de crédito de até R$ 2,129 bilhões para a federalização e o saneamento do banco.
Pelo decreto nº 3.655, de 7 de novembro de 2000, o BESC foi incluído no Programa Nacional de Desestatização; a BESCRI, que passara ao controle federal após capitalização em 2002, foi incluída pelo decreto nº 4.446, de 29 de outubro de 2002. No mesmo período, o governo Esperidião Amin, favorável à privatização, obteve na Assembleia Legislativa, segundo a CUT, alteração da Constituição estadual que retirava o obstáculo à venda do banco, enquanto o banco promovia plano de demissão incentivada que, na prática, reduziu a estabilidade dos empregados.
As negociações entre o BB, o BESC e a União começaram em abril de 2007. Em 5 de outubro de 2007, em Florianópolis, foram assinados termos que alteraram o objeto do contrato de federalização — de privatização para incorporação pelo BB — e garantiram ao estado o ingresso imediato de R$ 520 milhões, além de abatimento futuro de R$ 1,6 bilhão na dívida contraída com a União para sanear o banco. O governo estadual abriu mão da venda da conta-salário do funcionalismo ao Bradesco, recebendo como compensação a antecipação de R$ 270 milhões em títulos públicos, e a concessão da conta-salário, por cinco anos e R$ 250 milhões, ao BESC e, depois da incorporação, ao BB. O Bradesco chegou a anunciar que pretendia recorrer à Justiça para garantir a participação de bancos privados em ofertas públicas envolvendo bancos federalizados.
Pelo contrato de serviço nº 015/2007, o BESC manteve a condição de agente financeiro do estado até a aquisição, função que o BB assumiu em seguida, até pelo menos 2012; o Senado aprovou o aditivo ao contrato de federalização pela resolução nº 40, de 20 de dezembro de 2007. Pelo decreto nº 6.380, de 20 de fevereiro de 2008, o BESC e a BESCRI foram excluídos do Programa Nacional de Desestatização, viabilizando a incorporação.
O protocolo de incorporação foi assinado em 11 de setembro de 2008, e no dia seguinte o BB anunciou que pagaria R$ 685 milhões aos acionistas — R$ 411 milhões pelo BESC e R$ 274 milhões pela BESCRI —, mediante a emissão de 23.074.306 ações ordinárias (BBAS3), com valores apurados pelo método de fluxo de caixa descontado (taxa de desconto de 8,67% ao ano) nos laudos da BDO Trevisan e da KPMG. Segundo o BB, o valor pago seria usado para abater parte da dívida de Santa Catarina com a União.
As assembleias gerais extraordinárias do BB, do BESC e da BESCRI aprovaram a incorporação em 30 de setembro de 2008, data em que, societariamente, as incorporadas se extinguiram. Após a aprovação do Bacen, comunicada em 6 de fevereiro de 2009, a incorporação foi formalmente concluída. Durante a transição, prevista em cerca de 180 dias, a operação do BESC funcionou paralelamente à do BB, mantida a marca BESC, conforme compromisso firmado com o estado, até a integração completa no primeiro semestre de 2009.
Em janeiro de 2026, no contexto da liquidação do Banco Master, reportagens do Valor Econômico e do NSC Total, com base em apresentação do Banco Central ao Ministério Público Federal, noticiaram que antigas cártulas de ações do BESC teriam sido adquiridas por R$ 850 milhões pelo FIDC High Tower, da gestora Reag, e tiveram o valor inflado, sem base real, até R$ 11,5 bilhões em operações atribuídas ao Banco Master, num esquema que teria envolvido 36 empresas.
Na data da incorporação, o BESC tinha 252 agências, das quais 248 em Santa Catarina e quatro fora do estado (no Rio de Janeiro, em Brasília, em Porto Alegre e em Curitiba), além de 3.375 empregados — mais do que os 3.247 que o BB possuía no estado. Mantinha a maior rede de agências de Santa Catarina, 25% maior que a do BB e 110% maior que a do Bradesco. Em junho de 2006, com a inauguração do posto de atendimento de Santa Terezinha do Progresso, tornou-se o único banco com presença em todos os 293 municípios catarinenses. Em 2007, registrou lucro acumulado de R$ 27 milhões, e de R$ 21,7 milhões no primeiro semestre de 2008.
Além da carteira comercial, o grupo BESC compreendia a BESC S.A. Crédito Imobiliário (BESCRI), a BESCREDI (crédito, financiamento e investimento), a BESC Leasing (arrendamento mercantil) e a BESCVAL (distribuidora de títulos e valores mobiliários), além de participação na Santa Catarina Seguros e Previdência.