| Gravador de vídeo digital | |
TiVo Edge DVR | |
| Desenvolvedor | Xperi |
|---|---|
| Descontinuado | 1 de outubro de 2025 |
| Lançamento | 31 de março de 1999 |
| Características | |
| Sistema operativo | Linux |
| Sítio | www |
TiVo (pronúncia em inglês: /ˈtiːvoʊ/, "TEE-voh") foi uma linha de gravadores de vídeo digital desenvolvida e comercializada pela Xperi, antes pela TiVo Corporation e pela TiVo Inc., lançada em 1999 e retirada do mercado em 2025. O TiVo exibia na tela um guia dos programas de televisão previstos na programação. Entre seus recursos estavam os agendamentos "OnePass", que podiam reunir e gravar os episódios de uma série, e buscas por lista de desejos, pelas quais o usuário podia localizar e gravar programas por título, ator, diretor, categoria ou palavra-chave. Quando conectado a uma rede doméstica, o DVR também podia oferecer downloads de filmes e programas de televisão, busca avançada, agendamento pela internet e, em certas versões do serviço, exibição de fotografias pessoais e reprodução de música armazenada localmente.
Depois do lançamento nos Estados Unidos, aparelhos TiVo também foram vendidos na Austrália, Canadá, México, Nova Zelândia, Porto Rico, Suécia, Taiwan, Espanha e Reino Unido. Modelos posteriores adotaram o padrão CableCARD, empregado apenas nos Estados Unidos, o que limitava a disponibilidade de alguns recursos. A TiVo encerrou a venda de seus DVRs em outubro de 2025.

O TiVo foi desenvolvido por Jim Barton e Mike Ramsay por meio de uma empresa que eles chamaram inicialmente de Teleworld e que depois recebeu o nome TiVo Inc. O projeto começou como um aparelho para redes domésticas, mas foi reformulado para gravar vídeo digitalizado em um disco rígido.
Depois de apresentar o projeto na Consumer Electronics Show de janeiro de 1997, Ramsay anunciou dentro da empresa que a primeira versão do gravador TiVo seria lançada no primeiro trimestre de 1999, cujo último dia era 31 de março, apesar de ainda restarem de quatro a cinco meses de trabalho estimado para terminar o aparelho. Como 31 de março de 1999 coincidiu com uma lua azul, a equipe de engenharia deu à primeira versão do DVR o codinome "Blue Moon".
O TiVo original digitalizava e comprimia vídeo analógico vindo de qualquer fonte, como antena, televisão a cabo ou transmissão direta por satélite. A empresa também integrou seu serviço de DVR aos receptores de operadoras de satélite e cabo. No fim de 2000, a Philips lançou o DSR6000, primeiro receptor da DirecTV com DVR TiVo integrado. O aparelho, apelidado de "DirecTiVo", armazenava diretamente no disco rígido os sinais digitais enviados pela DirecTV.
No início de 2000, a TiVo firmou uma parceria com a fabricante de eletrônicos Thomson Multimedia, depois Technicolor SA, e a British Sky Broadcasting para levar o serviço ao mercado britânico. A parceria resultou no Thomson PVR10UK, receptor independente lançado em outubro de 2000 e baseado no projeto de referência que a Philips e a Sony usavam nos Estados Unidos. A TiVo encerrou as vendas de aparelhos no Reino Unido em janeiro de 2003, mas continuou vendendo assinaturas e fornecendo dados de programação aos assinantes existentes até junho de 2011. Produtos com a marca TiVo voltaram ao país em 2010 por meio de uma parceria exclusiva com a Virgin Media.
O TiVo chegou à Austrália em julho de 2008 por meio da Hybrid Television Services, empresa pertencente ao Seven Media Group australiano e à TVNZ neozelandesa. Em 2009, a operação australiana lançou um TiVo com disco rígido de 320 GB. A TiVo Australia também ofereceu o serviço sob demanda da Blockbuster e, em dezembro de 2009, lançou o Caspa on Demand. O TiVo começou a ser vendido na Nova Zelândia em 6 de novembro de 2009.
O incidente envolvendo Janet Jackson no show do intervalo do Super Bowl XXXVIII, em 1 de fevereiro de 2004, estabeleceu um recorde como o momento mais assistido, gravado e repetido até então na história do TiVo. A exposição de um dos seios de Jackson no fim de seu dueto com Justin Timberlake, que provocou uma enxurrada de telefonemas de protesto à CBS, foi repetida um número recorde de vezes pelos usuários do aparelho. Um representante da empresa afirmou que os responsáveis pela medição de audiência nunca tinham visto algo parecido e que os gráficos de reação da audiência pareciam um eletrocardiograma.

Em abril de 2016, a Rovi comprou a TiVo por 1,1 bilhão de dólares.
Em dezembro de 2019, foi anunciada a fusão da TiVo com a Xperi Corporation. A operação foi concluída em maio de 2020.
No início de fevereiro de 2024, a versão do TiVo Edge para antena desapareceu do site da empresa, encerrando a linha de DVRs para recepção terrestre. A versão para cabo, o TiVo Mini LUX e o TiVo Stream 4K continuaram disponíveis.
O TiVo Mini LUX ficou permanentemente sem estoque entre junho e julho de 2025. No fim de setembro e início de outubro, o TiVo Edge para cabo e os acessórios de hardware restantes foram retirados do site. A empresa também deixou de vender assinaturas anuais e vitalícias para aparelhos sem plano ativo, mantendo a opção mensal para unidades TiVo Roamio, TiVo BOLT e TiVo Edge. A fabricação e venda de DVRs terminou em 1 de outubro de 2025, quando o estoque restante se esgotou.
A marca continuou no mercado de televisores inteligentes por meio do TiVo OS, uma plataforma licenciada a fabricantes parceiros.
Um DVR TiVo cumpria uma função semelhante à de um videocassete, pois permitia gravar programas para assisti-los mais tarde, prática conhecida como deslocamento temporal. Enquanto o videocassete utiliza fita magnética removível, o TiVo armazenava os programas em um disco rígido interno.
O aparelho também podia gravar automaticamente programas que julgava compatíveis com os interesses do usuário. Outra função patenteada, chamada pela TiVo de "trick play", permitia pausar uma transmissão ao vivo, retroceder e repetir até 30 minutos do conteúdo assistido recentemente. Os DVRs podiam ser conectados à rede local de um computador para baixar informações e acessar serviços de vídeo por streaming, entre eles Netflix e Hulu, além de música pela internet.
Os DVRs TiVo se comunicavam periodicamente com os servidores da empresa para receber dados atualizados sobre a programação. As informações abrangiam sinopse, atores regulares e convidados, diretores, gêneros, indicação de episódio novo ou reprise e disponibilidade em alta definição. O guia era atualizado diariamente com dados da Rovi. Antes de setembro de 2016, eram usados dados da Tribune Media Services.
O usuário podia escolher um programa individual ou criar um "OnePass", anteriormente chamado "Season Pass", para reunir os episódios de uma série. Havia opções para gravar somente episódios inéditos, inéditos e reprises ou todos os episódios. Para essa finalidade, o sistema considerava um episódio inédito quando sua exibição ocorria até duas semanas depois da estreia. O OnePass também podia adicionar conteúdo de serviços de streaming e apresentá-lo junto às gravações em uma única visualização.
Quando solicitações de gravação entravam em conflito, o programa de menor prioridade no OnePass Manager podia deixar de ser gravado ou ter a parte coincidente cortada. Se fosse exibido novamente depois, a gravação podia ocorrer nessa segunda transmissão. Aparelhos com mais de um sintonizador gravavam simultaneamente os programas de maior prioridade.
O TiVo foi um dos primeiros DVRs a selecionar gravações com base nos hábitos de audiência da casa. O recurso recebeu o nome "TiVo Suggestions". Os usuários podiam avaliar programas com até três sinais de aprovação ou três sinais de rejeição. Essas avaliações eram combinadas para produzir recomendações com base no que outras pessoas de hábitos semelhantes assistiam. Por exemplo, uma pessoa que gostasse de American Idol, America's Got Talent e Dancing with the Stars podia levar o sistema a recomendar os dois últimos programas a outro usuário que tivesse assistido apenas a American Idol. O TiVo Suggestions deixou de ser oferecido em 2023, e os botões de aprovação e rejeição deixaram de aceitar avaliações de programas.
A quantidade de programas armazenados dependia da capacidade do disco rígido, que variava conforme o modelo. Quando o espaço acabava, as gravações mais antigas eram apagadas para abrir lugar às novas. Programas marcados pelo usuário para não serem apagados eram mantidos, e as gravações do TiVo Suggestions tinham sempre a menor prioridade. As opções de gravação também permitiam definir por quanto tempo um programa deveria permanecer armazenado. Em determinados modelos TiVo HD, um disco rígido externo podia ampliar o espaço para gravações em alta definição e definição padrão.
Quando o aparelho não estava gravando um pedido específico do usuário, o canal sintonizado era armazenado temporariamente por até 30 minutos. Modelos com dois sintonizadores mantinham dois canais. Isso permitia retroceder ou pausar algo exibido nos 30 minutos anteriores, por exemplo quando a exibição era interrompida. Um programa já em andamento podia ser gravado inteiro se menos de 30 minutos tivessem transcorrido. Diferentemente de um videocassete, o TiVo podia gravar e reproduzir ao mesmo tempo. Era possível começar a assistir a um programa do início enquanto a gravação ainda estava em curso. Alguns usuários esperavam de 10 a 15 minutos depois do início de um programa para então avançar rapidamente pelos comerciais e alcançar a transmissão ao vivo perto do fim.
Os DVRs podiam ser conectados a redes domésticas, permitindo agendar gravações pelo site da TiVo, com o TiVo Central Online, e transferir gravações entre aparelhos pelo Multi-Room Viewing, ou MRV. A conexão era usada também para receber atualizações do guia e do software. Recursos posteriormente descontinuados permitiam transferir gravações de e para um computador doméstico por meio do TiVoToGo, reproduzir música, exibir fotografias pela rede e executar aplicativos de terceiros escritos para a API Home Media Engine, ou HME.
A TiVo acrescentou ao longo dos anos recursos baseados em banda larga que depois deixaram de ser oferecidos. Entre eles estava a integração com Amazon Video on Demand, Jaman.com e Netflix Watch Instantly, que davam acesso a milhares de filmes e programas de televisão pelo aparelho. Unidades conectadas à internet também podiam mostrar fotografias do Picasa Web Albums e Photobucket. O serviço Rhapsody permitia ouvir música pelo TiVo. Em parceria com a One True Media, a empresa ofereceu aos assinantes um canal privado para compartilhar fotografias e vídeos com familiares e amigos. Também houve acesso a previsão do tempo, trânsito, horários de cinema do Fandango com compra de ingressos e música pelo Live365. No verão de 2008, a TiVo anunciou acesso a vídeos do YouTube.
Em 7 de junho de 2006, a empresa lançou o TiVoCast, serviço de download por banda larga que inicialmente oferecia conteúdo de produtores e publicações como Rocketboom e The New York Times. O catálogo chegou a superar 70 canais para assinantes TiVo.
Em janeiro de 2005 foi acrescentado o TiVoToGo, que permitia transferir programas gravados do TiVo para computadores pessoais. A empresa trabalhou com a Sonic no MyDVD 6.1, programa para editar e converter arquivos do TiVoToGo. Em janeiro de 2007, o TiVoToGo chegou ao Macintosh por meio do Toast Titanium 8, da Roxio, usado para organizar e gravar mídia digital em CD e DVD. Em agosto de 2005, o "TiVo Desktop" acrescentou a transferência de arquivos MPEG-2 de computadores para o TiVo para reprodução pelo DVR. Em 5 de junho de 2013, a TiVo deixou de distribuir gratuitamente o TiVo Desktop para Windows e passou a oferecer o TiVo Desktop Plus aos novos usuários. Quem já possuía a versão gratuita podia continuar usando-a sem pagar pela edição Plus.
O TiVo KidZone, retirado posteriormente dos aparelhos Premiere e Roamio, foi criado para dar aos pais maior controle sobre o que os filhos assistiam. Eles podiam escolher quais programas as crianças teriam permissão para ver e gravar. O recurso também oferecia recomendações de organizações infantis dos Estados Unidos. A lista "Now Playing" do KidZone mostrava apenas programas previamente aprovados pelos pais.
Nos Estados Unidos, os dados de programação baixados pelo DVR, as atualizações de software e outras informações do serviço eram fornecidos por meio de uma assinatura mensal. Na Austrália foi adotado outro modelo, no qual o aparelho era comprado mediante pagamento único e não exigia assinatura posterior.
Existiram diferentes formas de "Product Lifetime Service". Nos DVRs TiVo para satélite, a assinatura vitalícia permanecia enquanto a conta continuasse ativa e não ficava vinculada a uma unidade específica. Esse tipo de assinatura não podia ser transferido para outra pessoa. Aparelhos Toshiba e Pioneer com TiVo e gravador de DVD incluíam uma "Basic Lifetime Subscription", semelhante à assinatura vitalícia completa, mas com somente três dias do guia de programação e sem os recursos de busca e internet, ou com esses recursos limitados.
Nas demais unidades, inclusive as equipadas com DVD e excluindo as de satélite, era possível acrescentar uma "Product Lifetime Subscription" ao serviço. Nesse caso, a duração era vinculada à vida útil do DVR, não à do assinante, e acompanhava o aparelho em uma transferência de propriedade. A TiVo não oferecia garantia sobre a duração esperada do DVR além da garantia limitada do fabricante. Em diferentes ocasiões, a empresa ofereceu programas "Trade Up" que permitiam transferir, mediante pagamento, uma assinatura vitalícia de uma unidade antiga para um modelo mais novo.
Um TiVo podia ser utilizado sem contrato de serviço, mas nesse estado funcionava de modo mais parecido com um videocassete. Era possível fazer gravações manuais, porém o aparelho não recebia do serviço TiVo a hora local, os dados do guia, atualizações de software e outros recursos. Se uma unidade configurada para depender do serviço não conseguisse validá-lo, a função de gravação podia ser desativada.
O serviço TiVo foi oferecido comercialmente nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, México, Espanha e Taiwan. Desde as primeiras gerações vendidas nos Estados Unidos, usuários também modificaram DVRs Series1 e Series2 para fazê-los funcionar na Austrália, Brasil, Canadá, Nova Zelândia, Países Baixos e África do Sul.
Na Nova Zelândia, as vendas começaram na primeira semana de novembro de 2009.
Na Austrália, o serviço TiVo terminou em 31 de outubro de 2017. O guia eletrônico de programação e as funções de gravação dependentes do serviço deixaram de funcionar, o que reduziu drasticamente a utilidade dos aparelhos australianos.
O serviço foi lançado no Reino Unido no outono de 2000. Somente 35 mil aparelhos foram vendidos nos 18 meses seguintes. A Thomson, fabricante do único modelo britânico, abandonou o produto no início de 2002 depois que a BSkyB lançou o Sky+, receptor e DVR integrado que passou a dominar o mercado entre os assinantes do serviço de televisão por satélite da empresa. Outros fabricantes lançaram receptores com DVR integrado para plataformas britânicas de satélite gratuito, televisão terrestre, cabo e IPTV.
Um problema técnico fez com que o TiVo Suggestions deixasse de gravar programas para usuários britânicos do Series1 no fim de setembro de 2008. O problema foi corrigido no fim de janeiro de 2009.
A partir de novembro de 2010, os clientes mensais do Series1 deixaram de ser cobrados e receberam gratuitamente o serviço até 1 de junho de 2011. Nessa data, o serviço britânico do Series1 foi encerrado. Sem os dados de programação enviados pela TiVo, os aparelhos ficaram com funcionalidade limitada, embora ainda pudessem reproduzir gravações existentes e, em determinadas condições, fazer gravações manuais.
Em março de 2011, usuários criaram o projeto comunitário AltEPG para substituir o serviço descontinuado. O projeto passou a fornecer dados de programação e atualizações de software aos aparelhos Series1.
Em 24 de novembro de 2009, a Virgin Media e a TiVo firmaram uma parceria estratégica. Pelo acordo de exclusividade, a TiVo desenvolveu uma interface convergente de televisão e banda larga para os receptores de alta definição da geração seguinte da Virgin Media. A TiVo tornou-se fornecedora exclusiva de middleware e software de interface desses aparelhos, enquanto a Virgin Media tornou-se distribuidora exclusiva da tecnologia e dos serviços TiVo no Reino Unido. O primeiro produto das duas marcas foi lançado em dezembro de 2010. Em 17 de março de 2011, a Virgin Media ativou um terceiro sintonizador.
Em 12 de fevereiro de 2014, a Virgin Media anunciou ter alcançado 2 milhões de clientes TiVo, cerca de metade de sua base de televisão.
Em novembro de 2020, a Virgin Media lançou o Virgin TV 360 e começou a substituir sua plataforma TiVo. A partir de julho de 2025, a operadora passou a oferecer aos clientes uma atualização gratuita de software pela rede para migrar os aparelhos TiVo ao Virgin TV 360. Também anunciou que alguns serviços deixariam de funcionar na plataforma antiga, entre eles o BBC iPlayer.

O DVR TiVo foi projetado pela TiVo Inc., que desenvolvia o hardware e o software TiVo baseado em Linux e operava o serviço por assinatura necessário ao funcionamento completo da maior parte dos modelos. Os aparelhos foram fabricados por diferentes fornecedores de equipamento original, entre eles Philips, Sony, Cisco, Hughes, Pioneer, Toshiba e Humax, mediante licença do software da TiVo. Foram produzidas seis séries principais.
Os DVRs Series1 usavam processadores PowerPC, enquanto os Series2 utilizavam MIPS. Eles eram ligados a chips codificadores e decodificadores MPEG-2 e a discos rígidos IDE/ATA de alta capacidade. Os Series1 tinham um ou dois discos com capacidades entre 13 e 60 GB. Os Series2 usavam discos de 40 a 250 GB. A TiVo também trabalhou com a Western Digital no My DVR Expander, disco rígido externo destinado aos aparelhos TiVo HD e Series3. Ligado por uma interface eSATA, o acessório aumentava a capacidade em dezenas de horas de vídeo em alta definição e centenas de horas em definição padrão.
Alguns modelos fabricados sob licença pela Toshiba, Pioneer e Humax incluíam unidades de DVD-R ou DVD-RW. As gravações podiam ser transferidas do disco rígido interno para um DVD de vídeo reproduzível na maioria dos aparelhos compatíveis.
A maioria dos DVRs independentes possuía entrada coaxial de radiofrequência e um sintonizador interno para cabo, além de entradas analógicas de vídeo composto RCA e S-Video para conexão a um receptor externo de cabo ou satélite. O TiVo podia controlar o receptor por cabo serial ou emissores infravermelhos. As saídas incluíam coaxial, vídeo composto RCA e S-Video. Modelos posteriores acrescentaram HDMI para áudio e vídeo. Os aparelhos com DVD também ofereciam vídeo componente. O áudio utilizava RCA estéreo, e os modelos com DVD podiam incluir saída óptica digital.
Até 2006, os sistemas independentes gravavam apenas um canal de cada vez. Em abril daquele ano foi lançado o Series2DT, ou S2DT, com dois sintonizadores. O aparelho tinha dois sintonizadores internos para cabo e aceitava um único receptor externo de cabo ou satélite. Dependendo das fontes usadas, podia gravar simultaneamente dois canais analógicos de cabo, um analógico e um digital de cabo, ou um analógico de cabo e um de satélite. Diferentemente das unidades anteriores, o S2DT não gravava sinais de antena. A escolha estava relacionada a uma exigência da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos pela qual aparelhos vendidos depois de março de 2007 com sintonizador NTSC também deveriam incorporar um sintonizador ATSC. A TiVo optou por retirar a recepção NTSC pelo ar do S2DT. O Series3 passou a aceitar NTSC e ATSC, além de canais digitais de cabo por CableCARD.
Os Series2 também tinham portas USB, usadas para adaptadores de rede Ethernet com fio e Wi-Fi. Os primeiros aparelhos, cujos números de modelo começavam por 110, 130 ou 140, tinham USB 1.1. Os demais usavam USB 2.0. Houve quatro gerações principais do Series2. As gerações 1xx e 2xx vendidas com a marca TiVo tinham acabamento cinza-escuro. A diferença principal entre elas foi a passagem do USB 1.1 para o USB 2.0, muito mais rápido.
A geração 5xx trouxe um gabinete novo, prateado e com um oval branco na parte frontal. O oval era iluminado, o que levou essas unidades a receber o apelido "Nightlight". O projeto buscava reduzir custos e apresentou desempenho menor nos menus e nas transferências de rede. Também alterou a PROM de inicialização, tornando modificações de hardware muito mais difíceis sem mudanças extensas na fiação. A geração 6xx lembrava a 5xx, mas tinha o oval frontal preto. Seu principal modelo foi o S2DT, equipado com dois sintonizadores e uma porta Ethernet 10/100BASE-T integrada. Entre os Series2, a geração 6xx tinha desempenho superior ao antigo 2xx e muito maior que o 5xx.
Alguns sistemas TiVo foram integrados a receptores da DirecTV. Esses aparelhos, chamados "DirecTiVo", gravavam diretamente no disco rígido o fluxo digital MPEG-2 recebido por satélite, sem reconversão. Como tinham dois sintonizadores, podiam gravar dois programas ao mesmo tempo. A ausência de conversão permitia que a gravação mantivesse a mesma qualidade do sinal ao vivo. Os DirecTiVo não possuíam um chip codificador MPEG e só podiam gravar transmissões da DirecTV. A operadora, porém, desativou os recursos de rede desses aparelhos, impedindo funções como visualização entre cômodos e TiVoToGo. Somente os modelos independentes podiam ser colocados em rede sem modificações não oficiais.
O DirecTiVo HR10-250 podia gravar televisão de alta definição em um disco rígido de 250 GB, a partir do sinal da DirecTV ou de transmissões terrestres recebidas por antena UHF ou VHF. O aparelho tinha dois sintonizadores virtuais, cada um formado por um sintonizador DirecTV associado a um sintonizador ATSC terrestre, e podia gravar dois programas simultaneamente. O guia reunia a programação terrestre e a da DirecTV para que os programas fossem selecionados e assistidos pela mesma interface.
Em 2005, a DirecTV deixou de promover gravadores baseados no TiVo e concentrou-se em sua própria linha de DVRs. Ainda assim, continuou dando suporte à base existente de aparelhos DirecTV com TiVo.
Em 8 de julho de 2006, a DirecTV anunciou a atualização dos receptores HR10-250 restantes para a versão 6.3, primeira atualização de grande porte desde o lançamento do aparelho. Ela acrescentou agrupamento de programas em pastas, um guia de tela mais rápido e novas opções de ordenação.
Em setembro de 2008, DirecTV e TiVo anunciaram uma extensão do acordo entre as empresas. O novo contrato previa o desenvolvimento, promoção e distribuição de um DVR de alta definição da DirecTV com o serviço TiVo e prorrogava os acordos de propriedade intelectual entre as duas empresas.
O HR10-250 oferecia gravação em alta definição, assim como as gerações seguintes destinadas a sinais HDTV. Outros modelos antigos gravavam apenas televisão analógica em definição padrão nos sistemas NTSC, PAL ou SECAM. Os DVRs Series3 TiVo HD e TiVo HD XL e os Series4 TiVo Premiere e TiVo Premiere XL podiam gravar HDTV por antena ou cabo, usando QAM não criptografado ou CableCARD para canais criptografados, além de sinais de definição padrão das mesmas fontes. Os Series3 e Series4 não gravavam o serviço DirecTV, enquanto o HR10-250 não gravava cabo digital. Outros modelos podiam ser ligados a televisores de alta definição sem gravar o sinal HDTV diretamente. Nesse caso, era possível conectá-los a um receptor externo de alta definição e gravar sua saída convertida para resolução menor.
Em 2008, algumas operadoras de cabo passaram a implantar a tecnologia switched digital video, ou SDV, inicialmente incompatível com o Series3 e o TiVo HD. A TiVo trabalhou com as operadoras em um adaptador de sintonia ligado ao aparelho por USB para permitir o uso do SDV. Algumas operadoras passaram a fornecer esses adaptadores gratuitamente a clientes com DVR TiVo.
A TiVo e a Western Digital criaram o My DVR Expander eSATA Edition para os sistemas TiVo HD e Series3. O disco externo era ligado ao aparelho por eSATA. A primeira versão, com 500 GB, começou a ser vendida em junho de 2008. A edição de 1 TB chegou em junho de 2009. A unidade de 1 TB acrescentava capacidade aproximada para até 140 horas de conteúdo em alta definição ou 1.200 horas em definição padrão.
O sistema não foi projetado para que o disco externo fosse desconectado depois de instalado. Cada gravação era distribuída entre o disco interno e o externo. A remoção permanente do expansor exigia apagar as gravações feitas com ele conectado. O acessório podia ser removido sem perder as configurações gerais do DVR, mas não o conteúdo gravado.
Foram vendidas diferentes capacidades ao longo da vida do produto. Houve relatos de problemas de confiabilidade e um período de indisponibilidade.
As versões Western Digital My DVR Expander eSATA Edition de 500 GB e 1 TB e My DVR Expander USB Edition foram descontinuadas e substituídas pelo Western Digital My Book AV DVR Expander de 1 TB. O modelo novo recebeu acabamento brilhante, um pequeno indicador luminoso branco e um botão de energia na parte traseira. Também reunia eSATA e USB no mesmo aparelho. Foi certificado para uso com DirecTV, Dish Network, TiVo, Moxi, Pace e Scientific Atlanta, depois Cisco. A Seagate lançou sua própria linha para DVR, chamada GoFlex DVR, com capacidades de 1 e 2 TB. A TiVo não homologou o produto da Seagate. O DVR Expander da Western Digital foi o único dispositivo de armazenamento externo reconhecido oficialmente pela empresa para seus DVRs compatíveis.
Usuários instalaram discos rígidos adicionais ou de maior capacidade em aparelhos TiVo para aumentar o tempo de gravação. Outros projetaram placas Ethernet e a interface web TiVoWeb, além de desenvolver métodos para extrair, inserir e transferir vídeo entre aparelhos. Outras modificações acrescentavam automaticamente um intervalo de segurança antes e depois do horário previsto de uma gravação ou enviavam por correio eletrônico um resumo diário da atividade do DVR.
Os arquivos de mídia do TiVo continuaram usando o mesmo sistema de codificação, com extensão .TiVo. Eram arquivos MPEG protegidos pela Media Access Key, ou MAK, do usuário. Desenvolvedores independentes criaram programas como tivodecode e tivodecode Manager para retirar a MAK do arquivo, permitindo reproduzir a gravação fora do aparelho ou enviá-la a outras pessoas.
Em 4 de janeiro de 2018, a TiVo anunciou uma plataforma de nova geração destinada a operadoras de televisão e outros provedores. Ela podia funcionar em diferentes tipos de equipamento, entre eles receptores baseados em Linux e Android TV, DVRs tradicionais, dispositivos de streaming sem DVR como Apple TV e Fire TV, além de telefones, tablets e computadores. O sistema oferecia a interface TiVo, controle por voz, personalização e recomendações. A empresa apresentou a plataforma como uma forma de as operadoras competirem em um mercado no qual parte do público vinha abandonando pacotes tradicionais de televisão por cabo ou satélite em favor do streaming pela internet.
A versão para Android TV usava o TiVo Service como infraestrutura em nuvem. Ela reunia televisão linear por IP, vídeo sob demanda, reinício de programas, conteúdo de emissoras disponibilizado depois da transmissão e DVR de rede. A mesma camada de serviço cuidava de busca, recomendações, personalização e metadados, permitindo pesquisar em conteúdo linear, sob demanda, DVR e serviços de streaming a partir de uma interface única.
Na década de 2020, provedores de internet como TDS e Astound passaram a usar receptores com interface TiVo para fornecer televisão e DVR em nuvem. Esses aparelhos também executavam aplicativos de serviços como Netflix e Prime Video.
Criado em 1998 pelo designer Michael Cronan e pelo estúdio gráfico Pittard Sullivan, o personagem TiVo, também chamado "TiVo Guy", foi usado como mascote e logotipo da linha de DVRs e das duas antigas empresas que levavam o mesmo nome. O personagem tem a forma de uma televisão preta antropomórfica, duas antenas semelhantes às de uma formiga, pernas e pés grandes sem dedos. Em sua versão mais recente, usa uma máscara branca e tem dois olhos grandes no rosto.
O desenho inicial era mais próximo de mascotes como Mickey Mouse, personagem que Cronan usou como referência. Foram feitos diferentes esboços. Em um deles, as letras coloridas do nome apareciam no rosto em uma tipografia criada para lembrar a escrita de uma criança. Um sorriso branco foi acrescentado para completar o rosto e dar ao personagem uma expressão alegre. Essa versão foi aprovada pela equipe e usada quando a TiVo Inc. lançou seu primeiro DVR em 1999.
Antes da incorporação da TiVo Corporation à Xperi, o personagem passou por uma reformulação mais simples. Em 2015, o desenho original foi substituído por uma silhueta que os funcionários chamavam de "Blankman".
O mascote apareceu em anúncios, vídeos promocionais e animações de inicialização dos DVRs.
Um dos primeiros concorrentes do TiVo nos Estados Unidos, o ReplayTV, adotou um recurso para pular comerciais automaticamente. A TiVo preferiu não implementar a mesma função de forma automática por receio de reação da indústria televisiva. A ReplayTV foi processada por esse recurso e pela possibilidade de compartilhar programas pela internet. Os processos foram um dos fatores enfrentados pela SONICblue, então proprietária da marca, antes de a empresa pedir falência. A nova proprietária, DNNA, retirou as duas funções do último modelo ReplayTV, o 5500.
Na mesma Consumer Electronics Show de 1999 em que TiVo e ReplayTV apresentaram seus aparelhos, a Dish demonstrou a tecnologia WebTV. Alguns meses depois acrescentou funções de DVR ao DishPlayer 7100 e, mais tarde, ao 7200. O hardware era produzido pela Echostar e o software vinha da Microsoft, que depois usaria a mesma base no UltimateTV para DirecTV. TiVo, ReplayTV e DishPlayer 7100 estiveram entre os primeiros DVRs domésticos desenvolvidos e lançados comercialmente no mesmo período.
A SONICblue pediu falência depois de enfrentar processos relacionados à função de pular automaticamente comerciais e a outros recursos que eram acusados de violar direitos autorais. A Echostar processou a Microsoft em 2001 por não dar suporte adequado ao software do DishPlayer 7100 e 7200. A Dish encerrou a relação com a Microsoft, retirou esses aparelhos de sua oferta e passou a fabricar seu próprio DVR. A DirecTV também abandonou o UltimateTV da Microsoft e manteve durante algum tempo o DirecTiVo como sua única oferta de DVR.
Entre outros concorrentes nos Estados Unidos estavam os aparelhos distribuídos por Comcast e Verizon. As duas empresas usavam hardware de terceiros, incluindo Motorola e a antiga Scientific Atlanta, depois incorporada à Cisco Systems. A Verizon oferecia aparelhos adaptados à sua rede FiOS, com acesso à internet em alta velocidade e outros serviços. O TiVo podia ser usado com o serviço de televisão FiOS porque, ao chegar à residência pela rede de fibra, os canais eram convertidos para QAM segundo as especificações CableLabs empregadas pelas operadoras de cabo. O serviço IPTV da AT&T não era compatível com o TiVo.
Apesar de ter ganhado 234 mil assinantes no último trimestre de 2011, em janeiro de 2012 a TiVo tinha cerca de 2,3 milhões de assinantes nos Estados Unidos. O número estava abaixo do pico de 4,36 milhões atingido em janeiro de 2006. Em 31 de janeiro de 2016, a empresa informou ter 6,8 milhões de assinantes.

A TiVo coletava dados detalhados de uso dos aparelhos conectados à internet. Enquanto baixavam a programação, as unidades transmitiam à empresa informações sobre os hábitos de audiência da residência. Os dados incluíam o que era assistido, com horário e canal, além de comandos do controle remoto, como avanço rápido ou repetição de trechos. Muitos usuários se surpreenderam quando a TiVo divulgou quantas pessoas tinham repetido o momento em que o seio de Janet Jackson ficou exposto durante o Super Bowl XXXVIII.
A TiVo usava os dados em pesquisas próprias e também os vendia a outras empresas, entre elas anunciantes. A Nielsen e a TiVo também trabalharam juntas no acompanhamento dos hábitos de audiência. Informações desse tipo eram vendidas a agências de publicidade para informar seus clientes sobre quantas pessoas tinham visto determinados comerciais.
O sistema previa três níveis de coleta. Por padrão, o usuário ficava em uma categoria de exclusão na qual os dados eram agregados por código postal e os hábitos individuais não eram acompanhados. Certas funções opcionais e promoções exigiam consentimento, e nesse caso informações individuais podiam ser coletadas para recomendações ou publicidade direcionada. O usuário também podia pedir que a TiVo bloqueasse a coleta de informações anônimas de audiência e dados de diagnóstico do DVR.
A TiVo deteve patentes relacionadas à tecnologia de gravadores de vídeo digital, entre elas uma referente ao recurso "Time Warp". Essas patentes foram usadas em processos contra operadoras de televisão por cabo e fabricantes de DVRs concorrentes.
Em setembro de 2005, uma atualização do software TiVo acrescentou a possibilidade de emissoras sinalizarem programas para que fossem apagados depois de determinada data. Alguns clientes tiveram gravações removidas ou ficaram impossibilitados de transferir para um computador ou gravar em DVD programas sinalizados, operações que podiam fazer com conteúdo sem a marca. A aplicação inicial da restrição a programas aleatórios foi causada por um erro do software. A função passou depois a ser usada em conteúdo pay-per-view e sob demanda.
No início de 2005, a TiVo começou a testar com alguns assinantes anúncios sobrepostos como uma possível fonte adicional de receita. A ideia era mostrar uma imagem publicitária estática quando o usuário avançasse rapidamente por determinados comerciais de anunciantes da TiVo, em vez de deixar apenas o vídeo acelerado e fragmentado.
O anúncio da ideia recebeu críticas de assinantes. Alguns clientes com planos vitalícios reclamaram por terem pago por um serviço que antes não exibia publicidade dessa maneira, enquanto outros afirmaram ter comprado o TiVo justamente para evitar comerciais. Em 2007, o sistema foi alterado para que a imagem aparecesse apenas quando o usuário avançasse rapidamente por um comercial que tivesse um anúncio sobreposto correspondente.
Em 2019, alguns DVRs passaram a exibir anúncios obrigatórios antes da reprodução de programas gravados. Esses anúncios curtos, chamados de pre-roll, eram baixados pela internet, o que podia acrescentar um pequeno atraso antes do início da reprodução. A publicidade era usada em DVRs com o software TiVo Experience 4, entre eles Roamio, Bolt e Edge. As versões anteriores do software não exibiam esses anúncios.
Em 2006, a Free Software Foundation decidiu combater o mecanismo usado pelo TiVo para impedir que os proprietários executassem versões modificadas do software no aparelho.
Richard Stallman chamou essa prática de "tivoização". A questão foi abordada na terceira versão da GNU General Public License, a GPLv3, que incluiu cláusulas destinadas a impedir esse tipo de restrição em equipamentos distribuídos com software coberto pela nova licença.
O núcleo Linux do sistema operacional usado no hardware TiVo era distribuído pela GPLv2. A meta da Free Software Foundation ao alterar a licença era impedir que destinatários de programas sob GPLv3 fossem tecnicamente bloqueados pelo hardware ao tentar executar versões modificadas do software distribuído.
A TiVo reconheceu a consequência dessa mudança em um documento apresentado à SEC em abril de 2007. A empresa alertou investidores de que poderia ficar impedida de incorporar ao seu software futuras melhorias do sistema GNU/Linux, o que poderia afetar seus negócios.
Em setembro de 2020, a Comissão Federal de Comunicações eliminou as regras que obrigavam determinadas operadoras de cabo a prestar suporte ao CableCARD e a enviar relatórios sobre sua implantação. A agência concluiu que essas exigências já não tinham utilidade diante das mudanças no mercado de equipamentos para televisão por assinatura. As operadoras podiam continuar oferecendo CableCARD, mas os proprietários de aparelhos TiVo deixaram de contar com uma obrigação regulatória que garantisse esse suporte.
O TiVo foi citado ou mostrado repetidas vezes em filmes e programas de televisão. Seu mascote também protagonizou o curta-metragem The Tivo, de 2009, dirigido por Adam Green e produzido pela ArieScope Pictures.