| John Maynard Keynes | |
|---|---|
| O Lorde Keynes | |
Keynes em 1929, período em que examinava as relações entre moeda, investimento e emprego. | |
| Nascimento | 5 de junho de 1883 Cambridge, Cambridgeshire, Inglaterra |
| Morte | 21 de abril de 1946 (62 anos) Firle, Sussex, Inglaterra |
| Nacionalidade | britânica |
| Progenitores | Mãe: Florence Ada Keynes Pai: John Neville Keynes |
| Cônjuge | Lydia Lopokova (c. 1925) |
| Alma mater | King's College, Cambridge |
| Ocupação | Economista e funcionário público |
| Partido | Partido Liberal |
| Câmara dos Lordes | Membro de 7 de julho de 1942 a 21 de abril de 1946. O título de barão foi criado para Keynes e extinto com sua morte. |
| Distinções | Companheiro da Ordem do Banho e membro da Academia Britânica |
| Influências | |
| Escola/tradição | Escola keynesiana |
| Ideias notáveis | Macroeconomia Escola keynesiana Preferência pela liquidez Efeito multiplicador Modelo OA/DA Economia do lado da demanda |
| Religião | Agnóstico |
| Carreira científica | |
| Orientador | Alfred North Whitehead e William Ernest Johnson |
| Orientado | Frank P. Ramsey, Richard Kahn, Lorie Tarshis e D. G. Champernowne |
| Instituições e locais de trabalho | King's College, Cambridge |
| Campo(s) | Economia política e teoria das probabilidades |
| Assinatura | |
John Maynard Keynes, 1.º barão Keynes (Cambridge, 5 de junho de 1883 – Firle, 21 de abril de 1946; pronúncia inglesa: /ˈkeɪnz/) foi um economista inglês cujos escritos deram origem à escola keynesiana e a suas ramificações. Formado em matemática, retomou e aperfeiçoou trabalhos anteriores sobre as causas dos ciclos econômicos. Suas ideias tiveram novos desdobramentos na nova economia keynesiana e integram os fundamentos da macroeconomia contemporânea. Keynes foi chamado de "pai da macroeconomia" e figura entre os economistas mais influentes do século XX.
Keynes estudou no King's College da Universidade de Cambridge, onde se formou em matemática em 1904. Durante a Grande Depressão, contestou a ideia neoclássica de que os mercados livres voltariam automaticamente ao pleno emprego no curto ou médio prazo se os trabalhadores aceitassem ajustes salariais. Para ele, o nível de atividade dependia da demanda agregada, e sua insuficiência podia manter o desemprego elevado por muito tempo. Como os salários e custos do trabalho resistem a reduções, a economia não retornaria necessariamente ao pleno emprego sem intervenção. Defendeu o uso das políticas fiscal e monetária para atenuar recessões e depressões. Após a crise de 1929, passou a criticar os pressupostos da vantagem comparativa e a defender medidas protecionistas. Essas ideias foram expostas em A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, publicada em 1936. Keynes chefiou a delegação britânica nas negociações que criaram as instituições econômicas internacionais do pós-guerra, embora as propostas dos Estados Unidos tenham prevalecido em diversos pontos.
Sua influência sobre a política econômica diminuiu na década de 1970, em meio à estagflação no Reino Unido e nos Estados Unidos e às críticas de Milton Friedman e outros monetaristas à capacidade dos governos de regular os ciclos econômicos por meio da política fiscal. A crise financeira de 2008 trouxe um novo interesse pela economia keynesiana, que serviu de base teórica para políticas adotadas pelos governos de Barack Obama, Gordon Brown e outros dirigentes.
Em 1999, a revista Time incluiu Keynes na lista das personalidades mais importantes do século XX e afirmou que sua proposta de os governos gastarem recursos que não possuíam talvez tivesse salvado o capitalismo. The Economist chamou-o de "o economista britânico mais famoso do século XX". Keynes também trabalhou no serviço público, integrou a diretoria do Banco da Inglaterra e participou do Grupo de Bloomsbury.

John Maynard Keynes nasceu em Cambridge, na Inglaterra, em 5 de junho de 1883, numa família de classe média alta. Seu pai, John Neville Keynes, era economista e professor de ciências morais na Universidade de Cambridge. Sua mãe, Florence Ada Keynes, foi uma reformadora social e se tornou a segunda mulher a ocupar a prefeitura da cidade. Primogênito, Keynes tinha dois irmãos: Margaret Neville Keynes, nascida em 1885, e Geoffrey Keynes, nascido em 1887. Geoffrey tornou-se cirurgião, e Margaret casou-se com o fisiologista laureado com o Nobel Archibald Hill.
Segundo Geoffrey, os pais eram afetuosos e atenciosos. Frequentavam uma igreja congregacional:14 e viveram sempre na mesma casa, à qual os filhos podiam voltar. O pai deu a Keynes apoio considerável: preparou-o para os exames de bolsas de estudo e o ajudou financeiramente tanto na juventude quanto em 1929, quando a Grande Depressão quase acabou com seus bens. Florence fazia seus os interesses dos filhos. Nas palavras de Skidelsky, como ela crescia com eles, eles nunca deixaram de se sentir em casa.:14
O pai publicou The Scope and Method of Political Economy em 1890, obra de metodologia econômica. Florence Ada Keynes escreveu livros, participou das reformas sociais da cidade e foi eleita prefeita de Cambridge em 1932. Segundo a pesquisa genealógica relatada por Robert Skidelsky, o sobrenome da família remontaria a Cahagnes, na Normandia; Keynes associava seus antepassados a William de Cahagnes, que teria acompanhado Guilherme, o Conquistador. Essas origens familiares são apresentadas como hipóteses genealógicas, não como fatos demonstrados.
Em janeiro de 1889, aos cinco anos e meio, Keynes começou a frequentar o jardim de infância da Perse School for Girls cinco manhãs por semana. Logo revelou talento para a aritmética, mas a saúde frágil causou várias ausências prolongadas. Em casa, foi ensinado por sua mãe e pela preceptora Beatrice Mackintosh. Em janeiro de 1892, aos oito anos e meio, tornou-se aluno externo da escola preparatória St Faith's. Em 1894, liderava a turma e se destacava em matemática. Dois anos depois, o diretor Ralph Goodchild afirmou que Keynes estava muito à frente dos demais meninos e que tinha condições de obter uma bolsa para Eton.
Em 1897, Keynes obteve uma bolsa de estudos para o Eton College, onde se destacou em matemática, estudos clássicos e história. Em 1901, recebeu o prêmio Tomline de matemática. Em Eton, viveu o primeiro "amor de sua vida" com Dan Macmillan, irmão mais velho do futuro primeiro-ministro Harold Macmillan.:27 Apesar de sua origem de classe média, convivia com facilidade com os colegas da classe alta.
Em 1902, Keynes deixou Eton e ingressou no King's College, Cambridge, com uma bolsa para estudar matemática. Alfred Marshall insistia para que se tornasse economista, mas Keynes se interessava sobretudo por filosofia, especialmente pela ética de G. E. Moore. Foi eleito para o University Pitt Club:52–81 e participou ativamente dos Apóstolos de Cambridge, sociedade de debates semissecreta que reunia alguns dos alunos mais brilhantes. Manteve seus vínculos com o grupo depois da graduação e compareceu ocasionalmente às reuniões pelo resto da vida. Presidiu a Cambridge Union Society e o Cambridge University Liberal Club. Era considerado ateu.

Em maio de 1904, Keynes concluiu o bacharelado em matemática com distinção. Continuou ligado à universidade nos dois anos seguintes, salvo por alguns meses de férias com familiares e amigos. Participou de debates, aprofundou seus estudos de filosofia e assistiu informalmente, durante um semestre, a aulas de economia como aluno graduado. Essa foi toda a sua formação acadêmica formal na disciplina. Em 1906, prestou os exames para ingressar no serviço público.
O economista Harry Johnson escreveu que o otimismo que marcou a juventude de Keynes é uma chave para entender seu pensamento posterior. Keynes sempre confiou que poderia encontrar uma solução para qualquer problema a que dedicasse sua atenção e manteve uma fé duradoura na capacidade dos funcionários do governo de fazer o bem. O otimismo de Keynes também era cultural, em dois sentidos: ele era da última geração formada por um império ainda no auge de seu poder e também era da última geração que se sentia autorizado a governar pela cultura, em vez de pela experiência. De acordo com Skidelsky, o senso de unidade cultural vigente na Grã-Bretanha do século XIX até o final da Primeira Guerra Mundial forneceu uma estrutura com a qual os bem educados poderiam definir várias esferas de conhecimento em relação uns aos outros e à vida, permitindo-lhes recorrer com confiança a diferentes áreas ao abordar problemas práticos. :146–147
| Parte de uma série sobre |
| Capitalismo |
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Em outubro de 1906, Keynes começou sua carreira no serviço público como secretário no India Office. Ele gostou de seu trabalho no início, mas em 1908 se entediou e renunciou a sua posição para voltar a Cambridge e trabalhar na Teoria da probabilidade, por meio de um cargo de professor de economia inicialmente financiada pessoalmente pelos economistas Alfred Marshall e Arthur Pigou. Tornou-se membro do King's College em 1909.
Em 1909 Keynes também publicou seu primeiro artigo de economia profissional em The Economic Journal, sobre o efeito de uma recente recessão econômica global na Índia. Ele fundou o Clube de Economia Política, um grupo de discussão semanal. Os ganhos de Keynes aumentaram ainda mais quando ele começou a receber alunos para aulas particulares.
Em 1911 Keynes foi feito editor de The Economic Journal. Em 1913, ele publicou seu primeiro livro, Indian Currency and Finance Nesse livro, Keynes analisou em grande detalhe os arranjos monetários da Índia, a partir do final do século XIX. A rúpia circulava em moedas de prata; em 1893, o governo fixou a aceitação da libra soberana de ouro à taxa de 15 rúpias por libra e autorizou a emissão de notas em troca de ouro nessa proporção. Keynes examinou o funcionamento desse arranjo e defendeu a manutenção de um padrão de câmbio-ouro, com reservas e mecanismos de remessa para preservar a estabilidade da rúpia.
Ele foi então nomeado para a Comissão Real de Moedas e Finanças Indígenas, mesmo tópico que seu livro, onde Keynes aplicou a teoria econômica a problemas práticos. Seu trabalho escrito foi publicado sob o nome de "J M Keynes", embora para sua família e amigos ele fosse conhecido como Maynard. (Seu pai, John Neville Keynes, também era sempre conhecido por seu segundo nome).

O Governo britânico invocou a experiência de Keynes durante a Primeira Guerra Mundial. Embora não voltasse formalmente ao serviço público em 1914, Keynes viajou para Londres a pedido do governo alguns dias antes do início das hostilidades. Banqueiros defendiam a suspensão da conversibilidade das notas bancárias em ouro. Com a ajuda de Keynes, o Chanceler do Tesouro David Lloyd George foi persuadido a não interromper os pagamentos antes de uma necessidade efetiva, para preservar a reputação financeira de Londres.
Em janeiro de 1915, Keynes assumiu uma posição oficial no Tesouro. Entre suas responsabilidades estavam a elaboração de termos de crédito entre a Grã-Bretanha e seus aliados continentais durante a guerra e a aquisição de moedas escassas. De acordo com o economista Robert Lekachman, o "nervo e o domínio de Keynes se tornaram lendários" por causa do desempenho desses deveres, como no caso em que ele conseguiu reunir um suprimento de Peseta espanhola.
O secretário do Tesouro ficou encantado de ouvir que Keynes tinha acumulado o suficiente para fornecer uma solução temporária para o Governo britânico. Mas Keynes não entregou as pesetas, escolhendo em vez disso vendê-las todas para quebrar o mercado: sua audacia deu certo, pois as pesetas então se tornaram muito menos escassas e caras.
No Tesouro, Keynes e o chanceler Reginald McKenna resistiram à ampliação do contingente britânico na frente francesa por meio da conscrição. Argumentavam que retirar trabalhadores da produção aumentaria a dependência financeira do Reino Unido em relação aos Estados Unidos e que obrigar cidadãos a arriscar a vida contrariava um princípio liberal. Keynes cogitou deixar o cargo quando o governo adotou a mobilização mais ampla, mas permaneceu. Em maio de 1917, passou a chefiar a divisão responsável pelo financiamento externo.
Quando a conscrição militar foi instituída em 1916, Keynes pediu dispensa como objetor de consciência. A dispensa foi concedida sob a condição de que continuasse seu trabalho para o governo.
Nas honrarias de aniversário do rei de 1917, Keynes foi nomeado Companheiro da Ordem do Banho por seu trabalho em tempo de guerra, e seu sucesso levou à nomeação que teve um enorme efeito na vida e carreira de Keynes; Keynes foi designado representante financeiro do Tesouro para a Conferência de paz de Versalhes de 1919. Ele também foi nomeado Oficial da Ordem Belga de Leopoldo.

A experiência de Keynes em Versalhes influenciou sua visão posterior, embora ele não tenha conseguido impor suas propostas. Procurou evitar que as reparações da Primeira Guerra Mundial fossem fixadas em valor tão alto que prejudicassem a população e a capacidade de pagamento da Alemanha, limitando suas importações e afetando a economia internacional.:225–232
Infelizmente para Keynes, os poderes conservadores na coalizão que surgiu da eleição de 1918 foram capazes de garantir que tanto o próprio Keynes quanto o Tesouro fossem amplamente excluídos de negociações formais de alto nível sobre reparações. Seu lugar foi tomado pelos Heavenly Twins, juiz Lord Sumner e o banqueiro Lord Cunliffe, cujo apelido deriva da compensação de guerra "astronômica" alta que eles queriam exigir da Alemanha. Keynes foi forçado a tentar exercer influência principalmente por trás dos bastidores.
Os três principais atores nas conferências de Paris foram o britânico Lloyd George, o francês Georges Clemenceau e o presidente americano Woodrow Wilson. Foi apenas Lloyd George a quem Keynes teve muito acesso direto; até a eleição de 1918 ele tinha alguma simpatia com a visão de Keynes, mas enquanto estava fazendo campanha descobriu que seus discursos eram bem recebidos pelo público apenas se ele prometesse punir duramente a Alemanha, e, portanto, havia comprometido sua delegação a extrair altos pagamentos.
Lloyd George, no entanto, ganhou alguma lealdade de Keynes com suas ações na conferência de Paris, intervindo junto aos franceses para garantir o envio de suprimentos de alimentos muito necessários para os civis alemães. Clemenceau também pressionou por reparações substanciais, embora não tão elevadas quanto as propostas pelos britânicos, enquanto por razões de segurança, a França argumentou por um acordo ainda mais severo do que a Grã-Bretanha.:225–232
Wilson inicialmente defendia condições relativamente brandas para a Alemanha: temia que exigências excessivas favorecessem o extremismo e queria preservar os recursos necessários às importações alemãs. Para consternação de Keynes, Lloyd George e Clemenceau o convenceram a incluir pensões na conta das reparações.:225–232
No final da conferência, Keynes apresentou um plano que, segundo ele, não só ajudaria a Alemanha e outras potências pobres da Europa Central, mas também seria bom para a economia mundial como um todo. Implicou a redução radical das dívidas de guerra, que teria tido o possível efeito de aumentar o comércio internacional em todos os lados, mas ao mesmo tempo lançou mais de dois terços do custo da reconstrução europeia nos Estados Unidos. :225–232
Lloyd George concordou que poderia ser aceitável para o eleitorado britânico. No entanto, os Estados Unidos estavam contra o plano; os EUA eram então o maior credor, e por esse tempo Wilson tinha começado a acreditar nos méritos de uma dura paz e pensava que seu país já havia feito sacrifícios excessivos. Portanto, apesar de seus melhores esforços, o resultado da conferência foi um tratado que desagradou Keynes tanto por motivos morais quanto econômicos e levou à sua renúncia do Tesouro. :231–235

Em junho de 1919, ele recusou uma oferta para se tornar presidente do British Bank of Northern Commerce, um emprego que prometeu um salário de £ 2.000 em troca de uma manhã por semana de trabalho. :234
A análise de Keynes sobre os efeitos prejudiciais previstos do tratado apareceu no livro altamente influente, The Economic Consequences of the Peace, publicado em 1919. A obra foi descrita como um de seus melhores livros, no qual reuniu análise econômica e apelos à compaixão do leitor::209
Não posso encerrar este assunto como se tratá-lo com justiça dependesse apenas de nossas promessas ou dos fatos econômicos. A política de reduzir a Alemanha à servidão por uma geração, de degradar a vida de milhões de pessoas e de privar de felicidade uma nação inteira deve ser abominável e detestável — abominável e detestável mesmo que fosse possível, mesmo que nos enriquecesse, mesmo que não semeasse a decadência de toda a vida civilizada da Europa.
, Keynes
O livro também trazia imagens marcantes, como a Alemanha mantida pobre ano após ano e suas crianças famintas e debilitadas, além de previsões ousadas cuja interpretação histórica continua em debate: :251
Se visarmos deliberadamente ao empobrecimento da Europa Central, a vingança, ouso prever, não tardará. Nada então poderá adiar por muito tempo a guerra final entre as forças da Reação e as convulsões desesperadas da Revolução, diante da qual os horrores da recente guerra com a Alemanha parecerão insignificantes.
, Keynes
Os seguidores de Keynes afirmam que suas previsões de desastre foram confirmadas quando a economia alemã sofreu a hiperinflação de 1923, e novamente pelo colapso da República de Weimar e o surgimento da Segunda Guerra Mundial. No entanto, a historiadora Ruth Henig afirma que "a maioria dos historiadores da conferência de paz de Paris considera hoje que, em termos econômicos, o tratado não foi excessivamente severo para a Alemanha. Embora obrigações e reparações tenham recebido muita atenção nos debates em Paris, para satisfazer os eleitores que liam os jornais, a intenção discreta era oferecer à Alemanha ajuda substancial para pagar suas contas e atender a muitas de suas objeções mediante mudanças na aplicação prática do cronograma de reparações".
Uma avaliação publicada pelo Fundo Monetário Internacional em 2024 observa que Keynes provavelmente subestimou a capacidade alemã de pagar, mas identificou as consequências políticas de tentar impor pagamentos elevados.

Apenas uma parte das reparações originalmente previstas foi paga. O historiador Stephen A. Schuker mostrou que, no conjunto do período entreguerras, a entrada de capitais americanos na Alemanha superou os pagamentos alemães de reparações. Em estimativa sujeita a incertezas, calculou que as perdas dos investidores americanos ao longo da República de Weimar podem ter alcançado, em valores ajustados, quase quatro vezes a ajuda oferecida pelo governo dos Estados Unidos à Alemanha Ocidental sob o Plano Marshall entre 1948 e 1952.
Em estudo posterior, Schuker argumentou que Keynes colaborou informalmente com representantes alemães na questão das reparações, ajudou a redigir uma nota alemã de junho de 1923 e apoiou por motivos políticos a resistência passiva no Ruhr, apesar dos efeitos dessa política sobre a moeda e a hiperinflação. Essa é a interpretação do historiador sobre a atuação de Keynes, não uma avaliação consensual das causas da hiperinflação. Com The Economic Consequences of the Peace, Keynes ganhou fama internacional, mas passou a ser visto como anti-establishment. Só depois do início da Segunda Guerra Mundial recebeu a oferta de integrar a direção de um grande banco britânico ou de voltar ao governo num cargo formal que considerasse aceitável. Antes disso, influenciava decisões por meio de contatos, publicações, comissões governamentais e reuniões de política econômica das quais participava como consultor.:593–598
A recepção de The Economic Consequences of the Peace suscitou respostas que divergiam de sua avaliação econômica e de suas consequências políticas. Em Les Conséquences politiques de la paix (1920), o historiador francês Jacques Bainville contestou a segurança oferecida pelo tratado, enquanto Étienne Mantoux, em The Carthaginian Peace, or the Economic Consequences of Mr. Keynes (publicado postumamente em 1946), examinou criticamente as previsões econômicas de Keynes.

Além dos artigos que vendia à imprensa, Keynes participou da compra de The Nation da família Rowntree no fim de 1922. Usou o semanário liberal como espaço para discutir política monetária e as escolhas econômicas do partido. Contribuiu para o relatório Britain's Industrial Future, conhecido como Yellow Book, divulgado pelos liberais em 1928, e escreveu com Hubert Henderson o panfleto Can Lloyd George Do It? em defesa das propostas de combate ao desemprego do partido. Depois da fusão de The Nation com o New Statesman, continuou a colaborar com a nova revista. Esse trabalho jornalístico também incluiu textos para o Manchester Guardian, o Evening Standard e The Times.
Keynes concluiu A Treatise on Probability antes da Primeira Guerra Mundial, mas só publicou a obra em 1921.:283 O livro contribuiu para os fundamentos filosóficos e matemáticos da teoria das probabilidades ao defender que as probabilidades são graus de verdade entre o verdadeiro e o falso. Nos capítulos 15 e 17, Keynes formulou uma abordagem por intervalos com limites superior e inferior. No capítulo 26, propôs uma forma de ponderar decisões por meio de seu coeficiente convencional de risco e peso, c. Na década de 1920, além da atividade acadêmica, trabalhou como jornalista, vendeu artigos no exterior e atuou como consultor financeiro em Londres. Em 1924, escreveu um obituário de seu antigo professor Alfred Marshall que Joseph Schumpeter chamou de "a mais brilhante biografia de um cientista que já li". Mary Paley Marshall ficou encantada com a homenagem, e Lytton Strachey a considerou um dos melhores trabalhos de Keynes.:342
Em 1922, Keynes voltou a defender a redução das reparações alemãs em A Revision of the Treaty. :245 Ele atacou as políticas de deflação pós-I Guerra Mundial com A Tract on Monetary Reform em 1923:329, um argumento em favor da estabilidade dos preços internos, mesmo que evitar a deflação exigisse a depreciação da moeda. O Reino Unido teve desemprego elevado durante boa parte da década de 1920, o que levou Keynes a recomendar a depreciação da libra esterlina para aumentar o emprego, tornando as exportações britânicas mais acessíveis. A partir de 1924 ele também defendeu uma resposta fiscal, onde o governo poderia criar empregos gastando em obras públicas. :343–344 Na década de 1920, suas propostas de estímulo tiveram efeito limitado sobre os formuladores de políticas e a opinião acadêmica predominante. Segundo Hyman Minsky, uma razão foi que, nessa época, sua justificação teórica era "confusa". O Tract também havia pedido o fim do padrão ouro. Keynes aconselhou que já não era um benefício líquido para países como a Grã-Bretanha participar no padrão ouro, pois era contrário à necessidade de autonomia de política interna. Poderia forçar os países a seguirem políticas deflacionárias no mesmo momento em que se exigiram medidas de expansão para combater o aumento do desemprego. O Tesouro e o Banco da Inglaterra ainda estavam a favor do padrão ouro e em 1925 conseguiram convencer o então chanceler Winston Churchill a restabelecê-lo, o que teve um efeito deprimente na indústria britânica. Keynes respondeu escrevendo The Economic Consequences of Mr. Churchill e continuou a argumentar contra o padrão de ouro até que a Grã-Bretanha finalmente abandonou em 1931.:352–355
A Treatise on Money divide-se em dois volumes, The Pure Theory of Money e The Applied Theory of Money. O primeiro apresenta conceitos monetários e a formulação teórica; o segundo examina indicadores empíricos e instituições. Keynes, que participava do Comitê Macmillan enquanto concluía o livro, logo se mostrou insatisfeito por não ter explicado de maneira convincente como se determina o nível de produção. O problema orientou o trabalho que levaria à Teoria Geral.
A publicação do Treatise foi discutida no chamado Cambridge Circus, grupo que reunia Richard Kahn, Joan Robinson, Austin Robinson, James Meade, Piero Sraffa e outros economistas. Keynes iniciou a redação sistemática de The General Theory of Employment, Interest and Money no começo de 1932 e concluiu um primeiro rascunho em 1934. Apresentou versões do manuscrito a Roy Harrod, Ralph Hawtrey e Dennis Robertson. Nesse período, a fusão de The Nation com o New Statesman reduziu sua influência direta sobre a revista, então editada por Kingsley Martin.

Keynes tinha começado um trabalho teórico para examinar a relação entre desemprego, dinheiro e preços na década de 1920. O trabalho, Treatise on Money, foi publicado em 1930 em dois volumes. Uma ideia central do trabalho foi que se a quantidade de dinheiro poupado exceder a quantidade investida, que pode acontecer se as taxas de juros forem muito altas, então o desemprego aumentará. Isto é, em parte, resultado da não vontade das pessoas de gastar uma proporção muito elevada do que os empregadores pagam, dificultando, no geral, que os empregadores obtenham lucros. Outro tema chave do livro é a falta de confiabilidade dos Indices financeiros para representar uma indicação precisa, ou realmente significativa, das mudanças gerais no poder de compra das moedas ao longo do tempo. Em particular, criticou a justificação do retorno da Grã-Bretanha ao padrão-ouro em 1925 na avaliação pré-guerra com referência ao Índice de preços no atacado. Ele alegou que o índice subestimou os efeitos das alterações nos custos dos serviços e da mão de obra.
Keynes foi profundamente crítico com as medidas de austeridade do governo britânico durante a Grande Depressão. Ele acreditava que os déficits orçamentais durante as recessões eram uma coisa boa e um produto natural de uma recessão econômica. Ele escreveu: "Para o governo, o empréstimo de um tipo ou outro é o remédio da natureza, por assim dizer, para evitar que perdas comerciais sejam, em uma crise tão severa como a atual, tão grande para que a produção pare completamente".
No auge da Grande Depressão, em 1933, Keynes publicou The Means to Prosperity, que continha recomendações políticas específicas para combater o desemprego em uma recessão global, principalmente gastos públicos contracíclicos. The Means to Prosperity contém uma das primeiras menções do efeito multiplicador. Embora fosse dirigido principalmente ao Governo britânico, também continha conselhos para outras nações afetadas pela recessão global. Uma cópia foi enviada ao recém-eleito presidente Franklin D. Roosevelt e a outros líderes mundiais. O trabalho foi levado a sério tanto pelos governos americano quanto britânico, e de acordo com Robert Skidelsky, ajudou a abrir caminho para a aceitação posterior das ideias keynesianas, embora tenha tido pouca influência prática imediata. Na Conferência Económica de Londres em julho de 1933, as opiniões permaneceram muito diversas para um curso de ação unificado para ser acordado. :490–500
Em uma palestra em Dublin em março de 1933, Keynes tinha ensaiado dois temas críticos do que ele descreveu como "capitalismo internacional decadente, mas individualista", e sobre o qual ele mais tarde iria elaborar em The General Theory:
Em oposição a esse "cálculo financeiro autodestrutivo", a Suécia e a Alemanha adotaram políticas de reflacionamento. A Suécia, porém, era considerada pequena demais para atrair muita atenção. Keynes evitou mencionar o êxito dos gastos deficitários com armamentos na Alemanha nazista, pois rejeitava as ambições imperialistas do regime e a perseguição aos judeus. :500–504
Além da Grã-Bretanha, Keynes concentrou sua atenção nos Estados Unidos. Em 1931, encontrou apoio considerável para a ideia de gastos públicos contracíclicos em Chicago, então o principal centro norte-americano de pensamento econômico alternativo ao dominante. A opinião econômica ortodoxa, contudo, permaneceu em geral contrária à intervenção fiscal para amenizar a depressão até pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial. No fim de 1933, Felix Frankfurter convenceu Keynes a se dirigir diretamente ao presidente Roosevelt. Keynes lhe escreveu e o encontrou em 1934; os dois passaram a falar bem um do outro. Segundo Skidelsky, porém, as propostas de Keynes só começaram a ter mais do que uma influência marginal na política econômica dos Estados Unidos após 1939.:506–509 :507
A obra principal de Keynes, A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, foi publicada em 1936. A pesquisa e a preparação do índice ficaram a cargo de David Bensusan-Butt, um de seus alunos preferidos e futuro economista. O livro ofereceu uma fundamentação teórica para as políticas intervencionistas que Keynes defendia em resposta às recessões. No prefácio, ele afirmou que as aplicações práticas eram apenas uma preocupação secundária da obra, mas as circunstâncias da década de 1930 deram às suas propostas grande influência. Keynes já havia descrito a inflação como um meio pelo qual o governo transfere poder de compra para si em A Tract on Monetary Reform (1923). Nessa obra, defendia a estabilidade do poder aquisitivo interno e advertia tanto contra a inflação quanto contra a deflação. A Teoria Geral contestou o paradigma da economia neoclássica, segundo o qual um mercado sem intervenção governamental tenderia naturalmente ao equilíbrio com pleno emprego. Keynes divergia, assim, de seus antigos professores Marshall e Pigou. Considerava a teoria clássica um "caso especial", aplicável apenas a certas condições do século XIX, ao passo que a sua teoria seria geral. Keynes criticou a versão da lei de Say que formulou como "a oferta cria sua própria demanda"; historiadores do pensamento econômico distinguem essa formulação da argumentação original de Jean-Baptiste Say. Ele também contestou a ideia de que a redução de salários, por si só, garantiria o pleno emprego.
Keynes examinou a rigidez dos preços e salários e argumentou que mesmo uma redução dos salários nominais não garantiria o retorno ao pleno emprego. A insuficiência de gastos poderia, portanto, manter um equilíbrio com desemprego, situação na qual Keynes atribuía ao Estado um papel para reativar a economia. Para ele, a demanda impulsiona a oferta, e não o inverso. Keynes questionou a lei de Say perguntando o que ocorreria se as pessoas poupassem a renda recebida em vez de gastá-la. A consequência poderia ser uma recessão. Uma queda dos juros poderia estimular o consumo e o investimento, mas a poupança também poderia se acumular sem que houvesse demanda suficiente por empréstimos. Nesse caso, Keynes não considerava garantido que juros menores levassem automaticamente a novos gastos e investimentos.

A Teoria Geral sustenta que a demanda, e não a oferta, determina o nível geral da atividade econômica. Na apresentação simplificada da Teoria Geral, a demanda agregada reúne os gastos de consumo e investimento. Quando há desemprego e capacidade produtiva ociosa, o emprego e a renda total podem crescer se primeiro aumentarem os gastos de consumo ou investimento. Sem intervenção do governo para elevar os gastos, a economia pode permanecer num equilíbrio com baixo emprego. A demonstração dessa possibilidade foi considerada a principal contribuição teórica da obra.:528–538 O livro defendia políticas públicas ativas para estimular a demanda em períodos de alto desemprego, por exemplo mediante obras públicas. "Levantemo-nos e ajamos, usando nossos recursos ociosos para aumentar nossa riqueza", escreveu Keynes em 1928. "Com homens e fábricas desempregados, é ridículo dizer que não podemos pagar por esses novos empreendimentos. É precisamente com essas fábricas e esses homens que poderemos pagá-los."
A Teoria Geral é muitas vezes visto como a base da macroeconomia moderna. Poucos economistas americanos de alto escalão concordaram com Keynes durante a maior parte da década de 1930. No entanto, suas ideias logo alcançaram aceitação generalizada, com eminentes professores americanos como Alvin Hansen concordando com a Teoria Geral antes do início da Segunda Guerra Mundial.
O próprio Keynes teve apenas uma participação limitada nos debates teóricos que se seguiram à publicação da Teoria Geral quando sofreu um ataque cardíaco em 1937, exigindo que ele tomasse longos períodos de descanso. Entre outros, Hyman Minsky e economistas pós-keynesianos argumentaram que, como resultado, as ideias de Keynes foram diluídas por aqueles que desejam fazer concessões com economistas clássicos ou para tornar seus conceitos com modelos matemáticos como o Modelo IS-LM (que, argumentam, distorcem as ideias do Keynes). Keynes começou a se recuperar em 1939, mas pelo resto de sua vida suas energias profissionais foram direcionadas em grande parte para o lado prático da economia: os problemas de garantir a alocação ótima dos recursos para os esforços de guerra, negociações pós-guerra com a América, e a nova ordem financeira internacional que foi apresentada na Conferência de Bretton Woods.
Na Teoria Geral e em trabalhos posteriores, Keynes respondeu aos socialistas que atribuíam as guerras ao capitalismo, sobretudo durante a Grande Depressão. Argumentou que o capitalismo administrado em âmbito nacional e internacional, com políticas keynesianas coordenadas, um sistema monetário que não opusesse os interesses dos países e um alto grau de liberdade comercial, poderia favorecer a paz. Seus planos para a organização econômica do pós-guerra contribuíram diretamente para as negociações que criaram o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial em Bretton Woods. A cooperação comercial do pós-guerra tomou forma posteriormente no Acordo Geral de Tarifas e Comércio, do qual se originou a Organização Mundial do Comércio.
Embora críticos da Escola de Chicago tenham visto suas propostas como uma defesa de gastos públicos irresponsáveis financiados por empréstimos, Keynes valorizava orçamentos equilibrados e tratava os programas de obras públicas durante a Grande Depressão como resposta excepcional a circunstâncias excepcionais.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Keynes argumentou em How to Pay for the War, publicado em 1940, que o esforço de guerra deveria ser financiado sobretudo por impostos mais altos e por poupança obrigatória, na prática empréstimos dos trabalhadores ao governo, em vez de gastos deficitários, para evitar a inflação. A poupança obrigatória reduziria a demanda interna, liberaria recursos para a guerra e seria mais justa do que impostos punitivos. Após a guerra, a devolução dessas economias também ajudaria a sustentar a demanda. Em setembro de 1941, Keynes foi indicado para uma vaga na diretoria do Banco da Inglaterra e assumiu o mandato completo em abril do ano seguinte. Em junho de 1942, recebeu um título hereditário de barão nas honrarias de aniversário do rei. Em 7 de julho, seu título foi publicado na The London Gazette como "Barão Keynes, de Tilton, no condado de Sussex". Ele tomou assento na Câmara dos Lordes pela bancada do Partido Liberal.
Keynes voltou a colaborar com o Tesouro de modo voluntário em agosto de 1940 e participou da elaboração do orçamento de 1941. Quando William Beveridge apresentou seu plano de seguridade social em 1942, Keynes conseguiu formar, com Lionel Robbins e um atuário, um grupo para examinar como financiá-lo. Durante a guerra, seus trabalhos no Tesouro combinaram o financiamento imediato do conflito com as negociações sobre a ordem econômica do pós-guerra.
Como a vitória dos Aliados começou a parecer certa, Keynes estava fortemente envolvido, como líder da delegação britânica e presidente da comissão do Banco Mundial, nas negociações de meados de 1944 que estabeleceram o Sistema de Bretton Woods. O plano Keynes, relativo a uma união internacional de compensação, defendeu um sistema radical para a gestão de moedas. Ele propôs a criação de uma unidade mundial comum de moeda, o Bancor e de uma união internacional de compensação que administraria os saldos entre os países. Keynes previu essas instituições como gerenciando um sistema de comércio e pagamentos internacionais com fortes incentivos para os países evitarem déficits ou excedentes comerciais substanciais. A maior força de negociação dos EUA, no entanto, significou que os resultados concordavam mais com os planos mais conservadores de Harry Dexter White. Na avaliação retrospectiva do economista J. Bradford DeLong, acontecimentos posteriores confirmaram várias das preocupações de Keynes que haviam sido preteridas nas negociações.
As duas novas instituições, mais tarde conhecidas como Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI), foram fundadas como um compromisso que reflete principalmente a visão americana. O acordo não adotou a disciplina simétrica dos países superavitários que Keynes propunha. Previu, porém, uma cláusula para situações em que a moeda de um país com superávit se tornasse escassa, permitindo ao FMI autorizar restrições limitadas às importações provenientes desse país. Em regra, Keynes temia que o ajuste continuasse a pesar sobre os países deficitários, com custos econômicos para suas populações. No entanto, Keynes ainda estava satisfeito ao aceitar o acordo final, dizendo que se as instituições permanecerem fiéis aos seus princípios fundadores, "a fraternidade do homem se tornará mais do que uma frase".

Após a guerra, Keynes continuou a representar o Reino Unido nas negociações internacionais, apesar da piora de sua saúde. Conseguiu condições preferenciais dos Estados Unidos para novos empréstimos e dívidas existentes, a fim de facilitar a reconstrução da economia britânica.
Henry Clay, professor de economia social e conselheiro do Banco da Inglaterra, relatou posteriormente uma conversa que teve com Keynes em abril de 1946. Clay disse que Keynes esperava que a "mão invisível" de Adam Smith ajudasse a Grã-Bretanha a superar suas dificuldades econômicas. Segundo ele, Keynes afirmou: "Cada vez mais conto com a mão invisível, que tentei expulsar do pensamento econômico há vinte anos, para resolver nossos problemas". A frase foi atribuída a Keynes por Clay, e não consta de um texto publicado pelo próprio economista.

A influência de Principia Ethica, de George Edward Moore, ia além das relações pessoais de Keynes. Moore atribuía valor intrínseco a determinados estados de espírito, entre eles as relações humanas e a apreciação da beleza, e recusava reduzir o bem ao prazer calculável do utilitarismo de Jeremy Bentham. Keynes conservou a distinção entre os fins da vida e os meios materiais para alcançá-los. Ao mesmo tempo, não aceitava que, diante da dificuldade de prever as consequências dos atos, restasse apenas seguir costumes e instituições já estabelecidos. Seu estudo das probabilidades se relacionava à pergunta sobre como agir de maneira razoável sob conhecimento incompleto.
Keynes começou a tratar da probabilidade em um trabalho lido aos Apóstolos de Cambridge em 1904 e voltou ao tema nos textos apresentados para obter uma bolsa acadêmica no King's College. Em A Treatise on Probability, publicado em 1921, rejeitou a identificação da probabilidade apenas com a frequência observada dos acontecimentos e procurou situá-la no campo da lógica: ela exprimia uma relação entre evidências e conclusões que pode justificar graus de crença racional. Frank P. Ramsey e Ludwig Wittgenstein contestaram aspectos de sua abordagem. A incerteza e os limites do conhecimento também se tornariam questões centrais de seus escritos econômicos.
Em 1904, Keynes também escreveu um estudo sobre Edmund Burke. Mais tarde, em The End of Laissez-Faire, examinou como o livre mercado adquiriu autoridade intelectual no século XIX e criticou tanto a sua defesa automática quanto as respostas que considerava insuficientes do protecionismo e do socialismo de sua época. Para serviços de utilidade pública, preferia organismos autônomos ou semiautônomos, sujeitos ao interesse público, à administração direta por ministérios. Entre as responsabilidades públicas que enumerou estavam a informação econômica, o controle da moeda e do crédito, a influência sobre os níveis de poupança e investimento e uma política de população.
No discurso Am I a Liberal?, proferido em 1925, Keynes retomou de John R. Commons a distinção entre eras de escassez, abundância e estabilização. Considerava que o crescimento das grandes empresas, dos cartéis e dos sindicatos exigia novas formas de organizar a economia, preservando a liberdade individual. Essa discussão ajuda a situar sua participação no Partido Liberal e sua defesa de instituições capazes de orientar a atividade econômica sem substituir por completo as decisões privadas.

Na análise de Keynes, a decisão de investir depende da comparação entre o rendimento futuro esperado do capital e a taxa de juros. Como os rendimentos são incertos e os bens de capital permanecem comprometidos por longos períodos, as convenções usadas para formar expectativas podem ser abaladas rapidamente. Keynes ilustrou as expectativas nos mercados financeiros com seu exemplo de um concurso de beleza: o participante não escolhe simplesmente seu rosto preferido, mas tenta antecipar qual será a escolha média dos demais. A analogia mostra como avaliações de segunda ordem podem dominar as decisões financeiras.
A propensão marginal a consumir designa a parcela de uma renda adicional destinada ao consumo. Keynes argumentou que o consumo cresce com a renda, mas normalmente menos do que ela; a parte poupada, portanto, aumenta em termos absolutos. Essa relação integra sua explicação do multiplicador, pela qual uma mudança inicial no investimento pode produzir uma mudança maior na renda total. A taxa de juros, em sua teoria da preferência pela liquidez, remunera a disposição de abrir mão de manter riqueza em forma líquida, em vez de simplesmente equilibrar uma oferta de poupança e uma demanda de investimento.

Keynes distinguiu motivos para guardar moeda: cobrir o intervalo entre o recebimento da renda e as despesas domésticas; financiar as despesas correntes de uma empresa até receber por suas vendas; precaver-se contra necessidades imprevistas; e aguardar oportunidades de investimento ou mudanças esperadas nos juros. Os dois primeiros compõem o motivo de transação. A demanda de moeda para fins de especulação, ao contrário, depende de maneira especialmente forte das expectativas sobre os juros. Esses motivos ajudam a explicar por que recursos podem permanecer líquidos quando a economia necessita de investimento produtivo.

A expressão "revolução keynesiana" tornou-se conhecida com o livro The Keynesian Revolution, de Lawrence Klein, publicado em 1947. Na Teoria Geral, Keynes estudou a produção e o emprego como grandezas determinadas pela demanda efetiva. A quantidade de moeda pode ter consequências reais quando parte da renda é mantida em forma líquida, e a disposição dos empresários para investir depende de expectativas incertas. Por isso, o desemprego involuntário pode persistir. Essa construção se opunha à leitura de que a oferta assegura automaticamente uma demanda suficiente para empregar todos os recursos.
Keynes distinguiu o salário monetário recebido pelo trabalhador do salário real, isto é, seu poder de compra. A redução generalizada dos salários nominais não garantia, para ele, aumento do emprego: poderia diminuir a renda, a demanda e as expectativas de vendas. Seu argumento sobre a preferência pela liquidez também questionava a ideia de que a taxa de juros é simplesmente o preço que iguala poupança e investimento. A renda se ajusta às decisões de consumo e investimento, de forma que poupança e investimento realizados se igualem.
Há interpretações diferentes desse livro. A síntese neoclássica traduziu parte dos argumentos para o Modelo IS/LM e os incorporou a modelos de equilíbrio; os pós-keynesianos consideram que esse procedimento deixa em segundo plano a incerteza e o papel das expectativas, incluindo os Espírito animal. John Hicks propôs uma formulação inicial do modelo em 1937; Alvin Hansen a difundiu em A Guide to Keynes (1949). Mais tarde, Hicks também apontou limites na representação simultânea de um equilíbrio de fluxos e de estoques pelas duas curvas.
Robert Skidelsky observa que a obra se concentra na insuficiência da demanda como causa do desemprego e não desenvolve, na mesma medida, as mudanças estruturais da força de trabalho ou uma teoria geral do crescimento. As controvérsias sobre crescimento e distribuição apareceriam em modelos como os de Harrod–Domar e Solow e na controvérsia das duas Cambridges. Essa delimitação não impede que seus argumentos sobre incerteza e emprego tenham sido retomados de modos distintos por escolas posteriores.
Keynes relacionou a liberdade das mulheres ao acesso à contracepção e às leis que regulavam o casamento. Sua participação no Grupo de Bloomsbury aproximou-o da crítica aos padrões morais vitorianos, e sua atuação na Marie Stopes Society integrou seu apoio à educação em controle de natalidade. Ao discutir o "salário familiar", tratou também do trabalho doméstico não remunerado. Essas posições conviviam com suas ideias sobre população e eugenia, discutidas em sua atuação política.
Sua oposição inicial à conscrição e sua crítica aos termos da paz de 1919 também se ligavam à tentativa de evitar um novo conflito europeu. Keynes, porém, passou a defender a resistência à Alemanha nazista diante da política expansionista de Adolf Hitler. Essa mudança está associada à distinção que fazia entre defender uma ordem internacional pacífica e aceitar a agressão de um Estado.
Para Keynes, a teoria econômica oferecia instrumentos para examinar circunstâncias concretas, em vez de um conjunto de prescrições idênticas para qualquer país ou período. Em carta de 1939 a Gardiner Means, distinguiu a formulação geral de sua teoria das aplicações que dependiam de hipóteses realistas específicas. A proposta de intervenção não pressupunha substituir o sistema de preços por um planejamento integral; seus objetivos incluíam sustentar o investimento e o emprego e estabilizar a atividade econômica.
Ele atribuía especial importância ao investimento, mas tinha reservas quanto a ajustes frequentes e precisos do consumo por meio do orçamento. Defendia a possibilidade de déficits em períodos de baixa atividade compensados por superávits em períodos de expansão, isto é, o equilíbrio fiscal ao longo do ciclo. Nos anos finais, também insistiu em investimentos capazes de responder a problemas estruturais da economia britânica. Embora valorizasse as estatísticas e o desenvolvimento das contas nacionais, desconfiava da pretensão de tratar a economia como uma ciência natural inteiramente traduzível em fórmulas.
No início do século XX, o debate britânico sobre as preferências imperiais opôs os partidários de Joseph Chamberlain aos defensores do livre comércio. Francis Ysidro Edgeworth, Alfred Marshall e Arthur Cecil Pigou estiveram entre os economistas contrários às tarifas preferenciais. Keynes, então próximo dessa posição, considerava que um império economicamente isolado agravaria a rivalidade entre potências. Em artigo de 1909 para The Economist, apontou também a importância do comércio internacional para o papel financeiro de Londres. Sua defesa posterior de restrições comerciais surgiu num contexto econômico e intelectual diferente.

Keynes receava que, em circunstâncias de desemprego e demanda insuficiente, um desequilíbrio comercial persistente restringisse a recuperação dos países deficitários. Em sua proposta para a União Internacional de Compensação, tanto os devedores quanto os credores teriam incentivos para ajustar seus saldos; a pressão não recairia apenas sobre os países com déficit. Isso não equivale a afirmar que todo déficit comercial cause queda da produção ou do emprego.
No início de sua carreira, Keynes era um economista próximo de Alfred Marshall, profundamente convencido dos benefícios do livre comércio. A partir da crise de 1929, observando o compromisso das autoridades britânicas de defender a paridade de ouro da libra esterlina e a rigidez dos salários nominais, ele gradualmente aderiu a medidas protecionistas.
Em 5 de novembro de 1929, quando foi ouvido pelo Comitê Macmillan para tirar a economia britânica da crise, Keynes indicou que a introdução de tarifas sobre as importações ajudaria a reequilibrar o equilíbrio comercial. O relatório da Comissão afirma, numa secção intitulada "controle das importações e ajuda à exportação", que, numa economia em que não existe pleno emprego, a introdução de tarifas pode melhorar a produção e o emprego. Assim, a redução do déficit comercial favorece o crescimento do país.
Em janeiro de 1930, no Conselho Consultivo Económico, Keynes propôs a introdução de um sistema de proteção para reduzir as importações. No outono de 1930, ele propôs uma tarifa uniforme de 10% sobre todas as importações e subsídios da mesma taxa para todas as exportações. No Tratado sobre a Moeda, publicado no outono de 1930, ele abordou a ideia de tarifas ou outras restrições comerciais com o objetivo de reduzir o volume de importações e reequilibrar a balança comercial.
Em 7 de março de 1931, no New Statesman and Nation, ele escreveu um artigo intitulado Proposal for a Tariff Revenue. O Conselho salientou que a redução dos salários levou a uma redução da procura nacional que limitou os mercados. Em vez disso, propôs a ideia de uma política de expansão combinada com um sistema pautal para neutralizar os efeitos sobre a balança comercial. A aplicação de tarifas aduaneiras lhe parecia "inevitavel, seja quem for o chanceler do tesouro". Assim, para Keynes, uma política de recuperação econômica só é plenamente eficaz se o défice comercial for eliminado. Ele propôs um imposto de 15% sobre bens manufaturados e semimanufaturados, e 5% sobre certos alimentos e matérias-primas, com outros necessários para exportações isentos (lão, algodão).
Em 1932, em um artigo intitulado The Pro- and Anti-Tariffs, publicado em The Listener, ele previu a proteção de agricultores e certos setores, como a indústria automotiva e de ferro e aço, considerando-os indispensáveis para a Grã-Bretanha.

Na situação pós-crise de 1929, Keynes julgou as suposições do modelo de livre comércio irreal. Ele criticou, por exemplo, a suposição neoclássica de ajuste salarial.
Em 1930, em nota ao Conselho Consultivo Económico, ele duvidava da intensidade do ganho da especialização no caso dos produtos manufaturados. Ao participar no Comité MacMillan, ele admitiu que já não "acreditava num grau muito elevado de especialização nacional" e se recusou a "abandonar qualquer indústria que não possa, por enquanto, sobreviver". Ele também criticou a dimensão estática da teoria da vantagem comparativa, que, em sua opinião, fixando vantagens comparativas definitivamente, levou na prática a um desperdício de recursos nacionais.
No Daily Mail de 13 de março de 1931, considerou absurda a suposição de uma mobilidade laboral setorial perfeita, uma vez que afirma que uma pessoa desempregada contribui para uma redução da taxa salarial até encontrar um emprego. Mas para Keynes, esta mudança de emprego pode envolver custos (busca de emprego, formação) e nem sempre é possível. Em geral, para Keynes, as suposições de pleno emprego e retorno automático ao equilíbrio desacreditam a teoria da vantagem comparativa.
Em julho de 1933, publicou um artigo no New Statesman and Nation intitulado National Self-Sufficiency, no qual criticou o argumento da especialização das economias, que é a base do livre comércio. Propôs, assim, a busca de um certo grau de auto-suficiência. Em vez da especialização de economias defendida pela teoria de vantagem comparativa de Ricardian, ele prefere a manutenção de uma diversidade de atividades para as nações. Nele refutou o princípio do comércio pacífico. Sua visão do comércio tornou-se a de um sistema onde capitalistas estrangeiros competem por novos mercados. Ele defende a ideia de produzir em solo nacional quando possível e razoável, e expressa simpatia pelos defensores do Protecionismo. Ele observa em National Self-Sufficiency:
Um nível considerável de especialização internacional é necessário num mundo racional em todos os casos em que é ditado por grandes diferenças de clima, recursos naturais, aptitudes nativas, nível de cultura e densidade populacional. Mas, em relação a uma gama cada vez mais ampla de produtos industriais, e talvez também de produtos agrícolas, tornei-me duvidoso de que a perda econômica da auto-suficiência nacional seja suficientemente grande para superar as outras vantagens de um produto e de um consumidor gradualmente inseridos no âmbito da mesma organização nacional, econômica e financeira. A experiência acumulada demonstra que a maioria dos processos modernos de produção em massa podem ser realizados na maioria dos países e climas com quase a mesma eficiência.
Ele também escreve em National Self-Sufficiency:
Simpatizo, portanto, com aqueles que minimizariam, em vez de maximizarem, o entrelaçamento econômico entre as nações. Ideias, conhecimentos, ciência, hospitalidade, viagens, as coisas que deveriam ser internacionais. Mas deixe que os bens sejam distribuídos em casa sempre que for razoável e conveniente, e, acima de tudo, deixe que a finança seja principalmente nacional.
Mais tarde, Keynes teve uma correspondência escrita com James Meade centrada na questão das restrições de importação. Keynes e Meade discutiram a melhor escolha entre a quota e a tarifa. Em março de 1944, Keynes começou uma discussão com Marcus Fleming depois que este último havia escrito um artigo intitulado Quotas versus depreciation. Nessa discussão, Keynes considerou que, em determinadas condições, as quotas poderiam corrigir desequilíbrios externos com mais eficácia do que a desvalorização da moeda. Suas propostas de restrições comerciais respondiam a problemas específicos de emprego e pagamentos internacionais; seu projeto monetário do pós-guerra também procurava ampliar o comércio multilateral sob regras comuns.

Keynes foi o principal autor de uma proposta do chamado Plano Keynes, para uma União Internacional de Compensação. Os dois princípios governantes do plano eram que o problema da liquidação dos saldos em circulação deveria ser resolvido "criando" dinheiro internacional adicional, e que o devedor e o credor deveriam ser tratados quase de forma igual como perturbadores do equilíbrio. No caso, no entanto, os planos foram rejeitados, em parte porque "a opinião americana era naturalmente relutante em aceitar o princípio da igualdade de tratamento tão novo nas relações devedor-creditor". :326–329
O plano de Keynes combinava a expansão do intercâmbio internacional com regras para ajustar os desequilíbrios de pagamentos. Uma união de compensação registraria créditos e débitos numa unidade comum, o bancor, e ofereceria limites de crédito aos membros. Países com superávits elevados também enfrentariam incentivos para ajustar sua posição, ideia discutida posteriormente por Joseph Stiglitz. O acordo efetivo de Bretton Woods adotou apenas parte dessas propostas e deu ao Fundo Monetário Internacional mecanismos mais limitados.
Em "National Self-Sufficiency", publicado em 1933 na Yale Review, Keynes já tratava dos problemas que via na dependência econômica entre países. Em seu plano monetário posterior, países credores e devedores partilhariam a responsabilidade de reduzir os desequilíbrios externos; sem esse ajuste, ele temia consequências graves. Nas palavras de Geoffrey Crowther, então editor de The Economist, "Se as relações econômicas entre as nações não são, por um ou outro meio, trazidas bastante perto do equilíbrio, então não há um conjunto de arranjos financeiros que possam salvar o mundo dos resultados empobrecedores do caos".:336
Essas ideias foram informadas por eventos anteriores à Grande Depressão, quando, na opinião de Keynes e outros, o empréstimo internacional, principalmente pelos EUA, excedeu a capacidade de investimento sólido e, portanto, foi desviado para usos não-productivos e especulativos, o que por sua vez levou ao incumprimento e à parada súbita do processo de empréstimo.:368–372
Sob a influência de Keynes, os manuais de economia do imediato pós-guerra deram destaque ao equilíbrio do comércio. A segunda edição de An Outline of Money, por exemplo, dedicou os últimos três de seus dez capítulos à gestão cambial e ao problema do equilíbrio externo. Nas décadas seguintes, depois do fim do sistema de Bretton Woods em 1971 e da ascensão do monetarismo nos anos 1980, essas preocupações, em especial o efeito desestabilizador de grandes superávits comerciais, perderam espaço no debate da economia dominante. Parte dos autores voltou a elas após a crise financeira de 2008.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Keynes participou de debates sobre a coordenação econômica dos Aliados com funcionários do Ministério das Relações Exteriores, entre eles Alfred Zimmern. Depois da guerra, integrou o Conselho Econômico Supremo e defendeu uma instituição econômica internacional duradoura, parte de cujas atribuições acabaria vinculada à Liga das Nações. A ausência de um mecanismo para organizar a reconstrução econômica era uma de suas críticas ao acordo de paz. Para ele, o comércio poderia favorecer a prosperidade e reduzir as rivalidades quando apoiado por instituições e acordos monetários adequados.
Ao longo do período entreguerras, essa defesa do comércio tornou-se condicionada à possibilidade de manter o emprego e a estabilidade interna. Keynes julgava que um regime monetário internacional deveria permitir políticas nacionais para enfrentar as recessões. No fim da década de 1920, falava em uma forma qualificada de livre comércio; nos anos 1930, passou a defender as restrições tratadas acima. Os capítulos finais da Teoria Geral retomam a relação entre pleno emprego, disputas por mercados externos e paz internacional.

Na Segunda Guerra Mundial, a ajuda dos Estados Unidos aos britânicos pelo programa de Lend-Lease veio acompanhada de pressões para reduzir as preferências imperiais depois do conflito. O artigo VII do acordo de ajuda mútua, defendido por Cordell Hull, vinculava o entendimento à eliminação de práticas comerciais discriminatórias. Keynes inicialmente temia as consequências de uma abertura irrestrita para o balanço de pagamentos britânico, mas trabalhou com Lionel Robbins e James Meade nas propostas de cooperação econômica internacional. As negociações passaram a reunir a questão do financiamento da guerra, a reconstrução e a organização do comércio.
No plano da União Internacional de Compensação, o bancor seria uma unidade de conta para saldar posições entre os países membros; créditos e débitos seriam registrados numa instituição comum. Keynes queria combinar taxas de câmbio ajustáveis, alguma margem para controles de capitais e mecanismos que induzissem tanto países deficitários quanto superavitários a corrigir os desequilíbrios. A proposta de Harry Dexter White previa um fundo de estabilização apoiado em contribuições e quotas nacionais, que também determinariam o poder de voto. As diferenças entre os projetos refletiam a posição britânica de devedora e a posição americana de credora, embora ambas as delegações defendessem alguma forma de cooperação institucional.
A declaração conjunta de 1944 e as reuniões preparatórias em Atlantic City antecederam a conferência de Bretton Woods. Keynes obteve espaço para que os países definissem as paridades iniciais de suas moedas e insistiu no emprego como objetivo da cooperação. A arquitetura resultante criou o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, sem adotar a união de compensação. Robert Skidelsky e Donald Markwell atribuem pesos distintos à influência das ideias de Keynes sobre o acordo final: o primeiro ressalta a predominância da proposta americana, enquanto o segundo destaca regras multilaterais e disposições favoráveis a políticas de emprego. Keynes apoiou a ratificação apesar das concessões que fizera.

Em A Tract on Monetary Reform (1923), Keynes condenou tanto a inflação quanto a deflação por seus efeitos sobre diferentes grupos sociais. Ao comparar uma deflação com uma inflação moderada, excluindo explicitamente casos extremos como o da Alemanha, considerou a deflação mais danosa porque aumentava o desemprego: seria pior provocar a perda de postos de trabalho do que frustrar as expectativas do rentista. Seu objetivo declarado era estabilizar o poder aquisitivo interno da moeda. Em The Economic Consequences of the Peace, ele também alertou para a destruição causada por uma inflação persistente::220
Diz-se que Lenin declarou que a melhor maneira de destruir o sistema capitalista era desvalorizar a moeda. Por meio de um processo contínuo de inflação, os governos podem confiscar, secretamente e sem que se perceba, uma parte importante da riqueza de seus cidadãos. Não há meio mais sutil nem mais seguro de abalar as bases existentes da sociedade do que desvalorizar a moeda. O processo põe todas as forças ocultas da lei econômica a serviço da destruição, e o faz de uma forma que nem uma pessoa em um milhão é capaz de diagnosticar.
No ensaio Economic Possibilities for our Grandchildren (1930), Keynes imaginou que o avanço da produtividade poderia, ao longo de cerca de um século, reduzir muito o tempo necessário para satisfazer as necessidades materiais. A previsão de jornadas de três horas por dia ou de quinze horas por semana ilustrava sua expectativa de que as pessoas teriam de aprender a usar um tempo livre maior. Também criticou a valorização do acúmulo de dinheiro como fim em si mesmo. O texto é uma reflexão sobre possibilidades futuras, e não uma afirmação de que essas mudanças já estivessem garantidas.

No Brasil, a circulação das ideias de Keynes ocorreu tanto pela CEPAL e pelo estruturalismo associado a Raúl Prebisch quanto pelos manuais da síntese neoclássica. O economista Fernando José Cardim de Carvalho aponta Celso Furtado como um dos primeiros autores brasileiros a empregar uma abordagem macroeconômica próxima à de Keynes, embora Furtado o citasse pouco explicitamente. O mesmo autor distingue, na pesquisa brasileira posterior, uma vertente ligada à Unicamp e outra centrada na UFRJ, ambas dedicadas a diferentes interpretações do keynesianismo.
A Teoria Geral circulou em tradução brasileira de Mário Ribeiro da Cruz. Uma edição da coleção Os Economistas, lançada em 1996 pela Nova Cultural, trouxe apresentação de Adroaldo Moura da Silva e revisão técnica de Cláudio Roberto Contador.

Do final da Grande Depressão até meados dos anos 1970, Keynes forneceu a principal inspiração para os formuladores de políticas econômicas na Europa, América e grande parte do resto do mundo. Enquanto os economistas e os formuladores de políticas haviam se tornado cada vez mais conquistados pela maneira de pensar de Keynes em meados e finais da década de 1930, foi apenas após o surto da Segunda Guerra Mundial que os governos começaram a pedir empréstimo dinheiro para gastos em uma escala suficiente para eliminar o desemprego. De acordo com o economista John Kenneth Galbraith (então um funcionário do governo dos EUA encarregado de controlar a inflação), na recuperação da economia dos gastos em tempo de guerra, "não poderia ter sido uma melhor demonstração das ideias keynesianas".
As ideias de John Maynard Keynes continuam a influenciar a política econômica, especialmente durante as recessões. Keynes argumentou que, quando a demanda privada cai, os gastos do governo podem ajudar a apoiar o emprego e estabilizar a economia. Esta ideia tornou-se uma parte central da economia keynesiana e influenciou muitas políticas adotadas após a Segunda Guerra Mundial. As ideias keynesianas também influenciaram as respostas a crises mais recentes, incluindo a crise financeira de 2008 e as interrupções econômicas posteriores. Nestes casos, os governos usaram políticas como gastos de estímulo e pagamentos diretos às famílias em tentativas de apoiar o consumo e reduzir o declínio econômico. Alguns economistas argumentam que essas políticas refletem a visão de Keynes de que os governos podem ajudar a estabilizar as recessões, enquanto o debate continua sobre os limites da intervenção.
A Revolução Keynesiana foi associada com a ascensão do liberalismo moderno no Ocidente durante o período pós-guerra. As ideias keynesianas tornaram-se tão populares que alguns estudiosos apontam para Keynes como representando os ideais do liberalismo moderno, como Adam Smith representou os ideais de liberalismo clássico. Após a guerra, Winston Churchill tentou verificar a ascensão da tomada de decisão keynesiana no Reino Unido e usou retórica crítica da Economia mista em sua campanha eleitoral de 1945. Apesar de sua popularidade como herói de guerra, Churchill sofreu uma derrota devastadora para Clement Attlee, cuja política econômica do governo continuou a ser influenciada pelas ideias de Keynes.
Na recepção brasileira, José Roberto Rodrigues Afonso observou que, na edição de 1996 da Teoria Geral, a expressão "política fiscal" aparece seis vezes no texto e uma em nota de rodapé, embora tenha ganhado grande peso nas interpretações posteriores de Keynes.

No fim da década de 1930 e ao longo da de 1940, economistas como John Hicks, Franco Modigliani e Paul Samuelson buscaram interpretar e formalizar os escritos de Keynes em modelos matemáticos. Na chamada síntese neoclássica, combinaram a análise keynesiana e a economia neoclássica, dando origem à economia neokeynesiana, que dominou a macroeconomia convencional pelos 40 anos seguintes.
Na década de 1950, as políticas keynesianas foram adotadas por quase todo o mundo desenvolvido e medidas semelhantes para uma Economia mista foram usadas por muitas nações em desenvolvimento. Até então, as visões de Keynes sobre a economia haviam se tornado tradicionais nas universidades do mundo. Ao longo dos anos 1950 e 1960, as economias capitalistas livres desenvolvidas e emergentes desfrutaram de um crescimento excepcionalmente alto e baixo desemprego. O professor Gordon Fletcher escreveu que os anos 1950 e 1960, quando a influência de Keynes estava em seu auge, aparecem em retrospectiva como uma Era de ouro do capitalismo.
No final de 1965, a revista Time publicou um artigo de capa com um comentário de Milton Friedman (mais tarde ecoado pelo presidente dos EUA Richard Nixon), "Agora somos todos keynesianos". O artigo descreveu as condições econômicas excepcionalmente favoráveis que prevaleciam e relatou que "os gerentes econômicos de Washington escalaram essas alturas por sua adesão ao tema central de Keynes: a economia capitalista moderna não funciona automaticamente com a máxima eficiência, mas pode ser elevada a esse nível pela intervenção e influência do governo". O artigo também afirma que Keynes foi um dos três economistas mais importantes que já viveram, e que seu General Theory foi mais influente do que o magna opera de outros economistas famosos, como o de Adam Smith The Wealth of Nations.

Os pós-keynesianos deram maior destaque à incerteza, às instituições financeiras e à formação de expectativas. Entre as vertentes associadas a essa tradição estão trabalhos de Joan Robinson, Nicholas Kaldor, Piero Sraffa e Michał Kalecki, além de abordagens do crescimento ligadas a Roy Harrod e da incerteza ligadas a George Shackle. A delimitação dessas correntes varia entre autores, mas muitas rejeitam que a Teoria Geral possa ser reduzida ao modelo IS–LM.
Nessa tradição, a quantidade de moeda em circulação é frequentemente tratada como endógena: bancos criam depósitos ao conceder crédito, e o banco central influencia as condições e os juros sem determinar mecanicamente todos os depósitos. Essa interpretação se opõe ao pressuposto de uma oferta monetária fixa adotado em algumas leituras de Keynes. O debate ganhou importância diante das experiências monetaristas do fim da década de 1970 e início da década de 1980.
Bertil Ohlin e economistas da Escola de Estocolmo desenvolveram, em paralelo, análises de poupança e investimento planejados que foram comparadas às de Keynes. Ohlin discutiu explicitamente as aproximações e diferenças em artigos publicados em 1937. O desenvolvimento posterior da síntese neoclássica incluiu o trabalho de Franco Modigliani sobre salários e desemprego, a difusão dos modelos por Paul Samuelson, a incorporação da curva de Phillips e a extensão do IS–LM à economia aberta pelo Modelo Mundell-Fleming. A oposição entre Cambridge, na Inglaterra, e centros norte-americanos também alimentou a controvérsia das duas Cambridges sobre capital e crescimento.

O conceito do multiplicador foi desenvolvido pela primeira vez por R.F. Kahn em seu artigo "A relação entre investimento em residências e desemprego" em The Economic Journal de junho de 1931. O multiplicador Kahn era o multiplicador de emprego; Keynes tomou a ideia de Kahn e formulou o multiplicador do investimento.

Com a chegada do governo conservador em 1979, o Reino Unido ampliou o uso de metas monetárias para combater a inflação, num afastamento das políticas de gestão da demanda associadas ao keynesianismo. Metas para agregados monetários já eram usadas desde 1976. As críticas às ideias de Keynes haviam começado décadas antes. Friedrich Hayek havia formado a Sociedade Mont Pelerin em 1947, com a intenção explícita de nutrir correntes intelectuais para um dia deslocar o keynesianismo e outras influências semelhantes. Seus membros incluíam o economista da Escola austríaca Ludwig von Mises, juntamente com o então jovem Milton Friedman. Inicialmente, a sociedade teve pouco impacto no mundo mais amplo. De acordo com Hayek, era como se Keynes tivesse sido elevado à santidade após sua morte e que as pessoas se recusassem a permitir que seu trabalho fosse questionado. Friedman, no entanto, começou a emergir como um crítico formidável da economia keynesiana a partir de meados da década de 1950, e especialmente após sua publicação de 1963 de A Monetary History of the United States.
No lado prático da vida econômica, o "grande governo" parecia estar firmemente enraizado na década de 1950, mas o equilíbrio começou a mudar para o poder dos interesses privados na década de 1960. Keynes havia escrito contra a loucura de permitir que especuladores e financiadores "decadentes e egoístas" tivessem o tipo de influência que tinham desfrutado após a Primeira Guerra Mundial. Por duas décadas após a Segunda Guerra Mundial, a opinião pública era fortemente contra os especuladors privados, sendo o rótulo despectivo "Gnomos de Zurique" típico de como eles foram descritos durante esse período. A especulação internacional foi severamente restringida pelos controles de capitais em vigor após Bretton Woods. De acordo com os jornalistas Larry Elliott e Dan Atkinson, 1968 foi o ano crucial em que o poder mudou em favor de agentes privados, como os especuladores de moeda. Como o evento chave de 1968, Elliott e Atkinson escolheram a suspensão dos EUA da conversão do dólar em ouro, exceto a pedido de governos estrangeiros, que identificaram como o início do colapso do sistema de Bretton Woods.

No início da década de 1970, as críticas a Keynes ganharam força com o argumento de que os modelos keynesianos já não explicavam a economia. O próprio Keynes usara poucas fórmulas e nenhum modelo matemático explícito na Teoria Geral. Para Hyman Minsky, isso refletia em parte seu ceticismo quanto à possibilidade de representar adequadamente em modelos matemáticos a incerteza da atividade econômica. Os economistas keynesianos, contudo, desenvolveram vários modelos, entre eles a curva de Phillips, que previa uma relação inversa entre desemprego e inflação: o governo poderia reduzir o primeiro por meio de estímulos ao custo de uma inflação calculável. Em 1968, Milton Friedman contestou a ideia de que essa relação fosse fixa. Argumentou que políticas keynesianas mantidas por muito tempo poderiam elevar simultaneamente a inflação e o desemprego, fenômeno que ficou conhecido como estagflação. Ela surgiu nos Estados Unidos e no Reino Unido no início dos anos 1970, em meio à deterioração econômica agravada pela crise do petróleo de 1973. O acerto da previsão deu prestígio às críticas de Friedman, difundidas entre acadêmicos, políticos e o público por rádio e televisão. Outros monetaristas da Escola de Chicago, a crítica de Lucas e a escola austríaca de Hayek também contestaram a teoria keynesiana. Em 1980, Robert Lucas chegou a dizer que os economistas se ofenderiam se fossem chamados de keynesianos.
Os princípios keynesianos se saíram cada vez mais mal no lado prático da economia. Em 1979, foram substituídos pelo monetarismo como a influência principal na política econômica anglo-americana. No entanto, muitos funcionários de ambos os lados do Atlântico mantiveram uma preferência por Keynes, e em outubro de 1982 o Federal Reserve abandonou em grande medida as metas para agregados monetários adotadas em 1979, mas manteve o compromisso com a estabilidade dos preços. Nem todos os acadêmicos aceitaram as críticas contra Keynes. Minsky argumentou que a economia keynesiana tinha sido degradada por mistura excessiva com ideias neoclássicas da década de 1950, e que era infeliz que esse ramo da economia tivesse mesmo continuado a ser chamado de "keynesiano". Escrevendo em The American Prospect, Robert Kuttner argumentou que não foi tanto o ativismo keynesiano excessivo que causou os problemas econômicos da década de 1970, mas a quebra do sistema de controles de capital de Bretton Woods, que permitiu a Fuga de capital de economias regulamentadas para economias não regulamentadas de uma forma semelhante ao fenômeno da Lei de Gresham (onde moedas fracas minam as fortes). O historiador Peter Pugh afirmou que uma das principais causas dos problemas econômicos que afligiram a América na década de 1970 foi a recusa em aumentar os impostos para financiar a Guerra do Vietnã, o que era contrário ao conselho keynesiano.
Uma reação mais comum foi incorporar parte das críticas e refinar as teorias keynesianas. Desse trabalho resultou, em grande medida, a nova economia keynesiana. Em 1992, Alan Blinder falou de uma "restauração keynesiana": as ideias de Keynes voltaram a ganhar espaço na academia, embora a corrente dominante as combinasse amplamente com o monetarismo e a teoria neoclássica. Na formulação de políticas, ideias de livre mercado próximas do monetarismo continuaram influentes nos governos, no Banco Mundial, no Fundo Monetário Internacional e no Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, além de veículos de opinião como o Financial Times e The Economist.

A Crise financeira de 2008 levou ao ceticismo público sobre o consenso do livre mercado, mesmo por parte de alguns da direita econômica. Em março de 2008, Martin Wolf, comentarista-chefe de economia no Financial Times anunciou a morte do sonho do capitalismo global de livre mercado. No mesmo mês, o macroeconomista James K. Galbraith usou a 25a Conferência Anual Distinguida de Milton Friedman para lançar um ataque abrangente contra o consenso para a economia monetarista e argumentou que a economia keynesiana era muito mais relevante para enfrentar as crises emergentes. O economista Robert J. Shiller começou a defender uma intervenção governamental robusta para enfrentar as crises financeiras, citando especificamente Keynes. O ganhador do Prêmio Nobel Paul Krugman também argumentou ativamente o caso de uma intervenção keynesiana vigorosa na economia em suas colunas para The New York Times Outros comentadores econômicos proeminentes que argumentaram pela intervenção do governo keynesiano para mitigar a crise financeira de 2008 incluíram George Akerlof, J. Bradford DeLong, Robert Reich e Joseph Stiglitz. Jornals e outras mídias também citaram trabalhos relacionados a Keynes de Hyman Minsky, Robert Skidelsky, Donald Markwell, e Axel Leijonhufvud.
Uma série de grandes operações de resgate foi realizada durante a Crise financeira de 2008, começando em 7 de setembro de 2008 com o anúncio de que a FHFA colocaria sob sua tutela administrativa as duas empresas patrocinadas pelo governo com papel central no mercado hipotecário dos EUA, Fannie Mae e Freddie Mac. Em outubro, Alistair Darling, o chanceler britânico do tesouro, se referiu a Keynes quando ele anunciou planos para um Estímulo fiscal substancial para evitar os piores efeitos da recessão, de acordo com o pensamento econômico keynesiano. Políticas semelhantes foram adotadas por outros governos em todo o mundo. Isso estava em contraste com a ação imposta à Indonésia durante a crise financeira asiática de 1997, quando foi forçada pelo FMI a fechar 16 Banco ao mesmo tempo, levando a uma corrida bancária. Grande parte da discussão pós-crise refletiu o apoio de Keynes à coordenação internacional de estímulos fiscais ou monetários, e de instituições econômicas internacionais como o FMI e o Banco Mundial, que muitos argumentaram que deveria ser reformada como um "novo Bretton Woods", e deveria ter sido antes mesmo que as crises começassem. O FMI e os economistas das Nações Unidas defendem uma abordagem internacional coordenada para o estímulo fiscal. Donald Markwell argumentou que, na ausência de tal abordagem internacional, haveria o risco de piorar as relações internacionais e possivelmente até mesmo a guerra mundial decorrente de fatores econômicos semelhantes aos presentes durante a depressão dos anos 1930.
No final de dezembro de 2008, o Financial Times relatou que "o repentino ressurgimento da política keynesiana é uma impressionante inversão da ortodoxia das últimas décadas". Em dezembro de 2008 Paul Krugman lançou seu livro The Return of Depression Economics and the Crisis of 2008, argumentando que as condições econômicas semelhantes às existentes durante a primeira parte do século 20 retornaram, tornando as prescrições de política keynesian mais relevantes do que nunca. Em fevereiro de 2009, Robert J. Shiller e George Akerlof publicaram Animal Spirits um livro no qual argumentam que o atual pacote de estímulo dos EUA é muito pequeno, uma vez que não leva em conta a visão de Keynes sobre a importância da confiança e das expectativas na determinação do comportamento futuro dos Empresários e de outros agentes econômicos.
Em março de 2009, no discurso Reform the International Monetary System, Zhou Xiaochuan, presidente do Banco Popular da China, apoiou a ideia de Keynes de uma moeda internacional de reserva administrada centralmente. Zhou lamentou que o sistema de Bretton Woods não tivesse adotado o bancor e propôs ampliar gradualmente o uso dos direitos especiais de saque do FMI. Sua proposta não recebeu amplo apoio, mas na cúpula do G20 em Londres, em abril, os líderes apoiaram uma nova alocação de direitos especiais de saque equivalente a 250 bilhões de dólares. O FMI a realizou em 28 de agosto daquele ano. Em junho e julho de 2009, a OCDE e o FMI atribuíram aos planos de estímulo parte da melhora das perspectivas econômicas e advertiram que a recuperação provavelmente seria lenta, motivo para não retirar cedo demais as medidas de combate à recessão.
Embora a necessidade de medidas de estímulo fosse amplamente aceita entre os decisores políticos, houve muito debate sobre como financiar as despesas. Alguns líderes e instituições, como Angela Merkel e o Banco Central Europeu , expressaram preocupação com o impacto potencial na inflação, dívida nacional e o risco de um estímulo muito grande criar uma recuperação insustentável.
Entre os economistas profissionais, o renascimento da economia keynesiana foi ainda mais divisório. Embora muitos economistas, como George Akerlof, Paul Krugman, Robert Shiller e Joseph Stiglitz, apoiassem o estímulo keynesiano, outros não acreditavam que o aumento do gasto público ajudaria a economia dos Estados Unidos a se recuperar da Grande Recessão. Alguns economistas, como Robert Lucas, questionaram a base teórica para pacotes de estímulo. Robert Barro contestou a eficácia de transferências como estímulo e Gary Becker atribuiu parte da duração da crise a ações governamentais; eram posições defendidas por eles no debate público, não uma conclusão consensual da pesquisa empírica. No entanto, há uma literatura acadêmica crescente que mostra que a expansão fiscal ajuda uma economia a crescer no curto prazo, e que certos tipos de estímulos fiscais são particularmente eficazes.
As respostas à pandemia de COVID-19 reabriram a discussão sobre a pertinência de políticas de inspiração keynesiana. As restrições sanitárias atingiram simultaneamente a oferta de bens e serviços e a renda das famílias, situação distinta de uma recessão causada apenas pela queda inicial da demanda privada. O economista Jean-Marc Siroën comparou parte dessas dificuldades às de uma economia de guerra: num contexto de produção interrompida, estímulos à despesa podem encontrar limites na capacidade de oferta e provocar pressões sobre preços. O paralelo remete à preocupação de Keynes em How to Pay for the War, de 1940, com a escassez e a inflação durante um grande choque de produção.

A nova economia keynesiana desenvolveu-se na década de 1990 e no início dos anos 2000, em resposta à crítica de que faltavam fundamentos microeconômicos à macroeconomia. Seus modelos incorporaram elementos da nova macroeconomia clássica e deram origem à nova síntese neoclássica, que se tornou uma base importante da macroeconomia dominante.
Duas premissas caracterizam a abordagem novo-keynesiana da macroeconomia. Assim como na nova macroeconomia clássica, seus modelos geralmente supõem que famílias e empresas formam expectativas racionais. Em contraste com essa escola, porém, admitem diversas falhas de mercado, em especial a concorrência imperfeita na formação de preços e salários. Isso ajuda a explicar por que preços e salários podem ser rígidos e não se ajustar imediatamente às mudanças na economia.
A rigidez dos salários e preços e outras falhas de mercado presentes nos modelos novo-keynesianos permitem que a economia permaneça aquém do pleno emprego. Os novo-keynesianos argumentam, por isso, que a estabilização pelo governo, mediante política fiscal, e pelo banco central, mediante política monetária, pode produzir um resultado mais eficiente do que uma política de laissez-faire.
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Em um nível pessoal, o encanto de Keynes era tal que ele era geralmente bem recebido onde quer que ele fosse, mesmo aqueles que se encontravam no lado errado de sua língua ocasionalmente afiada raramente tinham rancor., O discurso de Keynes no encerramento das negociações de Bretton Woods foi recebido com uma ovação permanente, rara nas relações internacionais, pois os delegados reconheceram a escala de suas realizações, apesar da má saúde.
O economista da Escola austríaca Friedrich Hayek foi o crítico contemporâneo mais proeminente de Keynes, com pontos de vista fortemente opostos sobre a economia.:482–485 Após a morte de Keynes, ele escreveu: "Ele era o único homem realmente grande que eu conheci, e para quem eu tinha admiração ilimitada. O mundo será um lugar muito mais pobre sem ele". O colega Nicholas Davenport lembrou: "Havia forças emocionais profundas sobre Maynard ... Alguém podia sentir sua humanidade. Não havia nada do intelectual frio sobre ele. "
Lionel Robbins, ex-chefe do departamento de economia da London School of Economics, que participou de muitos debates acalorados com Keynes na década de 1930, teve o seguinte a dizer depois de observar Keynes nas primeiras negociações com os americanos ao elaborar planos para Bretton Woods::760–761
Isto foi muito bem. Keynes estava no seu humor mais lúcido e persuasivo: e o efeito foi irresistível. Nesses momentos, muitas vezes me encontro a pensar que Keynes deve ser um dos homens mais notáveis que já viveram - a lógica rápida, o toque de ave da intuição, a fantasia vívida, a visão ampla, acima de tudo o sentido incomparável da adequação das palavras, tudo combinado para fazer algo vários graus além do limite da realização humana comum.
Douglas LePan, um funcionário da Alta Comissão canadense, escreveu: :789
Estou encantado. Esta é a criatura mais bonita que já ouvi. Ele pertence à nossa espécie? Ou é de outra ordem? Há algo mítico e fabuloso nele. Sinto nele algo enorme e esfinge, mas também um toque de asas.
Bertrand Russell nomeou Keynes uma das pessoas mais inteligentes que ele já conheceu, comentando:
O intelecto de Keynes era o mais aguçado e claro que já conheci. Quando discutia com ele, senti que tinha tomado a minha vida nas minhas mãos, e raramente saía sem sentir-me como um tolo.
O obituário de Keynes em The Times incluiu o comentário: "Há o próprio homem, radiante, brilhante, efervescente, gay, cheio de piadas impías ... Era um homem humano genuinamente dedicado à causa do bem comum".
Como um homem descrito por alguns como tendo o maior impacto de qualquer economista do século XX, Keynes atraiu consideravelmente críticas de ambos os lados do espectro político. Na década de 1920, Keynes foi visto como anti-establishment e foi principalmente atacado pela direita. Na " década de 1930 vermelha ", muitos jovens economistas favoreceram visões Marxista, mesmo em Cambridge, e enquanto Keynes estava se envolvendo principalmente com o direito de tentar convencê-los dos méritos de uma política mais progressista, a crítica mais vociferante contra ele veio da esquerda, que o via como um apoiador do capitalismo.

Em 1931, Friedrich Hayek criticou extensivamente a década de 1930 de Keynes Tratado sobre a Moeda . Depois de ler o livro de Hayek The Road to Serfdom, Keynes escreveu a Hayek: "Moralmente e filosoficamente eu me encontro em acordo com praticamente todo o assunto". Ele concluiu a carta com a recomendação:
O que precisamos, portanto, não é, na minha opinião, uma alteração dos nossos programas econômicos, que só conduziria na prática à desilusão com os resultados da vossa filosofia, mas talvez o contrário, ou seja, uma ampliação deles. O seu maior perigo é o provável fracasso prático da aplicação da sua filosofia nos Estados Unidos.
Sobre a questão urgente da época, se o gasto de défice poderia levantar um país da depressão, Keynes respondeu à crítica de Hayek da seguinte maneira:
Devia... A conclusão é bastante diferente. O que queremos não é não ter planeamento, nem menos planeamento, e certamente queremos mais. Mas o planejamento deve ocorrer numa comunidade na qual o maior número possível de pessoas, tanto líderes como seguidores, compartilhem totalmente a vossa posição moral. Um planejamento moderado será suficientemente seguro se os que o executam estiverem corretamente orientados em suas mentes e corações para a questão moral.
Questionado por que Keynes expressou acordo "moral e filosófico" com o de Hayek Road to Serfdom, Hayek disse que Keynes acreditava que ele ainda era um liberal inglês clássico com os valores da liberdade individual. Hayek argumentou que Keynes não viu o quão longe ele se afastou do liberalismo clássico, nem pensou sistematicamente o suficiente para notar os conflitos entre o keynesianismo e o liberalismo. Hayek chamou Keynes de "corrupto pela necessidade política".
Hayek considerava que a "ortodoxia keynesiana" do pós-guerra dava poder excessivo ao Estado e poderia conduzir ao socialismo.
Embora Milton Friedman tenha descrito The General Theory como "um grande livro", sustentou que não era possível nem desejável separar implicitamente as grandezas nominais das reais. Para ele, a política macroeconômica podia influenciar de modo confiável apenas as grandezas nominais. Ele e outros monetaristas argumentaram que políticas keynesianas poderiam resultar em estagflação, a combinação de baixo crescimento e alta inflação que as economias desenvolvidas sofreram no início dos anos 1970. Friedman preferia Tract on Monetary Reform (1923), que ele considerou o melhor trabalho de Keynes por causa de seu foco em manter a estabilidade de preços domésticos.

Joseph Schumpeter, contemporâneo de Keynes, elogiou sua personalidade e seus escritos biográficos, mas discordou de sua teoria econômica. Em um ensaio publicado após a morte de Keynes, argumentou que a Teoria Geral dependia de circunstâncias históricas específicas e questionou a possibilidade de aplicar suas prescrições da mesma forma a outros países.
Ludwig von Mises, economista da Escola Austríaca, descreve um sistema keynesiano como acreditando que ele pode resolver a maioria dos problemas com "mais dinheiro e crédito", o que leva a um sistema de "inflacionismo" em que "os preços (de bens) aumentam cada vez mais". Murray Rothbard escreveu que a regulação governamental de dinheiro e crédito em estilo keynesiana criou uma "situação monetária e bancária sombria", uma vez que permite que os banqueiros centrais que têm a capacidade exclusiva de imprimir dinheiro sejam "descontrolados e fora de controle". Rothbard continuou dizendo em uma entrevista que, "há uma coisa boa sobre (Karl) Marx: ele não era keynesiano".
O presidente Harry S. Truman era cético sobre a teoria keynesiana. Ele disse a Leon Keyserling, um economista keynesiano que presidiu o Conselho de Conselheiros Económicos de Truman: "Ninguém pode me convencer de que o governo pode gastar um dólar que não tem".
Após a publicação da Teoria Geral, Arthur Cecil Pigou e Dennis Robertson, seus colegas de Cambridge, contestaram a caracterização ampla que Keynes fazia dos economistas "clássicos". Robertson considerou especialmente impreciso reunir sob esse termo posições diferentes; Pigou rejeitou o diagnóstico de uma tendência necessária à estagnação. Keynes e Robertson se reconciliaram durante a guerra, e Pigou reviu parte de suas críticas em 1949.
O economista francês Jacques Rueff se opôs à análise de Keynes sobre o retorno britânico ao padrão-ouro e, em "The Fallacies of Lord Keynes' General Theory" (1947), criticou o tratamento dado aos preços, à moeda e à suposta determinação externa da oferta monetária. O artigo provocou uma discussão com James Tobin. Milton Friedman propôs em 1957 a hipótese da renda permanente, segundo a qual o consumo responde sobretudo à renda esperada por um período prolongado, e argumentou que uma expansão temporária da renda teria efeito menor do que o previsto por modelos de consumo mais simples. Seu conceito de taxa natural de desemprego e sua defesa das taxas de câmbio flutuantes também divergiam de políticas associadas à síntese keynesiana.
A nova economia clássica, associada a Robert Lucas Jr., Thomas Sargent e Neil Wallace, formulou modelos com expectativas racionais para questionar a eficácia de políticas de estabilização sistemáticas. Finn Kydland e Edward Prescott analisaram a credibilidade e a consistência temporal das decisões públicas e contribuíram para a teoria dos ciclos reais de negócios. Da esquerda, o marxista Paul Mattick argumentou em Marx and Keynes (1969) que a administração da demanda não eliminaria as contradições do capitalismo. O demógrafo e economista francês Alfred Sauvy sustentou que ampliar a despesa agregada sem considerar a composição da demanda e a capacidade dos diversos setores poderia gerar gargalos, inflação e desemprego.

As primeiras relações românticas e sexuais de Keynes eram exclusivamente com homens. Entre seus parceiros em Eton e Cambridge estavam Dilly Knox e Daniel De Mendi Macmillan.:27 Keynes falava abertamente sobre suas relações e, entre 1901 e 1915, manteve diários em que registrou numerosos encontros sexuais. A relação e, mais tarde, a amizade com Macmillan também tiveram consequências profissionais: ele se tornaria presidente da Macmillan Publishers, editora fundada por seu avô que publicou The Economic Consequences of the Peace.:18

No Grupo de Bloomsbury, do qual Keynes participou intensamente, havia atitudes menos restritivas em relação à homossexualidade. Keynes e o escritor Lytton Strachey contribuíram para mudar os costumes dos Apóstolos de Cambridge. Segundo Bertrand Russell, as relações homossexuais entre os membros tornaram-se comuns por algum tempo. O artista Duncan Grant foi descrito como "o maior amor masculino da vida de Keynes", e seu relacionamento sexual durou de 1908 a 1915. Keynes e Lytton Strachey também tiveram relações sexuais, mas foram sobretudo rivais amorosos. Keynes conquistou a afeição de Arthur Hobhouse e, como ocorrera com Grant, isso provocou ciúmes e desentendimentos com Strachey. Strachey também se incomodava com a maneira de Keynes de "tratar seus casos amorosos estatisticamente". Outros amantes notáveis incluíram o escritor Francis Birrell, o parceiro de Grant, Bunny Garnett, o classicista John Tresidder Sheppard, o psicanalista James Strachey, irmão de Lytton, e o acadêmico indiano Benoy Kumar Sarkar.
Uma carta enviada a Strachey afirmou que ele pretendia visitar Tunísia "onde cama e menino não eram caros", bem como aconselhando Strachey a visitar Tuníssi e Sicília "se você quiser ir para onde os meninos nu dançam".
Seus adversários políticos usaram a sexualidade de Keynes para atacar seu trabalho acadêmico. Uma linha de ataque sustentou que ele não estava interessado nas ramificações de longo prazo de suas teorias porque ele não tinha filhos. Donald Kagan, em On the Origins of War, cita Sally Marks e Stephen A. Schuker para sugerir que "[a paixão de Keynes] por Carl Melchior" distorceu sua posição a favor da Alemanha.
Os amigos de Keynes no Bloomsbury Group foram inicialmente surpreendidos quando, em seus últimos anos, ele começou a buscar relações com mulheres, demonstrando ser bissexual. Ray Costelloe (que mais tarde se casou com Oliver Strachey) foi um interesse heterossexual inicial de Keynes. Em 1906, Keynes escreveu sobre essa paixão que, "Eu pareço ter me apaixonado um pouco por Ray, mas como ela não é masculina eu não não fui capaz de pensar em quaisquer passos adequados para tomar". :104

Em 1921, Keynes escreveu que ele se apaixonou "muito" por Lydia Lopokova, uma conhecida bailarina russa e uma das estrelas dos Ballets Russes, companhia dirigida por Sergei Diaghilev:395 Nos primeiros anos de seu namoro, ele manteve um caso com um homem mais jovem, Sebastian Sprott, em conjunto com Lopokova, mas acabou escolhendo Lopokova exclusivamente. Eles se casaram em 1925, com o ex-amante de Keynes, Duncan Grant, como seu melhor amigo. "Que casamento de beleza e de cérebro, a bela Lopokova e John Maynard Keynes" foi dito na época. Keynes mais tarde comentou a Strachey que beleza e inteligência raramente eram encontradas na mesma pessoa, e que apenas em Duncan Grant ele tinha encontrado a combinação. A união foi feliz, com o biógrafo Peter Clarke escrevendo que o casamento deu a Keynes "um novo foco, uma nova estabilidade emocional e um prazer puro de que ele nunca se cansa". O casal esperava ter filhos, mas isso não aconteceu.

Entre os amigos de Bloomsbury de Keynes, Lopokova foi, pelo menos inicialmente, sujeita a críticas por seus modos, modo de conversação e supostamente origens sociais humildes, sendo a última das causas aparentes particularmente notada nas cartas de Vanessa e Clive Bell e Virginia Woolf. Em seu romance Mrs Dalloway (1925), Woolf baseia o personagem de Rezia Warren Smith em Lopokova. E. M. Forster escreveu mais tarde em arrependimento sobre "Lydia Keynes, cuja cada palavra deveria ser gravada"; "Como todos nós costumávamos subestimar-a".
Keynes não teve filhos, e sua esposa viveu mais de 35 anos do que ele, morrendo em 1981.

Além de financiar apresentações e companhias, Keynes e outros integrantes de Bloomsbury apoiaram iniciativas associativas que procuravam dar aos artistas rendimentos mais estáveis sem limitar sua liberdade de criação. Entre as organizações ligadas ao círculo estavam a editora Hogarth Press, a London Artists' Association e a Contemporary Art Society. Keynes também frequentava Charleston Farmhouse, casa de campo de Vanessa Bell; a residência que mais tarde alugou em Tilton ficava nas proximidades.
Keynes pensava que a busca do dinheiro por si só era uma condição patológica, e que o objetivo apropriado do trabalho era proporcionar lazer. Ele queria horas de trabalho mais curtas e férias mais longas para todos.
Keynes estava interessado em literatura em geral e drama em particular e apoiou o Cambridge Arts Theatre financeiramente, o que permitiu que a instituição se tornasse um dos principais palcos britânicos fora de Londres.

O interesse de Keynes por ópera clássica e dança levou-o a apoiar a Royal Opera House, em Covent Garden, e a companhia de balé de Sadler's Wells. Durante a Segunda Guerra Mundial, como integrante do Conselho para o Incentivo à Música e às Artes (CEMA), ajudou a obter recursos públicos para manter as duas companhias enquanto seus teatros estavam fechados. Depois da guerra, teve papel decisivo na criação do Conselho das Artes da Grã-Bretanha e foi seu primeiro presidente em 1946. Desde o início, a Royal Opera House e Sadler's Wells receberam as maiores verbas da nova instituição.
Keynes construiu uma coleção substancial de belas obras, incluindo obras de Paul Cézanne, Edgar Degas, Amedeo Modigliani, Georges Braque, Pablo Picasso e Georges Seurat (alguns dos quais podem ser vistos no Museu Fitzwilliam). Ele gostava de coletar livros; coletou e protegeu muitos dos trabalhos de Isaac Newton. Em parte com base nesses trabalhos, Keynes escreveu sobre Newton como "o último dos mágicos".

Keynes, como outros membros do Bloomsbury Group, foi muito influenciado pela filosofia de G. E. Moore, que em 1938 ele descreveu como "ainda minha religião sob a superfície". De acordo com Moore, os estados de espírito eram as únicas coisas valiosas em si mesmas, sendo a mais importante "os prazeres das relações humanas e a contemplação de belos objetos". O biógrafo de Virginia Woolf conta uma anedótica de como Virginia Woolf, Keynes e T. S. Eliot discutiram a religião em uma festa de jantar, no contexto de sua luta contra a moralidade da Era vitoriana.
Keynes pode ter recebido a crisma religiosa, mas de acordo com a Universidade de Cambridge, ele foi claramente um agnóstico por toda a sua vida. De acordo com um biógrafo, "ele nunca foi capaz de levar a religião a sério, considerando-a como uma estranha aberração da mente humana" mas também acrescentou que ele veio a "valorizá-la por razões sociais e morais" mais tarde na vida. Outro biógrafo escreve que ele "rompeu a fé da família e se tornou um agnóstico feroz" durante seu tempo em Eton. Um conhecido de Cambridge o lembrou como "um ateu com devoção à capela do rei"." Em Cambridge, ele estava fortemente associado à Cambridge Heretics Society, um grupo ateu confesso que promoveu o secularismo e o Humanismo.

Keynes também foi um investidor bem-sucedido e acumulou uma fortuna pessoal. Seus ativos quase desapareceram após a Quinta-Feira Negra, que não previra, mas ele recuperou as perdas. Ao morrer, em 1946, seu patrimônio líquido era pouco inferior a 500 mil libras esterlinas. A soma foi acumulada apesar do apoio abundante a várias instituições de caridade e filantropia e apesar de sua relutância ética a vender em um mercado em queda em casos em que ele via tal comportamento como provável que aprofundasse uma queda.:520–521, 563–565
Keynes administrou o patrimônio universitário do King's College, Cambridge, começando na década de 1920, inicialmente com uma estratégia fracassada baseada no Tempo de mercado, mas mais tarde mudando para se concentrar nas ações de pequenas e médias empresas que pagaram grandes Dividendos. Esta foi uma decisão controversa na época, pois as ações eram consideradas de alto risco e o patrimônio secular tinha sido tradicionalmente investida em terras agrícolas e ativos de renda fixa como títulos. Keynes recebeu permissão para investir uma pequena minoria de ativos em ações, e sua gestão habil resultou nesta parte do patrimônio crescendo para se tornar a maioria dos ativos do patrimônios. O componente ativo de sua carteira superou o índice de ações britânico em uma média de 6% a 8% por ano ao longo de um quarto de século, ganhando-lhe uma menção favorável por investidores posteriores como Warren Buffett e George Soros.
Joel Tillinghast, da Fidelity Investments, descreve Keynes como um dos primeiros praticantes do Investimento em valor, uma escola de pensamento formalizada nos EUA por Benjamin Graham e David Dodd na Columbia Business School durante os anos 1920 e 1930. No entanto, acredita-se que Keynes tenha desenvolvido suas ideias de forma independente. Keynes também é considerado um pioneiro da diversificação financeira, pois reconheceu a importância de manter ativos com "riscos opostos", como escreveu "uma vez que eles são susceptíveis de se mover em direções opostas quando há flutuações gerais"; e também como um investidor internacional inicial que evitou o viés do país de origem, investindo substancialmente em ações fora do Reino Unido. Ken Fisher caracterizou Keynes como uma exceção à regra de que os economistas geralmente fazem investidores horríveis.
Keynes se juntou ao Conselho da Sociedade Nacional de Garantia de Vida Mútua em 1919 e serviu como presidente de 1921 a 1938. Keynes introduziu uma política de negociação ativa de ações de juros fixos, juntamente com investimentos em ações. "Keynes foi o primeiro a dar [o comércio de investimentos] o selo de respectabilidade e a aplicá-lo a um fundo de seguro de vida".
Olivier Accominotti e David Chambers examinaram as operações de Keynes no mercado de câmbio durante as décadas de 1920 e 1930. Compararam seu desempenho, baseado na avaliação de fundamentos econômicos, com estratégias mecânicas de carry trade e de acompanhamento de tendências. Nos anos 1920, essas estratégias foram mais rentáveis que as operações de Keynes; nos anos 1930, todas tiveram resultados relativamente fracos. Os autores ressaltaram os riscos consideráveis assumidos em cada caso. Em depoimento ao Comitê Macmillan em 1930, Keynes explicou que, nas circunstâncias examinadas, a diferença entre os juros não compensava os custos de transferir ouro entre países.

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Keynes foi um membro ao longo da vida do Partido Liberal, que até a década de 1920 tinha sido um dos dois principais partidos políticos do Reino Unido, e até 1916 muitas vezes tinha sido o poder dominante no governo. Keynes tinha ajudado a campanha dos liberais nas eleições de cerca de 1906, mas ele sempre se recusou a concorrer ao cargo, apesar de ter sido solicitado a fazê-lo em três ocasiões distintas em 1920. A partir de 1926, quando Lloyd George se tornou líder dos liberais, Keynes assumiu um papel importante na definição da política econômica do partido, mas até então os liberais haviam sido deslocados para o status de terceiro partido pelo crescente Partido Trabalhista orientado para os trabalhadores.:380–384
Em 1939, Keynes teve a opção de entrar no Parlamento como deputado independente com o assento da Universidade de Cambridge. Uma eleição parcial para o assento foi realizada devido à doença de um Tory idoso, e o mestre do Colégio de Magdalene obteve acordo de que nenhum dos principais partidos iria apresentar um candidato se Keynes escolhesse se candidatar. Keynes recusou o convite, pois sentia que exerceria maior influência nos eventos se ele permanecesse um agente livre.
Keynes defendeu a eugenia ao longo de sua carreira, como documenta o historiador David Roth Singerman. Seu envolvimento em defender a eugenia abrangeu toda sua carreira profissional, desde o serviço como tesoureiro da nova Sociedade de Eugenia da Universidade de Cambridge em 1911 até o serviço como diretor da Sociedade Britânica de Eugenia de 1937 a 1944. Em fevereiro de 1946, pouco antes de sua morte, Keynes chamou a eugenia de "o ramo mais importante, significativo e, acrescentaria, genuíno da sociologia".
Os historiadores enfatizaram que o interesse de Keynes na eugenia não era meramente incidental ou refletido pela opinião mais ampla da elite no início do século XX na Grã-Bretanha, mas foi integrado em seu pensamento econômico, ético e filosófico. Seu envolvimento precoce com questões de hereditariedade, incluindo colaboração com o geneticista William Bateson, informou suas opiniões sobre probabilidade, ciência social, hereditarização, 'qualidade' e tamanho da população e política pública.
No período entre as guerras, Keynes ligou as ideias eugenistas às suas preocupações mais amplas sobre a gestão econômica e o futuro da sociedade industrial. Ele argumentou que um planejamento social e econômico eficaz dependeria não apenas do controle do tamanho da população, mas também da melhoria de sua "qualidade", e às vezes atribuiu as dificuldades da Grã-Bretanha a deficiências de liderança que ele considerava hereditárias. Em seu ensaio "O fim do laissez-faire" (1926), Keynes argumentou que "o tempo pode chegar um pouco mais tarde quando a comunidade como um todo deve prestar atenção à qualidade inata, bem como ao mero número de seus futuros membros".
Keynes uma vez observou que "a juventude não tinha religião além do Comunismo e isso era pior do que nada". O Marxismo "não foi fundado em nada melhor do que um mal-entendido de Ricardo", e, dado o tempo, ele (Keynes) "trataria completamente com os marxistas" e outros economistas para resolver os problemas econômicos que suas teorias "ameaçam causar". Em 1925, Keynes disse que "a guerra de classes me encontrará do lado da burguesia educada".
Em 1931, Keynes tinha o seguinte a dizer sobre o leninismo: (p. 300)
Como posso aceitar uma doutrina que eleva acima de toda crítica, como sua Bíblia, um manual obsoleto [o Capital] que sei ser não apenas cientificamente equivocado, mas também desprovido de interesse ou aplicação para o mundo moderno? Como posso aderir a um credo que, preferindo a lama ao peixe, exalta o rude proletariado acima da burguesia e dos intelectuais, os quais, quaisquer que sejam suas falhas, sustentam a qualidade da vida e certamente trazem em si as sementes de todo avanço humano? Mesmo que precisemos de uma religião, como encontrá-la no amontoado turvo da livraria vermelha? É difícil para um filho instruído, decente e inteligente da Europa Ocidental encontrar ali seus ideais, a menos que tenha antes passado por uma estranha e terrível conversão que alterou todos os seus valores.
Keynes era um defensor convicto dos direitos das mulheres e em 1932 tornou-se vice-presidente da Sociedade Marie Stopes, que fornecia educação sobre contracepção.
Alguns críticos acusam Keynes de ter simpatia para com o Nazismo, e vários escritores o descreveram como antissemita. As cartas privadas de Keynes contêm retratos e descrições, algumas das quais foram caracterizadas como antissemitas, enquanto outras como filossemitas.

Os estudiosos sugeriram que estes refletem clichês atuais na época que ele aceitou sem críticas, em vez de qualquer racismo. Em várias ocasiões, Keynes usou sua influência para ajudar seus amigos judeus, principalmente quando ele fez lobby com sucesso para que Ludwig Wittgenstein fosse autorizado a residência no Reino Unido, explicitamente para resgatá-lo de ser deportado para a Áustria ocupada pelos nazistas em 1938 e, vinte anos antes, para garantir sua libertação como prisioneiro de guerra na Itália em 1918. Keynes era um apoiador do Sionismo, servindo em comitês que apoiavam a causa.
As alegações de que ele era racista ou tinha crenças totalitárias foram rejeitadas por Robert Skidelsky e outros biógrafos. O professor Gordon Fletcher escreveu que "a sugestão de uma ligação entre Keynes e qualquer apoio ao totalitarismo não pode ser sustentada". Uma vez que as tendências agressivas dos nazistas em relação aos judeus e outras minorias se tornaram evidentes, Keynes deixou claro seu ódio ao nazismo. Como pacifista de toda a vida, ele tinha inicialmente favorecido a contenção pacífica da Alemanha nazista, mas começou a defender uma resolução vigorosa enquanto muitos conservadores ainda estavam defendendo o apaziguamento. Após o início da guerra, ele criticou rotundamente a esquerda por perder o ânimo de confrontar Adolf Hitler, dizendo: :586
A intelectualidade da esquerda foi a mais alta em exigir que a agressão nazista fosse resistida a todo custo. Quando se trata de um confronto, apenas quatro semanas passaram antes que se lembrem de que são pacifistas e escrevam cartas derrotistas para as suas colunas, deixando a defesa da liberdade e da civilização ao Coronel Blimp e ao Old School Tie, para quem Three Cheers.


Ao longo de sua vida, Keynes trabalhou energicamente para o benefício do público e de seus amigos; mesmo quando sua saúde era pobre, ele trabalhou para resolver as finanças de sua antiga faculdade. Ao ajudar a criar o sistema de Bretton Woods, procurou estabelecer um Sistema Monetário Internacional que beneficiasse a economia mundial. Em 1946, Keynes sofreu uma série de ataques cardíacos que acabariam por ser fatais. Os primeiros ocorreram durante as negociações para o Empréstimo anglo-americano em Savannah, Geórgia, onde ele estava tentando garantir termos favoráveis para o Reino Unido dos Estados Unidos, um processo que ele descreveu como "um inferno absoluto". Poucas semanas após retornar dos Estados Unidos, Keynes morreu de um ataque cardíaco em Tilton, sua casa de fazenda perto de Firle, East Sussex, Inglaterra, em 21 de abril de 1946, aos 62 anos de idade.:832 Contra seus desejos (ele queria que suas cinzas fossem depositadas na cripta do King's), suas cinzas foram espalhadas pelos Downs acima de Tilton.
Ambos os pais de Keynes sobreviveram a ele: seu pai John Neville Keynes (1852-1949) por três anos, e sua mãe Florence Ada Keynes (1861-1958) por doze anos. O irmão de Keynes, Sir Geoffrey Keynes (1887-1982) foi um cirurgião, estudioso e bibliófilo distinguido. A irmã de Keynes, Margaret Hill (1885-1970) foi uma promissora reformadora social. Seus sobrinhos incluem Richard Keynes (1919-2010), um fisiólogo, e Quentin Keynes (1921-2003), um aventureiro e bibliófilo. Sua sobrinha, Polly Hill (1914-2005), era uma antropóloga econômica e membro emérito de Clare Hall, Cambridge.

Em 2015, a Charleston Trust e o grupo EFG International criaram o Prêmio John Maynard Keynes para reconhecer contribuições às artes e às humanidades associadas a princípios que orientaram sua atuação cultural. O primeiro homenageado foi o economista Amartya Sen.
Em 2026, Keynes foi tema da peça The Standard of Living, apresentada no West End e escrita por James Graham.


A relação abaixo reúne outros textos de Keynes publicados em periódicos, coletâneas ou como panfletos; os títulos bibliográficos são mantidos no idioma de publicação. Os escritos encontram-se reunidos, com dados de edição, em The Collected Writings of John Maynard Keynes.
I again fell very much in love with her. She seemed to me perfect in every way.
For nearly forty years, historians of twentieth-century diplomacy have argued that the Versailles treaty was more reasonable than its reputation suggests and that it did not of itself cause the Depression, the rise of Hitler, or World War II
Modern liberalism was the dominant ideology in Western nations from the end of World War II until the early 1970s. Its appeal stemmed from not only the success of Keynesian economics in maintaining prosperity during that period, but also from the postwar revulsion towards any pure form of ideology.
If Adam Smith is the quintessential classical liberal, the twentieth-century British economist John Maynard Keynes, whose ideas paved the way for massive public works projects and countercyclical economic policies meant to soften the ups and downs of the business cycle, best represents the modern version.
Using this new dataset, our estimates suggest fiscal consolidation has contractionary effects on private domestic demand and GDP.
... the private Keynes, emerging in the passionate homosexual involvements that would rule his emotional life until his marriage to the famous Russian ballerina Lydia Lopokova in 1925.
Lydia Keynes, whose every word should be recorded, said to me as I was leaving her flat the other night: 'You know I once tumbled from the stairs and believe me I paid the price.' I took the sentence down before I forgot it.