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| Faroeste |
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Faroeste ou western é um gênero de vários tipos de arte que contam histórias ambientadas, primordialmente, no Velho Oeste dos Estados Unidos do século XIX, normalmente centrado na vida dos cowboys ou pistoleiros armados com revólveres e rifles da época, em cima dos seus cavalos. Estes personagens frequentemente usavam o notório chapéu stetson, bandanas, esporas, botas e camurças. Outros personagens incluem índios americanos, bandidos, homens da lei, caçadores de recompensas, foras da lei, cavalaria montada, colonos e moradores da cidade. Embora a maioria das histórias se passe durante o período de expansão para o oeste no século XIX, especialmente entre meados desse século (por volta da Corrida do ouro na Califórnia) e o encerramento da fronteira em 1890, contudo, há obras que fogem a essa cronologia.
O gênero retrata a fronteira americana como uma região pouco povoada e marcada pela ausência de lei, explorando temas como justiça, liberdade, individualismo, o conflito entre civilização e natureza selvagem, e a identidade nacional dos Estados Unidos. Em obras mais antigas, os nativos costumavam ser estereotipados como vilões; já produções recentes oferecem visões mais complexas e humanizadas.
Originado na tradição vaqueira, o faroeste popularizou mundialmente o estilo de vida, a música e a moda do Oeste. O termo "western" adaptado do inglês west é usado tanto no cinema quanto na literatura. No Brasil, esse gênero é conhecido como faroeste derivação de far-west, expressão pela qual o Velho Oeste também é designado ou bang-bang, aportuguesado por vezes como bangue-bangue. Esta última denominação tem origem onomatopaica: reproduz o som seco e repetido dos tiros de revólver, tão característicos dos duelos e perseguições armadas que marcaram os filmes do gênero.
A visão mítica do Velho Oeste pode ser rastreada pelo menos até o próprio Wild West and Congress of Rough Riders of the World, o espetáculo que Buffalo Bill levou ao redor do mundo a partir de 1883 .
O gênero inspirou todas as formas de arte: cinema, literatura, quadrinhos, música, televisão, videogames, pintura e até ópera. Embora frequentemente idealizado como símbolo de liberdade e esperança, o Velho Oeste também foi um território violento e sem leis, onde armas de fogo e fora da lei eram comuns.
O faroeste tem como palco as regiões oeste e sul dos Estados Unidos entre o fim da Guerra de Secessão e o final da década de 1880, abordando temas como cowboys e transporte de gado, conflitos entre brancos e índios, a aplicação da lei e o avanço da civilização, além de histórias de caçadores, pioneiros, montanheses, corrida do ouro e mineração. Trata-se de um drama moral que confronta o selvagem e a civilização, seja pela conquista do deserto em nome do progresso ou pela expropriação dos territórios nativos.
As narrativas giram em torno de andarilhos, cowboys ou pistoleiros armados, herdeiros dos cavaleiros andantes medievais e comparáveis aos ronin japoneses, que vagam guiados por um código de honra pessoal. Os homens vestem chapéus Stetson, bandanas, coletes e botas com esporas, enquanto as mulheres aparecem em papéis secundários como interesse amoroso, garota de salão, prostituta ou esposa, esta última podendo gerar conflito entre herói e vilão ou ser alívio cômico. O elenco inclui ainda nativos americanos ou pele-vermelhas, afro-americanos, sino-americanos, espanhóis, mexicanos, xerifes, caçadores de recompensas, fora da lei, barmen, comerciantes, jogadores, soldados e colonos.
Os cowboys usam chapéus Stetson, lenços, esporas e peles de veado, usam revólveres ou rifles como ferramentas cotidianas de sobrevivência e como meio de resolver disputas usando justiça de fronteira. Os protagonistas cavalgam entre cidades empoeiradas e fazendas de gado em seus corcéis fiéis.
Os cenários típicos são ranchos, cidades de fronteira, saloons, ferrovias e fortes militares em meio a uma paisagem árida de desertos e montanhas, que oferece uma "visão mítica do Oeste americano" e reforça o isolamento do selvagem. O saloon é o coração do Velho Oeste, com música de piano, prostitutas, jogos de azar, bebidas, brigas e tiros; onde a civilização chegou, há igreja, loja, banco e escola; onde a fronteira impera, como disse Sergio Leone, a vida não tem valor. Outros locais incluem acampamentos de mineração, cânions para emboscadas, cidades-fantasma, rios perigosos, campos de batalha da Guerra Civil e territórios indígenas. O enredo típico parte de um crime, segue-se a perseguição ao culpado e termina em vingança com um duelo, cena imortalizada em Matar ou Morrer.
A sociedade do faroeste baseia-se em códigos de honra e na "justiça de fronteira" por tiroteios, em oposição à justiça racional e institucional das cidades. Embora geralmente moralistas, obras como as de John Ford e Os Imperdoáveis de Clint Eastwood trazem ambiguidade. Outros temas recorrentes são o choque entre modernidade e tradição, a violência como recurso ou status, o trauma da Guerra Civil, identidades ocultas, redenção, solidão do pioneiro, capitalismo predatório de magnatas, lealdade entre parceiros e a nostalgia pelo fim de uma era. A atmosfera é complementada por trilha sonora de música folclórica americana, country, nativa americana, do Novo México e rancheras.
Frank Gruber determinou que existiam apenas sete tipos em torno de determinados eixos argumentais básicos das tramas, embora tenha esquecido alguns aspectos:
Poderia ser complementado com histórias de caçadores, pioneiros e montanheses, ou textos que tratam da corrida do ouro e da indústria mineradora.

O American Film Institute define filmes faroeste como aqueles "ambientados no oeste americano que [incorporam] o espírito, a luta e o fim da nova fronteira". Originalmente, esses filmes eram chamados de "dramas do Oeste Selvagem", uma referência aos espetáculos do Oeste Selvagem como os de Buffalo Bill Cody. O termo "western", usado para descrever um gênero de filme narrativo, parece ter se originado de um artigo de julho de 1912 na revista Motion Picture World.
A maioria das características dos filmes faroeste faziam parte do faroeste popular do século XIX, e estavam firmemente estabelecidas antes do cinema se tornar uma forma de arte popular. Os primeiros filmes que pertencem ao gênero são uma série de curtas silenciosos de um rolo feitos em 1894 pelos Edison Studios em seu estúdio Edison's Black Maria em West Orange, New Jersey. Esses filmes apresentavam veteranos do espetáculo Wild West de Buffalo Bill exibindo habilidades adquiridas ao viver no Velho Oeste – eles incluíam Annie Oakley (tiro) e membros dos Sioux (dança).

O primeiro filme narrativo faroeste conhecido é o curta britânico Kidnapping by Indians, feito por Mitchell and Kenyon em Blackburn, Inglaterra, em 1899. The Great Train Robbery (1903, baseado no filme britânico anterior A Daring Daylight Burglary), filme de Edwin S. Porter estrelado por Broncho Billy Anderson, é frequentemente erroneamente citado como o primeiro faroeste, embora George N. Fenin e William K. Everson apontem (como mencionado acima) que a "companhia Edison havia trabalhado com material faroeste por vários anos antes de The Great Train Robbery". Ainda assim, eles concordam que o filme de Porter "estabeleceu o padrão—de crime, perseguição e retribuição—para o filme faroeste como um gênero". A popularidade do filme abriu as portas para Anderson se tornar a primeira estrela faroeste da tela; ele fez várias centenas de curtas faroeste. Tão popular era o gênero que ele logo enfrentou competição de Tom Mix e William S. Hart.
Os filmes faroeste foram enormemente populares na era do cinema mudo (1894–1927). Com o advento do som em 1927–1928, os grandes estúdios de Hollywood rapidamente abandonaram os faroestes, deixando o gênero para estúdios menores e produtores. Essas organizações menores produziram incontáveis filmes de baixo orçamento e seriados na década de 1930. Uma exceção foi The Big Trail, um faroeste americano pré-Código Hays de 1930 em tela panorâmica filmado em locação no oeste americano, estrelado por John Wayne de 23 anos em seu primeiro papel principal e dirigido por Raoul Walsh. O filme épico notável por sua autenticidade foi um fracasso financeiro devido aos cinemas da era da Depressão não estarem dispostos a investir na tecnologia de tela panorâmica. Os faroestes B dominaram as décadas de 1930 e 1940, produzidos por estúdios menores com baixo orçamento e voltados principalmente para o público infantojuvenil das matinês. As crianças participavam ativamente das sessões, garantindo a produção de dezenas de seriados com personagens e enredos padronizados.
Os seriados eram uma espécie de filme B com características próprias: herói, heroína, vilão, capangas, prêmio, cliffhanger (gancho no final de cada capítulo) e, muitas vezes, mistério com identidades secretas reveladas apenas no último capítulo. A Republic Pictures foi a maior produtora do gênero, desenvolvendo projetos anuais para suas obras.
No final da década de 1930, o filme faroeste era amplamente considerado um gênero pulp em Hollywood, mas sua popularidade foi dramaticamente revivida em 1939 por grandes produções de estúdio como Dodge City estrelado por Errol Flynn, Jesse James com Tyrone Power, Union Pacific com Joel McCrea, Destry Rides Again apresentando James Stewart e Marlene Dietrich, e especialmente a aventura faroeste marcante de John Ford Stagecoach estrelado por John Wayne, que se tornou um dos maiores sucessos do ano. Lançado pela United Artists, Stagecoach fez de John Wayne uma estrela mainstream na esteira de uma década liderando faroestes B. Wayne havia sido apresentado à tela 10 anos antes como o ator principal no espetacular tela panorâmica The Big Trail do diretor Raoul Walsh, que falhou na bilheteria apesar de ter sido filmado em locação pelo oeste americano, incluindo o Grand Canyon, Yosemite, e as gigantes sequoias, em parte devido à incapacidade dos exibidores de mudar para tela panorâmica durante a Grande Depressão. Após sucessos comerciais renovados no final da década de 1930, a popularidade dos faroestes continuou a crescer até seu pico na década de 1950, quando o número de filmes faroeste produzidos superou todos os outros gêneros combinados.

O período de 1940 a 1960 foi chamado de "Era Dourada do faroeste". É exemplificado pelo trabalho de vários diretores proeminentes incluindo Robert Aldrich, Budd Boetticher, Delmer Daves, John Ford, e outros. Alguns dos filmes populares durante essa era incluem Apache (1954), Broken Arrow (1950), e My Darling Clementine (1946). A mudança na popularidade do gênero faroeste influenciou a cultura pop mundial ao longo do tempo. Durante as décadas de 1960 e 1970, Spaghetti faroestes da Itália se tornaram populares mundialmente; isso se deveu ao sucesso do método narrativo de Sergio Leone. O Brasil também desenvolveu sua própria vertente do gênero, conhecida como faroeste feijoada ou faroeste caboclo, com exemplos datados desde o começo do século XX, mas com um desenvolvimento mais expressivo a partir dos anos 1950. Um marco fundamental foi o filme O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto, que não apenas impulsionou um subgênero específico, o nordestern, ambientado no sertão nordestino, mas também ajudou a lançar outras produções cinematográficas fora desse cenário.
Após ter sido anteriormente declarado morto, um ressurgimento dos faroestes ocorreu durante a década de 1990 com filmes como Dances with Wolves (1990), Unforgiven (1992), e Geronimo (1993), já que os faroestes mais uma vez aumentaram em popularidade.
Quando a televisão se tornou popular no final da década de 1940 e 1950, os faroestes televisivos rapidamente se tornaram favoritos da audiência.[falta página] Começando com retransmissões de filmes existentes, vários cowboys de cinema tiveram seus próprios programas de TV. Com o aumento da demanda pelos faroestes, novas histórias e estrelas foram introduzidas. Vários faroestes televisivos de longa duração se tornaram clássicos por direito próprio, como: The Cisco Kid (1950-1956), The Lone Ranger (1949–1957), Death Valley Days (1952–1970), The Life and Legend of Wyatt Earp (1955–1961), Cheyenne (1955–1962), Gunsmoke (1955–1975), Maverick (1957–1962), Have Gun – Will Travel (1957–1963), Wagon Train (1957–1965), The Rifleman (1958–1963), Rawhide (1959–1966), Bonanza (1959–1973), The Virginian (1962–1971), e The Big Valley (1965–1969). The Life and Legend of Wyatt Earp foi a primeira série de televisão de faroeste escrita para adultos, estreando quatro dias antes de Gunsmoke em 6 de setembro de 1955.:570,786:351,927
O ano de pico para os faroestes televisivos foi 1959, com 26 programas sendo exibidos no horário nobre. Pelo menos seis deles estavam conectados de alguma forma a Wyatt Earp: The Life and Legend of Wyatt Earp, Bat Masterson, Tombstone Territory, Broken Arrow, Johnny Ringo, e Gunsmoke. Os custos crescentes da produção televisiva americana eliminaram a maioria das séries de ação de meia hora no início da década de 1960, e sua substituição por programas televisivos de uma hora, cada vez mais em cores.[falta página] Os faroestes tradicionais desapareceram no final da década de 1960 como resultado de mudanças nas redes no direcionamento demográfico junto com pressão de grupos televisivos parentais. Futuras entradas no gênero incorporariam elementos de outros gêneros, como drama criminal e elementos de mistério. Os programas faroeste da década de 1970 incluíram Hec Ramsey, Kung Fu, Little House on the Prairie, McCloud, The Life and Times of Grizzly Adams, e a aclamada mas de curta duração How the West Was Won que se originou de uma minissérie com o mesmo nome. Na década de 1990 e 2000, faroestes de uma hora e filmes faroeste feitos para TV elegantemente embalados foram introduzidos, como Lonesome Dove (1989) e Dr. Quinn, Medicine Woman. Além disso, novos elementos foram mais uma vez adicionados à fórmula faroeste. Surgiu então o weird wesern (faroeste estranho), subgênero que mistura o Velho Oeste com ficção científica, fantasia e terror. Um de seus precursores foi a série The Wild Wild West (1965–1969), que já trazia espionagem, robôs e invenções anacrônicas em um cenário de faroeste, antecipando o steampunk décadas antes.
Já em 2002, o criador Joss Whedon apresentou Firefly, um faroeste espacial que transportou a estética de fronteira e cowboys para o espaço. A série é considerada um subgênero que mistura space opera com faroeste, criando uma narrativa de navegantes solitários em uma nave, explorando planetas remotos com leis próprias, muito semelhante aos pistoleiros e foras-da-lei do Velho Oeste. Deadwood foi uma série faroeste aclamada pela crítica que foi ao ar na HBO de 2004 a 2006. Hell on Wheels, uma história fictícia da construção da primeira ferrovia transcontinental, foi ao ar na AMC por cinco temporadas entre 2011 e 2016. Longmire é uma série faroeste que se centrava em Walt Longmire, um xerife no condado fictício de Absaroka, Wyoming. Originalmente exibida na rede A&E de 2012 a 2014, foi adquirida pela Netflix em 2015 até a conclusão do programa em 2017. AMC e a aclamada pela crítica Breaking Bad de Vince Gilligan é uma abordagem muito mais moderna do gênero faroeste. Ambientada no Novo México, segue Walter White (Bryan Cranston), um professor de química diagnosticado com câncer de pulmão estágio III que cozinha e vende metanfetamina cristal para fornecer dinheiro para sua família depois que ele morrer, enquanto gradualmente se aprofunda cada vez mais no mercado ilícito de drogas, eventualmente se transformando em um traficante e assassino implacável. Embora o programa tenha cenas em um bairro suburbano povoado e na próxima Albuquerque, grande parte do programa se passa no deserto, onde Walter frequentemente leva seu trailer para o deserto aberto para cozinhar sua metanfetamina, e a maioria das sequências de ação ocorrem no deserto, semelhante aos filmes faroeste antigos. O confronto entre o Velho Oeste e a tecnologia moderna como carros e celulares, enquanto também se foca principalmente em ser um drama criminal torna o programa um spin único em ambos os gêneros. A dependência de Walter no ambiente desértico faz o clima faroeste desempenhar um papel fundamental no programa, e continuaria a ser usado na série spin-off Better Call Saul. O drama neo-western Yellowstone foi transmitido de 2018–2024.

O faroeste como gênero tem origens nos penny dreadfuls, na Inglaterra, e, principalmente, nos dime novels, publicações baratas que faziam enorme sucesso nos Estados Unidos a partir de 1860. O primeiro deles foi Malaeska; the Indian Wife of the White Hunter, lançado em 1860. Essas publicações ficcionalizavam figuras reais como Billy the Kid, Wyatt Earp e Buffalo Bill. Este último não apenas inspirou inúmeras narrativas, começando com Buffalo Bill, the King of the Border Men, de Ned Buntline, publicado como folhetim no New York Weekly a partir de 23 de dezembro de 1869, mas também ajudou a criar os tropos do gênero ao encenar seus famosos Wild West Shows, espetáculos que popularizaram a imagem romantizada do cowboy, do índio, do xerife e do fora da lei.
Em dezembro de 1872, Buntline escreveu uma peça sobre Buffalo Bill, Scouts of the Prairie, que foi interpretada pelo próprio Cody, por Texas Jack Omohundro, pela bailarina italiana Giuseppina Morlacchi e pelo próprio Buntline. Outro autor que poularizou Bill nos dime novels foi Prentiss Ingraham.
Além disso, Buffalo Bill apareceu em filmes do início do século XX, consolidando visual e tematicamente o imaginário do Velho Oeste. Em 1877, surgem as narrativas do cowboy mascardo Deadwood Dick de Edward Lytton Wheeler.
Na Espanha, a produção de faroeste também teve precedentes ainda no século XIX, como Esteban Hernández y Fernández, que publicou entre 1870 e 1881, com destaque para Los hijos del desierto, lançada por volta de 1876, considerada a primeira história do Oeste escrita em espanhol. Nesse mesmo período, autores de outros países europeus, como o alemão Karl May, também adotaram o gênero a partir de cerca de 1880, escrevendo romances completos que se tornaram extremamente populares no continente, embora geralmente fossem considerados triviais pelos críticos literários da época. May, inspirou-se bastante em James Fenimore Cooper, o autor americano que escreveu O Último dos Moicanos (1826), uma num período anterior ao Velho Oeste.
Na Itália, as primeiras obras que podem ser plenamente inseridas no gênero faroeste foram escritas na segunda metade do seculo XIX pelo escritor veronês Emilio Salgari, que afirmava ter conhecido Buffalo Bill em uma de suas visitas ao continente europeu, ele o usa em um de seus livro La Sovrana del Campo d'Oro (1905). Em sua vasta carreira literária, encontra-se o chamado Ciclo delle avventure nel Far West (Ciclo das Aventuras no Faroeste), iniciado em 1908 com Sulle frontiere del Far West, continuado em 1909 com La scotennatrice, ambientado em pleno território indígena, e concluído com Le selve ardenti, em 1910.
O primeiro faroeste criticamente reconhecido nos Estados Unidos foi The Virginian, de Owen Wister, lançado em 1902. A partir dessa obra inaugural, o gênero foi cultivado por autores como O. Henry, que publicou a coletânea The Heart of the West (1907), na qual criou o célebre Cisco Kid, no conto The Caballero's Way, um bandido que, nas telas, seria reformulado e transformado em herói popular e Stewart Edward White, autor de The Westmen (1901) e dos contos de Arizona Nights. No início do século XX, Zane Grey destacou-se com uma vasta produção, Ernest Haycox, Luke Short e Louis L'Amour, de meados do século XX. Com a explosão das revistas pulp nos anos 1920, com títulos como Cowboy Stories, Star Western e Western Story Magazine, o faroeste expandiu-se enormemente, beneficiando autores como Max Brand. Outros nomes relevantes do período incluem Eugene M. Rhodes, William McLeod Raine, W.C. Tuttle (filho de um xerife),Clarence E. Mulford (criador de Hopalong Cassidy) e Louis L'Amour, este último já best-seller, ao lado de Ernest Haycox, Luke Short e muitos outros que consolidaram a popularidade do gênero.. O cinema da época também ajudou a consolidar o gênero. Muitos escritores mais conhecidos em outros gêneros, como Leigh Brackett, Elmore Leonard e Larry McMurtry, também escreveram romances de faroeste.
O gênero ganhou novo impulso na Espanha em 1944, quando a Editora Cliper, de Barcelona, lançou a série El Coyote, de José Mallorquí. A publicação inaugurou a coleção de bolso Novelas del Oeste e foi um sucesso imediato, tornando-se um dos maiores fenômenos editoriais da Espanha. O personagem, inspirado em Zorro de Johnston McCulley, era a identidade secreta de Don César de Echagüe, um aristocrata californiano que à noite se tornava o justiceiro mascarado defensor dos fracos. A série fez imenso sucesso no país: foram publicados cerca de 200 números, com mais de 4 milhões de exemplares vendidos. A partir daí, destacaram-se dezenas de autores que, em sua maioria, utilizavam pseudônimos em inglês, muitos deles para burlar a censura franquista. Entre os nomes mais importantes estão o próprio José Mallorquí, criador de El Coyote; Marcial Lafuente Estefanía e seus filhos; Francisco González Ledesma, que escrevia como Silver Kane e cuja primeira novela, Sombras Viejas de 1948, recebeu prêmios e elogios de Somerset Maugham, mas foi vítima da censura; Francisco Caudet Yarza, conhecido como Frank Caudett; Juan Gallardo Muñoz, mais conhecido como Curtis Garland ou Donald Curtis; Luis García Lecha, com o pseudônimo Clark Carrados; Francisco Javier Miguel Gómez, que escreveu como Lem Ryan; Antonio Vera Ramírez, que utilizou o pseudônimo Lou Carrigan para o gênero; o jornalista republicano Eduardo de Guzmán, mais conhecido como Edward Goodman; Javier Tomeo, que escreveu com o pseudônimo Keller e também obteve sucesso na literatura séria; Joaquín Ruiz Catarineu, como Jack Logan; José López García, como Adam Surray; Miguel Lavios Angulo, como Sam Fletcher; Andrés Castillejos Osuna, como Andrews Castle; Juan Losada Martín, como John L. Martyn; Luis Rodríguez Aroca, como Louis Rock ou Lewis Haroc; Alfonso Manzanares, como Alf Manz; Félix Martínez Orejón, como Fel Marty; José Moreno García, como Joe Mogar; Jesús Navarro Carrión-Cervera, como Jess McCarr; Miguel María Astraín Bada, como Mikky Roberts; Pedro Guirao Hernández, como Peter Capra; e Alfred Revetllat Fosch, autor da série Arizona Bill, entre muitos outros.
Em 1956, a Editora Monterrey, fundada no Rio de Janeiro pelos espanhóis Luis de Benito e Juan Fernandes Salmeron, lançou El Coyote no Brasil, importando o formato de bolso que já fazia sucesso na Espanha.
Em 1968, R. F. Lucchetti publicou O Mistério da Mina Abandonada (como Frank Jordan), considerado o primeiro faroeste brasileiro de bolso, pela Editora Prelúdio. Monterrey e Cedibra (antiga Bruguera) e, a partir de 1986, a Nova Leitura investiram na produção local com autores como Ryoki Inoue (recordista do Guinness com 999 livros) e Júlio Emílio Braz, todos usando heterônimos, como Jonathan Fox e Troy Sagan, contando ainda com capas ilustradas por artistas como Antonino Homobono Balieiro e Nicole Kirsteller, esposa de Inoue.
Nos Estados Unidos, a popularidade do gênero atingiu o pico na década de 1960, devido em parte ao fechamento de muitas revistas pulp, à popularidade dos faroestes televisivos e ao surgimento do romance de espionagem. O número de leitores começou a cair em meados da década de 1970 e atingiu uma nova baixa nos anos 2000. A maioria das livrarias, fora de alguns estados do Oeste americano, agora carrega apenas um pequeno número de romances faroeste e coleções de contos.
Formas literárias que compartilham temas semelhantes incluem histórias da fronteira americana, a literatura gaúcha da Argentina, contos do povoamento do interior australiano e os folhetos de poesia de cordel no Brasil.
As primeiras histórias em quadrinhos do gênero faroeste surgiram inicialmente em tiras de jornal no começo do século XX. Um dos primeiros exemplos foi Lariat Pete, uma tira humorística criada por John Campbell Cory, que circulou de 1901 a 1903 e foi ocasionalmente ilustrada por Dan McCarthy e George Herriman. Victor Forsythe também introduziu abordagens humorísticas do gênero com Bad Bill the faroeste Wildcat (1911) e Tenderfoot Tim (1912–1914), ambas publicadas no New York World. Em outubro de 1927, J. Carrol Mansfield, mais conhecido pela tira educativa High Lights of History (1924–1942), lançou Buffalo Bill, Scout of Scouts, uma tira diária de narrativa contínua que retratava os anos de formação do jovem Buffalo Bill. Em junho de 1927, surgiu Young Buffalo Bill de Harry O’Neil (título posteriormente alterado para Buckaroo Bill e, por fim, Broncho Bill), distribuída pela United Feature Syndicate. Após a saída de O’Neill, Fred Meagher deu continuidade à série por um breve período, e o título foi posteriormente substituído pelas tiras oficiais de Buffalo Bill (1950–1956). Em 1933, o desenhista Fred Harman lançou a tira Bronc Peeler. Harman ficaria ainda mais conhecido por desenhar as histórias de Red Ryder, personagem criado em 1938 por ele e pelo roteirista Stephen Slesinger. Ambos os personagens são bastante parecidos e possuem como sidekick um garoto da tribo Navajo Little Beaver (conhecido no Brasil por Filhote de Castor), com a diferença que Bronc Peeler tinha suas histórias ambientadas no século XX, sendo um exemplo de western contemporâneo. No Brasil, ambos os personagens foram publicados como um sendo um só, ora com o nome de Bronco Piler, ora com o nome de Nevada.
Na segunda metade da década de 1930, o faroeste migrou para as revistas em quadrinhos (comic books). Os títulos pioneiros foram Star Ranger e Western Picture Stories, ambos lançados em 1936 pela Centaur Publications. Em 1936, Edward "Tex" O'Reilly, que havia criado o personagem Pecos Bill em 1923 por meio de um conto apresentado como folclore cowboy, uniu-se ao cartunista Jack A. Warren para desenvolver uma tira de jornal do personagem. Mais tarde, o conto original foi desmascarado como um exemplo de "fakelore", ou seja, uma invenção literária disfarçada de tradição popular. A tira foi distribuída nacionalmente pelo George Matthew Adams Service entre 1936 e 1937 e, posteriormente, reimpressa em revistas da Dell Comics em 1938 e 1939, também em 1938, a Dell Comics começou a publicar adaptações de filmes de faroeste B, ampliando a presença do gênero nas bancas.

O grande auge dos quadrinhos faroeste aconteceu no pós-guerra, entre 1948 e 1960, quando os super-heróis saíram de moda e o faroeste dominou as bancas americanas. A Marvel (então Timely/Atlas) lançou títulos de grande sucesso como Kid Colt Outlaw (1948), que durou 31 anos e 229 edições, detendo o recorde de longevidade para uma HQ de faroeste nos Estados Unidos. Outros títulos importantes foram Rawhide Kid, Two-Gun Kid e Cavaleiro Negro (Black Rider). Uma característica marcante desse período foi a explosão de títulos estrelados por atores de cinema, como Tom Mix, Roy Rogers, Gene Autry e John Wayne. Quase toda estrela do faroeste ganhou seu próprio quadrinho, muitas vezes com capas com fotos dos astros Tom Mix, em particular, teve sua imagem licenciada para quadrinhos mesmo após sua morte em 1940, com a Fawcett Comics lançando Tom Mix Western em 1948.
Em 1948, a Disney lançou Melody Time, com um segmento animado estrelado por Pecos Bill, que conta com uma introdução em live-action de Roy Rogers, cantando a música tema do personagem.
Impulsionado pelo filme, o personagem voltou a aparecer nos quadrinhos americanos: a editora Patches Publications lançou a revista The Westerner Comics, tendo como personagem principal Wild Bill Pecos, publicada até 1951, e no exemplar de estreia (n.º 14, junho de 1948) também foi publicado o conto The Very True Story of Pecos Bill. Entre 1948 e 1951, Clint Harmon criou sua própria versão do personagem para a Charlton Comics, com aparições em títulos como Tim McCoy e Cowboy Western Comics.

No entanto, essa popularidade atraiu a atenção de críticos ferrenhos, especialmente do psiquiatra Fredric Wertham, autor do livro Seduction of the Innocent (1954). Wertham não atacava apenas a violência explícita das histórias, mas também a perigosa associação entre os quadrinhos de faroeste e os anúncios de armas e facas que enchiam as páginas dessas revistas. Para ele, os quadrinhos não só glamorizavam o crime, mas também forneciam aos jovens leitores os meios para transformar a fantasia em realidade, ao anunciar carabinas, adagas de mola e facas de arremesso. Essa campanha moralista, somada às audiências no Senado dos EUA, resultou na criação do Comics Code Authority (CCA) em 1954, um rígido código de censura que devastou o gênero faroeste. As regras do código foram desenhadas para responder às críticas de Wertham, eliminando tudo o que ele considerava perigoso: proibiu cenas de violência excessiva, tortura, derramamento de sangue, figuras de autoridade corruptas, ambiguidade moral dos heróis, horror e sobrenatural, além de censurar a representação sensual das mulheres.
Na década de 1960, com a volta dos super-heróis, o gênero entrou em declínio nos EUA. Apenas alguns títulos sobreviveram, e o faroeste tradicional praticamente desapareceu das grandes editoras.
A DC Comics também investiu pesado, com a série All-Star Western e a criação do anti-herói Jonah Hex em 1972, um caçador de recompensas com o rosto desfigurado que se tornou o personagem de faroeste mais famoso da editora.

A Itália possui uma tradição fortíssima no gênero faroeste, que vai muito além dos westerns spaghettis. Essa influência se estende também aos quadrinhos, com várias séries que se mantêm populares por décadas. O primeiro quadrinho do gênero foi Kit Carson de Rino Albertarelli, lançado em 1937, inspirado no personagem histórico. Entre as mais famosas estão Tex Willer (1948), Capitan Miki (1951), Il Grande Blek (1954), Cocco Bill (1957), Zagor (1961), Storia del West (1967) e Ken Parker (1977).
Apesar de exemplos anteriores nos Estados Unidos, foi na Itália que Pecos Bill encontrou seu verdadeiro sucesso midiático e se consolidou como um fenômeno editorial. Em 1949, a editora Mondadori lançou uma série de quadrinhos criada por Guido Martina (roteiro) e um grupo de desenhistas, incluindo Raffaele Paparella, Dino Battaglia e Gino D'Antonio. Esta versão italiana se afastou significativamente da original, a HQ abandonou o exagero cômico das histórias de O'Reilly e, ao mesmo tempo, o herói não portava armas de fogo. A série foi publicada de 1949 a 1955, totalizando 165 episódios, e seu sucesso foi tão grande que outras editoras italianas deram continuidade ao personagem: em 1956, a Alpe lançou Le nuove avventure di Pecos Bill, com uma interpretação diferente (desta vez com armas), criada por Cesare Solini e desenhada por Pietro Gamba. Em 1960, a Mondadori republicou as histórias originais na série Albi d'Oro e, em 1962, vendeu os direitos para a Fasani, que publicou mais de trezentas edições com novas histórias até 1967 as primeiras 49 foram escritas por Roberto Renzi e desenhadas por Franco Donatelli com participação de outros artistas como Guglielmo Letteri. Em 1978, a Bianconi estreou nova versão criada por Armando Bonato.
Entre 1950 e 1956, o jornal Pittsburgh Courier publica a tira The Chisholm Kid ilustrada por Carl Pfeufer, a tira é notória por ser a primeira HQ protagonizada por um cowboy negro. A Dell Comics, conhecida por publicar The Lone Ranger, apresentou Lobo em 1965. Criado por D. J. Arneson e Tony Tallarico, este herói do Velho Oeste é amplamente considerado o primeiro personagem afro-americano a estrelar sua própria revista em quadrinhos.
Em meados da década de 1960, as três principais revistas franco-belgas competiam com três títulos do gênero: Spirou, com o já clássico Jerry Spring (1954), de Jijé, Pilote, com Blueberry (1963), de Charlier e Jean Giraud e Tintin, com Comanche (1969), de Greg e Hermann.
Em 1975, é lançada na Nigéria, a revista Powerman, produzida na Inglaterra, a revista era dedicada a um super-herói negro, ms também trazia a HQ The Black Star Featuring Jango, sobre um xerife negro em uma cidade fictícia no Texas.
Além dos clássicos, a tradição italiana também sabe se renovar. Um ótimo exemplo mais recente é Mágico Vento, criado por Gianfranco Manfredi em 1997, uma série que pmistura faroeste com elementos de horror.
[O] arquétipo principal do gênero, o herói western, é analisado dentro do contexto de suas várias personas: o cowboy cavalheiresco, o xerife honrado, o cruzado solitário e o fora da lei rebelde... Ele é mais confortável vivendo na fronteira aberta do que nas cidades, e mais importante, ele não se conforma às leis e costumes da sociedade civilizada. Ele responde apenas ao seu próprio código de honra e aplica sua própria marca pessoal de justiça... [Os] escritores estabeleceram o herói cowboy como o ícone lendário do Oeste. Eles o vestiram com perneiras e um chapéu de dez galões, o montaram em um cavalo, o armaram com um revólver e o soltaram nas planícies ocidentais.