Miraro (em latim: Mirarus) é uma divindade indígena pertencente ao panteão galaico-lusitano e hispano-celta pré-romano. Classificado na literatura epigráfica como um teónimo menor ou de âmbito estritamente localizado no centro-interior da Península Ibérica, o deus operava como um génio tutelar comunitário ou uma entidade protetora das habitações, das famílias e das pequenas explorações agrícolas rústicas.
A comprovação material e histórica da existência do culto a Miraro assenta numa ara romana de granito de pequenas dimensões recuperada no interior de Portugal. O monumento foi descoberto no contexto de investigações arqueológicas na Beira Alta, uma zona montanhosa caracterizada por uma elevada densidade de inscrições dedicadas a deuses nativos de caráter estritamente local.
A inscrição votiva gravada no penedo sob os caracteres latinos do século II d.C. documenta formalmente o teónimo e a identidade do fiel nativo responsável por mandar erguê-la, revelando as fórmulas tradicionais de cumprimento de promessa:
No âmbito do estudo das religiões paleohispânicas, Miraro classifica-se na categoria de deuses de âmbito local ou gentílico. Na mundividência celta e lusitana, era comum a divinização dos espíritos protetores do próprio castro ou propriedade agrícola. Ao adotarem o hábito epigráfico introduzido pela romanização, os membros da comunidade transitaram para o uso do alfabeto latino e de aras de pedra para monumentalizar os seus deuses ancestrais.
Filólogos de línguas celtas comparadas analisam o radical Mir- ou Mirar- sob duas hipóteses interpretativas: