Torolo (frequentemente associado ao teónimo ou epíteto celta Turolo ou Turolus) é uma divindade indígena pertencente ao panteão galaico-lusitano e hispano-celta pré-romano. Cultuado no ocidente da Península Ibérica, a sua figura atua na esfera das divindades locais e territoriais, sendo interpretado na mitologia comparada como o deus protetor de uma comunidade, de um castro de altitude ou como um símbolo de vigor físico e soberania tribal.
A comprovação material e histórica do culto a Torolo baseia-se em achados epigráficos recuperados na antiga província da Lusitânia. O radical fonético manifesta-se tanto sob a forma de dedicatórias votivas diretas a deuses locais como na antroponímia (nomes próprios) de cidadãos indígenas que habitavam a região centro-interior e litoral centro de Portugal.
O elemento nominativo Turolus ou Torolus surge integrado em monumentos de granito executados durante o período de romanização, comprovando a forte ligação identitária entre as populações rústicas e esta linhagem divina:
No âmbito da linguística comparada aplicada às religiões paleohispânicas, o radical Tur- ou Turo- (variável graficamente em Toro-) exibe uma ampla implantação na Europa Ocidental pré-romana, possuindo paralelos diretos na Gália continental (como a tribo dos Turoni).
Os filólogos associam este étimo à raiz proto-indo-europeia teu- ou tur-, cujo significado literal se traduz como "forte", "poderoso", "inchado" ou "tumefacto". Sob esta perspetiva mitológica, Torolo funcionava como a personificação do vigor físico, da robustez e da virilidade.
Em termos de organização social castreja, a divinização do termo operava como um mecanismo de proteção territorial. O deus acumulava funções de génio tutelar encarregue de zelar pela segurança das pastagens rurais, pela saúde das famílias e pela coesão militar da tribo face à expansão de Roma, justificando a gravação dos seus nomes sob o alfabeto latino.