Moricilo (em latim: Moricilus) é uma divindade indígena pertencente ao panteão lusitano e hispano-celta pré-romano. Classificado nas investigações arqueológicas como um teónimo menor ou de âmbito estritamente localizado no interior do território ibérico, a sua figura surge vinculada pela mitologia comparada à esfera orográfica, atuando como o deus protetor de montes, penedos e acidentes geográficos de altitude.
A comprovação material e histórica do culto a Moricilo baseia-se em achados epigráficos recuperados no antigo Conventus Emeritensis, na atual província de Cáceres (Extremadura, Espanha), uma zona de forte transição cultural entre os Lusitanos e os Vetões.
O principal testemunho arqueológico do deus provém do município de Casas de Millán, conservado na Ermida de Nuestra Señora de Tebas. Trata-se de uma ara de granito cuja inscrição latina documenta o teónimo no caso dativo, seguido do nome e da filiação do devoto indígena que executou a promessa:
Recentemente, as investigações de campo lideradas por arqueólogos da Universidade de Évora e de Coimbra identificaram um segundo monumento votivo de morfologia semelhante no paraje natural de Serradilla. A proximidade geográfica e a estrutura formulaica simplificada (teónimo + cognomen do dedicante com filiação romana) reforçam a existência de uma comunidade devota estável firmada em redor destes municípios raianos.
No âmbito da análise das religiões paleohispânicas estruturada por investigadores como Juan Carlos Olivares Pedreño, Moricilo integra o grupo das divindades vinculadas a acidentes topográficos, em paralelo com entidades como Borea, Craro ou Turculae. Na mundividência dos povos hispano-celtas, os montes e os penedos escarpados eram encarados como espaços sagrados e eixos de ligação ao plano divino celestial. Moricilo atuaria como o guarda espiritual destas elevações, zelando pelas pastagens, pela caça e pela segurança dos pequenos povoados rurais que operavam em altitude.
Devido à escassez de elementos iconográficos figurativos, a natureza teológica exata de Moricilo permanece sob debate filológico. Olivares Pedreño e os editores do Ficheiro Epigráfico não descartam que a divindade acumulasse funções de soberania e defesa semelhantes às de grandes deuses protetores como Bandua, Cosus ou o Marte indígena. O radical Mori- apresenta afinidades morfológicas com étimos celtas associados a barreiras ou limites geográficos, indicando que o deus funcionava como um definidor de fronteiras territoriais entre clãs rústicos, cujos cultos foram integrados e tolerados pelo Império Romano durante o século II d.C. ao adotarem o formato monumental de aras de pedra.