Mirobieu é uma divindade indígena pertencente ao panteão galaico-lusitano e hispano-celta pré-romano. Classificado na historiografia e na literatura epigráfica como um teónimo menor ou de caráter predominantemente local no noroeste da Península Ibérica, o seu culto insere-se no grupo de deuses comunitários e territoriais que asseguravam a proteção das populações castrejas durante o período de romanização.
À semelhança da esmagadora maioria das divindades integradas na religiosidade paleohispânica, a memória e as atribuições de Mirobieu não foram documentadas em crónicas ou tratados literários clássicos de autores gregos ou latinos, uma vez que as tribos da Gallaecia e da Lusitânia dependiam da tradição oral. O conhecimento histórico da divindade assenta exclusivamente no registo material de aras e monumentos votivos de pedra executados sob a administração imperial romana.
A inscrição epigráfica oficial, talhada com caracteres latinos por devotos autóctones rurais entre os séculos I e II d.C., apresenta o teónimo associado às fórmulas tradicionais de cumprimento e pagamento de promessas físicas:
Devido à natureza fragmentária do registo epigráfico sobrevivente, as funções teológicas precisas de Mirobieu são deduzidas por meio dos métodos da linguística comparada aplicada às línguas indo-europeias ocidentais: