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Xarifado de Meca شرافة مكة | ||||||||||||
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| Capital | Meca | |||||||||||
| País atual | Arábia Saudita | |||||||||||
| Língua oficial | árabe | |||||||||||
| Religião | islão sunita | |||||||||||
| História | ||||||||||||
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O Xarifado de Meca (em árabe: شرافة مكة; romaniz.: Sharāfa Makka) ou Emirado de Meca foi um estado, não soberano durante grande parte de sua existência, governado pelos xarifes de Meca. Um xarife era descendente direto de Alhaçane ibne Ali, o filho de Fátima e Ali; portanto neto do profeta Maomé e sua esposa Cadija. Ali, o pai de Alhaçane ibne Ali era o quarto califa, segundo os sunitas ou o primeiro, segundo os xiitas. Em fontes ocidentais, o príncipe de Meca era conhecido como o Grande Xarife, mas os árabes sempre usaram a denominação "emir".
Originalmente, os xarifes do Hejaz geralmente evitavam envolvimento na vida pública. Essa situação mudou na segunda metade do século X, com a ascensão da seita dos cármatas. Os cármatas, como também eram conhecidos, dirigiram ataques tribais ao Iraque, Síria e grande parte da Arábia, interrompendo o fluxo de peregrinos para Meca. Em 930, adeptos da seita, liderados pelo governante do estado cármata no Barém (Arábia Oriental), Abu Tair Aljanabi (906–944); atacaram e provocaram o saque de Meca, roubaram a sagrada Pedra Negra da Caaba, gerando um grave embaraço ao califa Abássida em Bagdá. Abu Tair era o filho mais novo de Abuçaíde Aljanabi, o fundador do Estado cármata, enquanto que Abu Almisque Cafur, era um vassalo abássida e governante do Egito, que concluiu por persuadir os cármatas a cessarem suas incursões e devolverem a Pedra Negra a Meca em troca de um tributo anual. Como medida para melhorar a segurança dos peregrinos, escolheu um dos xarifes do Hejaz, Jafar Almuçaui, e o instalou como emir de Meca em cerca de 964.
Quando o fatímida Almuiz Lidim Alá conquistou o Egito em 973, os fatímida começaram a nomear os xarifes de Meca entre os descendentes de Jafar Almuçaui. Em 1012, o emir de Meca Abu Alfutu Alhaçane ibne Jafar declarou-se califa, mas foi persuadido a desistir de seu título no mesmo ano. O primeiro governante sulaiída [en] conquistou todo o Iêmen em 1062 e seguiu para o norte para ocupar o Hejaz. Por um tempo, eles nomearam os emires de Meca. "Quando o poder sunita começou a reviver após 1058, os emires mecânicos mantiveram uma posição ambígua entre os fatímidas e os seljúcidas de Ispaã. Depois que Saladino derrubou os fatímidas em 1171, os aiúbidas aspiravam estabelecer a sua soberania sobre Meca. Seu envolvimento constante em disputas dinásticas, no entanto, levou a um período livre de interferências externas no Hejaz".
No início do século XIII, o governo de Meca passou dos hauaxímidas, uma linhagem de xarifes haçânidas, para os catádidas, descendentes de Catada ibne Idris. Antes de conquistar a cidade, Catada havia consolidado sua autoridade no Uádi Iambo, onde liderava os mutaímidas (Du Mutaime) e travara sucessivas campanhas contra outras famílias xarifianas. Depois de dominar Iambo e conquistar o Uádi Açafra, aproveitou-se das disputas entre os governantes mequenses para avançar sobre a cidade. Entre 597 e 598 A.H. (1200–1202), depôs Mucatir ibne Issa ibne Fulaita, último emir hauaxímida, e estabeleceu uma nova autoridade dinástica sobre Meca. A conquista representou uma alteração na distribuição do poder entre os xarifes do Hejaz. A partir de Meca, Catada estendeu sua influência sobre Taife e procurou manter o controle dos territórios que havia conquistado ao norte da cidade. Também tentou impor sua autoridade sobre Medina, governada por outra linhagem xarifiana. Em 600 A.H. (1203–1204), cooperou com o emir medinense diante de uma expedição enviada pelo Califado Abássida, mas essa aproximação não impediu que os dois governos entrassem em conflito no ano seguinte.
Em 601 A.H. (1204–1205), Catada enviou uma expedição contra Medina, inicialmente comandada por seu filho Aziz. As forças mequenses foram derrotadas por Salime ibne Alcácime, emir da cidade. Catada reuniu então um novo exército e avançou pessoalmente contra Medina, mas foi obrigado a retirar-se diante da resistência adversária. Salime perseguiu-o até Meca e sitiou a cidade. O cerco terminou depois que Catada procurou atrair os comandantes medinenses para seu lado, enfraquecendo a confiança do emir em suas próprias tropas. Salime abandonou a campanha e regressou a Medina. O governo de Catada também foi marcado por conflitos com as autoridades responsáveis pelas caravanas do haje. Em 608 A.H. (1211–1212), um parente do emir, fisicamente semelhante a ele, foi atacado em Mina. Catada interpretou o episódio como uma tentativa de assassinato dirigida contra sua pessoa e responsabilizou integrantes da caravana iraquiana. Ordenou então um ataque aos peregrinos provenientes de Baguedade, que buscaram proteção junto aos sírios. A crise ameaçou a realização da peregrinação e exigiu negociações para impedir novos confrontos.
Segundo uma tradição, Catada exigiu cem mil dinares para suspender as hostilidades, embora os peregrinos tenham conseguido reunir apenas trinta mil. As fontes divergem quanto à identidade da mulher da família aiúbida que interveio nas negociações: alguns relatos atribuem a mediação a Rabia Catum, irmã de Saladino e de Aladil I, enquanto outros mencionam a mãe de Saladino. O conflito terminou com a autorização para que os iraquianos realizassem o haje, embora Catada tenha ameaçado impedir seu retorno no ano seguinte. Nos últimos anos de seu governo, a autoridade de Catada foi comprometida por uma disputa interna durante uma campanha contra Medina. Seu filho Alhaçane ibne Catada mandou matar um tio que teria procurado obter dos soldados o compromisso de reconhecê-lo como sucessor. Quando Catada soube do assassinato e ameaçou punir o filho, Alhaçane regressou a Meca e, segundo o relato de Ibne Alatir, estrangulou o pai. Em seguida, reuniu os xarifes na Grande Mesquita de Meca, anunciou que havia recebido a designação para sucedê-lo e ocultou as circunstâncias de sua morte. Um caixão foi sepultado publicamente, mas o corpo do antigo emir teria sido enterrado em segredo. As fontes situam a morte de Catada em 617 ou 618 A.H. (1220–1221).


A sucessão de Catada provocou uma disputa pelo controle do emirado. Alhaçane procurou eliminar outros possíveis pretendentes, mandando matar um irmão que governava a fortaleza de Iambo. Outro irmão, Raji ibne Catada, recusou-se a reconhecer sua autoridade e buscou apoio entre os comandantes estrangeiros que acompanhavam as caravanas de peregrinação. Durante o haje de 617 A.H. (1220–1221), aproximou-se de Aquebaxe Anáceri, comandante iraquiano ligado ao califa Anácer. Alhaçane reagiu fechando as portas de Meca e mobilizando suas forças. Aquebaxe avançou contra a cidade, mas foi morto durante um confronto no monte Alhabaxi. Sua cabeça foi exposta no percurso entre Safá e Marua. Apesar da derrota das tropas iraquianas, Alhaçane impediu o saque dos peregrinos e enviou-lhes seu turbante como garantia de segurança. Posteriormente, procurou reconciliar-se com o califa abássida e obteve, segundo a tradição preservada por Najemadim ibne Fade, o perdão pela morte do comandante. Raji abandonou a região e dirigiu-se ao Iêmem.
A instabilidade interna favoreceu a intervenção dos aiúbidas. Em 619 A.H. (1222–1223), Almáleque Almaçude Iúçufe, filho do sultão egípcio Alcamil e governante aiúbida do Iêmem, esteve em Meca durante o haje. Sua presença foi acompanhada por tensões políticas, entre elas uma disputa sobre a precedência dos estandartes do sultão egípcio e do califa abássida durante a peregrinação. Em 620 A.H. (1223), embora algumas fontes situem a conquista já em 619 A.H., Almaçude regressou ao Hejaz acompanhado por Raji, que pretendia depor o irmão. As forças aiúbidas entraram em Meca em Rabi Alarrir e enfrentaram Alhaçane no percurso entre Safá e Marua. O emir catádida foi derrotado e retirou-se para Iambo. Os soldados de Almaçude saquearam a cidade até a tarde, quando o príncipe ordenou o fim das violências e proclamou a segurança dos habitantes. Também mandou abrir o túmulo de Catada, com a intenção de queimar seu corpo, mas o caixão encontrado estava vazio, pois Alhaçane havia realizado um sepultamento secreto.
Apesar de Raji ter participado da conquista, Almaçude não lhe entregou o emirado. Nomeou como governador Nuredim Omar ibne Ali, um de seus principais comandantes, e deixou-lhe uma guarnição de trezentos cavaleiros. Raji recebeu autoridade sobre outros territórios, incluindo Assirraine e Hali. A nomeação de Omar marcou o estabelecimento de uma administração militar aiúbida diretamente subordinada ao governante do Iêmem. Alhaçane tentou recuperar Meca depois da partida de Almaçude. Reuniu combatentes em Iambo e avançou até Hudaibia, mas Nuredim Omar saiu ao seu encontro e derrotou-o. A vitória assegurou a continuidade da ocupação aiúbida. Alhaçane abandonou definitivamente a região, e sua tentativa de restauração não produziu novas mudanças no governo mequense.
Durante o domínio de Almaçude, foram cunhadas em Meca moedas conhecidas como maçudias. A denominação continuou a circular na cidade depois da morte do governante, constituindo um vestígio da presença aiúbida na administração monetária local. Nuredim Omar permaneceu no governo de Meca até 625 A.H. (1228), quando foi chamado de volta ao Iêmem. Almaçude nomeou em seu lugar Huçamadim Iacute, cuja autoridade está documentada num instrumento de venda de uma casa, datado de 3 de Jumada II daquele ano. O documento identifica Iacute como emir do haje e das duas cidades sagradas, responsável pelos assuntos militares de Meca e pela administração de seus soldados e habitantes. O mesmo registro revela dificuldades financeiras da administração aiúbida. A venda do imóvel destinava-se a levantar recursos para o sustento da guarnição, pois o tesouro local não dispunha de reservas suficientes de ouro, prata, cereais, rendimentos fundiários ou receitas comerciais para cobrir suas despesas. A necessidade de alienar propriedades para manter as tropas demonstra a fragilidade dos recursos disponíveis ao governo militar da cidade.
Em 626 A.H. (1229), Almaçude deixou o Iêmem com a intenção de alcançar a Síria, onde pretendia participar das disputas sucessórias entre os aiúbidas. Durante a viagem, chegou a Meca, adoeceu e morreu em 13 de Jumada Aluala, sendo sepultado no Cemitério de Almuala. Sua morte encerrou o domínio aiúbida direto sobre o Iêmem, mas não provocou uma restauração imediata dos catádidas em Meca. O sultão Alcamil procurou conservar a cidade sob a autoridade egípcia, enquanto Nuredim Omar consolidava seu próprio poder no Iêmem. As fontes divergem sobre a transição entre o governo de Iacute e a ocupação egípcia. Segundo uma tradição, Nuredim Omar confirmou Iacute como seu representante depois da morte de Almaçude, mas Alcamil enviou tropas para expulsá-lo. Assinjari, por sua vez, situa uma intervenção egípcia já em 625 A.H. (1228), embora também registre Iacute entre os representantes de Almaçude. O exercício da autoridade de Iacute está documentalmente comprovado naquele ano, mas a duração exata de seu governo permanece incerta.
Depois da morte de Almaçude, o sultão Alcamil enviou ao Hejaz o comandante Toguetequim, acompanhado por aproximadamente mil cavaleiros, para estabelecer a autoridade egípcia sobre Meca. O novo governador procurou consolidar sua posição mediante a distribuição de dinheiro e a obtenção de compromissos de fidelidade dos principais habitantes. Sua nomeação, contudo, foi contestada por Nuredim Omar, que assumira o governo do Iêmem e começava a estabelecer as bases da dinastia raçúlida. Em 629 A.H. (1231–1232), Nuredim Omar enviou uma expedição contra Meca sob o comando de Ibne Abedane, acompanhada por Raji ibne Catada. As forças iemenitas acamparam em Alábeta, enquanto Raji procurava obter a adesão dos principais habitantes da cidade. Parte dos chefes locais abandonou Toguetequim e aderiu aos invasores. Sem condições de resistir, o governador aiúbida retirou-se inicialmente para Nacla e depois para Iambo. Raji entrou em Meca em Rabi Alarrir e assumiu o emirado sob a autoridade de Nuredim Omar, em cujo nome passou a ser pronunciada a cutba.
Alcamil respondeu enviando do Egito um exército comandado por Facradim Iúçufe ibne Axeique. Ordenou também que Abu Sade Alhaçane, estabelecido em Iambo, e Xia ibne Haxime, emir de Medina, apoiassem a expedição. As forças egípcias chegaram a Meca em Ramadã de 629 A.H. (1232), derrotaram os partidários de Nuredim Omar e restauraram a autoridade aiúbida. Raji retirou-se, e Toguetequim reassumiu o governo. A restauração foi acompanhada por represálias contra os habitantes que haviam abandonado Toguetequim durante a ocupação raçúlida. Segundo Alfaci, os soldados do governador mataram moradores e saquearam a cidade durante três dias. As medidas repressivas contrastaram com a política de distribuição de dinheiro e obtenção de fidelidades que havia caracterizado sua primeira entrada em Meca.
Em 630 A.H. (1232–1233), Raji recebeu novos reforços do Iêmem, avançou sobre Meca e expulsou novamente Toguetequim. Alcamil organizou outra intervenção, enviando tropas egípcias acompanhadas pela caravana do haje. Diante da aproximação do contingente, que as fontes estimam em setecentos ou novecentos cavaleiros, Raji abandonou a cidade sem oferecer combate. O emir do haje Azaíde assumiu temporariamente o governo e conduziu a peregrinação daquele ano. Ao contrário da ocupação anterior, suas tropas procuraram tranquilizar a população e evitaram represálias generalizadas. Depois do haje, Azaíde deixou Meca no início de 631 A.H. (1233) e nomeou Ibne Almujali como seu representante, acompanhado por uma guarnição de apenas cinquenta cavaleiros. As fontes atribuem ao novo governador uma administração moderada e um tratamento favorável aos habitantes. Sua permanência foi breve: ainda em 631 A.H., Raji recebeu reforços de Nuredim Omar, avançou sobre Meca e expulsou Ibne Almujali e seus soldados.
A restauração de Raji também não foi duradoura. Durante a temporada do haje, o emir soube que Alcamil se dirigia pessoalmente do Cairo ao Hejaz e retirou-se da cidade. Depois que o sultão realizou a peregrinação e regressou ao Egito, Raji retornou a Meca e reassumiu o governo. A sucessão de ocupações demonstrava a dificuldade de manter uma autoridade estável sobre o emirado sem o apoio militar de uma das potências que disputavam a região. Em 632 A.H. (1234–1235), Alcamil enviou outra expedição ao Hejaz, comandada pelo mameluco Açadim Jugril. As fontes divergem sobre o tamanho da força, atribuindo-lhe quinhentos ou setecentos cavaleiros. Diante de sua aproximação, Raji abandonou Meca e retirou-se para o Iêmem. Jugril entrou na cidade em Ramadã de 632 A.H. (maio–junho de 1235) e assumiu o governo em nome do sultão egípcio.
Em 633 A.H. (1235–1236), Nuredim Omar organizou uma expedição para recuperar Meca, confiando seu comando a Xiabadim ibne Abedane, que transportava recursos destinados a Raji. O xarife reuniu seus partidários e juntou-se às tropas iemenitas. Jugril saiu ao encontro dos adversários e derrotou-os em Alcaricaine, entre Meca e Assirraine. Xiabadim foi capturado durante os combates e enviado como prisioneiro ao Egito. A vitória permitiu que Jugril conservasse o emirado sob autoridade aiúbida. Em 635 A.H. (1237–1238), Nuredim Omar decidiu dirigir-se pessoalmente ao Hejaz com cerca de mil cavaleiros. Raji juntou-se ao exército com aproximadamente trezentos homens. Diante da aproximação das forças iemenitas, Jugril evacuou Meca em 7 de Rajabe de 635 A.H. (fevereiro de 1238), permitindo que Omar e Raji entrassem na cidade. Jugril retirou-se para Medina, onde recebeu a notícia da morte de Alcamil, e posteriormente regressou ao Egito.
A morte de Alcamil não encerrou a concorrência entre o Egito e o Iêmem. Em 637 A.H. (1239–1240), Sale Aiube forneceu a Xia ibne Haxime, emir de Medina, uma força de aproximadamente mil cavaleiros para recuperar Meca. Diante da aproximação do exército, Raji retirou-se, e Xia ocupou a cidade em nome dos aiúbidas. Nuredim Omar respondeu enviando tropas sob o comando de Raji e Ibne Anoçairi. Outra tradição identifica o comandante como Abu Anadre, sem que seja possível determinar se as duas designações se referem à mesma pessoa. Xia abandonou Meca antes da chegada dos adversários, permitindo o retorno de Raji. Em 638 A.H. (1240–1241), Xia voltou a avançar contra Meca com tropas egípcias. As forças iemenitas enviadas para defender a cidade foram derrotadas, e o emir de Medina restaurou o domínio aiúbida. Essa ocupação foi novamente contestada por Nuredim Omar, que preparou uma grande campanha para recuperar a cidade. Raji avançou inicialmente até Assirraine, mas, informado de que os egípcios haviam recebido reforços, aguardou a chegada do sultão raçúlida. Em Ramadã de 639 A.H. (março de 1242), Nuredim Omar entrou em Meca à frente de seu exército, depois que as forças egípcias abandonaram a cidade. A conquista restabeleceu a autoridade raçúlida e encerrou a ocupação aiúbida sustentada por Xia. O sultão reorganizou a administração local e deixou uma força sob o comando de Facradim ibne Assila e Ibne Fairuz, encarregados de assegurar a continuidade de seu domínio.
Depois da conquista de 639 A.H., Nuredim Omar reorganizou suas alianças com os xarifes locais. Abu Sade Alhaçane, que exercia autoridade em Iambo, reconheceu a supremacia raçúlida. O sultão adquiriu dele a fortaleza de Iambo e ordenou sua demolição, para impedir que pudesse servir de base às forças egípcias. Em seguida, encarregou Abu Sade de permanecer em Marre Azarã, de onde deveria apoiar a guarnição estabelecida em Meca. A reorganização enfraqueceu a posição de Raji, que se retirou para Medina e reuniu cerca de setecentos cavaleiros com o auxílio de seus aliados huceínidas. Avançou então contra Abu Sade, mas foi derrotado por uma força comandada por Abu Numai I, que partira de Iambo com aproximadamente quarenta cavaleiros. A vitória fortaleceu a posição de Abu Sade e permitiu-lhe participar mais diretamente da administração do emirado sob a supremacia raçúlida. Nuredim Omar permaneceu em Meca até 640 A.H. (1242–1243), quando regressou ao Iêmem e deixou a administração local nas mãos de seus representantes. Facradim ibne Assila, um de seus mamelucos, que alcançara o título de emir das armas, passou a exercer papel central no governo da cidade. As fontes não esclarecem por quanto tempo Ibne Fairuz compartilhou com ele a representação do sultão. Durante o período raçúlida, Nuredim Omar fundou em Meca a Madraça Almançoria, destinada ao ensino do direito islâmico sunita. A construção foi supervisionada por Facradim ibne Assila, responsável pela administração militar e política da cidade. Sua fundação integrou a atuação dos raçúlidas no campo religioso e educacional, além de constituir uma manifestação material de sua presença política em Meca.
Em 646 A.H. (1248–1249), Nuredim Omar destituiu Facradim e nomeou em seu lugar Ibne Almuçaíbe. O novo governador comprometeu-se a remeter ao sultão as receitas arrecadadas no Hejaz depois de cobertas as despesas da guarnição, além de fornecer anualmente cem cavalos. Facradim deixou Meca, encerrando um governo de aproximadamente sete anos. A nomeação de Ibne Almuçaíbe evidencia a importância das receitas locais e dos recursos militares na administração raçúlida da cidade. O governo de Ibne Almuçaíbe provocou crescente oposição. O governador restabeleceu cobranças e impostos que Nuredim Omar havia abolido, apropriou-se de recursos enviados do Iêmem e deixou de pagar as despesas devidas à guarnição. Também construiu em Nacla uma fortificação chamada Alatexã e procurou assegurar a fidelidade dos hudailitas. Essas medidas ampliaram sua capacidade de ação independente, mas contribuíram para o enfraquecimento de sua posição entre os habitantes e os grupos políticos locais.

Em Dulcada de 647 A.H. (fevereiro de 1250), Abu Sade Alhaçane avançou contra Meca e derrotou as forças de Ibne Almuçaíbe. O governador foi capturado, e seus cavalos, armas, dinheiro e demais recursos militares foram apreendidos. Abu Sade reuniu os principais habitantes da cidade e declarou que permanecia leal a Nuredim Omar. Afirmou que havia agido apenas para impedir que Ibne Almuçaíbe fugisse levando consigo os bens da administração e que conservaria os recursos apreendidos até receber instruções do sultão. Poucos dias depois, chegou a Meca a notícia de que Nuredim Omar havia sido assassinado por seus mamelucos em Aljanade, nas proximidades de Taiz. A morte do sultão provocou disputas sucessórias no Iêmem e enfraqueceu a capacidade raçúlida de intervir imediatamente no Hejaz. Abu Sade aproveitou a situação para consolidar sua própria autoridade sobre Meca, encerrando a administração direta dos representantes de Nuredim Omar. A restauração do governo xarifiano não significou uma ruptura completa com os raçúlidas. Abu Sade manteve relações com o novo sultão iemenita, Almáleque Almuzafar Iúçufe I (r. 1250–1295), e reconheceu sua supremacia, fazendo pronunciar a cutba em seu nome. Ao mesmo tempo, passou a exercer diretamente a autoridade local e associou Abu Numai ao emirado. Em 651 A.H. (1253), a posição de Abu Sade foi contestada por Jamaz ibne Haçane, outro descendente de Catada, que obteve auxílio militar de Almáleque Anácer Iúçufe, governante aiúbida de Damasco e Alepo. Em troca do apoio, Jamaz prometeu fazer pronunciar a cutba em nome do soberano sírio. Avançou então sobre Meca, derrotou Abu Sade e matou-o durante a conquista. Abu Numai conseguiu escapar, e Jamaz assumiu o governo.
Apesar do compromisso com Anácer Iúçufe, Jamaz reconheceu posteriormente a supremacia do sultão raçúlida Almuzafar Iúçufe. Moedas cunhadas em Meca com seu nome demonstram que já exercia o emirado em Xaual de 651 A.H. (dezembro de 1253). A emissão monetária constitui um testemunho material de seu breve governo e da autoridade exercida pelos xarifes durante as disputas entre as potências regionais. No fim de Dulrija de 651 A.H. (fevereiro de 1254), Raji regressou a Meca e depôs Jamaz, que se retirou para Iambo. O novo governo também foi breve. Em Rabi Alaual de 652 A.H. (abril–maio de 1254), Raji foi deposto pelo próprio filho Ganime ibne Raji, que assumiu o emirado sem combate. Segundo uma tradição, Ganime manteve o pai preso e justificou sua deposição pela idade avançada. Raji acabou libertado e abandonou a cidade depois de prometer que não voltaria a disputar o governo. Ganime permaneceu à frente de Meca durante aproximadamente oito meses. Segundo uma tradição, procurou reconhecer a autoridade dos mamelucos estabelecidos no Egito, onde o governo aiúbida havia sido substituído por um novo regime militar. Em Xaual de 652 A.H. (novembro–dezembro de 1254), Abu Numai e Idris ibne Catada avançaram contra Meca, derrotaram Ganime num confronto em que morreram três homens e assumiram o emirado.
A ascensão de Abu Numai e Idris provocou uma nova intervenção raçúlida. Em 652 A.H. (1254), Almuzafar Iúçufe enviou ao Hejaz Ibne Bartas, acompanhado por uma força que uma tradição estima em duzentos cavaleiros. As fontes divergem sobre o nome completo do comandante: Izadim ibne Fade identifica-o como Mubarizadim Ali ibne Alhoceine ibne Bartas, enquanto Najemadim ibne Fade o chama Mubarizadim Huceine ibne Ali ibne Bartas. Ibne Bartas aproximou-se de Meca em 25 de Dulcada de 652 A.H. (6 de janeiro de 1255). Abu Numai e Idris saíram para enfrentá-lo, acompanhados por Jamaz ibne Xia, emir de Medina. Os exércitos combateram em Açarja, em Cauze Almacaça, na parte baixa da cidade. As forças xarifianas foram derrotadas, permitindo que Ibne Bartas ocupasse Meca. Entre os mortos estava Moquetaradim Hamade ibne Maomé, enviado pelo sultão raçúlida juntamente com a expedição.
Ibne Bartas assumiu a administração da cidade em nome de Almuzafar Iúçufe e presidiu a peregrinação daquele ano. Seu governo durou até o início de 653 A.H. (1255), quando Abu Numai e Idris reuniram novas forças e regressaram a Meca. Os combates alcançaram o recinto da Grande Mesquita, onde houve derramamento de sangue nas proximidades do Hijer. A violência perturbou as atividades religiosas no santuário. Ibne Bartas foi derrotado e capturado, mas obteve a liberdade mediante o pagamento de um resgate e regressou ao Iêmem com os sobreviventes de sua força. Abu Numai e Idris restauraram o governo conjunto em Moarrão de 653 A.H. (março de 1255). A corregência foi marcada por conflitos ocasionais. Em 654 A.H. (1256), Idris deixou Meca para visitar Raji em Assirraine. Abu Numai aproveitou sua ausência para assumir sozinho o governo, mas Idris regressou acompanhado de Raji, que mediou uma reconciliação entre os dois emires. A associação foi restabelecida.
Em 655 ou 656 A.H. (1257–1258), durante uma campanha de Abu Numai contra os taquifitas, outros integrantes de sua família ocuparam Meca e aprisionaram Idris. A ocupação durou seis dias. Ao receber a notícia, Abu Numai regressou à cidade e obrigou os adversários a retirar-se sem combate, restabelecendo o governo conjunto. Em 659 A.H. (1261), Almuzafar Iúçufe realizou o haje acompanhado por seu exército. Diante da aproximação do sultão raçúlida, Abu Numai e Idris abandonaram Meca, regressando somente dez dias depois do término da peregrinação, quando as forças iemenitas já haviam partido. O episódio demonstra que, apesar da restauração do governo xarifiano, a presença militar dos soberanos estrangeiros ainda podia obrigar os emires locais a abandonar temporariamente a cidade. Em Xabã de 667 A.H. (abril de 1269), Abu Numai expulsou Idris e procurou obter o reconhecimento do sultão mameluco Baibars. Alegou que seu corregente favorecia os raçúlidas e solicitou que o emir de Medina fosse impedido de prestar-lhe auxílio. Baibars aceitou reconhecer Abu Numai sob condições relativas à proteção da Grande Mesquita e dos peregrinos, incluindo a proibição da cobrança de tributos adicionais. Enviou-lhe um diploma de investidura, estabelecendo uma relação formal entre o governo xarifiano e o sultanato mameluco.
Idris reconciliou-se pouco depois com Abu Numai, e Baibars confirmou ambos no emirado. Naquele mesmo ano, o sultão realizou o haje e ratificou pessoalmente a corregência. Concedeu diplomas de investidura, aumentou os pagamentos e as provisões destinados aos governantes e nomeou Xameçadim Maruane como representante mameluco em Meca, atendendo a um pedido dos próprios emires. A intervenção combinava reconhecimento da autoridade local, auxílio financeiro e presença de um representante egípcio na cidade. Em Rabi Alaual de 669 A.H. (novembro de 1270), Abu Numai e Idris voltaram a entrar em conflito. Idris expulsou o corregente, que se refugiou em Iambo e reuniu novas forças. Cerca de quarenta dias depois, Abu Numai regressou e enfrentou Idris nas proximidades de Culais, em Jumada Aluala (dezembro). Idris foi derrotado e morto, e Abu Numai passou a governar sozinho o emirado.

A morte de Idris não encerrou as disputas pelo governo de Meca. No final de Sáfar de 670 A.H. (outubro de 1271), Ganime ibne Idris, estabelecido no ramo familiar de Iambo, aliou-se a Jamaz ibne Xia, emir de Medina. Os dois avançaram sobre Meca, expulsaram Abu Numai e assumiram conjuntamente o governo. A ocupação durou aproximadamente quarenta dias. Em Rabi Alarrir (novembro), Abu Numai reuniu novas forças, derrotou os adversários e recuperou a cidade. Em 19 de Rabi Alarrir de 675 A.H. (1276), Jamaz voltou a avançar contra Meca, acompanhado por forças provenientes de Iambo. Segundo uma tradição preservada por Xameçadim Aljazari, seu aliado era Idris ibne Alhaçane, governante de Iambo. Alfaci, entretanto, considerou mais provável que se tratasse de Ganime ibne Idris, supondo que seu nome tivesse sido omitido na transmissão do relato. Izadim ibne Fade preservou a divergência sem apresentar uma identificação definitiva.
As forças invasoras reuniam, segundo o relato, 215 cavaleiros e seiscentos soldados de infantaria, enquanto Abu Numai dispunha de duzentos cavaleiros e 180 soldados de infantaria. O confronto ocorreu em Marre Azarã e terminou com a vitória de Abu Numai. O comandante proveniente de Iambo foi capturado, mas Jamaz conseguiu escapar. A derrota frustrou mais uma tentativa de intervenção medinense no governo de Meca. Nas décadas seguintes, a posição de Abu Numai esteve ligada à concorrência entre os mamelucos do Egito e os raçúlidas do Iêmem. Em 681 A.H. (1282–1283), o sultão mameluco Calavuno exigiu do emir um compromisso de fidelidade. Entre as condições estabelecidas estavam a pronúncia da cutba e a cunhagem de moedas em nome do soberano egípcio, além da exclusividade mameluca no fornecimento anual da quiçuá da Caaba. O acordo procurava assegurar a expressão pública da supremacia egípcia sobre Meca e seu principal santuário.
Em 687 A.H. (1288), Jamaz ibne Xia obteve de Calavuno um exército para depor Abu Numai e reforçar a influência mameluca no Hejaz. Conseguiu ocupar Meca, mas, depois de assumir o governo, determinou que a cutba fosse pronunciada e que moedas fossem cunhadas em seu próprio nome. Sua atuação demonstrou que os comandantes apoiados pelo Egito podiam utilizar as expedições para promover pretensões políticas próprias. O domínio de Jamaz terminou ainda naquele ano. Segundo uma tradição, foi envenenado por um servidor de sua esposa Cuzaima, filha de Abu Numai, e regressou a Medina. Abu Numai recuperou Meca e restabeleceu sua autoridade. A tentativa de ocupação evidenciou tanto a capacidade de intervenção militar dos mamelucos quanto as dificuldades de assegurar um governo duradouro por intermédio de um emir medinense.
Em 30 de Rabi Alaual de 691 A.H. (21 de março de 1292), Abu Numai retirou da cutba o nome do sultão mameluco Axerafe Calil e substituiu-o pelo de Almuzafar Iúçufe, governante raçúlida do Iêmem. A alteração representou uma mudança pública de reconhecimento político, numa conjuntura em que a autoridade local continuava a ser disputada pelas duas potências. A reação egípcia ocorreu durante a peregrinação seguinte. O comandante mameluco do haje exigiu que Abu Numai o acompanhasse ao Egito. O emir deixou Meca no início de 693 A.H. (1293–1294), mas, ao chegar a Iambo, recebeu a notícia da morte de Axerafe Calil e regressou à cidade, evitando o deslocamento ao Cairo. Ao longo da segunda metade do século XIII, a autoridade dos xarifes de Meca foi exercida em meio à concorrência entre os soberanos do Egito e do Iêmem. O reconhecimento político manifestava-se na cutba, na cunhagem de moedas, nos diplomas de investidura e no fornecimento de recursos aos governantes e às instituições religiosas. A presença das caravanas do haje e de suas escoltas militares também constituía uma ocasião recorrente para intervenções estrangeiras. Apesar dessas pressões e das sucessivas tentativas de deposição, Abu Numai conservou o governo de Meca durante as últimas décadas do século, mantendo a continuidade da autoridade xarifiana na cidade.


Durante o período otomano, o emirado não era hereditário e devia sua sucessão à nomeação direta pela Sublime Porta. Um sistema dual de governo existiu sobre o Hejaz durante grande parte deste período. A autoridade governante foi compartilhada entre o emir, um membro dos Ashrafs ou descendentes de Maomé, e o governador ou uáli otomano. Este sistema continuou até à Revolta Árabe de 1916. Além dos emires de Meca, a administração otomana no Hejaz esteve primeiramente nas mãos do governador do Egito e depois dos governadores de Gidá. O Eialete de Gidá foi posteriormente transformado no Vilaiete do Hejaz, com um governador em Meca.
Durante grande parte do século XIX, o lugar mais ao norte do emirado era Alulá, enquanto o limite sul era geralmente Alite, e às vezes Alcunfuda; para o leste, nunca se estendia além do oásis Caibar. Meca, Medina e Gidá foram suas maiores cidades. A maioria da população dessas cidades era composta de muçulmanos não árabes, incluindo javaneses, indianos, afegãos, bucaranos e outros centro-asiáticos.
Por esta época, em 1872, foi criado pelo grão-vizir Mamude Nedim Paxá, o distrito chamado Mutasarrifado de Jerusalém (em turco otomano: Kudüs-i Şerif Mutasarrıflığı; em árabe: متصرفية القدس الشريف) 1872 [3] [4] [ 5], ou o Sanjaco de Jerusalém, um distrito otomano com estatuto administrativo especial. O distrito abrangia Jerusalém, bem como Belém, Hebrom, Jafa, Gaza e Bersebá. Durante o final do período otomano, o Mutasarrifate de Jerusalém, juntamente com os sanjacos de Nablus e de Acre (Kudus Sherif), formaram a região que era comumente referida como "Síria do Sul" ou "Palestina". Foi a 7.ª região mais populosa das 36 províncias do Império Otomano e que passou a fazer parte do "Eialete de Jerusalém". Surgia assim a Palestina.
A região do Hejaz esteve anteriormente sob o controle do Sultanato Mameluco do Cairo até sua derrota e tomada pelos otomanos em 1517. No mesmo ano, o Xarife Barakat de Meca reconheceu o sultão otomano como califa. Quando os xarifes aceitaram a soberania otomana, o sultão confirmou-os em sua posição como governantes do Hejaz. e a autoridade otomana era apenas indireta, como uma espécie de arranjo político, deixando o poder real com o Emir. O sultão assumiu o título de "Hâdimü'l-Haremeyni'ş-Şerifeyn", que queria dizer Guardião dos Lugares Santos ou Guardião das Mesquitas Sagradas (خادم الحرمين em árabe: الشريفين, khādim al-ḥaramain al-šarīfain) e ainda Guardião das Duas Cidades Santas, Meca e Medina.
As duas mesquitas, ou locais sagrados, mencionados são a Grande Mesquita de Meca e a Mesquita do Profeta (em Medina). O rei Fahd foi o primeiro monarca árabe a utilizar o título, em 1986, substituindo o Sua Majestade pela palavra Guardião. Em 2005, o título foi passado ao seu meio-irmão e falecido rei, Abedalá I, assim como para o atual rei,[quando?] Salman.
Em 1630, uma inundação varreu Meca, destruindo quase completamente a Caaba. Ela foi restaurada por volta de 1636. Em 1680, cerca de 100 pessoas se afogaram em outra inundação em Meca.
Inicialmente, os otomanos administravam o Hejaz sob o olhar do Eialete do Egito. Os emires foram nomeados pelo sultão levando em consideração a escolha do xarifes, bem como as opiniões dos uális do Egito, Damasco e Gidá (depois que foi estabelecida), bem como a do Cádi de Meca. O emir de Meca era sempre um haxemita, que era, a rigor, originalmente, um descendente do clã dos haxemitas, pertencente à tribo dos coraixitas e cujo antepassado epónimo era Haxime ibne Abede Manafe, bisavô do profeta Maomé. Esta situação foi encerrada em 1803, quando fundamentalistas do uaabismo depuseram o Emir governante de Meca, Xarife Ghalib. Já no ano anterior (1802), Os 12 000 uaabitas haviam saqueado Carbala, no Iraque, matando até 5 000 pessoas e saquearam o Santuário Imam Husayn e já, em 1805, eles controlavam Meca e Medina e atacavam as caravanas de comércio otomano interrompendo assim as finanças otomanas.
Grande parte da Península Arábica foi politicamente unificada em 1932 no terceiro e atual Estado saudita, o Reino da Arábia Saudita. A campanha militar liderada pelo rei Abedalazize ibne Saúde e seu exército de beduínos de tribos conquistou o Hejaz e derrubou o clã haxemita no poder. Os novos governantes de negeditas, árabes nômades, em grande parte tribais e analfabetos, encontraram-se diante de uma sociedade altamente sofisticada. Uma estrutura política coesa baseada no sistema Majlis al-Shura (conselho consultivo) estava em vigor há séculos. Um órgão administrativo central geria um orçamento anual que alocava despesas em escolas secundárias, forças militares e policiais. Da mesma forma, o tecido religioso do Négede e do Hejaz eram muito diferentes. Os costumes e rituais culturais tradicionais do Hejaz eram quase inteiramente de natureza religiosa. As celebrações em homenagem a Maomé, sua família e companheiros, a reverência aos santos falecidos, a visitação de santuários, tumbas e locais sagrados ligados a qualquer um deles estavam entre os costumes indígenas do Islã Hejazi. Como a autoridade administrativa do Hejaz passou para as mãos dos muçulmanos negeditas uaabitas do interior, o ulemá uaabita viu as práticas religiosas locais como a superstição infundada substituindo a sanção religiosa codificada que foi considerada uma corrupção total da religião e a propagação da heresia. O que se seguiu foi uma remoção da infra-estrutura física, túmulos, mausoléus, mesquitas e locais associados à família e aos companheiros de Maomé..
Os uaabitas começaram a ser uma ameaça no Hejaz a partir da década de 1750 em diante. Eles haviam se levantado como um movimento religioso em Diraia, no Négede, em 1744-1745. A doutrina encontrou alguns simpatizantes em Hejaz. Os conceitos da doutrina foram submetidos a uma muftiat ou diyanet, ou seja, um conselho dos muftis de Meca. Estes académicos islâmicos, ou muftis (em árabe: مفتي; romaniz.: muftī), tinham autoridade de interpretar a lei islâmica (xaria), e emitir um parecer, as fátuas e que concluiu por pronunciá-los como hereges. Eles foram capazes de tomar as duas cidades sagradas em 1801. Em 1803 os uaabitas, liderados por Abdul -Aziz Al Saud, atacou Meca. O Xarife Galibe fugiu para Gidá, que foi cercada logo em seguida. O Xarife Galibe foi enviado de volta a Meca como um vassalo saudita.
Então Tosun Paxá levou o exército em 1811 e ocupou Medina em 1812 e Meca em 1813. Depois de sua morte Ibraim Paxá, que tinha acompanhado Maomé Ali visita pessoalmente ao Hejaz em 1814, assumiu e perseguiu os uaabitas no Négede. Após a notícia da vitória, Mamude II nomeou Ibraim Paxá governador de Gidá e Abissínia. Ele era o governante nominal do Hejaz em nome dos otomanos de 1811 a 1840. Os uaabitas foram expulsos do Hejaz em 1818, quando Maomé Ali Paxá, representando o então Governador do Egito, era capaz de ter sucesso na vitória final. O Hejaz, em seguida, caiu sob o seu domínio. A Convenção de Londres de 1840 forçou Maomé Ali a sair do Hejaz.
No ano anterior, 1839, o Império Otomano, para assegurar sua integridade territorial contra movimentos nacionalistas, havia criado o Tanzimat (em turco otomano: تنظيمات, que queria dizer "reorganização") e que tratou-se de um período de reformas que caracterizava-se como uma forma de modernizar a administração do governo contra diversos grupos étnicos do Império possibilitou o surgimento de um movimento nacionalista otomano e que teve sua atuação entre os anos 1839-1876.
O Império Otomano era conhecido como "o homem doente da Europa, cuja ordem política, comparada com a Europa medieval, era tida como "progressiva” a qual naqueles idos do século XIX, agia contra o princípio da igualdade introduzido pela Revolução Francesa.[necessário esclarecer]

Depois que o Hejaz foi restaurado pelos otomanos, a administração provincial foi reestruturada e organizada como o Vilaiete do Hejaz. Isso levou à criação de dois corpos políticos e administrativos paralelos: o emirado e o vilaiete. Depois que o governador começou a residir em Meca, o vilaiete de certa forma levou o emirado à sua jurisdição, levando a uma situação de duplo governo.
A reforma previa a perda da quase-autonomia do emir, levando a um conflito entre Emir e uale que durou pelo resto do século XIX. Mesmo assim, o emir de Meca não foi relegado a uma posição em que ele seria subordinado ao uale. Os emires de Meca continuaram a ter uma palavra a dizer na administração do Hejaz ao lado dos governadores. Os dois tiveram uma convivência paralela e desconfortável: enquanto governando sobre a mesma geografia, eles dividiram autoridade de uma forma complexa, levando a uma negociação contínua, gerando conflitos e, ao mesmo tempo, uma constante cooperação entre eles.
Já em 1880, falava-se da ocupação britânica do Hejaz com o apoio dos xarifes. Os britânicos também desafiaram o sultão otomano, alegando que a Grã-Bretanha deveriam nomear o emir, já que governou mais de quatro vezes a muitos muçulmanos como os otomanos.
Em 23 de dezembro de 1925 o Rei Ali rendeu-se aos sauditas, pondo fim ao Reino do Hejaz e ao xarifado.
Table IV.2 Population Density per km2, and Density Rank, 1894/95 (R. 1310), Rank 7, with population of 247,000 and density of 26.33 per km2; underlying source IUKTY 9075