Ding Huan

Ding Huan
丁緩
Conhecido(a) porMecanismos para movimentar figuras e incensários
Ocupaçãoartesão e inventor
Carreira científica
Campo(s)Engenharia mecânica

Ding Huan foi um artesão e inventor chinês da dinastia Han ao qual se atribuem aparelhos mecânicos, entre eles um conjunto de ventiladores acionados por uma pessoa. Relatos sobre seus mecanismos de figuras em movimento foram relacionados à história da animação, embora a comparação com um zootropo seja discutida.

Invenções atribuídas

Ventiladores e incensário

O Xijing zaji, uma coletânea de relatos sobre a antiga capital chinesa, atribui a Ding Huan um aparelho com sete ventiladores interligados, cada um com cerca de três metros de diâmetro. Uma pessoa podia pôr os sete em funcionamento ao mesmo tempo, para fazer o ar circular num salão. O relato apresenta o aparelho como capaz de resfriar o ambiente a ponto de fazer as pessoas sentirem frio, uma descrição que Lance Day reproduz em seu verbete sobre o inventor.

A coletânea também lhe atribui um incensário com anéis móveis que mantinham o recipiente do incenso na posição horizontal mesmo quando o conjunto era movimentado. Os anéis giravam ao redor do prato que continha o incenso, permitindo manter essa parte nivelada enquanto o exterior mudava de posição. O nome do aparelho, que faz referência à roupa de cama, vinha da possibilidade de colocá-lo entre as cobertas. Nesse relato, Ding retomava uma invenção anterior de Fang Feng, cujo modo de construção havia sido perdido.

Transmissão dos relatos

O Xijing zaji já era citado em obras do século VI, mas sua data de composição e autoria são discutidas. Ding Huan e Fang Feng não são mencionados nas histórias dinásticas, que oferecem poucas informações sobre os artesãos daquele período.

Comparação com o zootropo

Em Science and Civilisation in China, Joseph Needham examinou antigos aparelhos chineses cujas figuras pareciam se mover e os comparou a formas de zootropo. Um dos exemplos tinha uma cobertura semelhante a um guarda-chuva sobre uma lamparina a óleo, com uma abertura e pás no alto, de modo que o ar aquecido fazia a estrutura girar. Sua parte inferior era um cilindro com painéis de papel ou mica, nos quais havia pinturas de pessoas ou animais. Ao girar, a estrutura dava a impressão de que as figuras se moviam.

Needham também atribuiu a Ding Huan um incensário em forma de montanha de nove andares, com figuras de aves e animais. Ele sugeriu que essas figuras começavam a se mover quando a lamparina era acesa. Sua interpretação aproximava os relatos chineses do princípio de apresentar imagens em rápida sucessão.

Carlos Rojas examinou a descrição de um aparelho atribuído a Ding Huan no Xijing zaji, com imagens dispostas ao redor de uma lamparina e uma estrutura que girava com o ar aquecido. Rojas observa que o texto não esclarece se cada imagem parecia executar uma ação ou se as figuras apenas se deslocavam no espaço à medida que o suporte girava. Essa diferença impede tratar o relato como uma demonstração inequívoca da produção de uma sequência animada.

No zootropo desenvolvido no século XIX, imagens estáticas com etapas sucessivas de uma ação são vistas através das fendas de um cilindro em rotação, criando a ilusão de movimento. A comparação com os aparelhos atribuídos a Ding Huan depende dessa diferença entre mover figuras no espaço e produzir movimento aparente a partir de imagens separadas.

Ver também

Referências

  1. 1 2 3 4 Lance Day (1996). «Ding Huan (Ting Huan)». In: Lance Day e Ian McNeil. Biographical Dictionary of the History of Technology (em inglês). [S.l.]: Routledge. p. 366. ISBN 9780415060424
  2. 1 2 3 4 5 Carlos Rojas (2013). «Introduction: Chinese Cinemas and the Art of Extrapolation». In: Carlos Rojas e Eileen Cheng-yin Chow. The Oxford Handbook of Chinese Cinemas (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press. p. 5. ISBN 9780199988440
  3. 1 2 3 4 5 6 Flavia Xi Fang (2024). «Scent, Art and Astronomy: New Light on Tang Incense Spheres and Their Global Connections». The Medieval History Journal (em inglês). 27 (1): 127–129. doi:10.1177/09719458231226000
  4. 1 2 3 4 5 6 7 Joseph Needham (1962). Science and Civilisation in China. Col: Physics and Physical Technology, parte 1: Physics (em inglês). 4. [S.l.]: Cambridge University Press. pp. 123–124. ISBN 9780521058025
  5. ↑ «Zoetrope with strips and discs for base» (em inglês). Whipple Museum of the History of Science, Universidade de Cambridge. Consultado em 3 de novembro de 2026

Bibliografia

Ligações externas