| Shiben | |
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Título na escrita de selo. | |
| Nome chinês | 世本, Shìběn |
| Tema | Genealogias, sobrenomes e origens de invenções |
| Língua | Chinês clássico |
O Shiben, 世本, Shìběn, ou Livro das Origens, foi uma antiga enciclopédia chinesa que reunia genealogias imperiais, explicações sobre a origem dos nomes de clãs e tradições sobre inventores. O Livro de Han apresenta suas genealogias como uma sequência que começava no lendário Imperador Amarelo e chegava ao período das Primaveras e Outonos. A obra já circulava durante a dinastia Han, mas deixou de ser transmitida integralmente na dinastia Song, e estudiosos da dinastia Qing reuniram fragmentos preservados em outras obras.
O título aproxima as ideias de geração e origem, vertidas nas traduções "Livro das Origens" e "Registros das Gerações".
Na dinastia Tang, o título passou a ser escrito Xiben, 系本, para evitar o caractere 世, presente no nome pessoal do imperador Taizong, Li Shimin, 李世民. Também se empregou o título Daiben, 代本, com a mesma substituição do caractere proibido.
As origens do texto são incertas, e suas versões receberam acréscimos ao longo da transmissão. O catálogo bibliográfico do Livro de Han inclui um Shiben de quinze capítulos na seção de obras históricas. O Livro dos Han Posteriores, compilado no século V, afirma que Sima Qian o utilizou como fonte dos Registros do Grande Historiador.
Os catálogos Sui e Tang atribuem versões a Liu Xiang, Song Zhong e Song Jun. Na reconstrução de Mao Panlin, essas atribuições são examinadas junto das citações que sobreviveram em comentários de outros livros. O trabalho de Song Zhong foi uma das bases das versões posteriores.
Os catálogos das histórias dinásticas mencionam versões da obra desde os Han até a dinastia Tang, mas a obra já não era transmitida integralmente na dinastia Song. Na época Qing, fragmentos preservados em outras obras foram reunidos em reconstruções, oito das quais foram publicadas em conjunto em 1957. Seus compiladores foram Wang Mo, Sun Fengyi, Chen Qirong, Qin Jiamo, Zhang Shu, Lei Xueqi, Mao Panlin e Wang Zicai.
As reconstruções organizam de maneiras diferentes o material genealógico e as passagens sobre nomes de clãs, Shixing, 氏姓, residências dos governantes, Ju, 居, e inventores, Zuo, 作. Mao Panlin, por exemplo, reuniu os fragmentos em seis volumes e acrescentou passagens sobre nomes póstumos.
O Shiben foi uma das primeiras obras chinesas dedicadas às origens de objetos, costumes e invenções, um gênero também chamado de dicionário tecnológico ou enciclopédia das origens. Para Joseph Needham, essas compilações expressam um interesse pela transformação das técnicas e da sociedade, em vez de uma visão da civilização chinesa como imutável.
O matemático Liu Xiaosun, ativo entre 605 e 616, durante a dinastia Sui, é um dos autores aos quais se atribui o Shishi, 事始, "Começo de todos os assuntos", com cerca de 335 entradas. Ma Jian, estudioso do Estado de Shu Posterior, deu continuidade ao gênero no Xushishi, 續事始, por volta de 960, com 358 entradas. As duas obras atribuíam invenções a personagens da tradição chinesa.
As compilações seguintes aumentaram de tamanho. Entre as obras Song estavam o Shiwu jiyuan, 事物紀原, de Gao Cheng, datado de 1085, e o Gujin yuanliu zhilun, 古今源流至論, de Lin Jiong e Huang Lüweng, com prefácios de 1233 e 1237. Na época Qing, Chen Yuanlong organizou o Gezhi jingyuan, 格致鏡原, impresso entre 1717 e 1735, a maior enciclopédia de origens desse gênero.

As genealogias e as explicações sobre nomes de clãs foram consultadas em obras genealógicas e comentários históricos posteriores. As passagens sobre inventores também são empregadas no estudo das tradições sobre ciência e tecnologia, embora não comprovem por si mesmas a autoria histórica das invenções.
Muitas entradas têm apenas quatro caracteres, como Bo Yi zuojing, 伯益作井, "Bo Yi inventou a escavação de poços", Hu Cao zuoyi, 胡曹作衣, "Hu Cao inventou as roupas", e Li Shou zuoshu, 隸首作數, "Li Shou inventou os cálculos". Vários inventores são apresentados como ministros do Imperador Amarelo, personagem lendário, de modo que o interesse dessas passagens está também na organização das tradições tecnológicas.
Uma entrada atribui a Lu Ban, também chamado Gongshu Pan, a invenção do moinho rotativo de pedra: Gongshu zuo shiwei, 公輸作石磑. A enciclopédia Gujin Tushu Jicheng reproduziu uma explicação do Shiwu jiyuan que distingue dois equipamentos. Um deles usava bambu trançado e argila para descascar os grãos. O outro tinha pedras sobrepostas para moer arroz e trigo e produzir farinha.