Fangyan | |
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Distribuição de grupos linguísticos da época Han, reconstruída a partir do vocabulário do Fangyan. | |
| Autor | Tradicionalmente atribuído a Yang Xiong |
| Língua | Chinês clássico |
| Assunto | Vocabulário regional da China |
| Composição | Início do século I |
O Fangyan é um dicionário chinês compilado no início do século I e tradicionalmente atribuído ao poeta e filósofo Yang Xiong, que viveu de 53 a.C. a 18. A reunião das palavras e dos lugares em que eram usadas é o primeiro estudo de geografia linguística documentado na China. O título pode ser traduzido como "palavras regionais" ou "expressões regionais".
Yang Xiong reuniu e comparou o material ao longo de 27 anos, como explica em uma carta a Liu Xin preservada com a obra. O prefácio de Guo Pu relaciona a obra à tradição dos mensageiros da "carruagem leve", que recolhiam expressões regionais durante as dinastias Zhou e Qin, e afirma que esses levantamentos haviam se perdido. Yang reuniu informações de pessoas que chegavam à capital de diferentes regiões, e o dicionário inclui formas usadas no norte da China e na Coreia.
Os testemunhos antigos mencionam cerca de nove mil caracteres e quinze capítulos, enquanto as edições transmitidas têm treze capítulos e um texto mais extenso. Suas definições costumam apresentar os sinônimos usados em regiões diferentes para uma mesma coisa. No verbete sobre o tigre, o texto aproxima palavras empregadas nas antigas regiões de Chen, Wei, Song e Chu, na China central, das formas ouvidas entre os rios Yangtzé e Huai, no sul.
虎:陳魏宋楚之間或謂之李父;江淮南楚之間謂之李耳,或謂之於䖘。自關東西或謂之伯都。
"Tigre: entre Chen, Wei, Song e Chu, alguns o chamam de lifu; entre os rios Yangtzé e Huai e no sul de Chu, chamam-no de li'er, e alguns, de wutu. A leste e a oeste da passagem, alguns também o chamam de bodu".
Os dados do Fangyan são usados na reconstrução da pronúncia do chinês da época Han, entre o chinês antigo e o chinês médio. No estudo das palavras para "tigre", Paul Serruys reconstruiu uma forma antiga como *blxâg e aplicou métodos da dialetologia à distribuição geográfica do vocabulário, procurando distinguir áreas linguísticas e relações entre elas.
O título completo da obra é 輶軒使者絕代語釋別國方言. Os títulos abreviados em outras línguas variam entre "dialetos", "fala regional" e "expressões regionais".
A palavra chinesa fangyan, 方言, significa "fala regional" e não estabelece, por si só, se duas variedades são mutuamente compreensíveis. Em inglês, costuma ser traduzida por dialect, mas John DeFrancis propôs regionalect e Victor Mair, topolect, para evitar que o termo chinês fosse tomado como equivalente exato do conceito linguístico de dialeto. Em 2016, Mair sugeriu o uso de 通言, tōngyán, para traduzir "dialeto" ao chinês, reservando "topoleto" para fangyan.
"Topoleto" também foi empregado para variedades cuja classificação como língua ou dialeto envolve questões políticas e sociais, como o scots e as variedades do árabe. No uso discutido por Mair, o nome pode designar o mandarim, o mandarim do sudoeste, variedades mutuamente incompreensíveis dentro desse grupo e dialetos compreensíveis entre si. Mair relaciona essa amplitude à concepção do chinês como uma língua única e defende que o critério de inteligibilidade mútua leva a classificações diferentes.
Durante a dinastia Qing, o termo chinês também aparecia em dicionários bilíngues de línguas como o coreano, o mongol, o manchu e o vietnamita. Seu uso histórico podia alcançar línguas que não pertencem ao mesmo grupo do chinês, além das variedades regionais siníticas.