Pegaspargase

Pegaspargase
Nomes
Outros nomes Oncaspar
Pegaspargase
Identificadores
Número CAS 130167-69-0
DrugBank DB00059
KEGG D05387
Código ATC L01XX24
DCB n° 06880
Pegaspargase
Farmacologia
Biodisponibilidade 82% (intramuscular, 1.ª dose)
Via(s) de administração Intramuscular, intravenosa
Meia-vida biológica 5,3 a 5,8 dias
Página de dados suplementares
Estrutura e propriedades n, εr, etc.
Dados termodinâmicos Comportamento de fases
Sólido, líquido e gás
Dados espectrais UV, IV, RMN, EM
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão.

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

A pegaspargase (em inglês: pegaspargase), vendida sob o nome comercial Oncaspar, é uma forma da enzima asparaginase ligada ao polietilenoglicol (PEG), usada no tratamento da leucemia linfoblástica aguda, como parte de esquemas de quimioterapia com vários medicamentos. Pode ser usada no tratamento inicial ou em pacientes alérgicos à asparaginase comum. A ligação ao polietilenoglicol (processo chamado PEGilação) faz a enzima durar muito mais no sangue: a meia-vida é de cerca de cinco dias e meio, contra cerca de um dia da asparaginase nativa. Foi aprovada nos Estados Unidos em 1994 e consta da Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde, inclusive na lista para crianças.

Usos médicos

A pegaspargase é indicada, como parte de um esquema de quimioterapia com vários medicamentos, para o tratamento de primeira linha da leucemia linfoblástica aguda em crianças e adultos, e para pacientes com essa leucemia que tiveram reação alérgica às formas nativas da L-asparaginase. É aplicada no músculo ou na veia, com intervalo mínimo de 14 dias entre as doses. A dose é de 2 500 UI/m² para pacientes de até 21 anos e de 2 000 UI/m² para adultos mais velhos.

Num ensaio clínico do Children's Cancer Group com 118 crianças com leucemia linfoblástica aguda de risco padrão, a pegaspargase foi comparada à asparaginase nativa de Escherichia coli. Com a pegaspargase, os linfoblastos desapareceram mais depressa da medula óssea e a atividade da enzima durou mais. Na primeira fase de intensificação tardia, apenas 2% dos pacientes tratados com pegaspargase tinham níveis altos de anticorpos contra a enzima, contra 26% dos tratados com a forma nativa. Os efeitos adversos, as infecções e as internações foram semelhantes nos dois grupos.

Efeitos adversos

A pegaspargase é contraindicada em pessoas com história de reação alérgica grave a ela, de trombose grave ou de pancreatite em tratamento anterior com L-asparaginase, ou de hemorragia grave associada à L-asparaginase.

Os principais riscos são:

Os efeitos adversos graves mais comuns (acima de 5%) são queda da albumina, aumento das enzimas do fígado, neutropenia febril, aumento dos triglicerídeos e da glicose no sangue, aumento da bilirrubina, pancreatite, alterações da coagulação, eventos trombóticos, hipersensibilidade, sepse e infecções.

Farmacologia

Mecanismo de ação

A L-asparaginase é uma enzima que converte o aminoácido asparagina em ácido aspártico e amônia. As células leucêmicas que produzem pouca asparagina sintetase não conseguem fabricar asparagina em quantidade suficiente e dependem da asparagina do sangue. Ao esgotar a asparagina do plasma, a pegaspargase leva essas células à morte.

Estrutura

A pegaspargase é um conjugado de monometoxipolietilenoglicol (mPEG) com a L-asparaginase de E. coli, uma enzima formada por quatro subunidades iguais de 34,5 kDa. Cerca de 69 a 82 moléculas de mPEG, cada uma com cerca de 5 kDa, ficam ligadas à enzima.

Farmacocinética

Depois de uma injeção no músculo, a atividade máxima no sangue é atingida por volta do quinto dia. A biodisponibilidade relativa da via intramuscular é de 82% na primeira dose e de 98% nas doses seguintes. A meia-vida de eliminação é de cerca de 5,8 dias após a injeção no músculo e de 5,3 dias após a infusão na veia. Num estudo com pacientes com leucemia linfoblástica aguda de alto risco, depois de uma dose de 2 500 UI/m² na veia, a asparagina do plasma ficou abaixo do limite de detecção por pelo menos 11 dias.

História

A pegaspargase foi aprovada nos Estados Unidos em 1994. O ensaio do Children's Cancer Group, publicado em 2002, mostrou que ela produzia atividade enzimática mais duradoura e menos anticorpos que a asparaginase nativa, e os autores recomendaram estudá-la numa população maior.

Sociedade e cultura

Nomes

Pegaspargase é a Denominação Comum Brasileira (DCB n.º 06880). O nome em inglês é o mesmo, e Oncaspar é o nome comercial.

Lista de medicamentos essenciais

A pegaspargase consta da lista complementar da 24.ª Lista Modelo de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2025, no grupo dos medicamentos citotóxicos, para a leucemia linfoblástica aguda, como solução injetável de 3 750 unidades em 5 mL ou pó para injeção de 3 750 unidades. A lista inclui os biossimilares de qualidade assegurada. Também consta da lista complementar da 10.ª Lista Modelo de Medicamentos Essenciais para Crianças.

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 «Oncaspar (pegaspargase) injection: prescribing information» (em inglês). Servier Pharmaceuticals; U.S. National Library of Medicine (DailyMed). Outubro de 2024. Consultado em 28 de outubro de 2026
  2. 1 2 3 Avramis, V. I.; Sencer, S.; Periclou, A. P.; et al. (2002). «A randomized comparison of native Escherichia coli asparaginase and polyethylene glycol conjugated asparaginase for treatment of children with newly diagnosed standard-risk acute lymphoblastic leukemia: a Children's Cancer Group study». Blood (em inglês). 99 (6): 1986–1994. PMID 11877270. doi:10.1182/blood.v99.6.1986
  3. 1 2 Organização Mundial da Saúde (2025). The selection and use of essential medicines: report of the WHO Expert Committee on Selection and Use of Essential Medicines, 2025 (including the 24th WHO Model List of Essential Medicines and the 10th WHO Model List of Essential Medicines for Children). Col: WHO Technical Report Series (em inglês). 1064. Genebra: Organização Mundial da Saúde. pp. 569, 653. ISBN 978-92-4-011974-1
  4. ↑ «Lista consolidada das Denominações Comuns Brasileiras». Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Outubro de 2026. Consultado em 28 de outubro de 2026