Organização Mundial da Saúde | |
|---|---|
| World Health Organization | |
Nos demais idiomas oficiais da ONU
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| Emblema da OMS | |
| A sede em Genebra, projetada por Jean Tschumi e inaugurada em 1966. | |
| Tipo | Agência especializada das Nações Unidas |
| Siglas | OMS; WHO (em inglês) |
| Fundação | 7 de abril de 1948 |
| Sede | Genebra, Suíça |
| Diretor-geral | Tedros Adhanom |
| Situação | Ativa |
| Orçamento-programa aprovado | US$ 6,21 bilhões (2026–2027) |
| Coordenação no sistema ONU | Conselho Econômico e Social das Nações Unidas |
| Sítio oficial | who.int |
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| Organização das Nações Unidas |
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| Carta |
| Sistema das Nações Unidas |
| Fundos, programas e outros órgãos |
| Agências especializadas e organizações relacionadas |
| Estados-membros |
| História |
| Resoluções |
A Organização Mundial da Saúde (OMS; em inglês: World Health Organization, WHO) é uma agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU) que coordena respostas a questões e emergências internacionais de saúde pública. Sua sede fica em Genebra, na Suíça, e sua estrutura compreende seis escritórios regionais e uma rede de escritórios nacionais, que somava 153 unidades operacionais em 2024.
A OMS tem como objetivo alcançar o mais alto nível possível de saúde para todos os povos, entendida em sua constituição como "um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade". Entre suas principais funções estão promover o controle de epidemias e endemias, desenvolver e aperfeiçoar o ensino e a formação em saúde pública, no tratamento de doenças e em áreas relacionadas, e incentivar o estabelecimento de normas internacionais para produtos biológicos.
A OMS foi criada em 7 de abril de 1948 e iniciou formalmente suas atividades em 1 de setembro daquele ano. Assumiu atribuições e recebeu arquivos e outros recursos da Organização de Saúde da Sociedade das Nações e do Office International d'Hygiène Publique, sediado em Paris. Seu quadro inicial também incorporou profissionais ligados à antiga organização de saúde da Sociedade das Nações. Entre as responsabilidades assumidas em 1948 estava a Classificação Internacional de Doenças (CID). Em 1951, suas atividades de assistência técnica receberam também recursos do Programa Ampliado de Assistência Técnica das Nações Unidas.
A OMS presta assistência técnica aos países e estabelece normas internacionais de saúde como parte de seu mandato de promover a saúde e a segurança e atender às populações vulneráveis em todo o mundo. Também reúne dados sobre problemas de saúde no mundo e funciona como fórum para discussões científicas e de políticas de saúde. Sua série Relatório Mundial da Saúde apresentou avaliações de temas de saúde mundial. A organização desempenhou papel de destaque na erradicação da varíola, nos avanços em direção à erradicação da poliomielite e na coordenação de um ensaio clínico de uma vacina contra o ebola. Suas áreas de atuação incluem doenças transmissíveis, como HIV/AIDS, ebola, malária e tuberculose; doenças não transmissíveis, como cardiopatias e câncer; alimentação saudável, nutrição e segurança alimentar; saúde ocupacional; e abuso de substâncias. Defende a cobertura universal de saúde, monitora riscos à saúde pública, coordena respostas a emergências sanitárias e promove a saúde e o bem-estar.
Formada pelos Estados-membros, a Assembleia Mundial da Saúde governa a OMS, define seus objetivos e prioridades e aprova o orçamento e as atividades. Também elege os Estados que designam os 34 especialistas em saúde integrantes do Conselho Executivo, que a assessora, e nomeia o diretor-geral, cargo ocupado pelo etíope Tedros Adhanom desde 2017. O financiamento da OMS provém principalmente de contribuições obrigatórias dos Estados-membros e de contribuições voluntárias desses Estados e de outros parceiros, entre os quais organizações internacionais, fundações filantrópicas e doadores privados.
As Conferências Sanitárias Internacionais, iniciadas em 23 de julho de 1851, ocorreram até 1938, ao longo de aproximadamente 87 anos. A primeira conferência, realizada em Paris, tratou da cólera, da peste e da febre amarela; a cólera continuaria a ser sua principal preocupação durante a maior parte do século XIX. Como a causa, a origem e as formas de transmissão de muitas doenças epidêmicas ainda eram desconhecidas e objeto de controvérsia científica, era difícil chegar a um acordo internacional sobre as medidas adequadas. Foram necessárias sete conferências, ao longo de 41 anos, para que se chegasse a um acordo entre vários Estados. A sétima, realizada em Veneza em 1892, resultou em uma convenção que tratava apenas do controle sanitário dos navios que atravessavam o Canal de Suez, com o objetivo de impedir a introdução da cólera.
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| Saúde pública |
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Cinco anos depois, em 1897, dezoito dos Estados participantes da conferência de Veneza assinaram uma convenção sobre a peste bubônica. Embora a Dinamarca, a Suécia-Noruega e os Estados Unidos não a tenham assinado, houve consenso de que os resultados das conferências anteriores deveriam ser codificados para sua aplicação. As conferências seguintes, de 1903 à última, em 1938, continuaram a discutir medidas sanitárias internacionais, incluindo respostas à febre amarela. Na interpretação de Norman Howard-Jones, o avanço da cooperação sanitária internacional nesse período contribuiu para a criação do Escritório Sanitário Pan-Americano, em 1902, e do Office International d'Hygiène Publique, ou Escritório Internacional de Higiene Pública, em 1907. Antes da Primeira Guerra Mundial, esse escritório ampliou sua agenda para incluir a brucelose, a hanseníase, a tuberculose e a febre tifoide. Com a formação da Sociedade das Nações, em 1920, começou a ser organizada sua Organização de Saúde, cujo comitê provisório foi estabelecido em 1921. Após a Segunda Guerra Mundial, a ONU reuniu as atividades de organismos sanitários preexistentes para constituir a OMS.
Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Organização Internacional, em 1945, Szeming Sze, delegado da República da China, discutiu com representantes noruegueses e brasileiros a criação de uma organização internacional de saúde sob os auspícios da nova ONU. Como não conseguiram aprovar uma resolução sobre o tema, Alger Hiss, secretário-geral da conferência, recomendou que recorressem a uma declaração. Sze e outros delegados articularam apoio e obtiveram a aprovação de uma declaração que solicitava uma conferência internacional de saúde. O emprego da palavra "mundial", em vez de "internacional", ressaltava o alcance global pretendido para a organização.
Em 1946, Arcot Ramaswamy Mudaliar era o primeiro presidente do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC). Durante sua presidência, em 15 de fevereiro daquele ano, o conselho determinou a convocação da conferência internacional que elaboraria a constituição da OMS. A constituição da organização foi assinada em 22 de julho de 1946 pelos 51 países que então integravam a ONU e por outros dez. A OMS tornou-se, assim, a primeira agência especializada das Nações Unidas a contar com a adesão de todos os seus membros. A constituição entrou em vigor em 7 de abril de 1948, quando foi ratificada pelo 26.º Estado; a data passou a ser celebrada como o Dia Mundial da Saúde. A OMS iniciou formalmente suas atividades em 1 de setembro de 1948.
Portugal participou desse processo e assinou a constituição em 22 de julho de 1946, depositando sua aceitação em 13 de fevereiro de 1948. O documento reconhece o gozo do mais alto nível possível de saúde como direito fundamental de todo ser humano, sem distinção de raça, religião, convicção política ou condição econômica e social, e estabelece que a saúde de todos os povos é essencial à paz e à segurança e depende da cooperação entre indivíduos e Estados.
Ao término da primeira reunião da Assembleia Mundial da Saúde, em 24 de julho de 1948, havia sido aprovado um orçamento de US$ 5 milhões, equivalente então a cerca de 1,24 milhão de libras esterlinas, para 1949. Brock Chisholm, que atuara como secretário-executivo e membro fundador durante os preparativos, foi nomeado diretor-geral, e Andrija Štampar tornou-se o primeiro presidente da assembleia. As prioridades iniciais eram controlar a disseminação da malária, da tuberculose e das infecções sexualmente transmissíveis, além de melhorar a saúde materna e a saúde infantil, a nutrição e a higiene ambiental. Seu primeiro regulamento, o Regulamento n.º 1, adotado em 24 de julho de 1948, tratou da nomenclatura de doenças e causas de morte e da compilação e publicação de estatísticas de morbidade e mortalidade. O emblema da OMS apresenta o Bordão de Asclépio como símbolo da cura.
Em 1959, a OMS firmou com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) o acordo aprovado pela resolução WHA12.40, que estabelece:
| “ | Sempre que uma das organizações propuser iniciar um programa ou atividade sobre um assunto no qual a outra organização tenha ou possa ter interesse substancial, a primeira deverá consultar a segunda, a fim de ajustar a questão de comum acordo. | ” |
Grupos e ativistas, entre eles a organização Women in Europe for a Common Future, alegaram que o acordo restringia a capacidade da OMS de investigar os efeitos da radiação sobre a saúde humana decorrentes do uso da energia nuclear e as consequências persistentes de acidentes como o de Chernobil. Esses grupos defenderam a recuperação do que consideravam ser a independência da organização. Segundo o próprio movimento, o IndependentWHO manteve uma vigília em todos os dias úteis diante da sede da OMS, de 26 de abril de 2007 a 26 de abril de 2017. O IndependentWHO informa que deixou de pedir a alteração do acordo e que não se pode afirmar que esse texto impeça a OMS de cumprir sua missão; o movimento mantém críticas à atuação da organização diante de Chernobil e Fukushima. Mark Foreman observou, em 2018, que a segunda cláusula do acordo reconhece expressamente a competência da OMS sobre a saúde:
| “ | Em particular, e em conformidade com a Constituição da Organização Mundial da Saúde e com o Estatuto da Agência Internacional de Energia Atômica e seu acordo com as Nações Unidas, juntamente com a troca de cartas a ele relativa, e levando em conta as respectivas responsabilidades de coordenação das duas organizações, a Organização Mundial da Saúde reconhece que cabe à Agência Internacional de Energia Atômica a responsabilidade principal por incentivar, auxiliar e coordenar a pesquisa, o desenvolvimento e a aplicação prática da energia atômica para fins pacíficos em todo o mundo, sem prejuízo do direito da Organização Mundial da Saúde de ocupar-se de promover, desenvolver, auxiliar e coordenar o trabalho internacional em saúde, inclusive a pesquisa, em todos os seus aspectos. | ” |
A cláusula preserva o direito da OMS de realizar atividades relacionadas à saúde, e a organização afirmou, em 2011, que o acordo não a subordina à AIEA e que nunca havia sido utilizado para impedir ou restringir seu trabalho.
Em 1947, a comissão interina da OMS estabeleceu um serviço de informações epidemiológicas por telex. Em 1949, a União Soviética e as repúblicas soviéticas da Ucrânia e da Bielorrússia suspenderam sua participação na organização, em meio a divergências que incluíam a transferência de tecnologia para a produção de penicilina. Em 1956, o Conselho Executivo discutiu a disposição da URSS de retomar sua participação e a regularização de suas contribuições em atraso. A delegação soviética voltou à Assembleia Mundial da Saúde em maio de 1957, após oito anos de ausência. A Ucrânia e a Bielorrússia retomaram a participação ativa somente em 1992. Em 1950, estava em curso uma campanha de vacinação em massa contra a tuberculose, com a vacina BCG.
O programa de erradicação da malária, lançado em 1955, teve seu objetivo revisto em 1969; depois disso, a maioria dos programas de erradicação foi convertida em programas de controle da doença. Em 1958, Viktor Zhdanov, vice-ministro da Saúde da União Soviética, defendeu perante a Assembleia Mundial da Saúde uma iniciativa global para erradicar a varíola, o que levou à adoção da resolução WHA11.54.
A OMS publicou seu primeiro relatório sobre diabetes mellitus em 1965, ano em que também foi criada a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer. Em 1966, a organização transferiu sua sede da ala Ariana do Palácio das Nações para um edifício construído especificamente para esse fim, em Genebra.
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Em 1967, a OMS intensificou a campanha mundial de erradicação da varíola, destinando-lhe US$ 2,4 milhões por ano e adotando novos métodos de vigilância epidemiológica. O número de mortes causadas pela doença em 1967 foi estimado em cerca de 2 milhões. A subnotificação de casos dificultava a identificação e a contenção dos surtos. Para enfrentá-la, a organização criou uma rede de consultores que auxiliava os países na vigilância e na contenção da doença. Também ajudou a controlar o último grande surto europeu, ocorrido na Iugoslávia em 1972. Após mais de duas décadas de esforços, uma comissão mundial declarou em 1979 que a varíola havia sido erradicada. A conclusão foi aprovada pela Assembleia Mundial da Saúde em 1980, e a varíola tornou-se a primeira doença erradicada pela ação humana.
Em 1974, a OMS lançou o Programa Ampliado de Imunização e iniciou o programa de controle da oncocercose, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Banco Mundial. No ano seguinte, em resposta a uma resolução da assembleia de 1974, criou o Programa Especial de Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR). O PNUD tornou-se copatrocinador em 1976, o Banco Mundial em 1977 e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em 2003. O TDR tinha por objetivo coordenar a pesquisa internacional sobre diagnóstico, tratamento e controle de doenças tropicais, além de desenvolver a capacidade de pesquisa nos países endêmicos.
Em 1976, a assembleia aprovou uma resolução sobre prevenção de deficiências e reabilitação, com ênfase na atenção baseada na comunidade. Em 1977, foi publicada a primeira lista de medicamentos essenciais, e, em 1978, a Declaração de Alma-Ata reafirmou a meta de "Saúde para Todos", apresentada na Assembleia Mundial da Saúde do ano anterior.

Em 1986, a organização iniciou um programa para avaliar o alcance mundial da HIV/AIDS e planejar uma resposta internacional integrada. Em fevereiro de 1987, estabeleceu o Programa Especial sobre AIDS, que posteriormente recebeu o nome de Programa Global sobre AIDS. Em 1988, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou uma resolução contra a discriminação de pessoas com AIDS; em 1996, foi criado o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS). Em 1988, foi estabelecida a Iniciativa Global de Erradicação da Poliomielite.
Em 1995, a OMS criou uma Comissão Internacional para a Certificação da Erradicação da Dracunculíase (ICCDE), de caráter independente. A comissão recomenda quais países cumprem os requisitos para receber a certificação de erradicação da dracunculíase, também conhecida como doença do verme-da-guiné, e assessora a organização sobre os avanços na interrupção da transmissão e os procedimentos de verificação.
No cinquentenário da OMS, em 1998, seu diretor-geral destacou os avanços na sobrevivência infantil, a redução da mortalidade infantil, o aumento da esperança de vida e o recuo de doenças como a varíola e a poliomielite. Reconheceu, porém, que era necessário ampliar os esforços em saúde materna, área em que os progressos haviam sido lentos.
Em 2000, foi criada a Parceria Stop TB, no mesmo período em que a ONU formulou os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. A Iniciativa contra o Sarampo, estabelecida em 2001, contribuiu para a redução das mortes mundiais pela doença. Entre 2000 e 2006, houve uma redução estimada de 68% nas mortes mundiais pela doença, calculada com um modelo que combinava dados populacionais, cobertura vacinal e informações de vigilância. Em 2002, foi criado o Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária, para ampliar os recursos disponíveis para o enfrentamento dessas doenças.
Em 2005, a OMS revisou o Regulamento Sanitário Internacional diante das novas ameaças à saúde e da experiência com a epidemia de SARS de 2002–2003. A revisão autorizou a organização, entre outras medidas, a declarar uma ameaça sanitária como emergência de saúde pública de âmbito internacional.
Em 2006, a OMS endossou um conjunto de materiais de formação sobre prevenção, tratamento e apoio em HIV/AIDS lançado no Zimbábue, destinado a iniciativas de combate à pandemia de AIDS. Na divulgação do lançamento, Getachew Gizaw, da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, apresentou o material como o primeiro de seu tipo e afirmou que o endosso da OMS o tornava um padrão internacional. No mesmo ano, lançou o Plano de ação global para vacinas contra a gripe. O plano foi encerrado em 2016. O relatório da consulta de encerramento concluiu que, apesar dos avanços obtidos durante seus dez anos, o mundo ainda não estava preparado para responder a uma pandemia de gripe.
Também em 2016, após as falhas apontadas na resposta à epidemia de ebola na África Ocidental, a OMS criou o Programa de Emergências de Saúde, ampliando sua atuação normativa para assumir também funções operacionais nas emergências sanitárias.
Em 30 de janeiro de 2020, a organização declarou o surto causado por um novo coronavírus uma emergência de saúde pública de âmbito internacional. Em 11 de fevereiro, anunciou o nome COVID-19 para a doença; o vírus, inicialmente denominado 2019-nCoV, recebeu o nome SARS-CoV-2 do Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus. A OMS coordenou ações internacionais durante a pandemia de COVID-19, elaborou orientações preventivas e apoiou pesquisas sobre vacinas. Também participou da distribuição de vacinas por meio da COVAX. Também manteve um painel de acompanhamento dos dados da pandemia.
Em 2022, a OMS propôs a criação de um Conselho Global de Emergências de Saúde e o fortalecimento de uma força de trabalho mundial para essas situações, além de recomendar alterações no Regulamento Sanitário Internacional.
Em agosto de 2024, declarou a disseminação da mpox, anteriormente chamada varíola dos macacos, em vários países africanos uma emergência de saúde pública de âmbito internacional. Foi a segunda declaração desse tipo em dois anos em razão da transmissão do vírus. Em setembro de 2025, o diretor-geral Tedros Adhanom anunciou o encerramento dessa emergência.
Em janeiro de 2026, o governo dos Estados Unidos anunciou a conclusão de sua retirada da OMS, determinada pelo presidente Donald Trump em 20 de janeiro de 2025, seu primeiro dia de mandato. A notificação formal ao secretário-geral da ONU foi efetuada em 22 de janeiro de 2025, com efeito previsto para 22 de janeiro de 2026. O governo alegou falhas da organização na resposta à pandemia de COVID-19, afirmou que não voltaria a integrar a OMS nem participaria como observador e passou a priorizar a cooperação bilateral em saúde mundial. Também contestou a exigência de quitar aproximadamente US$ 260 milhões em contribuições pendentes antes da saída. A perda do financiamento norte-americano, que, segundo a Reuters, representava tradicionalmente cerca de 18% do financiamento total da OMS, agravou a crise financeira da instituição, que anunciou cortes orçamentários, a redução de sua equipe de direção à metade e planos de diminuir o quadro de pessoal em aproximadamente um quarto. Tedros afirmou que a retirada tornaria os Estados Unidos e o restante do mundo menos seguros. A OMS informou, contudo, que a notificação de retirada continuava sujeita à apreciação de seus órgãos de governo.
A OMS tem o objetivo constitucional de alcançar o mais alto nível possível de saúde para todos os povos e promove, entre outras iniciativas, sistemas de registro civil e estatísticas vitais, destinados ao acompanhamento de eventos como nascimentos, mortes, casamentos e divórcios.
Em 2014, J. Lidén considerou que a ascensão de novos atores na saúde global desde o fim do século XX, como o Banco Mundial, a Gates Foundation, o Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da AIDS (PEPFAR) e dezenas de parcerias público-privadas, contribuíra, entre outros fatores, para reduzir a influência da OMS na coordenação e na formulação de políticas nesse campo. Surgiram, assim, propostas de reforma ou reorientação de suas funções e prioridades, que vão da redução de seu mandato ao fortalecimento de sua independência e autoridade.
Em consonância com uma tendência internacional documentada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e adotada na União Europeia, a OMS passou a defender maior participação pública na formulação de políticas de saúde. Essa orientação se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas e a outros acordos intergovernamentais. Busca ampliar a participação de pessoas, comunidades e da sociedade civil nas decisões que afetam a saúde, em todas as etapas das políticas e em todos os níveis do sistema.
Em 1969, a OMS encerrou o Programa Mundial de Erradicação da Malária, lançado em 1955, diante das dificuldades de execução. A organização reforçou as medidas de controle da doença, mas reafirmou a erradicação como objetivo de longo prazo. Seu Programa Mundial de Malária acompanha os casos de malária e os possíveis problemas das estratégias de controle. Em 2012, a organização ainda avaliava a viabilidade da RTS,S/AS01 como vacina contra a malária. Entre as medidas de prevenção estavam os mosquiteiros impregnados com inseticidas, a pulverização de inseticidas e os antimaláricos, especialmente para grupos vulneráveis, como gestantes e crianças pequenas. Em outubro de 2021, a OMS recomendou o uso amplo da RTS,S/AS01 em crianças de regiões com transmissão moderada ou alta de Plasmodium falciparum; em outubro de 2023, recomendou também a vacina R21/Matrix-M.
Em 1988, a OMS lançou a Iniciativa Global de Erradicação da Poliomielite. A parceria com o Rotary International, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e outros parceiros contribuiu para uma redução de mais de 99% dos casos de poliomielite causados pelo poliovírus selvagem desde 1988. Em 2011, suas atividades incluíam a imunização de crianças pequenas e a prevenção do reaparecimento de casos em países considerados livres da doença. A OMS atribui à iniciativa a proteção de milhões de pessoas contra a paralisia e mantém a erradicação como objetivo. Em agosto de 2026, a transmissão endêmica do poliovírus selvagem persistia no Afeganistão e no Paquistão, e a disseminação internacional da poliomielite permanecia classificada pela OMS como emergência de saúde pública de importância internacional.
Entre 1990 e 2010, a taxa de mortalidade por tuberculose diminuiu 40%. Até 2011, havia registro de 46 milhões de pessoas tratadas com sucesso desde 1995, com um número estimado de cerca de 7 milhões de vidas salvas. As práticas promovidas pela organização incluíam o envolvimento e o financiamento dos governos nacionais, o diagnóstico precoce, a padronização do tratamento, o acompanhamento da disseminação e dos efeitos da tuberculose e a regularidade do fornecimento de medicamentos. As pessoas com HIV/AIDS apresentam maior vulnerabilidade à tuberculose. Em 2024, os totais estimados foram de 10,7 milhões de casos novos e 1,23 milhão de mortes pela doença; o total estimado de mortes incluía 150 mil pessoas com HIV.
Em 2003, a OMS criticou afirmações sobre a eficácia dos preservativos feitas pelo presidente do Pontifício Conselho para a Família, órgão da Cúria Romana. Considerou perigosas as afirmações incorretas sobre preservativos e HIV e, ao criticá-las, citou estimativas da época de mais de 20 milhões de mortes e cerca de 42 milhões de pessoas afetadas. Em 2009, a Igreja Católica continuava a se opor à ampliação do uso de preservativos para combater o HIV/AIDS. Naquele ano, o ministro da Saúde da Guiana, Leslie Ramsammy, que presidira a Assembleia Mundial da Saúde, condenou a oposição do Papa Bento XVI aos preservativos, afirmando que ela criava confusão e dificultava estratégias de eficácia comprovada contra a doença.
A partir de 2007, a OMS passou a compilar informações sobre o desenvolvimento de vacinas contra a gripe pandêmica, incluindo resultados de ensaios clínicos, a pedido dos Estados-membros e de outros participantes das iniciativas de preparação para pandemias. Os dados provinham de registros de ensaios, publicações, reuniões técnicas e contatos com fabricantes e pesquisadores. A então diretora-geral, Margaret Chan, declarou a pandemia de gripe A de 2009, causada pelo vírus H1N1, em 11 de junho de 2009. Em 2010, Chan anunciou a passagem para o período pós-pandêmico. Alguns cientistas e autoridades afirmaram que a OMS havia exagerado o perigo do vírus. Em abril de 2010, Keiji Fukuda, então especialista da organização em influenza, reconheceu que a OMS não comunicara adequadamente as incertezas sobre a pandemia. Especialistas da indústria argumentaram, por sua vez, que a pandemia havia produzido uma colaboração sem precedentes entre autoridades sanitárias, cientistas e fabricantes, com a resposta de maior abrangência até então e vacinas aprovadas três meses depois da declaração da pandemia, graças aos preparativos da década anterior.
O orçamento-programa da OMS para 2012–2013 foi organizado em treze objetivos estratégicos, dos quais dois tratavam de doenças transmissíveis: um buscava reduzir seus impactos sanitários, sociais e econômicos em geral; o outro se concentrava no combate ao HIV/AIDS, à malária e à tuberculose. No orçamento de 2014–2015, o trabalho passou a ser organizado em cinco categorias programáticas, mais uma categoria de serviços administrativos e funções de apoio.
Na estratégia para 2011–2015, a OMS previa, em articulação com o UNAIDS, o envolvimento de setores da sociedade além da saúde no enfrentamento das questões econômicas e sociais relacionadas ao HIV/AIDS. Em consonância com o UNAIDS, a estratégia para 2011–2015 estabelecera metas de reduzir, até 2015 e em relação aos níveis de 2009, a proporção de jovens de 15 a 24 anos infectados pelo HIV em 50%, as novas infecções em crianças em 90% e as mortes relacionadas ao HIV em 25%.
Em 2023, pesquisadores criticaram os critérios da OMS para classificar uma condição como doença tropical negligenciada, em especial a exigência de que fosse imediatamente passível de controle amplo, eliminação ou erradicação. Sugeriram que essa abordagem poderia constituir uma forma de injustiça epistêmica, por favorecer uma interpretação predominantemente biomédica de condições como os acidentes ofídicos.
Entre as treze áreas prioritárias do planejamento da OMS para 2012–2013 estava a prevenção e a redução de doenças, incapacidades e mortes prematuras associadas às doenças não transmissíveis crônicas, aos transtornos mentais, à violência, às lesões e à deficiência visual. O total estimado de mortes provocadas por doenças não transmissíveis em 2021 foi de pelo menos 43 milhões, equivalente a 75% das mortes mundiais não relacionadas à pandemia. O Escritório Regional da OMS para a Europa publicou, de 1983 a 2016, a revista de saúde sexual e reprodutiva Entre Nous. Em sua última edição, a revista estava vinculada à Divisão de Doenças Não Transmissíveis e Promoção da Saúde ao Longo da Vida.
Duas convenções internacionais de controle de drogas, a Convenção Única sobre Entorpecentes, de 1961, e a Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas, de 1971, atribuem à OMS a avaliação científica de substâncias sujeitas ao controle internacional de drogas. Por meio do Comitê de Especialistas em Dependência de Drogas da OMS, a organização pode recomendar alterações nas listas de substâncias controladas à Comissão de Entorpecentes das Nações Unidas. O comitê avalia os efeitos das substâncias psicoativas sobre a saúde pública, seu potencial de causar dependência e danos à saúde, assim como seus possíveis benefícios médicos e usos terapêuticos.
O número estimado de mortes decorrentes de viver ou trabalhar em ambientes insalubres foi de 12,6 milhões em 2012, o equivalente a quase um quarto das mortes mundiais. Fatores de risco ambientais, como a poluição do ar, da água e do solo, a exposição a produtos químicos, as mudanças climáticas e a radiação ultravioleta, contribuíam para mais de cem doenças e tipos de lesões, incluindo diversas doenças relacionadas à poluição.
De 30 de outubro a 1 de novembro de 2018, a OMS realizou sua primeira conferência mundial sobre poluição do ar e saúde, com o tema "Melhorar a qualidade do ar, combater as mudanças climáticas e salvar vidas". O evento foi organizado em colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a Organização Meteorológica Mundial e o secretariado da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima.
A OMS trabalha para reduzir a morbidade e a mortalidade e melhorar a saúde em etapas fundamentais da vida, como a gravidez, o parto, o período neonatal, a infância e a adolescência. Também atua na saúde sexual e na saúde reprodutiva e promove o envelhecimento ativo e saudável, por exemplo, por meio do Programa Especial de Reprodução Humana.
A organização busca prevenir ou reduzir fatores de risco associados ao consumo de tabaco, álcool, drogas e outras substâncias psicoativas, à alimentação inadequada, ao sedentarismo e às relações sexuais sem proteção.
A OMS atua para melhorar a nutrição, a inocuidade dos alimentos e a segurança alimentar, de modo a beneficiar a saúde pública e o desenvolvimento sustentável.
Em abril de 2019, a OMS recomendou que crianças de dois a quatro anos não passassem mais de uma hora por dia em atividades sedentárias diante de telas e que menores de dois anos não realizassem esse tipo de atividade.
Em janeiro de 2025, a organização publicou a diretriz Use of lower-sodium salt substitutes, que reiterou a recomendação forte de reduzir a ingestão de sódio a menos de 2 g por dia e recomendou, de forma condicional, a quem optasse por usar sal de cozinha, a substituição do sal comum por alternativas com menos sódio que contivessem potássio. A recomendação se destinava à população adulta em geral, excluindo crianças, gestantes e pessoas com comprometimento renal ou outras condições que pudessem dificultar a excreção de potássio.
A OMS promove a segurança viária como meio de reduzir as lesões relacionadas ao trânsito e participou de iniciativas internacionais de assistência cirúrgica de emergência e essencial, de atendimento ao trauma e de cirurgia segura. A Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica da OMS é utilizada internacionalmente para melhorar a segurança dos pacientes.
Em emergências naturais ou provocadas pela ação humana, o principal objetivo da OMS é coordenar, com os Estados-membros e outros participantes, medidas para reduzir mortes evitáveis e os impactos das doenças e incapacidades.
Em 5 de maio de 2014, a OMS declarou que a disseminação da poliomielite constituía uma emergência de saúde pública de importância internacional, diante de surtos na Ásia, na África e no Oriente Médio, considerados extraordinários.
Em 8 de agosto de 2014, a organização declarou a disseminação do ebola uma emergência de saúde pública. O surto, cujo início foi identificado na Guiné, havia alcançado países vizinhos, como a Libéria e Serra Leoa. A OMS considerou a situação na África Ocidental muito grave.
Em 2002, Gavin Yamey criticou a burocracia da OMS, as restrições de financiamento, a autonomia dos escritórios regionais e a pouca diversidade do quadro de pessoal. Em fevereiro de 2014, Steven J. Hoffman e John-Arne Røttingen propuseram separar as funções técnicas e políticas da OMS, argumentando que a combinação desses mandatos prejudicava ambas. A epidemia de ebola na África Ocidental, identificada em março de 2014, levou à revisão da capacidade da organização de responder a emergências. Estudos retrospectivos identificaram seu caso inicial como o de uma criança que adoeceu em dezembro de 2013.
O comitê de revisão do Regulamento Sanitário Internacional sobre a resposta ao ebola apontou, entre as fragilidades do sistema, o financiamento insuficiente e a falta de capacidades básicas nos sistemas de saúde dos países em desenvolvimento. Na Assembleia Mundial da Saúde de 2015, Margaret Chan anunciou a criação de um fundo de contingência de US$ 100 milhões para responder rapidamente a futuras emergências. Até 22 de abril de 2016, o fundo havia obtido US$ 26,9 milhões em recursos e promessas de contribuição. A OMS previu um orçamento básico de US$ 494 milhões para seu Programa de Emergências de Saúde em 2016–2017, um acréscimo de US$ 160 milhões; havia recebido US$ 140 milhões até aquela data.
Em 2016, o programa buscava recuperar a capacidade de ação direta da OMS, que, segundo Lawrence Gostin, especialista em direito da saúde, perdera capacidade operacional com os cortes orçamentários e a perda de especialistas na década anterior e passara a se concentrar na orientação técnica. Como comparação, autoridades de saúde dos Estados Unidos haviam solicitado ao Congresso quase US$ 2 bilhões para combater a zika no país.
Em 17 de maio de 2026, o diretor-geral declarou que a epidemia de ebola causada pelo vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo e em Uganda constituía uma emergência de saúde pública de importância internacional, sem classificá-la como emergência pandêmica. Em outubro, a OMS continuava a apoiar as autoridades sanitárias da República Democrática do Congo na vigilância, nos exames laboratoriais, no atendimento aos pacientes e na coordenação da resposta.

A resposta da OMS à pandemia de COVID-19 começou com a ativação de uma equipe de apoio à gestão de incidentes em 1 de janeiro de 2020, um dia depois de seu escritório na China ter identificado relatos sobre um conjunto de casos de pneumonia de causa desconhecida em Wuhan. Em 5 de janeiro, a OMS comunicou o surto a todos os Estados-membros. Nos dias seguintes, forneceu orientações aos países sobre como responder e confirmou a primeira infecção fora da China. Em 14 de janeiro de 2020, a organização divulgou que as investigações preliminares das autoridades chinesas não haviam encontrado evidências claras de transmissão entre seres humanos do novo coronavírus identificado em Wuhan, então denominado 2019-nCoV. No mesmo dia, alertou para a possibilidade de transmissão limitada entre pessoas; uma semana depois, confirmou esse modo de transmissão. Em 30 de janeiro, declarou uma emergência de saúde pública de importância internacional. Em 2015, Ilona Kickbusch descrevera esse tipo de declaração como uma convocação à ação e uma medida de último recurso para a comunidade internacional. Em 11 de março de 2020, a OMS caracterizou a situação como uma pandemia.
Enquanto coordenava a resposta mundial à pandemia de COVID-19 e mais de 35 operações de emergência contra cólera, sarampo e outras epidemias, a OMS foi criticada por elogiar a resposta sanitária chinesa. Em 2020, jornalistas descreveram dificuldades diplomáticas nas relações da organização com os Estados Unidos e a China. Em fevereiro de 2020, David L. Heymann, professor de epidemiologia de doenças infecciosas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, afirmou que a China havia sido transparente no compartilhamento de dados e permitido à OMS acesso a seus registros.
Em 14 de abril de 2020, no primeiro governo de Donald Trump e durante a resposta internacional à pandemia de COVID-19, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a suspensão do financiamento estadunidense à OMS enquanto examinava sua atuação, que acusou de graves falhas de gestão e de encobrir a disseminação do coronavírus. Líderes mundiais e especialistas em saúde condenaram amplamente o anúncio, feito em meio a críticas à resposta de Trump à epidemia nos Estados Unidos. A OMS considerou a decisão lamentável e defendeu suas ações de alerta sobre a COVID-19. Em 8 de maio de 2020, os Estados Unidos bloquearam a votação de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que buscava promover a cooperação internacional e a suspensão das hostilidades durante a pandemia; a oposição estadunidense à referência à OMS persistiu mesmo em uma versão de compromisso que mencionava apenas as “agências especializadas em saúde” da ONU. Em 6 de julho de 2020, o governo Trump notificou formalmente a ONU da intenção de retirar os Estados Unidos da organização. A decisão foi anunciada no dia seguinte. Seu sucessor, Joe Biden, cancelou a retirada planejada e anunciou, em janeiro de 2021, a retomada do financiamento.
Em 5 de maio de 2023, a OMS anunciou que a COVID-19 deixara de constituir uma emergência de saúde pública de importância internacional, mantendo sua classificação como problema de saúde persistente.
Em janeiro de 2025, no início de seu segundo mandato, Trump assinou uma ordem executiva para retirar os Estados Unidos da OMS, citando, entre outros motivos, supostas falhas na gestão da pandemia de COVID-19. Em 22 de janeiro de 2026, o governo estadunidense anunciou ter concluído a retirada. Em 24 de janeiro, a OMS afirmou que a notificação levantava questões a serem examinadas por seus órgãos dirigentes e contestou as acusações sobre sua atuação na pandemia.
No planejamento da OMS para 2012–2013, a atuação sobre as políticas de saúde governamentais tinha dois objetivos: enfrentar os determinantes sociais e econômicos da saúde por meio de políticas e programas que promovessem a equidade e incorporassem as necessidades da população pobre, as questões de gênero e os direitos humanos; e promover ambientes mais saudáveis, fortalecer a prevenção primária e influenciar políticas de todos os setores para combater as causas das ameaças ambientais à saúde.
Para orientar as políticas de saúde dos Estados-membros, a OMS desenvolve e promove instrumentos, normas e padrões baseados em evidências, supervisiona a aplicação do Regulamento Sanitário Internacional e publica classificações médicas, entre as quais três classificações de referência: a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID), a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) e a Classificação Internacional de Intervenções em Saúde (ICHI). Outros instrumentos internacionais elaborados pela OMS incluem o Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno, adotado em 1981; a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, adotada em 2003; e o Código Global de Práticas para o Recrutamento Internacional de Profissionais de Saúde, adotado em 2010. A organização também mantém a Lista Modelo de Medicamentos Essenciais e sua versão pediátrica. A proposta de um acordo internacional de prevenção e preparação para pandemias ganhou força durante a pandemia de COVID-19. Em 20 de maio de 2025, a Assembleia Mundial da Saúde adotou o Acordo Pandêmico da OMS, após mais de três anos de negociações. Em outubro de 2026, prosseguiam as negociações do anexo sobre acesso a patógenos e repartição de benefícios, cuja aprovação é necessária para abrir o acordo à assinatura e à ratificação pelos países. O acordo prevê entrada em vigor 30 dias após o depósito do sexagésimo instrumento de ratificação, aceitação, aprovação, confirmação formal ou adesão.
As emendas ao Regulamento Sanitário Internacional adotadas em 2024 passaram a vigorar, em geral, em 19 de setembro de 2025. Elas criaram a categoria de “emergência pandêmica”, previram a criação ou designação de autoridades nacionais responsáveis por coordenar a aplicação do regulamento e reforçaram disposições sobre acesso equitativo a produtos médicos e financiamento. Os Estados que rejeitaram as emendas continuaram sujeitos às versões anteriores do regulamento.
Quanto aos serviços de saúde, a OMS busca melhorar a governança, o financiamento, a composição das equipes e a gestão, além da disponibilidade e da qualidade das evidências e pesquisas que orientam as políticas. Também procura ampliar o acesso, a qualidade e o uso de produtos e tecnologias médicas. Em 2009, Steven J. Hoffman e colaboradores concluíram, a partir da análise de uma amostra de recomendações sobre sistemas de saúde, que a OMS e o Banco Mundial, em colaboração com agências doadoras e governos nacionais, poderiam melhorar seu uso de evidências científicas ou, ao menos, a forma de relatá-lo.
Na área de saúde digital, a colaboração da OMS com a União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência especializada das Nações Unidas para as tecnologias da informação e comunicação, incluiu a iniciativa Be He@lthy, Be Mobile e o Grupo Focal UIT–OMS sobre Inteligência Artificial para a Saúde. O grupo focal funcionou de 2018 a setembro de 2023; seus trabalhos foram incorporados à Iniciativa Global de Inteligência Artificial para a Saúde, lançada pela UIT, pela OMS e pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual em julho de 2023.


A OMS desenvolveu conjuntos de medidas técnicas para apoiar os países na melhoria da saúde:
As duas últimas das treze áreas de atuação identificadas no planejamento da OMS para 2012–2013 tratavam do papel da própria organização:
A OMS e o Banco Mundial mantinham uma pequena equipe central de apoio à administração da Parceria Internacional para a Saúde (IHP+), que reunia governos, agências de desenvolvimento, organizações da sociedade civil e outros participantes comprometidos com a melhoria da saúde nos países em desenvolvimento. Os parceiros buscavam aplicar, no setor da saúde, princípios internacionais de eficácia da ajuda e cooperação para o desenvolvimento. Em 2016, a IHP+ transformou-se na UHC2030 e ampliou seu escopo para incluir o fortalecimento dos sistemas de saúde e a cobertura universal de saúde.
Ao longo de sua história, a organização tem contado com contribuições de cientistas e profissionais em grupos como o Comitê de Especialistas da OMS sobre Padronização Biológica, o Comitê de Especialistas da OMS sobre Hanseníase e o Grupo de Estudos da OMS sobre Educação Interprofissional e Prática Colaborativa.
A OMS abriga e administra o secretariado da Aliança para a Pesquisa em Políticas e Sistemas de Saúde, destinada a melhorar as políticas e os sistemas de saúde. Também busca ampliar o acesso à pesquisa e à literatura em saúde nos países em desenvolvimento, por exemplo, por meio da rede HINARI.
Em 2016, a OMS mantinha planos conjuntos de trabalho com o Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária, a Unitaid e o PEPFAR, dos Estados Unidos, para promover programas de enfrentamento do HIV; sua estratégia global para 2016–2021 previa mobilizar recursos para financiá-los. A organização também havia criado o Grupo de Referência da Sociedade Civil sobre HIV, formado por redes que assessoravam políticas e programas e ajudavam a divulgar e implementar diretrizes. Como agência copatrocinadora do UNAIDS, a OMS participava de uma resposta conjunta das Nações Unidas ao HIV em diferentes regiões. O Comitê Consultivo Estratégico e Técnico sobre HIV também aconselhava a organização sobre suas prioridades e políticas. Essa estrutura consultiva foi ampliada para abranger as hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis; a OMS passou a contar com o Grupo Consultivo Estratégico e Técnico sobre HIV, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (STAG-HHS).
Em 2014, a OMS publicou o Global Atlas of Palliative Care at the End of Life em parceria com a Aliança Mundial de Cuidados Paliativos, organização não governamental que colabora com a OMS para promover a inclusão dos cuidados paliativos nas políticas de saúde nacionais e internacionais.
A promoção da saúde é um processo que permite às pessoas ampliar o controle sobre a própria saúde e melhorá-la, com uma abordagem que vai além do comportamento individual e abrange intervenções sociais e ambientais.
A organização celebra anualmente o Dia Mundial da Saúde em 7 de abril, aniversário da fundação da OMS, além de outras datas dedicadas a temas de promoção da saúde. Entre os temas de edições anteriores estiveram as doenças transmitidas por vetores, em 2014, o envelhecimento saudável, em 2012, e a resistência a medicamentos, em 2011.
Outras campanhas mundiais oficiais da OMS incluem o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, a Semana Mundial da Imunização, o Dia Mundial da Malária, o Dia Mundial sem Tabaco, o Dia Mundial do Doador de Sangue, o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais e o Dia Mundial de Combate à AIDS.
Dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, apoiados pela OMS como parte das Nações Unidas, três se relacionavam diretamente com sua área de atuação: reduzir a mortalidade de crianças menores de cinco anos, melhorar a saúde materna e combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças. Entre suas metas estavam reduzir em dois terços a mortalidade de menores de cinco anos e em três quartos a mortalidade materna, entre 1990 e 2015, além de deter e começar a reverter a disseminação do HIV/AIDS até 2015. Os outros cinco também se relacionavam com a saúde mundial.
Entre os instrumentos de coleta de dados utilizados pela OMS para reunir evidências sobre saúde e bem-estar, a Pesquisa Mundial de Saúde, realizada entre 2002 e 2004, abrangeu mais de 300 mil adultos em 70 países. O Estudo sobre Envelhecimento Global e Saúde do Adulto, conhecido pela sigla SAGE, reuniu informações longitudinais sobre adultos a partir dos 18 anos, com ênfase na população de 50 anos ou mais, em amostras nacionais de seis países: África do Sul, China, Gana, Índia, México e Rússia. Sua primeira rodada principal incluiu mais de 40 mil participantes. O Portal de Informações de Saúde dos Países (CHIP) foi desenvolvido como ponto de acesso a informações sobre os serviços de saúde disponíveis em diferentes países. Essas informações foram concebidas para apoiar o planejamento nacional de saúde, com revisões de políticas e recursos para monitoramento e avaliação das estratégias e planos.
Além de ter publicado instrumentos para medir e acompanhar a capacidade dos sistemas de saúde nacionais e dos recursos humanos em saúde, a OMS oferece acesso a dados e análises sobre temas fundamentais de saúde e sobre a situação sanitária mundial pelo Observatório Global da Saúde, um de seus principais portais.
O WHO Assessment Instrument for Mental Health Systems (WHO-AIMS), o WHO Quality of Life Instrument (WHOQOL) e o Service Availability and Readiness Assessment (SARA) orientam a coleta de dados. Iniciativas de colaboração entre a OMS e outras organizações, como a Rede de Métricas de Saúde, também buscaram produzir informações suficientes e de qualidade para apoiar decisões governamentais. A OMS promove a capacidade dos Estados-membros de realizar e utilizar pesquisas que atendam às necessidades nacionais, inclusive por meio da Rede de Políticas Informadas por Evidências (EVIPNet). A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/AMRO) foi a primeira região da OMS a elaborar e aprovar uma política de pesquisa para a saúde, adotada em setembro de 2009.
Em 10 de dezembro de 2013, Dia dos Direitos Humanos, a OMS lançou a base de dados MiNDbank, parte da iniciativa QualityRights, voltada ao enfrentamento das violações de direitos humanos de pessoas com condições de saúde mental. A base reuniu informações sobre saúde mental, uso problemático de substâncias, deficiência, direitos humanos, políticas, estratégias, leis e padrões de serviços de diferentes países. Também incluiu documentos e informações internacionais e permitiu consultar políticas, leis, estratégias e experiências de seus Estados-membros e de outros parceiros no campo da saúde mental.
A OMS publicou a série Relatório Mundial da Saúde, que apresentava avaliações de especialistas sobre temas de saúde global. Entre suas outras publicações estão o Boletim da Organização Mundial da Saúde, o Eastern Mediterranean Health Journal, sob responsabilidade do escritório regional do Mediterrâneo Oriental, a revista Human Resources for Health, publicada em colaboração com a BioMed Central, e a Revista Pan-Americana de Saúde Pública, sob responsabilidade da OPAS/AMRO.
Em 2016, a OMS elaborou uma estratégia mundial do setor da saúde sobre HIV para 2016–2021, com o compromisso de acabar com a epidemia de AIDS como ameaça à saúde pública até 2030 e metas intermediárias para 2020. A estratégia previa ações dos países e da organização em favor da cobertura universal de saúde, do acesso a serviços e produtos médicos, da prevenção de infecções e da informação e educação dos grupos atendidos. Também abordava a adequação dos serviços e recursos às necessidades de populações e regiões cujos sistemas de saúde estivessem comprometidos, inclusive por desastres naturais, e a continuidade do atendimento durante emergências. Apesar dos avanços no controle da transmissão, ressaltava a necessidade de financiamento, educação em saúde e cooperação mundial para enfrentar a epidemia.
Em 2022, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou a implementação de novas estratégias para HIV, hepatites virais e infecções sexualmente transmissíveis no período 2022–2030. Na revisão intermediária publicada em julho de 2026, a OMS informou que o mundo permanecia fora da trajetória necessária para cumprir as metas de 2030. Os avanços mais expressivos haviam ocorrido no enfrentamento do HIV, mas estavam ameaçados por cortes de financiamento.
A base de dados mantida pela OMS sobre a implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, utilizada no acompanhamento de seu cumprimento, foi comparada em 2012 por Steven J. Hoffman e Zain Rizvi com os relatórios nacionais do primeiro ciclo de prestação de informações, em uma correspondência que examinava as disposições mais relacionadas às seis prioridades MPOWER. Segundo os autores, na consulta de 4 de julho de 2012, 361 das 1.104 respostas examinadas (32,7%) apresentavam problemas: 33 erros claros (3%), 270 respostas ausentes apesar de terem sido enviadas (24,5%) e 58 respostas que, na avaliação deles, haviam sido interpretadas incorretamente pela equipe da OMS (5,3%).
Como parte de suas medidas de reconhecimento e integração da medicina tradicional, incluindo a medicina tradicional chinesa, a OMS incorporou à CID-11, que entrou em vigor em 1 de janeiro de 2022, um capítulo suplementar de uso opcional para registrar condições da medicina tradicional em conjunto com diagnósticos da medicina convencional. A decisão, defendida pelas autoridades chinesas, foi criticada em 2019 por médicos e pesquisadores, que advertiram para o risco de legitimar tratamentos sem comprovação de eficácia. Defensores da conservação da fauna também alertaram que ela poderia agravar as ameaças a animais silvestres utilizados na produção de remédios tradicionais. Um porta-voz da OMS esclareceu que a inclusão não representava aprovação da validade científica dessas práticas nem de sua eficácia terapêutica.
Em maio de 2025, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou uma nova estratégia mundial de medicina tradicional para 2025–2034, que prioriza o fortalecimento das evidências científicas, da regulação, da segurança, da qualidade e da efetividade dessas práticas e prevê sua integração aos sistemas de saúde quando apropriado.
A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à OMS, realiza e coordena pesquisas sobre as causas do câncer e reúne e publica dados de vigilância epidemiológica sobre a ocorrência da doença no mundo, com informações obtidas por meio do registro de câncer. Seu programa de monografias identifica perigos carcinogênicos e avalia os fatores ambientais capazes de causar câncer em seres humanos.
A Organização Mundial da Saúde integra o Grupo das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.
Em outubro de 2026, a lista institucional da OMS enumerava 194 Estados-membros: os membros da Organização das Nações Unidas, com exceção de Liechtenstein, além das Ilhas Cook e de Niue, que não integram a ONU. A lista mantinha os Estados Unidos, com a ressalva de que sua notificação de retirada permanecia sujeita à consideração dos órgãos dirigentes da OMS. Para integrar a OMS como membro pleno, um Estado deve aceitar a Constituição da organização e cumprir as regras de admissão nela previstas. Porto Rico, Tokelau e as Ilhas Feroe são membros associados. A proposta de escala de contribuições obrigatórias para 2022–2023, apresentada em janeiro de 2021, considerava 194 Estados-membros e dois membros associados. As Ilhas Feroe, cuja admissão foi aprovada em 2021, foram incluídas na escala revista de 2023.
A Palestina possui estatuto de observador na OMS, e sua participação tem como antecedente o convite feito, em 1974, aos movimentos de libertação nacional reconhecidos pela Liga Árabe ou pela Organização da Unidade Africana. A resolução da Assembleia Mundial da Saúde que autorizou esses convites recordava a Resolução 3118 da Assembleia Geral das Nações Unidas. Em 2024, foram ampliados os direitos de participação da Palestina como Estado observador, incluindo os de apresentar propostas e intervir nos debates, sem direito a voto na Assembleia Mundial da Saúde nem a candidaturas aos órgãos da OMS. A Ordem Soberana e Militar de Malta também participa como observadora, por convite do diretor-geral. A Santa Sé participa como observador, e sua condição de "Estado observador não membro" foi formalizada por uma resolução da Assembleia em 2021. O governo de Taiwan participou como observador na Assembleia Mundial da Saúde sob a denominação "Taipé Chinesa" entre 2009 e 2016, mas deixou de receber convites a partir de 2017.
Em 20 de janeiro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou a Ordem Executiva 14155, que iniciou o processo de retirada do país da OMS. Em 22 de janeiro de 2026, o governo estadunidense declarou concluída a retirada; a OMS, por sua vez, informou que a notificação suscitava questões a serem apreciadas por seus órgãos dirigentes. Em 5 de fevereiro de 2025, o presidente argentino Javier Milei anunciou que a Argentina também se retiraria da organização. A comunicação argentina indicou 17 de março de 2026 como data de efetivação. Em maio de 2026, a Assembleia Mundial da Saúde tomou conhecimento da comunicação e decidiu que nenhuma medida adicional era desejável naquele momento, mantendo aberta a possibilidade de plena cooperação argentina.
Os Estados-membros designam delegações que participam da Assembleia Mundial da Saúde, o órgão máximo de decisão da OMS, responsável por determinar as políticas da organização. Todos os membros da ONU podem ingressar na organização; outros Estados podem ser admitidos quando seus pedidos recebem aprovação por maioria simples da Assembleia.
O Conselho Executivo é composto por pessoas tecnicamente qualificadas na área da saúde e executa as decisões e políticas da Assembleia Mundial da Saúde. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha e a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, que possuem estatuto de observador na ONU, são convidados como observadores pelo diretor-geral da OMS. A base jurídica dessa participação é distinta daquela aplicável aos atores não estatais em relações oficiais com a organização. A OMS também reconhece relações oficiais com atores não estatais que mantêm colaboração contínua com a organização.
A República da China, cujo governo controlou a China continental entre 1912 e 1949 e passou a administrar Taiwan ao fim da Segunda Guerra Mundial, foi membro fundador da OMS, representando a "China". Em 1971, a Resolução 2758 da Assembleia Geral das Nações Unidas transferiu a representação chinesa na ONU à República Popular da China. A Assembleia Mundial da Saúde adotou decisão correspondente em 10 de maio de 1972, por meio da Resolução WHA25.1, reconhecendo os representantes do governo da República Popular como os únicos representantes legítimos da China na OMS e excluindo os representantes de Chiang Kai-shek. As divergências sobre a representação da China relacionam-se à política de uma só China e às reivindicações de soberania dos governos de Pequim e Taipé. Em 2013, o então presidente taiwanês Ma Ying-jeou afirmou que, segundo sua interpretação da Constituição, a China continental fazia parte do território da República da China.
Em 28 de abril de 2009, o Departamento de Saúde da República da China foi convidado pela OMS a participar da 62.ª Assembleia Mundial da Saúde, realizada em maio, como observador, sob o nome de "Taipé Chinesa". Foi a primeira participação da República da China nessas reuniões desde sua exclusão, em um contexto de melhora das relações entre China e Taiwan após a posse de Ma Ying-jeou como presidente da República da China, no ano anterior. Os convites cessaram após a eleição de 2016, que levou de volta ao poder o Partido Democrático Progressista, favorável à independência, e a pressão diplomática da República Popular da China.
A oposição de Pequim à participação taiwanesa restringiu o acesso de Taiwan à OMS e a outros organismos vinculados à ONU, e seus delegados não receberam convites para participar da Assembleia Mundial da Saúde entre 2017 e 2020. Segundo a publicação taiwanesa The News Lens, jornalistas de Taiwan também tiveram o acesso à cobertura da Assembleia negado em diversas ocasiões.
Em maio de 2018, jornalistas taiwaneses tiveram o credenciamento para a Assembleia anual negado, medida que a Freedom House atribuiu à pressão chinesa. Ainda naquele mês, 172 integrantes da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos escreveram ao diretor-geral da organização para defender a participação de Taiwan como observador na Assembleia.
Nos primeiros meses de 2020, a resposta de Taiwan à pandemia de COVID-19, elogiada por especialistas, ampliou a pressão por sua participação na OMS. Em 5 de maio de 2020, o ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, manifestou apoio pessoal à proposta taiwanesa de retornar à organização. Em janeiro de 2020, a exclusão de Taiwan de uma reunião de emergência sobre o surto uniu partidos políticos que habitualmente divergiam entre si. O principal partido de oposição, o Kuomintang, criticou a exclusão e argumentou que as doenças não respeitam a política nem a geografia. O governo chinês rejeitou essas críticas e afirmou que ninguém se preocupava mais com a saúde e o bem-estar da população taiwanesa do que o governo central da República Popular da China. Em 29 de janeiro de 2020, o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau apoiou a participação de Taiwan como observador nas reuniões da Assembleia Mundial da Saúde, enquanto o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe defendeu a participação taiwanesa na OMS. Em janeiro de 2020, a União Europeia, observadora na OMS, defendeu soluções práticas para a participação taiwanesa nas discussões sobre o coronavírus e em atividades da organização nas quais Taiwan tivesse conhecimentos relevantes. Em 2019, autoridades dos Estados Unidos, da Alemanha e da Austrália também haviam manifestado apoio à participação de Taiwan na Assembleia. Em 7 de maio de 2020, o governo da Nova Zelândia declarou formalmente seu apoio à participação taiwanesa como observadora na Assembleia.
Em uma entrevista exibida em março de 2020, Bruce Aylward, então assessor sênior da OMS, disse não ter ouvido uma pergunta da jornalista Yvonne Tong, da RTHK, sobre a admissão de Taiwan na organização e pediu que ela passasse à pergunta seguinte. A chamada foi interrompida. Quando a conexão foi restabelecida, Tong perguntou sobre a resposta de Taiwan à pandemia. Aylward respondeu que já haviam discutido a China e encerrou a entrevista. Entre as reações, o escritor Gordon Chang acusou a OMS de estar sob influência chinesa. Em 29 de março, a OMS declarou que a decisão sobre a admissão de Taiwan como membro cabia aos Estados-membros.
Em 8 de maio de 2020, os deputados estadunidenses Eliot Engel, presidente democrata da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, e Michael McCaul, principal integrante republicano da comissão, e os senadores Jim Risch, presidente republicano da Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, e Bob Menendez, principal integrante democrata da comissão, enviaram uma carta conjunta a quase 60 países considerados de posições semelhantes. A carta, dirigida a países como Canadá, Tailândia, Japão, Alemanha, Reino Unido, Arábia Saudita e Austrália, solicitava apoio à participação de Taiwan na OMS.
Em novembro de 2020, as palavras "Taiwan" e "China" foram bloqueadas nos comentários de uma transmissão ao vivo na página da OMS no Facebook. A organização afirmou que aplicara filtros para conter mensagens repetitivas e ataques automatizados e, em 12 de novembro, informou ter restabelecido a publicação das duas palavras.
Em 18 de maio de 2026, a Assembleia voltou a rejeitar uma proposta de convidar Taiwan como observador. China e Paquistão se opuseram à proposta, enquanto Palau esteve entre os países que a apoiaram.
Em 14 de abril de 2020, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que suspenderia o financiamento estadunidense à OMS enquanto examinava o papel da organização no que descreveu como má gestão e encobrimento da disseminação do coronavírus. Líderes mundiais e especialistas em saúde condenaram amplamente o anúncio, feito em meio a críticas à resposta de Trump ao surto nos Estados Unidos. A OMS classificou a decisão como lamentável e defendeu suas ações de alerta ao mundo sobre o surgimento da COVID-19. Em 6 de julho de 2020, Trump notificou formalmente a ONU de sua intenção de retirar os Estados Unidos da organização. Seu sucessor, Joe Biden, cancelou a retirada planejada após tomar posse, em 20 de janeiro de 2021, e anunciou a retomada do financiamento.
Em 20 de janeiro de 2025, poucas horas depois de voltar à Presidência, Trump assinou uma ordem executiva que iniciou uma segunda tentativa de retirada da OMS. O governo estadunidense declarou a retirada concluída em 22 de janeiro de 2026, um ano após o recebimento da notificação pelas Nações Unidas. A OMS distinguiu esse anúncio da apreciação da notificação por seus órgãos dirigentes e manteve o país em sua lista institucional com uma ressalva sobre a questão. Em 23 de janeiro, o estado da Califórnia anunciou que participaria da Rede Mundial de Alerta e Resposta a Surtos, vinculada à OMS, tornando-se o primeiro estado estadunidense a aderir à rede.

A Assembleia Mundial da Saúde, órgão deliberativo máximo da OMS, tem sede em Genebra e normalmente se reúne em maio de cada ano. Nomeia o diretor-geral a cada cinco anos e delibera sobre as políticas e as finanças da organização, inclusive a proposta orçamentária. Também examina os relatórios do Conselho Executivo e decide quais áreas de atuação precisam de análise adicional.
A Assembleia elege os Estados-membros que designam 34 pessoas tecnicamente qualificadas na área da saúde para integrar o Conselho Executivo, com mandatos de três anos. As principais funções do Conselho são executar as decisões e políticas da Assembleia, assessorá-la e facilitar seu trabalho. Em maio de 2026, Tandin Wangchuk, ministro da Saúde do Butão, foi eleito presidente do Conselho.
O diretor-geral, que dirige a organização, é nomeado pela Assembleia Mundial da Saúde para um mandato de cinco anos, normalmente na reunião de maio. Tedros Adhanom Ghebreyesus assumiu o cargo em 1 de julho de 2017. Seu segundo mandato começou em 16 de agosto de 2022, com término previsto para 15 de agosto de 2027.
Além dos escritórios regionais, nacionais e de ligação, a Assembleia Mundial da Saúde criou instituições como a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) para promover e realizar pesquisas.
Em 2017, a OMS empregava cerca de 8.500 pessoas em 147 países. Em 31 de dezembro de 2025, a OMS tinha 8.569 funcionários, dos quais 7.060 ocupavam postos de longo prazo e 1.509 tinham contratos temporários. Esse total representava uma redução de 9,4% em relação aos 9.463 funcionários no fim de 2024. Para manter um ambiente de trabalho livre de tabaco, a organização não recruta fumantes. A OMS também promoveu a adoção da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, em 2003.
A OMS designa embaixadores da boa vontade, personalidades das artes, dos esportes e de outras áreas da vida pública que chamam a atenção para suas iniciativas e projetos. Entre os que exerceram essa função estão Jet Li, Nancy Brinker, Peng Liyuan, Yohei Sasakawa e a Orquestra Filarmônica de Viena, além de Craig David, vinculado a um projeto de parceria. Os brasileiros Alisson Becker e Natália Loewe Becker também são embaixadores da OMS para a promoção da saúde.
Em outubro de 2017, Tedros nomeou o então presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, embaixador da boa vontade da OMS para apoiar o combate às doenças não transmissíveis. Ao anunciar a nomeação, elogiou o compromisso de Mugabe com a saúde pública no país. A escolha provocou críticas de Estados-membros e de organizações internacionais em razão do histórico de violações dos direitos humanos e da deterioração dos serviços de saúde sob seu governo. A nomeação foi revogada em 22 de outubro.
A Sociedade Médica da Organização Mundial da Saúde promoveu palestras de pesquisadores e serviu de espaço para a divulgação de estudos e recomendações por seus convidados. Entre 1970 e 1980, suas atividades incluíram conferências, mesas-redondas e sessões de filmes sobre pesquisas e temas de saúde. Seu fundador, S. William A. Gunn, também a presidiu. Em 1983, Murray Eden recebeu a medalha da Sociedade Médica por seu trabalho como consultor de pesquisa e desenvolvimento do diretor-geral da OMS.
Em 2020–2021, Alemanha, Estados Unidos, Fundação Bill e Melinda Gates, Reino Unido, GAVI Alliance e Comissão Europeia estiveram entre os maiores financiadores da OMS, que recebe contribuições dos Estados-membros e de doadores externos. O Conselho Executivo criou, em 2021, um grupo de trabalho encarregado de rever a estratégia de financiamento e apresentar recomendações. A Assembleia Mundial da Saúde aprovou essas recomendações em 2022, incluindo o aumento gradual das contribuições obrigatórias dos membros para o equivalente a 50% do orçamento básico de 2022–2023, até o ciclo de 2030–2031.
Em maio de 2025, a Assembleia aprovou um novo aumento de 20% das contribuições obrigatórias, após aumento de igual proporção no orçamento de 2024–2025. O orçamento básico aprovado para 2026–2027 foi reduzido em relação à proposta inicial, diante das restrições financeiras. O orçamento-programa total para 2026–2027 foi fixado em US$ 6.206,7 milhões, dos quais US$ 4.267,1 milhões correspondiam aos programas básicos.
| Posição | Contribuinte | Contribuições obrigatórias | Voluntárias especificadas | Voluntárias temáticas | Voluntárias básicas | Parceria de preparação para pandemias de influenza | Total | Participação |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Alemanha | 58,28 | 952,84 | 137,58 | 0,00 | 0,00 | 1.148,70 | 15,15% |
| 2 | Estados Unidos | 231,53 | 447,84 | 0,22 | 0,00 | 0,00 | 679,59 | 8,96% |
| 3 | Fundação Bill e Melinda Gates | 0,00 | 592,28 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 592,28 | 7,81% |
| 4 | Reino Unido | 43,70 | 367,09 | 11,19 | 119,58 | 0,00 | 541,57 | 7,14% |
| 5 | GAVI Alliance | 0,00 | 413,19 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 413,19 | 5,45% |
| 6 | Comissão Europeia | 0,00 | 309,58 | 102,71 | 0,00 | 0,00 | 412,29 | 5,44% |
| 7 | Japão | 81,95 | 122,31 | 1,30 | 0,00 | 0,00 | 205,57 | 2,71% |
| 8 | China | 114,88 | 62,78 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 177,66 | 2,34% |
| 9 | Banco Mundial | 0,00 | 158,13 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 158,13 | 2,09% |
| 10 | Rotary International | 0,00 | 151,55 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 151,55 | 2,00% |
| Demais contribuições | 426,55 | 2.246,72 | 260,49 | 117,14 | 51,83 | 3.102,73 | 40,92% | |
| Total geral | 956,90 | 5.824,32 | 513,49 | 236,72 | 51,83 | 7.583,26 | 100,00% | |
Os valores seguem as categorias e o total geral do portal orçamentário; eventuais diferenças nas somas decorrem do arredondamento.
No início do século XXI, a OMS ampliou sua colaboração com entidades externas e, entre as 473 relações identificadas entre sua sede e organizações não governamentais, 45% eram com entidades em "relações oficiais" e 55% com outras entidades. Em julho de 2002, havia 189 organizações internacionais em relações oficiais com a OMS; as demais modalidades de relação eram consideradas informais. Entre os parceiros figuravam a Fundação Bill e Melinda Gates e a Fundação Rockefeller.
Em 2022, as maiores contribuições obrigatórias anuais dos Estados-membros eram as dos Estados Unidos (US$ 109 milhões), da China (US$ 57 milhões), do Japão (US$ 41 milhões), da Alemanha (US$ 29 milhões), do Reino Unido (US$ 22 milhões) e da França (US$ 21 milhões).
Em maio de 2017, a Associated Press informou que a OMS gastava cerca de US$ 200 milhões anuais em viagens, acima da soma destinada em 2016 ao HIV/AIDS e à hepatite, à tuberculose e à malária. Segundo a reportagem, Margaret Chan, diretora-geral de janeiro de 2007 a junho de 2017, hospedou-se naquele mês, na Guiné, em uma suíte anunciada por cerca de US$ 1.000 a diária. A OMS não confirmou quem pagou a hospedagem e declarou que governos anfitriões às vezes custeavam essas despesas.
Em 2025, os gastos da OMS com viagens somaram US$ 106,26 milhões, ante US$ 206,17 milhões em 2024.
Em abril de 2020, os Estados Unidos eram o maior contribuinte da OMS, com mais de US$ 400 milhões anuais. As contribuições obrigatórias estadunidenses eram financiadas pela conta de contribuições a organizações internacionais do Departamento de Estado. Em abril de 2020, Donald Trump, apoiado por integrantes de seu partido, anunciou a suspensão do financiamento à OMS. O plano previa reter os recursos por 60 a 90 dias, durante uma investigação sobre a atuação da organização na pandemia de COVID-19 e suas supostas relações com o governo chinês. O anúncio foi imediatamente criticado por líderes como António Guterres, secretário-geral da ONU, Heiko Maas, ministro das Relações Exteriores da Alemanha, e Moussa Faki Mahamat, presidente da Comissão da União Africana. Nos dois primeiros anos da pandemia, o financiamento estadunidense caiu cerca de um quarto, segundo dados provisórios da OMS disponíveis em janeiro de 2022; naquele momento, havia expectativa de aumento para 2022–2023. A receita recebida pela OMS dos Estados Unidos no biênio de 2022–2023 totalizou US$ 1,284 bilhão.
Em 16 de maio de 2020, a Reuters noticiou, com base em uma reportagem da Fox News sobre uma minuta de carta, que o governo Trump considerava retomar parte do financiamento, limitando-o ao valor das contribuições obrigatórias chinesas, equivalente a cerca de um décimo da contribuição estadunidense anterior. Para o biênio de 2018–2019, os recursos disponíveis provenientes da China somavam US$ 75,796 milhões em contribuições obrigatórias e US$ 10,184 milhões em contribuições voluntárias especificadas, num total de US$ 85,98 milhões.
As autoridades sanitárias dos Estados-membros apresentam candidaturas aos prêmios da Organização Mundial da Saúde administrados pelo diretor-geral, destinados a reconhecer realizações na área da saúde pública. As candidaturas são avaliadas pelos comitês de seleção de cada prêmio. Com base nas recomendações desses comitês, o Conselho Executivo escolhe os vencedores, que recebem as distinções durante a Assembleia Mundial da Saúde. A organização também mantém prêmios regionais, entregues nas sessões dos respectivos comitês regionais.
O edifício principal da sede da organização, em Genebra, na Suíça, foi projetado pelo arquiteto suíço Jean Tschumi e inaugurado em 1966. Em 2014, a organização lançou um concurso internacional para a reforma e ampliação de sua sede. A nova extensão foi concluída em 2021. Em 19 de maio de 2025, o edifício principal reformado foi reinaugurado, após mais de três anos de obras.
A rede de escritórios nacionais da OMS, distribuída por suas seis regiões, contava com 147 escritórios em 2012 e 153 em funcionamento em países, territórios e áreas em 2024. A organização também mantém escritórios de ligação. Em 2012, suas unidades incluíam representações junto à União Europeia, à ONU, ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional, além da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, em Lyon, na França, e do Centro da OMS para o Desenvolvimento da Saúde, em Kobe, no Japão. Em dezembro de 2025, a OMS anunciou o encerramento do Centro de Kobe em 31 de março de 2026, em razão da decisão de seus principais doadores de encerrar o apoio a partir dessa data. O comunicado previa a continuidade de sua agenda de pesquisa e de atividades locais por meio de instituições da OMS e de parceiros. Em 2012, também havia representações em Pristina, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, o escritório para a fronteira entre os Estados Unidos e o México em El Paso, o escritório de coordenação do programa do Caribe em Barbados e o escritório para a Micronésia Setentrional. Os escritórios nacionais podem se localizar na capital e contar com unidades nas províncias ou em outras subdivisões do país.
Em 2010, os representantes da OMS, uma das categorias de chefia dos escritórios nacionais, eram funcionários internacionais, com exceção do representante na Líbia, que era nacional do país. Nas Américas, eram denominados representantes da OPAS/OMS; na Região Europeia, representantes da OMS/chefes de escritório. Havia também uma categoria de chefes de escritório, exclusiva da Região Europeia, ocupada por funcionários nacionais, exceto na Sérvia. Albânia, Rússia, Tajiquistão, Turquia e Uzbequistão contavam com representantes da OMS/chefes de escritório. O escritório nacional é dirigido por um representante da OMS, que integra a equipe do sistema das Nações Unidas no país, articulada pelo coordenador residente.
A equipe do escritório nacional é formada pelo representante, por especialistas em saúde e em outras áreas, de origem nacional e estrangeira, e pelo pessoal de apoio necessário. Entre suas principais funções está o assessoramento ao governo em questões de saúde e de política farmacêutica.

As divisões regionais da OMS foram criadas entre 1948 e 1952, seguindo o modelo da Organização Pan-Americana da Saúde, que já existia. Sua base jurídica é o artigo 44 da Constituição da OMS, que permite estabelecer uma organização regional para atender às necessidades específicas de cada área definida. Muitas decisões são tomadas no âmbito regional, incluindo discussões sobre o orçamento e propostas encaminhadas aos órgãos mundiais da organização.
Cada região tem um comitê regional que geralmente se reúne uma vez por ano, no segundo semestre, com a participação de representantes dos membros e membros associados da região, além de representações cuja participação esteja prevista nas regras aplicáveis. A Palestina, por exemplo, participa das reuniões do Comitê Regional para o Mediterrâneo Oriental. Cada região também conta com um escritório regional. O escritório é dirigido por um diretor indicado pelo comitê regional e nomeado pelo Conselho Executivo, em acordo com o comitê. Em 2016, Tine Hanrieder afirmou que a autoridade central prevista na Constituição sobre a escolha dos diretores regionais nunca havia sido exercida na prática. A autora também descreveu debates e tentativas de ampliar a participação dos órgãos centrais nessa escolha, que não resultaram na centralização da escolha dos diretores regionais. Em 1998, o Conselho Executivo estabeleceu para as novas nomeações de diretores regionais um mandato de cinco anos, renovável uma vez. A posse costuma ocorrer em 1.º de fevereiro, embora haja exceções.
Os comitês regionais, formados por representantes dos governos da região, indicam o diretor regional, formulam políticas para assuntos de caráter exclusivamente regional, supervisionam as atividades do escritório e recomendam trabalhos e investigações que contribuam para os objetivos da organização. Também cooperam com outros organismos regionais e acompanham a execução das políticas da Assembleia Mundial da Saúde. O escritório regional funciona como órgão administrativo do comitê e executa, na região, as decisões da Assembleia e do Conselho Executivo.
O diretor regional dirige o trabalho da OMS na respectiva região, administra ou supervisiona as equipes do escritório e dos centros especializados e exerce atribuições de supervisão sobre os escritórios nacionais, no âmbito da autoridade delegada pelo diretor-geral.
Tine Hanrieder afirmou, em 2015, que críticas à autonomia dos escritórios regionais motivaram tentativas de ampliar a coordenação e a supervisão a partir da sede, que não conseguiram reverter a descentralização. O programa de erradicação da varíola contou com coordenação mundial sediada em Genebra e com assessores regionais que ligavam a sede aos programas nacionais. O Programa Global de Combate à AIDS, criado na década de 1980, foi inicialmente colocado diretamente sob a autoridade do diretor-geral e dependia menos dos canais financeiros e de comunicação dos escritórios regionais do que os programas convencionais.
| Região | Sede | Abrangência e direção |
|---|---|---|
| África | Brazavile, República do Congo | O AFRO abrange a maior parte da África, com exceção de Egito, Sudão, Djibuti, Tunísia, Líbia, Somália e Marrocos, vinculados ao EMRO. O diretor regional é Mohamed Yakub Janabi, que assumiu o cargo em 30 de junho de 2025. |
| Europa | Copenhague, Dinamarca | O EURO abrange os países europeus membros da OMS, Israel e os países da antiga União Soviética. Liechtenstein não integra a organização. O diretor regional é o belga Hans Kluge, no cargo desde 2020. |
| Sudeste Asiático | Nova Déli, Índia | A região do SEARO inclui a Coreia do Norte. Nilesh Buddha assumiu como responsável interino pelo escritório em 17 de agosto de 2026, sucedendo a Catharina Boehme, que exercia a função desde julho de 2025. |
| Mediterrâneo Oriental | Cairo, Egito | O EMRO abrange os países africanos não incluídos no AFRO, diversos países do Oriente Médio, além do Afeganistão e do Paquistão. Israel integra a Região Europeia. A diretora regional é a saudita Hanan Balkhy, no cargo desde 1.º de fevereiro de 2024. |
| Pacífico Ocidental | Manila, Filipinas | O WPRO abrange países e áreas da Ásia não atendidos pelo SEARO, pelo EMRO ou pelo EURO, além da Oceania. A Coreia do Sul integra essa região. A Indonésia foi transferida para ela em 2025. O diretor regional é o tonganês Saia Ma'u Piukala, no cargo desde 1.º de fevereiro de 2024. |
| Américas | Washington, D.C., Estados Unidos | A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) atua como escritório regional da OMS e abrange as Américas. Seu diretor é o brasileiro Jarbas Barbosa, no cargo desde 1.º de fevereiro de 2023. |
Em 2021, a Fundação Bill e Melinda Gates era o principal financiador privado da OMS, responsável por aproximadamente 10% de seu orçamento. Em 2025, a fundação foi o maior contribuinte do orçamento-programa, com cerca de US$ 321 milhões, equivalentes a 11% da receita desse orçamento.
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